ir para o conteúdo
 • 

Patrocinado por

01.dezembro.2009 11:56:39

Arruda, o Durval do DEM?

O escândalo político de Brasília entra no seu quarto dia sem que o DEM consiga dar qualquer informação ao distinto público sobre o que pretende fazer em relação ao único governador da legenda, José Roberto Arruda, flagrado em ato explícito de corrupção. Não há outro nome para definir o que o país inteiro assistiu no vídeo no qual Arruda recebe dinheiro em espécie, embora a advocacia faça o seu papel ao classificar o episódio como “crime eleitoral”.

A demora do DEM denuncia a preocupação com a ameaça do governador, cuja reação surpreendeu uma cúpula partidária que esperava encontrá-lo frágil e vulnerável à primeira censura e, portanto, sem poder de contestação. Não foi o que aconteceu: Arruda se impôs ao partido com a ameaça de “radicalizar” se insistirem na sua expulsão.

Por “radicalizar”, entenda-se abrir a “caixa de pandora” que pode guardar informações sobre as campanhas eleitorais do partido presumivelmente contaminadas pelos recursos “não contabilizados”.  E não se pode descartar a possibilidade de parte da soma arrecadada no esquema de Brasília ter alimentado , direta ou indiretamente, o DEM nacional. Ou ter escoado para campanhas aqui e ali.

Se o DEM não sair da reunião de hoje, às 17 horas, com uma decisão convincente em relação ao seu governador em Brasília, estará alimentando a suspeita já disseminada de que tem algo a temer além do desgaste político. O que significaria ter em Arruda o seu Durval Barbosa.

Tags: , , ,

Comentários (14) | comente

O governador José Roberto Arruda (DEM) costuma dizer que ganhou a eleição para o governo do Distrito Federal “por dentro”. Talvez não haja expressão melhor para refletir o modus operandi político brasileiro comum a todos os governos, governantes e partidos.

Arruda sempre usou a expressão em defesa dos que lhe cobravam a permanência em seu governo de auxiliares de seu antecessor e adversário eleitoral, Joaquim Roriz. “Por dentro” se traduz como a garantia de alianças entre o governo que sai e o que entra, pela preservação dos interesses comuns. Sem essa aliança, o risco eleitoral de Arruda era bem maior do que sugere a sua folgada vitória contra Maria de Lourdes Abadia, a Dilma Rousseff de Roriz, “cristianizada” por uma base aliada previamente comprada (agora resgatam as promissórias).

Nesse contexto, o elo entre Roriz e Arruda foi exatamente o ex-policial Durval Barbosa, operador de ambos, que tinha o hábito preventivo de gravar e filmar seus parceiros para “eventualidades futuras”. Seu poder de chantagem o manteve em dois governos, de adversários que hoje se odeiam, mas que o dividem.

“Por dentro” foi uma escolha pela corrupção como sustentação política, com balcão para os negócios, gerente financeiro e uma clientela de políticos e empresários numa rede público-privada operante há mais de uma década.

Se descrita sem vídeos espetaculares, a operação em curso no DF seria mais uma candidata à impunidade, com seus atores sendo reabilitados em curto prazo pelos respectivos partidos, como ocorre agora no PT.

Manifestantes usam panetone em protesto em frente a casa de Arruda, após reunião com o DEM

Manifestantes usam panetone em protesto em frente a casa de Arruda, após reunião com o DEM

É certo que esse episódio servirá de munição em palanques adversários do DEM em 2010. O PT, por exemplo, comemora o surgimento do “mensalão do DEM” e dá-se por desagravado pelo fato de não estar mais só no banco dos réus. Isso lhe basta até porque o partido já absolveu seus “mensaleiros” e conta com o tempo elástico da advocacia e do Judiciário para que prescrevam seus crimes.

Mas, como há vídeos e o strip-tease continua nas telas das televisões, o DEM pagará mais caro que seus adversários pelo crime que é comum à política brasileira. A campanha política acaba para o eleitor com a contabilização dos votos, mas a arrecadação do dinheiro prossegue nos governos eleitos.

Nada de novo, pois, no horizonte de 2010, o eleitor já está anestesiado para a troca de denúncias e o País, pelas reações ao novo escândalo, se pergunta “quem não faz”, numa alusão aos partidos e políticos em geral. Na internet percebe-se, em maior volume, o desencanto que gera sempre a proposta de voto nulo.

Não haverá partido livre de flagrantes de negociatas sem uma ampla reforma política.

* Texto publicado na versão impressa do Estadão desta terça-feira

Tags: , , ,

Comentários (34) | comente

30.novembro.2009 19:39:28

A Oração da propina

Leia abaixo a íntegra da Oração da Propina que os deputados Rubens César Brunelli Jr. (PSC-DF) e Leonardo Prudente (DEM-DF), presidente da Câmara Distrital, ofereceram ao então secretário Durval Barbosa (Relações Institucionais), que distribuía as propinas entre a base aliada. A ironia é a circulação do vídeo no Dia dos Evangélicos, que o ex-governador Joaquim Roriz transformou em feriado na Capital, em busca dos votos dos fiéis.

“Pai, queremos te agradecer por estarmos aqui. Sabemos que somos falhos, que somos imperfeitos, mas queremos agradecer aos santos que nos purificam. Olha, nós somos gratos pelo amigo Durval, que tem sido um instrumento de bênção para as nossas vidas e para essa cidade, que o Senhor contemple as questões do seu coração.

Santas são as investidas, Senhor, de homens malignos contra a vida dele, contra as nossas vidas. Nós precisamos dessa tua cobertura, dessa tua graça, da tua sabedoria. De pessoas que tenham, Senhor, armas para nos ajudar nessa guerra. E, acima de tudo, é o Senhor.

Todas as armas podem ser falhas, todos os planejamentos podem falhar, todas nossas atividades, mas o Senhor nunca falha. O Senhor tem pessoas para condicionar e levar o coração para onde o Senhor quer. A sentença é o Senhor quem determina, o parecer e o despacho é o Senhor que faz acontecer.

Nós precisamos de livramento na vida do Durval, dos seus filhos, familiares. Nós precisamos de uma cidade diferente, o Senhor tem uma cidade diferente para nós. Tu tens um novo templo para nós, Senhor. E eu creio, Senhor, na tua palavra. O Senhor é verdade, o Senhor é nossa Justiça. O Senhor é aquele que me abre as portas. Meu Deus, a palavra irá envergonhá-los, serão constituídos em nada aqueles que se levantarem contra nós.

O Senhor um dia pegou um rei, o rei Nabucodonosor e fez ele pastar, comer capim, para entender que o Senhor prevalece. Meu Deus, nós estamos sendo alvo de petardos. Meu Deus, dá um jeito nessa situação. Tira esses homens do nosso caminho”.

Tags: , , ,

Comentários (19) | comente

30.novembro.2009 17:17:25

PPS está na fita

Não durou muito o teatro do PPS anunciando o rompimento com o governo e condenando a corrupção: há gravações que implicam o presidente local do partido e subsecretário de Saúde, Fernando Antunes, acusado de cobrar dinheiro para a campanha eleitoral do partido em São Paulo.

Segundo a acusação, Antunes teria criado dificuldades num contrato com fornecedor da secretaria para vender facilidades. O velho esquema de sempre: pede auditoria no contrato, alardeia a tese da transparência, tira o oxigênio do prestador de serviço.

No fim, sugere a doação partidária que, uma vez dada, cessa a auditoria, libera o pagamento atrasado e acaba as dificuldades. Entre o primeiro ato e o último, a empresa espera cerca de 90 dias sem receber.

Atualizado às 19h02

Tags: , , ,

Comentários (80) | comente

30.novembro.2009 17:16:47

PPS abandona Arruda

Em nota , o PPS anunciou há pouco o rompimento da aliança com o governo de José Roberto Arruda renunciando a todos os cargos que ocupava. O partido pede o afastamento imediato do governador. Aproveita para reiterar sua condenação ao mensalão do PT.

Do ponto-de-vista político não resta outra alternativa ao PPS e a qualquer outro partido aliado a Arruda, já que o governo desmoronou. Convém aguardar os desdobramentos da crise, porque a área da Saúde, sob comando do PPS , é uma das mais visadas pela investigação. O presidente do PPS local, Fernando Antunes, que assina a nota de rompimento com Arruda, é o segundo homem na secretaria de Saúde do DF. O primeiro é o deputado federal Augusto Carvalho – adversário histórico do governador.

Tags: , , ,

Sem Comentários | comente

30.novembro.2009 06:25:21

É só o começo

escândalo que decretou a morte política do governador José Roberto Arruda tem aspectos que o diferenciam de tantos outros de mesma gênese. O striptease, dessa vez, começou de cima para baixo. Geralmente, as escutas, vídeos e provas do gênero são  produzidas nos escalões inferiores e historicamente não chegam à autoridade máxima. As punições, em conseqüência, ficam na chamada raia miúda.

No episódio Arruda, o primeiro vídeo já alcançou o governador e a quantidade de provas em mãos da Polícia Federal projeta um cenário de corrupção de extensão estarrecedora. O acervo de vídeos e escutas do ex-policial Durval Barbosa é suficiente para comprometer quase uma centena de atores desse processo. Vai muito além das imagens já divulgadas, em que parlamentares, incluindo o presidente da Câmara Distrital, Leonardo Prudente, aparecem enchendo os bolsos de dinheiro.

Um desses vídeos (veja abaixo), é especialmente chocante: parlamentares agradecem a Deus pela propina, numa cena inacreditável.

Download

Deputado Rubens César Brunelli (PSC-DF), de camisa roxa, o presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente (DEM), de camisa branca, e Durval Barbosa.

Ainda vão surgir os grandes operadores do esquema, do qual Barbosa faz parte e que envolve personagens públicos e privados, da Câmara Distrital a imobiliárias, de publicitários a ex-policiais, do Executivo ao Judiciário. Chegará a políticos de fora de Brasília.

Há riqueza ostensiva em Brasília que não poderia ser construída honestamente. Casas suntuosas de servidores e ex-servidores que acumularam patrimônio incompatível com a realidade salarial. A PF trabalha com a convicção de que os preços milionários do mercado imobiliário da Capital têm origem em lavagem de dinheiro da corrupção.

Há  mais secretários envolvidos do que os mencionados até agora, cuja exposição será gradual, na  medida em que as investigações com base na delação de Durval Barbosa avançarem.  Próximos de Arruda, salvam-se poucos. Os focos de corrupção maiores, segundo fontes bem informadas sobre as investigações, estão na Educação e Saúde, mas não se limitam a essas duas.

Tags: , , ,

Comentários (149) | comente

30.novembro.2009 06:20:54

O vice no escândalo

A crise no governo do Distrito Federal promete ser das mais complexas. Depois da exibição do vídeo em que o governador recebe dinheiro de Durval, a  Câmara Distrital perde as condições de rejeitar um inevitável pedido de impeachment, sob pena de uma reação eleitoral devastadora para as pretensões de seus integrantes. Esse, o grande mérito de sua divulgação pela TV Globo.

O problema não se esgota aí: o vice-governador, Paulo Octávio, segundo na linha sucessória, terá problemas para assumir o cargo no momento em que Arruda tiver que deixá-lo. As investigações caminham na sua direção e suas digitais estão lá, na figura de seu assessor direto, Marcelo Carvalho,que muda de cor e temperatura (fica pálido e com pressão baixa) toda vez que é mencionado como representante do vice no consórcio dos panetones.

PO, como é intimamente chamado pelo governador e secretários, cometeu o erro que políticos como Ulysses e Tancredo Neves mais condenavam: a mistura de negócios e política. Maior empreendedor da Capital, Paulo Octávio, domina o mercado de construção e comercialização de imóveis, entre outros negócios e,  paralelamente, responde pela secretaria de desenvolvimento, que acumula com a vice-governança. Ou seja, manda no setor onde transitam seus interesses comerciais. Por isso, trocou o Senado pelo governo local ao qual é candidato permanente. PO faz de seu parentesco com a família Kubistchek – é casado com Anna Cristina, neta do presidente que construiu Brasília -, seu marketing eleitoral.

Tags: , , ,

Comentários (168) | comente

Arquivo

Seções

Blogs do Estadão