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Quem Faz

JOÃO BOSCO RABELLO está no jornalismo político desde 1977, em Brasília, onde participou da cobertura do período que vai da abertura do regime militar à Assembléia Nacional Constituinte de 88, passando pela redemocratização, com a eleição e morte de Tancredo Neves, o primeiro governo civil, de José Sarney e os que o sucederam.

Iniciou sua carreira em 1974, no extinto Diário de Notícias, no Rio de Janeiro (RJ). Transferiu-se para Brasília (DF), em 1977, onde alternou as funções de repórter político,coordenador, editor e diretor de sucursal, no Correio Braziliense, Empresa Brasileira de Notícias, O Globo, Jornal do Brasil e o Estado de S.Paulo (1990/2013), nessa ordem.

É responsável também pelo conteúdo de análise política do serviço em tempo real Broadcast, da Agência Estado.

sexta-feira 29/11/13

O cartel e o prazo eleitoral

As denúncias sobre o cartel de trens formado em São Paulo em governos tucanos ganhou motivação eleitoral e produziu versões que pretendem dar nomes aos bois antes que a investigação possa alcançar o estágio para respaldá-las, sobretudo porque permanecem sem autoria – são apenas atribuídas a um ex-funcionário da Siemens no Brasil, que passou a negá-la. O que se tem de concreto é um acordo de leniência entre a Siemens e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), em que aquela ...

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quarta-feira 27/11/13

Voto aberto, um passo à frente

Ficou de bom tamanho para o Executivo e para o Congresso a decisão de ontem, do Senado, pela abertura parcial do voto parlamentar, regra vigente desde já para cassações de mandatos e avaliação de vetos presidenciais. Este último responde pela posição do governo de abertura integral do voto parlamentar, um pedido maior do que o almejado, que visa a manter o poder de retaliação sobre os congressistas. Foi talvez a única boa notícia produzida pelo Congresso este ano, em que pesem ...

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terça-feira 26/11/13

O “risco Lula”

A hipótese de retorno do ex-presidente Lula como candidato do PT à presidência em 2014, é daquelas que sobrevivem quanto mais negadas. Nesse momento, ela não se restringe a parcela do PT insegura com a vulnerabilidade da presidente Dilma Rousseff , refletida no índice inferior a 45% , que persiste apesar da superexposição como chefe de governo. Para aliados de outros partidos todas as composições políticas foram feitas com base na reeleição de Dilma, cenários que mudariam junto com a troca ...

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segunda-feira 25/11/13

Um diagnóstico duplamente insuspeito

Vem de dois aliados – um ministro e um empresário -, a reafirmação do diagnóstico que aponta para a falta de transparência e a hesitação com a privatização,  causas de parte do descontentamento e desconfiança empresariais e, por extensão, da redução do crescimento econômico.

Cada um  ao seu modo e circunstância. O ministro da Aviação Civil, Moreira Franco, em meio à euforia com o êxito dos leilões de aeroportos,  lamentou que o país tenha perdido tanto tempo com o debate que dizia que as concessões representavam a entrega da riqueza do país. Não foi outro o governo, que integra pelo PMDB, que agiu movido por essa convicção e afastou investidores com um discurso antilucro.

Recentemente filiado ao PMDB, o empresário Josué Gomes da Silva, filho de José Alencar, vice-presidente no governo Lula, sugere transparência, previsibilidade e menos intervencionismo como receita para o resgate da confiança do mercado. “Hiperatividade no campo econômico deixa o empresariado desconfiado”, disse em entrevista à Folha de S.Paulo.

Cotado para o Ministério do Desenvolvimento num eventual segundo mandato de Dilma Rousseff, que de pronto descarta, Josué Alencar cerca suas declarações das ressalvas indispensáveis para descaracterizá-las como críticas. Mas não pode operar o milagre de dizer sem dizer. “Tem (o governo) de dar mostras de que é absolutamente zeloso com a inflação e com as contas públicas”.

Ao melhor estilo mineiro, tira os nomes dos bois, chamando contabilidade criativa de erro de comunicação da área econômica, que teria transmitido uma ideia contrária do que fez, e atribuindo o descontentamento do empresariado a um conjunto de circunstâncias, e não ao governo, como se o primeiro pudesse existir sem a ação do segundo.

No campo político também não assina embaixo o discurso do PT que defende o financiamento público de campanha como panaceia para os males da política, especialmente o caixa dois – uma justificava póstuma para a delinquência da cúpula que sepultou a imagem de vestal do partido. “Caixa dois não deveria existir com financiamento público nem privado”, encerrou.

O ministro da Aviação Civil saudou o êxito dos leilões de aeroportos como o retorno ao ambiente de concorrência que a ideologização da economia obstruiu, como se extrai de sua entrevista divulgada pelo BroadcastPolítico, serviço em tempo real da Agência Estado. Também com a sutileza cuidado de chamar a operação de “concessão”.

Que é a forma como o PT cuida de privatizar sem dar o braço a torcer ao adversário que venceu eleitoralmente com a crítica às privatizações, vendendo-as ao eleitor como a entrega da riqueza nacional, hoje responsável por um raro momento vitorioso desde que passou de oposição a governo.

Chega a ser risível a declaração do líder do PT no Senado, Wellington Dias (PI), de que as privatizações no governo Dilma se diferem das feitas no governo de Fernando Henrique Cardoso, por não abranger áreas de segurança nacional. A essa altura, fica difícil saber a classificação do PT para o  petróleo e os aeroportos, senão como estruturas no âmbito da soberania nacional.

O que fica patente tanto nas avaliações de Moreira Franco e de Josué Alencar quanto na tentativa envergonhada de Wellington Dias de vestir a privatização do PT com roupagem socialista, é que o governo obteve êxito quando fez o que deveria ter feito há muito tempo.

O que retira da comemoração reativa da presidente Dilma Rousseff , dedicando o êxito dos leilões de aeroportos aos pessimistas de plantão, a legitimidade necessária para sua credibilidade.

Os leilões, dessa vez, deram certo, porque o governo cedeu à evidência de que a insistência na condução ideológica da economia já pôs em risco o projeto de reeleição de Dilma Rousseff.

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quinta-feira 21/11/13

Protelar cassação de parlamentar preso é demolidor para a Câmara

A decisão do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), de cumprir um ritual para a cassação dos deputados condenados pelo Supremo Tribunal Federal, e já cumprindo pena, tem a motivação defensiva comum a um dirigente de instituição política. Conduzir o processo sem enfrentar o corporativismo, mas com objetividade, às vezes impõe um certo malabarismo. Mas o presidente da Câmara parece não ter-se dado conta de que a protelação do processo fará recair sobre o Congresso – e não sobre o ...

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quarta-feira 20/11/13

Erro de forma, não de mérito

Não parece haver dúvida quanto ao erro de procedimento em relação ao deputado José Genoíno, cujo estado de saúde era notório bem antes da conclusão do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal. Genoino se submeteu a uma cirurgia delicada que o credencia ao cumprimento da pena em condições de segurança que não ameacem sua saúde e nem a tutela do Estado.

Um dos efeitos colaterais desse erro é o pretexto que deu ao PT para voltar a investir ...

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segunda-feira 18/11/13

Câmara flerta com risco ao retardar voto aberto para cassações

A lentidão com que o Congresso, mais especialmente a Câmara, lida com a questão do fim do voto secreto para cassações de parlamentares reforça a percepção do distanciamento da instituição da pauta desejada pela população. Mais uma vez a agenda positiva ficou no ensaio, apesar do grau de intolerância já manifestado pela sociedade com a resistência da classe política à necessidade de um novo paradigma para o comportamento do homem público. A saturação com os costumes políticos já ficara sinalizada com a ...

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segunda-feira 18/11/13

CPMF, a tentação que o governo cativa

O debate e as negociações em torno de mais recursos para a saúde, que marcam o fim da legislatura atual, não chegaram a uma fonte nova de receita para a despesa adicional de R$ 22,8 bilhões a ser bancada pelo governo para o setor com a emenda aprovada semana passada pelo Senado. Pela  emenda deverão ser investidos pela União R$ 64,6 bilhões adicionais para a saúde até 2018 - o equivalente a 15% da receita corrente líquida. Se a regra atual ...

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quarta-feira 13/11/13

Reforma ministerial – é torcer para não piorar

Vem aí a reforma ministerial, mais uma daquelas que se encaixam na definição clássica da mudança que mantém tudo como está. A operação tem motivação meramente eleitoral não indo à causa que realmente deveria produzi-la – a de tentar imprimir alguma eficiência à máquina administrativa, cujo desempenho cuidou de desmoralizar a estratégia de cunhar uma imagem de gestora para a presidente Dilma Rousseff. A reforma, ao que tudo indica, funcionará como mecanismo compensatório para os preteridos nas alianças regionais, em primeiro ...

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