Em menos de um mês, o governador do Rio, Sérgio Cabral, protagonizou dois episódios capazes de abalar o capital político construído nos anos de parceria incondicional com o governo do ex-presidente Lula.
O destempero que, aqui e ali, teima em conspirar contra a imagem do governador descolado que procura exibir, tem comprometido a gestão de Cabral, desde a tragédia de Angra dos Reis, passando pela ofensa dirigida a um favelado que cobrava mais ação social de seu governo, durante uma visita do então presidente Lula ao Rio, e desembocando na crise dos bombeiros.
Crise, aliás, que ganhou dimensão, com potencial para se alastrar pelo país, por imprevidência de um governo que dela já tinha conhecimento e, mesmo assim, a negligenciou.
Cabral deu a ordem inédita de prisão para mais de 400 bombeiros, que produziu estragos na popularidade obtida com a pacificação das favelas cariocas gerando uma solidariedade imediata da população à categoria.
O que leva um governador a tal agressividade contra a categoria mais querida, tida pela sociedade como a verdadeira defesa civil, fazendo preceder a prisão de insultos públicos aos soldados grevistas?
Não se sabe, mas enquanto isso acontece, o Secretário de Segurança do Rio, José Maria Beltrame, artífice da operação de reocupação territorial dos morros pelo Estado, pelo afugentamento do tráfico e pela instalação das UPPs nas favelas, dá sinais de preocupação com a permanência de seu trabalho.
Beltrame chama a atenção para a necessidade de complementar a ação policial com um programa social capaz de sedimentar as bases de uma nova realidade nas áreas até há pouco conflagradas da cidade.
Chama a atenção do governo, porque só a ele cabe a responsabilidade pela extensão desse trabalho. Sem isso, adverte o Secretário, será muito difícil sustentar a conquista que conferiu a Cabral índices estupendos de aprovação.
Logo após o aviso do Secretário de Segurança, uma tragédia com sete mortos, entre as quais, a nora do governador, vítimas da queda de um helicóptero no sul da Bahia, descobre o véu de uma relação intensa e promíscua entre o governador e empresários com negócios prósperos em seu governo.
Um flagrante de invasão da fronteira entre público e privado, com jatinhos de empresários a serviço do governador para levá-lo a festas privadas sem qualquer vínculo com o interesse público.
Este, por sinal, afetado pelo vínculo de amizade entre governador e empresários, um dos quais, Fernando Cavendish, detém contratos milionários com a administração fluminense, cuja parcela sem licitação somou R$ 127 milhões em 2010.
Com ares de órfão do governo do ex-presidente Lula, o governador vai consumindo um capital de popularidade em velocidade espantosa, às vésperas de uma campanha municipal decisiva para a preservação de uma aliança entre governo e prefeitura até aqui positiva para o Rio de Janeiro.
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Denunciado pelos próprios assentados, José Rainha acabou por ter seu crime de desvio de dinheiro público destinado à reforma agrária, apurado e confirmado pela Polícia Federal. Por isso, está preso.
Não é a primeira vez e a acusação é baseada em provas técnicas. É surpreendente, pois, que o ministro Gilberto Carvalho, Secretário-Geral da Presidência da República, advogue sua inocência antes mesmo de uma decisão judicial definitiva.
De 1997 para cá, Rainha já esteve preso sob acusação de assassinato, porte ilegal de arma, formação de quadrilha, incitação à violência, incêndio e furto. No total, cinco prisões, mais a efetuada nos últimos dias.
Expulso do Movimento dos Sem Terra (MST), formou uma dissidência – o MST de Base. Agora, por desvio de dinheiro.
Por estar na ante-sala da presidente Dilma Rousseff, a defesa de Carvalho se confunde com a de governo, algo que precisa de imediato esclarecimento: por quem fala o ministro?
O conteúdo da defesa também é questionável por se tratar de uma admoestação às instâncias policial e judicial: “A Lei assegura aos acusados o direito de defesa e os preserva de condenações açodadas, antes do devido processo legal”.
Por mais que diga que não pretendeu se imiscuir no processo de investigação, foi exatamente isso que fez o ministro. O açodamento, no caso, foi seu, dado que não há qualquer evidência de negação dos direitos de Rainha.
O fato remete a outro, o do prefeito de Campinas, Dr. Hélio (PDT) que, sob investigação do Ministério Público Estadual, elegeu públicamente seus advogados: o ex-presidente Lula e o ex-ministro José Dirceu.
Assim como o PT cuida de anistiar suas lideranças políticas arroladas no processo do mensalão. Trata-se de um novo mecanismo, o da absolvição política, a preceder o processo judicial, numa tentativa de influir no curso dos julgamentos.
É de se perguntar, onde está o açodamento.
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As MPs que tratam da fixação do piso salarial dos policiais militares e o Código Florestal impõem ao governo a percepção de que não pode ficar na contramão de sua base e, mais que isso, do Congresso.
Não há muita margem de negociação nos dois casos, por se tratarem de conteúdos de interesse suprapartidário a unir base e oposição.
No caso do piso dos policiais, a segurança pública escora o interesse eleitoral: o político não ficará contra a vontade popular que vincula, de alguma forma, ineficácia a baixa remuneração, especialmente após a crise dos bombeiros do Rio, que o governador Sérgio Cabral tratou com o fígado e, portanto, com resultado desastroso – pare ele, eleitoralmente, e para a população.
No caso do Código Florestal, trata-se de um consenso formado em torno do texto do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) em que a débil resistência ideológica em bolsões da base foi vencida pela pressão do maior segmento produtivo do país – o agronegócio.
Neste caso, ficar na contramão não só já se mostrou dramático para a presidente Dilma Rousseff, como contraria até mesmo os interesses comerciais do governo.
O melhor aqui é costurar um acordo com base na estratégia da redução de danos, sob o ponto-de-vista dos que consideram excessivas as concessões feitas ao setor produtivo.
Até porque o êxito de uma política ambiental satisfatória está muito mais na capacidade de exercer efetiva fiscalização e poder coercitivo sobre infratores contumazes do que na sustentação de um código com 16 mil artigos, que põe na ilegalidade quase a totalidade dos produtores brasileiros.
E, por fim, o governo enfrentará a má vontade do Parlamento com o instrumento das medidas provisórias, abusivamente utilizado pelos governos do PSDB e do PT nos últimos 16 anos.
Governos fortes, os que antecederam Dilma passaram ilesos pela resistência às MPs, que se resumia aos discursos esporádicos de oposições sem voz.
Agora, vozes mais influentes no processo, como a do presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP), se juntam à da oposição, nesse caso centrada na figura do senador mineiro Aécio Neves (PSDB), combatendo o vício de governar por MPs.
O governo poderia finalmente exibir maturidade nessa questão, começando por erradicar a repetida inconstitucionalidade de tratar de assuntos diversos numa mesma MP – o chamado contrabando, assim apelidado por embutir uma desonestidade política absorvida com naturalidade pelos governantes.
Da mesma forma, precisa fazer uma espécie de Termo de Ajuste de Conduta adaptado à circunstância política, resumido no compromisso de pôr um fim à banalização do que se pode entender por urgência e constitucionalidade.
Há medidas sem a menor urgência, possivelmente a maioria delas, editadas com o exclusivo propósito de evitar o debate e impor a vontade do Executivo.
Outro truque une Sarney à causa de Aécio, de forma aparentemente contraditória, sendo ele o aliado mais estratégico do governo: a Câmara retém a MP aprovada nos seus termos o maior tempo possível, para roubar ao Senado o espaço de reflexão e inviabilizar revisões que obrigariam a uma nova votação.
Há dezenas de casos recentes de MPs que chegam ao Senado a três dias de seu prazo de vencimento, o que já levou Sarney a ameaçar não mais assiná-las, sem o que não pode haver tramitação.
Menos forte e herdeiro de um desgaste de quase três décadas de MPs (se inserirmos o período Sarney), o governo da presidente Dilma Rousseff deveria se antecipar e conduzir o processo de negociação por novas práticas relativas a medidas provisórias.
Desmobilizaria a oposição e restauraria a função da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) cuja existência se justifica exatamente por examinar a constitucionalidade das matérias legislativas.
E faria natimorta a proposta estapafúrdia de criação de uma comissão nova para debater constitucionalidade e urgência das MPs, esperteza para ampliar o poder de chantagem do baixo clero.
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O governo atravessou um vendaval, mas o mau tempo permanece. Mudaram os timoneiros o que equivaleu a trocar a crise por uma expectativa.
O tempo de manobra das novas responsáveis pela missão de mudar a rota é pequeno, pois os testes, materializados nas votações iminentes de medidas provisórias importantes, já estão na pauta.
Há no conjunto de votações que aguardam a nova ministra da articulação, Ideli Salvati, as que o governo terá mais facilidade para unir sua base e as que exigirão jogo de cintura.
Na pauta de amanhã está uma MP que se insere no primeiro grupo: a 527, que trata de novas regras para a aviação civil e da flexibilização da legislação licitatória com vistas às obras e serviços indispensáveis ao êxito do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014.
Ainda que possa exercer seu poder de chantagem sobre o governo, a dissidência de sua base aliada tem o limite do interesse comum: a ninguém beneficia a perspectiva de fracasso do país como anfitrião do maior torneio mundial – e o que mais interesse desperta em todo o mundo.
E, para além do interesse patriótico, existe a pressão dos segmentos de serviços e da construção civil, grandes beneficiários dos dividendos econômicos do maior evento esportivo mundial.
No limite, empreiteiras e empresas de serviços , financiadoras históricas de peso decisivo nas campanhas eleitorais, pressionarão os parlamentares pelo abrandamento e simplificação da lei 8.666, que trata das licitações, indiscutível obstáculo ao cumprimento dos prazos já parcialmente comprometidos das obras da Copa.
É, pois, um teste da qual pode muito se valer a nova ministra para marcar sua estréia na função de negociadora – ela que fixou sua imagem de Junior Baiano da defesa do governo Lula e que agora terá de jogar um futebol requintado como o de um Ganso.
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Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, venho a esta tribuna fazer um elogio e um apelo. Elogio ao esforço de construir consenso em torno da votação do Código Florestal, coordenado pelo Deputado Aldo Rebelo, que fez um excelente trabalho em seu relatório, e pela Ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira, que tem tido postura firme e proativa em relação à matéria.
E apelo aos líderes na Câmara dos Deputados, Sr. Presidente, e novamente ao Deputado Aldo Rebelo e à Ministra Izabella Teixeira em favor da votação, ainda nesta semana, das mudanças no Código Florestal Brasileiro.
Faço isso com muita tranqüilidade, porque conheço o grau de compromisso da Presidenta Dilma Rousseff e dos integrantes do Governo com a busca de solução para os problemas que afligem a nossa população.
O Código Florestal mexe com a vida de todos os brasileiros e brasileiras, pois diz respeito à preservação e conservação do meio ambiente, à nossa biodiversidade, ao equilíbrio ambiental do País e à maneira como vamos garantir alimentação melhor, mais saudável e mais barata para nossa população.
E é de se ressaltar que essas situações não são antagônicas nem concorrentes.
Feito há mais de cinqüenta anos e alterado, na linha do tempo, por meio de decretos e portarias, o Código Florestal funcionará melhor se for atualizado para atender às necessidades e exigências do presente.
Hoje nossa legislação ambiental tem nada menos que 16 mil itens e grande parte deles não tem conexão com a realidade econômica e social do País. Não tem, igualmente, sintonia com o atual estágio de desenvolvimento da nossa agricultura.
A verdade é que o Código Florestal contém normas ineficazes, que não garantiram a preservação ambiental no decorrer dos anos e que não ampararam os agricultores, em especial os pequenos e familiares, a adotarem atitudes mais sustentáveis no trato da terra.
Essas normas precisam de correção imediata. E é isso que vem sendo feito, de forma extremamente responsável, sob a coordenação dos lideres do Governo e a participação democrática dos partidos com assento no Parlamento.
É bom ressaltar que o foco das mudanças é o conjunto do território nacional e não apenas a Amazônia, Presidente Ana Amelia. Convém destacar, ainda, que a totalidade da área de exploração agrícola do País concentra-se secularmente nas regiões Sul e Sudeste e, mais recentemente, no Centro-Oeste.
A contribuição da Amazônia para a produção agrícola é marginal, e assim deve continuar. Ali, a reserva legal das propriedades é de 80%.
Nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, a reserva legal é de 20% das propriedades, sejam elas de cinco ou de cinco mil hectares; estejam em áreas planas ou de relevo, em várzeas ou na caatinga.
Segundo o IBGE, dos 4.367.902 imóveis da agricultura familiar, mais de 82% não possui nenhuma área de preservação permanente ou de reserva legal. Nos pequenos, toda a terra é utilizada para sobrevivência da família.
Isso significa que, pelas regras da atual legislação ambiental, quase 100% dos nossos agricultores familiares estão na ilegalidade, seja pela ausência de reserva legal, seja porque cometeram supostos crimes antes de mudanças feitas no Código Florestal.
A reserva legal de 80% na zona de floresta da Amazônia, por exemplo, é de 2000, mas, antes disso, o próprio Estado incentivava o pequeno lavrador, que ele próprio levava, como colono, a derrubar a mata para ter direito ao lote e acesso a crédito.
Assim funcionou também no meu Estado, o Paraná, que, a partir da década de 70, teve as suas matas dizimadas, com incentivo do Governo, para a produção agrícola.
Agora, nesse processo de revisão da atual lei ambiental, precisamos avaliar, com equilíbrio e ponderação, se é correto manter penalidades retroativas a quem desmatou quando a lei ainda não tipificava esse tipo de infração.
Ou se adotamos tempo e incentivo para que essas regiões possam ser recuperadas pelos agricultores de boa-fé, especialmente aqueles da agricultura familiar, pois é quem trabalha com a terra e tira dela o sustento o mais indicado para dela cuidar, incluindo sua biodiversidade.
O mesmo estímulo que houve para o desmatamento deve ser feito agora para a recuperação das matas. Não sou a favor da anistia irrestrita, mas também não acredito que multas sobre o passado trarão consciência e aliados para a causa ambiental. Sempre acreditei mais na abordagem positiva.
As linhas gerais do texto apresentado ao País pelo Relator do projeto na Câmara, Deputado Aldo Rebelo, contam com forte aceitação entre os produtores do meu Estado, o Paraná. Ali, 86% dos estabelecimentos rurais são da agricultura familiar, e a posição dos paranaenses na análise dessa questão é relevante.
Não estou dizendo isso por bairrismo ou para defender causa própria. Estou dizendo porque o desenvolvimento do Paraná, assim como o desenvolvimento do País, vem sendo feito com a força da nossa agricultura e das famílias do campo.
Dos quase vinte milhões de hectares de território que possui, o Paraná tem cerca de dezoito milhões de hectares ocupados com a agricultura, a pecuária, matas e rios.
E uma das reivindicações dos nossos produtores é a mudança do Código Florestal para a isenção dos 20% de reserva legal nas propriedades rurais com até quatro módulos fiscais, que, no meu Estado, o Estado do Paraná, atinge, em média, oitenta hectares. Das quase 380 mil propriedades paranaenses registradas, cerca de 320 mil serão beneficiadas se essa medida for aprovada.
E quero dizer aqui, desta tribuna, que, mesmo se não houver consenso em torno deste ponto, votarei em favor dos pequenos produtores do Paraná e do Brasil. E peço aos deputados e senadores que prestem atenção especial a este ponto.
O Brasil é hoje um país urbano. Segundo o IBGE, pelo Censo de 2010, 84% da sua população é urbanizada, um aumento de 23 milhões de habitantes nas cidades, concentrada nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul, onde se tem grande parte da produção de commodities agrícolas no sistema de monocultura mecanizada.
No Censo Agrícola de 2006, o número de estabelecimentos da agricultura familiar era de 4,3 milhões contra cerca de 800 mil não familiares. Enquanto a área familiar era de apenas 24% do total da terra produtiva, o valor de sua produção foi de 38%, denotando um rendimento maior por hectare.
O mesmo se dá na média de pessoas empregadas por cem hectares: 15,4 em propriedades familiares, e 1,7 nas não familiares. A agricultura familiar é responsável por uma parte substancial da renda agrícola e, sobretudo, de um meio rural com gente. Por isso, precisa de tratamento diferente.
Srª Presidente, Srªs e Srs. Senadores, sou de uma geração que tem enorme preocupação com o meio ambiente. Minha geração defende a preservação de rios, florestas e tem responsabilidade com nosso legado ambiental. Tem, igualmente, compromisso com as vidas humanas. Para grande parte da minha geração, é importante preservar o meio ambiente, assim como é importante diminuir o número de pessoas que passam fome, aumentar e baratear a produção de comida, melhorar a infra-estrutura do País e reduzir a pobreza.
Como Diretora Financeira de Itaipu, presenciei um grande programa de conservação ambiental que alinhava, na mesma causa, produtores agrícolas e defensores do meio ambiente.
Temos de ter cuidado com aqueles que só querem explorar a terra sem cuidar dela, aumentando demasiadamente lucratividade e retorno, mas também temos de ter cuidado com aqueles que vivem às custas da ecologia, que só costumam divulgar dados que apóiam suas causas.
Seu interesse não é necessariamente fornecer a visão global do problema. Muitos deles são ligados a causas externas, contrárias aos nossos interesses.
O Brasil reduziu em 80% o desmatamento na Amazônia. O Brasil é o país com mais áreas protegidas no mundo: 2,4 milhões de quilômetros quadrados, 28% do seu território. Em segundo lugar, vem a China com 17%; e, em terceiro lugar, a Rússia com cerca de 8%.
Temos, ainda, a maior quantidade de vegetação nativa, original, do mundo. E não podemos ignorar que, graças às suas águas e à sua agricultura, o Brasil tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo: 47,3% de fontes renováveis, ante uma média mundial de 18,6% e de 7,2% dos países ricos.
Isso nos estimula a continuarmos a caminhada da sustentabilidade ambiental.
Esses dados mostram que o Brasil tem responsabilidade ambiental maior que países ditos desenvolvidos. Portanto, aqueles que defendem uma causa em posição arrogante, afirmando apenas a sua convicção como verdade, não favorecem o debate.
Em nenhuma matéria, deve haver apenas ataques de parte ou outra, mas, sim, persuasão e argumentos. Se só existem ataques, as partes hostilizam-se, e torna-se cada vez mais complexo tratar e decidir sobre o que, afinal, é interesse de todos nós.
Essa matéria não admite vencidos e vencedores. É para o ganha-ganha que devemos caminhar. O nosso Governo, o Governo da Presidenta Dilma, está buscando a modernização, o crescimento da economia, a criação de empregos, melhores condições para os jovens, o combate à violência e à criminalidade na periferia nas grandes cidades.
Vamos apoiar medidas para combater a pobreza extrema, melhorar a qualidade ambiental, as condições de ensino e o acesso da população a bons serviços de saúde. É assim que vamos continuar agindo: com grandeza, fé e confiança no futuro.
Espero sinceramente, Srª Presidenta Ana Amelia, que possamos, dentro em breve, ter nesta Casa, no Senado da República, a discussão do Código Florestal. Tão importante é a preservação, a conservação do meio ambiente, quanto a produção de qualidade em nosso País.
Muito obrigada.
A primeira expectativa que cerca a nova ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT-PR), diz respeito às negociações em torno do Código Florestal.
Como se sabe, Palocci contrariou profundamente não só ruralistas como a maioria da base aliada ao romper o acordo na primeira tentativa de votação do texto do deputado Aldo Rebello (PC do B-SP).
Até ali as negociações eram protagonizadas pelos ministros do meio-ambiente e da Agricultura, lideranças da base aliada e a presidência da Câmara.
Desde que recebeu a ex-ministra Marina Silva acompanhada de 16 representantes de ONGs, Palocci mudou o rumo das negociações e o governo trocou o diálogo pela ameaça de retaliação.
O que levou ao ponto de combustão o relacionamento com PT e, principalmente, com o PMDB, cujo presidente – o vice-presidente da República, Michel Temer -, chegou a ser ameaçado por Palocci a mando de Dilma.
Pouco antes desse episódio, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) fez contundente pronunciamento no plenário pela votação imediata do texto de Rebelo, absorvendo mesmo a tese da conspiração externa contra o setor produtivo brasileiro, configurada na ação dos ambientalistas.
Importante que nem mesmo a senadora Kátia Abreu (PSD-TO), líder dos interesses do setor produtivo do agronegócio, recorria mais a essa teoria conspiratória para não aumentar o conflito nas negociações.
No post seguinte, a íntegra do discurso da então senadora e agora ministra da Casa Civil.
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A saída do ministro Antonio Palocci, tal como se deu – após parecer técnico pela não investigação dos fatos – sugere que o governo espera cessar apurações posteriores sobre seu enriquecimento como consultor.
Até a manifestação de Gurgel, o Planalto temia que a demissão ocorresse com uma investigação aberta, o que não tiraria a crise de cima do governo, mesmo com Palocci fora.
O parecer jurídico favorável manteve a crise na órbita política, o que aparentemente se resolve com a demissão.
Do contrário, restaria sempre o temor de que em algum momento aparecesse algum cruzamento entre clientes do ministro-consultor e empresas doadoras da campanha presidencial.
Da parte de PMDB e PT, principais partidos da base de sustentação, certamente cessa a motivação de continuar a apurar e vazar informações sobre a consultoria do ministro.
Mas da parte da oposição, essa motivação pode aumentar com Palocci de fora. A oposição em momento algum exibiu vontade de contribuir para a queda de Palocci, a quem sempre viu como poder moderador entre as correntes do PT.
Cumpriu o ritual do discurso, mas sem ação prática. A exceção foi de parte da bancada ruralista ainda ressentida com a quebra do acordo na votação do Código Florestal que acabou conseguindo aprovar a convocação do chefe da Casa Civil.
Com ele de fora, pode se interessar em levar adiante o que efetivamente ocorreu em sua consultoria para ver se novamente a vincula ao governo.
Vale lembrar que existe uma investigação paralela do Ministério Público para averiguar se Palocci cometeu improbidade administrativa.
A demissão elimina a convocação do agora ex-ministro à Câmara, que foi aprovada com ele no cargo, mas não é o único ambiente em que as apurações podem ter curso.
A demora na reação do governo pode ter comprometido a estratégia de encerrar o assunto com a demissão do ministro.
Foram três semanas de sangria até as entrevistas que tiveram apenas o objetivo de fazer com que Palocci assumisse publicamente a exclusiva responsabilidade pela crise.
Tags: Código Florestal, Demissão, Dilma Rousseff, Palocci, PMDB, PT, Roberto Gurgel
A decisão do Procurador-Geral Roberto Gurgel, de não investigar os negócios do ministro Antonio Palocci mantém a crise política se o governo adotá-la como peça de absolvição do chefe da Casa Civil.
É importante ressaltar que a decisão não absolve Palocci – apenas evita a investigação e, por isso, não afasta as suspeitas de tráfico de influência, a mais branda entre outras formuladas no meio político, como a de caixa dois da campanha.
O Ministério Público do DF tem investigação paralela, de natureza cível, à qual Gurgel se refere em seu texto pelo arquivamento, lembrando que decidiu apenas contra ação penal.
Na verdade, a decisão de Gurgel parece tratar menos do interesse do governo e da sociedade e mais de sua determinação de ser reconduzido ao cargo, o que depende exclusivamente da presidente Dilma Rousseff.
Um dos sinais de persistência da crise é que a bolsa de apostas sobre a sucessão na Casa Civil continua aberta em Brasília. Muitos acreditam que a decisão da PGR pode dar a Dilma o tempo de que precisa para reestruturar a articulação política – tarefa mais difícil do que demitir Palocci.
A entrevista do ministro Antonio Palocci ao Jornal Nacional produziu um consenso nos meios políticos: tratou-se de um ritual de saída a autorizar a versão de que o governo já procura um substituto para a Casa Civil.
A forma e o conteúdo da entrevista cumpriram o objetivo de dissociar os negócios do ministro do governo e do PT.
Palocci admitiu não ter contado à presidente Dilma Rousseff tudo sobre a sua próspera consultoria, limitando-se a informar que cessara as atividades da empresa antes da posse para evitar conflito de interesses.
Assumiu como decisão pessoal não revelar sequer sua carteira de clientes incluindo fraudulentamente essa informação no rol daquelas protegidas pela cláusula de confidencialidade comercial.
Ao dizer singelamente que “não quis aborrecer a presidente com esse tipo de detalhe”, como mencionou à Folha de S.Paulo, livrou Dilma do peso de explicar porque admitiu sua posse se estava informada de seus negócios – um obstáculo concreto à sua demissão.
Isolada dessa razão estratégica, a entrevista não faria qualquer sentido por não esclarecer simplesmente nada que possa afastar a suspeita de tráfico de influência por parte de uma eminência parda de um governo de continuidade.
Depois da entrevista, o diamante de R$ 20 milhões da metáfora cínica do ex-governador do Rio de Janeiro, deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), continua em exposição, mas a presidente Dilma já está liberada para retirá-lo da vitrine.
E devolver ao governo alguma articulação política.
Tags: Anthony Garotinho, Antonio Palocci, Dilma Rousseff, Folha de S.Paulo, Jornal Nacional
Se confirmar na entrevista ao Jornal Nacional, daqui a poucas horas, o que informou a ministros e parlamentares nos últimos dias, o ministro Antonio Palocci nada acrescentará ao enredo da crise da qual é protagonista.
Ele tem se mostrado irredutível na defesa da confidencialidade dos contratos de sua empresa de consultoria, o que significa que não poderá responder aos principais questionamentos que certamente lhe fará o repórter Júlio Mosquéra.
No recente jantar oferecido pela presidente Dilma Rousseff à cúpula do Poder Judiciário, no Palácio da Alvorada, Palocci reiterou que não abrirá a carteira de clientes – e, portanto, qualquer dado mais importante que permita avaliar se ultrapassou a fronteira entre a consultoria e o tráfico de influência.
“Perco o cargo, saio, mas não quebro o sigilo dos contratos”, teria dito numa roda de conversa, segundo a versão de um dos participantes do jantar.
Do que se depreende que o mistério persistirá e o governo não terá condições de conviver com a falta de explicações que virem a página da crise e devolva a capacidade de gestão ao Planalto.
Sem apoio do PT, indisposto (por iniciativa própria) com o PMDB, e orientado juridicamente a preservar a qualquer custo o sigilo dos contratos, resta a Palocci a porta de saída.
A ironia é que deixará o governo pela segunda vez pela razão inversa da primeira: hoje, pela recusa em quebrar sigilo de contratos com empresas; ontem, por quebrar o sigilo de um indefeso caseiro.
A não ser que produza na entrevista uma surpresa na qual ninguém acredita, capaz de provar a legitimidade de sua face de consultor.
Nos meios políticos quase ninguém mais acredita que a novela da crise Palocci – que entra em seu vigésimo dia – faça aniversário de um mês.
Tags: Antonio Palocci, Dilma Rousseff, Fátima Bernardes, Jornal Nacional, Poder Judiciário, William Bonner
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