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Meirelles: fim do sonho da vice pode até mantê-lo no BC. Foto: Dida Sampaio/AE

Foram duas as consultas de Henrique Meirelles ontem para decidir se fica ou se sai do governo, o que anunciará nas próximas horas. Antes de ir ao presidente Lula, ele esteve com o presidente do PMDB, Michel Temer.

De ambos ouviu que não é realista continuar sonhando com o lugar de vice na chapa de Dilma Rousseff.

De Lula ouviu uma avaliação reveladora de que o presidente já se conforma com a idéia de Temer como vice de Dilma.

“A realidade política caminha para isso”, disse o presidente, segundo um interlocutor a quem Meirelles relatou o encontro.

De Temer, a quem disse que jamais disputaria o lugar de vice, Meirelles teve o apoio para se candidatar ao Senado, por Goiás.

Temer acha que ele somaria na campanha de Íris Resende contra Marconi Perillo – este também um desafeto político de Lula.

A última pesquisa Datafolha, que deu a Serra uma dianteira de nove pontos sobre a candidata do governo, desenhou o cenário esperado por Temer: Dilma precisa de um vice que traga votos.

Meirelles traz segurança para a estabilidade econômica, mas não é do que mais necessita o governo. Temer, com o PMDB, dá substância eleitoral, que é do que a candidata de Lula mais precisa agora.

A reflexão a que Meirelles se dedica desde ontem, após o encontro com Lula, só considera portanto duas possibilidades: Senado ou BC.

A primeira não lhe encanta tanto quanto a vice-presidência.

Ao pedido de Lula para que fique no BC, soma-se a perspectiva nada desprezível de vir a ser uma das principais autoridades monetárias do mundo, caso se mantenha na carreira técnica.

Meirelles tem posição privilegiada no BIS, o órgão que reúne os bancos centrais de todo o mundo, o que o projeta seguramente para um cargo internacional de grande poder e visibilidade.

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A música popular brasileira é sempre um bálsamo quando a rotina nos mergulha em veredas do pessimismo. Nada como a sabedoria do poeta popular para sínteses confortadoras.

Pesquei hoje entre as mensagens de amigos, um pedacinho de um samba interpretado pelo inesquecível Moreira da Silva, com a sugestão de que o publicasse vinculando-o ao Bolsa Família.

Não naquilo que o Bolsa-Família tem de positivo – que é o indiscutível apoio social do Estado. Mas, naquilo que lhe falta: a  etapa da inclusão social no mercado, que representa o fim da mesada.

No pressuposto de que o beneficiário da mesada, assim como o personagem do samba, quer mesmo é não depender de ninguém mais senão dele próprio.

Clique ao lado e vamos de Morengueira Download.

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Serra cresce no momento em que a estratégia de Lula de aparecer ao lado de Dilma entra em contagem regressiva. Foto: Ernesto Rodrigues/AE

A recente pesquisa Datafolha que registra um índice de 36% em favor do ainda governador José Serra é um divisor de águas na campanha presidencial.

O efeito desse resultado vai desde o assanhamento do PMDB – que torcia para ter ampliado seu poder de barganha na indicação do vice de Dilma -, até uma maior facilidade do PSDB nas alianças regionais e no patrocínio da campanha.

Assanhado também ficou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, neo-peemedebista, que vê sua pretensão de ser o vice de Dilma com mais chances.

A pesquisa apenas repõe a realidade de uma disputa que não será fácil para nenhum dos lados.  A fidelidade de Serra ao timing que se impôs – e que se revela agora acertado -, deu à pré-campanha  um resultado falso-positivo de vitória antecipada da candidata de Lula.

Tanto que o PT já projetava um crescimento potencial de 19% para Dilma. Tão equivocado quanto imaginar que a dianteira da candidata de Lula era fato consumado.

Serra cresce no momento em que a estratégia de Lula de aparecer ao lado de Dilma entra em contagem regressiva. A campanha começa para valer a três meses da proibição de Dilma para subir em palanque com Lula.

A ministra levou um ano inteiro para chegar ao patamar atual, depois de longa exposição ao lado de um  presidente que conseguiu o inédito índice de 80% de aprovação ao seu governo.

Daqui em diante estará em jogo sua capacidade de transferência de votos, aliada à histórica capacidade de mobilização do PT.

Que, no entanto, será equivocada se reproduzir a estratégia de agressão como a promovida pelo sindicato dos professores de São Paulo, – até aqui um ótimo cabo eleitoral de José Serra.

A pesquisa indica claramente que o esforço de inversão de expectativas cabe ao PT: Serra registra vitória em regiões, Estados e segmentos populacionais – como o das mulheres – que o exibe como favorito. E não o contrário.

A campanha acaba de começar.

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Reginaldo (D) será votado por uma Câmara sem legitimidade. Foto: Ailton de Freitas/Ag. Globo

O ex-presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil,  Reginaldo de Castro, é candidato do PSB a governador-tampão de Brasília, na eleição indireta promovida pela Câmara Distrital.

Reginaldo se oferece como alternativa à intervenção – cuja rejeição tem motivações distintas: para a Câmara é legítima defesa; para ele, é questão de princípio.

Continuo fiel à tese de que a intervenção é o que de melhor pode ocorrer a Brasília nesse momento.

Reginaldo é homem de bem, mas será votado por uma Câmara sem legitimidade.

É possível que dê certo o movimento e ele se saia até bem, nesse processo. Mas, bom mesmo, seria a assepsia de um interventor qualificado como tal.

De qualquer forma, ele pede que seja dado o recado: se eleito, trabalhará com um procurador na mesma sala e receberá seus interlocutores sempre com testemunhas.

Já se vê que um dos poucos que se  arvoram a fazer a ponte sem intervenção, entra no contexto brasiliense como médico em ambiente de epidemia: máscara no rosto e especialistas ao lado.

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fhc

Encontro entre FHC e Roriz indignou eleitores e não eleitores do PSDB. Foto: Paulo Vitor/AE

Com frequência a atividade política impõe alianças entre perfis ideologicamente antagônicos em nome de um objetivo estratégico –  partidário ou de governo.

Ao longo do segundo mandato, o presidente Lula andou abraçando antigos desafetos, como o ex-presidente Fernando Collor, e empenhando sua biografia em defesa de José Sarney.

Faz parte do jogo, porque a política é feita de alianças, muitas delas, ocasionais. Não fazer concessões de muita repercussão, mas de nenhuma consequência prática, pode se revelar um erro estratégico.

E a políticos experientes não é dado o direito de erros primários, embora essa verdade não seja garantia de que não os cometerão.

É o caso do recente encontro entre o ex-presidente Fernando Henrique e o ex-governador Joaquim Roriz, cuja fotografia indignou eleitores e não eleitores do PSDB.

A condenação decorre da constatação de que a receptividade de Fernando Henrique a Roriz não se insere no rol daquilo que se poderia chamar de uma necessidade pontual, uma concessão purgatória.

Os índices de Roriz nas pesquisas para o governo de Brasília, onde o PSDB precisará montar seu palanque para as eleições presidenciais, não justifica o gesto.

Nem a relação custo/benefício política se aplica ao caso, porque o PSDB mais perde do que ganha com o episódio – um brutal erro de avaliação, com visibilidade espantosa, geralmente providenciada para grandes momentos.

Encontros desse tipo em muitas campanhas políticas se davam a quatro paredes, com o candidato recebendo um político indesejado, mas indispensável pelos votos, pela porta dos fundos.

Nem era o caso.

A população de Brasília acompanha o escândalo que levou seu governador à cadeia  com a expectativa de que as investigações que viabilizaram sua deposição alcancem Roriz, o mentor de todo o esquema.

Roriz é investigado na operação Caixa de Pandora que já se tornou a mais bem documentada ação policial no universo político brasileiro. Dificilmente sairá ileso dela.

Tal contexto exclui o ex-governador como um “sapo” que a política empurra goela abaixo, e o transforma em personagem perigoso aos objetivos de qualquer político ou partido.

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Deputado Milton Barbosa (E), irmão de Durval Barbosa, abriu o jogo e revelou a partilha de 270 cargos.

Foto: Arquivo/AE

Enquanto tramam para eleger pela via indireta um governador-tampão que os salve da intervenção, os deputados distritais de Brasília disputam o espólio de cargos dos colegas cassados, Leonardo Prudente e Junior Brunelli.

O exercício de rapina é suprapartidário e envolve parte de 270 cargos comissionados a que têm direito “por fora”, além daqueles que são previstos pela legislação em vigor.

“Por dentro” cada um dos 24 distritais já dispõe de 23 vagas por gabinete e mais 4 outras de funcionários que podem ser requisitados a outros órgãos.

Um total de 27 funcionários pagos com uma verba de R$ 97,6 mil – R$ 37 mil a mais que a destinada a um deputado federal.

Fechada essa conta, abre-se outra, que pode dar a cada deputado mais 8 cargos dentre os 270 que integram a estrutura da Câmara. Postos cobiçados que variam entre R$ 2 e R$ 12 mil.

Eles são preenchidos por amigos, afilhados políticos e cabos eleitorais que trabalharam nas campanhas.

O que está em disputa agora são os 16 cargos “pertencentes” aos deputados Leonardo Prudente e Junior Brunelli, que renunciaram após aparecerem nos vídeos de Durval Barbosa enchendo-se de maços de dinheiro.

Ao ver seu nome numa lista apreendida pela Polícia Federal na casa de Leonardo Prudente, com um valor de R$ 12 mil ao lado, o deputado Milton Barbosa (PSDB), irmão de Durval Barbosa, abriu o jogo e revelou a partilha dos 270 cargos.

Como membro da Mesa Diretora (ele é terceiro-secretário), Milton Barbosa tem direito a fatia maior que o deputado comum. Ele próprio declarou que dispõe de R$ 128,9 mil para preencher 15 dos 270 cargos.

Somando tudo – seu salário , as verbas indenizatória e de gabinete e os cargos que ainda preenche na estrutura da Câmara -, Barbosa custa ao erário R$ 371,7 mil por mês. Ao ano, R$ 4,485 milhões.

Segundo o tucano, seu correligionário, Raimundo Ribeiro, que é Segundo-Secretário da Mesa, controlara cargos extras no valor de R$ 109 mil.

Ainda segundo Barbosa, a cota do Primeiro-Secretário, Batista das Cooperativas, que notificou pessoalmente Arruda da abertura de processo de impeachment, é de R$ 99 mil.

Sem cargos na Mesa, os deputados Roney Nemer e Eliana Pedrosa têm direito a vagas extras no valor total de R$ 67 mil e R$ 66 mil, respectivamente.

O deputado Raad Massouh (DEM), suplente que assumiu a vaga do ex-presidente Leonardo Prudente, elegeu-se presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no último dia 17.

Mas está a ver navios, porque seus nobres pares estão loteando o espólio de Prudente e Brunelli na base de dois para cada um.

Quase todos envolvidos até o pescoço no mensalão do governo Arruda, os nobres parlamentares sustentam que a intervenção federal seria um golpe.

Conhecidos esses números, não há dúvida: é um duro golpe nos negócios de suas excelências.

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O confronto nos bastidores entre o líderes do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), e do PMDB, Renan Calheiros (AL), tem potencial para retardar a discussão dos royalties do pré-sal no Senado.

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Renan e Jucá: antagonismo desfavorece governo. Foto: Sérgio Dutti/AE

Os dois se estranham desde a crise política protagonizada pelo senador José Sarney (PMDB-AP), quando Jucá acusou Renan de se omitir na defesa do presidente do Senado.

A crise agravou-se nos últimos dias com a ameaça de Renan de obstruir as votações no plenário caso o governo não concorde com a renegociação das dívidas dos pequenos agricultores do Nordeste, articulada na MP 470.

Jucá se empenha para não comprometer o prazo da urgência constitucional de 45 dias para a votação dos projetos do Pré-sal. É onde Renan encontra seu poder de barganha.

“Nós fizemos a advertência, nós fizemos a negociação, nós garantimos esse prazo para o governo, mas é apenas esse prazo mesmo. Se nós não resolvermos nessa próxima Medida Provisória nós vamos ter que parar”, ameaçou.

Dois episódios anteriores já denunciavam o conflito. No ano passado, Renan fez de tudo para impedir que Jucá fosse nomeado relator da CPI da Petrobras, até que o presidente Lula interferiu em favor do líder governista.

Em fevereiro, Renan voltou à carga e impediu a indicação de Jucá para o cargo de vice-presidente nacional do PMDB durante a convenção do partido, o que daria ao líder do governo o comando do PMDB se Michel Temer vier a ser o vice de Dilma Rousseff.

Jucá deu o troco excluindo Renan da última reunião com Lula sobre o pré-sal, o que levou o líder do PMDB a acusá-lo de tomar decisões à sua revelia e de excluí-lo das negociações com o governo.

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Foto: André Dusek/AE

Vale a pena ler a 34 páginas das alegações finais em que o Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, agrava o seu pedido de intervenção federal em Brasília, em resposta à defesa da Câmara Distrital.

Gurgel cita uma seqüência de fatos que respaldam o pedido e que vão desde a tentativa do governador interino, Wilson Lima, de conceder foro privilegiado aos ex-chefes da Casa Civil e de Gabinete de Arruda, até o empenho da Câmara em empossar o suplente de Lima, o deputado Geraldo Naves, preso na penitenciária da Papuda.

Gurgel insiste em que a instabilidade política e institucional continua. Abaixo, os principais argumentos do Procurador para justificar a intervenção. O texto, na íntegra, pode ser encontrado no site da PGR.

Persistem os fatos que motivaram o pedido de intervenção

A PGR repele o argumento de que a Câmara tomou providências para restabelecer os princípios republicanos no Distrito Federal e salienta que as poucas ações nesse sentido não foram de iniciativa dos deputados, mas de forças externas, como o Judiciário e o Ministério Público.

Reconhece que os deputados deram “algum andamento” ao processo de impeachment de Arruda, mas demonstra que se movimentaram somente após o protocolo do pedido de intervenção federal, no início de fevereiro.

Lembra que o governador Arruda não foi afastado do cargo pela Câmara, mas, sim, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que ordenou sua prisão.

E que o afastamento dos oito deputados distritais envolvidos na investigação da Polícia Federal também se deu por ordem judicial, e não por iniciativa da Câmara.

A Câmara conferiu direito a voto, no julgamento dos pedidos de licença do STJ para processar José Roberto Arruda, a deputados distritais que, como o Governador afastado, receberam verbas públicas desviadas.

A Câmara busca alternativas para empossar o suplente de deputado distrital Geraldo Naves (DEM), preso com Arruda pela tentativa de corromper testemunha, ao invés de encontrar caminhos para não empossá-lo.

O governador interino Wilson Lima tentou favorecer José Geraldo Maciel e Fábio Simão, afastados do governo pelo envolvimento na Operação Caixa de Pandora.

No início de março, Lima enviou à Câmara o Projeto de Lei 1.531, que concedia aumento aos dentistas do quadro do GDF. Embutiu no texto artigos que conferiam foro privilegiado ao Chefe de Gabinete e das Casas Militar e Civil do Governo, cargos ocupados por Maciel e Simão.

A aprovação da lei não ocorreu porque o deputado Paulo Tadeu (PT) denunciou a manobra e forçou a retirada do projeto pelo governador.

O pedido de intervenção não se fundamenta em “superficial argumento da falência das instituições distritais”

Não guarda vínculo com a realidade, a classificação, pela procuradoria da Câmara Distrital de que o pedido de intervenção se baseia em superficialidades.

Significa desconhecer o quadro fático que se instaurou na Capital Federal e ignorar os princípios constitucionais que devem nortear a administração pública: legalidade, probidade, moralidade, indisponibilidade do interesse público.

Os fatos, diz o texto, compreendem inédita prisão do Governador, renúncia do Vice-Governador – igualmente envolvido – por temor à sua submissão ao processo de impedimento, assunção do Governo pelo Presidente da Câmara, notório aliado do Governador afastado, e condução trôpega pela Câmara Legislativa do Distrito Federal das questões relacionadas à apuração da responsabilidade do Governador e de deputados distritais envolvidos em diversos crimes – entre eles o desvio de verbas públicas.

Neste ponto, chama a atenção para o fato de que o governador foi preso pela tentativa de corromper uma testemunha. E lembra provas obtidas pela PGR, como o depoimento de dois delegados da Polícia Civil – diretores do órgão na época das investigações – que afirmaram ter sofrido pressão de Arruda para fornecer informações sigilosas.

A intervenção não é uma violência à autonomia do DF

À alegação de que a intervenção seria uma violência à autonomia institucional e federativa do DF, contrapõe: violência foi o crime coletivo dos agentes públicos do DF e a indolência daqueles incumbidos de apurá-lo.

E prossegue: violência seria, ”sob a aparência da normalidade institucional, pretender a locupletação do bem público e a perpetuação da irresponsabilidade administrativa, política e criminal”.

E arremata com citação do relator do processo, ministro Gilmar Mendes: “Cumpre enfatizar que a intervenção não é uma violência aos poderes constituídos; ao contrário, é um remédio para situações de ‘metástase institucional’.

O esbulho aos cofres do DF afeta os bolsos de todos os brasileiros

O texto lembra, ainda a propósito da autonomia política, que o DF é sustentado por toda a Federação. O Distrito Federal, diz, reclama fiscalização também dos órgãos federais, porque há recursos do orçamento federal envolvidos.

“Os recursos desviados foram arrecadados não apenas dos contribuintes do Distrito Federal, mas dos contribuintes de todo o País.”

É que o vultoso orçamento do Distrito Federal (de R$ 19.6 bilhões, em 2009) é, em grande parte (R$ 7.6 bilhões ou 38,8%, em 2009), constituído pelo Fundo Constitucional do Distrito Federal, formado por tributos pagos por brasileiros de todos os Estados.

Além disso, compete à União manter a maior parte dos serviços públicos do Distrito Federal mediante pagamentos vinculados ao Poder Judiciário, ao Ministério Público, à Defensoria Pública e aos serviços policiais e dos bombeiros”.

A intervenção não substitui o impeachment

Por fim, Gurgel repudia o argumento de que o pedido de intervenção buscaria fazer às vezes do processo de impeachment, que estaria sob regular tramitação no Legislativo (agora, com a cassação de Arruda, não mais).

O procurador ressalta que a intervenção não se presta a responsabilizar os agentes públicos que violaram a lei, não tem a função punitiva do impedimento. Ao contrário, visa ao resgate dos princípios republicanos e constitucionais.

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José Roberto Arruda agora é definitivamente ex-governador de Brasília: como previu este blog (De volta à Polícia Federal), anunciou há pouco sua decisão de não recorrer contra sentença do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF) que cassou seu mandato.

O fez em carta aos seus advogados, divulgada pelos mesmos,  em que justifica sua decisão como fruto de uma reflexão na prisão que o levou a concluir que ajuda mais Brasília nesse momento com sua ausência.

Esse trecho da carta denuncia o objetivo principal de Arruda: evitar a intervenção na Capital, cujos desdobramentos agravariam mais ainda a sua situação e de muitos outros personagens da cidade – os que já se sabe envolvidos na operação Caixa de Pandora e os que ainda irão aparecer.

O gesto ainda produz o argumento que seus advogados precisam para tentar a sua liberdade: o de que uma vez fora do governo, não representaria mais riscos ao trabalho da Justiça, cuja obstrução o levou à prisão.

De quebra, evita o desgastante processo do seu impeachment, a essa altura inevitável. Ainda poupa parte da Câmara Distrital de confirmar as acusações de falta de isenção para julgá-lo, feitas pelo Procurador-Geral Roberto Gurgel e respaldadas pelo Ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto.

Tudo isso para facilitar a viabilização da eleição indireta que poderá nomear seu sucessor para um tampão até outubro.

Claro, a carta transborda sentimentalismo e faz até uma referência ao presidente Lula que, com certeza, dispensaria tal distinção, até porque a frase permite interpretação dúbia.

“Sou grato, também, a Sua Exa o Sr. Presidente Luiz Inácio Lula da Silva – e ao seu governo, sem cujo apoio não teríamos feito tudo que fizemos”.

A íntegra da carta:

“Ao  agradecê-los pelo trabalho que tem feito na minha defesa nas diversas frentes, com o apoio de competentes e leais colegas de profissão desejo manifestar, em especial à Dra. Luciana Lossio, que sustentou a nossa defesa no TRE – o meu desejo de não recorrer ao TSE , mesmo consciente do nosso bom direito.


Não tenho a culpa que querem me imputar. Resisti a um inquérito que já ultrapassa 180 dias. Suportei as pressões, as traições, os flagrantes montados, as farsas, as buscas e apreensões, os vazamentos de documentos para fomentar o escândalo, o abandono do Democratas, a prisão, 180 dias de inquérito, 40 dias de prisão.


E até agora eu não fui ouvido uma única vez ! Neste final de semana, imobilizado na cama de uma cela, pensei muito sobre tudo isso e, sobretudo, nos dois mais recentes episódios: a decisão do TRE e o cateterismo a que me submeti, confirmando uma doença coronariana que eu não tinha antes de enfrentar essa luta.


Pensei na minha família, nos amigos de verdade, no trabalho que fizemos por Brasília nesses 3 anos, nas 2000 obras, nas 200 escolas de educação integral, nas 1000 novas salas de aula, no novo sistema viário, pistas, duplicações, viadutos, nas 12 cidades mais pobres que há 20 anos esperavam por asfalto, esgoto, escolas, centros de saúde, vilas olímpicas, postos policiais, nos condomínios regularizados, enfim, em tudo que fizemos para colocar ordem na cidade e nas contas públicas. O fim das vans piratas, das invasões, os 2000 ônibus sem nenhum  aumento de passagens – 3 anos de governo sem nenhum aumento de passagem – os parques, o Noroeste [bairro], os 65.000 pais de famílias empregados nas obras do governo.


E concluí que posso ajudar mais Brasília, no seu aniversário de 50 anos, com a minha ausência do que com a minha presença. Divergem-se os conflitos e as paixões. Por isso decidi solicitar a vocês, meus advogados, que não recorram ao TSE, apesar do bom direito que vos assiste. Recorrer seria prolongar o drama.


Acatando a decisão do TRE. Responderei  os processos como cidadão comum, longe das paixões e dos interesses políticos. Saio da vida pública.


Espero, apenas, que, meus sucessores não deixem que as obras sejam interrompidas, todas já com recursos assegurados e na sua fase final. As obras não são minhas, são da cidade.


Sou grato a toda a minha equipe de governo que, com eficiência e determinação, foi fundamental no cumprimento dos nossos objetivos.


Sou grato, também, a Sua Exa o Sr. Presidente Luiz Inácio Lula da Silva – e ao seu governo, sem cujo apoio não teríamos feito tudo que fizemos.


Com a paz que já me assiste neste momento de despedida, lembro que “Há homens livres nas celas e homens presos nas ruas” – O meu corpo-matéria sofre desgastes, mas nunca tive tanta liberdade de espírito.


Leio, em Eclesiastes: “Sabedoria é a capacidade de discernir a verdade por trás das aparências. Quem é capaz disso não se perturba diante dos conflitos”. Pode demorar, mas a verdade se estabelecerá. Tenho fé que serão identificados os interesses que contrariei, as propostas indecorosas que não aceitei, os hábitos que repeli.


A vida é cíclica. Já vivi altos e baixos. Aplausos e vaias. Vitórias e derrotas. Vida  que segue.


Serei eternamente grato à grande parte da população que me elegeu e que me apoiou mesmo nos momentos mais difíceis. Peço ainda que transmitam meus agradecimentos ao dr. Alckmin, dr. Gerardo Grossi, dr. Bulhões e dr. Ferrão.


Agradeço também, ao verdadeiros amigos, as correntes de oração e especialmente à Flávia, de cuja coragem, carinho e amor verdadeiro retirei as forças necessárias para superar tantos obstáculos.


Não posso negar que a doença coronariana que me levou ao cateterismo – e agora a cuidados especiais – foi variável importante nesta decisão. Já vivi o bastante para saber que as razões políticas muitas vezes ultrapassam os limites do Direito – e que a humildade de saber parar pode valer mais que a mais triste e destemida insistência”.

José Roberto Arruda

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DEM acredita que senadora pode alcançar 15% numa campanha nacional.

Foto: Pablo Valadares/AE

Convencido de que Aécio Neves não blefa quando afirma que concorrerá ao Senado, o DEM vai dar um ultimato a José Serra e cobrar a vaga de vice na chapa do PSDB à Presidência.

A candidata do partido é a senadora Kátia Abreu (TO), que deixará a presidência da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) no dia 3 de junho, prazo limite para a sua desincompatibilização como dirigente patronal.

Oficialmente a senadora sai para concorrer ao governo do Tocantins, mas o partido a preserva para vôo mais alto: se não conseguir emplacá-la na chapa do PSDB a lança candidata à presidência já em 2010.

O pano de fundo da operação é a sobrevivência da legenda que sofre uma desidratação eleitoral acelerada desde que virou oposição, após o governo FHC.

Nos cálculos do DEM a senadora pode alcançar um percentual de 15% numa campanha nacional, acima de Ciro Gomes e Marina Silva.

A conta localiza no interior do país 60% do eleitorado brasileiro e, desse percentual, 80% são ligados direta ou indiretamente ao agronegócio.

O carisma de Kátia Abreu junto a esse público seria indiscutível e, por isso, o partido sustenta que ela pode ser de grande valia para Serra.

Com mais quatro anos de mandato parlamentar, a pior hipótese não existe para a senadora. Se vice de Serra, ótimo; se candidata em vôo solo, faz um recall para 2014.

Em qualquer das duas circunstâncias, dá sobrevida ao DEM que sonha com a incorporação ao PSDB numa eventual vitória de Serra.

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