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11.fevereiro.2010 13:18:40

Em plena campanha

Desde ontem está no ar uma propaganda do PT em que a ministra Dilma Rousseff é apresentada como a continuidade do governo atual. Até aí, tudo bem, é essa a legítima mensagem eleitoral do partido.

Depois de identificar o PT como agente das transformações no País nas duas últimas décadas, mostra Lula e Dilma, lado a lado, pregando a continuidade.

Ao lado do presidente, ela faz um convite ao telespectador (eleitor): “Venha com a gente, vamos continuar mudando o Brasil”.

Não há outra tradução para esse “convite” senão a de um pedido de voto. A peça pretendeu passar uma mensagem subliminar, mas acabou explícita.

O que torna a legislação que proíbe a campanha antecipada uma mera peça de ficção.

Some-se à propaganda as imagens levadas ao ar, diariamente, pelos jornais televisivos, com Lula e Dilma em palanques de inauguração de obras, fazendo discursos eleitorais, e fica impossível dar outro nome a isso senão o de campanha eleitoral.

Não fosse pelo uso da estrutura do Estado para essa óbvia campanha antecipada, indiscutívelmente cara e patrocinada pelo contribuinte, até seria admissível considerar essa discussão uma bobagem.

Afinal, é hipocrisia disfarçar o que todos sabem: que Dilma é a candidata do PT apoiada pelo presidente da República e que terá por adversário principal o governador José Serra.

E que todos, de uma forma ou de outra, tentam dar visibilidade a seus feitos e comparam suas gestões.

Mas nada disso dá ao Presidente o direito de revogar a Lei na marra.

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11.fevereiro.2010 06:00:59

Fim de um ciclo militar

A demissão do general Maynard Marques de Santa Rosa da chefia do Departamento de Pessoal do Exército reveste-se de importante simbolismo que torna secundária sua motivação disciplinar.

Jobim consolida poder civil nas Forças Armadas. Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr

Jobim consolida poder civil nas Forças Armadas. Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr

Uma década depois de sua criação e no sexto ministro de fora da caserna, pode-se dizer que o Ministério da Defesa consolida o processo que o inspirou, de submissão das Forças Armadas ao Poder Civil.

Não foi fácil, nem simples, mudar o conceito de independência arraigada nas Forças Armadas Brasileiras após duas décadas de ditadura, cujos estertores foram além da posse do primeiro governo civil, o de José Sarney, iniciado em 84.

Criado em 99 no governo de Fernando Henrique Cardoso, é mais um projeto que se consolida no governo atual, reforçando sua característica de continuidade, que o modelo econômico já comprovou.

À exceção do advogado Geraldo Quintão, nenhum antecessor de Jobim esquentou a cadeira por muito tempo. Todos caíram por rejeição da Tropa ou por acusações de irregularidades.

O primeiro deles, o senador Élcio Álvares, causou profunda irritação nos militares ao dar espaço de poder a uma mulher, a sua secretária pessoal. Logo, logo, trataram de pôr sob suspeita casos defendidos pelo seu escritório de advocacia no Espírito Santo.

Seu sucessor, Geraldo Quintão, ficou dois anos no cargo, mais por manter as decisões internas nas mãos dos militares do que por outros méritos.

Na sequência, o diplomata José Viegas também experimentou a rejeição. Foi apeado do cargo sob denúncia de favorecimento à Rússia na negociação da compra dos caças, que até hoje não se concluiu (a novela é antiga).

O vice-presidente José Alencar foi o segundo na gestão Lula e sua passagem, também breve, serviu apenas para acalmar os ânimos nas três Forças.

Foi sucedido pelo mais pífio de todos, Waldir Pires, catapultado pelo apagão da crise aérea.

Jobim fecha o ciclo com a implantação do orçamento único, centralização do planejamento e da decisão estratégica e comando efetivo da autoridade civil.

A manifestação pessoal do general Maynard, à revelia do seu comandante – embora por condenar o inoportuno e desnecessário Plano Nacional de Direitos Humanos -, tornou-se inevitável.

E materializou o fim de um ciclo militar na política.

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10.fevereiro.2010 07:53:22

PSDB no canto do ringue

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso falou por conta e risco próprios ao responder à provocação do presidente Lula para comparar seus governos.

Mas não foi só por impulso de defender seu governo, ou por vaidade pessoal, como sugeriram as primeiras avaliações sobre a sua fala. E nem foi à revelia do partido.

FHC já sinalizara internamente que reagiria mesmo que isso implicasse suspender temporariamente a regra de evitar a polarização da campanha entre ele e o presidente Lula.

Sua manifestação – a segunda em um espaço de tempo curto -, mostra que o PSDB erra ao confundir a espera pelo lançamento de seu candidato com inércia absoluta. O silêncio deve ser do candidato, não do partido.

O próprio Serra disse exatamente isso em recente entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, na qual afirmou que fazer oposição é dever e tarefa do partido, não do governador.

O episódio flagra o PSDB desestruturado para a campanha, refém possivelmente da natureza centralizadora do seu candidato que, paradoxalmente à sua tese, contribui para que a campanha não se inicie sem ele.

No PSDB não existe a fase da pré-campanha: as negociações regionais estão atrasadíssimas, o planejamento estratégico idem, não se tem conhecimento de reuniões de lideranças para discutir conteúdo e elaboração de programa.

Nesse contexto, teme-se que a longa e continuada exposição dos ataques de Lula e Dilma, sem reação, acabe absorvida pelo eleitor como sinal de fragilidade do partido.

O PSDB parece inspirado no célebre pugilista Cassius Clay ao disputar, em 1974, o cinturão com George Foreman, anos mais novo, e em plena forma.

Cassius Clay e George Foreman na célebre luta, em 1974. Foto: Arquivo/AP

Cassius Clay e George Foreman na célebre luta, em 1974. Foto: Arquivo/AP

Clay adotou a estratégia de deixar ao adversário a iniciativa do combate, na expectativa de cansá-lo e, ao final, golpeá-lo inapelavelmente.

Deu certo: exibiu uma capacidade de resistência inédita, na mesma proporção da surra que levou durante todo o combate, num canto do ringue. Mas, ao final, venceu.

Mas o PSDB não é Cassius Clay. E Fernando Henrique sabe disso.

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Ouvi do senador Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE), há pouco, que se lançará candidato ao governo de Pernambuco se essa for a missão reservada a ele pelo PSDB no curso da campanha à Presidência da República.

Foto: Celso Junior/AE

Jarbas: palanque para Serra em Pernambuco. Foto: Celso Junior/AE

Não é o seu desejo: Jarbas acha que poderá ser mais útil ao candidato José Serra como militante e estrategista num futuro comitê de campanha.

Foi o que disse a Serra, em novembro do ano passado, quando ouviu do governador de São Paulo, pela primeira vez, que sua candidatura é estratégica para o êxito eleitoral do PSDB no Nordeste.

Naquela ocasião, o apelo pela sua candidatura estava restrito aos interesses das alianças regionais, o que não lhe motiva.

Num Estado onde já foi tudo – prefeito de Capital, governador reeleito, deputado federal e senador -, sempre com alto índice de aprovação e popularidade, acha que sua candidatura agora só se justifica se vinculada a um projeto político nacional.

Ou seja, no contexto de uma disputa presidencial. Por isso, cederá a um novo apelo de José Serra, se não for possível convencê-lo do contrário.

Peemedebista histórico, Jarbas hoje é o maior crítico do partido, que já classificou de corrupto e de coveiro dos princípios que o nortearam no combate à ditadura militar, sob comando de Ulysses e Tancredo.

Seu nome tem força para alterar substancialmente o quadro eleitoral pró-Dilma em Pernambuco.

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Para o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, os 30% da ministra Dilma Rousseff registrados na recente pesquisa Sensus/CNT, esgotam o poder de transferência de votos do Presidente Lula para sua candidata.

Montenegro tem repetido a platéias de políticos de Brasília, como um mantra, que o PT não vence a eleição presidencial.

Carlos Augusto Montenegro, do Ibope: PT não vence

Carlos Augusto Montenegro, do Ibope: PT não vence

Depois do PMDB, ele voltou à carga em um encontro com o DEM, ontem, sustentando que o eleitor sabe que Dilma é o PT no poder mais quatro anos, só que dessa vez, sem Lula.

“Não é a mesma coisa e faz toda a diferença”, explica. Pelo seu raciocínio, o PT deixou o governo no mensalão e Lula deixou o PT antes disso. Esse quadro ficará claro quando Dilma trocar o governo pela campanha.

Ele minimiza a vantagem de Dilma no Nordeste, que representa 28% do eleitorado nacional: a vitória do PT lá não será de 100%, ao contrário, passa apertada, e não compensará a derrota no resto do País, diz convicto.

Ele também afirma que Dilma começará a perder a corrida na medida em que a campanha chegar à fase dos palanques, programas gratuitos e debates.

Seus ouvintes acham cedo para tantas certezas, mas ficam impressionados com a decisão de Montenegro em expô-las. Afinal, para um dirigente do mais tradicional instituto de pesquisas soa, no mínimo, temerário.

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O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, confirmou ontem a alguns parlamentares que o nome do vice-Presidente, José Alencar, para o governo de Minas é objetivamente avaliado pelo Planalto.

A notícia teve o efeito imediato de fazer com que já se enxergasse na performance do vice, ontem, na sessão de reabertura dos trabalhos legislativos, um comportamento eleitoral.

O raciocínio que inspira o movimento daria um poderoso palanque a Dilma Rousseff no segundo colégio eleitoral do País, onde Aécio, por ora, exerce liderança indiscutível.

Alencar na Câmara, com Dilma e Temer: performance eleitoral

Alencar na Câmara, com Dilma e Temer: performance eleitoral

Também cria condições para que Lula tenha no senador Hélio Costa um nome do PMDB mais palatável que Michel Temer para vice de Dilma.

Ao mesmo tempo, imporia ao governador Aécio Neves maior dedicação na sua luta pela hegemonia mineira e o deixaria mais distante do que já está de uma chapa puro-sangue com o vice de José Serra.

Além disso, pacificaria a base de Lula em Minas, dividida com a disputa entre Hélio Costa, Fernando Pimentel e Patrus Ananias pelo governo estadual.

Falta só combinar com os russos, como diria Garrincha.

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02.fevereiro.2010 21:11:24

Arruda – o crime compensa

O governador José Roberto Arruda conseguiu completar o movimento decisivo para a sua permanência no cargo até o final do atual mandato. Tem o comando da Câmara e da Comissão de Constituição e Justiça, apesar de tudo.

Foto: Celso Junior/AE

STF condicionou julgamento do governador José Roberto Arruda a uma consulta à Câmara Distrital .Foto: Celso Junior/AE

Tal operação política não se consolida sem um acordo de bastidores que, nesse caso, envolve oposição, governo e Judiciário. E, em alguma medida, também os algozes de Arruda, o ex-governador Joaquim Roriz e o denunciante Durval Barbosa.

O STF, acionado pelo Ministério Público sobre a constitucionalidade da Lei Orgânica do DF, que impede o processo contra o governador, condicionou seu julgamento a uma consulta feita à Câmara Distrital.

Mas não fixou prazo para a resposta.

No período em que comandou a Câmara, o PT de Cabo Patrício sentou em cima da consulta do STF. Foto: Pablo Valadares/AE

No período em que comandou a Câmara, o PT de Cabo Patrício sentou em cima da consulta do STF. Foto: Pablo Valadares/AE

No período em que comandou a Câmara, encerrado ontem, o PT sentou em cima da consulta do STF por 40 dias. Se a oposição agiu assim, que dirá a nova Presidência, eleita ontem, fiel ao governador.

Durval Barbosa recuou do prometido depoimento a uma CPI que também está sob controle do governador.

É a mesma base aliada que aparece nos filmes do ex-secretário de Arruda, guardando propina em meias e agradecendo a Deus pelo “sucesso financeiro”.

A desistência de Durval em depor na CPI é o fato mais significativo desse enredo desmoralizante. Poupou o governador no momento mais importante da operação que, até aqui, garante sua sobrevivência no cargo.

A Polícia Federal, que tem Durval sob custódia, deve explicações sobre seu recuo. Sob pena de passar recibo de instituição que elege seus alvos de acordo com suas conveniências políticas.

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02.fevereiro.2010 08:00:36

Oposição colabora com Arruda

O deputado Cabo Patrício (PT) deve deixar hoje a presidência interina da Câmara Distrital, se a eleição não for novamente adiada por manobras de aliados do governador José Roberto Arruda.

Cabo Patrício: lentidão suspeita. Foto: Carlos Gandra/CLDF

Cabo Patrício: lentidão suspeita. Foto: Carlos Gandra/CLDF

Hoje também faz 40 dias que o Supremo Tribunal Federal encaminhou a Patrício consulta sobre a Lei Orgânica do DF, para subsidiar o ministro José Antônio Toffoli em decisão sobre a sua constitucionalidade.

Se for considerada inconstitucional no artigo que condiciona o processo do governador a licença prévia da Câmara, estará aberto o caminho para que o Ministério Público abrevie o julgamento de Arruda.

É o que pede ao STF o Procurador-Geral, Roberto Gurgel.

Como esse é o cerne da questão, a demora do deputado sugere erro de prioridade, no mínimo.

No máximo, conivência com a operação-tartaruga que cozinha em fogo brando o processo de fritura do governador, para sustentá-lo até o final do mandato.

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Uma pesquisa reflete necessariamente uma tendência ou um resultado. No contexto eleitoral, o primeiro caso só ocorre com a campanha em estágio mais avançado, com todos os candidatos definidos, alianças regionais seladas, horário gratuito em curso e candidatos expondo, em debates e palanques, suas idéias e propostas para o País.

Não é, decididamente, o cenário em que pesquisas como a divulgada nesta segunda-feira, 1º, pela CNT-Sensus, se desenvolvem. Elas refletem, por enquanto, aquilo que a lógica indicava: a única candidata em campanha ostensiva, ao lado de um presidente com a popularidade na casa dos 80%, cresceu em relação ao seu percentual inicial e ultrapassou a casa dos 20%, meta que se impusera em curto prazo.

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Os outros três candidatos não estão em cena – um deles, José Serra, nem mesmo se admite como tal. De Ciro Gomes, até dias atrás em férias no exterior, nem se sabe se manterá a candidatura. Marina Silva, embora assumida, e com o menor índice, ainda não pôs o pé na rua. Portanto, os números não surpreendem e refletem apenas o resultado de uma etapa preliminar em que Dilma não teve concorrentes e contou com o apoio de um cabo eleitoral privilegiado: o presidente Lula.

Mas a pesquisa se presta a reflexões importantes. A primeira delas, a de que a candidatura Ciro Gomes, nesse momento, ajuda mais do que atrapalha Dilma. Sem o seu nome na planilha dos entrevistadores, Serra sai de um empate técnico para um percentual de 40%, que teoricamente indicaria sua vitória no primeiro turno. O que é improvável se confirmar no curso da campanha.

Os votos de Ciro, portanto, migram para o candidato do PSDB, pelo menos nesse momento. O que não deixa de ser curioso, já que declaradamente seu alvo principal é José Serra. Também fica claro que Ciro não se consolida como candidato, pois cai para 11%, o que o aproxima mais de Marina do que de Dilma. Provavelmente ficará a serviço do que for melhor para Lula. Por enquanto, ele se mostra decisivo para levar Dilma ao segundo turno.

Outra reflexão importante, mas também prematura , diz respeito à transferência de votos de Lula para sua candidata. Considerando que a fase atual da campanha é a de construção, pelo Presidente, da candidatura de sua ministra, é razoável dar como seu o percentual de intenções de voto que a pesquisa registra em favor de Dilma. Se os votos prometidos a Dilma são de Lula, resta saber se ele, há um ano em campanha, chegou ao limite dessa capacidade de transferência ou ainda pode mais.

A leitura da pesquisa nos detalhes mostra que a distribuição dos votos de Dilma entre as regiões e os segmentos da população não são uniformes. Ela fica abaixo de Serra em quase todos os segmentos e regiões, exceção para o Nordeste. Isso pode variar para pior ou para melhor para a candidata.

As alianças regionais serão decisivas para dar contornos mais definidos às candidaturas e projetar cenários mais precisos. Há Estados onde Dilma nem precisaria disputar, se os números, nessa pré-campanha, fossem imutáveis. Caso de Pernambuco, por exemplo, onde se beneficia da popularidade de Lula e do governador Eduardo Campos. Mas, e se o senador Jarbas Vasconcelos entrar na disputa estadual e abrir um palanque para Serra?

O quadro em Minas, segundo maior colégio eleitoral não está igualmente definido. O lançamento do ex-presidente Itamar Franco ao Senado, em claro acordo com Aécio Neves, põe em dúvida novamente a anunciada decisão do governador de não ser vice na chapa tucana.

Ainda há muito por acontecer. Deve se esperar mais das primeiras pesquisas feitas após a desincompatibilização de Dilma, quando estará por sua conta e risco, e a entrada em campo de seu principal oponente, o governador José Serra.

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