Leia abaixo a íntegra da Oração da Propina que os deputados Rubens César Brunelli Jr. (PSC-DF) e Leonardo Prudente (DEM-DF), presidente da Câmara Distrital, ofereceram ao então secretário Durval Barbosa (Relações Institucionais), que distribuía as propinas entre a base aliada. A ironia é a circulação do vídeo no Dia dos Evangélicos, que o ex-governador Joaquim Roriz transformou em feriado na Capital, em busca dos votos dos fiéis.
“Pai, queremos te agradecer por estarmos aqui. Sabemos que somos falhos, que somos imperfeitos, mas queremos agradecer aos santos que nos purificam. Olha, nós somos gratos pelo amigo Durval, que tem sido um instrumento de bênção para as nossas vidas e para essa cidade, que o Senhor contemple as questões do seu coração.
Santas são as investidas, Senhor, de homens malignos contra a vida dele, contra as nossas vidas. Nós precisamos dessa tua cobertura, dessa tua graça, da tua sabedoria. De pessoas que tenham, Senhor, armas para nos ajudar nessa guerra. E, acima de tudo, é o Senhor.
Todas as armas podem ser falhas, todos os planejamentos podem falhar, todas nossas atividades, mas o Senhor nunca falha. O Senhor tem pessoas para condicionar e levar o coração para onde o Senhor quer. A sentença é o Senhor quem determina, o parecer e o despacho é o Senhor que faz acontecer.
Nós precisamos de livramento na vida do Durval, dos seus filhos, familiares. Nós precisamos de uma cidade diferente, o Senhor tem uma cidade diferente para nós. Tu tens um novo templo para nós, Senhor. E eu creio, Senhor, na tua palavra. O Senhor é verdade, o Senhor é nossa Justiça. O Senhor é aquele que me abre as portas. Meu Deus, a palavra irá envergonhá-los, serão constituídos em nada aqueles que se levantarem contra nós.
O Senhor um dia pegou um rei, o rei Nabucodonosor e fez ele pastar, comer capim, para entender que o Senhor prevalece. Meu Deus, nós estamos sendo alvo de petardos. Meu Deus, dá um jeito nessa situação. Tira esses homens do nosso caminho”.
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Não durou muito o teatro do PPS anunciando o rompimento com o governo e condenando a corrupção: há gravações que implicam o presidente local do partido e subsecretário de Saúde, Fernando Antunes, acusado de cobrar dinheiro para a campanha eleitoral do partido em São Paulo.
Segundo a acusação, Antunes teria criado dificuldades num contrato com fornecedor da secretaria para vender facilidades. O velho esquema de sempre: pede auditoria no contrato, alardeia a tese da transparência, tira o oxigênio do prestador de serviço.
No fim, sugere a doação partidária que, uma vez dada, cessa a auditoria, libera o pagamento atrasado e acaba as dificuldades. Entre o primeiro ato e o último, a empresa espera cerca de 90 dias sem receber.
Atualizado às 19h02
Em nota , o PPS anunciou há pouco o rompimento da aliança com o governo de José Roberto Arruda renunciando a todos os cargos que ocupava. O partido pede o afastamento imediato do governador. Aproveita para reiterar sua condenação ao mensalão do PT.
Do ponto-de-vista político não resta outra alternativa ao PPS e a qualquer outro partido aliado a Arruda, já que o governo desmoronou. Convém aguardar os desdobramentos da crise, porque a área da Saúde, sob comando do PPS , é uma das mais visadas pela investigação. O presidente do PPS local, Fernando Antunes, que assina a nota de rompimento com Arruda, é o segundo homem na secretaria de Saúde do DF. O primeiro é o deputado federal Augusto Carvalho – adversário histórico do governador.
Parece já ter sido maior o ânimo do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, com a idéia de voltar à política. Pelo menos essa é a percepção no PMDB, que lhe cedeu a vaga para o Senado. Meirelles quer esticar ao máximo sua permanência à frente do BC, mas desde que admitiu a possibilidade de concorrer parece ter ressuscitado velhos fantasmas que sempre o assustaram em relação à política, onde a exposição é maior, o jogo de interesses mais complexos e as práticas quase sempre questionáveis.
Uma avaliação corrente no partido acha que ele se sente mais preservado onde está e que já raciocina com a hipótese de ficar mesmo até o final do mandato de Lula no BC. Muitos acham que ele se sentiria mais à vontade para exercer o contraponto à política econômica dentro do governo – onde é um conselheiro valioso para Lula – se estiver livre da candidatura.
A decisão do presidente do BC de ficar o máximo possível no cargo, mantendo suspense em relação à candidatura, já produziu no PMDB a comparação com o comportamento do governador de São Paulo. “Ele parece o nosso Serra”, brinca um dirigente do partido.
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O governador José Serra mantém-se determinado a cumprir o prazo estratégico para decidir oficialmente sobre sua candidatura à Presidência da República, mas faz movimentos de candidato para reduzir a pressão dos que querem antecipar esse prazo. Serra não cederá: seu debate, está convencido, tem que ser com Dilma Rousseff e não com Lula.
O problema é que muitos temem que essa candidatura não se materialize. Não há discurso uniforme em relação a isso. No DEM, por exemplo, Jorge Bornhausen aposta que ela acontece, mas essa fé não é consensual no partido.
No PMDB, que assiste atento aos movimentos do PSDB, há quem acredite que Serra ainda decidirá se concorre ou não, de acordo com as pesquisas de março de 2010. Se houver risco de derrota, a reeleição ao governo de São Paulo lhe manteria mais quatro anos em plena atividade política. Já uma derrota na eleição presidencial o aposentaria, porque quatro anos depois, em 2014, a idade inviabiliza nova tentativa, independentemente de uma boa condição de saúde.
Aécio Neves passa a fazer parte, então, do imaginario desses políticos: tem idade para arriscar e poderia sair pelo PSDB. Tudo isso pode ser mais desejo que realidade, mais pressa que reflexão, mas são raciocínios que prosperam não pelo prazo imposto por Serra, mas pela incerteza quanto à sua condição de candidato.
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Não é a candidatura própria à presidência defendida pelo governador do Paraná, Roberto Requião (a ser lançada amanhã em Brasília), que mais preocupa a direção do PMDB, empenhada em consolidar a aliança pela eleição de Dilma Rousseff. A mosca na sopa do presidente Michel Temer é a candidatura própria do partido ao governo de São Paulo que atende pelo nome de Francisco Rossi, deputado com base em Osasco, com histórico de expressivas votações.
Rossi lançou-se à revelia do partido e sua candidatura ameaça o acordo de Temer com o PSDB paulista, que garante ao ex-governador Orestes Quércia a vaga ao Senado.
Requião incomoda mais pela sustentação da tese dentro do partido do que pela possibilidade de concretizar alguma coisa. Um cálculo de Requião indica que 24 diretórios estaduais defendem a candidatura própria, mas a indiferença das lideranças mais expressivas do partido à causa, desautoriza a conta do governador paranaense.
Dos nove governadores do partido, apenas Luiz Henrique da Silveira, de Santa Catarina, aderiu e, dos 19 senadores, só Pedro Simon (RS) e Neuto de Couto (SC), apóiam Requião. Nas contas da direção do PMDB, os acordos com o PT nos estados mais dificeis estão avançando. Se consolidados esses acordos no Pará, Minas, Mato Grosso do Sul e Bahia, a margem de aprovação da aliança com Lula na Convenção Nacional pode ficar segura.
No Pará, a saída pode ser a de dois palanques, como foi acertado na Bahia. Jader Barbalho e a governadora Ana Julia Carepa topariam essa alternativa à falta de um acordo melhor. Ainda persiste a esperança de que o PT reconheça a liderança de Jader nas pesquisas. Mas Ana Julia sonha com Jader para o Senado, com apoio incondicional do PT e com o seu caminho livre para a reeleição.
Em Minas Gerais, a proposta de Hélio Costa de aliança em torno daquele que estiver melhor nas pesquisas na hora da decisão, parece se consolidar. Mas a negociação anda junto com a indefinição da candidatura presidencial do PSDB, já que o governador Aécio Neves é que vai liderar o processo estadual.
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O escândalo que decretou a morte política do governador José Roberto Arruda tem aspectos que o diferenciam de tantos outros de mesma gênese. O striptease, dessa vez, começou de cima para baixo. Geralmente, as escutas, vídeos e provas do gênero são produzidas nos escalões inferiores e historicamente não chegam à autoridade máxima. As punições, em conseqüência, ficam na chamada raia miúda.
No episódio Arruda, o primeiro vídeo já alcançou o governador e a quantidade de provas em mãos da Polícia Federal projeta um cenário de corrupção de extensão estarrecedora. O acervo de vídeos e escutas do ex-policial Durval Barbosa é suficiente para comprometer quase uma centena de atores desse processo. Vai muito além das imagens já divulgadas, em que parlamentares, incluindo o presidente da Câmara Distrital, Leonardo Prudente, aparecem enchendo os bolsos de dinheiro.
Um desses vídeos (veja abaixo), é especialmente chocante: parlamentares agradecem a Deus pela propina, numa cena inacreditável.
Deputado Rubens César Brunelli (PSC-DF), de camisa roxa, o presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente (DEM), de camisa branca, e Durval Barbosa.
Ainda vão surgir os grandes operadores do esquema, do qual Barbosa faz parte e que envolve personagens públicos e privados, da Câmara Distrital a imobiliárias, de publicitários a ex-policiais, do Executivo ao Judiciário. Chegará a políticos de fora de Brasília.
Há riqueza ostensiva em Brasília que não poderia ser construída honestamente. Casas suntuosas de servidores e ex-servidores que acumularam patrimônio incompatível com a realidade salarial. A PF trabalha com a convicção de que os preços milionários do mercado imobiliário da Capital têm origem em lavagem de dinheiro da corrupção.
Há mais secretários envolvidos do que os mencionados até agora, cuja exposição será gradual, na medida em que as investigações com base na delação de Durval Barbosa avançarem. Próximos de Arruda, salvam-se poucos. Os focos de corrupção maiores, segundo fontes bem informadas sobre as investigações, estão na Educação e Saúde, mas não se limitam a essas duas.
A crise no governo do Distrito Federal promete ser das mais complexas. Depois da exibição do vídeo em que o governador recebe dinheiro de Durval, a Câmara Distrital perde as condições de rejeitar um inevitável pedido de impeachment, sob pena de uma reação eleitoral devastadora para as pretensões de seus integrantes. Esse, o grande mérito de sua divulgação pela TV Globo.
O problema não se esgota aí: o vice-governador, Paulo Octávio, segundo na linha sucessória, terá problemas para assumir o cargo no momento em que Arruda tiver que deixá-lo. As investigações caminham na sua direção e suas digitais estão lá, na figura de seu assessor direto, Marcelo Carvalho,que muda de cor e temperatura (fica pálido e com pressão baixa) toda vez que é mencionado como representante do vice no consórcio dos panetones.
PO, como é intimamente chamado pelo governador e secretários, cometeu o erro que políticos como Ulysses e Tancredo Neves mais condenavam: a mistura de negócios e política. Maior empreendedor da Capital, Paulo Octávio, domina o mercado de construção e comercialização de imóveis, entre outros negócios e, paralelamente, responde pela secretaria de desenvolvimento, que acumula com a vice-governança. Ou seja, manda no setor onde transitam seus interesses comerciais. Por isso, trocou o Senado pelo governo local ao qual é candidato permanente. PO faz de seu parentesco com a família Kubistchek – é casado com Anna Cristina, neta do presidente que construiu Brasília -, seu marketing eleitoral.
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