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Somados, os depoimentos do ex-diretor da Petrobrás, Nestor Cerveró, e o da presidente da empresa, Graça Foster, mantêm a contradição essencial que permeia a crise gerada pela compra da refinaria de Pasadena.

Graça confirmou a versão presidencial de que a sonegação  de cláusulas estratégicas levaram à aprovação pelo Conselho do que ela considerou “um inquestionável mau negócio”.  Cerveró prefere chamar de “negócio inconcluso”.

Mas ambos admitem, cada um a seu modo, que houve prejuízo. Graça, de forma explícita, o quantifica: pouco mais de 500 milhões de dólares. Cerveró, que é apenas um registro contábil usual.

Cerveró sustenta, porém, que a documentação – mais de 400 páginas – esteve sempre à disposição do Conselho, assim como o resumo do negócio, sendo este uma opção que o Conselho preferiu.

O depoimento de Cerveró é inconsistente em diversos pontos, ao contrário daquele prestado por Foster, caracterizado pela assertividade das informações, em que pese seu conteúdo devastador para a gestão anterior.

Cerveró atribui o fracasso do projeto à sua interrupção e, esta, a mudanças no mercado do petróleo. O que não o absolve e nem à diretoria da empresa à época. Afinal, para projetar cenários e riscos é que existem os estudos preliminares que orientam as decisões no ambiente de negócios.

Afirma que a documentação esteve à disposição do Conselho e minimiza as cláusulas de saída do negócio, e a Marlim, que garante lucro do vendedor mesmo na hipótese de prejuízo do comprador.

A omissão de ambas ao Conselho permanece como fato real, respaldando a versão da presidente Dilma para a sua chancela ao negócio. O que mantém a suspeita de condução política – e desleal -, do projeto pelos seus principais negociadores.

Se o objetivo da CPI proposta pela oposição é  desvendar esse ponto da questão – a prevalência de uma decisão política sobre a técnica em uma operação comercial que deu prejuízo à Petrobrás,  Foster e Cerveró a legitimam.

A partir daí, o raciocínio é lógico: se foi motivação política é possível que o projeto – e outros ainda não investigados – seja a ponta de um esquema de financiamento político com recursos públicos.

O depoimento de Foster não é importante pela avaliação de seu desempenho pessoal, mas pela clareza com que admitiu que a empresa errou, seu conselho foi induzido a fazer um mau negócio e que a responsabilidade é da diretoria anterior.

A síntese de seu depoimento indica um distanciamento entre Dilma e seu antecessor e padrinho, Lula, que gostaria de outra condução para o caso. A posição da presidente vincula a gestão do antecessor à criticada politização da Petrobrás.

Afinal, Sérgio Gabrielli, ex-presidente da empresa, era indicação de Lula, por ele foi sustentado, e, por uma influência em cadeia, Paulo Roberto Costa, preso pela Polícia Federal, exercia uma diretoria da Petrobrás.

Nada disso garante, porém, que haverá a CPI, especialmente nos termos exclusivos propostos pela oposição. O dano político e eleitoral, no entanto, não só é irreversível, como contínuo.

O esforço do governo é prejudicado pelo teor da missão que o desafia, a de controlar as informações sobre o episódio e seus desdobramentos na base aliada. Na era da informação, esse controle é impossível.

 

 

 

 

 

 

 

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Enquanto a movimentação dos candidatos de oposição segue o roteiro previsto, no âmbito da candidatura oficial o crescimento da inflação e o escândalo da Petrobrás fogem ao controle do governo.

Como já foi dito nesse espaço, a CPI se impõe como opção investigativa legítima, tais os pontos obscuros do episódio e a condição de sigilo que orienta a tramitação dos inquéritos em andamento.

Mas se não lograr sua instalação, como quer a oposição, o empenho do governo em evitá-la já produz dano eleitoral imprevisto nos planos traçados para a campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Nesse contexto se inserem os movimentos do governo nas últimas 48 horas, resumido à defesa da Petrobrás, como empresa exemplar, alvo de ataques impatrióticos da oposição, e o depoimento da presidente da empresa, Graça Foster no Senado.

A primeira ação é risível, de tão velha e conhecida. Culpem-se os mensageiros da má notícia de que a empresa está sendo investigada por corrupção e os que, diante da notícia, cobram esclarecimentos.

No segundo caso, o depoimento de Foster tem um mérito: confirma a irregularidade da compra da refinaria de Pasadena em todos os aspectos que levaram à suspeita sobre a operação.

Graça Foster reafirma a versão da presidente Dilma de que foi um mau negócio e que os conselheiros não foram apresentados a todas as informações sobre a compra. Não se deu ao trabalho de explicar o que mudou sua convicção inicial que a levou a afirmar que fora um bom negócio “à época”.

De qualquer forma, a presidente da Petrobrás responsabiliza claramente a gestão anterior, de Sérgio Gabrielli, no governo Lula, pela aprovação da compra e chega a dizer que não o percebe hoje empolgado com a operação.

Trocando em miúdos, a direção atual da Petrobrás considera Pasadena um mau negócio de responsabilidade de seus antecessores, entre os quais, Paulo Roberto Costa, preso, e Nestor Cerveró, incompreensivelmente mantido em cargo estratégico financeiro.

Foster, portanto, surpreende apenas por confirmar o malfeito, mas seu depoimento não avança sobre o que já se sabia. O que reafirma a necessidade da CPI, cujos instrumentos de investigação podem dar celeridade à apuração – e confiabilidade.

A presidente da Petrobrás garante que as apurações internas esclarecerão responsabilidades individuais e acha injusto penalizar Cerveró antes que a comissão interna levante todos os fatos. Mas não acha injusto que ele permaneça no cargo mesmo sob suspeição.

Foster depõe com a desenvoltura dos que se sabem inocentes, pois não fazia parte da diretoria da empresa à época das negociações e nem delas participou. Trabalha agora em cima da obra feita para apurar responsabilidades.

Assim como a presidente Dilma, esta lograda na sua boa fé, segundo seu depoimento ao jornal O Estado de S. Paulo, que reativou as suspeitas sobre a compra da refinaria, já polemizada anteriormente.

Ambas se põem fora da cena do mau negócio que diagnosticam. E, por consequência, vinculam a este seus antecessores – o ex-presidente Lula, em cujo governo ocorreu a operação, e Sérgio Gabrielli, que presidia a empresa.

Ambas permitiram que circulassem as versões, sem objeção de qualquer espécie, de que “engoliam” o ex-diretor Paulo Roberto Costa, condutor da negociação, e Nestor Cerveró, mantidos portanto pela gestão Lula.

São, na linguagem política, dois “sapos” empurrados goela abaixo da então chefe da Casa Civil de Lula e da diretora que ela fez presidente em sua gestão, Graça Foster, que ainda precisou de um bom tempo para remover Costa.

Sérgio Gabrielli sai tosquiado do depoimento de Foster, que deixa no ar a expectativa de uma apuração que concluirá, provavelmente, responsabilizando a gestão anterior – de Lula, no governo, e Gabrielli, na empresa, pelos erros produzidos.

É o que se chama de politização da empresa. Um mau negócio imposto por razões políticas, aprovado à base de omissão de dados. Melhor seria dizer tratar-se de um mau negócio motivado por razões partidárias.

A distinção se faz oportuna desde que o senador Ignácio Arruda (PC do B-CE), tentou dar naturalidade à condução política, ao defini-la como o método de descentralizar as ações da empresa, distribuindo-a de forma mais equitativa pelo país, o que o mercado não faria por iniciativa própria.

O senador sabe que não é essa política que se condena, mas aquela que deforma a governança da empresa, impondo ao seu quadro técnico decisões prejudiciais  para favorecer interesses partidários.

Foi Ignácio Arruda também quem cobrou fato novo que justificasse nova CPI dois anos depois de uma análoga ter dado em nada. Esqueceu que o fato novo foi oferecido pela presidente da República ao acusar a direção da empresa de sonegar ao conselho informações decisivas que reprovariam a compra.

O depoimento de Graça Foster, ao não avançar em informações novas, confirmar que Pasadena foi um mau negócio aprovado pela omissão de informações essenciais e pedir que se aguarde o desfecho da apuração interna, manteve tudo onde está.

Menos a perspectiva de alguma celeridade nas investigações, que cumprem prazo de 45 dias, com uma Semana Santa e uma Copa do Mundo no meio, circunstâncias mais que favoráveis a uma prorrogação do prazo.

É o governo atuando para protelar os resultados e evitá-los na fase de campanha, evidenciando a prioridade eleitoral sobre o interesse público.

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Não é boa a situação da presidente Dilma Rousseff com vistas à reeleição, ainda que no mapa das pesquisas , tecnicamente, se mantenha como a candidata com a chance mais clara de vitória.

Segundo o diretor do instituto Datafolha, Mauro Paulino, em entrevista à revista Veja,  historicamente o índice mínimo de êxito de candidatos à reeleição é de 34%. Com 36% das intenções de voto, agora alinhados com a aprovação de governo, a presidente está na meta técnica.

Com seus opositores bem abaixo desses índices, a presidente teria motivos para tranquilidade, não fosse o tsunami que se abate sobre seu governo, na economia e no cenário de corrupção que agora afeta a empresa-símbolo do orgulho nacional, a Petrobrás.

Enquanto a percepção dos maus resultados econômicos começa a chegar à população, antes do que previra o governo, com a inflação já na pauta cotidiana do cidadão, o caso Petrobrás cuida de agravar a situação política.

A operação de busca e apreensão da Polícia Federal na empresa, sem antecedente na sua história, surte o efeito de uma violação sagrada. Como ressalta um parlamentar aliado, o povo pode não entender os meandros de um debate político, mas sabe identificar problemas aonde a polícia vai.

A operação da PF legitima o pedido de CPI da oposição, mesmo que este não logre êxito. Nessa circunstância, aumenta o desgaste do governo com o ônus de tentar impedir uma investigação que a Polícia Federal diz, com suas ações, fazer sentido.

Certamente, esses acontecimentos contribuem para a queda da presidente nas pesquisas, que tem um viés de piora. A expectativa nos meios políticos é de que as próximas consultas dos institutos de opinião registrem índice menor que os 34% estabelecidos pelo diretor da Datafolha como o de risco máximo.

A oposição começa agora sua participação mais intensa na campanha. O lançamento da chapa Eduardo Campos/Marina Silva, hoje, em Brasília, marca o fim do ciclo de negociações internas do PSB e da Rede e o ingresso da dupla na campanha.

Mais lerdo nesse aspecto, o outro candidato, Aécio Neves, deve fazer o mesmo em pouco tempo. Mas, em compensação, teve sua visibilidade ampliada pela liderança na ação pela instalação da CPI, dividindo os holofotes com o governo em condições extremamente vantajosas.

Essa movimentação dos candidatos de oposição ocorre às vésperas da fase propagandística de rádio e televisão, que encontrará o governo na defensiva – de um lado, tentando evitar as investigações na Petrobrás; de outro, explicando que a inflação não está fora de controle.

Nas duas frentes lida com o improvável: convencer a todos que está tudo bem na economia, que o país não vive um ciclo de corrupção em escala inédita e que a imprensa é a culpada de todos os males.

Até mesmo o movimento pela candidatura do ex-presidente Lula, como saída para a perda de competitividade de sua sucessora, ganha contornos de uma operação mais difícil do que os argumentos simplórios que a sustentam.

Se já se dizia da inconveniência para Lula de apostar seu perfil vitorioso numa eleição que, vencendo, o submeteria a um mandato capaz de corroer sua biografia, mais verdade é que a investigação da Petrobrás compromete muito mais.

Foi em seu governo que os pilares da corrupção na empresa – o ex-diretor Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Yousseff -, construíram o que hoje se desenha como um propinoduto eleitoral destinado a 80% dos atores políticos vinculados à base aliada de Dilma.

O custo da estratégia de redução de danos empreendida pelo Planalto alcançou um grau de alto risco. O esforço para evitar a CPI impôs a ida da presidente da Petrobrás, Graça Foster, ao Senado, antes rejeitada, para um depoimento que pode agravar a situação do governo.

Graça irá ao Senado amanhã sem resposta razoável para a contradição que deu origem ao pedido da CPI, configurada nas versões da empresa que dirige e a da presidente da República para a mesma operação de compra da refinaria de Pasadena.

A presidente da Petrobrás terá de escolher se foi um bom negócio, versão que sustenta, ou se foi uma operação suspeita, só aprovada mediante a fraude implícita na omissão de dados pela diretoria aos conselheiros, entre os quais a presidente Dilma, autora dessa versão.

Só essa questão tem potencial para desorientar a depoente. É a chamada premissa, da qual decorre todo o resto do enredo que ela terá de desenvolver na comissão que a ouvirá. Mesmo que o país já tenha elementos suficientes para ter feito a sua escolha em favor da versão presidencial, bastando para tal os números da operação.

A melhor defesa do governo é ganhar tempo, o que pode livrá-lo da CPI, mas não dos efeitos da operação Petrobrás. Como se vê, o remédio mais eficaz não retira o paciente da UTI.

 

 

 

 

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O diretório regional do PT no Distrito Federal estuda a possibilidade de ceder a vaga ao Senado, para legendas aliadas. Em troca, quer garantir o tempo de televisão como compensação pela debandada de  PSB e PDT da base aliada ao governador Agnelo Queiroz (PT).

Inicialmente, o deputado federal Geraldo Magela e o deputado distrital Chico Leite são os nomes do partido para disputar a vaga única ao Senado. Porém, cinco partidos nanicos da base de Agnelo formaram um grupo para pressionar o PT a negociar a vaga com as outras legendas.

PEN, PTC, PTdoB, PHS e PRP se uniram em um grupo denominado G5. Juntos, possuem três deputados distritais – um deles, Alírio Neto (PEN) ex- secretário de Justiça na administração petista. O principal argumento usado é o tempo de televisão que os cinco juntos podem acrescentar na chapa governista. Juntos, teriam aproximadamente dois minutos de propaganda.

Da chapa majoritária vitoriosa em 2010, por enquanto está mantido apenas o PMDB, que terá a vice mais uma vez com Tadeu Filippelli. PSB e PDT devem se unir numa chapa em torno do senador Rodrigo Rollemberg como candidato ao governo. O deputado federal Reguffe (PDT), proporcionalmente o mais votado do país em 2010, pode sair para o Senado.

A hesitação do PT decorre da fragilidade da candidatura de Agnelo. Um dos piores avaliados do país, o governador tem poucas chances de reeleição. Sem tempo de TV, mais ainda. A possibilidade estudada pelo partido é sacrificar a vaga do Senado para manter um tempo razoável de propaganda gratuita para Agnelo.

As candidaturas mais fortes são a de Rollemberg (PSB) e de Antonio Reguffe (PDT), mas a chance de uma chapa com ambos parece mais distante depois que o presidente do PDT, o ex-ministro Carlos Lupi, vetou a idéia. Para Lupi, ou Reguffe é cabeça de chapa ou não é candidato.

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A Executiva da Rede está redigindo nesse momento a nota de apoio à candidatura do deputado federal, Miro Teixeira (Pros) ao governo do Rio de Janeiro. A nota reflete a decisão da futura legenda da ex-senadora Marina Silva, tomada pela manhã.

O anúncio , a ser feito nas próximas horas, consolida Miro como o candidato e encerra a polêmica levantada pelo deputado Alfredo Sirkis, que reivindicava o posto. Abre também a etapa de negociação para a composição da chapa, que envolverá Rede, Pros, PSB e, se chegar a tempo, também o PPS.

Miro foi dos primeiros parlamentares a se engajar no projeto de criação da Rede e de sua formalização, adiada por decisão da Justiça Eleitoral que negou o registro a tempo de a legenda disputar as eleições deste ano.

Filou-se ao Pros, partido novo, para preservar o mandato, pois já se desfiliara do PDT.  Mas foi desde sempre o perfil preferido da ex-senadora Marina Silva. Será o palanque de Eduardo Campos no Rio.

 

 

 

 

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Quadro histórico do PT, ao qual permanece filiado mas distanciado há anos, o ex-deputado Paulo Delgado é um dos mais decepcionados com os rumos tomados pelo partido desde que chegou ao poder.  Informado da operação de busca e apreensão da Polícia Federal na sede da Petrobrás, no Rio,  não conteve a incredulidade.

“Não acredito. O PT ganhou a eleição do Serra vestindo o macacão da Petrobrás. Agora, a Polícia Federal do governo do PT entra porta adentro da empresa. Espero que entre os itens apreendidos na busca  esteja o retrato do Getúlio (Vargas)”.

O desencanto de Paulo Delgado com o partido se consolida ano após ano, há mais de uma década. Sua desolação crítica tem a legitimidade do fundador e sua frase se justifica pela percepção de que a legenda se aproxima cada vez mais do período getulista.

 

 

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A CPI da Petrobrás, mesmo se não instalada, ou instalada na forma ampliada com que o PT tenta inviabilizá-la, é fator de desgaste para o governo pelos efeitos colaterais que sua discussão produz.

Além do ônus de rejeitá-la, numa guerra diária que expõe o temor pelo que possa revelar, o governo é depositário dos efeitos  de denúncias paralelas que aumentam a demanda negativa e o mantém refém de uma crise política com potencial para chegar às vésperas da eleição.

Mesmo a entrada em cena do ex-presidente Lula, habitualmente eficaz para reduzir os desgastes do PT, é no sentido de melhorar a defesa do governo. Não pôs, até aqui, o partido no ataque, por absoluta falta de retaguarda.

Tanto assim, que na entrevista organizada para atender ao público interno, Lula reforçou a ideia de que poderá assumir a candidatura oficial, em substituição à presidente, apesar de iniciar sua fala dando garantia em sentido contrário.

É que para iniciar sua defesa do governo, o ex-presidente precisou admitir os erros na economia e alinhar-se entre os que cobram a renúncia do deputado André Vargas (PT-PR) ao mandato, o que só foi obtido parcialmente com a renúncia do parlamentar ao cargo de vice-presidente da Câmara.

Lida com atenção, a transcrição da entrevista do ex-presidente tem como linha narrativa a mesma crítica feita à sua afilhada pelo mercado e especialistas de economia e política. Essa característica da entrevista impôs-se ao desmentido quanto à possibilidade de vir a candidatar-se ainda em 2014.

A percepção de que Lula desmente essa possibilidade de maneira protocolar deverá se aprofundar com a divulgação da próxima pesquisa que o PT calcula – ou sabe de antemão pelas suas próprias consultas – registrará nova queda da presidente até para abaixo de 30%.

A crítica de Lula ao governo tem uma essência de cobrança pelo que Dilma não fez para contornar os problemas na economia em tempo hábil para reverter o pessimismo geral e reconquistar a confiança dos investidores.

Sabe-se que o ex-presidente chegou a aconselhar Dilma a mudar o comando da economia, no que ele tem de simbólico, já que a condução é dela própria, orientada por suas convicções pessoais que a puseram na contramão do setor produtivo.

Lula gostaria de, a tempo, ter trocado o ministro da Fazenda, Guido Mantega, pelo ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o que não logrou obter certamente porque o êxito da operação significaria tirar da presidente a autonomia sobre a condução econômica.

Dilma não se curvaria a Meirelles com quem divergiu durante todo o governo Lula chegando a classificar a linha econômica operada por ele e pelo então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, de “rudimentar”.

Dona do jogo, deu curso às suas convicções contra o que considerava rudimentar e chegou ao ano da campanha pela reeleição, com inflação crescente, sem investidores, rejeitada no seu partido e com a base de sustentação parlamentar hostil e dissidente.

As próximas semanas não autorizam qualquer otimismo ao governo. O caso do deputado André Vargas caminha para a sua cassação – mais uma no PT por corrupção -, os depoimentos programados para atores envolvidos nas denúncias contra a Petrobrás substituem os que ocorreriam numa CPI e a luta por espaço na base sugere mais casos suspeitos a sangrar os quadros oficiais.

Ainda antes do final desta semana, o governo aguarda novas denúncias contra a Petrobrás, cujo silêncio desde que se formou a perspectiva de sua presidente Graça Foster depor na CPI, representou a omissão da empresa em sua própria defesa.

Graça viria depor a convite, não veio mais. O pretexto foi o de que seria ouvida na CPI, então bastava esse desgaste.
Enquanto isso, a defesa da empresa se limita a farta publicidade nos principais veículos de mídia do país, que reproduz números de aparente êxito, mas não esclarece nada em relação às denúncias investigadas pela Polícia Federal.

O fato de as pesquisas não registrarem a transferência da insatisfação popular para os dois outros candidatos da oposição, não serve como conforto. É apenas questão de tempo para que isso ocorra, admitida a tese – muito razoável -, de que antes de um fenômeno a ser estudado ou de incompetência da oposição, isso ocorre pela pouca visibilidade dos candidatos.

Supõe-se que o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão contorne essa barreira ao crescimento desses candidatos, como já indica o crescimento, mesmo que pequeno, do senador Aécio Neves (PSDB-MG), pela exposição que lhe deu a tentativa de instalação da CPI – um presente eleitoral da própria presidente Dilma ao acusar a diretoria da Petrobrás de tê-la induzida ao uma operação suspeita, que a empresa ainda sustenta como um “bom negócio”.

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De forma imediata, a situação do deputado Andre Vargas (PT-PR), é ameaça maior ao governo do que a CPI da Petrobrás. Até porque, a ligação com o doleiro Alberto Yousseff, que se sabe agora, íntima, liga  o vice-presidente licenciado da Câmara à empresa que a oposição pretende investigada.

O governo já sabe – talvez soubesse desde sempre -, que empresas fornecedoras da Petrobrás financiaram campanhas de parlamentares do partido e da base aliada, tendo como elo o doleiro e, em alguns casos, Vargas. Algumas campanhas tiveram recursos repassados diretamente por Yousseff, ponte com fornecedores contribuintes que fecharam contratos com a empresa.

Há suspeita também de favorecimento de Vargas a parlamentares para sua eleição a vice-presidência da Câmara, conquistada por uma maioria tão ampla quanto surpreendente, de mais de 400 votos. Nesse caso, estaria, na opinião de muitos parlamentares, caracterizado uma espécie de mensalão ainda por ser descoberto.

A rapidez que o PT impõe para um desfecho que tire Vargas de cena reforça a suspeita de que novas revelações agravem a agenda negativa do partido, já desgastado com a operação para inviabilizar a CPI da Petrobrás.

Ontem a cúpula do PT esteve reunida em Brasília até o final da noite para concluir pela necessidade de levar Vargas a renunciar ao mandato antes que fosse instalada a Comissão de Ética para avaliar seu caso.

Até àquela hora, Vargas mantinha a decisão de limitar seu afastamento a uma licença temporária. O PT conseguiu que o deputado Ricardo Izar (PSD-SP) adiasse para as 14 horas de hoje a instalação da comissão e transferiu para Vargas o prazo da manhã para que renunciasse.

Em São Paulo, em entrevista a blogueiros, o ex-presidente Lula reforçou a postura do partido dizendo que Vargas deve explicações e instou-o a dá-las para que as denúncias que o afetam não contaminassem o PT e, por extensão, o governo.

Há mais para aparecer contra o deputado, só que daqui em diante novas denúncias poderão atingir seus pares. Além disso, a visibilidade do escândalo pode afetar as candidaturas da senadora Gleisi Hoffmann ao governo do Paraná e do ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao de São Paulo.

Vargas é aliado de Gleisi no Paraná e suas ações em sociedade com o doleiro no ministério da Saúde tiveram a aprovação inicial de Padilha, uma delas suspensa após sua saída da Pasta. As duas candidaturas são de extrema importância para o PT, mais ainda a de São Paulo.

Já a CPI da Petrobrás, contestada pelo governo no Congresso, transformou-se num enredo judicial favorável à estratégia do governo de evitar sua instalação o quanto possível. E, se inevitável atrasá-la com todas as manobras regimentais ao seu alcance.

Torna-se assim ameaça ainda sob controle por algum tempo. É provável que o Supremo Tribunal Federal (STF), juiz agora da pendenga, mantenha a jurisprudência de que CPIs são instrumento de minoria parlamentar para dar preferência à instalação da CPI da Petrobrás nos moldes pedido pela oposição.

Mas ainda assim, o governo tem meios de ganhar tempo para que ela produza o mínimo de danos. Nesse contexto, o ônus de impedi-la é um desgaste político permanente, diário, mas infinitamente menor do que o estrago de sua instalação e funcionamento.

Para a oposição, as denúncias que a expectativa da CPI já produz é um ganho político indiscutível. O noticiário anda paralelo e livre de obstáculos além dos inerentes à investigação jornalística e reforçam a cada dia a suspeita de que a ação de Yousseff na Petrobrás, ainda que indireta, pode revelar um propinoduto eleitoral.

O governo mantém-se, dessa forma, na agenda negativa. A reação de Lula , apesar do tom guerreiro, é defensiva, pois é uma palavra de ordem para que o governo seja blindado da investigação.  Fica claro para o eleitor que o governo teme o que possa vir.

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Ao dar a palavra de ordem de defender “com unhas e dentes” a Petrobras, o ex-presidente Lula acusa o golpe que os escândalos envolvendo a empresa representam para a candidatura da presidente Dilma Rousseff, mas também defende seu legado.

Foi em seu governo que se desenvolveram as operações comerciais da Petrobras que hoje minam a musculatura eleitoral da presidente – à época, coadjuvante na estrutura política do PT, liderada por Lula.

O discurso tem dois públicos distintos – o interno, instigado a lutar uma luta de vida ou morte para evitar a CPI, e o externo, o eleitorado, induzido a acreditar que a ação investigativa da oposição é uma ameaça à empresa-símbolo do país.

A estratégia é tão hábil quanto antiga. Transfere a ameaça que paira sobre o PT e seu governo para a empresa, que passa a ser alvo, então, de um impatriótico ataque daqueles que no passado quiseram vendê-la, conforme a tradução do PT para a quebra do monopólio da Petrobrás no governo Fernando Henrique.

As denúncias, de fato, abalaram a imagem da Petrobras e influenciaram na queda de seu valor de mercado, mas a oposição nada teve a ver com isso. As operações foram postas em suspeição pela presidente Dilma Rousseff e o intervencionismo na estatal responde pelos prejuízos na empresa e na economia do país.

Mas em política vale a versão, como ensinam antigos políticos mineiros. No contexto eleitoral isso é ainda mais verdadeiro. O grande drama do governo mantém-se no dilema de responder por escândalos que ele próprio produziu e a eles deu seguimento por contradições internas.

Há quem veja na manifestação da presidente Dilma em defesa de sua aprovação à compra da refinaria de Pasadena, estopim da crise que deflagrou a CPI, uma forma de mostrar o limite de sua autonomia nas decisões àquela época.

Fica sugerido que o salvo-conduto para que as operações caminhassem foi de Lula ao avalizar as decisões do presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, desde a opção pelo nome de Paulo Roberto, hoje preso, para uma diretoria da empresa.

A recente conversa de Lula com Dilma não trará, nas suas versões, a abordagem desse aspecto da questão, mas é impensável que durante três horas de reunião, a sós, o fato não tenha vindo à tona. Ainda mais com a Petrobras na pauta.

Consta que Lula reiterou o apoio à candidatura de Dilma, mas aplicou-lhe um receituário para que se mantenha viável no cenário da disputa. Entre as medidas sugeridas pelo ex-presidente está a de que Dilma assuma a defesa de seu governo, ela própria, sem prejuízo dos intermediários.

Em outras palavras, defenda a Petrobras também, já que ela está no epicentro da crise. Ao defendê-la estará, por extensão, defendendo a gestão do antecessor, providência indispensável para as chances de reeleição, dado que Dilma é fruto daquele período de sucesso político. Não há revés só para um , caso a casa venha a sofrer abalos incontornáveis. Trocando em miúdos, a Petrobras é escândalo que atinge tanto a um quanto ao outro.

Dilma ontem já foi a campo em cumprimento ao script combinado, com discurso que tenta abdicar da postura defensiva que vem imobilizando as ações políticas de seu governo, para passar ao ataque, também uma recomendação de seu principal cabo eleitoral, conforme Lula se definiu na conversa entre ambos.

O conteúdo do pronunciamento de ontem, porém, é aquém do que pedem as circunstâncias. Dilma limita a uma exploração política usual em períodos eleitorais a articulação oposicionista pela CPI, mas sabe que o risco é bem maior.

É o discurso da rua e que surte seus efeitos. Seria suficiente se não houvesse perspectiva de desdobramento da crise que agora já acrescenta ao seu enredo o envolvimento direto de um parlamentar da cúpula do PT, como mostra seu cargo de vice-presidente da Câmara, ao qual não chegaria sem apoio do partido.

O deputado André Vargas (PT-PR) é um elo maior entre a base aliada, ministérios e estatais, entre elas a Petrobras, origem das investigações da Polícia Federal que flagraram o doleiro Alberto Yousseff, o ex-diretor, Paulo Roberto Costa e, agora Vargas, em ligação direta para expropriação de dinheiro público.

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A tentativa do presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Neri, de atribuir a uma fatalidade o erro na divulgação de pesquisa que mobilizou o país,  não foi a melhor saída para reduzir o desgaste com o episódio.

Talvez seja a que lhe restou, tal a magnitude do erro, que flagra o instituto operando fora de seu foco, crítica que Neri também rejeita. Mas ele precisa explicar o que fazia o Ipea ao pesquisar a opinião dos brasileiros sobre tema importante, porém fora do foco econômico que dá nome ao instituto.

Sua defesa da atuação prioritária  na área social pode ser um dado a explicar a reação de ex-presidentes do instituto, pelo redirecionamento que sugere estar em curso na sua gestão. O argumento de que os institutos privados não teriam a mesma excelência na aplicação de pesquisas nessa área, morre no erro que tenta justificar.

Fiel à máxima de que a melhor defesa é o ataque, é agressivo ao sustentar que há pessoas tentando jogar a instituição no lixo, como disse ao jornal O Globo,remetendo o problema produzido pelo próprio Ipea ao exotismo janista das forças ocultas.

É a teoria da conspiração estendida ao Ipea, curiosamente quando o instituto comete um erro primário que gerou uma distorção do pensamento médio brasileiro sobre a questão do estupro.

Ainda que os 26% que culpam as mulheres  pela violência sexual de que são vítimas, sejam significativos, não são a mesma coisa que 76%. A começar pela constatação de que uma ampla maioria se solidariza com as vítimas enquanto uma minoria ainda insiste em culpá-las.

O Ipea é um retrato das matrizes novas que o PT impõe aos processos públicos, como o fez na economia, à revelia do interesse da sociedade. No momento em que a economia vai tão mal, natural seria que o instituto estivesse direcionando seus recursos humanos para contribuir com a melhora nessa área, razão de sua existência e na raiz de sua origem.

 

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