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A decisão da ministra Rosa Weber, pela CPI exclusiva da Petrobrás, pode não representar, por si só, garantia de sua instalação automática, já que o governo é ostensivo na estratégia protelatória. Mas é um duro revés para o Palácio do Planalto com efeito político imediato.

A decisão de Rosa Weber ocorre em meio a uma sucessão de escândalos que parecem alcançar uma periodicidade diária. Nos jornais de hoje, além da decisão da ministra, mais fatos conspiram a favor da CPI.

É gravíssima a manchete do jornal o Globo, com a revelação de que auditoria da Petrobrás encontrou saque de U$ 10 milhões sem registro e sem autorização foral. E ainda sem identificação do sacador.

O episódio, apenas um que vaza da auditoria interna, mostra a que ponto de descontrole chegou o esquema montado provavelmente para financiamento político, suspeita apoiada nos altos valores movimentados por um comando paralelo na empresa.

No mesmo dia, o Ministério Público  denunciou o ex-diretor Paulo Roberto Costa, e a Justiça aceitou denúncia contra o doleiro Alberto Yousseff, que formavam uma dupla para desviar e lavar dinheiro.

Na Câmara, o PT mantém uma pressão patética pela renúncia do ex-vice-presidente da Casa, André Vargas (PR), flagrado exatamente com Yousseff, em operação irregular no Ministério da Saúde em favor de uma empresa de fachada.

Elos de uma corrente vão se fechando justificando a CPI, agora legitimada por decisão judicial, buscada pelos próprios congressistas, o que torna constrangedor o argumento do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) de que o Supremo Tribunal Federal feriu a independência entre os poderes.

A decisão da ministra Rosa permite a instalação imediata da CPI, pois o recurso ao plenário do STF, como anuncia o governo, não gera o efeito suspensivo. Porém, a base aliada pode buscar recursos protelatórios, a começar pela demora na indicação dos integrantes do governo na CPI.

Mas o que vem á tona em relação à Petrobrás, a conta-gotas já é mais do que suficiente para atestar a legitimidade da comissão, pois são fatos que teimam em desmantelar as trincheiras em que o governo se protege do tiroteio.

Já está claro que não são os mensageiros que informam os desmandos na empresa os responsáveis pelos danos que a rebaixaram à 120ª posição no ranking mundial. Mas personagens que começam a ser identificados – alguns já indiciados como réus e que tinham amplo trânsito no governo do PT.

Igualmente perde a valia a acusação de que a CPI é eleitoreira. Se produz danos eleitorais, principalmente para a reeleição da presidente Dilma Rousseff, é efeito colateral que não pode se sobrepor ao interesse público, a essa altura já bastante claro pela CPI.

O governo construiu a teia de problemas em que está enredado e, dessa vez, não há teoria conspiratória sustentável para evitar as investigações. Muito embora, agora o presidente do Senado recorra ao método do PT de condenar o Judiciário pelo que deu causa.

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A novela em que se transformou a questão envolvendo a cassação ou renúncia do deputado André Vargas (PT-PR), ex-vice-presidente da Câmara, é uma sangria que corre ao mesmo tempo de outro enredo desgastante para o governo, o da CPI da Petrobrás.

Vargas desafia abertamente seu partido, que hesita em expulsá-lo, mas protela seu julgamento no Conselho de Ética da Casa, que poderia apressar o processo e atenuar o dano político de mais um caso de corrupção de um quadro expressivo da legenda.

Vargas não tem o perfil histórico nem a biografia política dos dirigentes julgados e sentenciados à prisão no caso do mensalão. Mas, sem dúvida, é um quadro partidário de alto coturno, como demonstra o cargo que exerceu, o segundo em importância na Câmara.

Nenhum deputado chega ao posto sem o aval de seu partido o que, por sua vez, o distingue como um perfil estratégico. Dessa vez, porém, o PT cogita expulsá-lo, desejo já manifestado pela direção do partido.

Resta saber se o fará, pois o que separa a intenção do gesto parece grave, a julgar pela resistência de Vargas. Entre os problemas estão as candidaturas do ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao governo de São Paulo, e da senadora Gleisi Hoffmann, ex-ministra da Casa Civil, ao do Paraná.

Vargas foi flagrado em tráfico de influência em favor do doleiro Alberto Yousseff  no ministério da Saúde, território então sob o governo de Padilha, e era um dos coordenadores da campanha da senadora ao governo estadual do Paraná.

Mas o enredo, tudo indica, é maior e mais danoso. Sua ligação com Yousseff, que também operava na Petrobrás, como ficou demonstrado pela Polícia Federal, o coloca numa teia suspeita de abranger financiamentos de campanhas.

Sua eleição para a vice-presidência da Câmara se deu com mais de 400 votos, uma marca histórica na Casa, o que sugere que sua rede de proteção vai além dos 30 deputados de seu partido que o apoiam abertamente, para se estender por uma legião de parlamentares de outras legendas.

O deputado Zé Geraldo (PT-PA) deu um passo decisivo para cozinhar o processo na Comissão de Ética em banho-maria para tentar que o julgamento de Vargas fique para depois das eleições.

Ao pedir vista do processo, abaixou a temperatura no PT, que insiste na renúncia. Quer evitar o processo de cassação para tirar o caso da agenda negativa que tomou conta do governo e do partido.

O PT, que já expulsou parlamentares pelas suas virtudes (voto em Tancredo Neves no Colégio Eleitoral que marcou o fim do regime militar, por exemplo), continua sem força para aplicar a sanção àqueles flagrados em corrupção.

A expulsão tem valor legal e também simbólico. O ato equivale a uma declaração pública do partido de condenação do deputado pelos seus atos, o que provocará ainda mais Vargas. A cassação retira esse fator, embora o voto aberto de parlamentares da legenda contra o companheiro, sirva de algum modo como manifestação crítica.

A renúncia, opção majoritária no partido, encerra a novela que vai ao ar todos os dias na Câmara e remete o caso para a primeira instância do Judiciário, fora do alcance do Supremo Tribunal Federal (STF), um trauma definitivo para o PT.

O desenrolar da trama, porém, mostra um Vargas resistente, um PT dependente de sua concordância e hesitante em relação à expulsão – a única forma de se impor ao deputado. Somado ao escândalo da Petrobrás, o caso amplia o desgaste que corrói o patrimônio eleitoral do partido, já abalado pelo mensalão.

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O longo feriado com o qual o governo esperava esfriar o debate em torno da CPI da Petrobrás, terminou sem que o tema saísse da pauta. E, mais uma vez, à revelia da oposição, que continua se beneficiando da guerra de versões dentro do próprio ambiente oficial.

A entrevista do ex-presidente da empresa, Sérgio Gabrielli, ao jornal O Estado de S.Paulo, acentuou o conflito interno que separa as gestões Lula e Dilma – e, por extensão, a percepção de que há mais por trás da compra da refinaria de Pasadena do que a avaliação posterior comercial de sua compra sugere.

Gabrielli vocaliza o que vai pelas mentes empresariais e políticas ao desidratar o álibi da presidente de que lhe foram omitidos dados essenciais da operação. Com razão, sustenta que a omissão das cláusulas de saída, e Marlim, da minuta apresentada ao conselho da empresa, não conferem legitimidade à defesa de Dilma.

Nesse aspecto, confirma o depoimento de Nestor Cerveró, então diretor da área internacional da Petrobrás de que as cláusulas são praxe em operações do gênero, passíveis de serem consideradas implícitas, e que a integralidade do contrato estava à disposição da diretoria da empresa e  poderia ter sido solicitada pelos conselheiros.

A omissão das duas cláusulas da minuta, portanto, não isenta de responsabilidade a presidente da República, nos termos colocados por Gabrielli.  Nesse caso, a outra indagação geral diz respeito à serventia desses conselhos, cujo critério  para sua formação passa ao largo da competência técnica para dar lugar à conveniência de aumentar vencimentos de servidores públicos.

É o que vale da entrevista do ex-presidente da Petrobrás. O resto do raciocínio não pode ser levado a sério, sobretudo quando repete o mantra de que a compra foi um bom negócio que depois se mostrou ruim por causa das mudanças de cenários do mercado internacional.

Não é crível que a área internacional da Petrobrás, sua diretoria executiva e seu conselho administrativo trabalhem sem previsão de cenário do mercado em que atuam. A avaliação de riscos trata exatamente disso, donde se conclui que se foi um mau negócio, o foi desde sempre.

Nada torna razoável o argumento de que foi um bom negócio que o tempo transformou em prejuízo. Um bom negócio inclui, no seu conceito, a durabilidade, o ambiente favorável a que se consolide – e não o contrário. A Petrobrás, de ontem e de hoje, continua subestimando a compreensão leiga, tentando dar complexidade a uma equação simples: comprou-se algo que não valia a pena.

Daí em diante, a pergunta passa a ser por que se deu seguimento à operação. O mais notável é a coragem de Gabrielli em argumentar com a “descoberta” do pré-sal como um dos fatores que tornaram o empreendimento de Pasadena obsoleto. Ora, o pré-sal existe há muitas décadas, embora o governo Lula o contabilize como a nova descoberta do Brasil.

O que é recente, mas não novidade, é a capacidade tecnológica para explorar a camada do pré-sal, o que não era desconhecido pela Petrobrás ao assinar o contrato de Pasadena. Além disso, Gabrielli tenta fixar no governo Fernando Henrique a origem da compra de Pasadena, ao vincular a operação à estratégia  da Petrobrás de pagar mais barato por  refinaria de óleo leve e adaptá-la para processar óleo pesado.

Um sofisma, pois o que está em discussão não é a estratégia descrita – de resto, um conceito que remonta aos primeiros escambos da humanidade: comprar mais barato e vender mais caro.

O problema é que Pasadena é exatamente o contrário: comprou-se uma refinaria por 28 vezes mais do que o vendedor a adquiriu, se quisermos a conta da oposição, ou três vezes, mais se a opção for os números do governo. E, com ela, nada se fez, como declarou um dos mentores da compra, Nestor Cerveró, ao dizer que deixou de ser um bom negócio porque não foi concluído.

Gabrielli preencheu o feriado da oposição, que volta descansada ao campo de batalha, renovada pelo conflito que o governo Dilma plantou com seu antecessor. Manteve acesa a chama da CPI, efeito que deve ter pesado antes de dar as suas declarações.

A relação custo/benefício dos envolvidos nesse enredo parece ser pessoal. Desde a declaração da presidente Dilma de que não tem nada a ver com o prejuízo da Petrobrás com a operação, por ter sido ludibriada na sua boa fé, todos os personagens atuam em legítima defesa.

Quem participou defende a operação como um bom negócio. Quem não a aprova, a considera prejudicial à empresa. A presidente da Petrobrás quantifica o prejuízo em mais de U$ 500 milhões. Gabrielli acha que os argumentos em contrário – ou seja, de Foster e Dilma, entre eles – criaram mitos em torno da operação.

Há, porém, um ponto comum: todos concordam que a operação não vingou, ou seja, não cumpriu seu objetivo, seja porque foi um erro estratégico, seja porque o mundo mudou.

É preciso mais que isso, diante da prisão de Paulo Roberto Costa, um diretor à época decisivo para aprovar a operação, e das digitais do doleiro Alberto Yousseff em operações da Petrobrás.

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Criado para analisar a conduta dos parlamentares em 2001, o Conselho de Ética da Câmara não tem sido muito eficaz no trabalho proposto no início do século. Somente nesta legislatura, de 14 processos por quebra de decoro parlamentar iniciados no colegiado, somente dois chegaram a plenário com recomendação de cassação. Mas esse retrospecto pode mudar na próxima semana.

O órgão deve se reunir para analisar o parecer prévio contra o deputado André Vargas (PT-PR). Ele é acusado de quebra de decoro por causa da sua relação com o doleiro Alberto Yousseff, preso na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, e indiciado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A expectativa é que o relator do processo, Júlio Delgado (PSB-MG), peça a continuidade das investigações.

Além de Vargas, outro processo pode movimentar a semana dos deputados. Após sete meses, entrou na pauta do plenário da Câmara a recomendação para suspensão do mandato do deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO). Os membros do Conselho de Ética sugeriram a punição por conta das relações do tucano com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Nesta legislatura, o Conselho de Ética recomendou a cassação da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), em 2011, e do ex-deputado Natan Donadon (sem partido-RO). No primeiro caso, o plenário da Casa, em votação secreta, acabou mantendo o mandato da filha de Joaquim Roriz, ex-governador do Distrito Federal.

Jaqueline era acusada de ter recebido propina no esquema que ficou conhecido como o “mensalão do DEM de Brasília”. Um vídeo dela, gravado em 2006, veio à tona logo após a posse, em fevereiro. Jaqueline aparecia recebendo R$ 50 mil das mãos do delator do mensalão, Durval Barbosa. Na época, ela argumentou que o dinheiro era para pagar despesas de campanha.

Já o caso de Donadon entrou no Conselho de Ética após a própria Câmara resolver manter o mandato do ex-peemedebista dois meses depois de ele ser preso por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Após o órgão recomendar a cassação, ela foi confirmada em plenário pelos deputados em votação aberta.

Já casos envolvendo, por exemplo, os deputados Jair Bolsonaro (PP-RJ) e João Carlos Bacelar (PR-AL) e o ex-deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) acabaram arquivados pelo Conselho de Ética. Bolsonaro foi acusado de quebra de decoro por declarações feitas à cantora Preta Gil em um programa de televisão e por supostamente ter agredido fisicamente o senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP).

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Somados, os depoimentos do ex-diretor da Petrobrás, Nestor Cerveró, e o da presidente da empresa, Graça Foster, mantêm a contradição essencial que permeia a crise gerada pela compra da refinaria de Pasadena.

Graça confirmou a versão presidencial de que a sonegação  de cláusulas estratégicas levaram à aprovação pelo Conselho do que ela considerou “um inquestionável mau negócio”.  Cerveró prefere chamar de “negócio inconcluso”.

Mas ambos admitem, cada um a seu modo, que houve prejuízo. Graça, de forma explícita, o quantifica: pouco mais de 500 milhões de dólares. Cerveró, que é apenas um registro contábil usual.

Cerveró sustenta, porém, que a documentação – mais de 400 páginas – esteve sempre à disposição do Conselho, assim como o resumo do negócio, sendo este uma opção que o Conselho preferiu.

O depoimento de Cerveró é inconsistente em diversos pontos, ao contrário daquele prestado por Foster, caracterizado pela assertividade das informações, em que pese seu conteúdo devastador para a gestão anterior.

Cerveró atribui o fracasso do projeto à sua interrupção e, esta, a mudanças no mercado do petróleo. O que não o absolve e nem à diretoria da empresa à época. Afinal, para projetar cenários e riscos é que existem os estudos preliminares que orientam as decisões no ambiente de negócios.

Afirma que a documentação esteve à disposição do Conselho e minimiza as cláusulas de saída do negócio, e a Marlim, que garante lucro do vendedor mesmo na hipótese de prejuízo do comprador.

A omissão de ambas ao Conselho permanece como fato real, respaldando a versão da presidente Dilma para a sua chancela ao negócio. O que mantém a suspeita de condução política – e desleal -, do projeto pelos seus principais negociadores.

Se o objetivo da CPI proposta pela oposição é  desvendar esse ponto da questão – a prevalência de uma decisão política sobre a técnica em uma operação comercial que deu prejuízo à Petrobrás,  Foster e Cerveró a legitimam.

A partir daí, o raciocínio é lógico: se foi motivação política é possível que o projeto – e outros ainda não investigados – seja a ponta de um esquema de financiamento político com recursos públicos.

O depoimento de Foster não é importante pela avaliação de seu desempenho pessoal, mas pela clareza com que admitiu que a empresa errou, seu conselho foi induzido a fazer um mau negócio e que a responsabilidade é da diretoria anterior.

A síntese de seu depoimento indica um distanciamento entre Dilma e seu antecessor e padrinho, Lula, que gostaria de outra condução para o caso. A posição da presidente vincula a gestão do antecessor à criticada politização da Petrobrás.

Afinal, Sérgio Gabrielli, ex-presidente da empresa, era indicação de Lula, por ele foi sustentado, e, por uma influência em cadeia, Paulo Roberto Costa, preso pela Polícia Federal, exercia uma diretoria da Petrobrás.

Nada disso garante, porém, que haverá a CPI, especialmente nos termos exclusivos propostos pela oposição. O dano político e eleitoral, no entanto, não só é irreversível, como contínuo.

O esforço do governo é prejudicado pelo teor da missão que o desafia, a de controlar as informações sobre o episódio e seus desdobramentos na base aliada. Na era da informação, esse controle é impossível.

 

 

 

 

 

 

 

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Enquanto a movimentação dos candidatos de oposição segue o roteiro previsto, no âmbito da candidatura oficial o crescimento da inflação e o escândalo da Petrobrás fogem ao controle do governo.

Como já foi dito nesse espaço, a CPI se impõe como opção investigativa legítima, tais os pontos obscuros do episódio e a condição de sigilo que orienta a tramitação dos inquéritos em andamento.

Mas se não lograr sua instalação, como quer a oposição, o empenho do governo em evitá-la já produz dano eleitoral imprevisto nos planos traçados para a campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Nesse contexto se inserem os movimentos do governo nas últimas 48 horas, resumido à defesa da Petrobrás, como empresa exemplar, alvo de ataques impatrióticos da oposição, e o depoimento da presidente da empresa, Graça Foster no Senado.

A primeira ação é risível, de tão velha e conhecida. Culpem-se os mensageiros da má notícia de que a empresa está sendo investigada por corrupção e os que, diante da notícia, cobram esclarecimentos.

No segundo caso, o depoimento de Foster tem um mérito: confirma a irregularidade da compra da refinaria de Pasadena em todos os aspectos que levaram à suspeita sobre a operação.

Graça Foster reafirma a versão da presidente Dilma de que foi um mau negócio e que os conselheiros não foram apresentados a todas as informações sobre a compra. Não se deu ao trabalho de explicar o que mudou sua convicção inicial que a levou a afirmar que fora um bom negócio “à época”.

De qualquer forma, a presidente da Petrobrás responsabiliza claramente a gestão anterior, de Sérgio Gabrielli, no governo Lula, pela aprovação da compra e chega a dizer que não o percebe hoje empolgado com a operação.

Trocando em miúdos, a direção atual da Petrobrás considera Pasadena um mau negócio de responsabilidade de seus antecessores, entre os quais, Paulo Roberto Costa, preso, e Nestor Cerveró, incompreensivelmente mantido em cargo estratégico financeiro.

Foster, portanto, surpreende apenas por confirmar o malfeito, mas seu depoimento não avança sobre o que já se sabia. O que reafirma a necessidade da CPI, cujos instrumentos de investigação podem dar celeridade à apuração – e confiabilidade.

A presidente da Petrobrás garante que as apurações internas esclarecerão responsabilidades individuais e acha injusto penalizar Cerveró antes que a comissão interna levante todos os fatos. Mas não acha injusto que ele permaneça no cargo mesmo sob suspeição.

Foster depõe com a desenvoltura dos que se sabem inocentes, pois não fazia parte da diretoria da empresa à época das negociações e nem delas participou. Trabalha agora em cima da obra feita para apurar responsabilidades.

Assim como a presidente Dilma, esta lograda na sua boa fé, segundo seu depoimento ao jornal O Estado de S. Paulo, que reativou as suspeitas sobre a compra da refinaria, já polemizada anteriormente.

Ambas se põem fora da cena do mau negócio que diagnosticam. E, por consequência, vinculam a este seus antecessores – o ex-presidente Lula, em cujo governo ocorreu a operação, e Sérgio Gabrielli, que presidia a empresa.

Ambas permitiram que circulassem as versões, sem objeção de qualquer espécie, de que “engoliam” o ex-diretor Paulo Roberto Costa, condutor da negociação, e Nestor Cerveró, mantidos portanto pela gestão Lula.

São, na linguagem política, dois “sapos” empurrados goela abaixo da então chefe da Casa Civil de Lula e da diretora que ela fez presidente em sua gestão, Graça Foster, que ainda precisou de um bom tempo para remover Costa.

Sérgio Gabrielli sai tosquiado do depoimento de Foster, que deixa no ar a expectativa de uma apuração que concluirá, provavelmente, responsabilizando a gestão anterior – de Lula, no governo, e Gabrielli, na empresa, pelos erros produzidos.

É o que se chama de politização da empresa. Um mau negócio imposto por razões políticas, aprovado à base de omissão de dados. Melhor seria dizer tratar-se de um mau negócio motivado por razões partidárias.

A distinção se faz oportuna desde que o senador Ignácio Arruda (PC do B-CE), tentou dar naturalidade à condução política, ao defini-la como o método de descentralizar as ações da empresa, distribuindo-a de forma mais equitativa pelo país, o que o mercado não faria por iniciativa própria.

O senador sabe que não é essa política que se condena, mas aquela que deforma a governança da empresa, impondo ao seu quadro técnico decisões prejudiciais  para favorecer interesses partidários.

Foi Ignácio Arruda também quem cobrou fato novo que justificasse nova CPI dois anos depois de uma análoga ter dado em nada. Esqueceu que o fato novo foi oferecido pela presidente da República ao acusar a direção da empresa de sonegar ao conselho informações decisivas que reprovariam a compra.

O depoimento de Graça Foster, ao não avançar em informações novas, confirmar que Pasadena foi um mau negócio aprovado pela omissão de informações essenciais e pedir que se aguarde o desfecho da apuração interna, manteve tudo onde está.

Menos a perspectiva de alguma celeridade nas investigações, que cumprem prazo de 45 dias, com uma Semana Santa e uma Copa do Mundo no meio, circunstâncias mais que favoráveis a uma prorrogação do prazo.

É o governo atuando para protelar os resultados e evitá-los na fase de campanha, evidenciando a prioridade eleitoral sobre o interesse público.

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Não é boa a situação da presidente Dilma Rousseff com vistas à reeleição, ainda que no mapa das pesquisas , tecnicamente, se mantenha como a candidata com a chance mais clara de vitória.

Segundo o diretor do instituto Datafolha, Mauro Paulino, em entrevista à revista Veja,  historicamente o índice mínimo de êxito de candidatos à reeleição é de 34%. Com 36% das intenções de voto, agora alinhados com a aprovação de governo, a presidente está na meta técnica.

Com seus opositores bem abaixo desses índices, a presidente teria motivos para tranquilidade, não fosse o tsunami que se abate sobre seu governo, na economia e no cenário de corrupção que agora afeta a empresa-símbolo do orgulho nacional, a Petrobrás.

Enquanto a percepção dos maus resultados econômicos começa a chegar à população, antes do que previra o governo, com a inflação já na pauta cotidiana do cidadão, o caso Petrobrás cuida de agravar a situação política.

A operação de busca e apreensão da Polícia Federal na empresa, sem antecedente na sua história, surte o efeito de uma violação sagrada. Como ressalta um parlamentar aliado, o povo pode não entender os meandros de um debate político, mas sabe identificar problemas aonde a polícia vai.

A operação da PF legitima o pedido de CPI da oposição, mesmo que este não logre êxito. Nessa circunstância, aumenta o desgaste do governo com o ônus de tentar impedir uma investigação que a Polícia Federal diz, com suas ações, fazer sentido.

Certamente, esses acontecimentos contribuem para a queda da presidente nas pesquisas, que tem um viés de piora. A expectativa nos meios políticos é de que as próximas consultas dos institutos de opinião registrem índice menor que os 34% estabelecidos pelo diretor da Datafolha como o de risco máximo.

A oposição começa agora sua participação mais intensa na campanha. O lançamento da chapa Eduardo Campos/Marina Silva, hoje, em Brasília, marca o fim do ciclo de negociações internas do PSB e da Rede e o ingresso da dupla na campanha.

Mais lerdo nesse aspecto, o outro candidato, Aécio Neves, deve fazer o mesmo em pouco tempo. Mas, em compensação, teve sua visibilidade ampliada pela liderança na ação pela instalação da CPI, dividindo os holofotes com o governo em condições extremamente vantajosas.

Essa movimentação dos candidatos de oposição ocorre às vésperas da fase propagandística de rádio e televisão, que encontrará o governo na defensiva – de um lado, tentando evitar as investigações na Petrobrás; de outro, explicando que a inflação não está fora de controle.

Nas duas frentes lida com o improvável: convencer a todos que está tudo bem na economia, que o país não vive um ciclo de corrupção em escala inédita e que a imprensa é a culpada de todos os males.

Até mesmo o movimento pela candidatura do ex-presidente Lula, como saída para a perda de competitividade de sua sucessora, ganha contornos de uma operação mais difícil do que os argumentos simplórios que a sustentam.

Se já se dizia da inconveniência para Lula de apostar seu perfil vitorioso numa eleição que, vencendo, o submeteria a um mandato capaz de corroer sua biografia, mais verdade é que a investigação da Petrobrás compromete muito mais.

Foi em seu governo que os pilares da corrupção na empresa – o ex-diretor Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Yousseff -, construíram o que hoje se desenha como um propinoduto eleitoral destinado a 80% dos atores políticos vinculados à base aliada de Dilma.

O custo da estratégia de redução de danos empreendida pelo Planalto alcançou um grau de alto risco. O esforço para evitar a CPI impôs a ida da presidente da Petrobrás, Graça Foster, ao Senado, antes rejeitada, para um depoimento que pode agravar a situação do governo.

Graça irá ao Senado amanhã sem resposta razoável para a contradição que deu origem ao pedido da CPI, configurada nas versões da empresa que dirige e a da presidente da República para a mesma operação de compra da refinaria de Pasadena.

A presidente da Petrobrás terá de escolher se foi um bom negócio, versão que sustenta, ou se foi uma operação suspeita, só aprovada mediante a fraude implícita na omissão de dados pela diretoria aos conselheiros, entre os quais a presidente Dilma, autora dessa versão.

Só essa questão tem potencial para desorientar a depoente. É a chamada premissa, da qual decorre todo o resto do enredo que ela terá de desenvolver na comissão que a ouvirá. Mesmo que o país já tenha elementos suficientes para ter feito a sua escolha em favor da versão presidencial, bastando para tal os números da operação.

A melhor defesa do governo é ganhar tempo, o que pode livrá-lo da CPI, mas não dos efeitos da operação Petrobrás. Como se vê, o remédio mais eficaz não retira o paciente da UTI.

 

 

 

 

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O diretório regional do PT no Distrito Federal estuda a possibilidade de ceder a vaga ao Senado, para legendas aliadas. Em troca, quer garantir o tempo de televisão como compensação pela debandada de  PSB e PDT da base aliada ao governador Agnelo Queiroz (PT).

Inicialmente, o deputado federal Geraldo Magela e o deputado distrital Chico Leite são os nomes do partido para disputar a vaga única ao Senado. Porém, cinco partidos nanicos da base de Agnelo formaram um grupo para pressionar o PT a negociar a vaga com as outras legendas.

PEN, PTC, PTdoB, PHS e PRP se uniram em um grupo denominado G5. Juntos, possuem três deputados distritais – um deles, Alírio Neto (PEN) ex- secretário de Justiça na administração petista. O principal argumento usado é o tempo de televisão que os cinco juntos podem acrescentar na chapa governista. Juntos, teriam aproximadamente dois minutos de propaganda.

Da chapa majoritária vitoriosa em 2010, por enquanto está mantido apenas o PMDB, que terá a vice mais uma vez com Tadeu Filippelli. PSB e PDT devem se unir numa chapa em torno do senador Rodrigo Rollemberg como candidato ao governo. O deputado federal Reguffe (PDT), proporcionalmente o mais votado do país em 2010, pode sair para o Senado.

A hesitação do PT decorre da fragilidade da candidatura de Agnelo. Um dos piores avaliados do país, o governador tem poucas chances de reeleição. Sem tempo de TV, mais ainda. A possibilidade estudada pelo partido é sacrificar a vaga do Senado para manter um tempo razoável de propaganda gratuita para Agnelo.

As candidaturas mais fortes são a de Rollemberg (PSB) e de Antonio Reguffe (PDT), mas a chance de uma chapa com ambos parece mais distante depois que o presidente do PDT, o ex-ministro Carlos Lupi, vetou a idéia. Para Lupi, ou Reguffe é cabeça de chapa ou não é candidato.

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A Executiva da Rede está redigindo nesse momento a nota de apoio à candidatura do deputado federal, Miro Teixeira (Pros) ao governo do Rio de Janeiro. A nota reflete a decisão da futura legenda da ex-senadora Marina Silva, tomada pela manhã.

O anúncio , a ser feito nas próximas horas, consolida Miro como o candidato e encerra a polêmica levantada pelo deputado Alfredo Sirkis, que reivindicava o posto. Abre também a etapa de negociação para a composição da chapa, que envolverá Rede, Pros, PSB e, se chegar a tempo, também o PPS.

Miro foi dos primeiros parlamentares a se engajar no projeto de criação da Rede e de sua formalização, adiada por decisão da Justiça Eleitoral que negou o registro a tempo de a legenda disputar as eleições deste ano.

Filou-se ao Pros, partido novo, para preservar o mandato, pois já se desfiliara do PDT.  Mas foi desde sempre o perfil preferido da ex-senadora Marina Silva. Será o palanque de Eduardo Campos no Rio.

 

 

 

 

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Quadro histórico do PT, ao qual permanece filiado mas distanciado há anos, o ex-deputado Paulo Delgado é um dos mais decepcionados com os rumos tomados pelo partido desde que chegou ao poder.  Informado da operação de busca e apreensão da Polícia Federal na sede da Petrobrás, no Rio,  não conteve a incredulidade.

“Não acredito. O PT ganhou a eleição do Serra vestindo o macacão da Petrobrás. Agora, a Polícia Federal do governo do PT entra porta adentro da empresa. Espero que entre os itens apreendidos na busca  esteja o retrato do Getúlio (Vargas)”.

O desencanto de Paulo Delgado com o partido se consolida ano após ano, há mais de uma década. Sua desolação crítica tem a legitimidade do fundador e sua frase se justifica pela percepção de que a legenda se aproxima cada vez mais do período getulista.

 

 

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