O argentino Lionel Messi caminha para superar uma marca estabelecida por Pelé e que já durava 53 anos. En 1959, jogando pelo Santos e pela seleção brasileira, Pelé marcou 75 gols. Messi, pelo Barcelona e pela Argentina em 2012, já marcou 71. Com dois meses pela frente e num ritmo que até seus colegas chegam a se assustar, o argentino tem tudo para superar a marca do Rei do Futebol. Para isso, basta marcar mais quatro gols para se igual a Pelé.
Para chegar ao recorde absoluto de gols numa temporada profissional, Messi precisa de mais 14 para se igualar aos 85 do alemão Gerd Muller, em 1972.
No fim de semana, Messi chegou mais perto da marca de Pelé, ao marcar três na vitória do Barça contra o Deportivo La Coruña. O astro do time catalão é o artilheiro da Liga, com onze gols e já fez 13 por sua seleção em 2012.
Em 1959, Pelé registrou 66 gols pelo Santos nos campeonatos no Brasil e jogos internacionais. Além disso, marcou outros nove gols pela seleção, um ano depois de conquistar a Copa do Mundo na Suécia.
Eleito três vezes seguidas como melhor jogador do mundo, Messi já admitiu que só poderá ser comparado a Maradona ou Pelé quando vencer uma Copa do Mundo. Em 2010, apesar das esperanças depositadas sobre o meia, o time argentino fracassou.
No fim de semana, o jornal catalão Sport realizou uma pesquisa em seu site com uma pergunta simples: Messi superará o recorde de 75 gols em um ano de Pelé?”. 98% dos leitores responderam que sim. O próprio Barça já prepara uma festa e homenagens caso a marca do brasileiro seja superada por Messi, jogador criado no clube.
Para chegar às marcas atingidas por Pelé em sua carreira, porém, Messi ainda precisará marcar quas mil gols e conquistar três Copas do Mundo.
Quanto vale o show…. Mesmo sem ninguém saber quais serão as seleções classificadas para o Mundial de 2014 e mesmo sem previsão dos preços dos ingressos, uma verdadeira corrida já foi iniciada pelas agências de turismo dos EUA, Europa e África para vender pacotes para turistas estrangeiros visitarem o Brasil. Um levantamento feito por este blog apontou que um estrangeiro pagará pelo menos R$ 17 mil para acompanhar a Copa. Mas a conta pode rapidamente subir a R$ 40 mil.
Isso tudo sem contar com os ingressos, que começarão a ser comercializados apenas depois da Copa das Confederações, em 2013.
Para convencer os estrangeiros a pagar a pequena fortuna, as agências de turismo já prometem que o Brasil terá “um sistema de transporte moderno e acomodações confortaveis”. O governo brasileiro estima que 600 mil estrangeiros desembarcarão no Brasil para o Mundial, duas vezes mais que a África do Sul recebeu.
Uma das empresas que já vende pacotes é a Great Atlantic Travel & Tour, agência oficial da Cop de 1994 nos EUA, de 1998 na França e 2002 no Japão. Apenas para os 13 primeiros dias da fase inicial da Copa, o pacote poderá custar R$ 9 mil por torcedor e ficando apenas em hoteis três estrelas. Uma opção por hotel de luxo elevaria o custo a R$ 20 mil.
Apesar de o governo e organizadores garantirem que não há risco de faltar hoteis em grandes cidades, a própria agência alerta que “pacotes tem um preço mais alto (no caso de incluir o Rio) por conta da falta de acomodação na cidade do Rio de Janeiro”.
Para as oitavas de final, mais um pagamento: de R$ 3 mil a R$ 12 mil, dependendo da qualidade do hotel. Para os quatro dias de quartas de final, mais um valor equivalente.
Já o pacote ara semifinal em Belo Horizonte e São Paulo e a grande final no Rio de Janeiro custaria entre R$ 11 mil e R$ 21 mil por apenas quatro noites de hotel e transporte entre cidades. A agência ainda alerta: para hotéis cinco estrelas, o preço será dado de forma privada ao cliente que peça, uma indicação de que essa opção será para poucos.
Segundo as agências, parte do alto custo se refere à decisão do Comitê Organizador Local e da Fifa de levarem as seleções a rodar o Brasil. Um torcedor que acompanhe sua seleção do primeiro ao último jogo do Mundial poderá ter percorrido 9 mil quilômetros. Ônibus entre cidade e voos para Manaus, Cuiabá e Recife são citados como os meios de transporte.
Na programação da tradicional agência Thomas Cook, os pacotes chegam até R$ 30 mil. No site da BR Online Travel, agência com sede em Miami e especializada em pacotes ao Brasil, as ofertas já indicam que o torcedor pode pedir um orçamento para acompanhar a seleção dos Estados Unidos e a do México.
No Reino Unido, a agência Thomson já se programa para oferecer pacotes aos ingleses, caso se classifiquem ao Mundial. A elite africana que queira cruzar o Atlântico para acompanhar o Mundial num esquema VIP pagará mais de R$ 18 mil apenas para as semi-finais e a grande final. Isso tudo sem contar com os ingressos.
Alerta – Os preços elevados são uma preocupação para a Fifa, que já deixou claro que não quer permitir que os mesmos erros da África do Sul se repitam no Brasil. Fontes da entidade revelam que, um ano antes do Mundial de 2010, os sul-africanos ainda abusavam nos preços cobrados, apostando que o fluxo de torcedores não seria afetado pelos valores.
O resultado foi um fiasco na compra de pacotes e uma mobilização por parte do secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, para garantir um maior número de voos entre a Europa e a África e um apelo para um certo controle de preços.
Ao Estado, o presidente da Uefa, Michel Platini, também revelou que a questão dos valores cobrados pela Ucrânia na Eurocopa deste ano foi um assunto que tirou seu sono. Mas, depois de muito insistir com os ucranianos de que deveriam rever seus preços de hotéis e passagens aéreas, abandonou a campanha, alertando que seria o próprio país quem perderia com isso.
Ingressos destinados a torcedores da França e mesmo da Inglaterra foram devolvidos aos organizadores, diante do fiasco nas vendas.
Wroclaw, Polônia – A meta era de usar a seleção brasileira para começar a quitar a dívida das obras do estádio de Wroclaw, construído para a Eurocopa. Mas o projeto se transforma numa grande dor de cabeça e o jogo do Brasil hoje contra o Japão deixará um prejuizo milionário para a cidade ao ponto da prefeitura convocar escolas a suspenderem parte das aulas para levar os estudantes para preencher o estádio.
Se a CBF quiser conhecer um exemplo de um estádio que tem grandes chances de se transformar em um elefante branco, chegou no lugar certo. Pelas contas, o estádio que se transformou num símbolo dos exageros do país para a Eurocopa teria sua dívida superada apenas no ano 2034.
Num esforço desesperado para encher o estádio de Wroclaw, as autoridades polonesas suspenderam parte das aulas nas escolas e levarão ao jogo estudantes de toda a região que contribuírem com 10 euros. A decisão faz parte de uma medida de emergência diante da fraca procura por entradas.
O amistoso ocorre no início da tarde de hoje (horário europeu) um dia de semana na cidade e sequer envolve o time local. O horário do jogo –2 da tarde – foi estabelecido para atender a tevê japonesa, que mostrará a partida em horário nobre para a audiência em Tóquio.
Adam, um garoto que ontem passou o dia na porta do hotel da seleção, contou que já comprou o seu ingresso e que irá com sua classe. “Vamos perder a aula de matemática”, disse, sem enconder sua satisfação. No sábado, na mesma estratégia de promover o jogo e evitar um desfalque importante para a seleção, o treino realizado por Mano Menezes foi realizado a portas abertas, enquanto os organizadores poloneses promoviam a partida até com trio-elétrico.
O estádio custou R$ 600 milhões e agora a prefeitura local se esforça para encontrar funções para a arena. O problema é que todos os eventos realizados por enquanto geraram prejuizos. Além de atrair a atenção mundial para a interiorana cidade na Polônia, a renda da partida seria usada para pagar por parte das contas do estádio. Mas o fracasso na venda de entradas e os custos da operação deixaram a cidade no vermelho.
Tóquio bancará boa parte dos custos, com 2 milhões de euros em gastos. O restante – cerca de 1 milhão de euros – ficaria a cargo da prefeitura. Pelas contas, o investimento compensaria.
Mas a programação feita pelos poloneses acabou se transformando em um fiasco financeiro. A cidade abriu mão de todos os direitos de imagem e dos lucros de tevês, que irão para os japoneses.
Wroclaw – Ronaldo foi uma das contratações de maior impacto comercial do futebol Brasil quando chegou no Corinthians. Transformou a lógica das contratações, abriu as portas para que clubes fizessem parcerias similares e, na prática, é o modelo que vem garantindo a permanência de Neymar e de outros jogadores no Brasil. Mas o que pouco se sabe é que o acordo foi fechado praticamente no banheiro de um hotel no Rio de Janeiro.
Segundo Andrés Sanchez, então presidente do Corinthians e hoje diretor de seleções da CBF, tudo começou ainda em junho de 2008, quando o cartola e Ronaldo se encontraram na casa de amigos comuns e o ex-presidente corinthiano lançou. “E ai, Ronaldo. Vamos jogar no Corinthians”. A resposta positiva deixou a brecha aberta para uma negociação.
Ronaldo estava treinando no Flamengo, na recuperação de sua cirurgia no joelho. Andres ligou então para Kleber Leite, naquele momento presidente do clube, questionando se o time da Gávea não ficaria com o jogador uma vez que Ronaldo estivesse recuperado. A resposta foi negativa. Mas Andrés também não informou porque estava fazendo a pergunta.
Dias depois, advogados de Ronaldo e do Corinthians começariam um diálogo que duraria meses. Depois de muita troca de propostas, reuniões, viagens entre Madri e São Paulo e meses de uma negociação, um email chegou à caixa de correio do ex-presidente no dia 7 de dezembro de 2008 com a informação nada positiva: o processo havia naufragado.
A diferença entre o que o Corinthians podia pagar e o que os advogados de Ronaldo pediam era brutal, principalmente diante da presença do time na segunda divisão e, segundo seu ex-presidente, com sérios problemas até para pagar as contas de luz do clube. Andres admitia que não tinha como pagar o que Ronaldo pedia por salário.
No dia seguinte, o cartola estava num evento da CBF para a entrega da premiação de 2008 e via que seu telefone tocava insistentemente. Mas evitou atender. Alguem em sua mesa o avisaria que era Ronaldo quem estava tentando falar com ele. Para o ex-craque, o fiasco na negociação entre os advogados não significava que o caso estava encerrado.
Os dois combinaram de se encontrar no dia seguinte, as 7.30 da manhã em um hotel, cada um deles munido de seus advogados. Ronaldo chegou de chinelo e bermudão. De um lado da mesa, Ronaldo e Fabiano Farah, seu principal representante comercial. De outro, Andrés e os advogados do Corinthians.
Uma vez mais, uma guerra. Advogados apresentando propostas, debatendo a situação e numa conversa que parecia que apenas confirmaria o fracasso da negociação. Foi nesse momento que Andres e Ronaldo se olharam e disseram: “vamos fumar no banheiro”.
A situação não podia ser mais constrangedora. Cada vez que um hóspede do hotel entrava no banheiro, o ex-craque e o cartola escondiam o cigarro. Não foram poucos os hóspedes que se surpreenderam com a presença dos dois no banheiro.
Mas foi nesse momento que Ronaldo avisou a Andres: volte na mesa e ofereça algo. O cartola insistia que não tinha mais o que dizer e que o clube estava longe do que o craque pedia. “Esquece, Ronaldo”, dizia Andrés.
De volta ao local público, Andrés deu alguns minutos e disse: o Corinthians pode oferecer R$ 400 mil de salário, muito menos que Ronaldo pedia. Mas bem acima dos R$ 160 mil que era na época o salário mais alto pago no clube. Mas oferecia ao jogador até 80% da renda nos patrocínios de algumas das áreas da camisa do time, como na manga. A resposta de Ronaldo não poderia ser mais contundente: “sou jogador do Corinthians”.
O primeiro jogo de Ronaldo pelo Corinthians ocorreria no dia 4 de março de 2009, num jogo da Copa do Brasil. O primeiro gol sairia quatro dias depois. Naquele ano, o time seria campeão do Paulista e da Copa do Brasil. A parceria duraria até fevereiro de 2011. Mas o padrão estabelecido mudaria o comportamento dos clubes sobre como trazer craques ao Brasil.
Ronaldo sairia do Corinthians com uma renda de 11 milhões de euros e o Corinthians com uma jogada de marketing que transformou as finanças do clube, mesmo que no momento de assinar todos os lados admitiam: estavam arriscando alto. O Corinthians havia oferecido acordos de marketing a Ronaldo sem saber se as empresas comprariam a ideia. Mas também sem saber se Ronaldo estaria em forma para voltar a jogar. Ronaldo aceitou sem saber se receberia mais que o salário que estava acordado. Os contratos vieram, os gols vieram e os lucros também.
O lateral esquerdo Marcelo sai do treino da seleção brasileira sentindo. A situação é mais um problema para Mano Menezes para o amistoso contra o Japão, na terça-feira.
Mano já havia perdido Alex Sandro e Dani Alves na atual preparação da equipe.
Mais informações no decorrer do dia.
Malmo, Suécia – O time que enfrentou o Brasil e sofreu uma goleada sequer tinha chuteiras adequadas para entrar em campo na Europa. A informação é do próprio técnico do Iraque, o brasileiro Zico, que admitiu a total falta de profissionalismo de sua seleção e do caos que foi a preparação para o jogo.
Ontem em Malmo, o Brasil bateu o Iraque por 6 x 0, numa partida que não exigiu absolutamente nada da seleção de Mano Menezes. Zico, transparente e calmo, não deixou de escancarar o absurdo do confronto.
“Para vocês terem um exemplo bem simples da diferença entre as duas seleções, os jogadores iraquianos nem tem chuteiras adequadas para jogar nesse tipo de gramado”, disse Zico. “Você podia ver claramente que os jogadores adiantavam a bola com muita facilidade, perdiam bolas fáceis, porque na Zona Asiática os campos são todos secos, duros e eles usam chuteiras diferentes”, declarou.
Zico voltou a criticar a realização do jogo. “Não era o ideal. Mas nem fui consultado sobre esse jogo. Quando me falaram, já estava tudo definido. Não posso fazer nada”, declarou. A partida foi marcada pela volta de Kaká para a seleção.
Mas o caso das ”chuteiras iraquianas” seria apenas um retrato de uma partida que beirou à várzea. O jogo de ontem entrou para a história por conta do ver um dos piores públicos da história da seleção – 14 mil pessoas – e o amistoso não conseguiu lotar nem mesmo um estádio acanhado na Suécia.
O número só não foi pior que o jogo entre o Brasil e a Estonia, em 2009, com 9 mil pessoas. Ontem, porém, o jogo foi realizado violando as regras da Fifa. O estádio em Malmo conta ainda com uma geral e cerca de 5 mil pessoas assistiram a partida de pé. A Fifa proibe jogos oficiais nessas condições. Não faltaram nem mesmo diversas invasões de campo ao final do jogo, para o delírio da torcida do Iraque e desespero dos poucos seguranças.
Fica aqui a pergunta: do que serve um jogo teste da seleção contra uma equipe que ocupa a 80a posição no ranking da Fifa e sequer tem chuteiras para entrar em campo…
Malmo, Suécia – O diretor de seleções da CBF, Andrés Sanchez, ataca as críticas feitas por ex-jogadores brasileiros ao time e alertou que muitos deles que hoje são comentaristas de tevê nunca ganharam nada pela seleção. “Muitos ex-jogadores cobram coisas que nunca fizeram pela seleção”, declarou em entrevista para a Al-Jazeera Sport em Malmo e que irá ao ar na semana que vem.
O grupo de Mano Menezes vem sofrendo duras críticas no Brasil e, nos amistosos que realizou no País, foi vaiado pela torcida. Nos últimos dias, jogadores tem criticado o comportamento da torcida. A seleção joga hoje contra o Iraque na Suécia, na volta de Kaká ao grupo depois de dois anos fora. Sanchez, mesmo rasgando elogios ao meia do Real Madrid, insistiu que a seleção não o trouxe de volta ao grupo para que seja um lider.
“Queremos um grupo, não um jogador. Queremos que ele seja um a mais no grupo e não que seja o grupo”, disse o diretor da CBF à rede árabe. Sanchez dá sinais de que o jogo de hoje de Kaká seria o primeiro de uma série. “Esperamos uma continuação”, declarou. Sobre Neymar, o diretor também adota o mesmo tom. “Não queremos depender de um jogador”, disse. Mas deixou claro que o santistas é hoje o melhor jogador do Brasil e um dos melhores do mundo.
Questionado se Neymar deixará o Brasil para jogar no exterior, Sanchez admitiu que isso deve ocorrer no futuro. “Hoje ele ganha muito bem no Brasil. Paga-se como na Europa”, disse. “Mais ano, menos ano, ele vai para a Europa”, disse.
Sanchez também voltou a falar do Corinthians e destacou à rede árabe que o time estará entre os maiores do mundo em poucos anos. “O Corinthians estará entre os três maiores do mundo em quatro ou cinco anos”, completou. jogadores cobram coisas que nunca fizeram pela seleção”, declarou.
Malmo, Suécia – Na noite de ontem, o técnico do Iraque, Zico, e o brasileiro Mano Menezes se encontraram no lobby do hotel onde estão concentrados para o jogo de hoje. Mas se Mano Menezes sente dificuldades na busca de um conjunto, o técnico Zico tem uma tarefa bem mais complicada no Iraque: precisa ainda convencer seus jogadores que entram em campo a defender um só país. O Iraque ainda vive as consequências da invasão estrangeira e grupos regionais insistem em não reconhecer Bagdá como o centro de poder. Apesar de os jogadores entrarem em campo vestindo a camisa do Iraque, muitos deles declaram que não se sentem iraquianos e querem um dia representar suas nações, principalmente o Curdistão.
Hoje, Brasil e Iraque entram em campo para um amistoso em Malmo, na Suécia. Mas os desafios do Iraque vão bem além de evitar gols na tarde de hoje.
Sete dos jogadores convocados por Zico vem do Erbil, time da região curda do Iraque. Cada vez que o clube joga fora de casa, o clube precisa levar consigo um segundo time de seguranças para garantir que os jogadores curdos não serão atacados na concentração. Durante os jogos, torcidas adversárias puxam gritos acusando-os de serem os “Judeus do Iraque”.
Erbil é a capital do Curdistão e a base da luta contra o regime de Saddam Hussein. Mas, mesmo com a queda do regime em 2003, a região continuou a lutar por sua independência.
Com 15% das reservas de petróleo do Iraque e uma certa estabilidade, Erbil até consegue pagar salários altos aos jogadores. O resultado é a transformação do time local na maior potência do futebol iraquiano. Venceu cinco dos últimos seis campeonatos nacionais.
Por enquanto, o Erbil joga no campeonato iraquiano, única forma de classificá-lo para os torneios regionais. Mas, em paralelo, a Associação de Futebol do Curdistão montou um campeonato regional que seria um embrião de um torneio nacional do sonhado país e é o único no Iraque que conta com a presença de treinadores estrangeiros. O secretário-geral da entidade, Salam Hussein, não esconde: “estamos usando o esporte como arma para nossa independência”.
Zico, quando eu o questionei sobre essa rivalidade, deixou claro que prefere nem tocar no assunto com os jogadores ou comissão técnica. “Eu não quero nem saber quem é curdo ou não. Que entrem em campo para jogar futebol”, disse.
O Iraque viveu seu momento auge no futebol na década de 80, quando se classificou para sua única Copa do Mundo. Após a queda de Saddam Hussein e as revelações de que seu filho torturava jogadores que fracassavam em campo, o time do Iraque voltou a brilhar, conquistando em 2007 a Copa da Ásia.
Agora, com Zico, tenta se classificar para a Copa de 2014. Mas caiu num dos grupos mais difíceis de sua região, tendo de competir com Japão e Austrália por uma vaga. Além do desafio em campo, Zico vive outro fora: seu salário de outubro está atrasado, descobriu que a estrutura é mínima e admite que, em um ano, foi ao Iraque em apenas cinco oportunidades. “É muito complicado”, completou.
Wroclaw, Polônia – A seleção brasileira deverá disputar um amistoso contra a Colômbia em Nova Iorque em novembro. Mas a partida já está criando resistência e críticas dos clubes europeus que prometem usar as regras da Uefa para impedir a liberação dos jogadores para cruzar o oceano para um só amistoso.
Informações exclusivas a este blog apontam que a federação colombiana planeja anunciar o amistoso ainda amanhã, se os detalhes do amistoso forem acertados durante o dia de hoje. Clubes europeus insistem que as regras estipulam que jogadores só podem ser liberados para um amistoso se não viajarem mais de 5 horas até o local do jogo. Mas a escolha de Nova Iorque tem irritado os cartolas de clubes.
A CBF tem sofrido para encontrar times de peso para jogar contra a seleção de Mano Menezes. Nos próximos dias, joga contra o Iraque, número 80 no ranking da Fifa, e contra o Japão.
Quando o novo presidente da CBF, José Maria Marin, assumiu a entidade, prometeu que sua prioridade era ter uma seleção brasileira que pudesse voltar a competir por títulos. Deixou claro que não gostaria de ver agentes vendendo e comprando jogadores nos hotéis onde a seleção se hospeda e pediu para ver a lista de convocados 48 horas antes de seu anúncio, justamente para evitar o uso da camisa do Brasil para fazer elevar o preço de um jogador no mercado internacional.
Mas o que descobriu, seis meses depois, é que está de mãos atadas por acordos já assinados e por um estrutura que vai bem além de suas funções. Hoje, a seleção começa uma turnê pela Europa para realizar dois amistosos. Mas a programação revela a dificuldade de se estabelecer um projeto com base apenas em critérios esportivos.
A seleção chega hoje à cidade de Wroclaw, na Polônia. Faz dois treinos e, na quarta-feira já viaja para a Suécia para seu primeiro amistoso. Mas ele não é contra a Suécia, e sim contra o Iraque, do técnico Zico. A programação oficial da seleção não preve nem sequer um reconhecimento de campo, algo tradicional e quase obrigatório.
Terminada a partida, a seleção toma o mesmo voo fretado e retorna para a Polônia para, no dia 16, enfrentar seu segundo amistoso. Uma vez mais, o jogo não ocorre contra a seleção local. Mas sim contra o Japão. Até o horário da partida foi estabelecida tendo em vista a audiência…no Japão.
A Federação Polonesa de Futebol tentou vetar a partida, apontando que uma lei no país impede que dois jogos internacionais ocorram simultaneamente na Polônia. No mesmo dia, os poloneses jogam contra a Inglaterra em Varsória.
Mas diante da necessidade de arrecadar dinheiro para pagar pelo novo estádio de Wroclaw, até a lei foi ignorada. A cidade foi sede da Eurocopa deste ano e, para erguer um estádio para 42 mil torcedores, gastou R$ 600 milhões. Mas o local foi sede de apenas três jogos e não são poucos os políticos que já temem as consequências do elefante branco erguido numa cidade de apenas 600 mil habitantes. O dinheiro que o jogo Japão x Brasil pagará passou a ser mais que comemorado.
Os amistosos marcam a volta de Kaká à seleção, depois de dois anos de ausência. Mas o que parece permante é mesmo a capacidade de elaborar um programa baseado em critérios que nem sempre estão de acordo com um plano de formar uma seleção para disputar a Copa de 2014 em seu nivel tecnico mais elevado. Isso tudo menos de uma semana depois de a seleção viajar até a Argentina, aquecer, entrar em campo e não poder jogar por falta de luz no estádio.
A turnê da seleção pela Europa promete uma boa renda para muitos agentes envolvidos no futebol. Resta saber se Mano Menezes também terá esse sentimento de ganhos para o time ao final da turnê.
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