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Jamil Chade

Se o leitor deste blog notou que os aeroportos nacionais ficaram mais lotados, as filas do check-in maiores e os estacionamentos dos aeroportos mais ocupados em 2012, não foi por acaso. O Brasil registrou a segunda maior expansão no número de passageiros no mundo em 2012, superado apenas pela China.

Dados divulgados hoje pela Associação Internacional de Transporte Aéreo constataram que o crescimento do mercado doméstico de avião no Brasil foi superior à média mundial e ficou bem acima do desempenho de Europa e Estados Unidos.

Segundo os dados, o número de passageiros no Brasil aumentou em 8,6% em 2012, comparado com 2011. Na China, a expansão foi de 9,5%.

A média internacional registrou uma alta de 5,3%, abaixo do crescimento de 2011 e em mais um sinal do freio na economia mundial. Mas, ao contrário das últimas décadas, foram os mercados emergentes que garantiram o crescimento do setor, ainda que a Índia tenha sofrido uma contração de 2,1%.

Nos EUA, a expansão foi de apenas 0,8% no número de passageiros no mercado doméstico.

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A violência contra jornalistas durante a campanha eleitoral para prefeito em outubro fez o Brasil despencar no ranking de liberdade de imprensa no mundo. Dados divulgados hoje pela entidade Reporters Sem Fronteira apontam que o Brasil ocupa a posição de número 108 entre os países no que se refere à liberdade de imprensa. No total, 179 países foram avaliados.

Em apenas um ano, o Brasil caiu nove posições. Hoje, Libéria, Uganda, Paraguai e Guine Bissau estão melhor posicionados que o País no ranking.

Em 2011, o Brasil já havia perdido 41 lugares no ranking. “O cenário da imprensa está gravemente distorcido (no Brasil)”, indicou a entidade. “Altamente dependente das autoridades políticas em nível estadual, a imprensa regional está exposta a ataques, violência física contra seus funcionários e ordens judiciais de censura, que também atingem os blogs”, apontou.

Segundo a instituição, a violência contra jornalistas na campanha para as eleições municipais de 2012 agravou ainda mais a situação, principalmente longe dos grandes centros de poder do País. O ano, segundo dados de várias entidades internacionais, foi um dos mais mortais para a imprensa brasileira.

O líder do ranking é a Finlândia, seguida por Holanda e Luxemburgo. Os Estados Unidos aparecem apenas na 32ª posição. Coréia do Norte, Eritreia e Síria estão entre os locais com o pior desempenho em relação à liberdade de imprensa.

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Ricardo Teixeira estaria implicado na compra e venda de votos para dar ao Catar a Copa do Mundo de 2022. Isso é o que revela a revista France Football que, em sua edição de hoje, traz uma verdadeira investigação sobre a ação do Catar para receber o Mundial. Entre os suspeitos de terem vendido seu voto está o ex-presidente da CBF e que, na época, era também uma das 24 pessoas dentro da Fifa que votou para a escolha das sedes.

A revista tem suas credenciais. A publicação é a parceira da Fifa em projetos como a Bola de Ouro, o prêmio de melhor jogador do mundo. Há dois anos, a escolha do Catar gerou polêmica. O país do tamanho do Distrito Federal foi considerado como apto para receber 64 jogos da Copa do Mundo em pleno verão no Oriente Médio.

Segundo a revista, um dos indícios seria o amistoso entre Brasil e Argentina, em novembro de 2010, justamente no Catar. Se a cada jogo a CBF recebia em média US$ 1,2 milhão, o Catar decidiu para aquele amistoso distribuir US$ 7 milhões ao brasileiro. Julio Grondona, presidente da Associação de Futebol da Argentina, também teria ficado com outros US$ 7 milhões. Um único amistoso, portanto, teria custado ao país árabe US$ 14 milhões.

Grondona, de fato, ainda teria recebido uma proposta do Catar para sanar as dívidas dos clubes argentinos, um presente de US$ 78 milhões.

Outra suspeita em relação a Teixeira é seu acordo assinado com os sauditas da ISE, dando à empresa o direito de realizar os amistosos da seleção brasileira por dez anos. Segundo a revista, a companhia na realidade seria uma empresa de fachada, com sede nas Ilhas Cayman. O acordo foi assinado, ironicamente, no Catar.

A enquete mostra que a ISE teria dado à Confederação Asiática de Futebol outros US$ 14 milhões para o “uso pessoal” de seu presidente, Mohamed Bin Hammam, do Catar e aliado de Teixeira. O brasileiro teria votado em Hammam para presidente da Fifa. Mas o árabe foi suspenso do futebol antes, após ter sido pego pagando propinas.

A investigação da revista revela ainda como diversos outros cartolas da Fifa foram agraciados pelo Catar com investimentos, construção de campos e escolinhas, promessas de alianças e até patrocínio. A revista chega a implicar até mesmo o presidente do Barcelona, Sandro Rosell, no esquema montado pelo Catar.

Para a revista, estaria na hora de a Fifa rever a votação e pensar em dar a Copa de 2022 a um outro país. Se isso ocorrer, os grandes favoritos seriam os EUA.

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“Idiotia e Progresso”. É esse o título de um artigo publicado hoje em um blog do Financial Times em relação ao drama de Santa Maria. As mortes no Sul do Brasil repercutiram em todo o mundo e artigos em diversos jornais passaram a questionar os progressos de fato realizados pelo País nos últimos anos.

Mas, para o jornal que serve de referência nas finanças internacionais, está claro que o incidente irá aumentar a pressão sobre o Brasil no que se refere a sua capacidade de realizar grandes eventos esportivos, como a Copa em 2014.

Assinado pelo jornalista Jonathan Wheatley, o artigo não poupa críticas ao Brasil. “Para um país que sobe em termos econômicos e está se preparando para mostrar seus progressos com a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, a lista de erros e fracassos que levaram ao incêndio de sábado promove a pior das publicidades”.

O artigo chega a questionar se é justo culpar a administração de um país por conta de um ato de um “idiota isolado”. O FT também admite que outros países vivem a mesma sitação.

O artigo cita os diversos fatores da tragédia, inclusive o fato de que muitos morreram no banheiro, achando que era uma das portas de saída. “Regulamentos dos mais básicos, propriamente aplicados, teriam evitado a tragência e salvo a vida de 231 jovens. As autoridades enfrentarão questionamentos”, escreveu.

Descrevendo o membro da banda de “idiota” por ter usado pirotecnia dentro do local, o FT deixa claro que idiotas não existem apenas no Brasil e aponta para um desastre similar nos EUA em 2003.  “Idiotas existem em todo o mundo e é muito difícil de legislar contra eles. Até sábado, o Brasil não teve uma tragédia dessa escala por mais de meio século. Se o evento horroroso do fim de semana resultar em aplicações mais duras da lei, o Brasil terá feito mais progresso”, conclui.

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A tragédia que fez mais de 230 mortes em Santa Maria pode ser a pior em uma discoteca no mundo em mais de uma década. Dados levantados pela agência AFP indicam que o incêndio seria o que mais gerou mortes no mundo desde 2000.

Naquele ano, na China, um incêndio em uma discoteca e um shopping center na cidade de Luoyang fez 309 mortes. Desde então,  incidentes como esse ocorreram em vários países do mundo. Mas, em nenhum deles, o número de mortos chegou ao que se registrou no Brasil na madrugada entre sábado e domingo.

No dia 1 de dezembro de 2002, 50 pessoas morreram em uma discoteca em Caracas. Em 2003, na cidade de West Warwick, no estado americano de Rhode Island, foram cerca de cem mortos em outro incêndio em uma casa norturna no dia 20 de fevereiro.

Num dos piores dramas desse tipo, 194 pessoas saíram mortas em uma discoteca de Buenos Aires no dia 1 de dezembro de 2004. Dos 2 mil jovens que acompanhavam um show de rock, quase 400 saíram feridos. A prefeitura, na ocasião, ordenou que todas as casas noturnas fossem fechadas por duas semanas para que a situação de cada uma delas fosse avaliada.

Um no incidente ocorreria na China, em 2008. 44 pessoas morreram em uma discoteca em Shenzhen. Fogos de artifício usados dentro da casa noturna ainda fizeram mais 87 feridos naquela noite de 20 de setembro.

Fogos de artifício ainda foram a causa de um incêndio em uma discoteca em Bangkok, na Tailândia. O local festejava o ano novo de 2009 e o drama deixou 66 pessoas mortas.

No dia 4 de dezembro de 2009, 20 pessoas morreram em uma discoteca em Medan, na Indonésia. Um dia depois a cidade russa de Perm, 155 pessoas perderiam a vida em um clube noturno, também por conta do uso de fogos de artifício.

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Dentro de campo, o Corinthians e Santos já provaram nos últimos dois anos que fazem parte da elite dos clubes mundiais. Agora, estão prestes a ganhar também espaço político entre os cartolas dos times europeus. Segundo este blog apurou, o Corinthians e o Santos foram convidados para participar oficialmente da reunião anual da poderosa Associação de Clubes da Europa. 

O encontro ocorre no início de fevereiro, no Catar, e terá como missão acertar uma posição única dos clubes para pressionar a Fifa a montar um calendário internacional que respeite os interesses dos times. Outra meta do encontro é o de encontrar uma forma de pressionar a Fifa a pagar um valor maior para que clubes cedam seus jogadores a seleções nacionais, tanto em amistosos quanto durante a Copa do Mundo de 2014.

Além do time de Parque São Jorge e do Santos, estarão presentes o Boca Juniors (Argentina), o DC United (EUA) e o Kashima Antlers (Japão) na reunião presidida pelo Bayern de Munique e pelo Milan. O Corinthians foi campeão mundial em 2012 e o Santos vice em 2011.

Nos últimos anos, tanto o Corinthians como o Santos já foram convidados para debater de forma informal a situação dos clubes com os grandes times europeus.

Agora, a nova entidade não apenas ganhou uma maior dimensão como também passou a ser reconhecida dentro das estruturas da Fifa e da Uefa. Em troca do reconhecimento, os clubes aceitaram abandonar todos os processos legais que tinham contra a Fifa.

Mas os europeus não disfarçam que o objetivo é mesmo de criar o que seria uma associação mundial de clubes e o convite aos dois clubes brasileiros seria um primeiro passo para a implementação dessa estratégia. Há dois anos, essa perspectiva já foi levantada. Mas um cartola do Barcelona admitiu que o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira vetou a participação dos sul-americanos na iniciativa.

Por enquanto, os dois clubes brasileiros serão apenas convidados e não serão membros pleno da entidade. Mas com a participação de times fora da Europa no evento, a meta é a de começar abrir espaço para que a ideia de uma associação mundial ganhe apoio.

Na avaliação dos clubes europeus, diante da capacidade dos clubes brasileiros de manter seus craques com salários maiores, do retorno de muitos jogadores ao Brasil, cada vez mais os times brasileiros sofrerão dos mesmos problemas que eles já enfrentam: a liberação de jogadores para seleções, a acumulação de jogos e a predominância dos interesses da Fifa sobre o dos clubes.

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GENEBRA – O Corinthians se transforma no clube mais rico do mundo fora da Europa. Dados divulgados hoje pela consultoria britânica Deloitte apontam que a renda do clube brasileiro em 2012 chegou a 94,1 milhões de euros, superior a todos os demais clubes fora do Velho Continente.

Os dados fazem parte do informe que anualmente a consultoria apresenta sobre as finanças do futebol mundial. Neste ano, o Real Madrid quebrou um recorde e, pela primeira vez na história, um clube obteve uma renda de mais de 500 milhões de euros. O segundo lugar é do Barcelona, seguido pelo Manchester United e pelo Bayern de Munique. Na lista dos 20 maiores clubes, sete estão na Inglaterra, contra cinco na Itália.

Considerando todos os clubes, inclusive os europeus, o Corinthians apareceria na 31a posição, superado pelo Galatasaray, da Turquia, além de clubes como o Benfica, Ajax e Sunderland. O Chelsea, que perdeu para o Corinthians na final do Mundial de Clubes, é o quinto time mais rico do planeta, com uma renda mais de três vezes superior ao do Timão em 2012.

A consultoria também destaca a evolução da economia brasileira como um dos fatores que elevou a renda do Corinthians, e não apenas seu desempenho em campo. Para os economistas, clubes brasileiros poderão estar entre os 20 mais ricos do mundo.

“O crescimento da economia no Brasil tem aumentado a renda com publicidade e transmissoes para os maiores clubes brasileiros”, indicou a pesquisa. São Paulo e Flamengo também estão entre os 50 clubes com maior arrecadação do mundo.

“Esses fatores, combinado ao fato de que há um investimento substancial tanto no Brasil quanto na Rússia para sediar as Copas de 2014 e 2018, significam que clubes desses países tem potencialmente uma plataforma forte para desafiar o domínio dos clubes das cinco grandes ligas europeias, e portanto entrando nos próximos anos na lista dos 20 maiores clubes do mundo”, aponta a Deloitte.

 

 

 

Jamil Chade é correspodente do jornal O Estado de São Paulo na Europa desde 2000. Foi premiado como o melhor correspondente brasileiro no exterior em 2011, pela entidade Comunique-se. Com passagem por 67 países e mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Genebra, Chade foi presidente da Associação de Correspondentes Estrangeiros na Suíça entre 2003 e 2005 e tem dois livros publicados. « O Mundo Não é Plano » (2010) foi finalista do Prêmio Jabuti, categoria reportagem. Na Suíça, o livro venceu o prêmio Nicolas Bouvier. Em 2011, publicou “Rousseff”.

 

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GENEBRA – O Brasil supera todos os países europeus e se transforma no quarto maior destino de investimentos do mundo em 2012, um ano que entrará para a história como o primeiro a ver economias emergentes recebendo mais investimentos que países ricos. Os dados foram publicados hoje pela ONU, que revela uma queda brusca de 18% no fluxo de investimentos no mundo, puxados pela retração nos países ricos.

Para 2013, a ONU estima que haverá um crescimento dos investimentos da ordem de 7% a 8%, para um volume de US$ 1,4 trilhão. “Mas os riscos ainda são muito grandes. Por enquanto, os problemas da economia internacional foram contidos, mas não resolvidos”, declarou. Em 2014, a alta mundial será de 17%, sempre na condição de que a crise seja resolvida.

Sentados sobre US$ 6 trilhões, as multinacionais simplesmente fecharam suas torneiras em 2012, esperando uma definição política da crise do euro e aguardando dias melhores para a economia mundial. Com a hesitação das grandes empresas e uma queda na renda, países ricos registrara uma queda de 37% nos investimentos.

Segundo os dados da ONU, o fluxo de investimentos externos ao Brasil também caiu em comparação a 2011. Mas em apenas em 2% e bem inferior à média mundial. No total, o País recebeu US$ 65,3 bilhões neste ano, contra US$ 66 bilhões em 2011.

Apenas Estados Unidos, China e Hong Kong receberam mais investimentos que o Brasil em 2012. Em 2011, o Brasil havia sido o quinto colocado como maior destino de investimentos. Em 2010, a economia nacional ocupava a sétima posição.

Dois fatores que pesaram para a posição do Brasil. O primeiro seria o incentivo dado pelo governo, por meio de políticas industriais, que estão atraindo multinacionais. Outro fator que poderia ter pesado de forma positiva foi o esforço de empresas de saltar barreiras impostas pelo governo e conseguir um melhor acesso ao mercado doméstico nacional.

Com o resultado, o Brasil superou tradicionais destinos de investimentos, como França, Reino Unido, Alemanha e Japão.

Os resultados do Brasil ajudaram a criar uma nova realidade internacional. Segundo os dados, 52% dos fluxos de investimentos em 2012 foram direcionados aos emergentes.

A China continua sendo o segundo maior destino, recebendo em 2012 mais de US$ 120 bilhões. Se somado o investimento recebido pela China e por Hong Kong, a potência asiática teria recebido um volume maior de dinheiro que os Estados Unidos.

Queda

Mas se a situação entre os emergentes é relativamente estável , os dados nos países ricos mostram uma realidade considerada como preocupante pela ONU.

Com a redução global de 18%, os níveis totais de investimentos chegaram a apenas US$ 1,3 trilhão, próximo do ponto mais baixo dos últimos dez anos. Em 2009, o pior ano para a economia mundial desde 1929, os investimentos haviam somado apenas US$ 1,2 trilhão.

Só na Europa US$ 150 bilhões desapareceram nos investimentos, contra uma queda de US$ 80 bilhões nos EUA.

Na Alemanha, a entrada de investimentos caiu de US$ 40 bilhões para apenas US$ 1 bilhão. Na Itália, a redução foi de 84% nos investimentos, somando meros US$ 5 bilhões. O volume de investimentos que chegou na Itália é inferior ao Peru, Nigéria ou Tailândia.

Na Espanha, investimentos externos sofreram uma contração de 40%. Hoje, a economia espanhola já recebe menos capital que Indonésia ou México.

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Nos próximos dois anos, o número de pessoas sem trabalho no Brasil aumentará em 500 mil e a tendência de queda da taxa de desemprego registrada nos últimos anos será invertida. O alerta é da Organização Internacional do Trabalho que, hoje, publicou suas novas estimativas sobre o desemprego. O informe aponta para um aumento ainda maior do desemprego no mundo nos próximos cinco anos e revela que, depois de atingir os países ricos nos últimos anos, a crise agora chegará aos emergentes.

Desde 2007, 67 milhões de trabalhadores foram vítimas da crise mundial, principalmente nos países ricos. Hoje, 28 milhões de pessoas buscam trabalho. Outras 39 milhões já desistiram e abandonaram o mercado de trabalho nesse período. Para a entidade com sede em Genebra, os anos de blindagem dos mercados emergentes em relação à crise acabaram, pelo menos no que se refere aos empregos.

A taxa de desemprego no Brasil foi de 6,3% ao final de 2012, segundo os dados da OIT. Ela subirá para 6,5% em 2013 e, em 2014, atingirá a marca de 6,6%, a maior desde 2009 e acima da média mundial. Ao final de 2012, o País somava 6,5 milhões de desempregados. Neste ano, o número chegará a 6,9 milhões. Já em 2014, irá superar a marca de 7 millhões de brasileiros.

ANO            NÚMERO ABSOLUTO                         PERCENTUAL

2012           6.58 milhões de desempregados               6.3%

2013          6,89 milhões de desempregados                6.5%

2014           7,08 milhões de desempregados               6,6%

 

Tanto em números absolutos quanto em termos percentuais, os dados de 2014 ainda são inferiores aos de 2007. Mas o atual período marcaria, segundo os dados, uma virada. Os números da OIT sobre o Brasil são acompanhados por uma avaliação detalhada da situação latino-americana. A constatação é clara: as economias da região já não crescerão de forma suficiente para absorver a mão de obra até 2017.

VIRADA

Segundo a entidade, enquanto os países ricos sofreram com a crise nos últimos cinco ano, países latino-americanos mantiveram a expansão de suas economias graças aos preços de commodities e políticas anticíclicas que tiveram sucesso.

Agora, a OIT alerta que a região vai “sofrer com a desaceleração do comércio global e a queda nos preços de commodities”. As projeções da entidade apontam que a região crescerá menos que a média mundial nos próximos cinco ano e que isso terá um impacto no mercado de trabalho.

Depois de quatro anos de queda nos índices, a taxa de desemprego na América Latina irá voltar a aumentar nos próximos cinco anos, passando dos atuais 6,6% em 2012 para 6,7% em 2013 e chegando a 6,8% entre 2014 e 2017. Em uma década, a região terá somado 3 milhões a mais de desempregados que em 2007, com 21,6 milhões no total.

Ao contrário dos primeiros anos da crise quando o desemprego foi concentrado nos países ricos, a pressão começa a ser sentida nos mercados emergentes. “Subestimamos o impacto que a crise teria nos países emergentes”, declarou Guy Ryder, diretor da OIT.

Enquanto a taxa de desemprego sofrerá uma queda de 8,7% em 2013 para 8% em 2017 nos países ricos, as economias emergentes terão uma elevação de suas taxas, principalmente no Sudeste Asiático, no Sul da Ásia e na América Latina. A taxa média do desemprego no mundo, que era de 5,4% em 2007, chegou a 5,9% em 2012 chegará a 6% em 2013. Esse patamar não deve cair até pelo menos 2017.

DRAMA DA AUSTERIDADE

No total, a crise econômica mundial e as medidas de austeridade aplicadas por governos já fizeram 67 milhões de vítimas no mercado de trabalho. “O drama que se vive é de proporções enormes e esses números representam um risco real para a desestabilização social”, alertou Guy Ryder, diretor-geral da OIT. “As taxas que estamos vendo são inaceitáveis”, declarou.

Uma certa redução do desemprego havia sido registrada em 2011. Mas, com a retomada da crise em 2012 na Europa e a volta da recessão em muitas economias, 4,2 milhões a mais de pessoas perderam seus empregos. A número total chegou a 197 milhões de pessoas pelo mundo, 5,9% da mão de obra global. “A desaceleração na economia global foi significativa e isso teve um impacto severo no mercado de trabalho”, disse Ryder.

O que mais preocupa a OIT é que, até 2017, a situação não ficará melhor. A previsão é de que, em cinco anos, mais de 10 milhões de pessoas extras perderão seus trabalhos em todo o mundo.  No total, a década entre 2007 e 2017 verá uma acumulação de 41 milhões de pessoas a mais no mundo sem trabalho.

Em 2013, serão 5,1 milhões de demissões, além de outras 3 milhões em 2014. Em 2017, o número total de desempregados no mundo será de 210 milhões. “Estamos caminhando na direção errada”, completou Ryder.

 

 

Jamil Chade é correspodente do jornal O Estado de São Paulo na Europa desde 2000. Foi premiado como o melhor correspondente brasileiro no exterior em 2011, pela entidade Comunique-se. Com passagem por 67 países e mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Genebra, Chade foi presidente da Associação de Correspondentes Estrangeiros na Suíça entre 2003 e 2005 e tem dois livros publicados. « O Mundo Não é Plano » (2010) foi finalista do Prêmio Jabuti, categoria reportagem. Na Suíça, o livro venceu o prêmio Nicolas Bouvier. Em 2011, publicou “Rousseff”.

 

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Na edição de ontem, este blog antecipou com exclusividade a condenação de Paulo Maluf em Jersey e a decisão da corte de que suas empresas terão de devolver US$ 28,3 milhões aos cofres da prefeitura de São Paulo. O dinheiro teria sido desviado das obras da Avenida Águas Espraiadas.

Em resposta, a assessoria de imprensa de Maluf repetiu a frase que já entrará, em breve, para o Livro dos Recordes na categoria “declarações mais repetidas da história”. Maluf não tem, nunca teve contas no exterior.

Diante da insistência de sua assessoria em defender essa tese, faço questão de apresentar aos leitores a íntegra da decisão da corte e os comentários do juiz Howard Page, que redigiu a sentença.

Segundo o texto da sentença, os advogados de Maluf alegaram que os juros e multas não poderiam ser cobrados porque seu cliente apenas “reteve desonestamente os fundos”, mas “não os obteve por fraude”.

Confesso que, nesse ponto da leitura, fiquei confuso e surpreso: será que argumento do advogado em Jersey contradiz a frase do Livro dos Recordes….

Porque é que advogados em Jersey estariam falando textualmente no nome de Maluf e até reconhecendo que ele “reteve” o dinheiro, enquanto sua assessoria em São Paulo diz justamente que Maluf nunca teve contas no exterior….

Não é apenas quem escreve este blog que não entende. “Não há justificativa para fazer tal dedução”, contra-atacou o próprio juiz Page, em sua sentença.

Para o juiz, Maluf foi o “fraudador” e também o “arquiteto” do esquema. “O fraudador original não era apenas um fiduciário, mas também o arquiteto e beneficiário principal das estruturas que receberam e mantiveram os fundos em questão”, escreveu o juiz.

Confesso que Page rompeu um paradigma. Desde criança, escuto que o doutor Paulo é engenheiro. Agora, pelo menos em Jersey, ele é arquiteto. Mas, enfim, o importante é que ele continua construindo.

O corajoso juiz vai além e, segundo ele, Maluf “sabia desde o começo que os fundos que recebia eram resultado de fraude e não precisa de ninguém para dizer que ele não tinha qualquer direito de retê-lo”. Segundo a própria decisão, “eles (Maluf e seu filho Flávio) foram receptores de fundos que sabiam perfeitamente que eram resultado de fraude”.

Outra surpresa: segundo a sentença, os advogados de Maluf “aceitaram que seus clientes precisam pagar os custos” do processo. Seria essa mais uma contradição em relação à frase do Livro dos Recordes…

O que os advogados se recusavam a pagar eram os custos de indenização. A corte, uma vez mais, optou por sair em defesa da prefeitura. “A verdade é que a ação exigiu que um órgão público fosse obrigado a gastar um volume enorme de tempo, dinheiro e recursos humanos para recuperar fundos que lhe foi fraudado de alguém que recebeu e reteve os fundos sabendo perfeitamente bem de sua origem”, apontou o juiz.

A corte concluiu, baseada na jurisprudência local, que tinha sim o direito de cobrar. “É difícil pensar em um caso em que conceder a indenização não seria mais justificável”, completou Howard Page.

Enfim, o caso ainda não acabou. Há um recurso que tramita em Jersey. Mas confesso que, pela leitura da sentença que coloco no ar, só posso concluir que existe um grande mal-entendido: ou a assessoria de Maluf não foi informada do caso em Jersey ou os advogados na ilha no Canal da Mancha estão falando de algum outro Paulo Maluf, o que sempre é uma possibilidade.

Eis o original da sentença.

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