No Dia Internacional da Liberdade de Expressão, blogueira fala ao Estado sobre sua viagem ao Brasil, sobre o futuro de Cuba, sobre Chávez e sobre seus projetos pessoais.
GENEBRA – A presidente Dilma Rousseff está “brincando com fogo” sobre a situação em Cuba e Havana estaria usando a disposição do Brasil para dialogar para adiar qualquer tipo de reforma mais significativa em seu regime. O alerta é da ativista e blogueira, Yoani Sanchez. Em entrevista a este blog durante sua passagem por Genebra às vésperas do Dia Internacional da Liberdade de Expessão, a dissidente cubana revelou que ficou surpreendida com a violência das ações contra ela durante sua passagem pelo Brasil, há um mês. Mas acredita que a ação foi organizada pela prórpria embaixada cubana em Brasília e insiste que as “intimidações” não vão conseguir que ela abandone seu questionamento sobre o regime. Eis os principais trechos da entrevista:
P – Como a sra avalia a posição do governo brasileiro em relação à Cuba…
Yoani Sánchez - Dilma está brincando com fogo com Havana. O governo brasileiro está fazendo uma aposta de que o regime quer mudar. E, normalmente, o governo de Havana usa muito bem isso a seu favor. Ela acha que pode reformar o sistema por dentro, influenciar. Mas vai ser enganada. O governo vai usar isso para se manter. É ainda assim útil ter países com essa visão do Brasil. Mas acredito que não terá resultado.
P – Durante a passagem da sra pelo Brasil, vimos vários protestos contra a sra. Como avalia isso…
Yoani Sánchez – Não ocorreu apenas no Brasil e foram sempre organizadas pela embaixada cubana nos países em que estive. Eu optei por ir ao Brasil primeiro e sabia que não seria o mais fácil. Mas não queria ir para os EUA. Isso daria margem para que me dissessem que, assim que pude, fui justamente ao colo dos americanos. No Brasil, alguns casos chegaram a ser violentos, até puxando meu cabelo, com ofensas. A embaixada cubana inclusive entregou um dossiê sobre minha pessoa a vários grupos, inclusive a funcionários do governo brasileiro. Mas acredito que eles mesmos viram que não funcionou e até tiveram de mudar de estrategia. Posso confirmar, porém, que em certos momentos foi muito difícil. Mas decidi continuar e vou até o final.
P – E qual o resultado que a sra acredita que teve sua viagem ao Brasil…
Yoani Sánchez – Acredito que ajudou a entender o que é que vivemos em Cuba e o povo brasileiro talvez saiba mais hoje. A realidade é que, nos dias que passei pelo Brasil, meus seguidores no Twitter aumentaram em 38 mil. Quero muito voltar ao Brasil e espero que isso possa ocorrer logo.
P – A sra. se dispôs a viajar por 80 dias pelo mundo. Porque acredita que o governo cubano a deixou sair…
Yoani Sánchez – Não acredito que a palavra “deixar” é a correta. Eles não tinham opção. Eu fiz um pedido para sair em 20 ocasiões durante cinco anos. Quando a reforma de imigração foi anunciada, eu fui a primeira a aparecer para pedir um passaporte. Eles não tinham opção. Era a credibilidade da reforma que estava sendo testada. Acho que calcularam o seguinte: essa mulher é o termômetro de nossa reforma. Se não deixarmos ela sair, vão nos questionar se a reforma é real. Mas acho também que calcularam outra coisa: desprestigiariam meu nome por onde eu fosse e iriam me intimidar.
P – Enquanto a sra. esteve fora, Hugo Chavez morreu. Como a sra avalia o impacto de sua morte para as autoridades de Cuba…
Yoani Sánchez - Não existe chavismo sem Chavez e não existirá o castrismo sem os Castros.
P – Mas Nicolas Maduro não venceu…
Yoani Sánchez - Maduro pode fazer sobreviver as ideias de Caracas por algum tempo. Mas não será para sempre e isso preocupa as pessoas em Havana. Até agora, o que tem mantido o sistema são os subsídios venezuelanos. As autoridades estão muito preocupadas, pois sabem que Nicolas Maduro tem uma pressão forte para reduzir sua ajuda à Havana e ajudar a economia venezuelana. Havana está fazendo muita pressão sobre Maduro para que não desmonte o sistema de ajuda. Mas eu tenho a impressão de que Maduro terá de optar entre ajudar Cuba e garantir sua própria economia e isso assusta Havana.
P – As reformas adotadas por Raul Castro podem levar a uma melhoria do sistema…
Yoani Sánchez - A reforma não irá melhorar o sistema. O que ocorrerá é que essa reforma vai derrubar o regime. O sistema cubano é como uma casa na Havana Velha que, apesar de estar caindo aos pedaços, está se aguentando. Um dia, o proprietário decide mudar de porta e tirar um parafuso. Nesse momento, a casa cai. Isso é o que vai ocorrer com as reformas e o sistema.
P – Qual seria o impacto de uma reforma política em Cuba para a América Latina…
Yoani Sánchez – O que ocorrer com a reforma política em Cuba definirá o destino da América Latina por cerca de cem anos. Se ela ocorrer e passarmos para uma democracia, vários movimentos na América Latina vão perder força. É verdade que os cubanos se consideram o umbigo do mundo. Mas, realisticamente, se a transição política fracassar e o regime for mantido, temo por uma onda de regimes populistas por anos. Mas essa transição também depende da ação da comunidade internacional. Não digo uma intervenção. Ela terá de ocorrer de dentro mesmo de Cuba. Mas a comunidade internacional terá de estar preparada para, no dia seguinte, estar lá para nos ajudar. Vamos precisar de linhas de crédito e muito mais.
P – A sra. se ve ocupando um cargo político numa Cuba sob um novo sistema…
Yoani Sánchez – Não. Dizem isso para mim. Mas na minha vida sempre tomei um caminho diferente. Quero ter um jornal.
P –O que poderia acelerar a transição…
Yoani Sánchez – O fim de embargo americano e a chegada de tecnologia. Já hoje estamos vendo que a tecnologia está gerando uma ruptura do monopólio informativo do governo e sabemos o que isso significa. Há muita informação clandestina circulando por Cuba. Bairros se organizam e uma família tem uma antena parabolica escondida em um tanque de água. De la, cerca de 300 famílias podem captar o sinal e pagam uma taxa por mês. Hoje, vemos séries americanas, novelas brasileiras, CNN e todo o tipo de informação que seria oficialmente proibido.
P – Como a sra acredita que será recebida de volta em Cuba, depois de fazer tanto barulho pelo mundo…
Yoani Sánchez – Haverá um fusilamento midiático. O governo te lincha na televisão, te acusa publicamente dos piores delitos. Mas o segredo é manter a cabeça fria. Inclusive, eles usam até isso contra mim, dizendo que essa reação de calma que tenho é uma prova que fui treinada pela CIA. Fui sequestrada em quatro ocasiões. A tortura psicológica a qual fui submetida não tem palavras. Tive de tirar minha roupa e ameçaram me entregar a dois homens. Também me disseram que, se meu filho andasse de bicicleta, ele deveria ter cuidado, pois há muito acidente de trânsito.
O brasileiro João Havelange, considerado por anos como o cartola mais poderoso do mundo, renunciou a seu cargo de presidente de honra da Fifa por conta dos escandalos de corrupção e as propinas que recebeu por anos.
A informação faz parte de um informe que trata das investigações sobre corrupção na Fifa e que acaba de ser publicado na manhã de hoje na Suíça.
A investigação confirmou que Havelange recebeu milhões de dólares em propinas. Mas o comitê de ética da Fifa informa que, como o brasileiro renunciou de seu cargo há dez dias, não há como punir o cartola.
A renúncia foi feito em silêncio e não foi comunicada nem pela Fifa e nem pelo próprio cartola aos jornalistas de todo o mundo.
O informe confirma que Havelange teria recebido milhões de dólares entre 1992 e 2000 da ISL, em propinas relacionadas a venda de direitos de transmissão para a Copa de 2002 e 2006.
Ele já renunciou de seu cargo no COI, também pelo mesmo motivo. Agora, abandona a Fifa, em um final melancólico.
Apesar da queda, Havelange não será punido e a saída foi justamente uma forma de evitar ser expulso. A decisão de renunciar encerra o caso e dispensa a necessidade de que a entidade tenha de votar em maio a decisão de expulsa-lo ou não.
A renúncia ainda deve aumentar a pressão para que os cartolas brasileiros evitem usar o nome de Havelange no estádio que servirá para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.
Há um ano, a Fifa anunciou com pompa que iria investigar as suspeitas de que João Havelange, Ricardo Teixeira e o paraguaio Nicolas Leoz haviam recebido propinas milionárias da ISL, a empresa de marketing da Fifa.
A entidade criou um comitê de ética e, hoje, um informe realizado a partir das “investigações” chegou às suas conclusões.
A Fifa admite que Havelange e Teixeira, além de Leoz, receberam propinas e que isso foi um ato ilegal.
Mas, depois de meses de supostas investigações, a conclusão é de que, como nenhum desses cartolas fazem mais parte do mundo do futebol, o comitê aponta que não há porque tomar mais qualquer tipo de medida punitiva contra essas pessoas.
Havelange renunciou ao cargo de membro do COI antes de sair o resultado da investigação, Teixeira abandonou a CBF e, justamente na semana passada, Leoz anunciou que por motivos de saúde, estava se retirando da Conmebol.
A pizza, porém, vai além. O comitê, supostamente independente, concluiu que Joseph Blatter, que foi o braço direito de Havelange, não fez nada de errado e que está limpo.
O caso, portanto, se encerra. E só serviu para revelar que a suposta reforma da Fifa foi e é uma grande farsa.
A independência do órgão de ética é mais que questionável. Hoje, foi justamente o serviço de imprensa da Fifa que encaminhou o informe final aos jornalistas e, menos de dez minutos depois, no mesmo email, enviava ao jornalistas de todo o mundo comentários de Blatter, dizendo-se satisfeito pela conclusão dos trabalhos e, principalmente, porque foi declarado como limpo.
Na Suíça, a pizza também existe.
Entidade será comandada por um latino-americano. Concorrente do brasileiro é um mexicano
GENEBRA – Pela primeira vez, um candidato brasileiro vai à final na disputa pelo cargo de diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC). Na tarde de hoje, a entidade anunciou o resultado da segunda rodada de votações e que colocou na final o embaixador brasileiro Roberto Azevedo e o mexicano Hermínio Blanco. Os dois foram os que mais receberam votos.
A disputa, agora, não será apenas entre dois nomes. Mas uma escolha entre duas visões de comércio exterior e, acima de tudo, uma disputa pela hegemonia comercial na América Latina.
O processo começou no início do ano com nove candidatos. Até hoje, cinco ainda estavam no páreo. Mas um neozelandês, um sul-coreano e uma indonésia acabaram sendo eliminados por terem o menor número de votos.
Seja qual for o resultado da eleição, a realidade é que, pela primeira vez, uma das três organizações que formam o pilar da gestão da economia mundial – FMI, Banco Mundial e a OMC – será dirigida por um latino-americano. Mas Azevedo e Blanco representam visões diferentes tanto da região quanto do papel do comércio no desenvolvimento.
O processo final da escolha começa na semana que vem e o eleito tomará posse em setembro, substituindo à Pascal Lamy.
Azevedo teria o apoio de diversos países africanos e dos Brics. Já Herminio Blanco é favorito dos EUA e deve ter um amplo apoio dos países desenvolvidos.
GENEBRA – A ONU elogiou hoje a condenação de 23 policiais que participaram em 1992 no massacre de 111 presos no Carandiru, em São Paulo. Mas afirma estar “preocupada” com a possibiidade de que os responsáveis sejam absolvidos. Outro alerta: prisioneiros no Brasil continuam vivendo uma situação “terrível” e o governo brasileiro precisa dar uma solução para os 500 mil detentos no País que vivem em condições de violações de seus direitos humanos por conta da situação das priões.
Em uma rara declaração sobre a situação dos direitos humanos no Brasil, o Escritório da Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, deixou claro que vinha acompanhando o caso. “Depois de mais de duas décadas de impunidade em um dos incidentes de violência mais brutais em uma prisão, elogiamos as autoridades brasileiras por fazer justiça a algumas das vítimas do Carandiru e seguiremos de perto a continuação dos julgamentos dos outros acusados”, disse em Genebra a porta-voz do organismo, Cécile Pouilly.
A porta-voz insistiu que, até a semana passada, apenas uma pessoa havia sido condenada, em 2001, mas que acabou absolvido em 2006. O acusado era o coronel Ubiratan Guimarães.
Durante a coletiva de imprensa, a porta-voz foi questionada sobre a possibilidade de uma nova decisão que acabe absolvendo os policiais. Cecile admitiu que a condenação pode ficar sem efeito, diante de uma eventual apelação por parte dos envolvidos. “Isso certamente nos preocupa, e por isso ressaltamos que acompanharemos os próximos julgamentos e seus resultados”, declarou.
A ONU alertou também sobre o fato de que a Justiça no Brasil demorou mais de 20 anos para avaliar os crimes e tomar uma decisão. Mas, ainda assim, considerou que a decisão foi positiva. “Estamos satisfeitos de ver que, finalmente, não há mais impunidade para esses crimes”, disse. “Vemos situações muito difíceis no mundo e que, infelizmente, em algumas ocasiões a justiça leva tempo, mas achamos que [o caso do Brasil] é um fato positivo”, enfatizou.
Prisões – Apesar dos elogios, a ONU fez questão de ressaltar que a situação das prisões brasileiras é ainda alvo de questionamento internacional por conta das violações de direitos humanos que são registradas.
“Pedimos que o Brasil resolva, com caráter de urgência, a terrível situação nas prisões de cerca de meio milhão de pessoas detidas”, alerta Cecile.
Em declarações nesta manhã em Bruxelas, porta-vozes da Comissão Europeia “tomaram nota” dos resultados eleitorais na Venezuela, mas alertaram que, se houver uma recontagem de votos, ela terá de ser transparente e rápida.
“Tomamos nota do anúncio do Comitê Nacional Eleitoral da vitória do senhor Nicolas Maduro nas eleições presidenciais de ontem”, indicou Maja Kocijancic, porta-voz da Alta Representante de Política Exterior da UE, Catherine Asthon. “A elevada participação de votantes demonstra o compromisso com a democracia do povo venezuelano”, insisitiu.
Mas os europeus alertam que “é importante que o resultado das eleições seja aceito por todas as partes” e também “toma nota do pedido de Henrique Capriles Radonski, de que haja uma recontagem manual dos votos.
“Se o Comitê Nacional Eleitoral decide realizar uma recontagem, confiamos que o fará de forma rápida e em plena transparência, especialmente tendo vistas da “margem extremadamente pequena” da vitoria de Maduro.
Maja apontou ainda que, nas eleições em 2012, a UE já havia pedido que o governo eleito considerasse ampliar suas políticas para abarcar a “toda a sociedade venezuelana para reforçar as instituições do país, além de liberdades fundamentais, a inclusão e o desenvolvimento sustentavel”.
Bancos suíços suspeitam que Paulo Maluf continuaria lavando dinheiro e bloqueiam transação de sua empresa, a Eucatex, em Zurique. O UBS em Zurique alertou à COAF no Brasil sobre “possíveis atividades suspeitas” na tentativa da Eucatex de transferir a uma empresa uruguaia R$ 47 milhões no final de 2012. A movimentação foi considerada pela Justiça paulista como um sinal suspeito de que Maluf continuaria a usar a Eucatex como veículo para lavagem de dinheiro. O UBS se recusou a autorizar a transferência.
Ontem, o banco Itaú – que representa o UBS no Brasil – foi intimado a executar a ordem da Justiça de São Paulo de bloquear os bens até o limite de R$ 519,7 milhões da Eucatex S.A. Indústria e Comércio. O valor corresponderia ao que teria sido desviado pelo ex-prefeito da capital paulista e deputado Paulo Maluf (PP) e serviria para ressarcir os cofres públicos por causa de dinheiro supostamente desviado da Prefeitura. A decisão é da juíza Celina Kiyomi Toyoshima, da 4.ª Vara da Fazenda Pública.
A liminar havia sido pedida pelo promotor Silvio Antônio Marques, da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público.
Segundo o Estado apurou, a nova suspeita na Suíça sobre Maluf foi registrada no dia 19 de fevereiro deste ano, quando o Conselho de Controle de Atividades Financeiras comunicou a tentativa da Eucatex de transferir ações de sua emissão do banco UBS à empresa uruguaia Cuznar. O banco envolvido na negociação, o Finter Bank de Zurique, se negou a revelar quem seria o dono dos valores mobiliários.
O alerta foi passado ao COAF pelo Itaú, banco que representa o UBS no Brasil. O banco brasileiro informou que, no dia 6 de outubro de 2012, o Finter Bank pediu ao UBS em Zurique fazer a transação de R$ 47 milhões da Eucatex aos uruguaios.
O UBS, em diversas ocasiões desde então, solicitou ao Finter Bank informações sobre quem seriam os propritários das ações. Cinco meses depois, o UBS ainda não tinha recebido as informações e o único dado repassado ao maior banco suíço foi que a pessoa envolvida era classificada no país como PEP – sigla para Politically Exposed People (Pessoas Politicamente Expostas). Sim informações, o UBS decidiu bloquear a transação até que ficasse esclarecida sua natureza.
Coube então ao Itaú, com base em cartas assinadas pelos executivos do UBS, Stephan de Boni e Oliver Barcholet, comunicar às autoridades brasileiras do fato.
Para a Justiça paulista, a mudança de custodiante das ações pela Eucatex foi uma prática que Maluf se utilizou em diversas ocasições nos últimos dez anos. Isso envolveu transações de até US$ 74 milhões em 2001 no mesmo Finter Bank de Zurique, além do uso da Durant Int, empresas que, em Jersey, já foi identificada como um dos veículos de Maluf para depositar dinheiro fruto de corrupção.
Chega ao final o processo envolvendo as contas de Paulo Maluf na ilha de Jersey, depois de treze anos de investigaçoes, carta rogatòrias e disputas legais. Ontem, a corte de apelaçao do Tribunal de Jersey informou às partes uma decisao final sobre o destino do dinheiro do ex-prefeito e rejeitou o recurso apresentado pelas empresas de Maluf. Agora, o dinheiro desviado poderá seguir aos caixas da prefeitura de São Paulo e deve ser depositado até junho.
OMC CORTA DE FORMA DRÁSTICA PREVISÃO DE CRESCIMENTO DO COMÉRCIO MUNDIAL EM 2013
GENEBRA – As exportações e importações brasileiras desabam, tem um desempenho em 2012 bem abaixo da média mundial e o País reduz sua participação no comércio mundial. Dados divulgados hoje pela Organização Mundial do Comércio revelam que, por conta da crise europeia, as vendas brasileiras ao mundo sofreram uma contração de 5% no ano passado, resultado bem pior que o dos demais emergentes e do resto do mundo.
O protecionismo brasileiro e a desaceleração do crescimento também tiveram sua repercussão: as importações ao País despencaram a níveis bem mais profundos que dos demais emergentes e o País caiu no ranking dos maiores importadores.
No geral, a OMC apresentou uma drástica revisão para baixo das perspectivas de crescimento do comércio em 2013, em mais um sinal claro da dificuldade da economia mundial em sair de sua crise. A contração do PIB na Europa, a maior importadora do mundo, afetou a todos e continuará a impactar os exportadores nos próximos dois anos.
Com US$ 257 bilhões em vendas, o Brasil se manteve na 22ª posição entre os maiores exportadores mundial, com meros 1,3% do comércio mundial em 2012. Mas, em 2011, o Brasil representava 1,4% das exportações do mundo.
No ano, o Brasil caiu em 5% em vendas, contra uma média mundial se mantendo estabilizada. O resultado de 2012 se contrasta com a expansão dos últimos anos. A média entre 2005 e 2012 foi de um crescimento de 11% em valores nas vendas nacionais, bem acima da média mundial de apenas 8%. Em 2010, as vendas subiram em 32%, contra 27% de expansão em 2011. Agora, o ano registro uma contração.
Em volumes, as vendas nacionais tiveram um crescimento de 3,1% em 2011. Mas, em 2012, enquanto o mundo cresceu em 2%, o Brasil sofreu uma contração de 1,3%, numa prova que a balança comercial nacional dependia dos preços das commodities e que acabaram caindo.
Para Coleman Nee, economista da OMC, o resultado no Brasil tem uma relação direta com a crise na Europa e seu impacto na China. “O motor da contração tem sido a Europa, afetando não apenas aqueles países que vendem para o mercado europeu, mas também aqueles que vendem matérias primas para a China que, por sua vez, exportam produtos acabados para a Europa”, disse. O Brasil seria um desses casos.
Protecionismo – O Brasil também teve um resultado nas importações abaixo da média mundial. Se o resultado global foi uma estagnação, as importações do Brasil registraram uma contração de 2% em valores.
Em volume, a contração no Brasil foi de 2,1%.Em média, os países emergentes tiveram uma expansão em importações de 4,6%.Questionado se o protecionismo brasileiro contribuiu para esse resultado, Nee apenas disse: “certamente essas medidas não ajudaram a aumentar o comércio”.
O resultado acabou fazendo o Brasil perdeu uma posição no ranking dos maiores importadores, caindo da 21ª para a 22ª posição mundial.
Estagnados – Para o restante do mundo, a OMC apresentou previsões dramáticas para 2013. No ano passado, a entidade havia alertado para um crescimento de apenas 4,5% no comércio mundial em 2013, abaixo da média dos últimos 7 anos de 8%. A previsão foi reduzida no final do ano para 3,7%.
Agora, com a situação na Europa se deteriorando rapidamente e a dificuldade de países emergentes em compensar pela recessão nos países ricos, a nova previsão aponta para um aumento do comércio de meros 3,3% em valores. Em volume, o comércio mundial não cresceu.
Os resultados de 2012 também foram revistos para baixo. Em setembro, a OMC havia indicado que a expansão havia sido de 2,5%. Agora, o resultado final foi um crescimento de apenas 2%.
Outra constatação é o distanciamento cada vez maior da China como maior exportadora do mundo, mesmo diante da crise na Europa. Em 2012, Pequim terminou com 11,2% das vendas mundiais, mais de um ponto percentual a mais que em 2011, com US$ 2 trilhões. Em 2012, as vendas subiram em 8%.
O segundo lugar ficou com os EUA, com 8,4% das exportações mundiais, seguido pela Alemanha, com 7,7% das vendas no mundo.
2013
2012
2011
2010
2009
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