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Jamil Chade

Thomas Bach, um dos principais dirigentes do COI e amplo favorito para ser o próprio presidente do movimento olímpico em setembro, insinua que os organizadores dos jogos olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro não deverão usar o nome “João Havelange” no estádio olímpicos que sediará o evento.

Pelos planos, o Engenhão seria usado em 2016 como estádio olímpico. Seu nome oficial, porém, é “Estádio João Havelange”, o que tem gerado duras críticas no exterior por conta das revelações sobre o ex-cartola brasileiro.

Havelange abandonou o COI há um ano, uma semana antes de a organização tornar pública uma investigação sobre sua atuação como presidente da Fifa e o fato de ter recebido R$ 40 milhões em propinas durante anos. Há uma semana, a própria Fifa admitiu em um documento oficial que Havelange recebeu os pagamentos ilegais e fraudou a entidade.

O brasileiro, também para evitar punição e continuar recebendo sua aposentadoria, renunciou de seu cargo de presidente de honra da Fifa dez dias antes do anúncio de sua corrupção, em um final melancólico.

Agora, uma das últimas homenagens ao cartola também poderá acabar. Hoje, Bach lançou oficialmente sua candidatura para liderar o COI, em eleições que ocorrem em quatro meses.

Questionado pelo Estado sobre o que ele achava de o Engenhão levar seu nome oficial em homenagem ao ex-presidente da Fifa, Bach lançou seu desafio aos organizadores do evento no Rio de Janeiro.

“Vamos continuar com a política que temos no COI de tolerância zero em relação à corrupção”, disse. “Isso é algo positivo para a credibilidade dos Jogos Olímpicos”, disse.

Diante da primeira resposta vaga, o Estado voltou a perguntar: “mas o sr. se sentiria confortável em ver o seu evento em 2016 em um estádio com o nome Havelange ou não”.

Bach foi então mais claro. “Eu já dei minha resposta e acho que você pode tirar sua conclusão disso”, declarou. “Por enquanto, não existe um estádio olímpico. Ele só existirá em 2016 e espero que os organizadores respeitem as exigências éticas estabelecidas pelo COI”, completou.

 

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Bancos suíços suspeitam que Paulo Maluf continuaria lavando dinheiro e bloqueiam transação de sua empresa, a Eucatex, em Zurique. O UBS em Zurique alertou à COAF no Brasil sobre “possíveis atividades suspeitas” na tentativa da Eucatex de transferir a uma empresa uruguaia R$ 47 milhões no final de 2012. A movimentação foi considerada pela Justiça paulista como um sinal suspeito de que Maluf continuaria a usar a Eucatex como veículo para lavagem de dinheiro. O UBS se recusou a autorizar a transferência.

 

Ontem, o banco Itaú – que representa o UBS no Brasil – foi intimado a executar a ordem da Justiça de São Paulo de bloquear os bens até o limite de R$ 519,7 milhões da Eucatex S.A. Indústria e Comércio. O valor corresponderia ao que teria sido desviado pelo ex-prefeito da capital paulista e deputado Paulo Maluf (PP) e serviria para ressarcir os cofres públicos por causa de dinheiro supostamente desviado da Prefeitura. A decisão é da juíza Celina Kiyomi Toyoshima, da 4.ª Vara da Fazenda Pública.

 

A liminar havia sido pedida pelo promotor Silvio Antônio Marques, da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público.

 

Segundo o Estado apurou, a nova suspeita na Suíça sobre Maluf foi registrada no dia 19 de fevereiro deste ano, quando o Conselho de Controle de Atividades Financeiras comunicou a tentativa da Eucatex de transferir ações de sua emissão do banco UBS à empresa uruguaia Cuznar. O banco envolvido na negociação, o Finter Bank de Zurique, se negou a revelar quem seria o dono dos valores mobiliários.

 

O alerta foi passado ao COAF pelo Itaú, banco que representa o UBS no Brasil. O banco brasileiro informou que, no dia 6 de outubro de 2012, o Finter Bank pediu ao UBS em Zurique fazer a transação de R$ 47 milhões da Eucatex aos uruguaios.

 

O UBS, em diversas ocasiões desde então, solicitou ao Finter Bank informações sobre quem seriam os propritários das ações. Cinco meses depois, o UBS ainda não tinha recebido as informações e o único dado repassado ao maior banco suíço foi que a pessoa envolvida era classificada no país como PEP – sigla para Politically Exposed People (Pessoas Politicamente Expostas). Sim informações, o UBS decidiu bloquear a transação até que ficasse esclarecida sua natureza.

 

Coube então ao Itaú, com base em cartas assinadas pelos executivos do UBS, Stephan de Boni e Oliver Barcholet, comunicar às autoridades brasileiras do fato.

 

Para a Justiça paulista, a mudança de custodiante das ações pela Eucatex foi uma prática que Maluf se utilizou em diversas ocasições nos últimos dez anos. Isso envolveu transações de até US$ 74 milhões em 2001 no mesmo Finter Bank de Zurique, além do uso da Durant Int, empresas que, em Jersey, já foi identificada como um dos veículos de Maluf para depositar dinheiro fruto de corrupção.

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Depois de 18 anos de pesquisas e quase US$ 2 bilhoes em investimentos, pesquisadores estao à beira de revelar o que de fato consiste a matéria escura que, no fundo, da a estrutura do universo.

Em um evento no Cern, em Genebra, cientistas revelaram nesta quarta-feira o que chamam de um “um novo fenomeno físico” detectado a partir de um instrumento colocado na Estaçao Espacial Internacional, o AMS. O instrumento teria registrado uma abundância nao explicada de partículas de alta energia. Cientistas acreditam que isso poderia ser um indício da matéria escura.

Apesar da descoberta, os pesquisadores insistem que ainda nao podem dizer com 100% de certeza de que essa seja a resposta para a busca de décadas no mundo pela matéria escura.

Para ter uma resposta definitiva, os cientistas ainda pedem mais alguns meses. “Nos próximos meses, AMS nos dirá de forma conclusiva se os sinais que estamos recebendo é da matéria escura ou se é algo de outra origem”, afirmou Samuel Ting, líder da pesquisa.

“Precisamos de mais tempo. Levamos quase 18 anos para chegar ao que atingimos hoje”, declarou  Ting. “Esse é o primeiro experimento a chegar a esse resultado com tal precisao. Mas vamos com calma. Queremos resultados exatos”, disse, lembrando que o detector vai permanecer na Estaçao Espacial por mais 20 anos.

Ainda assim, os resultados nao deixaram de criar entusiasmo entre os físicos. Pauline Gagnon, uma das principais cientistas do Cern, insistiu os novos dados apontam que o AMS poderia “em breve” apresentar provas da matéria escura. “Seria o mesmo que descobrir um novo continente. Abriria as portas para um novo mundo”, disse.

Nao por acaso, o detector na Estaçao Espacial é apenas parte da corrida mundial pela identificaçao da matéria. Outro esforço está ocorrendo no subsolo, no acelerador de partículas entre a Suíça e a França e que já custou US$ 10,5 bilhoes e envolveu 10 mil pesquisadores. Nesse caso, a tentativa é de que a aceleraçao de partículas gere uma energia equivalente à explosao do Big Bang para que as propriedades da matéria escura sejam reconstituídas.

 

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Seja qual for o resultado da investigação e do processo contra Oscar Pistorius, a realidade é que sua carreira está seriamente ameaçada. O atleta sul-africano entrou para a história ao se tornar o primeiro homem a competir nos Jogos Olímpicos com suas duas pernas amputadas. Mas, em entrevista a este reporter durante o evento na Inglaterra em meados de 2012, ele deixou claro que não queria parar por ai.

Sua meta era convencer o mundo de que ele deveria ser tratado como um atleta como qualquer outro e alertou à reportagem do Estado que chegaria ao pico de seu desempenho no Rio de Janeiro em 2016.

“Só por estar aqui já atingi meu objetivo”, disse. “Mas agora o que quero é chegar até as semi-finais (em Londres) e depois ir ao Rio em quatro anos e tentar chegar até a final”, declarou na época.

Pistorius teve suas duas pernas amputadas quando ainda tinha onze meses de idade. A recomendação dos médicos era de que a operação fosse realizada antes de que ele aprendesse a andar, para reduzir o trauma.

“Tive uma infância muito normal. Nunca vi diferença entre deficiência e habilidade”, comenta o atleta. “Minha mãe gritava pela manhã antes da escola ao meu irmão: ‘coloque o sapato’ e para mim ‘coloque a prótese’e não se fala mais nisso”, contou. Foi dela que Pistorius levou parte de sua força. “Ela me dizia que os perdedores eram aqueles que não participam. Não aqueles que ficam por último”, disse.

Nos anos que se seguiram, o sul-africano levaria esse ensinamento ao pé da letra. Esteve envolvido em vários esportes e, em 2003, sofreu um acidente jogando rugby. “Ao cair, lembro que alguns país gritavam: não seja mole. Levante”, relembra. Mas a realidade é que teve de buscar um novo esporte.

Os médicos sugeriram atletismo e, três semanas depois de começar a treinar, se deu conta que já havia quebrado o recorde paraolimpico. Sete meses depois, ganharia sua primeira medalha de ouro nos Jogos Paraolimpicos de Atenas em 2004. Em 2008, em Pequim, deixaria os Jogos Paraolímpicos com três ouros.

Mas, junto com a sensação que gerou pelo circuito, o sul-africano foi cercado por suspeitas e ataques. Pressionada por alguns atletas e treinadores, a Federação Internacional de Atlestimo o proibiu de competir entre os atletas sem problemas físicos. Mesmo Michael Johnson o atacou, alertando que o uso da prótese daria uma vantagem injusta em comparação aos demais atletas.

O caso chegou ao Tribunal Arbitral dos Esportes que, após ampla investigação, chegou que o sul-africano poderia competir, sob a condição de que utilizasse apenas a prótese que já dispõe, e não outras mais velozes ou mais leves.

“Essa prótese existe desde 1996 e outros atletas já a usavam. Se era uma vantagem, porque é que outros não conseguem fazer o mesmo tempo que eu”, questionou, lembrando que 70% dos atletas nos Jogos Paraolímpicos usam o mesmo instrumento. “Alguns dizem que tenho vantagem por ter menos peso na perna e há um monte de teorias. Mas, se ela fosse tão incrível, como é que outros não teriam chegado ao mesmo resultado”, insistu. “A verdade é que não há vantagens. Preciso usar meu corpo como qualquer um, tenho de me sacrificar, de me preprar. Para fazer 400 metros, tenho que trabalhar duro”, disse.

Bem-humorado, o sul-africano só fechou a cara na entrevista quando o debate era a discriminação que sofreu dentro da própria delegação de seu país, no Campeonato Mundial de 2011. No revezamento de 400 metros, Pistorius classificou a África do Sul para a final. Mas foi retirado da prova por seu técnico e viu do banco sua seleção ganhar a medalha de prata. “Eu era o mais rápido. Nunca vou entender. Era a minha corrida. E alguem precisa ser responsabilizado por isso um dia”, declarou.

“Quero ir para o Rio em 2016. Será lá que estarei no pico de minha condição”, afirmou. “Já estou ansioso por ir ao Brasil. Estarei com 29 anos e acredito que estarei melhor. Tenho muito trabalho para fazer até lá. Mas adoraria concorrer por uma vaga na final contra os melhores atletas do mundo nos 400 metros”, disse.

“Londres já está fazendo um grande trabalho ao sediar os Jogos. Mas estou certo de que Rio estará à altura e estará pronto para um evento muito colorido em 2016”, completou.

 

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Caberá ao brasileiro dom Odilo Pedro Scherer uma das tarefas mais delicadas no próximo pontificado: vigiar a atuação do Banco do Vaticano. Hoje, a Igreja anunciou que ele vai manter seu cargo como um dos membros da Comissão Cardinalícia de Vigilância, que irá justamente avaliar as denúncias de corrupção e desvios de dinheiro no Banco do Vaticano. A Igreja amplia ainda mais as polêmicas ao reconfirmar também o cardeal Tarcísio Bertone como presidente da Comissão.

Nesta semana, a Igreja abriu uma nova polêmica ao anunciar o novo CEO da Instituição de Obras Religiosas, o nome oficial do banco. Isso porque o escolhido é acionista de um estaleiro que produziu navios de guerra, inclusive fornecendo no passado ao governo de Adolf Hitler.

O cargo estava vago porque, em maio, o banqueiro Ettore Gotti Tedeschi, um amigo pessoal do papa, foi sumariamente demitido. Na época, o Vaticano deu a entender que o banqueiro estava relacionado com o vazamento dos documentos roubados pelo mordomo do papa e que revelavam a corrupção na Igreja.
Mas, poucos dias depois, a polícia italiana encontrou em sua casa uma carta que era para ser lida caso ele fosse assassinado. Durante seus três anos no comando dos cofres do Vaticano, ele teria descoberto que as contas eram usadas para a lavagem de dinheiro e mesmo crime.

A pressa na nomeação de seu sucessor fez despertar suspeitas de que não teria sido nem mesmo o papa quem o nomeou, e sim o cardeal Tarcísio Bertone, protagonista da disputa interna. Fontes no Vaticano sustentam a tese de que, com a nomeação, o italiano teria garantido um aliado seu no cargo, antes da chegada de um novo papa. Agora, Bertone garante que ele mesmo vai continuar a fiscalizar o banco. “Ao fazer a nomeação, podemos evitar ver coisas que não são verdades sendo ditas”, disse o cardeal Jose Saraiva Martins.

Não é a primeira vez que o Banco do Vaticano é envolvido em escândalos. Em 1982, o então banqueiro Roberto Calvi, com ampla relação com o Vaticano, foi encontrado enforcado numa ponte de Londres. Em 2010, juízes de Roma congelaram 23 milhões de euros que o Banco mantinha em contas na Itália. O dinheiro acabou sendo liberado, mas a investigação por lavagem de dinheiro continua.

Há sete meses, a União Europeia alertou que o Banco do Vaticano não cumpre as regras básicas do sistema financeiro para o combate à lavagem de dinheiro e crimes financeiros.

A crise envolvendo o banco foi apontada como um dos motivos para a renúncia do Papa. Mas em uma entrevista realizada há dez semanas pelo Papa Bento XVI com seu biografo, o jornalista alemão Peter Seewald, o pontífice já havia alertado: “não se pode mais esperar mais nada de mim”. Seewald admitiu que, no encontro, o Papa parecia mais desanimado que nunca, mas negou que os escândalos de corrupção tenham influenciado em sua decisão de abandonar o cargo.

“Ratzinger estava esgotado há muito tempo”, disse seu biógrafo, em artigo publicado ontem na revista alemã Focus. Quando foi questionado sobre o que se poderia esperar dele no restante de seu pontificado, Bento XVI foi taxativo: “De mim? Não muito. Ja sou um homem velho, as forças me abandonaram. Acho que basta com o que fiz até agora”.

Hoje, em um encontro que já havia sido planejado há meses com o presidente da Guatemala, Otto Pérez Molina, o Papa o garantiu que a renuncia foi uma decisão “muito difícil”, mas ainda assim seria uma “reta” para a Igreja.

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Dados divulgados hoje pela OCDE, em Paris, indicam que a economia brasileira estaria dando sinais claros de que voltará a crescer nos próximos meses. A informação chega no momento em que economistas e o mercado em diversos países admitem a surpresa diante do baixo crescimento do PIB brasileiro em 2012.

Avaliando dezenas de indicadores, a OCDE chegou à conclusão de que a economia brasileira poderia passar por uma nova fase de expansão nos próximos seis meses. Em dezembro de 2012, o índice da OCDE para o Brasil chegou a 99,6 pontos, 1,7% acima de 2011.

O índice é construído a partir de dados como PIB, produção industrial, consumo, desemprego, exportações, balança de pagamentos e inflação. Segundo a OCDE, o cálculo permite saber qual será a tendência de uma determinada economia nos próximos seis meses.

Já a perspectiva para a China, Rússia e Índia é de um crescimento abaixo da capacidade desses países, o que indicaria que o freio nessas economias continuará a ser sentido.

Nos países ricos, os dados mostram tendências variadas. Nos Estados Unidos e Reino Unido, o crescimento estaria dando indicações de que estaria finalmente se consolidando. No Japão, os sinais de expansão estaria também surgindo.

Na zona do euro, a OCDE indica uma estabilização da taxa de crescimento, o que apontaria para uma recuperação lenta e que poderá se firmar só mesmo em 2014. Já o crescimento da França deve continuar fraco durante o ano.

No final desta semana, ministros do G-20 se reúnem em Moscou. Na pauta estará o debate sobre como fazer com que a economia mundial volte a crescer de forma sustentável.

 

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Ricardo Teixeira estaria implicado na compra e venda de votos para dar ao Catar a Copa do Mundo de 2022. Isso é o que revela a revista France Football que, em sua edição de hoje, traz uma verdadeira investigação sobre a ação do Catar para receber o Mundial. Entre os suspeitos de terem vendido seu voto está o ex-presidente da CBF e que, na época, era também uma das 24 pessoas dentro da Fifa que votou para a escolha das sedes.

A revista tem suas credenciais. A publicação é a parceira da Fifa em projetos como a Bola de Ouro, o prêmio de melhor jogador do mundo. Há dois anos, a escolha do Catar gerou polêmica. O país do tamanho do Distrito Federal foi considerado como apto para receber 64 jogos da Copa do Mundo em pleno verão no Oriente Médio.

Segundo a revista, um dos indícios seria o amistoso entre Brasil e Argentina, em novembro de 2010, justamente no Catar. Se a cada jogo a CBF recebia em média US$ 1,2 milhão, o Catar decidiu para aquele amistoso distribuir US$ 7 milhões ao brasileiro. Julio Grondona, presidente da Associação de Futebol da Argentina, também teria ficado com outros US$ 7 milhões. Um único amistoso, portanto, teria custado ao país árabe US$ 14 milhões.

Grondona, de fato, ainda teria recebido uma proposta do Catar para sanar as dívidas dos clubes argentinos, um presente de US$ 78 milhões.

Outra suspeita em relação a Teixeira é seu acordo assinado com os sauditas da ISE, dando à empresa o direito de realizar os amistosos da seleção brasileira por dez anos. Segundo a revista, a companhia na realidade seria uma empresa de fachada, com sede nas Ilhas Cayman. O acordo foi assinado, ironicamente, no Catar.

A enquete mostra que a ISE teria dado à Confederação Asiática de Futebol outros US$ 14 milhões para o “uso pessoal” de seu presidente, Mohamed Bin Hammam, do Catar e aliado de Teixeira. O brasileiro teria votado em Hammam para presidente da Fifa. Mas o árabe foi suspenso do futebol antes, após ter sido pego pagando propinas.

A investigação da revista revela ainda como diversos outros cartolas da Fifa foram agraciados pelo Catar com investimentos, construção de campos e escolinhas, promessas de alianças e até patrocínio. A revista chega a implicar até mesmo o presidente do Barcelona, Sandro Rosell, no esquema montado pelo Catar.

Para a revista, estaria na hora de a Fifa rever a votação e pensar em dar a Copa de 2022 a um outro país. Se isso ocorrer, os grandes favoritos seriam os EUA.

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“Idiotia e Progresso”. É esse o título de um artigo publicado hoje em um blog do Financial Times em relação ao drama de Santa Maria. As mortes no Sul do Brasil repercutiram em todo o mundo e artigos em diversos jornais passaram a questionar os progressos de fato realizados pelo País nos últimos anos.

Mas, para o jornal que serve de referência nas finanças internacionais, está claro que o incidente irá aumentar a pressão sobre o Brasil no que se refere a sua capacidade de realizar grandes eventos esportivos, como a Copa em 2014.

Assinado pelo jornalista Jonathan Wheatley, o artigo não poupa críticas ao Brasil. “Para um país que sobe em termos econômicos e está se preparando para mostrar seus progressos com a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, a lista de erros e fracassos que levaram ao incêndio de sábado promove a pior das publicidades”.

O artigo chega a questionar se é justo culpar a administração de um país por conta de um ato de um “idiota isolado”. O FT também admite que outros países vivem a mesma sitação.

O artigo cita os diversos fatores da tragédia, inclusive o fato de que muitos morreram no banheiro, achando que era uma das portas de saída. “Regulamentos dos mais básicos, propriamente aplicados, teriam evitado a tragência e salvo a vida de 231 jovens. As autoridades enfrentarão questionamentos”, escreveu.

Descrevendo o membro da banda de “idiota” por ter usado pirotecnia dentro do local, o FT deixa claro que idiotas não existem apenas no Brasil e aponta para um desastre similar nos EUA em 2003.  “Idiotas existem em todo o mundo e é muito difícil de legislar contra eles. Até sábado, o Brasil não teve uma tragédia dessa escala por mais de meio século. Se o evento horroroso do fim de semana resultar em aplicações mais duras da lei, o Brasil terá feito mais progresso”, conclui.

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A tragédia que fez mais de 230 mortes em Santa Maria pode ser a pior em uma discoteca no mundo em mais de uma década. Dados levantados pela agência AFP indicam que o incêndio seria o que mais gerou mortes no mundo desde 2000.

Naquele ano, na China, um incêndio em uma discoteca e um shopping center na cidade de Luoyang fez 309 mortes. Desde então,  incidentes como esse ocorreram em vários países do mundo. Mas, em nenhum deles, o número de mortos chegou ao que se registrou no Brasil na madrugada entre sábado e domingo.

No dia 1 de dezembro de 2002, 50 pessoas morreram em uma discoteca em Caracas. Em 2003, na cidade de West Warwick, no estado americano de Rhode Island, foram cerca de cem mortos em outro incêndio em uma casa norturna no dia 20 de fevereiro.

Num dos piores dramas desse tipo, 194 pessoas saíram mortas em uma discoteca de Buenos Aires no dia 1 de dezembro de 2004. Dos 2 mil jovens que acompanhavam um show de rock, quase 400 saíram feridos. A prefeitura, na ocasião, ordenou que todas as casas noturnas fossem fechadas por duas semanas para que a situação de cada uma delas fosse avaliada.

Um no incidente ocorreria na China, em 2008. 44 pessoas morreram em uma discoteca em Shenzhen. Fogos de artifício usados dentro da casa noturna ainda fizeram mais 87 feridos naquela noite de 20 de setembro.

Fogos de artifício ainda foram a causa de um incêndio em uma discoteca em Bangkok, na Tailândia. O local festejava o ano novo de 2009 e o drama deixou 66 pessoas mortas.

No dia 4 de dezembro de 2009, 20 pessoas morreram em uma discoteca em Medan, na Indonésia. Um dia depois a cidade russa de Perm, 155 pessoas perderiam a vida em um clube noturno, também por conta do uso de fogos de artifício.

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Na edição de ontem, este blog antecipou com exclusividade a condenação de Paulo Maluf em Jersey e a decisão da corte de que suas empresas terão de devolver US$ 28,3 milhões aos cofres da prefeitura de São Paulo. O dinheiro teria sido desviado das obras da Avenida Águas Espraiadas.

Em resposta, a assessoria de imprensa de Maluf repetiu a frase que já entrará, em breve, para o Livro dos Recordes na categoria “declarações mais repetidas da história”. Maluf não tem, nunca teve contas no exterior.

Diante da insistência de sua assessoria em defender essa tese, faço questão de apresentar aos leitores a íntegra da decisão da corte e os comentários do juiz Howard Page, que redigiu a sentença.

Segundo o texto da sentença, os advogados de Maluf alegaram que os juros e multas não poderiam ser cobrados porque seu cliente apenas “reteve desonestamente os fundos”, mas “não os obteve por fraude”.

Confesso que, nesse ponto da leitura, fiquei confuso e surpreso: será que argumento do advogado em Jersey contradiz a frase do Livro dos Recordes….

Porque é que advogados em Jersey estariam falando textualmente no nome de Maluf e até reconhecendo que ele “reteve” o dinheiro, enquanto sua assessoria em São Paulo diz justamente que Maluf nunca teve contas no exterior….

Não é apenas quem escreve este blog que não entende. “Não há justificativa para fazer tal dedução”, contra-atacou o próprio juiz Page, em sua sentença.

Para o juiz, Maluf foi o “fraudador” e também o “arquiteto” do esquema. “O fraudador original não era apenas um fiduciário, mas também o arquiteto e beneficiário principal das estruturas que receberam e mantiveram os fundos em questão”, escreveu o juiz.

Confesso que Page rompeu um paradigma. Desde criança, escuto que o doutor Paulo é engenheiro. Agora, pelo menos em Jersey, ele é arquiteto. Mas, enfim, o importante é que ele continua construindo.

O corajoso juiz vai além e, segundo ele, Maluf “sabia desde o começo que os fundos que recebia eram resultado de fraude e não precisa de ninguém para dizer que ele não tinha qualquer direito de retê-lo”. Segundo a própria decisão, “eles (Maluf e seu filho Flávio) foram receptores de fundos que sabiam perfeitamente que eram resultado de fraude”.

Outra surpresa: segundo a sentença, os advogados de Maluf “aceitaram que seus clientes precisam pagar os custos” do processo. Seria essa mais uma contradição em relação à frase do Livro dos Recordes…

O que os advogados se recusavam a pagar eram os custos de indenização. A corte, uma vez mais, optou por sair em defesa da prefeitura. “A verdade é que a ação exigiu que um órgão público fosse obrigado a gastar um volume enorme de tempo, dinheiro e recursos humanos para recuperar fundos que lhe foi fraudado de alguém que recebeu e reteve os fundos sabendo perfeitamente bem de sua origem”, apontou o juiz.

A corte concluiu, baseada na jurisprudência local, que tinha sim o direito de cobrar. “É difícil pensar em um caso em que conceder a indenização não seria mais justificável”, completou Howard Page.

Enfim, o caso ainda não acabou. Há um recurso que tramita em Jersey. Mas confesso que, pela leitura da sentença que coloco no ar, só posso concluir que existe um grande mal-entendido: ou a assessoria de Maluf não foi informada do caso em Jersey ou os advogados na ilha no Canal da Mancha estão falando de algum outro Paulo Maluf, o que sempre é uma possibilidade.

Eis o original da sentença.

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