Dados divulgados hoje em Bruxelas apontam que o primeiro trimestre de 2013 registrou mais uma contração do PIB europeu, tornando a atual recessão a mais longa desde que os dados começaram a ser coletados para todo o continente de forma unificada desde 1995.
Segundo os dados, os países que usam o euro sofreram uma contração de 0,2% em suas economias, pior que as perspectivas do mercado. A França voltou a cair em recessão – a terceira em quatro anos – e países como Finlândia, Espanha, Holanda e Itália também seguiram esse caminho.
As informações oficiais também destacam que a recessão atual já é mais prolongada que a de 2009, quando a economia mundial teve seu pior ano em sete décadas. No total, já são 18 meses de contração do PIB europeu.
O resultado tem sido bem mais profundo que um mero nervosismo nos mercados. Hoje, 19 milhões de pessoas estão sem trabalho na zona do euro, a pobreza voltou a fazer parte do debate, empresas continuam a fechar suas portas e governos não sabem o que fazer para ao mesmo tempo se manter no poder e dar uma resposta à crise.
A recessão só não é mais profunda porque a maior economia do bloco – a Alemanha – conseguiu crescer em 0,1% no trimestre.
O Banco Central Europeu chegou a cortar uma vez mais suas taxas de juros, na esperança de dar fôlego à economia do bloco. Mas de pouco adiantou.
Nos governos, a ideia de que a austeridade seria o remédio para a crise também parece ganhar cada vez mais resistência. Mas, pelo menos por enquanto, o problema é que nenhuma alternativa foi encontrada para anos de irresponsabilidade fiscal, queda de competitividade e um sistema financeiro que levou o continente a sua pior crise desde a Segunda Guerra Mundial.
O pragmatismo da chanceler alemã Angela Merkel não poupa nem a noite de Reveillon. Em uma mensagem à nação no dia 31, Merkel é clara: 2013 será mais difícil que 2012 e a população precisará de “muita paciência”. Em todo o continente europeu, discursos de final de ano tem sido marcado pela crise, ainda que muitos usam o discurso de fim de ano para prometer novas medidas para criar empregos, criar mais impostos sobre os ricos e voltar a fazer a economia crescer.
2013 será mais um ano de recessão para nove dos 27 países do bloco europeu. No seu melhor estilo, Merkel deixa claro que não há espaço para ilusões. “O contexto econômico realmente não será simplificado no ano que vem, mas irá se complicar ainda mais”, alertará em um pronunciamento na noite de hoje. Pedindo união aos alemães, ela alerta que a situação exigirá uma “disposição ao esforço”. “Precisamos ainda de muita paciência. A crise nem de longe está superada”, adverte.
O chanceler não deixa de preparar o terreno para sua reeleição, em setembro. “As reformas que aprovamos começam a surtir efeito”, indicou, lembrando que a taxa de desemprego é a menor na Alemanha desde a unificação em 1990. Analistas apontam que a economia alemã por pouco não entrará em recessão em 2013.
Merkel ainda mandou um recado à comunidade internacional: “o mundo ainda não aprendeu a lição da crise devastadora de 2008″.
Na Espanha, a população não precisou escutar de seus líderes que o ano será pior para saber o que irá ocorrer. A partir de amanhã, sobem os preços de luz, água e transporte. Milhões de trabalhadores começarão a ver um corte em seus salários vigorar a partir de hoje. A consequência será uma perda real do poder aquisitivo.
2013 ainda promete ser um ano crítico para a unidade territorial espanhola. Hoje, o presidente da região da Catalunha, Artur Mas, usou seu discurso de final de ano para insistir na tese de que chegou a hora de se separar da Espanha. “A maioria dos catalães quer construir um novo país”, disse. “Estamos diante de uma página transcendental de nossa história”, insistiu.
Mas indicou que, separado da Espanha, a Catalunha teria como manter seu estado de bem-estar social. Para o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, o apelo independentista não passa de uma forma de “distrair a população da crise econômica”.
De fato, 2012 foi um ano agitado pela Europa. O euro sobreviveu. Não sem sérios arranhões e um empobrecimento da população. A Grécia entrará em seu sexto ano de recessão, a Itália passará por eleições e, no Reino Unido, cresce a força daqueles que acreditam que
Mas 2012 também foi o ano do Nobel da Paz para a Europa, o maior projeto de integração já realizado e que conseguiu transformar um continente acostumado com guerras em uma região de paz.
Agora, essa paz social construída nos últimos 60 anos está cobrando seu preço. O que nós no Brasil lutamos nesse momento para começar a receber – um estado do bem-estar social – os europeus estão lutando para não perder.
Que em 2013 lógicas eleitoreiras, projetos pessoais, interesses de banqueiros, visões míopes de curto prazo e soluções pseudo-fáceis não façam com que centenas de horas de debates, milhares de dias de greves de trabalhadores em busca de melhores condições, manifestações de mães de alunos, alertas de médicos e enfermeiras e lutas sociais tenham sido jogadas fora nos últimos 60 anos.
Enfim, Feliz 2013!
Barcelona – Em dez anos, o número de brasileiros vivendo na Espanha sofreu uma alta de 380%. Os números foram apresentados hoje pelo Instituto de Estatísticas em Madri e revelam que, antes da eclosão da pior crise social do país em 40 anos, a Espanha havia se transformado num dos maiores polos de atração de imigrantes na Europa. No total, em uma década, 3,7 milhões de pessoas deixaram seus países para viver na Espanha. Hoje, a taxa de desemprego atinge 35% deles.
Segundo os números, o volume de brasileiros passou de 18,3 mil em 2001 para 87 mil em 2011. Esses dados incluem apenas os estrangeiros oficialmente registrados. O consulado do Brasil em Madri estima que o número real, incluindo os brasileiros em condições irregulares, chegue a pelo menos 200 mil.
Mas a expansão brasileira não foi a maior. O número de bolivianos passou de 11 mil em 2001 para mais de 183 mil em 2011. O caso mais impressionante é a chegada de 740 mil romenos à Espanha em apenas dez anos.
Na década, segundo o instituto, os estrangeiros garantiram a maior expansão da população da Espanha já registrada oficialmente. Mas os números também são de um mundo passado. Hoje, a crise arruinou o sonho de milhares desses imigrantes, que apostaram em uma nova vida na Espanha.
Já em 2012, a Espanha passou a ser um país de emigração. Além de milhares de estrangeiros que estão voltando para suas casas, entre eles os brasileiros, há ainda um enorme grupo de espanhóis tentando sorte fora de seus países.
Hoje pela manhã, em Barcelona, o taxista que me conduziu para uma entrevista poderia ser um personagem dessa nova fase da Espanha. Sua empresa de informática faliu no ano passado, sua mulher perdeu o emprego e eles tem ainda pela frente 17 anos de hipoteca para pagar. Decidiu ser taxista. Mas admite que já não tem uma renda compatível com o apartamento que compraram.
Ele confessa que teme ser um dos 3 mil desalojados apenas na cidade de Barcelona em 2012 por não ter como pagar a hipoteca. Ao me deixar no endereço que eu havia pedido, hesitante ele me perguntou: “Desculpe, quanto custa hoje uma passagem ao Brasil…”.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá um cheque de R$ 215 mil do falido governo da Catalunha na quinta-feira, como parte do prêmio que ganhou por conta de sua política social e “crescimento justo”.
A informaçao sobre o valor da premiaçao foi divulgada em um comunicado oficial do governo catalao, anunciando o evento que marca a entrega do Premi Internacional Catalunya.
Em abril, quando o Instituto Lula anunciou que o ex-presidente havia sido o escolhido para receber o prêmio neste ano, nenhuma informaçao sobre os valores do cheque foi divulgada.
No comunicado em português, o Instituto apenas citava que o júri, presidido pelo escritor e filósofo Xavier Rubert de Ventós, “elogiou a política adotada por Lula a serviço de um crescimento econômico justo, que colocou seu país à frente da globalização e favoreceu uma divisão mais justa da riqueza e das oportunidades”.
O prêmio é destinado a pessoas que tenham contribuído com o desenvolvimento de valores culturais, científicos ou humanos. 177 nomes foram indicados e Lula venceu por unanimidade.
O comunicado do Instituto Lula também cita uma carta enviada por Lula ao presidente catalão Artur Mas. Segundo o ex-presidente, a decisão do júri “reforça a amizade e a solidariedade entre nossos povos”. As informaçoes também apontavam que, além de Lula, personalidades como Jimmy Carter, Vaclav Havel, Claude Lévi-Strauss e Aung San Suu Kyi já haviam recebido a mesma premiaçao no passado.
Já o governo de Barcelona, em seu informe à imprensa local, indicou que, além de peça de arte, Lula levará 80 mil euros. A primeira vez que o valor é citado foi em abril, no mesmo dia do comunicado em português. Ontem, o valor voltou a ser citado no novo comunicado em catalao.
A Catalunha vive dias de turbulência. Além do debate em torno de uma eventual independência, o governo local foi obrigado a pedir um resgate de Madri diante de dìvidas que já nao pode honrar.
Mas foi obrigado a cortar de forma drástica o orçamento para a Saúde, reduziu salários e aumentou o número de horas de trabalho. Barcelona, nas últimas semanas, tem já se acostumado com as repetidas manifestaçoes nas ruas, por parte de diferentes grupos afetados pela crise. Na Espanha, 25% da populaçao nao tem trabalho. 56% dos jovens estao desempregados.
A cerimônia para a entrega do prêmio está marcada para a ocorrer na sala Sant Jordi do Palau de la Generalitat, na quinta-feira.
Nos últimos doze meses, 6 mil europeus perderam seus trabalhados a cada dia e a taxa de desemprego na zona do euro bate mais um recorde. Dados divulgados na manhã de hoje indicam que 11,7% da população dos 17 países que usam a moeda única estão sem trabalho.
Os dados de outubro representam um novo recorde e um aumento em relação à taxa e 11,6% de desemprego em setembro, segundo a Eurostat. Desde setembro, o continente volta a viver uma recessão, situação que só será superada em 2014.
Em números absolutos, a Europa soma hoje 18,7 milhões de desempregados. Apenas no mês de outubro, 173 mil foram demitidos.
Em um ano, a destruição de postos de trabalho na Europa atinge a marca de 2,1 milhões. Na prática, quase 6 mil demissões por dia. A taxa é superior aos 7,9% de desemprego nos EUA e de 4,2% no Japão.
Contando todos os 27 países da Europa, a taxa de desemprego é de 10,4%, com 26 milhões de essoas afetadas.
As piores taxas estão na Grécia e Espanha, com um quarto da população sem trabalho. Nesses dois países, a proporção de jovens sem trabalho chega a mais de 55%. Do outro lado estão países como a Áustria, Luxemburgo, Alemanha e Holanda, todos com uma taxa de desemprego abaixo de 5,5%.
Os movimentos separatistas ganharam nos últimos meses uma nova dimensão na Europa. A Catalunha realizou sua maior manifestação pró-independência desde a volta da democracia na Espanha nos anos 70. No País Basco, as eleições da semana passada resultaram num controle do Parlamento local por partidos pró-independência que o ETA, com suas armas, jamais teria obtido. Na Escócia, depois de 300 anos adormecido, o movimento separatista voltou a ganhar força e conseguiu arrancar de Londres um compromisso de que, em 2014, um referendo será realizado.
Mas, olhando para as pesquisas de opinião, uma coisa fica claro: não é a vontade de se separar de Londres ou ter um passaporte escocês e nem mesmo proclamar a auto-determinação que está sendo determinante. Hoje, o apoio ao movimento separatista escocês chega a apenas 32% da população.
Uma entidade de pesquisa decidiu modificar a forma de questionar a população sobre o assunto e descobriu algo curioso. A pergunta feita não foi a tradicional “Você votaria sim pela independência da Escócia…”. No lugar dela, os instituto a substituiu por: “Se a independência resultasse numa renda de 500 libras esterlinas a mais por ano, você seria a favor ou contra…”
65% responderam que se esse for o caso, são favoráveis ao movimento separatista.
Diante da crise econômica que faz a a Europa repensar seus próprios caminhos, o partidos que defendem a independência sabem que não podem e nem devem basear suas campanhas em símbolos do passado, na importância de William Wallace ou ficar colocando o filme Braveheart na publicidade do referendo.
Não por acaso, o líder do movimento separatista, Alex Salmond, insiste que, sem Londres, a Escócia seria o sexto país mais rico da Europa em termos de PIB per capta, conta que muitos analistas discordam.
Curioso é que essa independência, se ocorrer, virá permeada de limitações financeiras para a Escócia. A primeira delas se refere à moeda que irá utilizar. Por anos, o movimento separatista deixou claro que abandonaria a libra esterlina e pediria para se unir ao euro. O problema é que, hoje, com a crise do euro, Salmond não poderia vender aos escocesses a idéia de se unir a uma moeda em plena crise existencial.
A opção foi a de anunciar que, se independente, a Escócia adotará….a libra esterlina e que o BC inglês será o seu também.
O problema, nesse caso, é que Londres precisa concordar com isso. Caso contrário, a Escócia corre o risco de se trasformar num país que tem uma moeda estrangeira com seu padrão, mas controle algum sobre quem emite a moeda, sobre quem determina as taxas de juros, o controle sobre os bancos e toda a política monetária. Enfim, uma independência que não passaria de uma ficção, pelo menos em termos econômicos.
A crise parece não ter mesmo fim para os espanhóis. Dados divulgados hoje reveleram que, pela primeira vez na história recente do país, mais de 25% da população está sem trabalho. Em apenas cinco anos de crise, 4 milhões de pessoas perderam seus empregos. Mais de 1 milhão de famílias se encontram em uma situação crítica: nenhum de seus membros tem hoje trabalho.
Oficialmente, o número de desempregados chega a 5,7 milhões, o mais alto já registrado. A crise eclodiu incialmente quando o setor da construção quebrou. O problema é que parte das finanças de dezenas de cidades estava baseada nesses empreendimentos. O resultado foi um buraco sem precedentes nas contas do estado.
Se não bastasse, as dúvidas do mercado financeiro sobre a Espanha dificultaram a capacidade do país em se financiar. A resposta foi o maior programa de cortes e redução de investimentos do país em sua história democrática.
Salários foram cortados e investimentos reduzidos ao mínimo. Em escritórios do governo, água para beber foi cortada, assim como o uso de ar-condicionado. Para as cidades menores, a crise se transformou em um verdadeiro inferno. La Corunha decidiu suprimir todos os carros oficiais e parou de dar seguro médico aos vereadores. Paterna reduziu de forma drástica o número de linhas de onibus que servem a cidade e eliminou o serviço de ambulância 24 horas. Isso tudo para ajudar a cortar o orçamento da prefeitura em 40%. Em Ontinyent, o dinheiro para limpar a cidade foi reduzido em 20%.
Na Ciudad Real, a intensidade de luz nas ruas foi cortada em um terço. As fontes da cidade são ligadas apenas aos finais de semana. Em León, o cargo de vice-prefeito foi abolido e, em Cacabelos, a prefeitura já avisou: em 2012, não haverá luzes de Natal.
Sem uma prevista de uma retomada da economia, milhares de jovens estão deixando a Espanha, em busca de oportunidades de trabalho no resto da Europa e América Latina. Pela primeira vez, a busca por cursos de alemão nas escolas espanholas superou a busca pelo inglês, num sinal dos esforços dos espanhois para se preparar para se mudar para a Alemanha, onde a taxa de desemprego é de 6%.
Na Casa do Brasil, em Madri, o número de alunos que querem aprender português também explodiu.
Já as multinacionais admitem que a Europa redescobriu sua pobreza. A gigante Unilever revelou que está preparando uma modificação em seus produtos para que possam chegar ao mercado em embalagens menores, adaptadas à renda mais baixa do consumidor de certos países europeus. A multinacional optou por reconhecer na prática o que políticos rejeitam em declarar publicamente: a pobreza está voltando no continente europeu.
Desde 2009, trabalhadores gregos, espanhóis, portugueses e italianos viram seus salários cortados, com a redução de benefícios e o aumento de impostos. Isso sem contar com a explosão do desemprego que está em um nível recorde no continente europeu.
A projeção é de que, mesmo que a economia europeia volte a se estabilizar, países como a Espanha levarão pelo menos mais cinco anos para voltar a ter o mesmo nível de emprego que registravam em 2007.
Diante dessa nova realidade, empresas tem tomado dois caminhos. O primeiro é o de reorientação sua produção para a exportação, especialmente para mercados emergentes e onde existe uma perspectiva de que milhões de pessoas saiam da pobreza nos próximos anos e se transformem em consumidores.
A Unilever deu claros sinais de que essa não é a única estratégia e que ve a crise como algo de médio prazo. Jan Zijderveld, diretor europeu do grupo, revelou que começou a implementar na zona do euro uma estratégia parecida ao das vendas que realiza em mercados emergentes, principalmente na Ásia. Ou seja, reduzir o tamanho das embalagens e porções, vendendo os mesmos produtos por valores mais baixos, na busca de manter seus clientes.
“A pobreza está voltando para a Europa”, disse Zijderveld, em entrevista publicada na versão alemã do Financial Times. “Se um consumidor espanhol gasta agora em médias apenas 17 euros em compras, não podemos vender sabão em pó que custa metade de seu orçamento”, disse.
Na Espanha, as novas porções de sabão já chegaram aos supermercados, com um volume suficiente para apenas cinco lavadoras. Na Grécia, a empresa também já colocou no mercado porções menores de alimentos, além de maionese em um volume reduzido.
A empresa diz que usou justamente a experiência que adotou na Indonésia nos últimos anos, vendendo pequenos pacotes de xampu por alguns centavos, sempre com lucro. “Sabemos como funciona. Mas esquecemos de aplicar na Europa”, disse.
Um estudo publicado hoje pela Organização Internacional de Migrações (OIM) revela que 107 mil europeus deixaram o Velho Continente entre 2008 e 2009, no auge da crise, em busca de empregos na América Latina. O principal destino desses europeus foi o Brasil.
Muitos vieram com um propósito bastante claro: encontrar um trabalho e ajudar a familia que ficou na Europa. Em 2010, imigrantes europeus trabalhando na América Latina enviaram quase US$ 5 bilhões de volta a seus países de origem, em remessas, uma prática que até pouco tempo caracterizava a presença dos latino-americanos na Europa: trabalhar, economizar e mandar dinheiro de volta para a família que ficou no Brasil, Equador ou Bolívia.
No mesmo período, latino-americanos que vivem na Europa enviaram de volta a seus países de origem cerca de US$ 7,2 bilhões. Mas o fluxo de latino-americanos chegando à Europa despencou. Em 2006, antes da crise, 400 mil desembarcaram nos países europeus. Em 2009, esse número caiu pela metade.
Vivendo sua pior crise desde a Segunda Guerra Mundial, a Europa pena para criar postos de trabalho e vê salários despencar. Os espanhóis lideraram o êxodo no auge da crise, com 47,7 mil deles oficialmente deixando o país em busca de novas oportunidades na América Latina.
O perfil desses novos imigrantes é também bastante diferente do que se conhecia tradicionalmente no fluxo de trabalhadores. Grande parte dos 100 mil europeus eram portugueses e espanhóis, solteiros e com nível universitário completo.
A entidade promoveu o levantamento até o final de 2009, ano que registrou a maior queda no PIB mundial em mais de 60 anos. Mas os próprios autores admitem que o volume de imigrantes europeus continuou a aumentar entre 2010 e 2012, principalmente diante da taxa recorde de desemprego em Portugal, Grécia, Espanha e Itália.
Comprar um apartamento em metrópoles como Berlim, Los Angeles, Viena ou Madri já custa menos que adquirir um imóvel em Sao Paulo ou no Rio de Janeiro. Um levantamento feito pelo banco UBS aponta para a alta nos preços de imóveis nas cidades brasileiras e a constataçao de que tradicionais locais em países ricos já sao mais baratos que um apartamento na capital paulista ou carioca.
O informe aponta que, no geral, a cidade de Sao Paulo é a 44a metrópole mais cara (contando todos os aspectos da vida em sociedade) numa lista de 72 metrópoles mundiais. O Rio viria logo abaixo, na 45a posiçao. Mas o dado que mais surpreende é o custo de moradia.
O metro quadrado num imóvel construído depois de 1980 e na regiao considerada como central da capital paulista estaria valendo US$ 3,5 mil. No Rio de Janeiro, o impacto dos Jogos Olímpicos ainda faz o preço atingir US$ 3,7 mil. O valor é ainda bem inferior aos preços de Genebra, com US$ 11 mil por metro quadrado.
Mas, mesmo assim, Sao Paulo já compete de igual para igual com as grandes capitais mundiais. Em Viena, o metro quadrado sai, em média, por US$ 3,4 mil, contra US$ 3,3 mil em Los Angeles, US$ 3,2 mil em Montreal, US$ 3,1 mil em Madri, US$ 2,9 mil em Berlim, US$ 2,7 mil em Dubai e US$ 2,6 mil em Lisboa.
O boom imobiliário em Sao Paulo tem chamado a atençao de investidores internacionais que, neste ano, chegaram a criar fundos de aplicaçao em bancos na Europa para apostar na subida de preços de imóveis no Brasil. Fundos ainda apostam na elevaçao das açoes de grandes construtoras cotadas na bolsa de Sao Paulo.
Comprar um apartamento em Buenos Aires pode ser por menos da metade de um imóvel equivalente em Sao Paulo. Na capital argentina, o metro quadrado está avaliado em média em US$ 1,4 mil. Esse seria o mesmo valor de um metro quadrado em cidades como Nova Delhi, Cairo, Johannesburgo ou Bogotá. Em Lima, o preço cai para US$ 800, contra US$ 700 em Mumbai.
Os dados do UBS mostram que, enquanto os preços de imóveis em Sao Paulo estao bem acima da media de países emergentes, a cidade ainda assim ocupa a posiçao intermediária entre as mais caras do mundo.
Isso por conta do preço ainda considerado como baixo de alimentos e roupas, alem de diversos serviço. Olso, Tóquio e Zurique aparecem como as cidades mais caras do mundo. Na capital japonesa, alimentos custam cinco vezes mais que em Mumbai.
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