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Jamil Chade

O brasileiro João Havelange, considerado por anos como o cartola mais poderoso do mundo, renunciou a seu cargo de presidente de honra da Fifa por conta dos escandalos de corrupção e as propinas que recebeu por anos.

A informação faz parte de um informe que trata das investigações sobre corrupção na Fifa e que acaba de ser publicado na manhã de hoje na Suíça.

A investigação confirmou que Havelange recebeu milhões de dólares em propinas. Mas o comitê de ética da Fifa informa que, como o brasileiro renunciou de seu cargo há dez dias, não há como punir o cartola.

A renúncia foi feito em silêncio e não foi comunicada nem pela Fifa e nem pelo próprio cartola aos jornalistas de todo o mundo.

O informe confirma que Havelange teria recebido milhões de dólares entre 1992 e 2000 da ISL, em propinas relacionadas a venda de direitos de transmissão para a Copa de 2002 e 2006.

Ele já renunciou de seu cargo no COI, também pelo mesmo motivo. Agora, abandona a Fifa, em um final melancólico.

Apesar da queda, Havelange não será punido e a saída foi justamente uma forma de evitar ser expulso. A decisão de renunciar encerra o caso e dispensa a necessidade de que a entidade tenha de votar em maio a decisão de expulsa-lo ou não.

A renúncia ainda deve aumentar a pressão para que os cartolas brasileiros evitem usar o nome de Havelange no estádio que servirá para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

 

 

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Há um ano, a Fifa anunciou com pompa que iria investigar as suspeitas de que João Havelange, Ricardo Teixeira e o paraguaio Nicolas Leoz haviam recebido propinas milionárias da ISL, a empresa de marketing da Fifa.

A entidade criou um comitê de ética e, hoje, um informe realizado a partir das “investigações” chegou às suas conclusões.

A Fifa admite que Havelange e Teixeira, além de Leoz, receberam propinas e que isso foi um ato ilegal.

Mas, depois de meses de supostas investigações, a conclusão é de que, como nenhum desses cartolas fazem mais parte do mundo do futebol, o comitê aponta que não há porque tomar mais qualquer tipo de medida punitiva contra essas pessoas.

Havelange renunciou ao cargo de membro do COI antes de sair o resultado da investigação, Teixeira abandonou a CBF e, justamente na semana passada, Leoz anunciou que por motivos de saúde, estava se retirando da Conmebol.

A pizza, porém, vai além. O comitê, supostamente independente, concluiu que Joseph Blatter, que foi o braço direito de Havelange, não fez nada de errado e que está limpo.

O caso, portanto, se encerra. E só serviu para revelar que a suposta reforma da Fifa foi e é uma grande farsa.

A independência do órgão de ética é mais que questionável. Hoje, foi justamente o serviço de imprensa da Fifa que encaminhou o informe final aos jornalistas e, menos de dez minutos depois, no mesmo email, enviava ao jornalistas de todo o mundo comentários de Blatter, dizendo-se satisfeito pela conclusão dos trabalhos e, principalmente, porque foi declarado como limpo.

Na Suíça, a pizza também existe.

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Terça-feira, 18 de maio de 1982. 11 da manhã. Em 10 Downing Street se reuniam a primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher com seu gabinete com 23 ministros. Na agenda, dois pontos fundamentais para o futuro do Reino Unido: a situação nas Ilhas Malvinas diante da guerra e como atuar na Copa do Mundo daquele ano e que começaria poucas semanas depois.

O debate não era sobre a tática em campo. Mas como fazer e como agir se, por algum azar, a Inglaterra tiver de enfrentar a Argentina em uma das fases da competição. A Guerra das Malvinas tinha acabado de começar, semanas antes.

Documentos secretos mantidos nos arquivos diplomáticos britânicos mostram que, longe de ser um assunto apenas de especuladores e comentaristas esportivos, um eventual enfrentamento entre os dois times virou assunto de estado. Na realidade, o assunto acabou afetando também as seleções da Escócia e Irlanda do Norte, que também estavam no Mundial da Espanha.

O primeiro a tomar a palavra foi o secretário para Meio Ambiente, Michael Heseltine, que também se ocupava da pasta de esportes. Segundo ele, o governo não deveria apelar naquele momento para o abandono dos times britânicos do Mundial. Mas que deveria estar pronto a faze-lo caso a situação se deteriorasse e a opinião pública demandasse uma atitude do governo.

Segundo os arquivos indicam,a Fifa já teria apontado às autoridades britânicas que caso a Escócia viesse a cruzar com a Argentina na segunda fase da Copa, a entidade estaria disposta a intervir e mudar o jogo. Um confronto com a Inglaterra só ocorreria numa eventual final, o que nunca ocorreu.

Thatcher tomaria então a palavra e alertaria que “muitos no Reino Unido ficariam profundamente ofendidos se um dos times britânicos enfrentasse a Argentina”. Mas também optou pela cautela e não fez um apelo por um abandono da Copa. Apenas pediu que o secretário de Estado para a Escócia, George Younger, e o secretário de Estado para o Meio Ambiente entrassem em contato com a Fifa para garantir que um eventual confronto na segunda fase entre Escócia e Argentina seria evitado.

Num informe paralelo preparado pelo governo, os britânicos apontavam que a Fifa já os havia alertado que não tinham qualquer chance de banir a Argentina da Copa por conta de sua agressão nas ilhas. Não seria por menos. A Argentina era a campeã que defenderia seu título na Espanha e o então presidente da Fifa, João Havelange, não estava disposto a minar seu evento ou enfurecer os militares argentinos.

Mas Londres também admitia que abandonar a competição seria uma “vitória moral para os argentinos”. Mas os britânicos também tinham outras considerações que iam bem além da guerra: as finanças das federações envolvidas no Mundial.

“As consequências financeiras de um abandono poderiam ser consideraveis”, escreveu o memorando. “Poderia haver uma proibição de jogar a Copa de 1986, uma multa pesada pela Fifa, a possibilidade de compensações, o cancelamento de viagens e hoteis, e os contratos dos jogadores teriam de ser atendidos”, alertou.“As Associações de Futebol da Irlanda do Norte e da Escócia decretariam falência”, completou o informe que ainda indicou que o governo teria a obrigação moral de compensar as entidades pelos prejuizos.

Eis um trecho do arquivo diplomático:

THE S E C R E T A R Y OF S T A T E FOR THE ENVIRONMENT said that the countries competing in the final stages of the World Cup includedEngland, Scotland and Northern Ireland, as well as Argentina who was the current holder. None of the United Kingdom teams was in the same f i r s t round group as Argentina, but Scotland could meet Argentina i n the second round. While the Government had discouraged sporting links with Argentina at any l e v e l i n the United Kingdom or i n Argentina, theyhad taken no action to discourage B r i t i s h sportsmen competing with Argentines i n t h i r d countries. Although the Government had no powers to ban sporting contacts, the football authorities had indicated that they would follow a Government c a l l for withdrawal f r om the competition: but they were unlikely, unless the external situation changed considerably, to withdraw on their own i n i t i a t i v e . His present view was that the Government should not yet suggest withdrawal to the football authorities, but that they should be ready to adopt that course if the situation worsened and i n the light of public opinion.

In discussion the point was made that, while England and Northern Ireland could meet Argentina only in the final or in the play-off for third
place, and it might be possible for the Federation International de Football Association (FIFA) i f necessary to rearrange the second round
of the competition to ensure that Scotland did not meet Argentina i n it, there could be serious disturbances involving B r i t i s h spectators at other
matches. Football supporters from the United Kingdom would t r a v e l to Spain i n any case and disturbances were more l i k e l y i f United Kingdom
teams had been withdrawn f r om the competition. Although the Government’s supporters i n Parliament would be disturbed i f arrangements
could not be made to avoid United Kingdom and Argentine teams meeting, their general view was that the decision on participation should
be left to the football authorities. It was possible that events might lead the football authorities to decide independently to withdraw.

THE P R I M E MINISTER, summing up the discussion, said that many people i n the United Kingdom would be deeply offended if United Kingdom
teams were to play Argentina. There was no reason for the Government to intervene with the football authorities at the present time. If
Scotland’s team reached the second round, it would be helpful if F I FA could arrange that they did not then play Argentina’s,

 

Em campo, todos os times britânicos contribuiram para que o confronto com os argentinos não ocorresse. A Inglaterra fez um início de Mundial exemplar. Venceu seus três primeiros jogos. Mas, na segunda fase, seria eliminada pela Alemanha. Escócia jamais passaria da primeira fase e, no caso da Irlanda do Norte, a seleção acabou também eliminada na segunda fase.

Os confrontos com a Argentina haviam sido evitados. Acima de tudo pela incompetência dos times.

Quatro anos depois, porém, o que muitos temiam iria ocorrer. Argentina e Inglaterra entraram em campo e até hoje aquele jogo faz parte dos debates, seja de torcedores ou de políticos. Maradona faria um gol com a mão e outro antológico, driblando a meio time inglês.  Desta vez, Londres não teve como apelar à Fifa para evitar o confronto.

 

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ZURIQUE – Sábado de Carnaval. O jogo São Benedito x Tiradentes no Ceará prometia atrair pouca atenção das televisões brasileiras e mesmo da torcida. Mas, nas casas internacionais de apostas online, o jogo aparecia como uma das possibilidades para que qualquer pessoa no mundo faça suas apostas, em inglês ou francês.

O fenomeno mostra como mesmo campeonatos longe do centro das atençoes podem ser vulneráveis e estão conectados com o mundo, seja por conta da globalização do futebol, dos meios de comunicação e, claro, do crime.

A Fifa e a polícia europeia estão. Em março, a entidade vai levar ao Brasil um projeto justamente para alertar policiais, CBF e juizes sobre a manipulaçao de resultados por casas de apostas e apostadores que, longe dos campos, estao ganhando milhoes de dolares.

As casas de apostas que oferecem o jogo no Ceará são legalizadas. Mas o que chama a atenção dos especialistas é que mesmo jogos fora dos grandes torneios nacionais ou regionais passaram a estar listados nas opções de apostas para qualquer um no mundo. As apostas, em várias delas, são cotadas em euro.

A lista de jogos que as empresas internacionais oferecem inclui de fato jogos de times grandes, como a partida entre o São Paulo e o Guarani, válido pelo Campeonato Paulista, ou Vasco x Fluminense.

Mas é mesmo a inclusão de jogos praticamente insignificantes em termos de público que surpreende. Investidores ou torcedores pelo mundo podem apostar, por exemplo, no jogo de domingo entre Paranavai e Cianorte, válido pelo Campeonato Paranaense.

Em pleno domingo de Carnaval, apostadores na Europa ou Ásia podem ainda acompanhar Metropolitano x Hermann Aichinger, válido pelo Campeonato de Santa Catarina. Outra opção para os apostadores: Botafogo de Salvador x Jacuipense, no campeonato baiano.

Até mesmo a segunda divisão do campeonato paulista é alvo de apostas internacionais. Os dez confrontos do torneio no fim de semana estão na lista das casas de apostas, inclusive o jogo entre Santacruzense x Capivariano.

“Casas de apostas estão obtendo uma renda de US$ 200 bilhões ao ano, apenas com o futebol”, alertou Ralf Mutchke, diretor de Segurança da Fifa.


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Raymond Domenech é uma das pessoas mais odiadas da França. Conduziu a seleção francesa a um desastre na Eurocopa de 2008 e um vexame mundial na Copa de 2010, com uma greve de jogadores contra ela em pleno Mundial.

Em 2006, na Copa do Mundo na Alemanha, Domenech ainda tinha certa credibilidade entre o público. Mas em seu livro de memórias que acaba de ser publicado, ele revela passagens surpreendentes.

Um desses episódios veio no jogo válido pelas semi-finais de 2006. A França tinha eliminado o Brasil de Carlos Alberto Parreira uma rodada antes. Enfrentaria Portugal, de Luis Felipe Scolari, hoje o técnico da seleção brasileira.

Ao contar os bastidores da partida, o francês revelou como o brasileiro o procurou momentos antes do início do jogo para saudá-lo. “Eu nunca vi isso antes”, comentou Domenech. “Um técnico que busca o outro para cumprimentá-lo antes da partida”, insistiu. Domenech conta que Scolari o deu a mão e teria dito algumas palavras, que ele não entendeu.

“Fui lavar minha mão”, revelou Domenech. O próprio francês admite que seu gesto foi “grave”. Mas justificou. “Fiquei com a sensação de que ele (Scolari) queria me tirar algo”.

A França acabaria vencendo or portugueses, em um jogo tenso. Scolari, eliminado, saiu reclamando da arbitragem. Mas principalmente do fato de que Domenech, ao terminar a partida, insultou os jogadores portugueses. Talvez isso fique para um próximo livro.

 

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Dentro de campo, o Corinthians e Santos já provaram nos últimos dois anos que fazem parte da elite dos clubes mundiais. Agora, estão prestes a ganhar também espaço político entre os cartolas dos times europeus. Segundo este blog apurou, o Corinthians e o Santos foram convidados para participar oficialmente da reunião anual da poderosa Associação de Clubes da Europa. 

O encontro ocorre no início de fevereiro, no Catar, e terá como missão acertar uma posição única dos clubes para pressionar a Fifa a montar um calendário internacional que respeite os interesses dos times. Outra meta do encontro é o de encontrar uma forma de pressionar a Fifa a pagar um valor maior para que clubes cedam seus jogadores a seleções nacionais, tanto em amistosos quanto durante a Copa do Mundo de 2014.

Além do time de Parque São Jorge e do Santos, estarão presentes o Boca Juniors (Argentina), o DC United (EUA) e o Kashima Antlers (Japão) na reunião presidida pelo Bayern de Munique e pelo Milan. O Corinthians foi campeão mundial em 2012 e o Santos vice em 2011.

Nos últimos anos, tanto o Corinthians como o Santos já foram convidados para debater de forma informal a situação dos clubes com os grandes times europeus.

Agora, a nova entidade não apenas ganhou uma maior dimensão como também passou a ser reconhecida dentro das estruturas da Fifa e da Uefa. Em troca do reconhecimento, os clubes aceitaram abandonar todos os processos legais que tinham contra a Fifa.

Mas os europeus não disfarçam que o objetivo é mesmo de criar o que seria uma associação mundial de clubes e o convite aos dois clubes brasileiros seria um primeiro passo para a implementação dessa estratégia. Há dois anos, essa perspectiva já foi levantada. Mas um cartola do Barcelona admitiu que o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira vetou a participação dos sul-americanos na iniciativa.

Por enquanto, os dois clubes brasileiros serão apenas convidados e não serão membros pleno da entidade. Mas com a participação de times fora da Europa no evento, a meta é a de começar abrir espaço para que a ideia de uma associação mundial ganhe apoio.

Na avaliação dos clubes europeus, diante da capacidade dos clubes brasileiros de manter seus craques com salários maiores, do retorno de muitos jogadores ao Brasil, cada vez mais os times brasileiros sofrerão dos mesmos problemas que eles já enfrentam: a liberação de jogadores para seleções, a acumulação de jogos e a predominância dos interesses da Fifa sobre o dos clubes.

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GENEBRA – O Corinthians se transforma no clube mais rico do mundo fora da Europa. Dados divulgados hoje pela consultoria britânica Deloitte apontam que a renda do clube brasileiro em 2012 chegou a 94,1 milhões de euros, superior a todos os demais clubes fora do Velho Continente.

Os dados fazem parte do informe que anualmente a consultoria apresenta sobre as finanças do futebol mundial. Neste ano, o Real Madrid quebrou um recorde e, pela primeira vez na história, um clube obteve uma renda de mais de 500 milhões de euros. O segundo lugar é do Barcelona, seguido pelo Manchester United e pelo Bayern de Munique. Na lista dos 20 maiores clubes, sete estão na Inglaterra, contra cinco na Itália.

Considerando todos os clubes, inclusive os europeus, o Corinthians apareceria na 31a posição, superado pelo Galatasaray, da Turquia, além de clubes como o Benfica, Ajax e Sunderland. O Chelsea, que perdeu para o Corinthians na final do Mundial de Clubes, é o quinto time mais rico do planeta, com uma renda mais de três vezes superior ao do Timão em 2012.

A consultoria também destaca a evolução da economia brasileira como um dos fatores que elevou a renda do Corinthians, e não apenas seu desempenho em campo. Para os economistas, clubes brasileiros poderão estar entre os 20 mais ricos do mundo.

“O crescimento da economia no Brasil tem aumentado a renda com publicidade e transmissoes para os maiores clubes brasileiros”, indicou a pesquisa. São Paulo e Flamengo também estão entre os 50 clubes com maior arrecadação do mundo.

“Esses fatores, combinado ao fato de que há um investimento substancial tanto no Brasil quanto na Rússia para sediar as Copas de 2014 e 2018, significam que clubes desses países tem potencialmente uma plataforma forte para desafiar o domínio dos clubes das cinco grandes ligas europeias, e portanto entrando nos próximos anos na lista dos 20 maiores clubes do mundo”, aponta a Deloitte.

 

 

 

Jamil Chade é correspodente do jornal O Estado de São Paulo na Europa desde 2000. Foi premiado como o melhor correspondente brasileiro no exterior em 2011, pela entidade Comunique-se. Com passagem por 67 países e mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Genebra, Chade foi presidente da Associação de Correspondentes Estrangeiros na Suíça entre 2003 e 2005 e tem dois livros publicados. « O Mundo Não é Plano » (2010) foi finalista do Prêmio Jabuti, categoria reportagem. Na Suíça, o livro venceu o prêmio Nicolas Bouvier. Em 2011, publicou “Rousseff”.

 

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Acusado de corrupção, um dos membros da família real da da Espanha, Iñaki Urdangarin, fechou um contrato com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) tendo em vista a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. O Banco admitiu ao Estado que pagou R$ 140 mil à empresa da nobreza espanhola, sem licitação, para “a analisar opções de apoio ao governo brasileiro frente à preparação da Copa do Mundo 2014″.

Iñaki Urdangarin, que é genro do rei da Espanha, está sendo investigado na Espanha por ter usado uma fundação e empresas que criou para desviar milhoes de euros em dinheiro público, envolvendo até mesmo sua mulher, uma das princesas espanholas e filha do rei Juan Carlos. O caso fez a popularidade da família real espanhola desmoronar aos seus piores índices desde o fim do regime de Franco e, neste mês, contas do instituto presidido por Urdangarin foram bloqueadas em paraísos fiscais.

Agora, o jornal El País traz revelaçoes de um dos sócios do genro do rei, o empresario Alex Sánchez Mollinger, à Justiça. Segundo ele, Urdangarin obteve um contrato com o Banco Interamericano de Desenvolvimento no Brasil. “O Mundial de futebol de 2014 foi dado ao Brasil e havia o interesse de desenvolver um caminho de como aproveitar a Copa para gerar desenvolvimento e obter valor a partir do evento”, explicou Mollinger no processo.

O sócio do suspeito admitiu que ele e Urdangarin chegaram a viajar ao País. “Estivemos no Brasil e nos pediram uma extensão para os Jogos Olímpicos de 2016. Foi Urdangarin quem trouxe o contrato, repartindo o dinheiro com base nos trabalhos realizados”, insistiu.

Investigaçoes na Espanha revelaram que sua fundaçao e empresas deram notas falsas, camuflou suas contas e evadiu impostos durante anos, enquanto supostamente anunciava que trabalhava para promover o desenvolvimento a partir do esporte.

Plano – No caso dos contratos no Brasil, o procurador anti-corrupção da Justiça de Las Palmas, onde o caso está sendo julgado, ainda não decidiu se existem provas suficientes a partir das novas revelaçoes para indiciar Urdangarin por crimes fiscais.

A reportagem do Estado pediu esclarecimentos ao escritório do BID no Brasil sobre a natureza dos contratos, os valores envolvidos e a finalidade dos acordos com a empresa do genro do monarca espanhol. A reportagem também questionou o banco se o contrato foi cumprido pela fundaçao do membro da família real. O escritório do BID em Brasília só respondeu depois de receber um sinal verde de Washington, sede da instituição.

Segundo a assessoria do Banco, “o BID contratou a Numa Capital em 2009, para analisar opções de apoio ao governo brasileiro frente à preparação da Copa do Mundo 2014″.

Questionado sobre o serviço prestado pela empresa, a resposta foi a seguinte: “Os termos de referencia incluíam, entre outros, a preparação de um plano plurianual 2009-2014, para consideração das autoridades brasileiras diante dos preparativos para a Copa do Mundo 2014 e um relatório final com sugestões sobre os arranjos institucionais para as tarefas de monitoramento das atividades preparatórias para a Copa”.

De acordo com o BID, a Numa Capital “cumpriu com o estipulado no contrato”, que rendeu US$ 70 mil ao genro do rei.

Questionado se houve licitação, o banco deixou claro que não. “Segundo nossas regras, pelo valor da contratação, não era necessária licitação internacional”, indicou a assessoria.

Segundo o site do BID, o portfólio do banco em projetos no Brasil chega a US$ 9 bilhoes, com parte de suas açoes justamente nas cidades que receberão os jogos da Copa de 2014.

 

 

Jamil Chade é correspodente do jornal O Estado de São Paulo na Europa desde 2000. Foi premiado como o melhor correspondente brasileiro no exterior em 2011, pela entidade Comunique-se. Com passagem por 67 países e mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Genebra, Chade foi presidente da Associação de Correspondentes Estrangeiros na Suíça entre 2003 e 2005 e tem dois livros publicados. « O Mundo Não é Plano » (2010) foi finalista do Prêmio Jabuti, categoria reportagem. Na Suíça, o livro venceu o prêmio Nicolas Bouvier. Em 2011, publicou “Rousseff”.

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A vida do técnico Luiz Felipe Scolari não será mesmo das mais fáceis em 2013. Hoje, o diretor da Federação de Futebol da Alemanha, Oliver Bierhoff, anunciou em uma entrevista ao site da entidade que a Mannschaft está negociando a realização de um amistoso contra o Brasil em agosto.

Felipão, assim, promete ter um ano de testes reais para a seleção. Em fevereiro, joga contra a Inglaterra em Londres. Em março, contra a Itália. Durante a Copa das Confederaçoes, terá a chance de enfrentar a Espanha, se ambas as seleçoes avançarem.

Em agosto, seria então a vez de medir forças contra a Alemanha, eterna candidata ao título em Copas do Mundo. O jogo deve ocorrer na Europa. “Nosso objetivo para agosto é de enfrentar o Brasil”, declarou Bierhoff.

Em entrevista ao Estado há uma semana, Scolari deixou claro que foi ele mesmo quem pediu para a CBF organizar amistosos contra equipes fortes, uma forma de compensar o fato de o Brasil não estar participando das Eliminatórias para a Copa.

“A forma de superar isso é jogar contra as maiores equipes e as indicadas como as favoritas para serem campeãs”, declarou. “Ainda assim, nunca é um jogo de três pontos.

Nunca é um jogo em que um erro te afaste de uma competição. Então, falta um pouco de competitividade. Mas o que pode atenuar essa dificuldade é jogar com as grandes equipes”, declarou.

Em 2012, a CBF organizou amistosos contra o Iraque, China e times com qualidade sofrível. Em 2013, pelo jeito nao faltarão testes para o time de Felipão.

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A desaceleração da economia brasileira passa a fazer parte das preocupações dos membros do Comitê Olímpicos Internacional. Reunidos hoje em Lausanne, o COI e a delegação do Rio 2016 discutiram a situação da preparação da cidade.

Uma das perguntas feitas ao presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, foi direcionada justamente sobre a situação da economia brasileira, que passa por uma desaceleração e chamou a atenção internacional. A variação cambial também foi alvo de questionamento, já que isso teria um impacto direto na renda que o COI terá do evento.

O que membros da entidade querem saber é até que ponto a desaceleração poderia afetar as obras e a preparação.

Nuzman teria explicado que, para 2013, a projeção é de um crescimento de 3,5% e que o Banco Central está comprometido em evitar flutuações no câmbio.

Mark Adams, porta-voz do COI, ainda deixou claro que a mensagem ao Rio é a de que “não há tempo a perder” nas obras e que os organizadores precisam agir “com todo o vigor”. Em outras palavras, há não mais como permitir que uma obra sofra um atraso.

As informações fornecidas sobre a reunião de hoje, porém, se contrastam com a explicação que Nuzman deu à imprensa internacional, minutos antes de Mark Adams. Segundo ele, os organizadores da Rio 2016 fizeram sua apresentação aos membros do COI.

Mas, questionado por um jornalista estrangeiro se haviam recebido perguntasdo Comitê Executivo do COI após a apresentação, Nuzman apenas disse: “não”. “Estamos em dia”, afirmou Nuzman. “Foi muito bom. Estamos numa situação muito confortável”, completou.

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