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Síria: quase 200 mil mortos em um conflito abandonado

Jamil Chade

22 agosto 2014 | 05:22

 

GENEBRA - Um conflito esquecido, uma população rifada e potências mundiais paralisadas diante do colapso de um país. Novos dados publicados hoje pela ONU revelam que a guerra na Síria já fez pelo menos 191 mil mortos entre março de 2011 e abril de 2014. Em apenas um ano, o número de vítimas mais que duplicou. Entre as crianças, o total de mortos supera a marca de 8,8 mil menores.

A própria ONU admite que o volume de mortos deve ser ainda maior. Mas optou por publicar apenas a lista de pessoas que conseguiram ser identificadas, com nome e sobrenome. “Tragicamente, esse número é certamente abaixo do volume real de pessoas mortas nos três anos desse conflito”, alertou Navi Plllay, alta comissária da Direitos Humanos da ONU.

Segundo ela, outros 51,9 mil nomes de pessoas mortas foram excluídas da lista oficial por não conter “informações suficientes” sobre quem seriam essas pessoas e os locais de seus assassinatos. Outras milhares de mortes, segundo a ONU, sequer teriam sido registradas pelas famílias ou pelos grupos armados.

A número 1 das Nações Unidas para Direitos Humanos lamenta que, diante de novos conflitos pelo mundo – Ucrânia, Iraque e Gaza – a crise na Síria “saiu dos radares” da comunidade internacional.

Oficialmente, o maior número de mortes ocorreu na região rural de Damasco, com 39 mil vítimas. Em Aleppo foram mais 31,9 mil contra 28 mil em Homs.

Os dados mostram que 85% das vítimas são homens. Mas a lista conta com 17,7 mil mulheres vítimas da guerra.

Um total de 8,8 mil menores foram registrados entre os mortos. Desses, 2,1 mil deles tinham menos de dez anos.

“É um escândalo o fato de esse conflito não estar mais atraindo a atenção, apesar do enorme sofrimento”, alertou Pillay. “Esse é um indiciamento da Era em que vivemos. Não apenas esse conflito foi autorizado a continuar por tanto tempo, sem um fim previsto, mas também está afetando centenas de milhares de outros no Iraque e no Líbano”, alertou.

A ONU ainda ataca a “paralisia” internacional diante do drama sírio. “Os assassinos na Síria ganharam força diante da paralisia internacional”, declarou. “Existem sérias alegações de crimes contra a humanidade e a impunidade é total. Mesmo assim, o Conselho de Segurança fracassou em levar o caso para o Tribunal Penal Internacional”, acusou. A ONU ainda pede que governos abandonem a ajuda militar que prestam aos grupos dentro da Síria.