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Fifa forneceu mais de 70 mil ingressos para cartolas

Jamil Chade

18 junho 2014 | 09:26

Rio - A Fifa destinou mais de 70 mil ingressos para a Copa do Mundo no Brasil para cartolas de seleções que sequer foram classificadas para o Mundial. A entidade conta com 209 federações e, destas, apenas 32 estão na Copa.

A entidade insiste que o número é reduzido, em comparação aos 3 milhões de ingressos vendidos. Mas, ainda assim, a distribuição dos bilhetes para a “Família Fifa” representa o equivalente a todo um estádio do Maracanã lotado para uma final. Federações como a do Suriname, Zimbábue, Luxemburgo, China ou Fiji tiveram privilégios para adquirir as entradas.

Para a Copa de 2014, 11 milhões de pessoas tentaram comprar ingressos, um recorde. A procura abriu o maior mercado paralelo de ingressos em décadas, com agências anunciando a venda de bilhetes e uma rede de cambistas internacionais.

Além das entradas colocadas à venda, a Fifa indicou que cerca de 400 mil entradas foram destinadas para patrocinadores e parceiros da entidade, além de convidados VIP.

Apesar de oficialmente estarem com entradas “esgotadas”, os estádios ainda apresentam assentos vagos.

Na partida entre Holanda x Espanha, quase 10% dos lugares não foram ocupados em Salvador. No jogo entre Suíça x Equador, apenas um terço apenas do estádio estava cheio. No domingo, a partida entre Argentina e Bósnia também tinha ingressos à venda no site da Fifa, horas antes do jogo.

O que se vê nos estádios se contrasta com os números oficiais da Fifa. Segundo a entidade máxima do esporte, uma média de 97% dos lugares estão ocupados nos estádios, com vendas de mais de 2,9 milhões de entradas. Oficialmente, existem apenas 7 mil ingressos ainda à venda para todos os 64 jogos da Copa.

A Fifa culpa os próprios torcedores que compraram os ingressos pelos lugares vazios. Segundo a entidade, o sistema de vendas é uma novidade para o torcedor brasileiro, acostumado a retirar o ingressos na última hora e nas bilheterias do estádio. Desta vez, a Fifa exige que os ingressos sejam retirados horas antes e em centros de distribuição, como nos aeroportos e outros locais.

A Fifa ainda tentou criar um sistema pelo qual patrocinadores, que recebem os ingressos para distribuir, são obrigados a registrar os nomes dos convidados 72 horas antes do jogo. Se isso não ocorrer, as entradas voltam para a venda.

Segundo o Estado apurou, um dos problemas tem sido o fato de que algumas federações nacionais não conseguiram vender os ingressos que receberam para alguns dos jogos para seus próprios torcedores. Em Manaus, na partida entre Inglaterra x Itália, os dirigentes em Roma foram obrigados a devolver para a Fifa mais de 2 mil ingressos que não tinham conseguido vender.