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Faltando um mês para Copa, Fifa diz que infra de estádios não era o que “desejava”

Jamil Chade

quinta-feira 08/05/14

GENEBRA - O Brasil terá em um mês a Copa mais cara da história e o País gastou em estádios o equivalente ao que a Alemanha em 2006 e a África do Sul em 2010 investiram em arenas, juntos. Mas a Fifa não está totalmente satisfeita. Em uma entrevista publicada hoje no jornal suíço Le Matin, [...]

GENEBRA - O Brasil terá em um mês a Copa mais cara da história e o País gastou em estádios o equivalente ao que a Alemanha em 2006 e a África do Sul em 2010 investiram em arenas, juntos. Mas a Fifa não está totalmente satisfeita. Em uma entrevista publicada hoje no jornal suíço Le Matin, o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, estima que os estádios não atendem todos os desejos da entidade.

“Nós não temos o nível de compreensão de infraestrutura que desejávamos (nos estádios)”, disse. Ainda assim, ele garante que tudo estará instalado para que a Copa possa ocorrer.

Há dois dias, em Lausanne, Valcke chegou a dizer que viveu um “inferno” na relação com o governo e insinuou que faltaria mais envolvimento do governo federal no projeto da Copa. Ele também admitiu que a Fifa teve de reduzir suas exigências para os estádios no Brasil. Agora, volta a criticar a preparação e diz que a “corrida” ainda está ocorrendo em Porto Alegre, São Paulo e Curitiba.

O francês também reconhece que obras nas cidades-sede não estarão concluídas. “Nas cidades, algumas infraestruturas não estarão terminadas”, disse. “Certamente haverá obras em curso (durante a Copa)”, aponta. Mas ele insiste que essas obras não têm uma relação direta com o Mundial.

Sobre as manifestações, Valcke garante que não haverá o fator “surpresa”. Mas ele admite que os protestos vão ocorrer.”As forças de polícia estão preparadas para administrar esses movimentos de maneira mais adaptada”, disse. Segundo ele, a violência da polícia em 2013 foi um dos fatores que fez a situação se “complicar”.

“Acho que teremos protestos. A Copa é a plataforma ideal, com 18,6 mil representantes da imprensa.”

Questionado se entendia o motivo dos protestos, Valcke garantiu que sim. “Eu entendo perfeitamente o que não funciona no Brasil que, apesar de ser um país muito rico, é um país em desenvolvimento. Não podemos nos esquecer disso”, apontou.

Mas ele rejeita a tese de que a manifestação ocorra contra a Fifa. Segundo ele, é errado fazer a ligação entre os gastos públicos com a Copa e o que poderia ser gasto em outros setores. “Eles (brasileiros) se manifestam contra a corrupção, contra a decisão de aumentar o preço do ônibus, pela saúde e pela educação”, disse.

Para a Copa, o Brasil investiu mais de R$ 8 bilhões em estádios. Em 2007, a CBF havia indicado à Fifa que o gasto com as arenas seria de US$ 1,1 bilhão, cerca de R$ 2,5 bilhões.