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Em receita, Corinthians é o maior clube fora da Europa

Jamil Chade

quinta-feira 23/01/14

Levantamento, porém, alerta que cartolagem brasileira terá de ser reformada para que clubes avancem

 

ZURIQUE - O Corinthians já é o 24o clube mais rico do mundo, superando tradicionais times como Lazio, Ajax, Benfica e outras potências europeias. Dados divulgados hoje pela consultoria Deloitte apontam que a renda em 2013 do clube paulista foi de 113,3 milhões de euros, o que o coloca como o time mais rico fora da Europa. O segundo clube brasileiro mais rico é o São Paulo, entre os 50 com maior renda do mundo e o Flamengo aparece entre os 60 maiores.

Mas um maior avanço do futebol nacional dependerá de um calendário mais racional e de uma administração mais eficiente.

O ranking é liderado pelo Real Madrid, com ingressos de 518 milhões de euros e ocupando a posição de clube mais rico do planeta pelo nono ano seguido. O time de Cristiano Ronaldo é seguido pelo Barcelona e Bayern, que neste ano superou o Manchester United. Se os dois times espanhóis estão entre os líderes, a injeção de recursos no Paris Saint-Germain fez o clube passar a ser o quinto mais lucrativo, com 400 milhões de euros. Em apenas três anos, a renda do tima quadruplicou. “O PSG é o clube que mais avança hoje”, disse a Deloitte.

Mas, para os especialistas, o Corinthians deve entrar nos próximos anos para o grupo de elite do futebol mundial, passando a estar entre os 20 mais ricos do mundo. Hoje, a diferença entre o 20o colocado- o Atlético de Madrid – e o time de Parque São Jorge é de menos de 7 milhões de euros.

No ano passado, o Corinthians já aparecia entre os 30 mais ricos. Mas os avanços continuam. Para a Deloitte, o incremento na renda é um “sinal encorajador para o desenvolvimento do jogo no mundo” e clubes como o São Paulo e Flamengo também poderiam começar a disputar as principais posições.

Parte da renda vem do crescimento da economia brasileira. Segundo a Deloitte, parceiros comerciais passaram a ver os clubes brasileiros como potenciais aliados. “Vários clubes podem já se equiparar a muitos europeus em termos de geração de renda comercial”, indicou.

Outro fator que pode impulsionar a renda dos clubes nacionais é justamente o impacto dos novos estádios para a Copa do Mundo. “Será interessante ver como nos próximos anos mais clubes brasileiros poderão desafiar os grandes clubes diante do desenvolvimento de infra-estrutura no País”, indicou o informe.

“Os investimentos em estádios no Brasil antes da Copa da um excelente oportunidade para que clubes tirem maior proveito das bilheterias de jogos”, disse Richard Batte, consultor da Deloitte. Segundo ele, os estádios estarão mais cheios e mais lucrativos. Ele aposta que o movimento vai garantir que pelo menos um clube brasileiro esteja rapidamente entre os 20 mais ricos.

Desafios – Mas esse avanço não vem sem desafios. Um dos principais seria o estabelecimento de um calendário que permita tirar maior proveito comercial de cada jogo. Um calendário mais racional é justamente o que exige o Bom Senso FC.

Outro desafio do futebol brasileiro é o de garantir “uma administração efetiva e robusta”. Ou seja, uma modernização da cartolagem.

Num outro sinal de que a renda do futebol começa a se espalhar, dois clubes turcos – Galatasaray e Fenerbahçe – entraram para lista dos 20 mais ricos. Para a consultoria, a Copa de 2018 na Rússia promete ter um impacto similar ao Brasil, permitindo uma maior renda para clubes locais.

Elite – Segundo o levantamento, os 20 maiores clubes no mundo tiveram uma renda em 2013 de 5,4 bilhões de euros, um aumento de 8% e que desafia a própria crise mundial.

“O crescimento do futebol superou o da economia global”, disse a Deloitte. Segundo a entidade, em 1996, apenas um clube no mundo tinha uma renda acima de 100 milhões de euros, o Manchester United. Agora, todos os 30 primeiros tem uma renda superior a essa marca. “A taxa de crescimento de renda demonstra que o apetite pelo futebol continua forte”, declarou Dan Jones, um dos autores do informe.