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Brasil tem 3o maior número de mortes de jornalistas no mundo em 2013

Jamil Chade

03 maio 2013 | 17:50

Dados são divulgados no Dia Mundial da Liberdade de Expressão

 

 

O Brasil já registrou em 2013 o assassinato de quatro jornalistas, praticamente um a cada dez no mundo nesse período. Dados divulgados no Dia Mundial da Liberdade de Expressão apontam que, nos primeiros quatro meses de 2013, o Brasil é o terceiro país com maior número de mortes no mundo.

A liderança no número de assassinatos de profissionais é do Paquistão, com nove jornalistas mortos até agora no ano. A Somália vem em segundo lugar, com cinco. No total, 39 jornalistas já perderam suas vidas em 2013 pelo mundo. Na Síria, quatro jornalistas também foram mortos.

Os dados são da Press Emblem Campaign, entidade com sede em Genebra e que defende a criação de regras internacionais para proteger jornalistas em zonas de guerra. Neste ano, o dia comemorado pela ONU, marcado para hoje, tem justamente a questão da segurança do jornalista como tema principal.

Em 2011, o Brasil havia registrado a morte de seis jornalistas em todo o ano. Em 2012, o número chegou a onze. Agora, a tendência de um número elevado parece estar sendo mantida, o que preocupa especialistas e a ONU de que os assassinatos estejam se transformando em “rotina”.

O que chama a atenção da ong é o elevado número de mortes também em toda a América Latina, região que teoricamente não atravessa guerras. Dos 39 mortos no mundo nos primeiros meses de 2013, 13 foram registrados nos países latino-americanos, entre eles dois no México, dois no Paraguai e outros dois na Guatemala.

“A situação é muito preocupante para jornalistas”, alertou Blaise Lempen, secretário-geral da entidade.

Outras entidades, como Reporteres Sem Fronteira, também tem alertado sobre a violência contra jornalistas no Brasil e, num informe de 2012, apontou que o País sofreu uma queda importante no ranking de locais onde mais se respeita a liberdade de expressão.

Na ONU, o Itamaraty vem adotando uma postura e um discurso de apoio à defesa aos jornalistas em diversas reuniões sobre direitos humanos. Mas a entidade alerta que isso não tem se traduzido em ação concreta no País.

Navi Pillay, comissária de Direitos Humanos da entidade, já alertou que cabe ao governo garantir a proteção dos jornalistas em atividade, num esforço importante para garantir a liberdade de expressão.