A ONU se diz “alarmada” pelo número de jornalistas executados no Brasil em 2012 e cobra “medidas imediatas” do governo para garantir proteção. Nesta semana, o jornalista Décio Sá, de 42 anos, foi assassinado no Maranhão. Ele foi a quarta vítima entre jornalistas apenas nos últimos quatro meses, o que coloca o Brasil como o líder por enquanto no número de mortes na América Latina.
Investigações no Maranhão apontam para suspeitas de que a morte de Sá tenha sido encomendada. O jornalista usava seu blog para denunciar atividades de pistoleiros e as principais entidades que representam jornalistas no país e no exterior já reagiram. Na segunda-feira, ele foi executado com seis tiros ao sair de um restaurante em São Luis (MA) onde era cliente.
A onda de mortes de jornalistas no Brasil, porém, chamou a atenção da ONU. “Nós estamos alarmados com o fato de que mais um jornalista foi morto no Brasil neste ano”, declarou Rupert Colville, porta-voz do Escritório da ONU para Direitos Humanos, com sede em Genebra.
A entidade insiste que o que mais a preocupa não é apenas o caso de Sá, mas a sequência de mortes. “Nós condenamos o assassinato de Décio Sá e estamos preocupados de que essa tendêcia mine o exercício da liberdade de expressão no País”, declarou Colville.
A ONU apela agora para que o caso no Maranhão e as demais mortes e ameaças em 2012 sejam alvo de uma investigação aprofundada.
Medidas – A entidade, porém, vai além e numa cobrança clara ao governo brasileiro, exige medidas de proteção. “Pedimos ao governo para implementar imediatamente medidas de proteção para prevenir novos incidentes”, declarou o porta-voz da ONU. Na avaliação das Nações Unidas, a defesa da liberdade de expressão é um dos pilares da democracia.
As ameaças a jornalistas no Brasil vem ganhando destaque nos debates de entidades internacionais. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas, com sede em Nova York, calcula que o Brasil lidera o ranking de jornalistas assassinados na América Latina neste ano.
Segundo o cálculo de outra entidade, com sede na Suíça, a América Latina foi o local mais perigoso do mundo para trabalhar como jornalista em 2011, enquanto governos tanto de direita quanto de esquerda tem lançado duras operações contra a liberdade de expressão na região. A constatação é da entidade suíça Press Emblem Campaing (Campanha para um Emblema de Imprensa), que contabiliza o número de mortes, ameaças, prisões e censura no mundo.
“Na América Latina, não importa o país ou o governo e nem a ideología, o jornalismo independente e o direito à informação está sob fogo cruzado entre a agressão física e ameaças, numa atmosfera de impunidade e corrupção sem limites”, afirma o relatório da entidade.
Pelos cálculos da entidade, a região “tem a triste liderança de violencia e morte” contra jornalistas. Em 2011, foram pelo menos 35, um terço dos 107 registrados no mundo. A liderança é do México, com doze. O Brasil veio no segundo lugar, com seis, mesmo número de Honduras.
No total, a entidade contabiliza 33 agressões contra jornalistas no Brasil em 2011. Além dos seis assassinatos, foram outras duas tentativas de morte, duas prisões, oito casos de agressões físicas, seis casos de censura judicial – uma delas contra o jornal O Estado de S. Paulo e tres abusos de poder. A entidade ainda relata três confiscos de materiais de jornais, além de três acusações de desacato com multas.
Se nem pagar um salário decente pagam neste país imagina segurança. Infelizmente o jornalista, sendo investigativo ou não, vive sob ameaças, como das fontes que não gostaram de uma matéria e até mesmo do público. Isso se deve, em parte, a imagem que é vendida pelas novelas, do profissional trambiqueiro, mal caráter….
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