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Jamil Chade

GENEBRA – Joseph Blatter, O cartola que domina o futebol Mundial há mais de uma década aponta que os jogadores africanos, em vários aspectos, são superiores aos do Brasil. «Fisicamente e psicologicamente, os jogadores africanos estão em um nível acima dos brasileiros », disse, na última segunda-feira em Genebra.

« São jogadores que buscam algo, que tem vontade. Já os brasileiros são mais acrobatas, mais artistas », afirmou, em um tom irônico.

Blatter só se esqueceu de mencionar que a África jamais chegou a uma semi-final de Copa do Mundo.

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GENEBRA – As vésperas da primeira viagem da presidente Dilma Rousseff para a Europa, o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, insinua a necessidade de o Brasil apoiar processos de democratização pelo mundo e de usar sua própria experiência como “exemplo” para outros países.

« Sabemos que o Brasil está nesse momento focado em seu desenvolvimento. Mas, sem dar lição aos outros, seria importante o Brasil compartilhar sua experiência, que é um sucesso e é importante », cobrou, durante um evento na segunda-feira da Fundação Sérgio Vieira de Mello para a entrega de um prêmio a uma ong iraquiana. O brasileiro Vieira de Mello era o representante da ONU em Bagdá há sete anos, quando foi atingido por um carro bomba, fazendo 21 vítimas.

Falando em Genebra, Barroso fez um apoio explícito à intervenção militar na Líbia e garantiu que a resolução da ONU que permitiu a operação “entrará para a história do direito”. “A decisão de atacar não é fácil. Mas a alternativa era cruzar os braços e ver um massacre”, disse.

O presidente da Comissão chegou a comparar o que ocorreu em Ruanda e na Bósnia nos anos 90 com o que poderia ter ocorrido em Benghazi se não fosse a intervenção externa. «Precisamos trabalhar para depois poder olhar no espelho sem vergonha. Seria indigno ficar diferente », disse.

Barroso, questionado por este reporter, preferiu não comentar diretamente a decisão do Brasil de se abster na votação no Conselho de Segurança sobre a Líbia. De uma forma mais geral, apontou que “o papel do Brasil (no apoio à onda de democratização) é crítico”, disse.

« O Brasil é um sucesso global de um país emergente que mostrou que pode ter uma democracia competitiva e ainda assim ter crescimento econômico e desenvolvimento social », disse. « Por isso é que seu papel (na promoção da democracia) é importante. Rompe com a percepção de que são os estados não-democráticos os que mais crescem », apontou.

Barroso ainda vez uma defesa clara da operação militar na Líbia. « Não podemos ser ambiguos nesse caso », completou.

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GENEBRA - Enquanto manifestantes no Bahrein eram reprimidos nos últimos dias pelas forças de ordem e a ONU declarava que até cem pessoas haviam desaparecido nos últimos dias, o governo do pequeno país no Golfo Pérsico fazia um esforço diplomático para se explicar e montar uma campanha de sedução da opinião pública mundial. A monarquia mandou à ONU, em Genebra, sua superministra , Fatima Al Balooshi, responsável pelas pastas de Saúde, Assuntos Sociais e Direitos Humanos. Enquanto tentava convencer a ONU e jornalistas internacionais de que seu país estava passando por um golpe, e não uma revolução popular, a ministra distribuia sorrisos e a impressão de que a população não tinha do que se queixar. « Somos o único país do Oriente Médio que já cumpriu as metas do Milênio de redução de pobreza », argumentava. 

Ela, pelo menos, não tinha do que se queixar. Enquanto conversava, levava orgulhosamente sua bolsa Louis Vuitton que, claro, ia combinando com a carteira da mesma marca. Nada mal como imagem para a ministra de Assuntos Sociais de um país em ebulição. Entre as propostas paea acalmar a população está a introdução de um Bolsa Família. Mais inexplicável ainda eram suas respostas às acusações de que seu governo massacra a oposição, fato comprovado e condenado pela ONU. Eis os principais trechos da entrevista que me concedeu na sede da ONU:

P – A ONUacusou o seu governo de violações de direitos humanos e apontou para o desaparecimento de até cem pessoas nos últimos dias. Porque o seu governo vem tomando essas medidas diante de manifestantes que pedem reformas ?

R – Fui cobrar da ONU de onde tiraram essas informações. Nada disso ocorreu. O que vimos é que foram alguns dos manifestantes que iniciaram a violência. Usavam paus, facas e até espadas contra nossos policiais. Ainda levaram crianças para as ruas para aumentar o número de manifestantes. Nosso país é um local pacífico e as pessoas ficaram assustadas com tudo isso. Atacaram ambulâncias e até hospitais. Até agora, temos 243 policiais feridos por conta das manifestações e apenas 53 feridos entre os manifestantes.

P – Como é que, diante da acusações de uso da força pelo seu governo, a sra. aponta que há mais policiais feridos que manifestantes ? Deve ser um caso único no mundo hoje.

R – Quando as manifestações começaram, o mundo inteiro se voltou contra o Bahrein por conta da forma de respondemos. Então a decisão foi a de demonstrar que, se não usássemos força, a esperança era de que os manifestantes também não o fariam. Mas foi exatamente o contrário que ocorreu. Vendo que não havia controle, os manifestantes deixaram de ter limites.

P – Mas há acusações de que policiais chegaram a invadir hospitais para espancar manifestantes já atingidos, enquanto recusavam a entrada de novos feridos.

R – Não é nada disso. Eram os manifestantes que ocuparam os hospitais. Encontramos até armas lá.

P – Mas qual o número de mortos até agora?

R – São 19. Onze deles manifestantes, mas também quatro policiais, dois estrangeiros e dois civis.

R – Se a situação é tão boa no país, porque há então manifestações?

P – Pediam uma melhor vida e salários melhores. Oferecemos diálogo. Mas não aceitaram. Pode parecer que o Bahrein é parte da onda de revoluções que atingiu o Oriente Médio. Mas o Bahrein é diferente. Não é uma ditadura. Temos a melhor em educação e saúde do Oriente Médio. O que ocorre é que os líderes da violência tem uma agenda externa. Eles torturam e não representam povo de Bahrein.

P – A Arábia Saudita mandou soldados ao Bahrain. Foram voces quem pediram?

R – Sim, para proteger locais estratégicos.

P – Proteger contra quem ?

R – Temos informações de que essa manifestação não é apenas algo espotâneo. Temos indícios claros do envolvimento de atores estrangeiros, como o Hezbollah e um país vizinho. Deram armas e treinamento.

P – Qual país?

R – Um país vizinho.

P – Porque não se pode dizer o nome ? A sra. insinua que seria o Irã ?

R – Só posso dizer que é um país vizinho.

P – Críticos do regime alegam que um dos problemas é que, num país de maioria xiita, é uma família real sunita quem comanda. Isso é um problema ?

R – Somos uma democracia. O Parlamento é eleito e quase metade dele é compost de xiitas. Por tanto, não aceito esse argumento. Temos 19 igrejas cristãs no país, somos uma sociedade multicultural.

P – O que voces estão pensando em fazer para frear a pressão social por uma melhor vida no país?

R – Uma das propostas que estamos avaliando é justamente o que voces estabeleceram com sucesso no Brasil, que é a transferência de recursos, no mesmo estilo do Bolsa Família. Estamos avaliando como implementar essa experiência aqui.

P – A opção da monarquia desaparecer pode ser uma solução ?

R – Ninguém está pedindo isso.

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GENEBRA – Na próxima quinta-feira, o Conselho de Direitos Humanos da ONU vota uma resoluçao para criar um cargo de relator especial para investigar os crimes cometidos pelo governo iraniano. 50 países já apoiam o projeto, liderado pelos Estados Unidos.

O Brasil, depois de anos hesitando criticar o governo de Ahmadinejad, deve finalmente votar a favor da resoluçao.

Com exclusividade, eis o rascunho do texto, em inglês e como está sendo circulado nesse momento entre as capitais de todo o mundo para avaliaçao dos governos, antes da votaçao:

Situation of Human Rights in the Islamic Republic of Iran

The Human Rights Council,

Guided by the Charter of the United Nations, as well as the Universal Declaration of Human Rights, the International Covenants on Human Rights and other relevant international human rights instruments,

Recalling General Assembly Resolution A/RES/65/226 of December 21, 2010, and regretting the Islamic Republic of Iran’s lack of cooperation with the requests of the General Assembly reflected in the resolution,

Welcoming the Interim report of the Secretary-General on the situation of human rights in Iran to the Human Rights Council and expressing serious concern about developments noted in that report,

Recalling its resolutions 5/1 on the institution-building of the Council and 5/2 on the code of conduct for special procedures mandate-holders of the Council, of 18 June 2007, and stressing that mandate-holders are to discharge their duties in accordance with those resolutions and the annexes thereto,

1. Decides to appoint a Special Rapporteur on the situation of human rights in the Islamic Republic of Iran to report to the Human Rights Council and the General Assembly and to present an interim report to the General Assembly at its 66th session and to submit a report for consideration by the Human Rights Council at its Nineteenth Session;

2. Calls upon the Government of the Islamic Republic of Iran to cooperate fully with the Special Rapporteur and to permit access to visit the country as well as all necessary information to enable fulfillment of the mandate;

3. Requests the Secretary General to provide the Special Rapporteur with the resources necessary to fulfill the mandate within existing resources.

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