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Jamil Chade

No auge da Segunda Guerra Mundial, Josef Stalin convidou o então primeiro britânico Winston Churchill para uma reunião em Moscou. Na pauta, a tentativa do Kremlin de convencer os europeus a abrir uma segunda frente de batalha contra os nazistas. Mas o que era para ser uma reunião de algumas poucas horas entrou pela madrugada, regada por muita bebida.

O encontro ocorreu no Kremlin em agosto de 1942 e seus detalhes estão sendo divulgados hoje pelo Arquivo Nacional Britânico, em uma nova rodada de publicação de documentos secretos da guerra.

O relato do encontro foi feito por Sir Alec Cadogan, na época o secretário do Ministério de Relações Exteriores e que acompanhava Churchill na visita. Segundo ele, cinco horas depois do início do encontro dos dois líderes, ele foi chamado para ir aos aposentos de Stalin no Kremlin. Era 1 da manhã.

“Lá, encontrei Winston e Stalin … sentados com uma bandeja pesada entre eles. Comida de todo tipo e no meio um porco. E inúmeras garrafas”, escreveu..”O que Stalin me fez beber era bastante selvage. Winston, que naquele momento estava já se queixando de dores de cabeça, parecia sabiamente confinado a um vinho tinto do Caucaso, comparativamente inócua”, escreveu.

“Tudo parecia feliz, como um sino de casamento. Não havia muita conversa militar enquanto estive la”, confessou. Segundo Sir Alec, o encontro durou até as 3am.

Para o observador, a bebedeira serviu pelo menos para aproximar os dois líderes. “O mais importante é que esses dois grandes homens realmente se conectaram e chegaram a entendimentos”, escreveu. “Certamente Winston ficou impressionado e acho que o sentiment foi recíproco”, comentou.

Os ingleses, porém, frustraram o pedido de Stalin de abrir uma segunda frente de batalha. Essa segunda ofensiva ocorreria apenas em 1944, no desembarque da Normandia por americanos e ingleses. Nesse momento, porém, o efeito do álcool já teria passado e Churchill tinha fortes desconfianças sobre Stalin e seus projetos para a Europa…

 

Para quem quiser ler o texto original dos documentos, eis o link: http://filestore.nationalarchives.gov.uk/documents/fo-1093-247.pdf

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Desastres naturais apenas no século XXI já custaram à economia global o equivalente ao PIB do Brasil. Dados divulgados pela ONU apontam que a repercussão econômica de desastres está subestimada e que o que vem sendo publicado é apenas uma parte das consequências de terremotos, furacões e enchentes. No total, o impacto chegaria a US$ 2,5 trilhões apenas nos 13 primeiros anos do século.

As informações revelam, segundo os especialistas, a importância do setor privado em se preparar para ciclones e outros fenômenos naturais. Apesar ter seguros contra danos em fábricas ou produção não seria suficiente, já que o impacto indireto pode ser a perda de mercados por conta de uma interrupção prolongada.

Segundo a ONU, apenas ciclones e terremotos deixam um prejuizo anual de US$ 180 bilhões ao mundo desde 2000, enquanto a pesquisa mostra que apenas uma a cada seis empresas multinacionais tem planos de garantir uma produção ininterrupta em caso de desastre natural.

“Os custos dos desastres estão fora de controle”, declarou o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon. “Mas isso é inaceitável, já que o mundo tem o conhecimento suficiente para reduzir as perdas”, alertou.

O que preocupa os especialistas é que a conta dos desastres tem apenas aumentado. Isso porque, nos últimos 20 anos, multinacionais tem optado por diversificar sua produção e sair em busca de locais onde a mão de obra seria mais barata. O prolema é que esses são os locais também menos preparados para enfrentar desastres naturais.

Segundo as estimativas, 4,3% do PIB global está situado em regiões que com frequência são afetadas por ciclones tropicais.

Para países em desenvolvimento, esses desastres tem sido fatais para suas economias. Em Moçambique, as perdas com o clima em 2011 foram superiores aos investimentos externos recebidos pelo país naquele ano.

Na avaliação dos especialistas, investimentos em reduzir riscos podem ser a solução. Um dos exemplos foi o caso da operadora de energia da Nova Zelândia, a Orion, que investiu US$ 6 milhões em um plano contra terremotos. Quando o desastre ocorreu em Christchurch, a empresa economizou US$ 65 milhões.

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Dados divulgados hoje em Bruxelas apontam que o primeiro trimestre de 2013 registrou mais uma contração do PIB europeu, tornando a atual recessão a mais longa desde que os dados começaram a ser coletados para todo o continente de forma unificada desde 1995.

Segundo os dados,  os países que usam o euro sofreram uma contração de 0,2% em suas economias, pior que as perspectivas do mercado. A França voltou a cair em recessão – a terceira em quatro anos – e países como Finlândia, Espanha, Holanda e Itália também seguiram esse caminho.

As informações oficiais também destacam que a recessão atual já é mais prolongada que a de 2009, quando a economia mundial teve seu pior ano em sete décadas. No total, já são 18 meses de contração do PIB europeu.

O resultado tem sido bem mais profundo que um mero nervosismo nos mercados. Hoje, 19 milhões de pessoas estão sem trabalho na zona do euro, a pobreza voltou a fazer parte do debate, empresas continuam a fechar suas portas e governos não sabem o que fazer para ao mesmo tempo se manter no poder e dar uma resposta à crise.

A recessão só não é mais profunda porque a maior economia do bloco – a Alemanha – conseguiu crescer em 0,1% no trimestre.

O Banco Central Europeu chegou a cortar uma vez mais suas taxas de juros, na esperança de dar fôlego à economia do bloco. Mas de pouco adiantou.

Nos governos, a ideia de que a austeridade seria o remédio para a crise também parece ganhar cada vez mais resistência. Mas, pelo menos por enquanto, o problema é que nenhuma alternativa foi encontrada para anos de irresponsabilidade fiscal, queda de competitividade e um sistema financeiro que levou o continente a sua pior crise desde a Segunda Guerra Mundial.

 

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O diretor eleito da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevedo, promete atuar “pelo interesse” de todos os países, superando as divisões entre os governos que vem marcando a entidade nos últimos anos.

Na manhã de hoje, a OMC confirmou Azevedo como seu novo diretor, função que ele assumirá em setembro. Em seu primeiro discurso, o brasileiro fez questão de reforçar a ideia de que, uma vez no cargo, atuará para criar consenso entre os membros e deixou claro que não será um representante de um país emergente ou do Brasil, mas sim de todos os grupos.

Azevedo não teve o voto de EUA e da Europa, mas esses governos também não o vetaram. Para o brasileiro essa situação da “legitimidade” para atuar.

Durante sua campanha, Azevedo insistiu em não se posicionar como um candidato de um país em desenvolvimento e tentou se afastar da posição considerada como protecionista do Brasil.

Mas sua grande base de votos veio mesmo dos emergentes, que garantiram sua eleição. Agora, no cargo, o brasileiro já começou uma campanha para garantir e tranquilizar países ricos de que atenderá o interesse de todos.

Sobre seu trabalho, Azevedo alertou aos países que “não há tempo a perder” diante dos 13 anos de negociações da Rodada Doha e da incapacidade dos governos em superar suas diferenças.O primeiro teste será em dezembro, na conferência ministerial da entidade em Bali.

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GENEBRA – “Era logo depois das 6.30pm da tarde de terça-feira e Roberto Azevedo saía da sede da Organização Mundial do Comércio em Genebra, se deparando com um grupo de jornalistas que aguardavam do lado de fora. O embaixador brasileiro para a OMC permaneceu em silêncio. Mas sua expressão de felicidade o entregou. Minutos antes, ele havia sido dito que tinha assegurado a nomeação para substituir a Pascal Lamy”.

A versão quase romântica do dia em que Azevedo foi eleito para comandar a OMC foi publicada no Financial Times, uma espécie de Bíblia da economia mundial e jornal de referência. O artigo estava titulado: “Lacrado com um sorriso: como o Brasil conseguiu colocar seu homem Azevedo na OMC”. “O candidato brasileiro se traiu com um sorriso”, disse.

O problema é que isso jamais ocorreu. O Estado foi um dos cerca de 20 jornais, câmeras e agências de notícias que estavam na porta da OMC quando essa reunião de terça-feira ocorreu.

O próprio Azevedo confirmou que, naquele momento, estava em sua sala no gabinete da missão do Brasil em Genebra, cerca de 15 minutos de distância de carro da sede da OMC.

O novo diretor foi informado pelo telefone e, em sua sala, estavam sua esposa e uma assessora. Ao receber o telefonema, fez um sinal de positivo com o dedo.

Quem de fato foi à reunião da OMC foi o diplomata brasileiro Estanislau Amaral, enviado pelo governo para saber o resultado da eleição. Na reunião, que também contou com um embaixador mexicano representando o candidato Hermínio Blanco, Amaral foi informado da vitória de Azevedo. Saiu feliz e chegou a comentar que seu sorriso “dizia tudo”, o que fez disparar os jornalistas informando seus editores e redações do resultado.

Azevedo jamais pisou os pés na entidade naquele dia. E nem nenhum jornalista do Financial Times.

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Thomas Bach, um dos principais dirigentes do COI e amplo favorito para ser o próprio presidente do movimento olímpico em setembro, insinua que os organizadores dos jogos olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro não deverão usar o nome “João Havelange” no estádio olímpicos que sediará o evento.

Pelos planos, o Engenhão seria usado em 2016 como estádio olímpico. Seu nome oficial, porém, é “Estádio João Havelange”, o que tem gerado duras críticas no exterior por conta das revelações sobre o ex-cartola brasileiro.

Havelange abandonou o COI há um ano, uma semana antes de a organização tornar pública uma investigação sobre sua atuação como presidente da Fifa e o fato de ter recebido R$ 40 milhões em propinas durante anos. Há uma semana, a própria Fifa admitiu em um documento oficial que Havelange recebeu os pagamentos ilegais e fraudou a entidade.

O brasileiro, também para evitar punição e continuar recebendo sua aposentadoria, renunciou de seu cargo de presidente de honra da Fifa dez dias antes do anúncio de sua corrupção, em um final melancólico.

Agora, uma das últimas homenagens ao cartola também poderá acabar. Hoje, Bach lançou oficialmente sua candidatura para liderar o COI, em eleições que ocorrem em quatro meses.

Questionado pelo Estado sobre o que ele achava de o Engenhão levar seu nome oficial em homenagem ao ex-presidente da Fifa, Bach lançou seu desafio aos organizadores do evento no Rio de Janeiro.

“Vamos continuar com a política que temos no COI de tolerância zero em relação à corrupção”, disse. “Isso é algo positivo para a credibilidade dos Jogos Olímpicos”, disse.

Diante da primeira resposta vaga, o Estado voltou a perguntar: “mas o sr. se sentiria confortável em ver o seu evento em 2016 em um estádio com o nome Havelange ou não”.

Bach foi então mais claro. “Eu já dei minha resposta e acho que você pode tirar sua conclusão disso”, declarou. “Por enquanto, não existe um estádio olímpico. Ele só existirá em 2016 e espero que os organizadores respeitem as exigências éticas estabelecidas pelo COI”, completou.

 

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Volume é inferior ao que ganham diretores do Banco Mundial e FMI e nao pagam impostos

 

Se nada mudar na forma de pagamento da OMC, Roberto Azevedo deverá receber em seus quatro anos na entidade um total de R$ 3,2 milhões em salários. O dinheiro, porém, é inferior ao que recebem os chefes do FMI e do Banco Mundial, consideradas como organizações irmãs da OMC. O brasileiro terá de negociar com a entidade o pacote de beneficios que terá a partir de 1 de setembro, incluindo moradia. Mas, se o atual salário de Pascal Lamy for mantido para o brasileiro, o pacote envolveria cerca de US$ 400 mil por ano (R$ 800,7 mil).

O valor é considerado por negociadores como um salário adequado para garantir quadros de qualidade na entidade e fontes dentro da OMC insistem que se essas mesmas pessoas estivessem no setor privado, ocupariam cargos com renda bem mais elevada. Ainda assim, o valor que Lamy recebe é cerca de 70% superior ao que era pago nos primeiros anos da entidade.

Se Azevedo receber o mesmo salário de Lamy, ele terá uma renda inferior a dos demais diretores de organismos internacionais. No FMI, a francesa Cristine Lagarde ganha US$ 467 mil por ano, além de benefícios extras de mais US$ 83 mil. No Banco Mundial, o presidente recebe US$ 450 mil. Já Azevedo teria um salário de cerca de US$ 400 mil por ano.

Em 2009, Lamy criou uma verdadeira polêmica ao propôr um aumento de 30% de seu próprio salário, no que seria uma forma de garantir uma aposentadoria, já que a entidade não tem tal mecanismo. Em meio a pior crise financeira internacional em 70 anos, o pedido foi categoricament rejeitado pelo governo dos EUA e de vários outros países.

A OMC, justamente por conta da crise, vem adotando uma postura de crescimento zero de seu orçamento e, segundo diplomatas consultados pelo Estado, dificilmente Azevedo teria qualquer benefício extra ao que foi obtido por Lamy. Diplomatas também apontam que o brasileiro será alertado que não poderá trazer para a entidade um número importante de assessores, como fez Lamy.

Oficialmente, Azevedo apenas assumirá suas funções no dia 1 de setembro. Mas, rompendo um tabu, já começará a trabalhar quase imediatamente. Diplomaticamente, Azevedo afirmou que ainda não sabe como será a transição e insistiu que o diretor é Lamy.

Mas o Estado apurou que o novo diretor deverá ocupar um escritório dentro da própria OMC e, ainda neste mês, pode começar a viajar para reuniões ministeriais, acompanhando o atual chefe da entidade e até mesmo se envolvendo em decisões. O objetivo é o de garantir uma transição rápida para que a conferência ministerial da OMC, em novembro, não se transforme em mais um fracasso mundial.

O encontro que ocorrerá na Indonésia terá como missão praticamente definir o rumo da OMC durante todo o mandato de Azevedo. Portanto, se não houver um acordo antes da conferência, o risco é de que o próprio trabalho do brasileiro seja prejudicado. Tanto Lamy quanto Azevedo sabem que a entidade vive um momento crítico e salvar a conferência se transformou em prioridade.

O problema é que, para isso, o brasileiro terá poucos meses entre sua posse e o evento. Em duas semanas, Lamy pretende levar Azevedo para a reunião ministerial da OCDE, em Paris.

Apesar da disposição de Lamy de colaborar, o francês foi um dos poucos no mundo comércio que não pegou o telefone para ligar para Azevedo desde sua nomeação. Lamy apenas mandou uma mensagem escrita.

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Diplomatas dos EUA e da Europa apresentaram na manhã e hoje seu voto na Organização Mundial do Comércio na seleção do diretor-geral da entidade. Washington como Bruxelas votarão pelo mexicano Hermínio Blanco. Mas admitem que, se o brasileiro Roberto Azevedo sair como vencedor, não irão se opôr.

A decisão é importante, já que evitaria um impasse. O Brasil afirma ter o maior número de voto entre os países emergentes. Já o México garante que tem o apoio quase integral dos países ricos.

Pelas regras da OMC, não basta apenas um candidato sair com o maior número de votos. O escolhido terá de ter apoio tanto de países ricos como emergentes. Na tarde de hoje, a OMC conhecerá seu novo diretor, depois de quatro meses de um processo que envolveu nove candidatos.

Michael Punk, embaixador ds EUA, foi o último a votar.

 

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Traindo promessas feitas à presidente Dilma Rousseff, líderes europeus optam por dar seu voto ao candidato mexicano Hermínio Blanco para a direção da Organização Mundial do Comércio e embolam a corrida. Ainda assim, o Itamaraty insiste que os votos obtidos pelo Brasil seriam suficientes para garantir uma vitória do candidato brasileiro, Roberto Azevedo.

Amanhã, a OMC conclui seu processo de escolha e anunciará o nome do vencedor, em uma corrida que contou com nove candidatos e se transformou em uma questão de estado para muitos governos.

Um dos últimos a tomar a decisão de quem apoiaria foi a União Europeia. O bloco decidiu votar de forma conjunta em um nome comum. Na prática, isso significa que 28 votos dos 159 da entidade seriam dados de forma coesa.

Por semanas, o Brasil tentou nfluenciar os europeus, com Dilma recebendo garantias até mesmo do presidente da França, François Hollande, de que Paris apoiaria Azevedo. Portugal chegou a colocar um comunicado de imprensa para anunciar o apoio ao Brasil.

Na tarde de hoje em Bruxelas, porém, os países europeus se reuniram para tomar uma decisão sobre quem recebia seu voto na final. Numa primeira rodada de votações, Blanco saiu com 15, contra 12 de Azevedo.

Países que não queriam o mexicano insistiram que uma nova votação deveria ocorrer. O acordo foi de que o pleito seria refeito. Mas, desta vez, o resultado que saísse deveria ser respeitado por todos. Por algumas horas, manobras intensas ocorreram nos bastidores para tentar reverter a situação.

Mas, quando a votação ocorreu uma vez mais, o resultado saiu idêntico: 15 x 12 para os mexicanos.

A UE, assim, decidiu dar todos seus votos a Blanco, frustrando a indicação que o Itamaraty tinha de que ficaria com pelo menos parte dos votos.

Apesar de ser um duro golpe, a decisão da Europa não significa o fim da campanha do brasileiro, que tem ampla maioria entre os países emergentes. O problema é que, pelas regras da OMC, o candidato escolhido deve ter o apoio de todas as regiões.

Azevedo chega ao último dia com forte apoio na África, Ásia, América Latina e Oriente Médio. Mas sem o apoio dos EUA e da Europa, as duas maiores economias do mundo.

 

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O brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, presidente da Comissão de Inquérito criada para ONU para investigar crimes na Síria, desmente a versão de que grupos rebeldes sírios usaram armas químicas durante o atual conflito contra as tropas do regime do ditador Bashar Assad. A denuncia havia sido feita no fim de semana por outra integrante da mesma comissão, a suíça Carla del Ponte.

“Dispomos de testemunhos sobre a utilização de armas químicas, em particular do gás sarin. Não por parte do regime sírio, mas dos opositores”, disse Del Ponte em entrevista a uma rádio suíça, na madrugada desta segunda-feira. Segundo ela, “as investigações ainda estão longe de serem concluídas” e, portanto, não se poderia ainda afirmar se Assad utilizou ou não armas químicas.

Na tarde de hoje, Pinheiro emitiu uma nota para esclarecer  que a Comissão “não chegou a resultados conclusivos sobre o uso de armas químicas na Síria por nenhum dos grupos no conflito”. “Como resultado, a Comissão não está em posição de fazer qualquer comentário extra sobre as alegações nesse momento”, disse.

Pinheiro se limitou a insistir que governo e oposição devem ter em mente que o uso de armas químicas é “proibida em todas as circunstâncias”.

O Exército Livre Sírio também negou a acusação de Del Ponte, justificando que se trata de “meras especulações”.

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