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Quem Faz

HUMBERTO DANTAS Cientista social, doutor em ciência política, professor do Insper e da FESP-SP, e colunista da Rádio Estadão. EDER BRITO Jornalista, mestre em administração pública, servidor público em São Paulo e coordenador de projetos da Oficina Municipal. CAMILIA TUCHLINSKI Jornalista, radialista, apresentadora e repórter da Rádio Estadão. Cobre assuntos gerais. Observadora e curiosa sobre a política nacional.
segunda-feira 30/09/13

Quer apostar?

A história mostra que nos últimos anos houve verdadeira “diáspora” do nordeste brasileiro em direção aos restaurantes japoneses de São Paulo. Inicialmente o movimento teve um destino específico: a zona oeste da capital e a boêmia Vila Madalena. Assim, nada de funcionários de olhos puxados saudando clientes sob uma terminologia oriental nas ladeiras que cortam o bairro. A moda era despojada, responsável pela febre dos rodízios de sushis tropicalizados feitos com goiabada, banana, couve e outras iguarias  brasileiras.   Em meio a ...

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sexta-feira 27/09/13

Moscou em verde e amarelo

Há quem chame carinhosamente a cidade pernambucana de Jaboatão dos Guararapes, em outrora apenas Jaboatão, de Moscouzinho. Trata-se de homenagem à capital da Rússia, um ícone do finado regime soviético. Uma forma de lembrar a eleição do primeiro prefeito comunista do Brasil, em 1947. Falamos do médico Manoel Rodrigues Calheiros. Então, o primeiro prefeito eleito pelo PCB carrega o sobrenome do atual presidente do Senado, era doutor e comunista? Perfeitamente. E qual o problema? Nenhum. Lembremos que o irmão de ...

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quarta-feira 25/09/13

Pintópolis,o município literal

Por Eder Brito Localizado no norte de Minas Gerais, Pintópolis foi emancipada com este nome em 1995, homenagem ao fundador, Germano Pinto. Em um lapso de humildade, ele agradeceu a tentativa, mas decidiu que o Brasil não teria uma Germanópolis. Acabou sugerindo o sobrenome como alvo do tributo. A cidade já foi assunto de matérias na imprensa e até ilustrou campanha publicitária de marca de desodorante. Mais curioso e pouco abordado, no entanto, é que o “polêmico” sobrenome permanece sendo realidade na ...

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segunda-feira 23/09/13

O lema alpino

Quando os jornais noticiaram que Aécio Neves percorreria o Brasil em 2012 apoiando candidaturas municipais estratégicas para seus planos de 2014 ficou a sensação de novidade. Quando foi anunciado que ele estava correndo o país em 2013, novas manchetes! O que muitos não sabem, ou que fazem questão de esquecer, é que isso já havia acontecido antes. Em 2008, lá estava o então governador de Minas Gerais, ao lado do então presidente do PSDB e senador Sérgio Guerra, em pleno palanque de Gravatá pedindo voto para o tucano Ozano Brito, candidato a prefeito. A campanha foi relatada no documentário “Porta a Porta – a política em dois tempos” do cineasta Marcelo Brennand e retomada quatro anos depois por Caco Barcelos e seu Profissão Repórter.

 

Gravatá é planta associada à família das bromélias, e tem como um de seus sinônimos erva-do-gentio, palavra relacionada ao povo não israelita, de acordo com a Bíblia. Em nosso caso, poderíamos dizer que se o povo das escrituras fosse gravataense, Aécio seria um gentio. E seu discurso impressiona pela enorme distância em relação a quem vive ali. Eles pouco entenderam quando o governador do “choque de gestão” afirmou que Ozano conhecia como poucos a máquina pública de Gravatá, e por isso merecia votos em 2008. Aécio, provavelmente, também não compreendia a fama dessa cidade pernambucana de 77 mil habitantes, chamada de “a Suíça brasileira”. De certo pensou que encontraria ali, a exemplo da confederação europeia, uma sociedade politizada, participativa, repleta de práticas cidadãs e pronta para debater o sentido da “máquina pública”. Mas o perfil da nação suíça, cujo lema é “um por todos e por todos por um”, não combina com a desigualdade do Agreste. Os condomínios elegantes, os festivais de música requintada, a alta gastronomia e o “clima de montanha” com temperaturas de 15 graus no inverno – algo próximo do verão alpino – dividem espaço com elevada pobreza e um IDH, registrado em 2000, semelhante ao do Gabão, país atlântico da África e distante mais de oito mil quilômetros de Berna.

 

Diante de tal realidade, em Gravatá certamente o papo é outro. Ao gentio Aécio de 2008 faltaram as promessas feitas pelo bancário Ozano Brito, como conduzir o time da cidade à segunda divisão do campeonato estadual de futebol.  Na época, acompanhado de seu ex-fiador político e então prefeito Joaquim Neto, que terminava seu segundo mandato e não podia se reeleger, o então gerente da Caixa Federal derrotaria Bruno Martiniano (PTB). Em 2012, o adversário petebista se aliou ao prefeito, que trocou o PSDB pelo PSD, para derrotar o ex-prefeito Joaquim (PSDB). Lembremos que trocas dessa natureza já haviam ocorrido em outrora, pois Joaquim assumiu o poder como vice do falecido pai de Bruno, tornando-se adversários. O lema “um por todos e todos por um” não parece fazer morada na “Suíça brasileira”. O certo em Gravatá talvez fosse algo como: “cada um por si, e Deus por todos”, o que pode até fazer sentido em se tratando dos tucanos, mas a história nesse caso envolveria outros personagens…

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sexta-feira 20/09/13

Santo da casa faz milagre?

O conceito de opinião pública é mais complexo do que uma associação exclusiva com a pauta da imprensa. A despeito do que seja, e qual a forma correta de tratá-lo, o fato é que políticos gostam de transmitir à sociedade olhares próprios sobre o tema. Lula disse que não precisava da opinião pública para se comunicar com o cidadão. O que estava em sua mente quando afirmou isso eu não saberia dizer. Em declaração igualmente questionável, o deputado federal gaúcho ...

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quarta-feira 18/09/13

Ambulâncias e Palavrões

Por Eder Brito Desde 2001, o município de Artur Nogueira, na região metropolitana de Campinas em São Paulo proibiu seus moradores de falar palavrão em público. O Código de Posturas, lei promulgada em novembro daquele ano, impõe normas e orientações a vários aspectos na vida dos nogueirenses. É no artigo 107 que se encontra um inciso muito claro: é proibido pronunciar palavras obscenas ou injuriosas em vias públicas, jardins e praças. O mesmo artigo também proíbe os munícipes de andar pelas ...

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sexta-feira 13/09/13

Crônicas sobre política municipal: o Brasil sob um olhar provocativo e bem humorado!

Por Humberto Dantas e Eder Brito O foco é sempre em Brasília. Holofotes no monstro político brasileiro. E como a luz vem de cima para baixo findamos fazendo sombra no que está aquém em termos de altura, ou ao menos no que parece menor em relação ao grau de importância ofertado ao ambiente brasiliense. Resultado: cidades são esquecidas, ignoradas ou ao menos não são percebidas em relação ao potencial que têm para nos mostrarem algo fundamental que é a nossa ...

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