ir para o conteúdo
 • 

Patrocinado por

Por Eder Brito

A Grécia Antiga foi berço de muitos conceitos inspiradores que ressoam ainda nos dias de hoje. Arte, cultura, educação, religião e, principalmente, sociedade e política ainda sentem influência do pensamento grego. Isto rende inspiração e citações no mundo político até hoje, inclusive no brasileiro, com figuras que carregam não apenas as raízes da democracia Brasil afora, mas alguns outros que também homenageiam símbolos como a Mitologia grega da maneira mais literal possível: com o próprio nome.

Isto não significa, é claro, que existem apenas bons representantes dos nomes gregos. Ex-prefeito de Vacaria, no Rio Grande do Sul, Aquiles Susin, por exemplo, não fez juz ao nome do herói, participante e grande símbolo da famosa Guerra de Troia. Perdeu a batalha contra a justiça e seus direitos políticos por dez anos. Aquiles foi acusado de atos de improbidade administrativa em virtude de uma dispensa de licitação. Segundo a Promotoria de Vacaria, o Prefeito contratou duas empresas para prestar serviços médicos, de forma direta, desrespeitando o artigo 89 da Lei de Licitações. Não pôde concorrer em 2012.

No Maranhão, o município de Lima Campos viu seu ex-prefeito, Aristóteles Mota Curvina, sucumbir também por conta de um ato de improbidade administrativa. O Ministério Público Federal no Maranhão acusou Aristóteles de não prestar contas de recursos repassados ao município pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Aristóteles foi condenado a devolver o dinheiro aos cofres públicos.

No município de Montanha, no Espírito Santo, a figura “grego-brasileira” atende pelo nome de Hércules Favarato. Prefeito por dois mandatos, Hércules tentava a reeleição em 2012, quando foi surpreendido pela Lei da Ficha Limpa. Segundo o Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo, o político capixaba utilizou indevidamente veículos públicos para transporte de material de construção de casas particulares e ainda usou servidores públicos para a mão-de-obra das novas residências.

Com uma coisa a Justiça Eleitoral e a Lei Ficha Limpa não contavam, no entanto. Os Favarato’s estavam à disposição para assumir o compromisso político do chefe da família. Ricardo Favarato, o filho candidatou-se e foi escolhido como novo Prefeito pelos eleitores de Montanha. Não satisfeito, o rapaz ainda deu uma nova chance para o pai, nomeando-o como Secretário Municipal de Obras. E teve mais: a mãe de Ricardo, Maria das Graças de Azevedo Favarato assumiu o posto de Secretária Municipal de Planejamento. Para finalizar, a esposa de Ricardo, Etienne Venturote Favarato tornou-se, além de primeira-dama, a Secretária Municipal de Comunicação.

É quase como se o mandato em Montanha pertencesse à família Favarato. Se tivesse sido eleito, Hércules completaria ao final de 2016, 12 anos à frente do executivo municipal. Não estará na cadeira de Prefeito, mas o filho, a esposa e a nora ajudarão a completar os “doze trabalhos” de Hércules.

 

 

Posts Relacionados

  • No Related Post

Tags: , , , , , , , , ,

Comente!

  • A + A -

É consensual entre especialistas que observam com atenção as eleições: o Brasil criou um terceiro turno para as disputas. Não se trata de algo que tenha a urna como base. Essa rodada ocorre nos tribunais e os votos cabem aos juízes, desembargadores e ministros. As leis e interpretações geram insegurança, a justiça é mal preparada, faltam advogados para esse campo do conhecimento. A obra “Justiça & Competição Eleitoral” (editora UFABC, 2013) de Vitor Marchetti mostra bem o semblante de instabilidade desse universo. Nossas pretensões democráticas se esvaem. Completa o cenário a falta do Direito Eleitoral e Partidário nas escolas jurídicas. Se há alguns meses a OAB sugeriu a inclusão desse conteúdo ao MEC, temos um déficit de anos. Levantamento recente feito por mim, a ser lançado em coletânea sobre o tema, mostra que apenas um terço de nossas mais de mil escolas (!) de direito têm disciplina voltada ao assunto.

 

É nesse sentido que brasileiros são governados por gente que sequer poderia ter arrumado legenda para se apresentar à sociedade. E quando a conseguiu fez de tudo, aos olhos da frágil justiça brasileira, para burlar a lógica eleitoral em uso comum de práticas culturais deploráveis – isso o filme “Porta a Porta: a política em dois tempos”, de Marcelo Brennand, mostra magistralmente. Pois bem. Isso nos fez ver três governadores expulsos de suas cadeiras em 2009 por crimes eleitorais cometidos em 2006. Percebe a morosidade? A falta de estabilidade para a democracia? Eles governam, tomam posse e decidem nossas vidas. Atualmente, a governadora do Rio Grande do Norte trabalha sentada em liminares. Até quando?

 

Nos municípios a lógica não é diferente. Em Cubatão a justiça eleitoral cassou, faz poucos dias, a prefeita Márcia Rosa (PT) e seu vice Donizete Tavares do Nascimento. Eleita com 55% dos votos, a mandatária se notabilizou ao proibir a entrada de caminhões na cidade em problemas ocorridos no Porto de Santos. Conseguiu travar o sistema Anchieta-Imigrantes, mas zelou pelos cidadãos que já vivem realidade bastante complexa. Mas a decisão da justiça nada tem a ver com isso. A chapa é acusada de utilizar um jornal da cidade para favorecer a reeleição. Algo que “quase nenhum político faz”, e aí vem mais um capítulo da nossa instabilidade jurídica. Regras ruins e mal aplicadas. Tragédia democrática. A frase que termina esse tipo de notícia é velha conhecida de todos: “cabe recurso”. É óbvio! Até quando?

 

Já em Itapecerica da Serra, eleitos com quase 40% dos votos em 2012, Amarildo Gonçalves (PMDB) e sua vice Regina Corsini (PSDB) também foram cassados esse mês. O ex-prefeito Jorge da Costa (PMDB) foi acusado de pedir votos para estagiários do município em troca da manutenção do vínculo de trabalho. É “chover no molhado” dizer que cabe recurso, e por falar em chuva, quem não reconhece Amarildo Gonçalves, lembre-se: estamos falando do prefeito Chuvisco! Pois é, no Brasil vivemos mesmo um clima instável de uma democracia sujeita a chuvas e trovoadas. Uma pena.

Posts Relacionados

  • No Related Post

Tags: , , , , , ,

Comente!

  • A + A -

O sistema se retroalimenta. Deputados federais e estaduais ouvem prefeitos e vereadores. De posse de suas reivindicações intermediam tais interesses junto às secretarias e aos ministérios, e sempre que possível diante de governadores e presidentes. Quanto mais lutam por recursos extraordinários, mais se enchem de razão para pedirem apoio político aos líderes locais, ou seja, seus “cabos eleitorais”. Dois anos depois a coisa se inverte. Deputados incluem em seus compromissos o contato com antigos doadores de campanha. Pedem ajuda para que seus “amigos” espalhados por um conjunto estratégico de cidades sejam reeleitos. Aparecem nas campanhas e gritam nos comícios. Uma forma de “manter o trabalho”, pois dois anos depois serão eles a precisarem dos prefeitos e vereadores plantados na ponta, pedindo voto. E quem tiver dúvidas sobre esse “modus operandi” leia entrevista à Folha de S. Paulo do deputado estadual Barros Munhoz (PSDB-SP) onde parte da lógica fica clara: “a função mais importante do deputado não é legislar nem fiscalizar, é representar as cidades, e hoje a gente é acusado como se fosse um crime fazer isso, ajudar um hospital, uma prefeitura”.

 

Diante de tudo o que relatamos aqui, claro que você está sentindo falta de alguém importante nessa relação: o cidadão. O time de políticos acima vai dizer que ele é o público alvo de toda essa luta. Pode até ser verdade, mas importante lembrar os recentes escândalos envolvendo desvios de recursos de emendas que poderiam ser utilizadas para “glorificarem” o bem estar geral. Assim, o eleitor terá a sua vez, mas não esqueça que é a palavra FIM que lemos na urna eletrônica ao término da votação. Enquanto isso, as relações entre “eles” não param nunca. E em ano eleitoral se tornam ainda mais intensas.

 

Com base nessa forma de manter a rede, deputados são homenageados em câmaras municipais. Quando eles chegam nas cidades é rojão, faixa, discurso e destaque na imprensa local. Campanha? Não! Nunca! Não diga isso! Apenas uma forma de “a cidade” agradecer aquele parlamentar federal ou estadual por tudo o que fez “pelo povo” em pleno ano eleitoral. Mas o que fez? Depende. O certo é que as homenagens em anos eleitorais aproximam o “benevolente” representante do eleitor local. Mas tudo isso pode ser apenas coincidência ou merecido reconhecimento. Algo legitimado. Vejamos alguns casos só de 2014: em fevereiro o deputado estadual e ex-prefeito de Ribeirão Preto, Welson Gasparini (PSDB), foi homenageado pela Câmara Municipal de Ituverava. Emocionado, afirmou não esperar tanta gente numa noite de quarta-feira. Assim, de surpresa, e sem sequer preparar um discurso, teve que falar com o coração, relata o site do parlamento local. No Pará, a Câmara de Santa Maria das Barreiras homenageou o deputado federal Beto Faro (PT) pelos recursos enviados à cidade, avisa de forma direta o blog do Dinho Santos. Em Manacapuru (AM) o parlamentar agraciado pela Câmara Municipal atende pelo sugestivo nome de Orlando Cidade (PTN). Por fim, Sandro Alex (PPS) foi o nome do evento ocorrido em março no parlamento da paranaense Jaguariaíva. O evento teve faixa de agradecimento e contou com parlamentares locais, prefeito e juiz.

 

Diante de tal cenário, e com base na declaração de Munhoz sobre as funções dos deputados que lutam por cidades: o que dizer? Pelo visto render homenagens, transformando câmaras municipais em salões de festas, onde além de políticos são glorificados instituições e outros ilustres sujeitos, é parte da mais absoluta tradição. Tudo assim, sem qualquer interesse eleitoral, sem qualquer desejo extraordinário. O padrão “espaço de eventos” do Legislativo local é mesmo indispensável? Depende de como os cidadãos olham pra isso. Depende do que entendemos pela utilidade do dinheiro público.

Tags: , , , , , , , , , , ,

Comente!

  • A + A -

Por Eder Brito

O Governo Federal tem uma Secretaria Nacional só para pensar políticas e ações específicas da área. Várias Prefeituras estão criando secretarias, diretorias e departamentos voltados apenas ao assunto, com orçamentos próprios, só para atender a estas demandas. E mesmo assim ainda tem político que não consegue lidar com um assunto que já se tornou simples de assimilar: a convivência e o atendimento às necessidades de pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.

Talvez o Prefeito Luiz Juvêncio (PMDB-GO) seja um grande símbolo do gestor público brasileiro que ainda está atrasado neste sentido. Logo no começo de seu mandato no município de Guapó, no ano passado, o Prefeito teve um embate com uma servidora pública que possui deficiência de locomoção. Cadeirante, Joana D’arc de Jesus, servidora há mais de 20 anos em escolas da rede municipal, foi transferida para uma unidade onde não existia banheiro para pessoas com deficiência. Joana viu-se obrigada a urinar e defecar no meio do expediente, sem um espaço íntimo e reservado para tal. Humilhante, no mínimo.

Aos prantos, em entrevista a uma emissora de rádio de Guapó, Joana explicou a tentativa de falar com o Prefeito e com os gestores da área em busca da construção de um banheiro acessível. Recebeu a resposta direta do chefe do Executivo. Luiz Juvêncio confirmou que não construiria o banheiro para a servidora e ainda reclamou do fato da servidora “fazer as necessidades no meio dos alunos”. Recomendou a aposentadoria da funcionária e aproveitou a oportunidade para acusá-la de outras coisas. “Esta senhora recebe sem trabalhar há muitos anos e é favorecida porque é irmã de um vereador”, explicou, em entrevista à 730AM, mesma rádio de Guapó que entrevistou Joana D’arc.

Talvez a falta de sensibilidade e a incompreensível postura de Juvêncio tenham outras explicações, com raízes na gestão orçamentária do município. O negócio anda tão complicado em Guapó que em janeiro de 2014, até a luz da Prefeitura foi cortada. Será que é mais fácil dizer não para a construção de um novo banheiro acessível quando não sobram verbas nem para manutenção básica do patrimônio público? Ou é falta de talento e sensibilidade humana e política para lidar com os dois assuntos?

Por uma diferença de apenas 558 eleitores, Juvêncio teria perdido a eleição em 2012. Seu oponente teve 4200 votos, perante os 4758 que escolheram o candidato do PMDB como Prefeito. O não-eleito, filiado ao PP, chama-se Divino Eterno. Teria conseguido lidar com tudo isso de uma maneira melhor? Porque em alguns municípios brasileiros… só Deus mesmo.

 

Posts Relacionados

  • No Related Post

Tags: , , , , ,

Comente!

  • A + A -

O título desse texto não vai retomar a agressão de Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, a um músico em 2013, tampouco os safanões do ex-mandatário paulistano Gilberto Kassab no sujeito que o importunava em uma unidade de saúde e muito menos o movimento em torno dos resultados da equivocada, mas ainda preocupante, pesquisa do IPEA. Vamos para outra capital: Cuiabá, no Mato Grosso. Assim, comecemos por considerar que já é estranho pensar que vereador tenha segurança. A integridade física de um agente público deve ser garantida pela Polícia Militar, que em tese deveria zelar por todos nós. Em tempos de violência, entretanto, alguém arrumou mais um negócio pra obter dinheiro público fácil nesse país.

 

Também é estranho que um vereador acusado por estelionato e falsidade em escrituras de terrenos pelo Ministério Público, na Operação Aprendiz, se considere um preso político. Como é? Isso mesmo, a moda agora é ir pra cadeia por crimes “comuns” e reclamar de armação política. Política? Isso! O jovem vereador João Emanuel (PSD), ex-presidente da Câmara que renunciou ao mandato após as acusações recebidas em 2013, foi parar na jaula. Em sua defesa, alega que foram cometidos absurdos no processo penal, afirma ter colaborado com a justiça e diz ter sido inocentado pela polícia. Ele está em seu direito e, como cidadão, pode se defender. Mas o problema não é esse. A questão é saber o que ocorrerá com seu mandato.

 

Três colegas de parlamento elaboraram relatório na Comissão de Ética pedindo sua cassação por quebra de decoro, um deles pertencente à mesma legenda de Emanuel. Assim, aos olhos dos colegas, que podem até estar preparando uma imensa pizza, não parece normal ter um vereador preso e acusado de crimes dessa natureza. Que bom! Pelo menos alguém! Se bem que o ritmo do Legislativo é lento, e muitos dias ainda correrão até que tudo tramite.

 

Assim, para ofertar uma dose de indignação mais clara, fiquemos com a atitude de Ivonete Jacob. Em vídeo postado na internet ela se apresenta como ativista indignada. Eu faria um pequeno ajuste: chamaria a moça apenas de Cidadã, com C maiúsculo. Dona de seus direitos e montada em sua insatisfação, ela procurou o vereador no parlamento, ou melhor, na casa do povo – é óbvio que depois da cadeia quem consegue habeas-corpus volta para o mandato. E lhe dirigiu uma pergunta simples e dura. Direta e reta. Tensa e irônica: “como você foi tratado nos dias que passou na cadeia?”. A resposta nos fez lembrar muitos políticos brasileiros: “fui tratado igual sua mãe”, desferiu o representante mais votado da cidade em 2012, com quase 6 mil votos, ou pouco menos de 2% do total. A moça, boca dura, foi além. De acordo com o Híper Notícias, ela afirmou que sua mãe não pertence a uma família de corruptos. O diálogo cessou. Até aí tudo ok, mas não sem ela receber um murro no rosto do que se convencionou chamar de “segurança do vereador”. Isso mesmo! A polícia, aí sim, chegou com viatura e cerca de dez homens. O vereador, negando a agressão, não voltou para as grades. Foi visto no plenário, e seu “animal de estimação” sumiu. Teriam os colegas de parlamento um aditivo ao processo de quebra de decoro? Em meio às recentes campanhas contra o estupro de mulheres, fica um apêndice: “ativistas não merecem ser esmurradas”.

Posts Relacionados

Tags: , , , ,

Comente!

  • A + A -

Quando ex-membros da mais alta cúpula do Partido dos Trabalhadores foram presos em virtude dos desfechos da Ação Penal 470 uma declaração partiu dos condenados: “somos presos políticos”. Como assim? O julgamento feito pelo STF carrega pontos questionáveis, mas daí pra que esses elementos sejam considerados “presos políticos” existe distância imensa. O termo está associado às vítimas de regimes ditatoriais que perdem suas liberdades ao agirem ou declararem algo contrário àquilo que se vive. Assim, por exemplo, José Genoíno foi um preso político no regime militar, mas não é um preso político no governo do partido que presidiu.

 

Também não existe nada de político em crimes como o estupro. Isso mesmo: nada! Pena que para grande parcela da sociedade, de acordo com o Sistema de Indicadores de Percepção Social do IPEA, parece que sequer seja um crime muito preocupante. Isso porque o levantamento aponta que para 60% dos brasileiros a atrocidade é justificada pelo fato de as mulheres se “vestirem inadequadamente”, ou se “comportarem de forma pouco razoável”. Elas seriam os “agentes provocadores”? O ser humano, nesse caso, parece reduzido a um pedaço de carne cobiçado por bichos numa realidade irracional. Detalhe: o bicho é o próprio ser humano. Algo literal para sentenças do tipo “o homem é o lobo do homem”, que consagrou Thomas Hobbes em sua tentativa de explicar o “estado de natureza”. Portanto, por mais que culturalmente o país caminhe sobre uma faixa que nos aproxima da Idade Média, é impossível afirmar que o estupro seja um crime político. Será?

 

O ex-prefeito de uma pequena cidade do interior paranaense tem utilizado tal justificativa para explicar sua prisão. Dizendo-se um “preso político do 45”, em alusão ao número que representa o PSDB nas urnas, partido do governador do seu estado, um ex-assessor da então ministra da Casa Civil e senadora Gleisi Hoffman (PT-PR) afirma que todo o caso é uma grande armação para prejudicar a candidatura dela ao governo. Que pretensão! Detalhe: por serem acusados de coagirem testemunhas, outros cidadãos ligados a Eduardo Gaievski, o ex-prefeito, já foram detidos. E pelo teor das denúncias, parece que a cultura ogra e a lógica dos abusos sexuais se faziam presentes no gabinete oficial do então prefeito. O caso soma cerca de 40 crimes continuados envolvendo estupro qualificado, assédio sexual e oferecimento de cargos na prefeitura em troca de encontros íntimos. Em seu depoimento a tese do “crime político”. E nos relatórios do IPEA mais uma constatação importante sobre esse tipo de aberração: estima-se que 70% dos estupros no Brasil sejam cometidos contra crianças e adolescentes. E óbvio e infelizmente, tal “requinte” não poderia faltar na lista de atrocidades do acusado: está lá o estrupo de vulnerável. Em Realeza, isso mesmo, estamos falando da cidade de Realeza, o nome parece fazer um irônico sentido. O prefeito seria o rei absolutista que doentiamente se servia de suas “súditas”? E o governador de seu estado, sob suas palavras, controlaria o Judiciário? Se confirmados os crimes, só podemos dizer que na cabeça do “estuprador oficial” habitam as faces mais sombrias de tudo o que não entendemos por democracia. A sua realeza seria absolutista, e se lembrarmos de um ícone chamado Luís XIV, ou Rei Sol, só podemos torcer para que o astro rei, aos olhos do acusado, continue a nascer quadrado.

Tags: , , ,

Comente!

  • A + A -

Por Eder Brito

O município de Agudos em São Paulo tem mais de 115 anos de história, mas foi só depois de seu centenário que a família Octaviani começou a marcar o nome na história da cidade. José Carlos Octaviani foi prefeito por duas vezes, eleito em 2000 e 2004. O sobrinho Everton está agora no segundo mandato. Depois de uma disputa vitoriosa com outros candidatos em 2008, foi reeleito em 2012 como candidato único, sem adversários. Na mesma família está Auro Aparecido Octaviani. Auro é tio de Everton e irmão de José Carlos. É vereador no quarto mandato consecutivo, o mais votado nas últimas três eleições e atual Presidente da Câmara. O sonho, declarado em entrevistas à imprensa local é óbvio: tornar-se o terceiro Octaviani da cidade a ocupar a cadeira de Prefeito por dois mandatos consecutivos.

Não cabe a um único post fazer a análise desta seqüência de vitórias da família Octaviani. Primeiro, porque a família já encrencou o blogueiro Henrique Perazzi de Aquino, que tentou cunhar o termo “império octavianista” e acabou sendo processado pelo trio de gestores (discussões sobre liberdade de imprensa num post futuro?). Segundo, porque foram todos democraticamente eleitos pela população de Agudos. E terceiro, porque o espaço é pequeno para analisar todas as variáveis. A tentativa aqui é refletir sobre esta “tendência” na cultura política local dos municípios brasileiros. Seria Agudos o único exemplo do país em que um município vira o principal projeto político de uma família?

A análise também precisaria considerar o que a família fez pela cidade. Em junho do ano passado, por exemplo, a cidade virou bom exemplo na mídia nacional. Agudos é um dos poucos municípios que consegue oferecer transporte público gratuito. Uma frota de 16 veículos fica à disposição e atende cerca de 9 mil munícipes (a cidade tem uma população de 32 mil), diariamente, na faixa. O feito, que começou na gestão de Carlos e continua nas duas gestões de Everton, já levou o segundo até a palestrar por aí. Também seria preciso considerar que a cidade tem uma fábrica de cerveja da Ambev e uma da Eucatex, ambas campeãs de arrecadação de tributos que fariam os olhos de qualquer gestor público brilhar. A cidade ainda tem atividade pecuária forte, uma grande quantidade diária de leite, pronta para exportação e até uma inusitada produção de bicho-da-seda. Como não querer fazer um projeto político de longa duração, que permita aproveitar o uso de todo este potencial?

A oposição vem tentando se armar contra isso, mas parece difícil. Luciano Durães, vereador no segundo mandato tenta explicar as dificuldades. Em 2004, já com a cidade sob o comando dos Octaviani, teve uma tentativa frustrada de entrar na Câmara. Filiado ao PSDC, teve apenas 267 votos, mais de mil a menos que Auro Octaviani. Em 2008, “pegou o jeito” de fazer campanha. Mudou de partido (migrou para o PR) e percebeu que só a tradição do trabalho junto à comunidade não basta. Precisava “pagar umas equipes” para ajudar na divulgação se quisesse ser eleito e fazer frente à força da máquina. Conseguiu entrar, com 551 votos. Em 2012, desta vez filiado ao PP, conseguiu 1043 votos e foi o segundo mais votado do município, ficando atrás apenas de… Auro Octaviani. Mesmo já tendo acumulado até um período de Presidência na Câmara, ainda reclama de dificuldades. “O poder de indicar para cargos e conseguir nomeações continua nas mãos do Prefeito. A gente teve que lutar para conseguir que cada vereador tivesse direito a um assessor. Não dá pra trabalhar sem equipe. É complicado”, explica.

O intuito, no final, é refletir: este tipo de processo é natural? É bem-vindo?O quanto a manutenção de um mesmo grupo por muito tempo no poder é algo saudável do ponto de vista da democracia representativa?  O fato de que a população de Agudos legitima tudo isso com o voto diz alguma coisa? Como isso influencia até na qualidade do trabalho da oposição? Dúvidas “agudas” de uma tendência que não é exclusividade do centro-oeste paulista.

 

Posts Relacionados

  • No Related Post

Tags: , , , ,

Comente!

  • A + A -

Se as teses que classificam os brasileiros no campo dos povos mais emocionais e menos racionais estiverem corretas, parece possível compreender o comportamento de nossos políticos. Afinal, eles são brasileiros também, né? Assim, tomemos como base as mensagens públicas que eles destinam à sociedade. E sejamos mais diretos: que tipo de informação os políticos nos ofertam quando aparecem em suas propagandas pessoais. Pessoais?

 

Isso mesmo: pessoais. Mas se são políticos, ou seja, se representam a causa pública, por que precisam nos transmitir mensagens pessoais? Simples: porque a nossa razão parece ceder espaço significativo para a emoção. Assim, nada de números, dados técnicos e coisas do tipo. Eu quero ser atingido em meu coração e não em minha mente. Pesa para esse desejo o fato de sermos mal preparados intelectualmente. Pouco lemos ou sabemos fazer contas. A educação agoniza historicamente em nosso país. Tristeza absoluta.  Resultado: mensagens emocionais para pessoas pouco dotadas de conhecimento. Tragédia!

 

E o padrão é esse, raro será encontrar em praça pública uma mensagem que busque discutir decisões, questionar posições, edificar políticas públicas e coisas do tipo. Sequer somos educados para desejarmos isso. Na cidade de Suzano, que faz aniversário dia 02 de abril, uma série de outdoors espalhados pelas ruas dimensionavam com precisão o que alguns políticos entendem pelo gesto de representar. Numa mesma avenida três anúncios, de um trio distinto de representantes e com dizeres “bonitinhos” cumprimentavam os susanenses. Quem pagou? Quanto custou? Isso nós dificilmente saberemos. Foi dinheiro público? Foi recurso privado de financiadores de campanha que guardam pelo declarante algum tipo de simpatia, e desejam vê-lo perpetuado no poder? É campanha antecipada? Aquilo é útil? Difícil dizer. Quando pergunto pra um morador o que acha das placas, o homem sorri e olha para baixo. Nada de olho no olho, e lá vem a cordialidade: “é bom, né?”. Bom pra quem? O fato é que Suzano é só um exemplo.

 

Uma rápida pesquisa no Google Imagens com os dizeres “outdoor aniversário da cidade” e verificamos o nível das mensagens em anos recentes. Em Teresina-PI, três vereadores do PT comemoravam lembrando que se por um lado a cidade é verde, em virtude de questões ambientais, ela também é vermelha. Um cartão ilustra o cartaz. Cartão de aniversário? Não, do Bolsa Família. Em João Pessoa, Vital do Rego (PMDB), “senador da Paraíba” saudava a “sua capital”. Já em Joinville, era o deputado federal Marcio Tebaldi (PSDB) quem cumprimentava o município por seus mais de 160 anos. Para piorar, encontramos uma série de homenagens aos próprios políticos em alusão aos seus mandatos ou ao dia em que nasceram. Cidades amanhecem forradas de coisas do tipo: “parabéns prefeito! Um ano de trabalho, um futuro de conquistas” – o felizardo era Luciano Agra em João Pessoa-PB. Já o empresário e candidato derrotado em várias eleições, Rivaldo Soares, ou simplesmente Riva, viu sua foto espalhada por Caruaru-PE em dezembro de 2011. Era o carinho dos amigos e familiares por mais um ano de vida, e de acordo com o blog do Mario Flavio, por mais uma eleição que se aproximava. Eterno perdedor, Riva buscava se lançar à prefeitura em 2012. Mas o seu PMDB se uniu ao DEM. Paciência, nada que 2014 não possa resolver. Riva vem aí? Não sabemos dizer, mas a despeito das derrotas podemos dizer que seus “amigos” o adoram!

Posts Relacionados

Tags: , , , , , ,

Comente!

  • A + A -

O Brasil tomou um susto quando uma revista resolveu falar sobre o Rei do Camarote. O país tem ainda o Rei do Futebol, a Rainha dos Baixinhos e o Rei – esse último é simplesmente o rei, tamanha sua importância. Falo de um famoso cantor que a história tratará de chamar sempre de Rei.

 

Movido por um sentido monárquico com perfil absolutista o país segue em seu ritmo cultural. Semana passada eu acho que conheci, mesmo não sabendo de quem se trata, o Rei do Elevador – ou pelo menos um deles, pois devem existir outros. O Anexo IV da Câmara dos Deputados é um prédio de dez andares e um subsolo – se a configuração não for exatamente essa peço desculpas, mas não tenho intimidade com o empreendimento. Em muitos de seus andares ficam os gabinetes de uma série de deputados federais. Como meio de transporte elementar existem oito elevadores próximos à recepção. Três deles estão reservados para as excelências: para os “nobres” parlamentares que vivem no país dos reis, que sonha em ser republicano, mas vive escorregando em seus gestos monárquicos.

 

Assim, enquanto algumas poucas dezenas de deputados que têm ali seus gabinetes possuem três elevadores – tudo bem que um deles pode ser utilizado por mortais com deficiência – os milhares de funcionários e visitantes precisam aguardar em longas filas os outros cinco. E é isso mesmo o que acontece: filas imensas. Várias viagens. Idas e vindas, o antigo “plim” sincronizado à seta vermelha que desce ou à verde que sobe. Os ascensoristas reclamando do calor.  Plim, plim, plim, até chegar a sua vez. Tem até um senhor que organiza o fluxo: “vai pro quatro!”, “Espera na fila, tá lotado!”, “Volta! Deu sinal de sobrepeso”. Tudo confuso e deselegante. Mas fique calmo. Você pode estar num dia de sorte.

 

Ele aparece em silêncio. Humilde, terno cinza, camisa grená, gravata cinza. Chama o elevador e olha em volta. O de número sete abre a porta, plim, e a seta verde acende. Ele está sozinho ao lado da porta. Não participa da fila. Entra no carro – como dizem aqueles que têm intimidade com elevadores – e se volta para a porta. Quando termina de virar o corpo percebo que é um parlamentar. O broche na lapela diz tudo. Ele se impressiona com o tamanho da fila e cria uma regra nova, ao sabor dos reis. Dirige-se aos últimos da fila com um discreto “ei!”, de dentro do elevador. Os últimos se voltam. Os primeiros já perderam muito tempo, e no país da vantagem e do jeitinho o rei pouco se importa com isso. Ele continua: “venham por esse aqui. Vai subir vazio!”. Uma pessoa adverte-o: “esse é dos parlamentares”. E ouve como resposta: “eu sei. Eu sou deputado, e estou convidando vocês para subirem comigo!”. Na frase, ênfase para o “convidando”, com a letra “a” bem longa e carinhosa. O elevador lota. Os novos princípios da sustentabilidade justificariam a gentileza, mas certamente não foi isso que o motivou. Ele fez o favor, ele criou o laço que durará segundos. Ele reinou, a despeito de outros reinarem numa horda de reizinhos dos elevadores. Certamente a subida foi repleta de gracejos e elogios. A Casa do Povo tem mais um rei, o Rei do Elevador, e seus 512 nobres colegas para os quais existem regalias infinitamente maiores que três simples carros ascensores. Que tristeza. Plim, setinha vermelha acesa: desce… Até onde? Já não passamos do subsolo?

Posts Relacionados

Tags: , , , ,

Comente!

  • A + A -

Por Eder Brito

Não se deixe enganar pelo título. Estamos falando de um evento da semana passada, quando a cidade de Campos do Jordão tornou-se por cinco dias consecutivos uma das maiores concentrações de capital político por metro quadrado do país. O local foi sede do Congresso Estadual de Municípios, evento organizado pela APM (Associação Paulista de Municípios). Tradicional na gestão pública, a ação ocorreu pelo 58º ano consecutivo (!!!), sempre reunindo quase todos os Prefeitos e vereadores dos 645 municípios paulistas. E andar pelas “ruas” que se desenhavam entre os estandes de expositores era a certeza de encontrar um retrato fiel da cultura política local do maior e mais rico estado da federação. O que não significa que não era divertido.

A entrada e o credenciamento do evento por si já eram um grande símbolo. Cinco filas diferentes foram organizadas: uma fila para Congressistas; uma fila para expositores; uma fila para vereadores e Presidentes de Câmaras (“não são todos vereadores também?”, perguntei-me encafifado durante toda a semana); outra fila para Prefeitos e vices; e uma última fila exclusiva para… as primeiras-damas. E nada de fila para os maridos de Prefeitas. O cônjuge que fosse acompanhar a esposa teria de entrar na fila das primeiras damas ou contentar-se com um “mero” crachá de congressista. E as figuras femininas não foram poucas. Passaram por lá, por exemplo, as ultra simpáticas Nice Mistilides, prefeita de Jales, Adriana Polisini, vereadora de Palmital e Bruna Silvestre, presidente da Câmara de Avaré. Todas sorridentes, mas minoria na multidão de Prefeitos. Passou também Maria Antonieta de Brito, prefeita do Guarujá. Mas no caso desta, é até compreensível a ausência do marido. No começo do seu mandato, ela nomeou o marido, guarda municipal, como ouvidor da Controladoria Geral do Município. A publicação no Diário Oficial, conforme já explicou a Prefeitura, foi um “engano”. No meio de muitas nomeações, a Prefeita não percebeu a indicação do próprio marido para o cargo. Acontece. Né?

Nos dois andares do centro de convenções do bairro de Capivari, os expositores eram os mais variados. Secretarias Estaduais divulgando programas e serviços para a “prefeitada”; Consórcios intermunicipais tentando explicar seu trabalho, fornecedores de material escolar e até uma empresa especializada em fontes para grandes praças. Chamava a atenção também o alto número de estandes oferecendo sistemas de ensino padronizados, “prontinhos”, esperando uma Prefeitura que queira padronizar a rede municipal de educação, de preferência daquelas que neguem a cultura local e leve a “educação da cidade grande” para os municípios paulistas menos favorecidos. Mas o campeão foi o estande da APRAG – Associação Paulista de Controladores de Pragas Urbanas. A ideia da associação é difundir serviços para acabar com ratos, baratas e todos os tipos de pragas que assolam os ambientes urbanos e rurais dos municípios de São Paulo. Um rapaz trajado de rato gigante distribuía panfletos alegremente, enquanto o estande oferecia gratuitamente os serviços de um caricaturista. Foi o profissional que mais trabalhou no Congresso. Vereadores e Prefeitos se aglomeravam em uma fila interminável, das 9h às 21h, diariamente. Um vereador de Barbosa passou por lá três vezes, porque nãos se contentava com a qualidade. “Não se parece comigo. Tá muito feio”. Virou a tenda de Narciso. Dezenas de gabinetes devem estar com quadros novos pendurados na parede desde a última segunda-feira. Ponto para a Aprag.

Tentar identificar os apelidos de vereadores e prefeitos também era uma atração à parte. Amarildo, prefeito de Itapecerica da Serra preferiu nem colocar o nome de batismo no crachá. Botou “Chuvisco”, o nome de guerra. Hélcio, vereador de Cravinhos, manteve o primeiro nome, mas também adotou o termo usado na campanha: Hélcio Médico. Zé Escola e Renato Job, vereadores do município de Américo Brasiliense, eram uma das duplas mais auto-explicativas do Congresso. O Prefeito de Redenção da Serra e o Prefeito de Natividade da Serra, dois Beneditos, andavam lado a lado no Congresso e protagonizavam uma interessante dupla. Renato Rateiro, vereador de Motuca, ficou confuso e levemente encantado quando se aproximou do estande da Aprag.

Era possível até visualizar uma disputa política local ambulante. O Prefeito de Agudos, Everton Octaviani caminhava por todo o Congresso ao lado de dois vereadores, bem longe do Vereador Luciano Durães, oposição. Este último reclamava do Prefeito e de “seu poder” de nomear amigos para cargos na gestão municipal. “Eu sou tão eleito quanto eles, fui o segundo mais votado”, bradava.

O Congresso também foi visitado por potenciais candidatos das eleições de outubro. Kassab, Padilha, Skaf, Marina Silva, José Serra, Aécio Neves e Geraldo Alckmin passaram por lá. Quando iam falar, as ruas do Congresso se esvaziavam, os auditórios se abarrotavam e brigas quase literais surgiam em busca de uma palavrinha (quem sabe até uma foto) com o popstar da política nacional, ali mesmo, correndo, no cantinho do palco. E isso diz muito do federalismo brasileiro. 

Posts Relacionados

  • No Related Post

Tags: , ,

Comente!

  • A + A -
  • Quem Faz

    Quem Faz

    Humberto Dantas

    Cientista social, doutor em ciência política, professor do Insper e da FESP-SP, e colunista da Rádio Estadão.


    Eder Brito

    Jornalista, mestre em administração pública, servidor público em São Paulo e coordenador de projetos da Oficina Municipal

Comentários recentes

  • Mara Zumpano: Nestes casos, como em tudo o que há de aberração atualmente neste paísM, UTAcoisa, o pior é...

Arquivos

Blogs do Estadão

Você já leu 5 textos neste mês

Continue Lendo

Cadastre-se agora ou faça seu login

É rápido e grátis

Faça o login se você já é cadastro ou assinante

Ou faça o login com o gmail

Login com Google

Sou assinante - Acesso

Para assinar, utilize o seu login e senha de assinante

Já sou cadastrado

Para acessar, utilize o seu login e senha

Utilize os mesmos login e senha já cadastrados anteriormente no Estadão

Quero criar meu login

Acesso fácil e rápido

Se você é assinante do Jornal impresso, preencha os dados abaixo e cadastre-se para criar seu login e senha

Esqueci minha senha

Acesso fácil e rápido

Quero me cadastrar

Acesso fácil e rápido

Cadastre-se já e tenha acesso total ao conteúdo do site do Estadão. Seus dados serão guardados com total segurança e sigilo

Cadastro realizado

Obrigado, você optou por aproveitar todo o nosso conteúdo

Em instantes, você receberá uma mensagem no e-mail. Clique no link fornecido e crie sua senha

Importante!

Caso você não receba o e-mail, verifique se o filtro anti-spam do seu e-mail esta ativado

Quero me cadastrar

Acesso fácil e rápido

Estamos atualizando nosso cadastro, por favor confirme os dados abaixo