Eis o iphone da Gradiente
- 3 de fevereiro de 2013|
- 18h00|
- Por Camilo Rocha
O que leva uma empresa a batizar um smartphone com o nome do aparelho mais famoso do mundo? Ainda que a Gradiente tenha registrado o nome iPhone em 2000 (obtendo o OK do INPI em 2008) e esteja amparada pela lei (podendo até processar a Apple no Brasil), é um procedimento eticamente questionável e muito arriscado em termos comerciais.
A Gradiente é uma marca que está na memória afetiva de muitos brasileiros. Nos anos 70 e 80, era sinônimo de qualidade, especialmente na área de áudio. Recentemente, reapareceu com novas linhas de produtos, incluindo tablets e smartphones. Em seguida, surpreendeu a todos quando anunciou seu próprio “iphone”.
A repercussão foi principalmente negativa e o uso do nome virou até piada. A ponto, na minha opinião, de jogar contra as possibilidades de um smartphone que não é de todo mau. O Gradiente Neo One (esse é o nome do modelo; a marca “iphone” faz parte da denominação da linha G Gradiente iphone, que, por enquanto, só tem um aparelho) não é sofisticado e tem pouco em comum com seu xará mais famoso, mas certamente preencherá as necessidades de muitos consumidores.
As diferenças com o iPhone da Apple começam pela parte externa. O homônimo da Gradiente tem outra cara, mais genérica, lembrando mais um modelo da Motorola do que o celular da Apple. Na parte da frente, logo abaixo da tela, a fileira de quatro ícones (característica de muitos modelos Android), em vez do botão único, já denuncia que não se trata de um iPhone original.
Com 130 gramas, ele é quase 20 gramas mais pesado que o iPhone 5. É também 13 milímetros mais alto, com 136 mm.
O smartphone da Gradiente usa o Android, o sistema operacional rival do iOS, do iPhone. E está desatualizado. Ele vem com a versão 2.3 do Android, que já está na 4.2.
O aparelho não tem armazenamento próprio. Para salvar músicas e fotos, o usuário precisar inserir um cartão de memória de 2 gigabytes (GB), que vem incluído. Há ainda entrada para outro cartão de até 32 GB.
Na hora de ligar o aparelho, mais diferenças gritantes com o iPhone original. A tela do modelo da Gradiente tem menos da metade da resolução do seu homônimo (155 pixels por polegada – ppi – contra 326 ppi). A resposta aos comandos de toque na tela e a navegação também são mais lentas.
Entre os aplicativos que vêm no telefone estão Facebook, Trapster (de mapas e rotas), rádio FM e busca do Google via comando de voz. O recurso funcionou corretamente com palavras como “Facebook” e “Campus Party”. Entre os ícones na tela, também há atalhos. Um chamado “Email” abre opções para registrar contas de e-mail nos serviços mais conhecidos.
O telefone vem desbloqueado e tem entrada para dois chips de operadoras (SIM cards). Isso sugere que ele é um aparelho para quem quer economizar com ligações. Estranho então que seu preço tenha sido fixado em R$ 599, mais caro que modelos “dual chip” concorrentes. O telefone também não é fácil de achar. Só está à venda na loja online da Gradiente.
GRADIENTE IPHONE NEO ONE
Sistema Android 2.3
Processamento 700 MHz
Armazenamento Cartão de memória de 2 GB (com entrada para cartão de até 32 GB)
Tela 3,7 polegadas
Resolução 155 ppi
Peso 130 gramas
Câmera 5 MP (traseira); 0.3 (frontal)
Preço R$ 599
Veja o teste do Neo One “iPhone” na TV Estadão
QUEM É DONO DO “IPHONE”?
A Gradiente entrou com pedido de registro da marca “iphone” em 2000. A aprovação saiu só em 2008, ano seguinte ao lançamento do primeiro iPhone da Apple. No Brasil, a Apple pode usar “iphone” apenas para publicações e artigos de vestuários.
Entrevistado pelo ‘Estado’ em novembro, Eugênio Staub, fundador da Gradiente, disse que seu lançamento não visa a iludir o consumidor. “Até porque é Android”, justificou.
Na época, o empresário negou plágio. “As datas estão aí para provar”.
Para Staub, a Apple desrespeitou o registro de sua empresa quando trouxe o iPhone para o País.
“Se eu vou a outro país e verifico que alguém tem a marca Gradiente, por exemplo, procuro a empresa para negociar. Ninguém nos procurou. Houve uma falta de respeito.”
A Gradiente tem base legal para processar a Apple, mas Staub disse que não há decisão em relação ao assunto. E acrescentou que está disposto a dialogar com a empresa americana.
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03/02/2013 - 20:05 Enviado por: darci prass
Acho que, do ponto de vista de estratégia de marketing, é altamente questionável, a Gradiente usar o nome “iPhone”, mas, quem cometeu um deslize ético inaceitável foi a Apple, além, evidentemente, estar infringindo a lei de proteção de direitos de uso de marca, que, aliás, a própria Apple defende com unhas e dentes em todos os lugares.
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04/02/2013 - 08:31 Enviado por: Davi
Acho que o fato de a Gradiente ter lançado um produto com marca própria é direito seu e deve ser feito.
O fato de a Apple não ter direito de uso da marca IPHONE para celulares e computadores no Brasil já demonstra a precedência e direito garantido que a Gradiente tem sobre a marca IPHONE no Brasil.
No mais, não creio que o produto foi lançado para concorrer diretamente com o IPHONE estrangeiro e consequentemente a comparação entre dois produtos tão distintos um do outro foi um erro da redação deste conceituado jornal.
Parabéns Gradiente por investir em novos produtos no Brasil.
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05/02/2013 - 14:47 Enviado por: INPI decide que iPhone é da Gradiente - Link Estadão – Cultura Digital - Estadao.com.br
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