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Herton Escobar

EXTRA, EXTRA!
Notícias quentinhas da arena diplomática do aquecimento global:
China e Índia anunciaram hoje que aceitam fazer parte do Acordo de Copenhague – uma lista genérica (mas bem genérica mesmo!) de compromissos internacionais relacionados ao problema das mudanças climáticas, apresentada ao final da famigerada cúpula de Copenhague, em dezembro.

DETALHE: O tal Acordo saiu de uma reunião entre China, Índia, Brasil e África do Sul, com participação especial dos Estados Unidos, nos momentos finais da conferência. Ou seja: China e Índia demoraram três meses para assinar o acordo que eles mesmos escreveram. Viva!

O fracasso gritante da cúpula de Copenhague continua a fazer estragos. Ainda estamos a nove meses da próxima conferência (a COP 16, em Cancún) e já tem diplomatas dizendo que “pode tirar o cavalinho da chuva que  esse ano também não vai rolar acordo” …. não exatamente com essas palavras, mas é exatamente isso que eles querem dizer.

Tal pessimismo é plenamente justificado pelo histórico recente das angustiantes e decepcionantes negociações diplomáticas sobre esse assunto. O fracasso de Copenhague foi muito pior do que um banho de água fria. Foi um verdadeiro tiro no peito! A esperança é a última que morre, mas ela está na UTI, e seu estado de saúde é crítico.

Só não morreu de vez ainda porque inventaram esse ventilador chamado Acordo de Copenhague. Nele, os países reconhecem que a mudança climática é um problema grave, que o aquecimento global não deve ultrapassar 2 graus Celsius, que é preciso reduzir o desmatamento, que os países pobres precisam receber ajuda dos países ricos e outras coisas desse tipo. Mas é só. Metas concretas de redução de emissões de gases do efeito estufa? Nada disso.

É como sair de uma conferência de combate à fome dizendo que a fome é um problema sério e que é preciso fazer algo para reduzir o número de pessoas famintas no mundo. Fantástico! Mas quanto cada um vai doar de comida? Quanto cada um vai reduzir seus subsídios agrícolas? Ninguém sabe.
Em resumo: o Acordo reforça uma série de princípios importantes, mas não diz nada sobre como colocar esses princípios em prática. Isso, em tese, fica para a cúpula de Cancún, ou para a próxima cúpula de 2011, ou quem sabe a de 2012, 2013, 2014 …

O texto tem um ponto positivo, que é estipular um valor mínimo de ajuda financeira emergencial para que os países em desenvolvimento consigam lidar com os efeitos mais imediatos das mudanças climáticas: US$ 100 bilhões por ano até 2020. E também reconhece o REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal) como um mecanismo essencial de combate ao aquecimento global.

De novo: Fantástico! Mas atenção: o Acordo não tem força de lei! Na verdade, nem chegou a ser adotado como um documento oficial da Convenção do Clima. É só um abaixo-assinado de boas intenções.

É melhor do que nada, claro. Mas é quase nada.

Abraços a todos.

Para ler o Acordo de Copenhague, clique aqui.

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Gráfico: INECC

Gráfico: INECC

O Jornal Nacional anunciou há pouco que “pesquisadores americanos identificaram o vazamento de um gás nocivo ao meio ambiente no Oceano Ártico”.  Estavam falando de um estudo publicado na revista Science, sobre a liberação natural de metano de solos congelados (permafrost) submersos.

É muita injustiça chamar o metano de “gás nocivo ao meio ambiente”. O coitado faz parte da natureza. Não está fazendo nada de errado.

Então vou defender a honra do metano e aproveitar para esclarecer um erro muito comum no noticiário e no imaginário popular sobre o aquecimento global.

O efeito estufa NÃO é uma ameaça ao meio ambiente nem ao seres humanos. Pelo contrário: sem o efeito estufa, morreríamos todos congelados. A vida na Terra nem existiria, pois a temperatura média do planeta seria cerca de 35 graus Celsius mais fria (na casa dos -20C, em vez dos atuais +14C) e não existiria água líquida na superfície.

O efeito estufa é causado por uma camada de gases  (entre eles o metano e o dióxido de carbono, mas principalmente vapor d’água) que funciona como um cobertor — ou como o vidro de uma estufa de verdade — que aprisiona calor na superfície da Terra, mantendo-a bem quentinha e agradável para nós. Repito: sem esse efeito, a temperatura média do planeta seria de aproximadamente 20 graus NEGATIVOS. Imagine só! Nada agradável, né?

Então viva o metano! Viva o dióxido de carbono! Viva o vapor d’água! E viva o efeito estufa!

O que causa o aquecimento global é o AGRAVAMENTO desse efeito estufa, causado pelo acúmulo excessivo de gases-estufa na atmosfera, causado pela queima excessiva de combustíveis fósseis, desmatamento, pecuária e outras atividade que produzem esses gases. Ou seja: o problema não é o cobertor, é que o cobertor está ficando grosso demais!

Quem é “nocivo ao meio ambiente” não é o coitado do metano. Somos nós!

Abraços a todos.

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