
ILUSTRAÇÃO: ESO/L.CALÇADA
Estou chegando meio atrasado com essa notícia por causa das minhas férias, mas não poderia deixá-la passar em branco de jeito nenhum….. especialmente depois dos ótimos comentários que foram feitos no último post sobre vida no Universo (vejam “Família (Extra)Terrestre”, do dia 17/09).
Cientistas europeus anunciaram ontem a descoberta de 32 exoplanetas (planetas localizados fora do nosso sistema solar), aumentando o número total de exoplanetas conhecidos para mais de 400. Achar mundos alienígenas já ficou tão comum que só assim mesmo para virar notícia: junta um monte e anuncia de uma vez só que dá mais impacto.
Nenhum desses novos planetas é pequeno como o CoRoT-7b, que foi a grande novidade do mês passado. Mesmo assim, é uma descoberta impressionante que reforça, mais uma vez, a tese de que o Universo está repleto de planetas e, possivelmente, de vida.
Nesse caso, os planetas descobertos são bem maiores do que a Terra … mais ou menos do tamanho de Netuno, mas não tão grandes quanto Júpiter. Um tamanho intermediário, apelidado de “super-Terras”. É possível que os menorzinhos sejam rochosos (como a Terra), e os maiores certamente são gasosos (como Netuno), mas infelizmente o press release do European Southern Observatory (ESO) não entra nesses detalhes.
É importante ressaltar que esses planetas não são observados diretamente. Por isso não temos “fotos” deles (só ilustrações, como essa que você vê acima, de um exoplaneta do sistema Gliese 667, com seis vezes a massa da Terra). Mas nesses casos não é preciso ver para crer. Eles estão lá! Sua existência é inferida por um método chamado velocidade radial, que permite aos cientistas detectar pequenas oscilações que a atração gravitacional dos planetas causa no movimento das estrelas que eles orbitam. É meio difícil de explicar, mas pode confiar que funciona. Esses planetas estão lá, girando no espaço em torno de suas estrelas neste exato momento, assim como nós estamos girando em torno do Sol. (Não só esses como muitos outros bilhões e bilhões e bilhões de mundos extraterrestres que nunca teremos tempo nem capacidade para descobrir….)
Enfim, o Universo está cheio de planetas e é provável que esteja cheio de vida também. Quem sabe.
E lembre-se: 1) A vida em outros planetas pode ser completamente diferente da nossa, e 2) Vida não é só gente, é bactéria, é fungo, é ameba….. se qualquer organismo desse tipo existir em outro planeta, já será a maior descoberta científica de todos os tempos. Imagine só! Não precisa ter disco voador nem raio laser.
abraço

Falando em biodiversidade de novo, vale muito a pena dar uma olhada no site dos finalistas do tradicional prêmio de fotografia da natureza promovido anualmente pela BBC e pelo Museu de História Natural de Londres (Wildlife Photographer of the Year Competition).
Neste link é possível ver um slide show com fotos espetaculares.
E aqui você pode ver fotos premiadas nos anos anteriores, como a deste pássaro africano.
Acho que a única coisa mais impressionante do que as fotos do Hubble (sobre as quais já escrevi abaixo) são as fotos do nosso próprio planeta. As do espaço nos mostram o quanto é grande o nosso universo, como nós somos pequenos diante dele, e como é grande também a possibilidade de haver vida em outros planetas por aí. As da Terra nos mostram como é rica e magnífica a variedade de outras formas de vida com as quais dividimos este singelo e insignificante planetinha.
Não importa se você é um evolucionista ou um criacionista, é impossível (eu acho) olhar para essas imagens e não se impressionar com a beleza desses animais. São verdadeiras obras de arte (tanto os bichos quanto as fotos), apesar de não serem valorizadas como tal.
Se fosse Picasso que tivesse pintado esse passarinho acima, talvez não fosse tão difícil levantar dinheiro para a conservação da vida “selvagem” (que de selvagem não tem nada….. os bichos estão lá vivendo a vida deles como sempre fizeram…. nós é que criamos hábitos esquisitos de morar em apartamentos e coisas do tipo, e por isso nos dizemos “civilizados”).
abraços
(FOTO: Ana Carnaval)
Imagine só: O Brasil adora se vangloriar do fato de que tem a maior biodiversidade do planeta; de que nenhum país do mundo tem mais espécies de flora e fauna do que nós, com nossa Amazônia, nossa Mata Atlântica, nosso Cerrado, nosso Pantanal, nossa Caatinga e nossos Campos Sulinos (os seis grandes biomas brasileiros).
Isso certamente é verdade. Mas sabem quantas dessas espécies já foram descritas cientificamente? Não mais do que 10%. E sabem quantas dessas espécies já descritas a gente conhece “de verdade” (com informações sobre ecologia, distribuição geográfica e coisas do tipo)? Cerca de 1%. Um mísero por cento! Do resto a gente só conhece o nome e a cara. São só nomes numa lista.
Pergunto: Do que adianta ter essa biodiversidade gigantesca se não a conhecemos e não fazemos nada com ela?
Alguns grupos são até bem conhecidos, como as aves, os mamíferos e algumas famílias de plantas. Mas quando você começa a olhar os bichos pequenos, como os insetos e outros invertebrados (que é o grupo mais diverso de todos!!!), o desconhecimento é vergonhoso. Se entrarmos nos mundos dos microrganismos então, nem se fala.
É o mesmo que dizer “Sou milionário, mas não sei quanto dinheiro tenho no banco nem onde ele está guardado”. Então é o mesmo que ser pobre!
Infelizmente, não temos biólogos nem investimentos suficientes hoje para dar conta desse problema. Certamente já perdemos e vamos perder ainda muitas espécies desconhecidas, que serão extintas anonimamente, sem que ninguém saiba que um dia elas existiram.
Felizmente, porém, temos muitos bons cientistas (ainda que em número insuficiente) empenhados em conhecer nossa biodiversidade. Gente como o prof. Carlos Joly, da Unicamp, diretor do programa Biota, da Fapesp, que há dez anos estuda a biodiversidade do Estado de São Paulo e batalha pela sua proteção.
Agora o governo federal estuda criar um programa semelhante, com abrangência nacional, chamado Biota Brasil (vejam release recente do CNPq sobre isso). É o mínimo que a nossa biodiversidade merece. Tomara que dê certo!
abraços
(FOTO: Patricia Santos/AE)
As notícias recentes de que o etanol pode (e eu enfatizo o “pode”), em algumas circunstâncias, emitir mais poluentes do que a gasolina me deixaram num impasse …
Eu sou fã assumido do etanol de cana-de-açúcar. Acho simplesmente fantástica a ideia de que garapa fermentada possa fazer um carro funcionar.
(Já escrevi artigos sobre isso antes, mas para quem não leu, aqui vai um resumo: Sabe aquele álcool combustível que você coloca no seu carro para dirigir? Então, aquilo nada mais é do que caldo de cana fermentado. A matéria prima é a mesma que você compra na barraquinha de pastel no fim da feira: garapa! A única diferença da feira para a indústria é o processo de fermentação. A garapa é dada de alimento a fungos (leveduras), que consomem o açúcar no caldo e secretam o álcool, que depois é separado, processado e enviado para os postos de combustível. Imagine só!!!)
Mas voltando ao impasse….
O etanol é ótimo do ponto de vista climático porque não contribui para o aquecimento global. Todo o CO2 que sai do escapamento dos carros é reabsorvido via fotossíntese pelas plantações de cana. Ou seja: tudo que sobe, desce. A gasolina, por outro lado, só adiciona CO2 à atmosfera. Tudo que sobe, fica.
Entre gasolina e etanol, portanto, a escolha para mim sempre foi muito óbvia: etanol na cabeça! Mas agora aparecem dados do Ministério do Meio Ambiente dizendo que, dependendo do tipo de veículo, o etanol pode emitir mais poluição do que a gasolina (coisas como monóxido de carbono e aldeídos, que a gente respira diretamente no ar poluído das cidades).
Nesse caso, o etanol ganha da gasolina de lavada no combate ao aquecimento global, mas perde (não de muito, mas perde) no combate à poluição do ar urbano.
E agora, qual a melhor escolha na bomba de combustível? A que beneficia o planeta, ou a que beneficia os seus pulmões?
Esses números do MMA ainda estão sendo muito debatidos. Certamente há questões técnicas que precisam ser melhor resolvidas e é possível que, no fim das contas, o etanol não seja pior do que a gasolina. Ou então, bastará um “fine tunning” tecnológico dos motores flex para resolver o problema.
De qualquer maneira, o debate filosófico é interessante: Pensar globalmente, ou agir localmente??


Foi só eu falar em dinossauros e pássaros, vejam só o que apareceu na última edição da revista Nature: mais um dinossauro coberto de penas…. e esse parece MESMO uma galinha!
Acima, uma foto do fóssil real (reparem na marca das penas), seguida de uma ilustração científica de como os pesquisadores imaginam que o bicho era milhões de anos atrás.
Atenção: este é apenas MAIS UM fóssil de dinossauro com penas! Não é o primeiro e certamente não será o último.
Vários leitores se mostraram céticos com relação ao meu último post. É uma reação normal. Não é todo dia que alguém chega dizendo que a galinha que você devora na lanchonete é uma descendente moderna do Tiranossaurus rex, que devora seres humanos no Jurassic Park!
Mas isso não saiu da minha cabeça não. Nem foi piada científica de mau gosto. A relação evolutiva entre aves e dinossauros já é algo aceito há muitos anos na comunidade científica, com base em evidências fósseis bastante convincentes. Esse último dinossauro com penas, descoberto na China, é só mais um exemplo disso.
Aliás, se o Jurassic Park fosse refilmado hoje, podem ter certeza que a cara dos bichos seria bem diferente. Muito mais penosa!
Claro que as evidência evolutivas que convencem os cientistas vão muito além da aparência, e até mesmo da presença de penas (que, por si só, não é prova de nada)….. Mas não precisamos entrar nesse nível de detalhe aqui. Se você concordar que os dinossauros e os pássaros têm alguma coisa em comum só pela aparência, já está mais do que bom.
abraços


Prestem atenção nessas duas imagens acima….. Qualquer semelhança não é mera coincidência.
A primeira é o desenho científico de uma nova espécie de dinossauro (apelidado de “mini T. rex”) que foi descrita na última edição da revista Science. A grande novidade é que esse bicho era igualzinho a um Tyrannosaurus rex, só que muito menor (não tinha nem 3 metros de comprimento), e viveu milhões de anos antes dele, o que mostra que não era preciso ser grande para ser um tiranossaurídeo com cabeça grande, dentes afiados, bracinhos pequenos e pernas grossas.
A segunda é a foto de um galo cantando. Só isso.
O que uma coisa tem a ver com a outra? Bem, eu diria que um é a cara do outro. Notaram como o dinossauro tem um quê de galinha e a galinha tem um quê de dinossauro?
A razão para isso é que as aves (incluindo as galinhas, que não voam, mas são aves) são descendentes diretas dos dinossauros. Aliás, há quem diga que elas SÃO dinossauros…. só mudaram de cara e de nome um pouquinho nos últimos milhões de anos.
Assim como a Dani Suzuki olhou para a mão de um macaquinho na Amazônia e ficou impressionada como ela “parecia de gente” (veja meu post do dia 3/9, abaixo), basta olhar com um pouco mais de atenção para as aves para perceber que elas e os dinossauros têm muito em comum também.
Os cientistas se baseiam em um monte de detalhes técnicos para afirmar isso, mas eu usarei um exemplo mais leigo e direto, com a ajuda de um terceira foto (caso a do galo já não tenha sido convincente o suficiente). Só que essa eu não consegui copiar, por questões de copyright, mas ela pode ser vista nesse link da National Geographic.
Ela mostra as patas de uma ave da Amazônia chamada mutum-poranga. Agora me fale: parecem ou não parecem as garras de um lagarto? Talvez até de um ex-dinossauro? Reparem na textura da pele, nas garras…. Parece um réptil, mas é uma ave. Imagine só!
Todo mundo já ouviu falar que os dinossauros foram extintos 65 milhões de anos atrás, provavelmente por causa de um grande meteoro que caiu na Terra e enlouqueceu o clima do planeta. Isso é QUASE verdade. Na verdade, uma linhagem de dinossauros sobreviveu ao cataclisma, e se transformou nas aves modernas.
Pense nisso a próxima vez que comer um franguinho assado no almoço.

Imagine Só: Cientistas confirmaram ontem a existência de um planeta semelhante ao nosso (pequeno e rochoso) na órbita de uma outra estrela, semelhante ao nosso Sol, localizada a 500 anos-luz daqui. Batizado de CoRoT-7b, ele é quase duas vezes maior em diâmetro e cerca de cinco vezes mais “pesado” do que a Terra. Ou seja, não é exatamente igual …. mas é da família. (A imagem acima é uma ilustração da estrela vista da superfície do planeta, em primeiro plano.)
Já faz tempo que os cientistas “sabem” que há muitos – mas muitos mesmo!, na casa dos bilhões de bilhões de bilhões – planetas do tipo da Terra (pequenos e rochosos) circulando no espaço por aí em volta de outras estrelas. Só faltava mesmo achar um para ter certeza. Pois então…. achamos! E ainda por cima, com uma mãozinha tecnológica brasileira, pois quem detectou o planetinha foi o satélite espacial CoRoT, construído e operado em parceria pela França e pelo Brasil. Palmas para o prof. Eduardo Janot, do Instituto de Astronomia da USP, que é quem toca o projeto por aqui – e sempre disse que esses planetinhas iam aparecer mais cedo ou mais tarde.
As implicações teóricas dessa descoberta são imensas. Afinal, imagine só: Se há bilhões e bilhões de outros planetas como a Terra por aí, então é perfeitamente possível que alguns deles (ou muitos) também tenham desenvolvido vida. Por enquanto, é só uma especulação, que talvez nunca possa ser provada, pois as distâncias que nos separam dessas outras estrelas e planetas no espaço são absolutamente gigantescas. Ou seja: mesmo que o universo esteja repleto de vida, não há nenhuma garantia de que um dia encontraremos um extraterrestre. Mas é uma especulação coerente do ponto de vista científico.
As condições necessárias para o surgimento da vida em outros planetas certamente existem. Todos os elementos essenciais (carbono, hidrogênio, oxigênio, enxofre e até água) são extremamente abundantes no universo. Isso é fato. Agora estamos descobrindo que também não faltam planetas sólidos, onde esses elementos podem se misturar e dar origem a moléculas orgânicas mais complexas. Se aconteceu na Terra, por menores que sejam as possibilidades, pode acontecer em outros planetas também. (OBS: Não é o caso do CoRoT-7b, que fica muito próximo de sua estrela – 23 vezes mais próximo do que Mercúrio está do Sol – e portanto é muito quente para abrigar vida como a conhecemos.)
Mas atenção, quando pensar sobre isso, mantenha sua mente aberta. Use a imaginação! Todas essas especulações sobre vida extraterrestre são baseadas na vida como a conhecemos na Terra – a única que conhecemos! –, baseada em carbono, água, DNA, RNA, braços, pernas, orelhas e coisas do tipo. Mas quem garante que essa é a única receita para se construir um ser vivo??? Quem garante que não há formas de vida completamente diferentes da nossa no universo…. tão diferentes que, se estivessem bem na nossa frente, não a reconheceríamos como vida. Vai saber.
Vou concluir esse texto remetendo a uma das imagens do Hubble que mostrei no meu post anterior: a do aglomerado estelar Omega Centauri. Olhe para essa foto (copiada abaixo, em maior detalhe) e imagine: Cada uma dessas 100 mil estrelas pode – e deve – ter planetas girando em torno delas. Planetas gigantes e gasosos, como Júpiter e Saturno, e planetas pequenos e rochosos, como Terra e Marte.
E isso é só um pedacinho minúsculo da nossa galáxia, a Via Láctea, que é apenas uma de bilhões e bilhões de galáxias no universo, cada uma delas recheada de bilhões e bilhões de estrelas e planetas….. Imagine só.


Esta semana a Nasa revelou as primeiras imagens feitas pelo telescópio espacial Hubble desde que ele foi reformado e modernizado, em maio deste ano. As fotos são tão lindas e tão espetaculares que quase dispensam palavras….. mas só quase!
Realmente, elas são lindas esteticamente, como obras de arte. Mas ficam ainda mais lindas e mais espetaculares quando se entende a ciência que existe por trás delas.
Vejam, por exemplo, esse mosaico de quatro fotos acima (já que não fui capaz de escolher uma única imagem). A primeira delas, que parece uma borboleta espacial, é um negócio chamado “nebulosa planetária”, apesar de não ter nada a ver com planetas (além do fato de que é capaz de destruí-los, caso haja algum por perto). O que vocês estão vendo é o resultado de uma gigantesca explosão estelar! As asas da borboleta são jatos de gás super quente que foram expelidos por uma estrela e que estão viajando a mais de 965 mil quilômetros por hora no espaço. Isso é o que costuma acontecer com estrelas mais ou menos do tamanho do nosso Sol (essa da foto, chamada NGC 6302, tinha cerca de cinco vezes a massa do Sol). Quando começa a acabar o combustível nuclear delas, elas inflam e expelem suas camadas mais externas de gás, como se fossem uma camada de pele morta.
Nosso Sol vai passar por isso daqui uns 5 bilhões de anos, mais ou menos. Se alguém da nossa espécie ainda estiver vivo até lá, pode dizer adeus. Vai morrer todo mundo torrado.
Para se ter uma ideia de tamanho e distância, essa nebulosa está a 3.800 anos-luz da Terra, o que significa que seria preciso viajar 3.800 anos à velocidade da luz (300.000 km por SEGUNDO) para chegar até ela. E de uma ponta da asa a outra, a borboleta tem 2 anos-luz de envergadura. Imagine só o tamanho!!! Dois anos viajando à velocidade da luz para chegar de uma ponta a outra.
A foto ao lado é do Quinteto de Stephan, um aglomerado de galáxias. A do canto direito de baixo é de uma outra nebulosa, chamada Carina, na forma de um pilar de poeira e gás, dentro da qual estão encubadas milhares e milhares de jovens estrelas. E a última, do canto inferior esquerdo, é apenas um pedaço de uma gigantesco aglomerado de estrelas chamado Omega Centauri, a 16 mil anos-luz da Terra. O aglomerado inteiro tem 10 milhões de estrelas, mas na foto aparecem “só” umas 100 mil…. pouca coisa.
Daria para escrever um livro sobre cada uma dessas imagens, mas não dá tempo…..
Mais informações e mais fotos do Hubble podem ser encontradas nesse site: www.hubblesite.org
Ah, esqueci de dizer….. essas nebulosas são chamadas “planetárias” porque, quando vistas por um telescópio pequeno da Terra, parecem ser redondas como um planeta. Não é o caso do Hubble, que tem 13 metros de altura e 4 de diâmetro!.
abraços

Gostaria de reproduzir abaixo um email que recebi do Felipe Ramos, um jovem brasileiro que está passando por um tratamento experimental com células-tronco na China. Eu conheci o Felipe alguns meses atrás, por telefone, quando o entrevistei para uma reportagem que estava escrevendo sobre esse assunto para o Estadão. Ele sofreu um acidente de carro em 2007 que o deixou paralisado da barriga para baixo, e acredita que essa terapia chinesa é a única esperança de recuperar seus movimentos.
Falar sobre esse tipo de terapia é muito complicado emocionalmente. Tem muita gente dizendo que funciona, que ficou melhor, mas não há nenhuma comprovação científica de que as supostas células-tronco que são injetadas nos pacientes realmente têm algum efeito terapêutico. Talvez até tenham, mas não há como saber, pois os procedimentos não são controlados, supervisionados nem reportados de acordo com os protocolos científicos tradicionais. Sabemos de alguns casos que parecem ter dado certo, noticiados como “milagres” na internet, mas praticamente nada sobre todos os outros casos que não deram em nada — ou que podem até ter trazido algum efeito colateral.
Enfim, há uma série de ressalvas que precisam ser feitas, mas que não cabem todas aqui nesse espaço. Publico esse email do Felipe (que ele me autorizou a divulgar) apenas como uma reflexão. Será que vale a pena, e é seguro, submeter-se a um procedimento experimental como esse? Não critico de maneira alguma a iniciativa dos pacientes que buscam essa opção. Se eu estivesse numa cadeira de rodas, acho que também buscaria todas as alternativas possíveis para me curar — com ou sem comprovação científica. Ao mesmo tempo, porém, me preocupa ver o caso de famílias que vendem tudo (ou o pouco) que têm para viajar para a China ou algum outro lugar distante do mundo e pagar por um tratamento sem eficiência comprovada. Sem falar no custo emocional, que também é altíssimo.
Torço para que o tratamento do Felipe dê certo, e que os médicos chineses que o estão operando um dia publiquem os resultados de seus experimentos de uma forma transparente, de modo que possam ser analisados pela comunidade científica internacional e, quem sabe, reproduzidos em outros lugares do mundo, para o benefício de todos.
Abaixo, o email do Felipe:
Ola!!!!!
Tudo bem por ai???
Por aqui ta tudo otimo!!
Algumas noticias minhas:
Hj foram colhidas celulas do nariz e da coluna, na coluna foi uma puncao… Acho q agora esta perto de comecar o tratamento… acho que so falta a retirado de celulas da bacia…. chega de exames… nao aguento mais agulhas…. ja chega a eletroneuromiografia q fiz…. e vou ter que repetir apos a cirurgia… Vamos levar os exames embora para algum medico dai ver… Ja que aqui ninguem conta nada para a gente….
Hj fiz uma terapia aqui bem legal… tomei varios tapas na cabeca e pelo corpo como se fosse para estimular… Amanha comeca a acumputura… Tenho feito fisio aqui todos os dias… faz bicicletinha, fica de pe com a tabua ortostatica, aperta bolinhas e exercicios passivos de membros inferiores…
Entao…. Nao sabemos ao certo a data da cirurgia… sabermos q provavelmente sera na proxima semana.. acompanhada de suas puncoes…. Mando noticias….
Muito obrigado a todos que ajudaram neste tratamento mesmo que em oracoes e pensamentos positivos!!!!
Bjos

Hoje de manhã assisti, por acaso, o final de um programa chamado Pé no Chão, do canal Multishow. A apresentadora (Dani Suzuki) estava em algum lugar da Amazônia, acompanhando uma dupla de índios/cabloclos enquanto caçavam macacos no meio da mata.
Estava tudo ótimo, super aventura, até que o caboclo acertou um tiro e eles foram pegar o macaquinho (um macaco-prego, se não me engano) morto no chão da mata. Assim que ela viu o macaco morto, começou a chorar e se recusou a carregar o bicho de volta até o barco.
No fim, ela se explicou aos caboclos, ainda com lágrimas no rosto: “Eu sei que para vocês é normal, mas para nós é muito estranho…. Se fosse uma ave, acho que tudo bem. Mas um macaco é muito estranho, porque parece gente. Ele ficou ali, chorando… a mãozinha dele é igual à de gente.”
Meu resumo da história: Não precisa ser nenhum Darwin para enxergar a evolução. Basta prestar atenção.
abraços
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