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Herton Escobar

22.maio.2010 22:15:16

O QUE FAZ UM BOM CIENTISTA?

FOTO: JF DIORIO/AE

FOTO: JF DIORIO/AE

Hoje vou fugir um pouco do formato básico deste blog para fazer uma reflexão editorial sobre um tema que foi levantado esta semana em meio às chamas que destruíram a coleção de cobras e aranhas do Instituto Butantan (IB).

Em entrevistas à imprensa, o ex-diretor da Fundação Butantan (braço privado do IB, que faz a gestão financeira do instituto) , Isaias Raw, defendeu a priorização da produção de vacinas no Instituto e menosprezou as pesquisas feitas com a coleção. Disse que a função do IB era salvar vidas e não “ficar brincando com cobra” e que a ciência feita pelos pesquisadores da coleção era de “quinta categoria”.

Logo, vieram me perguntar: “Mas e aí, os caras lá são bons mesmo?”

Essa pergunta é extremamente difícil de ser respondida. Em geral, quem tem um bom conhecimento de ciência olha para um cientista e sabe se ele é bom ou não é. Mas como é que você “prova” isso estatisticamente? Sem conhecer nenhum dos pesquisadores do Butantan pessoalmente, como é que você definiria se eles são cientistas de primeira, segunda ou terceira categoria?

Ironicamente, definir um bom cientista cientificamente não é nada fácil. Seja qual for o parâmetro escolhido, alguém sempre acaba injustiçado. Tanto que a definição de mérito para distribuição de bolsas e seleção de projetos é um dos temas mais polêmicos da política científica – não só no Brasil, mas no mundo todo.

Por exemplo: Quem é o melhor cientista, aquele que publica mais, aquele que ensina mais, aquele que patenteia mais, aquele que faz pouca pesquisa mas atrai muitos recursos (financeiros e humanos) para sua instituição….?

E se considerarmos apenas as publicações, quem é o melhor: aquele que publicou 10 trabalhos medianos em 1 ano, ou aquele que publicou 1 trabalho revolucionário em 10 anos? Aquele que só publicou trabalhos medianos certamente não vai ganhar o Prêmio Nobel, mas talvez ele tenha orientado e formado muito mais alunos do que aquele que fez uma descoberta bombástica no mesmo período. E aí? Quem é o melhor cientista? Quem merece ganhar mais dinheiro e ter ar-condicionado na sala?

A resposta “correta”, claro, é que precisamos de todos os tipos de cientistas. Precisamos de pesquisadores audaciosos, empreendedores, do tipo Craig Venter, que buscam descobertas revolucionárias e não perdem tempo com “picuinhas”. Precisamos de pesquisadores-professores inteligentes, que se dediquem a formar jovens cientistas competentes e fazer boas pesquisas, sem se preocupar necessariamente em ganhar um Prêmio Nobel. Precisamos também de bons cientistas curadores, educadores, expositores, oradores, escritores, divulgadores, que talvez nunca publicaram um trabalho de impacto, mas que sabem transmitir o conhecimento da ciência para o grande público de maneira inteligente, seja na forma de um livro ou de uma exposição, fazendo com que as pessoas entendam, apoiem e se entusiasmem pela ciência. Etc.

Aos olhos de alguém como o Dr. Isaias, que dedicou sua vida ao estudo e à produção de vacinas, o trabalho de alguém que dedica a vida a descrever espécies de cobra guardadas em vidros com álcool pode parecer totalmente irrelevante. Mas obviamente que não é. Claro que a importância da produção de vacinas é inegável, inquestionável, mas as milhares de pessoas que visitam o Instituto Butantan todos os meses não vão lá para olhar as fábricas de vacinas. Vão lá para ver as cobras e aprender sobre elas! Ou alguém aí já viu uma criança com a cara grudada no vidro e a boca aberta de espanto olhando pela janela de uma fábrica? “Mamãe, olha só aquela linha de produção, que incrível!!! Tira uma foto?”…. acho que não.

Pois então: é só graças a essas coleções biológicas e graças ao trabalho desses cientistas “de quinta categoria” que conhecemos os nomes, os hábitats e o comportamento de todas essas cobras e aranhas fascinantes. Que graça teria viver cheio de saúde num mundo sobre o qual não conhecemos nada? Ciência não precisa salvar vidas nem ganhar Prêmio Nobel para ser boa. Só precisa ser boa.

Abraços a todos.

comentários (64) | comente

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64 Comentários Comente também
  • 23/05/2010 - 06:45
    Enviado por: FRANCISCO F. DE GOIS

    Fico feliz depois de ler comentários inteligentes como estes, Herton!

    Parabéns, rapaz. A diversidade talvez seja a característica mais marcante da própria vida. É um imperativo que os sistemas, para serem eficazes, sejam multivariados, por assim dizer.

    Abraços,

    FRANCISCO F. DE GOIS
    FORTALEZA-CE

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  • 23/05/2010 - 10:08
    Enviado por: Solon

    Com todo respeito ao Dr. Isaias: Lineu, por sua classificação de milhares de espécies, foi um cientista de “quinta categoria”?

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  • 23/05/2010 - 10:17
    Enviado por: Tweets that mention O QUE É UM BOM CIENTISTA? | Herton Escobar -- Topsy.com

    [...] This post was mentioned on Twitter by Afra Balazina, Stevens Rehen. Stevens Rehen said: O que é um bom cientista? Herton Escobar em artigo inspiradíssimo. http://blogs.estadao.com.br/herton-escobar/o-que-e-um-bom-cientista/ [...]

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  • 23/05/2010 - 11:38
    Enviado por: Almir Carlos Marques

    Carissimo Herton Escobar,

    Parabens pela sua brilhante exposicao, permita-me colocar um breve comentario.

    Os Cientistas Brasileiras sao competentissimos e possuem uma altissima capacidade de realizacao, o que tem faltado eh uma politica comprometida com o desenvolvimento cientifico em nosso Pais.

    O Premio Nobel como muitos desses premios ortogado a classe cientifica, hoje possue na maioria das vezes uma conotacao politica mas do que por merito cientifico.

    Um Caso interessante recentemente foi o do eminente matematico Russo
    o Dr Grigori Perelman que resolveu um dos complexos problemas do milenio assim considerado, A Conjectura de Poincare, para se ter uma ideia esta solucao traz a humanidade elementos de uma nova geometria para a compreencao do universo em que vivemos.
    O interessante que este Senhor nao quis nenhum premio a ele ortogado.
    Para ele o importante foi a contribuicao, e isto ja bastava.

    Fico com aqui com a colocao do eminente Fisico e Matematico Frances Henri Poincare ” A verdade cientifica para ser encontrada e necessario que nos libertar de todo preconceito e toda piaxao e fundamental alcancamos o estado de absoluta sinceridade”

    Um Belo abraco a Voce e a Classe Cientifica Brasileira.
    P.S. Meu teclado nao tem os caracteres da lingua Portuguesa Perdoe-me por isto.

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  • 23/05/2010 - 15:43
    Enviado por: Eliane

    “…que se dediquem a formar jovens cientistas competentes e fazer boas pesquisas, sem se preocupar necessariamente em ganhar um Prêmio Nobel.” O lance é fazer boas pesquisas, se preocupando em ganhar os incentivos e editais para manter o lab… é uma vida linda, brilhante, mas às vezes dura e cruel.

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  • 23/05/2010 - 15:55
    Enviado por: André Oliveira

    O Dr Isaias Raw deu uma prova incontestável da arrogância que permeia certas mentes acadêmicas. O que se torna verdade para estes donos de Phds de máxima monta tem que ser seguido de forma religiosa pelos demais incultos e inferiores. A burocracia mandante na USP é bem emblemática por esta arrogância. Falo isso como aluno da instituição e por perceber que lá se prioriza a publicação de trabalhos e atos formais, pois isso valoriza a instituição nos rankings internacionais.

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  • 23/05/2010 - 16:56
    Enviado por: Franz

    Herton, parabéns pelo post.
    Fica a pergunta: Destacar uma nota na 6a. Sinfonia de Beethoven ou ouví-la na íntegra com sua harmonia, nuances e beleza. O conjunto todo dos cientistas é que facilita a nossa sobrevivência. Não importa se a colaboração é pequena, média ou grande.

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  • 23/05/2010 - 19:06
    Enviado por: Meg

    Herton, parabéns pela reflexão tão lúcida! Acertou, de novo…

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  • 23/05/2010 - 19:27
    Enviado por: Sonia

    CERTISSIMO, MENINO. PARABENS!!! CIENTISTA BOM E CIENTISTA HUMILDE. A ARROGÂNCIA PETRIFICA MENTES QUE PODERIAM BRILHAR, NA BUSCA POR MELHORES RUMOS PARA A SOCIEDADE.

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  • 23/05/2010 - 23:56
    Enviado por: Roberto Belisário

    Boa perspectiva, Herton. A virtuose pode ser encontrada em qualquer dessas habilidades que você citou, não só na capacidade de fazer descobertas revolucionárias ou de acumular artigos e patentes (que também são importantes). E isso quer dizer também que grandes pesquisadores podem não ser tão bons em epistemologia ou em conceitos sobre divulgação científica. Talvez isso explique a confusão do nosso grande biólogo com a importância de quem trabalha nas coleções.

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  • 24/05/2010 - 07:52
    Enviado por: Thiago Serra

    A sua reflexão é interessante, mas observa os comentários do ex-diretor do Instituto Butantan apenas pela ótica da oposição. Peço licença para tomar espaço no seu blog e expressar o outro lado da questão, com todo o respeito.

    Existe uma linha muito tênue entre a pesquisa e um trabalho pouco inovador disfarçado de pesquisa. Prova disso é que muitas empresas chamam de trabalho algo muito mais inovador do que a pesquisa de muitos ditos cientistas. Existem projetos em empresas indo muito além do que a pesquisa acadêmica chegou em certos assuntos, e existem institutos de pesquisa empregando profissionais a baixos salários pra fazer trabalho quase que braçal, iludindo-os com o título de “pesquisador”.

    Parece muito fácil para alguns dos que comentaram aqui jogar pedras em quem esteve dirigindo a instituição e, ao mesmo tempo, defender a instituição em si ignorando que seus membros confiaram nesse sujeito para dirigi-la. Se o que ele falou sobre a pesquisa lá dentro está certo ou errado? Não tenho a mínima idéia, afinal nunca estive lá e não me acho melhor do que os próprios pesquisadores de lá pra dar opinião a respeito.

    Mas essas críticas me soam familiares. Muitos doutores por aí se iludem (ou iludem aos outros apenas?) com pesquisa irrelevante, publicando em congressos de comadres e colaborando pouco para o progresso da ciência. E o pior é que muitas instituições pagam caro por isso por apresentarem indicadores mais baixos de produção por se preocuparem em formar menos, em formar com qualidade e publicar em veículos mais confiáveis.

    E argumentar a importância de um cientista pelo fato de que muitas crianças gostam de cobras não está muito longe de argumentar a importância da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp pelo fato de que as bombas de chocolate da padaria experimental da FEA são deliciosas e justificar que é um trabalho científico muito importante fabricá-las.

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    • 24/05/2010 - 13:36
      Enviado por: Herton Escobar

      Olá Thiago. Obrigado pelo comentário. Tudo que você diz é sem dúvida verdade. Tem muito pesquisador meia-boca “de quinta categoria” por aí. Inclusive na USP, na Unicamp, no Butantan e outras instituições científicas de respeito. Sendo assim, talvez a crítica do Isaias seja justa. Não sei…. A reflexão que tentei fazer foi justamente essa: Como definir? Quais critérios devem ser usados para diferenciar um cientista de primeira, segunda ou terceira categoria?

      Nesse caso, é preciso levar em conta que o trabalho primordial feito sobre uma coleção biológica desse tipo é a descrição de espécies (taxonomia), estudos de parentesco (filogenia), distribuição geográfica de espécies e coisas desse tipo….. que são extremamente valiosas para o conhecimento da biodiversidade, mas tipicamente NÃO rendem publicações de alto impacto na Nature ou Science ou coisa do tipo. Se julgarmos a qualidade dos pesquisadores da coleção do Butantan simplesmente pelo impacto de suas publicações, comparando-o às de cientistas que trabalham com o desenvolvimento de vacinas, por exemplo, há um sério risco de injustiça. Poderíamos, sim, comparar a produção científica deles com as de outros grupos de herpetologia, ligados a outras coleções de outras instituições, e dizer se eles produzem mais ou menos do que esses outros grupos semelhantes. Mas isso seria algo bastante trabalhoso…… e ainda esbarraríamos na seguintes questão: será que eles produziriam mais e melhor se a infraestrutura de pesquisa fornecia pelo Butantan fosse melhor? Não sei se é justo comparar a produção de um biólogo que trabalha numa mesinha apertada, enfurnado entre armários no Butantan, à de um biólogo do Instituto Smithsonian, por exemplo.

      Enfim, apenas uma reflexão.
      abraço

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    • 25/05/2010 - 22:42
      Enviado por: Felipe

      Prezado;

      Interpreto diferente de vc. É verdade que existem bons e maus profissionais, mas isso ocorre em qualquer área. O modelo de gestão reducionista e voltado apenas para o que é aplicado e dá visibilidade é que é estúpido. Mais do que isso: a imensa maioria do contingente de vacinas que se imagina ser produzido pelo Brasil é importado e apenas envasado aqui. Nossa pesquisa em biologia e biodiversidade é nacional, nossa e feita com pouquíssimos recursos, especialmente na área de zoologia. O fascínio que os bichos exercem sobre as pessoas, crianças ou não, é uma arma importante para captação de recursos que não deve ser menosprezada. O Herton não disse que “os bichos são bonitos, e por isso a pesquisa a seu respeito é importante”. Na minha opinião ele discutiu extremamente bem a idéia de que os parâmetros de qualidade devem ser flexíveis.

      Abraço

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  • 24/05/2010 - 13:00
    Enviado por: José Júnior

    Herton,

    Confesso que sou um leitor assíduo do seu blog, mas nunca havia deixado um comentário sequer. Porém, seria uma injustiça não parabenizá-lo desta vez pela excelente reflexão.

    Abraço.

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  • 24/05/2010 - 20:15
    Enviado por: Gabriella Breder

    Olá Herton Escobar
    Também gostaria de parabenizá-lo pelo excelente texto! Com a leitura dele me coloco a avaliar e criticar meu trabalho de mestrado. Entretanto, penso que a pesquisa tem seus vários fins e meios, e dizer que uma determinada ciência tem menor importância que outra seria um erro grave, como ficou nas entrelinhas de um comentário desse texto. Logo, creio sim que devemos a todo momento nos questionarmos se o que estamos pesquisando é relevante, ou não, para o mundo atual. Cabe a nós tentarmos identificar “qual mundo” estamos inseridos e o que queremos fazer para mudá-lo, dentro das nossas condições e do nosso conhecimento técnico-científico atual.
    Um abraço e novamente parabéns!

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  • 25/05/2010 - 00:03
    Enviado por: Emanuel Teixeira

    Olá Herton, é a primeira vez que leio o seu blog, e não posso deixar de te parabenizar pelo ótimo texto! Não só pelo fato de eu ser biólogo e herpetólogo, mas porque seu texto nos faz refletir bastante sobre o que é a ciência e sobre como ela é encarada. E ainda nos alerta para não avaliarmos as diferentes vertentes da pesquisa científica, assim como os pesquisadores, pela sua simples e aparente “relevância” para a humanidade. Opiniões como a do ex-diretor do Butantan são falaciosas e mascaram a importância da geração de conhecimento sobre a natureza para o desenvolvimento das sociedades. É necessário mesmo repensar a ciência no Brasil, mas principalmente o modo como a ciência básica, como a taxonomia, é encarada em nosso país. É ridículo nos vangloriarmos da megadiversidade biológica que o Brasil possui sem reconhecermos o valor daqueles (pessoas e instituições) que trabalham para que possamos compreender e utilizar melhor, assim como conservar esta diversidade.

    Mais uma vez parabéns!

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  • 25/05/2010 - 08:37
    Enviado por: Fey

    Esse tipo de discussão nem deveria existir para início de conversa. O fato de mesmo entre cientistas, ainda estar discutindo de forma egocêntrica a importância dos seus trabalhos só serve pra desviar a atenção do foco principal do problema que deveria estar bem claro no caso do ‘acidente’ do Butantan: não foi acidente, foi negligência e imperícia geral.

    Esse tipo de discussão só serve pra demonstrar o quão imaturos estamos com relação a Ciência. Lamentável, desse jeito ainda está longe o dia em que serão resolvidos os problemas desse setor.

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  • 25/05/2010 - 09:38
    Enviado por: O que faz um bom cientista? « eardreams

    [...] Fonte: Estadão – By Heberton Escobar [...]

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  • 25/05/2010 - 09:45
    Enviado por: Priscila de Stefani Castro

    Olá Herton Escobar,
    Gostaria de parabenizá-lo pelo texto!
    Com a leitura dele me coloco a avaliar e criticar meu trabalho de mestrado. Entretanto, penso que a pesquisa tem seus vários fins e meios, cada qual com a sua necessidade e requisitos.
    Acredito que devemos sempre nos questionarmos se o que estamos pesquisando é relevante, ou não.
    Cabe a nós ciêntistas descobrir através de pesquisas que a ciência não é uma só, mas que deve ser trabalhada de forma interdisciplinar e pluridisciplinar.

    Seja um pesquisador você também e ajude a ciência com seu conhecimento na comunicação, que move tanto o “senso comum” e “senso crítico” do planeta!

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  • 25/05/2010 - 10:33
    Enviado por: Marco Mello

    Ótima reflexão! Certamente o bom cientista é aquele que descobre coisas interessantes (inovador), ou seja, publica regularmente em revistas acima da média (mesmo que poucos artigos) ou manda uma Science/Nature de vez em quando. Nobel já sai da faixa do bom; é extraordinário. Mas toda instituição precisa dos três perfis: inovador, professor e captador. De preferência, a maioria dos pesquisadores em cada lugar deveria ter algum equilíbrio entre essas coisas. Só não pode haver espaço para quem é ruim nas três.

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  • 25/05/2010 - 15:16
    Enviado por: F

    Olá Herton. Achei muito interessante suas reflexões, mas concordo com “Fey” e “Marco Mello”- estamos ainda distantes da origem de nossos problemas de formação de recursos humanos, produção científica, inovação tecnológica e análise de meritocrática no meio acadêmico. Os pressupostos para a excelência de nossas Instituições são: a transmissão de conhecimento às novas gerações; pesquisa científica e geração de conhecimento de fronteira; processos e técnicas que beneficiem a sociedade – a inovação.

    Precisamos de excelentes professores, que fazem pesquisa de pouca relevância, mas só deveriam dar aulas e deveriam ganhar como excelentes professores. Precisamos de excelentes pesquisadores, que ministram péssimas aulas, que deveriam se dedicar exclusivamente na formação de recursos humanos altamente qualificados, na geração de conhecimento e na captação de recursos. Precisamos de bons administradores, sejam visionários, que tenham capacidade de captar recursos públicos e PRIVADOS, criar cursos de graduação que exalta a formação tradicional e que tenham INSERÇÃO em um mercado sempre dinâmico. Não dá para manter profissionais de baixa capacidade em nossas Instituições Públicas. Acima de tudo, de tudo mesmo, nossas Instituições deveriam criar um Plano de Desenvolvimento na qual todos os profissionais deveriam nortear seus interesses, tal como o MIT e a Univ. de Harvard…e não baseada na acomodação, corporativismo…

    Muitas vezes, os pesquisadores discutem essas questões de maneira simplista e conveniente. O valor agregado do trabalho acadêmico [docência, pesquisa, administração, difusão] depende de percentual de inteligência, criatividade e ESTRATÉGIA incorporados! É sob essa ótica que devemos avaliar a mensagem do Dr. Raw. Grande abraço. Respeitosamente, F.

    PS1: Cadê o sistema anti-incêndio no Butantã!?!

    PS2: se gostaríamos de mudar os rumos nas análises bibliométricas/cienciométricas devemos contribuir para o assunto…publiquem na Scientometrics, PNAS, Trends in Genetics, Bioessays…

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  • 25/05/2010 - 22:21
    Enviado por: Melissa Negro Luciano

    Como futura cientista, não posso deixar de parabenizá-lo pela reflexão!

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  • 26/05/2010 - 11:39
    Enviado por: Arthur Andrade Nery

    Apenas dois comentário gerais sobre todo a fuzarca iniciada pelo Dr. Isaias Raw:

    1. De que adianta fazer a vacina se você não souber identificar a cobra, afinal não existe um soro universal.

    2. Como anda o processo que investiga a Administração Isaias Raw pelo desvio de R$35 milhões justamente…adivinhem vocês…..da produção de vacinas!

    Enfim, como sempre o interesse público sendo de longe superado pelo interesse particular!

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  • 26/05/2010 - 11:47
    Enviado por: Allyson

    Herton se todas as pessoas fossem como você o mundo hoje estaria muito melhor, com certeza. Parabéns pela brilhante exposição dos fatos, muito justo e muito bem colocado!
    Aliás parabéns ao Arthur Andrade Nery (comentário acima) pelos sinceros comentários. Grande abraço !

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  • 26/05/2010 - 12:58
    Enviado por: Fabiana

    A experiência que eu tive no meio científico me ensinou que muitas vezes a pesquisa de base é menosprezada. Por pesquisa de base eu entendo a pesquisa que não tem uma grande descoberta em si, que não tem aplicação direta, mas cujos resultados são importantes para que pesquisas mais avançadas e de aplicação possam ser feitas consecutivamente. Não sei qual o tipo de pesquisa feito com os animais no Inst. Butantã, e portanto não posso avaliar esse caso em si. Como já foi comentado também, existem as fraudes no meio científico e pesquisas pouco inovadoras. Refazer pesquisas (o que de inovador não tem nada) é importante para que se confirme o resultado de outros pesquisadores e assim desmascarar resultados fraudulentos e/ou manipulados.
    Por um outro lado, o sistema de produção científica que existe hoje, muitas vezes não permite o completo desenvolvimento do profissional. Coloco a exemplo, o tempo limitado para que haja a formação de cientistas no Brasil. 2 anos para mestrado e 4 anos para doutorado pode ser um tempo razoável ou minúsculo dependendo do tipo de pesquisa que se faça. Prazos são importantes, mas deve haver uma sensibilidade para permitir que trabalhos mais longos sejam também desenvolvidos.
    Voltando ao assunto das cobras, acho que é importante o trabalho de exposição e ensino, mesmo que isso não seja pesquisa. Esse tipo de experiência infantil é o que desperta curiosidade, característica fundamental a pesquisadores de sucesso em qualquer área.

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  • 26/05/2010 - 17:01
    Enviado por: valdenira santos

    Seu artigo revele as perguntas que fazemos todos os dias. Fazer ciência é pensar e buscar pensar de maneira inteligente seja para fazer a pesquisa de base, a pesquisa aplicada ou ensinar ciência. Aliás ensinar deveria fazer parte das ciências, não se transmite, não se repassa, não se constrói coisa alguma do nada. Nossas engenharias atuais e ditas revolucionárias que o digam. Milênios atrás alguém se dedicou a pensar sobre algo que viu ou se dedicou a resolver um problema. Ninguém acha que precisa do gari, mas deixe uma cidade sem gari apenas um dia e veremos o caos. Deixemos a pesquisa básica de lado e veremos um processo lento ded evolução científica e tecnológica.
    A cobra é tão importante quanto a vacina, como saberíamos quais delas produzem os melhores soros se alguém não as tivesse estudado?
    Produção é importante, mas deve ser acompanhada com a qualidade necessária seja ela no ensino, na pesquisa de base, na pesquisa aplicada ou na produção tecnológica. Só assim poderemos garantir a evolução do conhecimento dos diversos campos da ciência. O passado nos ensina, basta olhar para trás…
    Um abraço

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  • 26/05/2010 - 18:36
    Enviado por: Luis Fabio Silveira

    Prezado Herton
    Parabéns. Novamente temos o prazer de ler um texto claro, equilibrado e conciso.
    E viva a ciência de boa qualidade, seja ela feita para produzir vacinas ou para descrever e compreender os padrões e processos responsáveis pela nossa incrível biodiversidade.

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  • 26/05/2010 - 20:51
    Enviado por: Márcia Arzua

    Olá Herton!
    Amei o seu texto! As suas reflexões são bem centradas. Eu trabalho e dirijo um local onde são realizadas pesquisas zoológicas e onde também são mantidas coleções científicas! Infelizmente, nossos trabalhos não são reconhecidos pelos dirigentes superiores. Amamos o que fazemos! Creio que todo taxonomista é um idealista. Aliás, esse profissional está entrando em extinção no Brasil. Não podemos deixar que isso aconteça! Um abraço. Parabéns!

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  • 27/05/2010 - 15:35
    Enviado por: Ney Gastal

    Mais um texto seguindo a trilha aberta pelo incêndio no Butantan.
    Muito bom, porque não sectário.
    Realmente, a questão proposta é pertinente.
    Mas ficou em aberto uma segunda:
    O que faz uma boa instituição científica?
    Basta uma boa concentração de “bons cientistas” para fazer uma “boa instituição”?
    E quais as obrigações (não digo “prioridades”, podem ser cumulativas) de um “bom cientista” que é também servidor público?
    E as de uma “boa instituição” científica sustentada por dinheiro público?
    Finalmente, um “bom cientista” servidor público pode guardar o conhecimento para si, ou ele é público?
    Coisas a serem pensadas e muito debatidas.

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  • 27/05/2010 - 18:26
    Enviado por: Cristiano Nogueira

    Excelente texto! Herton, parabéns pela visão clara e inteligente.

    Antes de tudo, um bom cientista precisa ter a mente aberta, livre de dogmas e preconceitos. Algo longe do alcance do Sr. Raw e sua visão curta e tacanha,

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  • 27/05/2010 - 19:01
    Enviado por: Cynthia P. A. Prado

    Olá Herton,

    Meus parabéns pelo texto ! Eu como herpetóloga não poderia deixar passar em branco seu comentário que nos faz refletir muito. A cultura massificadora e a globalização também chegaram até a cìência e as comparações e cobranças absurdas estão fazendo com que os pesquisadores deixem de ser livres para pesquisarem o que gostam !! Pensamentos preconceituosos, como o do Sr. Isaias, são um dos motivos do declínio de taxonomistas no Brasil e no mundo !! Nossos alunos de Biologia não querem mais fazer taxonomia e sistemática (a não ser a molecular, que muitas vezes não é suficiente) porque essa pesquisa é taxada como de “quinta categoria” e seus periódicos possuem baixo fator de impacto. Imagine um país megadiverso como o nosso sem os taxonomistas !! O que será da ecologia, farmacologia, toxicologia, biologia molecular, fisiologia, etc….

    Um abraço

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  • 27/05/2010 - 23:15
    Enviado por: Leticia dos Anjos e Viviane Guzzo

    Olá Heitor….

    Parabéns pelo texto. Como vc mesmo disse, existem vários tipos de pesquisadores e cientistas. Que bom termos um profissional como vc, com esta visão, para transmitir essa mensagem!!!

    Um grande abraço

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  • 28/05/2010 - 08:43
    Enviado por: Célio Haddad

    Herton,
    Parabéns pela lucidez de suas idéias. Como é bom ler artigos de profissionais como você. É digno de nota o fato de você, como repórter, ter mais noção sobre ciência, sobre os valores inerentes a cada tipo de profissional e sobre a filosofia subjacente a este tipo de atividade, do que cientistas arrogantes e intolerantes como os Drs. Isaias Haw a Paulo Vanzolini, que apregoam, sem enrubescimento, que só aquilo que eles próprios fazem é merecedor de reconhecimento. Na verdade, no balanço final, pesquisadores como eles acabam jogando contra a ciência e o desenvolvimento, pois apesar de serem profissionais competentes prejudicam os avanços de áreas do conhecimento e como você claramente percebeu, todas as áreas do conhecimento são importantes.
    Continue assim, escrevendo aquilo que deve ser dito.
    Grande abraço,
    Célio Haddad

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    • 28/05/2010 - 12:12
      Enviado por: Herton Escobar

      Obrigado Célio. É uma honra tê-lo como leitor do blog. Um dos maiores especialistas do Brasil em anfíbios, para quem não conhece…. Cientista de primeira categoria!

      Grande abraço, Herton.

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  • 28/05/2010 - 10:10
    Enviado por: Felipe Pait

    Não entendo nada de herpetologia. Fiquei triste com o incêndio e chocado com o comentário do Raw. Na minha área, porém, com certeza posso identificar uma porção de pesquisadores respeitadíssimos que são criminosamente incompetentes, assim como gente excelente que permanece desconhecida. Só que vou esperar até chegar à idade do Dr Isaías para dar os nomes.

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  • 28/05/2010 - 11:13
    Enviado por: Ricardo J. Sawaya

    Prezado Herton, parabéns por seu texto tão lúcido e preciso.
    O texto e as manifestações sobre ele realmente nos ajudam a pensar sobre a situação da ciência básica no Brasil.
    Sou pesquisador do Instituto Butantan e desenvolvo um projeto que pretende descrever a biodiversidade de répteis e anfíbios e sua distribuição no Estado de São Paulo. Um porção significativa dessa biodiversidade e chaves importantes para sua compreensão infelizmente estava conservadas na coleção.
    Eu e tantos outros colegas do Butantan e de todo o mundo ainda estamos chocados com essa que foi uma das maiores tragédias da ciência. Recebemos centenas de mensagens de solidariedade de todas as partes do mundo. Surreal entretanto, foi receber uma mensagem tão cruel originária justamente de nossa própria casa.
    Que tudo isso nos faça refletir e agir.
    Um abraço e muito obrigado por seu trabalho, tão importante para a sociedade.

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    • 28/05/2010 - 12:10
      Enviado por: Herton Escobar

      Obrigado Ricardo. Espero num futuro não muito distante poder escrever uma matéria sobre a reconstrução da coleção herpetológica do Butantan! abraço

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  • 28/05/2010 - 16:34
    Enviado por: Denis Andrade

    Caro Herton,
    parabéns pelo excelente artigo. Vc conseguiu expressar um problema bastante complexo (como julgar a qualidade da pesquisa cientifica) de uma maneira bastante ilustrativa e de facil assimilação. Cabe ainda notar que excelencia em pesquisa não surge do nada, do dia para noite, quase sempre é um trabalho cumulativo, de construção paciente e laboriosa. Foram 100 anos deste trabalho que o incendio no Butantan destruiu. Face esta perda de enorme valor historico e cientifico, alguem vir a publico, ainda mais um pesquisador de renome, e colocar as coisas nos termos que foram colocados é um desserviço a ciência. Seguindo a mesma lógica distorcida, deveriamos acabar com todos os jardins para plantar grãos, ou com todos os animais de estimação para criar animais de corte, para que investir em cultura se as pessoas ainda morrem de desnutrição? por que gastar recusos com medidas de proteção a natureza se a segurança publica é tão precária? e por ai vai….abraço, Denis

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  • 28/05/2010 - 18:46
    Enviado por: Otavio Marques

    Parabéns Herton, reforço o que vários colegas disseram sobre a lucidez de seu artigo. Aproveito para dizer que o cientista é um ser humano como qualquer outro e desse modo muitos são atropelado pelo seu próprio ego. Rebaixar qualidades do próximo é um modo de enaltecer a si mesmo! O mesmo é feito para o tipo de pesquisa ou para o tipo de cientista. Espera-se de um cientista que seus circuitos cerebrais funcionem plenamente e tenham sempre muita lucidez e grande visão…mas eles são seres humanos…e o ego parece bloquear parte de seus circuitos cerebrais. Tudo é uma curva de Gauss. Assim, cientistas extremamente egocentricos são o bordo da curva. Portanto, eles são minoria. Felizmente!
    Um grande abraço,
    Otavio

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  • 28/05/2010 - 19:37
    Enviado por: Oswaldo Luiz Peixoto

    È uma grande sorte achar alguem que fale por nós, cientistas, que tantas vezes temos que engolir sapos e cobras, pela incompreensão de tantos, especialmente políticos. E dolorosamente pior, como no caso, pela visão obliterada, por um fator misterioso, de membros da comunidade cientifica. Esse episódio torna mais lamentável a grande perda que a ciencia brasileira teve. O fogo das palavras do Prof. Raw, alem de absurdamente injusto, desvia do reconstruir a atenção de todos… quem sabe um gestor de recursos não se escude nessas palavras para tornar mais lento o necessário fluxo de recursos????

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  • 29/05/2010 - 10:58
    Enviado por: Rômulo

    Isaías Raw foi deselegante, grosseiro e imperdoavelmente injusto. Um cientista renomado não tem o direito de cometer esse tipo de erro! Ele tem conhecimento suficiente para discernir sobre a importância das várias ciências!
    Foi mesquinho!

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  • 29/05/2010 - 16:14
    Enviado por: Raquel Juliano

    Parabéns pelo texto!
    Para a ciência e a pesquisa, bastaria que existisse “gente de primeira categoria”…

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  • 30/05/2010 - 23:51
    Enviado por: Rodrigo Lingnau

    É muito bom ver um jornalista com uma tamanha compreensão de ciência!! Os comentários de diversos colegas aqui já mostraram isso, e só para reforçar mais uma vez, é triste ver cientistas como o Dr. Raw se tornarem tão egocêntricos ao ponto de querer menosprezar algumas áreas do conhecimento por pura falta de lucidez. Parabéns Herton Escobar! Eis um jornalista digno de escrever sobre ciência no Brasil!

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  • 01/06/2010 - 08:23
    Enviado por: Marco Mello

    Quanto à entrevista do ex-diretor do Butantan, realmente foi algo beirando o surreal, ainda mais vindo de alguém que tinha justo esse cargo. É equivalente a um chef de restaurante dizer que agricultura não serve para nada, que é coisa medieval de gente que fica brincando com plantinhas…

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  • 01/06/2010 - 11:38
    Enviado por: Marcelo Knobel

    Caro Herton
    Valeu pelo artigo, muito bom!
    Marcelo

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  • 01/06/2010 - 22:42
    Enviado por: Juliana Tavares

    Caro Helton,

    Parabens, ler seu texto foi um alivio, como beber um isotonico apos uma condiçao de sede extrema!! Precisava “ouvir” estas palavras, precisava “enxergar” no meio deste furacao, que ainda há pessoas que consigam de forma explicita, justa e real, descrever o que é fazer ciencia hoje, nao so no Brasil.
    À frente da busca de conhecimento, há busca de status, há injustiças, há desvalorizaçao, anulação de outras capacidades!!!

    Neste meio onde borbulha inovaçao e conhecimento, falta sabedoria e humildade!!!!

    Abraço

    Juliana

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  • 02/06/2010 - 00:25
    Enviado por: Thaís Guedes

    Caro Herton,

    Saindo do cenário de destruição que é ver a maior coleção de serpentes do mundo reduzida a escombros nos deparamos com o texto agressivo, ignorante e revoltante texto do Sr. Isaias Raw. Assim como com muito esforço e trabalho de formiguinha estamos resgatando o pouco material que restou da nossa coleção…ler seu texto também ajuda a reacender a esperança. A esperança de que a verdade prevalece, de que deve ser valorizado o que é de valor: a ciência! Parabéns pelo texto, merecedor de comentários dos maiores herpetólogos do país como vi acima e digno de ser ainda mais divulgado.

    Abraço

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    • 02/06/2010 - 11:58
      Enviado por: Herton Escobar

      Obrigado Thaís, uma das muitas jovens pesquisadoras e pesquisadores que tiveram seu trabalho incendiado pela tragédia do Butantan.

      E obrigado a todos que também tem comentado sobre esse post. Quanto mais pública e mais abrangente for essa discussão, melhor. A ciência só tem a ganhar com o debate.

      Forte abraço,
      Herton

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  • 02/06/2010 - 11:52
    Enviado por: Miguel

    Helton:
    Repleto de imperfeições, o ser humano costuma amplificar as dos outros e minimizar suas próprias.
    O Sr. Isaias Raw aponta seu microscópio “contra” seus colegas, mas se esquece de assumir sua parcela de responsabilidade pela catástrofe ali ocorrida, pois é em parte sua a responsabilidade pelo abandono que a produziu, minimizando sua falha (incompetência) enquanto gestor das finanças do Instituto.

    A beleza, a completude e a existência do Universo em que vivemos não se deve apenas às estrelas de maior grandeza.

    Assim é a humanidade e, como parte das atividades dela, a Ciência.

    Em minha opinião, esse tipo de manifestação é, no mínimo, preconceituosa, à semelhança de quem desvaloriza o trabalho, por exemplo, dos garis, como recentemente o fez um distinto apresentador/âncora de telejornal.

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  • 02/06/2010 - 16:44
    Enviado por: Renata Tedeschi

    Oi Helton, queria parabeniza-lo pelo texto. Não sou bióloga e nem entendo muito sobre isso. O pouco que entendo é o que meu irmão e sua namorada me falam (eles trabalham com herptologia). Mas como doutoranda em meteorologia do INPE achei seu artigo magnifico.
    Hoje há uma discussão muito grande no mundo cientifico de o que é ser um bom pesquisador. Sabemos que CAPES e CNPq exigem publicações, pois quanto maior o número de publicações, maior é o seu nivel na CAPES e assim maior é a ajuda financeira dada ao instituto e as pós-graduações. Sendo assim, a maioria dos pesquisadores são pressionados a simplesmente publicar.
    Mas ao mesmo tempo, se isso não fosse exigido, será que teriamos esse numero de publicações?
    É por essa e outras questões que gostei muito do seu texto.

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  • 10/06/2010 - 21:04
    Enviado por: O que faz um bom cientista? | AAPBio

    [...] Por Herton Escobar, em seu blog [...]

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  • 10/06/2010 - 21:44
    Enviado por: Caio Cardoso Tomaz

    Herton, parabéns pela excelente reflexão!

    Todo tipo de contribuição é bem-vinda, todo o trabalho sério, ético e determinado deve ser valorizado. O nobel de hoje é consequência do conhecimento aparentemente sem sentido de ontem. “O que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano” – Isaac Newton

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  • 11/06/2010 - 15:03
    Enviado por: Sebastião Paulo Tonolli

    O que faz um bom cientista é a competência e o exímio conhecimento em dominar tudo aquilo que ele se propõe a fazer na sua área de pesquisa.

    Em relação quem deve ganhar mais e, quem deve ter ar condiocionada é muito simples. Aliás, a França sabe resolver isso muito bem. Primeiro, quem é professor deve professar, ensinar, transmitir com muita propriedade tudo aquilo que os alunos precisam. Em segundo lugar, pesquisador é para pesquisar e ponto final. Desta forma, não existe mínima confusão entre ambos profissionais. Ainda, professor e pesquisador devem receber os mesmos salários sem diferença nehuma.

    Mas afinal, esse assunto é para pais civilizado, com foco na Cultura, Educação, Saúde, Lazer(Teatro, Cinema,…)! O Brasil ainda está distante dessa realiadade.Digamos, que o de Gaulle ainda continua a ter razão! Infelizmente

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    • 28/06/2010 - 11:36
      Enviado por: Laide Mendonça

      Oi Sebastião, você colocou muito bem quando diz que o Brasil está longe de formar ” CIENTISTAS” . Diria mais, o Brasil está longe de muitas conquistas e a culpa na maioria das vezes é nossa, que nunca escolhemos nossos governantes, votamos apenas. a população está despreparada para escolher pessoas integras para ministrar o País, investir na educação de qualidade. Tudo o que os Governantes querem são tabelas sobre o alto indice de aprovações sem se preocupar com a qualidade e a população não vem se procupando com isso, como se a educação é apenas ter uma certificado em mãos.Digo mais, o aluno que quer estudar muitas vezes são impedidos por uma série de fatores, o professor que almeja dar aula de boa qualidade , é barrado até pela falta de suportes. Sem falar dos alunos que pagam pra entrar numa faculdade e sei lá se num paga pra sair também. Pois num país onde vemos todo tipo de corrupção e continuamos de braços cruzados, o que há pra se dúvidar?
      “Senti na pele o desabafo do funcionário Paulo que diz”
      Faço parte do quadro de funcionários deste brilhante Instituto, com brilhantes PESSOAS… depois cientistas!!!
      Seu texto foi um “ar respirável” mo meio da fumaça e fogo que NÓS: biólogos, funcionários, estagiários, pesquisadores, colaboradores…. estavamos “embrenhados” ao tentar salvar algo que não é DO INSTITUTO BUTANTAN… mas sim de toda população brasileira e mundial.

      Pois como funcionária pública sinto o que é ser cobrado e nunca ser assistido nas angústias do dia-a dia , principalmente quando se quer trabalhar em meio de um sistema que não funciona muitas vezes por politicagem.

      ” MUDEMOS NOSSAS ATITUDES DE CIDADÃOS E NOSSA CONSCIENCIA POLÍTICA E O BRASIL SERÁ ‘REDESCOBERTO’”

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  • 17/06/2010 - 08:50
    Enviado por: Fernanda M F carvalho

    Em um país onde a educação e a ciência ainda são vistas como artigos de “2ª necessidade”, não me causa espanto a fala do sr Isaias Raw…

    Por motivos econômicos, políticos ou até ignorância sobre a temática das coleções ou mesmo por pura arrogância sobre o que se considera importante, leigos e cientistas (o que é muito pior), podem simplesmente minimizar o valor de algo único no mundo, que, ao ser destruído, inviabilizou iniciações científicas, mestrados e doutorados em curso, assim como impediu as gerações futuras de colocarem “a cara no vidro” e se espantarem frente a espécimes extintas pela ação humana.

    Muito triste ler / ouvir comentários tão parciais e preconceituosos como este…

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  • 20/06/2010 - 20:08
    Enviado por: Vilma

    Gostei muito de seu texto acho que o caminho é pensar dessa maneira. Todos os pesquisadores são importantes e todo o trabalho traz contribuições desde que seja realizado de forma ética, séria e com rigor científico.
    abçs

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  • 20/06/2010 - 20:21
    Enviado por: Paulo

    Faço parte do quadro de funcionários deste brilhante Instituto, com brilhantes PESSOAS… depois cientistas!!!
    Seu texto foi um “ar respirável” mo meio da fumaça e fogo que NÓS: biólogos, funcionários, estagiários, pesquisadores, colaboradores…. estavamos “embrenhados” ao tentar salvar algo que não é DO INSTITUTO BUTANTAN… mas sim de toda população brasileira e mundial.
    Continue sendo “sóbrio” na maneira de conduzir as informações aos seus leitores.
    Grande abraço.

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  • 22/06/2010 - 22:12
    Enviado por: MESSI VS. ELANO: QUEM É O MELHOR CIENTISTA? | Herton Escobar

    [...] E o que isso tem a ver com ciência? Pois bem… fazendo essa comparação hoje (em tom de brincadeira) com alguns colegas na redação, me coloquei a pensar sobre a questão da avaliação de mérito e produtividade em ciência, que abordei recentemente no meu post sobre “O que faz um bom cientista?” [...]

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  • 23/06/2010 - 10:33
    Enviado por: Paulo

    Concordo,
    a diversidade de “tipos” de cientistas é benéfica. O problema é que cientistas e acadêmicos em geral tem egos gigantescos, são competitivos e ser superior aos demais é um fator que os motiva. Alguns adoram diminuir os colegas, faz parte. Ser bom cientista não significa ser bom ser humano também, tem figurão elogiado nesse blog que não é flor que se cheire pessoalmente e para os colegas.

    Enfim, no estilo americano de fazer ciência, bom pesquisador é o que traz recursos. Se ele o faz através de publicações ou patentes, importa menos. Quanto mais rico o laboratório, melhor o cientista.
    No Brasil complica um pouco pela escassez de fontes de recursos, mas é parecido.

    Mas lembrem-se…acadêmicos não são todos bonzinhos e sociopatas adoram dizer que se importam com as pessoas, que querem salvar vidas e cuidar dos outros.

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  • 12/07/2010 - 16:08
    Enviado por: Cil

    Li esse texto e achei maravilhosa a abordagem. O ex-chefe do IB foi de uma arrogância sem tamanho, até porque conhecer os hábitos de cobras e outros animais em tempo de proteção ao meio ambiente é extremamente importante. Esses animais estão no meio da nossa cadeia alimentar e sabemos que qualquer dano a existência dos mesmos vai contribuir para desestabilizar nossa vida a longo prazo. Espero que os cientistas “de quinta categoria” possam remontar a coleção de reptéis do Butantan. Afinal, em 50-100 anos ainda teremos criancinhas com as cabeças encostadas nos vidros observando curiosamente serpentes…

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  • 06/12/2010 - 16:20
    Enviado por: Leonardo Francisco Stahnke

    Herton!
    Deixo aqui meus sinceros parabéns pelo artigo… Você abertamente conseguiu expor à todos qual é o verdadeiro papel do cientista: a educação para o futuro…
    A educação que se complementa, não que se exclui… que é incompleta e necessita ser constantemente alimentada… que é dinâmica e não estática.
    Parabéns

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  • 25/06/2012 - 11:16
    Enviado por: H.B.Palhano

    Prezado Herton,

    Parabéns pelo equilíbrio e lucidez de suas palavras. Não concordo com a argumentação postada, contextualizando a segregação de pesquisadores e professores. Não devemos copiar modelos de outros países e devemos sim, desenvolver os nossos métodos ajustados às nossas realidades. Cada instituição possui a sua missão, sua visão e os seus valores, assim, instituições como a EMBRAPA, por exemplo, desenvolvem pesquisa de ponta, de altíssimo nível, além de gerar um grande número de patentes para o nosso país, contudo, as universidades estão calcadas sobre o alicerce do tripé: ensino, pesquisa e extensão e além de formar recursos humanos para diversas profissões, formamos cidadãos.

    Temos a responsabilidade, como pedagogos, de formar seres humanos melhores, seres humanos que respeitem as diversidades humanas, que contribuam de forma mais efetiva com a sustentabilidade do mundo em que vivemos através de atitudes responsáveis no cotidiano, seres humanos com firme propósito de justiça social e espírito solidário. Temos ainda a responsabilidade de formar pesquisadores responsáveis e de desenvolver pesquisas responsáveis, pesquisa de qualidade, não com o objetivo ter visibilidade, mais com o firme objetivo de contribuição para evolução da ciência e da humanidade. Temos a responsabilidade de levar a universidade até a comunidade, buscando uma inserção social efetiva.

    Assim, por mais difícil que seja, esse é, ou deveria ser, o norte de todos aqueles, que, voluntariamente, buscaram a sua inserção no magistério superior. Penso que deve ser realizada uma revisão nos métodos de avaliação das instituições de ensino superior, para evitar o avanço da pressão sobre a remuneração produtivista, o que poderá causar impacto negativo sobre a pesquisa, que será realizada com fins remuneratórios. Também penso que deve ser reavaliado o acesso às verbas destinadas para pesquisa, cada vez mais concentradas nas fundações, representando um gargalo,principalmente para quem está em início de carreira.

    Concluindo, considero infeliz e profundamente equivocada a fala do Sr. Isaias Raw. É realmente lamentável. Parabéns a todos os pesquisadores, técnicos, estagiários, colaboradores e acima de tudo, seres humanos dedicados ao Brilhante Instituto Butantan.

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    Herton Escobar

    Herton Escobar é repórter do jornal O Estado de S. Paulo desde 2000 e blogueiro desde 2008, especializado em jornalismo científico e ambiental. É formado em jornalismo pela Western Michigan University e foi bolsista do MIT e do Marine Biological Laboratory, nos EUA.

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