
Terremotos são eventos realmente impressionantes.
Vejam esse mapa acima: ele mostra cálculos iniciais de quanto algumas cidades do Chile e da Argentina se deslocaram para o oeste após o terremoto do dia 27 de fevereiro. Notem que Concepción, a cidade mais próxima ao epicentro, foi “arrastada” 3 metros (303,9 cm) e Santiago, 13 centímetros. Imagine só a força que é necessária para mover uma cidade inteira um mísero milímetro!!! E três metros então?
A coisa mais poderosa (e destrutiva) que o homem já conseguiu inventar foi uma bomba atômica. Mas um terremoto qualquer faz nossas bombas parecerem coceguinhas na crosta terrestre. A natureza é muito mais forte e muito mais poderosa do que qualquer tecnologia humana.
Os terremotos, assim como os vulcões, são lembranças constantes de que a Terra ainda é um planeta jovem (só 4,5 bilhões de anos) e plenamente ativo (ainda que um tanto sonolento, comparado ao que já foi no passado). O chão sobre o qual pisamos parece estático, mas não é. A crosta terrestre é na verdade um grande quebra-cabeça geológico, em que as peças são gigantescas placas tectônicas que flutuam sobre um manto de rocha derretida (magma) e super quente.
Tudo isso está em movimento. A rotação da Terra faz o magma fluir; o magma empurra as placas; as placas se chocam, se empurram, se esfregam; cidades tremem; pessoas morrem. Para ser mais exato, as placas não se movem continuamente, mas estão sempre sendo pressionadas uma contra a outra. Isso gera energia, que vai se acumulando, até que a pressão supera a fricção, a energia é liberada e as placas se movem de fato, causando um terremoto.
O Chile tem o azar de estar bem à beira de uma gigantesca falha geológica, que é a zona de contato entre as placas tectônicas da América do Sul e de Nazca. Falei agora há pouco por telefone com o pesquisador Ben Brooks, da Universidade do Havaí, que é um dos autores do mapa aí de cima. Ele me disse que, no terremoto do dia 27, a placa da América do Sul avançou 10 metros sobre a placa de Nazca. É muita coisa!
Mas então como é que a América do Sul inteira não se moveu 10 metros para o oeste? E como é que Concepción pode ter se deslocado 3 metros e Santiago, só 13 centímetros? Se fosse assim, não deveria haver uma rachadura enorme entre as duas cidades??
Ao conversar com Brooks percebi meu erro: eu estava pensando na placa como uma coisa rígida que se movimenta como uma peça só. Mas é ainda mais complexo do que isso! A própria crosta, na verdade, tem uma plasticidade, por mais rígida que possa parecer sob os nossos pés. “A terra literalmente se deforma”, exclamou Brooks. Ou seja: a placa não só flutua sobre o magma e se move, mas ela também se molda de acordo com as forças tectônicas aplicadas a ela. Imagine só!
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Para ver um mapa da América do Sul inteira, clique aqui. Você vai ver que há algumas setas sobre o Brasil também, mas atenção: os deslocamentos medidos aqui estão dentro de uma margem de erro que os tornam estatisticamente irrelevantes. Em outras palavras: não há evidências confiáveis de que o Brasil tenha saído do lugar …. não por causa do terremoto no Chile, pelo menos.
Abraços a todos.

O Chile não deu azar de estar em zona de terremotos, o ser humano, por algo inexplicável, procura viver em locais de risco, mesmo sabendo do perigo. Por exemplo, S.Francisco e Los Angeles era pra morar tanta gente? Napoles era pra ser a terceira cidade da Italia? A Turquia, o Afganistão, Bangladesh e Java devería morar alguém? Na beirada de córregos e encostas do Rio e de São Paulo, devería ter algo mais além de árvores? Enfim o mundo pipoca de exemplos… por que? Só Deus sabe.
Olá João. Eu várias vezes me pergunto também porque as pessoas escolhem viver em certos lugares….. Veneza, por exemplo: Com tanta terra disponível, por que se dar ao trabalho de construir algo sobre a água? (a cidade é MARAVILHOSA, eu estive lá alguns anos atrás, mas não deixa de ser um espanto alguém se dar ao trabalho de construí-la)
E os povos do Ártico ou do deserto, ou do semi-árido brasileiro…. Porque eles se deram ao trabalho de se adaptar àquelas condições ambientais extremas em vez de simplesmente migrar para áreas de clima mais ameno, onde a sobrevivência é mais fácil? Competição com outras populações? É um tema muito curioso de ser estudado.
Como regra geral, o ser humano (e todos os animais) sempre procura viver perto da água, que é o elemento mais essencial à vida, e também fonte de alimento, transporte, etc. É por isso que a maioria das cidades do mundo ficam à beira mar ou à beira de um rio.
Já a ocupação de morros e outros áreas de risco nas metrópoles é uma questão social, obviamente.
abraço
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