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DIRETOR DO ICB-USP RETRATA ESTUDO APÓS DENÚNCIAS

Herton Escobar

05 janeiro 2013 | 11:28

Herton Escobar / O Estado de S.Paulo
(Reportagem publicada no jornal impresso em 5/1/2013, com algumas informações adicionais)

O pesquisador Rui Curi, diretor do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo, retratou um trabalho científico de sua autoria, publicado em 2007 no periódico Journal of Lipid Research. A retratação significa um cancelamento do trabalho, sugerindo que os dados publicados estavam incorretos.

A informação foi divulgada ontem à noite pelo site Retraction Watch (Observatório de Retratações), mantido por dois blogueiros norte-americanos. O post, assinado pelo jornalista Ivan Oransky, faz uma relação “irônica” entre a retratação e o fato de que Curi seria responsável pelo fechamento de um outro blog, chamado Science Fraud (Fraude Científica), cujo conteúdo foi tirado do ar na quarta-feira por força de ações judiciais. O site vinha publicando denúncias contra Curi, que teria acionado advogados para tirá-las do ar.

Procurada pelo Estado, a diretoria de Publicações da Sociedade Americana de Bioquímica e Biologia Molecular (ASBMB), responsável pelo Journal of Lipid Research, informou que o trabalho foi retratado “voluntariamente pelo autor” e só ele poderia explicar os motivos. No site da revista, o artigo, relacionado à ação de ácidos graxos em linfócitos (células de defesa do sangue), aparece como retratado em 28 de dezembro de 2012.

Curi não foi encontrado ontem pela reportagem para comentar o assunto. Além dele, o trabalho é assinado por outros quatro cientistas que fizeram doutorado em seu laboratório: Renata Gorjão (cujo trabalho foi a base de sua tese de doutorado), Sandro Massao Hirabara, Thaís Martins de Lima e Maria Fernanda Cury Boaventura.

A assessoria de imprensa da universidade repassou ontem à noite à reportagem um texto escrito de Curi no final de dezembro (antes da retratação do artigo), em resposta a uma demanda de outros jornalistas, que diz: “Os fatos e denúncias anônimas estão sendo apurados de forma isenta para verificar que eventuais erros não foram intencionais (…) e apenas formais, não alterando a discussão científica, nem resultados e conclusões dos trabalhos criticados. Ocorrendo isto, os autores preparam erratas aos editores.”