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Na semana passada a revista Science publicou um trabalho científico argumentando que o surgimento da Cordilheira dos Andes foi um dos principais fatores que impulsionou o desenvolvimento da biodiversidade amazônica atual. O soerguimento das montanhas inverteu o fluxo do Rio Amazonas — que antes corria para o oeste e desaguava no Pacífico, em vez do Atlântico, como faz hoje — e modificou significativamente a paisagem da região, criando uma série de hábitats diferenciados que impulsionaram a formação de novas espécies (num processo chamado de “especiação”). Isso tudo cerca de uns 10 milhões de anos atrás …
O foco do trabalho é na biodiversidade. Mas a coisa que mais me impressionou (que certamente não é novidade, mas apresentou-se de uma forma muito evidente no trabalho) foi pensar que até alguns milhões de anos atrás, a Cordilheira dos Andes simplesmente não existia …. imagine só!
Parece loucura olhar para uma cadeia de montanhas daquele tamanho e imaginar que elas nem sempre estiveram ali. Que aquilo tudo um dia foi plano, ou mais ou menos plano. Que o que está hoje milhares de metros acima da superfície um dia já esteve debaixo dágua … Mas esteve mesmo! Aliás, uma das peças mais importantes no quebra-cabeça científico que Charles Darwin montou em sua cabeça para desenvolver a teoria da origem das espécies foi a descoberta de uma floresta fóssil (petrificada) e de conchas marinhas no alto dos Andes chilenos. Ali ele se deu conta de como o tempo geológico é vasto, e como as coisas podem mudar ao longo desse tempo.
Hoje sabemos de fato que os Andes nem sempre existiram (eles foram e continuam a ser erguidos por forças tectônicas geradas pelo encontro das placas Nazca e Sul-Americana … a primeira mergulha por baixo da segunda, fazendo com que sua borda se dobre para cima … e é essa dobra que forma as montanhas …. agora, imagine a força que é necessária para dobrar a borda de um continente inteiro!!)
Sabemos também que todos os continentes estiveram um dia grudados uns nos outros. E que topos de montanhas já foram leito de oceano. Que o nível dos mares já variou tremendamente ao longo da história, para cima e para baixo. Que as espécies que existem hoje não são as mesmas que existiram ontem. E assim por diante.
(Se você é frequentador das praias do Sudeste, saiba, por exemplo, que todas aquelas lindas ilhas que você enxerga da costa nem sempre foram ilhas. Míseros 10 mil anos atrás o nível dos oceanos estava muito mais baixo e elas estavam ligadas ao continente. Era terra firme daqui até lá, e muito mais pra frente ainda….)
E mais: não pense que essas transformações todas pararam de acontecer só porque nós estamos aqui e gostamos de viver uma vidinha tranquila. Nosso planeta parece estático, mas é apenas uma ilusão produzida pelo fato de nós vivermos muito rápido e o planeta mudar muito devagar. Claro que as coisas são mais calmas hoje do que eram bilhões de anos atrás, quando a Terra ainda estava em formação. Mas ela continua extremamente ativa … E não é preciso muita imaginação para perceber isso. Na verdade, não é preciso imaginação nenhuma! Basta olhar para o vulcão Merapi, na Indonésia, que neste exato momento está cuspindo fumaça e cinzas incandescentes do interior da terra, e que já matou centenas de pessoas.
Basta lembrar também daquele vulcão com nome impronunciável da Islândia, que fechou o espaço aéreo da Europa durante sei lá quantos dias. E dos terremotos e tsunamis que insistem em atingir a costa oeste da Indonésia, matando milhares de pessoas. E que devastaram recentemente o Haiti e partes do Chile. Basta pensar no arquipélago do Havaí, que é todo formado por vulcões submarinos. E lembrar que debaixo do Parque Nacional de Yellowstone tem um super vulcão adormecido que, se um dia explodir, pode causar uma extinção em massa na Terra ….
Lá no fundo, nosso planeta ainda é uma bola de rocha quente, derretida e ativa. Imagine só!
Abraços a todos.
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Aproveitando o gancho do resgate dos mineiros no Chile, vale muito a pena ver essa galeria de fotos das Cavernas de Cristal do México, produzida pela National Geographic.
Inacreditável o que se esconde debaixo dos nossos pés. Imagine só!
Abraços a todos.

FOTO: Reuters/DigitalGlobe
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Muita gente duvida que o ser humano seja capaz de alterar o clima da Terra com suas emissões de gás carbônico. Será mesmo?
Agora há pouco estava pesquisando algumas informações sobre o vazamento de óleo da BP no Golfo do México, para uma reportagem, e dei de cara com essa foto aí de cima … Impressionante!!! É uma imagem de satélite, feita pouco após a explosão da plataforma, e sobre a qual foram aplicados alguns filtros para realçar a visibilidade do óleo e dos materiais dispersantes jogados na água para desfazer a mancha.
Aquele pontinho de fumaça no meio é a plataforma, obviamente. E repare como ela é pequena comparada ao tamanho da mancha (que, no fim das contas, ficou MUITO MUITO maior do que isso, com milhares de km2 de extensão). Repare como um “furinho” feito no leito do oceano pelo homem pode impactar uma área tão gigantesca, matando milhares de animais e contaminando uma enorme variedade de ecossistemas.
Nós somos pequenos. Mas nosso impacto sobre o planeta é ENORME.
Alguns anos atrás, o cientista holandês Paul Crutzen (prêmio Nobel de química em 1995) propôs que o impacto do homem sobre o planeta é tão significativo que os últimos dois ou três séculos deveriam ser considerados o início de uma nova época geológica, chamada Antropoceno.
Infelizmente, essa honra parece ser mais do que merecida. Imagine só!
Abraços a todos.

Terremotos são eventos realmente impressionantes.
Vejam esse mapa acima: ele mostra cálculos iniciais de quanto algumas cidades do Chile e da Argentina se deslocaram para o oeste após o terremoto do dia 27 de fevereiro. Notem que Concepción, a cidade mais próxima ao epicentro, foi “arrastada” 3 metros (303,9 cm) e Santiago, 13 centímetros. Imagine só a força que é necessária para mover uma cidade inteira um mísero milímetro!!! E três metros então?
A coisa mais poderosa (e destrutiva) que o homem já conseguiu inventar foi uma bomba atômica. Mas um terremoto qualquer faz nossas bombas parecerem coceguinhas na crosta terrestre. A natureza é muito mais forte e muito mais poderosa do que qualquer tecnologia humana.
Os terremotos, assim como os vulcões, são lembranças constantes de que a Terra ainda é um planeta jovem (só 4,5 bilhões de anos) e plenamente ativo (ainda que um tanto sonolento, comparado ao que já foi no passado). O chão sobre o qual pisamos parece estático, mas não é. A crosta terrestre é na verdade um grande quebra-cabeça geológico, em que as peças são gigantescas placas tectônicas que flutuam sobre um manto de rocha derretida (magma) e super quente.
Tudo isso está em movimento. A rotação da Terra faz o magma fluir; o magma empurra as placas; as placas se chocam, se empurram, se esfregam; cidades tremem; pessoas morrem. Para ser mais exato, as placas não se movem continuamente, mas estão sempre sendo pressionadas uma contra a outra. Isso gera energia, que vai se acumulando, até que a pressão supera a fricção, a energia é liberada e as placas se movem de fato, causando um terremoto.
O Chile tem o azar de estar bem à beira de uma gigantesca falha geológica, que é a zona de contato entre as placas tectônicas da América do Sul e de Nazca. Falei agora há pouco por telefone com o pesquisador Ben Brooks, da Universidade do Havaí, que é um dos autores do mapa aí de cima. Ele me disse que, no terremoto do dia 27, a placa da América do Sul avançou 10 metros sobre a placa de Nazca. É muita coisa!
Mas então como é que a América do Sul inteira não se moveu 10 metros para o oeste? E como é que Concepción pode ter se deslocado 3 metros e Santiago, só 13 centímetros? Se fosse assim, não deveria haver uma rachadura enorme entre as duas cidades??
Ao conversar com Brooks percebi meu erro: eu estava pensando na placa como uma coisa rígida que se movimenta como uma peça só. Mas é ainda mais complexo do que isso! A própria crosta, na verdade, tem uma plasticidade, por mais rígida que possa parecer sob os nossos pés. “A terra literalmente se deforma”, exclamou Brooks. Ou seja: a placa não só flutua sobre o magma e se move, mas ela também se molda de acordo com as forças tectônicas aplicadas a ela. Imagine só!
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Para ver um mapa da América do Sul inteira, clique aqui. Você vai ver que há algumas setas sobre o Brasil também, mas atenção: os deslocamentos medidos aqui estão dentro de uma margem de erro que os tornam estatisticamente irrelevantes. Em outras palavras: não há evidências confiáveis de que o Brasil tenha saído do lugar …. não por causa do terremoto no Chile, pelo menos.
Abraços a todos.

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