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Herton Escobar


(FOTO: Patricia Santos/AE)

As notícias recentes de que o etanol pode (e eu enfatizo o “pode”), em algumas circunstâncias, emitir mais poluentes do que a gasolina me deixaram num impasse …

Eu sou fã assumido do etanol de cana-de-açúcar. Acho simplesmente fantástica a ideia de que garapa fermentada possa fazer um carro funcionar.

(Já escrevi artigos sobre isso antes, mas para quem não leu, aqui vai um resumo: Sabe aquele álcool combustível que você coloca no seu carro para dirigir? Então, aquilo nada mais é do que caldo de cana fermentado. A matéria prima é a mesma que você compra na barraquinha de pastel no fim da feira: garapa! A única diferença da feira para a indústria é o processo de fermentação. A garapa é dada de alimento a fungos (leveduras), que consomem o açúcar no caldo e secretam o álcool, que depois é separado, processado e enviado para os postos de combustível. Imagine só!!!)

Mas voltando ao impasse….

O etanol é ótimo do ponto de vista climático porque não contribui para o aquecimento global. Todo o CO2 que sai do escapamento dos carros é reabsorvido via fotossíntese pelas plantações de cana. Ou seja: tudo que sobe, desce. A gasolina, por outro lado, só adiciona CO2 à atmosfera. Tudo que sobe, fica.

Entre gasolina e etanol, portanto, a escolha para mim sempre foi muito óbvia: etanol na cabeça! Mas agora aparecem dados do Ministério do Meio Ambiente dizendo que, dependendo do tipo de veículo, o etanol pode emitir mais poluição do que a gasolina (coisas como monóxido de carbono e aldeídos, que a gente respira diretamente no ar poluído das cidades).
Nesse caso, o etanol ganha da gasolina de lavada no combate ao aquecimento global, mas perde (não de muito, mas perde) no combate à poluição do ar urbano.

E agora, qual a melhor escolha na bomba de combustível? A que beneficia o planeta, ou a que beneficia os seus pulmões?

Esses números do MMA ainda estão sendo muito debatidos. Certamente há questões técnicas que precisam ser melhor resolvidas e é possível que, no fim das contas, o etanol não seja pior do que a gasolina. Ou então, bastará um “fine tunning” tecnológico dos motores flex para resolver o problema.

De qualquer maneira, o debate filosófico é interessante: Pensar globalmente, ou agir localmente??

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Foto do Sol feita pelo telescopio SOHO, da Nasa

O presidente Lula disse ontem que o petróleo do pré-sal era uma “dádiva divina”. Será mesmo? Em plena crise climática global, quando o que todo mundo mais quer é se livrar dos combustíveis fósseis e desenvolver novas fontes renováveis de energia, tenho uma certa dificuldade em enxergar isso.

Do ponto de vista econômico e energético, pode até ser. Mas do ponto de vista ambiental e da sustentabilidade, é uma tragédia.

Se tem alguma coisa que pode ser chamada de “dádiva de Deus” é o Sol. Esse, sim, é uma fonte inesgotável de energia 100% limpa e 100% renovável que brilha sobre as nossas cabeças todos os dias, mas que, não sei por que, nunca recebeu a atenção que merece em termos de ciência e tecnologia.

Os críticos dirão que a energia solar ainda é cara e pouco eficiente. Verdade. Mas imagine só: Se alguém dissesse 15 ou 20 anos atrás que o Brasil iria extrair petróleo em alto-mar, a 7 mil metros de profundidade, seria chamado de louco. Certamente um empreendimento dessa magnitude não poderia ser realizado no Brasil — não de maneira economicamente viável. Mas não é que aconteceu? Investimos pesado em ciência e tecnologia, fortalecemos a Petrobras, e hoje somos um dos países mais avançados do mundo na exploração de petróleo em águas profundas.

Por que não podemos fazer o mesmo pela energia solar?

Não digo que o pré-sal não deva ser explorado. As energias renováveis ainda precisam de tempo para amadurecer, e por isso vamos precisar do petróleo por pelo menos mais alguns anos ou décadas, infelizmente. Mas bem que a gente poderia desviar parte dessa grana do pré-sal para pesquisas com energia solar e eólica não é? 10% já tava bom. E não precisa nem molhar os pés.

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