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Herton Escobar

13.dezembro.2010 18:26:47

O PODER DA IMAGINAÇÃO

FOTO: Wikipedia Commons

Quer emagrecer? Mas não consegue parar de pensar em chocolate? Não tem problema … pode continuar pensando. Aliás, segundo um estudo publicado na última edição da revista Science, quanto mais você pensar, melhor. Pois menos você vai comer depois.

É como se o seu cérebro se saciasse apenas em imaginar o chocolate, sem precisar comê-lo de fato. No estudo, os pesquisadores compararam o comportamento de grupos de voluntários que foram orientados a 1) imaginar-se comendo um monte de chocolate ou 2) imaginar-se comendo apenas um pouco de chocolate (um determinado número de M&M’s, para ser mais específico). Depois, cada pessoa recebia uma cumbuca com a mesma quantidade de chocolate, para comer a vontade, e os pesquisadores comparavam a quantidade consumida por cada pessoa de cada grupo, procurando alguma relação estatística de causa-efeito entre a imaginação e o consumo.

Os resultados indicam que aqueles que se imaginaram comendo mais chocolate antes comeram menos chocolate de verdade, depois. O experimento foi repetido várias vezes, em diferentes formatos e com diferentes comidas (chocolate e queijo), chegando às mesmas conclusões.

Fico um pouco receoso nesse tipo de estudo com o fato de que os pesquisadores não têm, de fato, como saber o que cada pessoa imaginou exatamente … Você pode dizer para alguém se imaginar comendo apenas 3 M&M’s e, na verdade, ele se imagina comendo um pacote inteiro, ou nadando numa piscina de chocolate … vai saber! Mas vamos confiar que o estudo foi realmente bem feito e os resultados são confiáveis. Muito interessante!

Se pensarmos bem, do ponto de vista fisiológico, nosso corpo não precisa especificamente de chocolate nem de queijo nem de sorvete. Ele precisa de uma determinada quantidade de calorias e uma determinada variedade de nutrientes. Se essas calorias e esses nutrientes vêm empacotados na forma de chocolate, de salada ou de picanha não deveria fazer muita diferença. Tecnicamente, se alguém inventasse uma ração sem sabor, porém com todas as calorias e nutrientes necessários para o nosso corpo funcionar, ele deveria funcionar sem problemas.

Mas quem é que aguentaria comer apenas uma ração sem sabor pelo resto da vida? Todos os outros animais contentam-se em comer quase sempre a mesma coisa. Tubarões comem peixes todos os dias. Leões comem gazelas. Passarinhos comem insetos. Cachorros e gatos comem ração. Mas nós, seres humanos, somos exigentes demais para isso. Precisamos de variedade! Precisamos de sabor!  Mas por quê? Seria tão mais fácil se nosso paladar fosse menos apurado … não precisaríamos gastar tanto tempo e tanto dinheiro no supermercado e indo a restaurantes diferentes toda semana.

Tudo culpa do nosso cérebro mimado! Muitas das nossas vontades alimentares são puramente psicológicas. Então faz sentido que só pensar sobre uma barra de chocolate já satisfaça, ao menos parcialmente, nosso desejo de comê-la. Estamos mal acostumados e achamos que precisamos de todos esses mimos saborosos para sobreviver, mas não é verdade. Está tudo na sua cabeça. Imagine só!

Abraços a todos.

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INFOGRÁFICO: Marcos Muller/AE (Copyright Agência Estado)

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  • A polêmica eleitoral sobre a legalização do aborto no Brasil.
  • O prêmio Nobel para o inventor da fertilização in vitro, dado na semana passada.
  • O impasse judicial sobre financiamento de pesquisas com células-tronco embrionárias nos EUA.

Todos esses assuntos que surgiram no noticiário recentemente têm uma pergunta em comum por trás deles: Quando começa a vida?

Ou melhor: Quando começa o indivíduo?

A ciência oferece uma série de informações relevantes para esse debate, mas não uma resposta definitiva.

Do ponto de vista puramente biológico, não há dúvida: A vida começa na fertilização, quando o espermatozóide e o óvulo (que, por si só, já são células vivas) se fundem para formar um embrião. Esse embrião primordial de uma única célula, chamado zigoto, então, começa a se dividir em 2, depois 4, depois 8, depois 16 células e assim por diante, até chegar aos trilhões … e essas células começam a se organizar e se diferenciar em diferentes tecidos, até formar um ser humano completo, com olhos, braços, pernas, coração, pulmões, rins e assim por diante. Tudo bem bonitinho, no seu devido lugar. Imagine só!

O período da primeira à oitava semana de gestação é o chamado “estágio embrionário”. O sistema nervoso do embrião começa a se formar na terceira semana, com a formação do tubo neural (que eventualmente se transformará na medula espinhal e no cérebro). Na semana seguinte começam a se formar os primeiros órgãos, no processo chamado de organogênese. Lá pelo dia 22, um aglomerado de células cardíacas começa a pulsar, formando um coração primitivo.

Só a partir da nona semana, ou do terceiro mês, é que o embrião (medindo ainda apenas alguns centímetros) passa a ser chamado de feto. Desse ponto em diante, todos os órgãos vitais já estão presentes de alguma forma, ainda que muito primitiva, e o desenvolvimento passa a ser focado mais em crescimento do que em formação de novas estruturas.

Então não há dúvida: o embrião, desde a sua primeira célula, é uma forma de vida … é um ser humano em formação. Mas em que ponto, exatamente, essa forma de vida pode ser considerada um indivíduo propriamente dito? Uma entidade própria, individual, com direitos individuais? Desde a concepção? A partir da formação do cérebro? Quando o coraçãozinho primitivo começa a pulsar?

São perguntas de enorme complexidade ética e moral. Do ponto de vista das células-tronco embrionárias, a questão é um tanto mais simples, pelo fato de os embriões terem sido produzidos em laboratório e estarem fora do útero. Algo que só se tornou possível 32 anos atrás, quando Robert Edwards desenvolveu a técnica de fertilização in vitro (FIV) – feito pelo qual recebeu o prêmio Nobel de Medicina na semana passada. Merecidamente.

Nesse caso, a pergunta principal é: Destruir um embrião microscópico de 100 células, que foi produzido in vitro e está congelado numa clínica de fertilidade, é o mesmo que matar um ser humano adulto? Ou mesmo um feto? Muita gente pensa que sim … Mas já abordei isso num post anterior, então não vou repetir a discussão aqui.

A discussão sobre o aborto é baseada nos mesmos conceitos, porém num contexto infinitamente mais complicado. E esse conceito é o útero. O embrião (ou feto, dependendo do tempo de gestação) não está congelado num botijão de nitrogênio líquido de uma clínica de reprodução assistida. Ele está dentro do útero, a caminho de se tornar um ser humano – ainda que a gestação não tenha sido planejada. Então é vida. Mas é indivíduo?

Como já disse no início deste post, acho que não há resposta científica para isso. Porque a definição de indivíduo não é científica. Biologicamente, a única distinção que poderia fazer algum sentido, acho, seria com relação à capacidade do embrião ou feto de sobreviver fora do útero. Se o embrião é incapaz de sobreviver fora do útero, então ele pode ser considerado ainda parte da mãe, indissociável dela. Só a partir do momento em que ele pode sobreviver por conta própria, então, ele se tornaria um indivíduo próprio, dissociado dela – o que seria por volta do quinto mês de gestação.

Nesse cenário, a pergunta do ponto de vista jurídico e moral passa a ser: Em que ponto o direito do embrião de nascer supera o direito da mãe de não querer que ele nasça? Em casos de estupro, por exemplo, decidiu-se que a vontade da mãe deve prevalecer sobre a do feto. Por isso ela tem o direito de abortar.

A legalização do aborto seria, essencialmente, uma extensão desse direito da mãe para outras situações além do estupro e do risco de morte para a gestante (as únicas duas situações permitidas por lei atualmente). O problema é: qual deve ser o novo limite? Até que ponto da gestação a mulher deve ter o direito de escolher se deseja ou não concluir aquela gestação?

Um possível divisor de águas seria este citado acima, referente à capacidade do embrião ou feto de sobreviver fora do útero. Enquanto ele é “parte da mãe”, a mãe teria o direito de decidir se deseja dar prosseguimento à gestação ou não. Me incomoda a ideia de o Estado ditar regras sobre o que a mulher pode ou não fazer com algo que está crescendo dentro do seu corpo, originado de seus próprios genes e suas próprias células.

Mas cinco meses, talvez, seja tempo demais. Um limite mais plausível, talvez, fosse três meses, que é o período crítico natural de qualquer gestação. Muitos abortos espontâneos ocorrem nas primeiras 12 semanas. Às vezes tão cedo que a mulher nem sabe que estava grávida. Nesse período, o corpo faz um “check-up” do embrião/feto e, caso haja alguma falha grave de desenvolvimento, a gestação é automaticamente abortada.

Então, talvez, fosse razoável usar esse divisor de águas biológico como um divisor de águas ético também, dentro do qual a mãe poderia decidir sobre o destino da gestação. E não apenas quando ela for uma vítima de estupro ou tiver sua vida ameaçada. Mas em qualquer situação.

Na maioria dos países onde o aborto é permitido, esse é o limite adotado.

Há muitas opiniões conflitantes (e igualmente válidas) sobre esse assunto. E as mulheres não vão parar de abortar só porque é proibido. É uma realidade social. Então me parece necessário achar uma solução intermediária, em que todos possam ter suas crenças e suas opiniões respeitadas. Quem é contra o aborto nunca fará um aborto, obviamente. Mas quem é a favor poderia ter esse direito assegurado, dentro de determinados limites.

Apenas uma reflexão.

Abraços a todos.

Esse vídeo mostra os estágios de desenvolvimento embrionário e fetal. Eu, você, sua mãe e todos os outros seres humanos do planeta passaram por isso.

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Lembra daquele time superestrelado do Real Madrid de alguns anos atrás, com Ronaldo, Zidane, Figo, Beckham e outros … que ficou conhecido como “os galácticos”, custou milhões e milhões de euros para montar, e não ganhou porcaria nenhuma?

Pois então, um estudo publicado na última edição da revista Science nos ajuda a entender porque esse tipo de coisa acontece. Times cheios de estrelas que não conseguem ganhar. Equipes empresariais cheias de grandes currículos, mas que não conseguem produzir resultados de qualidade à altura. Etc.

Segundo o estudo, o fator mais importante para determinar o sucesso de um grupo não é a inteligência individual de cada um de seus membros, mas a “inteligência coletiva” derivada da interação de suas inteligências. Ou seja: Você pode ter um grupo cheio de pessoas individualmente muito inteligentes, mas que não conseguem juntar suas inteligências de uma forma eficiente para resolver um problema ou atingir um determinado objetivo comum. Por exemplo: marcar gols, produzir uma campanha publicitária, governar um país, produzir um jornal diário ou seja lá o que for. Assim como você pode ter um grupo com pessoas não tão inteligentes, mas que sabem trabalhar muito bem em equipe, produzindo uma “inteligência coletiva” que é mais eficiente do que indicaria a simples soma das inteligências individuais de cada um de seus membros.

Tudo isso, explicado pelos cientistas matematicamente, por meio de experimentos controlados. Eles pegaram 699 voluntários e os agruparam aleatoriamente (“randomicamente”, na linguagem científica adaptada do inglês) em grupos de dois a cinco indivíduos, aos quais foram atribuídos problemas específicos para serem solucionados. Tipo montar um quebra-cabeça, definir prioridades orçamentárias ou simplesmente discutir uma solução para algum dilema ético ou moral. Os cientistas, então, analisaram os resultados e, com base em avaliações das capacidades individuais e coletivas de cada equipe, chegaram a uma fórmula capaz de prever a eficiência de um grupo na solução de problemas que exigem trabalho em equipe.

E o que mais influencia o resultado dessa fórmula, segundo eles, não é a inteligência individual de seus componentes, mas a capacidade dessas inteligências de trabalhar em conjunto de forma harmônica e eficiente, criando uma inteligência coletiva que supera as limitações individuais de seus componentes. Por exemplo: pessoas que deixam as outras falarem e que levam em conta as opiniões dos outros, mesmo que isso contrarie alguma de suas posições individuais.

Resumindo: Um time de jogadores regulares, porém bem entrosados, vale (e custa muito menos) do que um time cheio de galácticos que são fantásticos individualmente, mas não conseguem trocar meia dúzia de passes em equipe. Imagine só!

Abraços a todos.

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CANADA/

A reunião anual da Comissão Internacional da Baleia (CIB) terminou na semana passada, no Marrocos, sem grandes alterações ao acordo atual que proíbe a caça de baleias, a não ser para fins científicos e em alguns casos excepcionais, em que a caça é considerada uma prática cultural e/ou de subsistência de determinadas culturas.

Em primeiro lugar, queria deixar claro que sou TOTALMENTE A FAVOR da proteção às baleias, que são animais magníficos e chegaram muito perto de ser extintas algumas décadas atrás. Mas também acho que a caça pode ser permitida, desde que haja mecanismos internacionais adequados de controle e monitoramento para garantir que ela seja feita de forma sustentável, sem risco para as espécies, obedecendo a cotas estabelecidas por meio de critérios científicos confiáveis.

Afinal, se as populações de baleias de fato se recuperaram, como apontam os censos, não haveria razão para proibir a caça sustentável. Ou haveria?

Friamente falando, não. Se uma espécie não está mais ameaçada de extinção e ela faz parte dos hábitos alimentares de uma cultura ou de uma população, fica difícil sustentar uma moratória. Afinal, matamos um monte de outros animais para nos alimentar, tanto selvagens quanto domesticados: vacas, porcos, galinhas, peixes, camarões, polvos, lulas, etc. Então, porque deveria ser diferente com as baleias?

Não deveria, mas não há como negar que as baleias têm um apelo especial. Elas são lindas, são enormes e ao mesmo tempo graciosas, inteligentes, dóceis e, apesar do tamanho, totalmente indefesas e vulneráveis aos arpões humanos. Então é natural que a morte de uma baleia nos cause indignação, enquanto que a morte de um camarão ou de um peixe qualquer parece não ter a menor importância. O problema é que, nesse ponto, a discussão deixa de ser científica e começa a pender para o lado sentimental. E isso é um complicador enorme dentro de uma negociação comercial internacional.

Eu mesmo estou sentindo uma culpa enorme neste exato momento só de sugerir que se autorize matar um animal tão maravilhoso quanto uma baleia. Justo eu, que não mato nem uma formiga. Mas se alguém me convidar para jantar num restaurante japonês hoje, vou lá e como uma dezena de sushis e sashimis sem maiores problemas. Se for um churrasco, mesma coisa. Afinal, como já escrevi anteriormente neste blog, nós, seres humanos, mamíferos e onívoros, somos parte da cadeia alimentar e é perfeitamente natural que nos alimentemos de outros animais. Mas e os coitados dos peixes e dos camarões? Por que as baleias merecem viver mais do que eles? Por que não criamos também uma Comissão Internacional para a conservação de espécies ameaçadas de cobras, sapos ou aranhas? Ou para os tubarões, que também são pescados de forma extremamente predatória e cruel?

Em outras palavras: Se nos indignamos com a morte de uma baleia (e eu me incluo nesse grupo), não deveríamos também nos indignar com a morte de qualquer outro animal? Não deveríamos, então, nos tornar todos vegetarianos de verdade? Se as baleias não estão mais ameaçadas de extinção, por que elas têm mais direito à vida do que um outro animal qualquer?

É um conflito ético difícil de ser resolvido.

Quanto às questões econômicas e políticas: É lógico que o argumento do Japão de que caça baleias para fins científicos é uma balela total. Todo mundo sabe disso. Imagine, porém, se alguém dissesse que os brasileiros têm de parar de comer carne da vaca porque a pecuária está destruindo a Amazônia e o Cerrado, e centenas de espécies de animais e plantas estão entrando em risco de extinção por causa disso. Você aceitaria mudar seus hábitos alimentares? Deixaria de comer picanha?

Conversando com ribeirinhos e outros habitantes tradicionais da Amazônia, já ouvi várias vezes o argumento do tipo: “Imagine só que loucura, o Ibama não quer que a gente mate peixe-boi… ou tracajá … ou macaco … ou seja lá o que for”…. “meu pai matava, meu avô matava” e assim por diante. É claro que, nesse caso, trata-se de uma prática tradicional, puramente cultural e até mesmo de subsistência. Que não é o caso da caça de baleias pelos japoneses, que envolve, além de uma questão cultural, uma série de interesses econômicos fortíssimos e até uma questão de soberania. Mas o princípio do argumento é o mesmo: Se eu sempre cacei e sempre comi, quem é você para dizer que não posso mais caçar?

Para terminar, volto a dizer: Não estou argumentando a favor de matar baleias. De maneira nenhuma! Apenas fazendo uma reflexão sobre como atribuímos diferentes valores a diferentes formas de vida das quais nos alimentamos.

Abraços a todos.

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FOTO: Trabalhadores cortam a carne de uma caracaça de baleia em Reykjavik, na Islândia (outro país que tem a tradição de caçar baleias, além do Japão). CRÉDITO: REUTERS/Ingolfur Juliusson

FOTO: Trabalhadores cortam a carne de uma caracaça de baleia fin em Reykjavik, na Islândia (outro país que tem a tradição de caçar baleias, além do Japão). CRÉDITO: REUTERS/Ingolfur Juliusson

FOTO NO ALTO DO POST: Uma baleia beluga e seu bebê recém-nascido nadam no Aquário de Vancouver, no Canadá. CRÉDITO: REUTERS/Andy Clark/Files

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A "casa" do Big Brother marciano. (foto: ESA)

A "casa" do Big Brother marciano. (foto: ESA)

Isso sim é um Big Brother que vale a pena ver: seis seres humanos confinados durante 500 dias numa réplica de uma nave espacial, simulando uma viagem a Marte. (veja reportagem no estadão.com sobre o projeto Mars500)

Muito pior do que ficar confinado numa viagem a Marte de verdade é ficar confinado numa viagem a Marte de mentira. Esses caras vão pirar!!! Duvido que aguentem os 500 dias. Ou até 100.

Se você está no espaço, você está no espaço. Não tem volta. Paciência.

Mas se você sabe que está numa simulação, a angústia é muito maior. E se a mãe de alguém morre no meio do experimento? E se alguém começa a ter alucinações? Começa a ficar psicótico ou algo assim? Deprimido? 500 dias sem cinema, sem cerveja, sem sushi, sem namorada …. sabendo que isso tudo está logo ali, do lado de fora da “nave”? Imagine só!

Do ponto de vista científico, é um experimento fantástico. Super válido e necessário. Mas eu tô fora (rs). Alguém aí se habilita?

Abraços a todos.

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FOTO: Jonne Roriz

FOTO: Jonne Roriz

Hoje ia escrever sobre terremotos, movimento de placas tectônicas, rocha derretida, fluxo de magma e outras coisas fantásticas (e assustadoras) que ocorrem dentro do nosso jovem planeta Terra, quilômetros e quilômetros e quilômetros abaixo dos nossos pés …..

Mas de última hora resolvi escrever sobre algo ainda mais complicado, interessante e, é claro, polêmico ….

As cenas dos saques a supermercados que emergiram recentemente do Haiti e, agora, do Chile me lembraram cenas do filme Ensaio sobre a Cegueira. Para quem não viu o filme do Fernando Meirelles (nem leu o livro do José Saramago, no qual ele é baseado), eis um resumo: Uma misteriosa epidemia de cegueira se espalha pelo mundo, deixando todo mundo… pois bem… cego. A sociedade entra em colapso. É cada um por si, tateando às cegas pelas ruas e corredores em busca de alimento, água e outros itens básicos de sobrevivência. O dinheiro perde completamente o valor. Uma lata de sardinhas ou uma garrafa d’água valem mais do que uma pepita de ouro.
Do ponto de vista científico, esse tipo de situação caótica traz à tona uma série de reflexões sobre a evolução do comportamento social do ser humano. A estabilidade do convívio social em grandes populações é algo extremamente frágil. Compartilhar recursos (espaço, água, alimento, energia) com indivíduos não aparentados é algo inusitado no reino animal. Normalmente, fica tudo em família.

Claro que há muitos animais que também se organizam em grupos e até exibem comportamento social, mas nada na escala de 6 bilhões de indivíduos. Ou de uma cidade, ou mesmo de um bairro ou um prédio de apartamentos. A multiplicação populacional do Homo sapiens só foi possível historicamente graças à invenção de uma série de regras e tecnologiais que permitiram a indivíduos não aparentados conviver em grandes comunidades sem precisar competir entre si por alimento, água, terra, etc. (A principal delas foi a agricultura.) Quanto maior a população, mais recursos são necessários e mais regras são necessárias para distribuir esses recursos de uma maneira que garanta a sobrevivência de todos os integrantes daquela população. Caso contrário, a população torna-se insustentável.

Do ponto de vista puramente biológico, grupos menores fazem muito mais sentido, pois são muito mais sustentáveis. Na natureza, o tamanho das populações é determinado pela disponibilidade de recursos. Uma população só cresce se houver alimento suficiente na natureza para isso. Já o homem inventou a tecnologia e passou a perna na ordem natural das coisas … Imagine só se cada uma das 6 bilhões de pessoas do mundo tivesse que produzir (ou caçar) seu próprio alimento? Certamente não seríamos 6 bilhões. Não chegaríamos nem perto disso.

Mas enfim…. o que tudo isso tem a ver com os terremotos, os saques e a cegueira? Pois bem. É nesses momentos caóticos que podemos ver com mais clareza a fragilidade da estrutura social. Convivemos bem uns com os outros desde que esse convívio seja benéfico para nossa própria sobrevivência. Ou seja: desde que o coletivo beneficie o individual. Quando esse equilíbrio é quebrado por um evento inesperado, como um terremoto ou uma epidemia, o instinto biológico de sobrevivência entra em ação e as boas regras de convívio social ficam por um fio. Cada um vai lutar pela sua sobrevivência e pela sobrevivência de seus familiares, acima de tudo. Não importa se você vive no Haiti ou no Chile (dois países extremamente diferentes). A reação foi a mesma.

Claro que há um monte de espertinhos que aproveitam para levar uma geladeira ou uma televisão, mas como condenar uma pessoa faminta que, numa situação de desespero, invade os escombros de um supermercado para “roubar” comida ou mesmo um pacote de fraldas? Será que eu ou você agiríamos de outra forma nessa situação? Não sei e espero nunca precisar saber.

Abraços a todos.

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26.outubro.2009 11:23:37

COMER É NATURAL


FOTO: JOOST DANIELS – Polvo entocado entre corais

Ontem eu estava num restaurante japonês com minha mulher e ela disse (brincando) que eu não deveria comer polvo.

Motivo: Eu adoro polvos! Sou fascinado por eles. Acho que são animais fantásticos, capazes de se espremer por frestas minúsculas e mudar a cor (e a textura) de sua pele instantaneamente para se camuflar no fundo do mar. E são extremamente inteligentes também.

Isso significa que eu não deveria comê-los? É algo para se pensar…. A mesma pergunta, é claro, pode ser feita para vacas, galinhas, porcos, peixes, camarões e todos os outros animais que fazem parte da nossa alimentação diária.

Hoje em dia é muito fácil esquecer (ou nunca se dar conta) de que aquele hambúrguer de picanha, aquele peito de frango ou aquele sashimi de atum que você põe na boca e manda para dentro do estômago veio de um animal que um dia nasceu, cresceu, se alimentou, caminhou e nadou sobre a Terra. Estamos comendo partes de animais mortos!

Tenho também uma sobrinha de 10 anos que é vegetariana. Perguntei a ela a razão e ela me disse que era porque achava “nojento”.

Pensando bem, é meio nojento mesmo. Devorar um espetinho de coração de galinha não é exatamente a coisa mais graciosa do mundo. Nem roer a carne de um osso de costela gordurosa. Mas pense bem: isso é o que todos os animais fazem na natureza – comer outros seres vivos.

Tão fácil quanto esquecer que estamos comendo partes de animais é esquecer que nós somos animais também. Por mais “civilizados” que tenhamos nos tornado, continuamos fazendo parte da cadeia alimentar. Aliás, estamos no topo dela! Somos o maior predador de todos os tempos! Somos animais onívoros – comemos de tudo, animais e vegetais. O que cair na rede é peixe.

Quando você vai a uma churrascaria, está fazendo exatamente a mesma coisa que um leão faz quando abate uma gazela na savana africana. É um carnívoro devorando um herbívoro. Assim como quando você masca uma folha de alface ou de agrião não está fazendo nada diferente do que um cavalo ou uma vaca faz pastando no campo. É um herbívoro devorando uma planta. O fato de nos sentarmos à mesa e usarmos talheres não muda o princípio da coisa.

Há muitas pessoas que optam por ser vegetarianas por questões morais. Outras estão deixando de comer carne para não contribuir com o desmatamento da Amazônia (que é causado principalmente pela pecuária). Não vejo nada de errado com isso. Cada um vive a vida do jeito que quiser, desde que não prejudique os outros.

Estou apenas dizendo que é natural comermos outros animais, do ponto de vista biológico/evolutivo. (sem, com isso, ignorar os impactos ambientais, sociais e até éticos que essa cadeia alimentar pode acarretar)

Minha admiração pelos polvos não vai me impedir de devorá-los. Mas é algo para se refletir.

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