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Herton Escobar

24.janeiro.2011 13:42:32

A DIFERENÇA ENTRE CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Uma boa ideia de nada vale se não for colocada em prática.

O Brasil está muito bem servido de bons cientistas. Formou milhares e milhares de mestres e doutores. Aumentou significativamente seu número de publicações científicas. Mas ainda não conseguiu dar o último passo, mais difícil, de transformar toda essa massa de conhecimento em riqueza para o país. Em benefício para as pessoas.

Eu já defendi a pesquisa básica várias vezes aqui no blog. E não me canso nunca de escrever sobre ela. Mas é claro que, em última instância, queremos também (precisamos!) que a ciência traga benefícios práticos para a nossa vida. Essa é a diferença entre ciência e tecnologia: ciência é aquilo que você sabe, tecnologia é aquilo que você usa.

O Brasil vai bem em ciência, mas vai mal em tecnologia. E uma das razões é a boa e velha burocracia nacional.

O Estadão publicou ontem uma entrevista com o novo presidente do CNPq, Glaucius Oliva, sobre esse tema. Boa sorte a ele e ao novo ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, para melhorar esse quadro.

Abraços a todos.

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30 Comentários Comente também
  • 24/01/2011 - 15:44
    Enviado por: Cloves Soares de Oliveira

    Creio que é esperar muito que um pós-doutor, além de desenvolver a pesquisa básica faça também a parte aplicada. Trabalho de perto com os doutourandos da Unicamp e posso garantir que nenhum deles possui a inteligência prática para aplicar conhecimento para construir algo mundano, como um PC. O que precisamos é desenvolver uma classe de jovens empreendedores como um Jobs e um Wozniak que possam utilizar a teoria para construir algo na prática e que tenham acesso a recursos financeiros. E lembre-se, se não fosse os $91,000.00 do Mike Markkula, hoje não haveria a Apple. Sem dinheiro, as idéias não valem nada.

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  • 24/01/2011 - 15:46
    Enviado por: J Lima

    Herton,

    Voce quis dizer Aloisio Mercadante?

    JL

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    • 24/01/2011 - 18:09
      Enviado por: Herton Escobar

      Sim sim … claro. Aloizio com Z, para ser mais exato.
      Isso que dá escrever com pressa. Desculpe pelo erro e obrigado pela correção.
      Herton

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  • 24/01/2011 - 16:10
    Enviado por: Tony Pirard

    Começamos mal,após ser recusado pela sociedade paulistana,Mercadante ganha como presente um mistério,coisa estranha vem acontecendo neste país.Que tecnologia teria este senhor para oferecer…! da burrice talvez…

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  • 24/01/2011 - 17:50
    Enviado por: Tetsuo Shimura

    “O Brasil vai bem em ciência, mas vai mal em tecnologia. E uma das razões é a boa e velha burocracia nacional”.

    Herton Escobar, seria muita pretensão minha negar a primeira parte de sua afirmação em “O Brasil vai bem em ciência”, mas convidaria os pesquisadores, professores doutores com seus pomposos títulos de PhD a relatarem seus desenvolvimentos científicos que se transformaram em bens comerciáveis e participantes da pauta de exportação e/ou licenciamento para empresas no exterior, melhor ainda, quanto o Brasil “fatura” por ano pelos produtos da ciência brasileira.

    Há algumas semanas coloquei meu comentário em seu post “Quanto Vale Conhecer o Universo” e na ocasião, voce gentilmente respondeu-me dentro do que a ética ou o manual de condutas da empresa permite, entretanto, permita-me sugerir para voce fazer uma pesquisa a campo junto a pessoas que militaram na eletrônica dos anos 1950/60 e até meados de 70 para conhecer quantas empresas brasileiras foram eliminadas do mercado por absoluta falta de ciências no campo dos semicondutores; a propósito, daquelas empresas do passado apenas uma conseguiu manter seu nome graças à inteligência e pertinácia de seu fundador, ou seja, a Semp.

    Estamos nos inícios do século XXI e não possuímos uma empresa brasileira de semicondutores o que nos torna reféns de empresas estrangeiras em todo o segmento da informática com a cumplicidade de algumas empresas “brasileiras” e total anuência do governo que impingem à sociedade, “equipamentos brasileiros”.

    Se, me atenho ao campo da eletrônica é porque ela é familiar e me permite tecer considerações sem receio de cometer graves injustiças, mas veja que na produção da eletrônica conforme conhecemos nos dias de hoje também se fazem uso da micromecânica de elevada precisão e acredito que voce como participante de uma empresa jornalística já procurou conhecer os micromotores que acionam as lentes para o zoom de uma câmera, hoje realizados com o auxílio da informática ou um simples motor de passo que equipa os relógios de quartzo. Na ocasião de seu tema anterior, escrevi “Por que o Brasil não possui uma fábrica brasileira de pneumáticos? De lâmpadas? De pilhas ou baterias?” e hoje fico mais e mais preocupado quando leio reportagens sobre a desindustrialização brasileira com os altos volumes de importação de produto acabado. Ainda, tomemos o ítem bateria, que equiparão os veículos híbridos, os totalmente elétricos ou os gadgets portáteis; o nosso país vizinho que nos expropriou uma unidade da Petrobrás, a Bolívia é tida como possuidora de uma das maiores jazida de lítio ou a matéria básica para todos os tipos de baterias. Será que temos alguma empresa brasileira atuante na área?

    Seja para diminuir o consumo de energia elétrica com consequente aquecimento global, em breve o Brasil cessará a produção de lâmpadas incandescentes; será que possuímos empresas brasileiras para a produção de fluorescentes ou de LED’s de alta intensidade ou, como de praxe importaremos montanhas de containers destes produtos da China e continuaremos a pagar com matérias prima. Esta prática não lembra os relatos em nossos livros de história sobre a chegada dos portugueses dando aos nativos espelhinhos em troca do ouro ou pedras preciosas?

    Imagine uma hipotética situação onde a Dilma, os ministros militares e toda a comunidade científica do Brasil embarcassem num projeto de lançar um satélite para orbitar a Lua com equipamentos de alto índice de nacionalização; qual seria o tempo necessário para o primeiro lançamento com sucesso? Lembrando que do BRIC, apenas o B não realizou tal façanha.

    Em “mas vai mal em tecnologia”, faria séveras críticas a nós brasileiros pelo hábito de não valorizar o Made in Brazil preferindo prdutos da metrópole, impedindo que empresas brasileiras remanescentes, investissem em pesquisas e desenvolvimentos, caso estas tivessem tal nível de visão empreendedora.

    Já em “E uma das razões é a boa e velha burocracia nacional”, ainda que de extrema importância para o Brasil rever a saúde do Estado e sua política administrativa, depois de mais de meio século de vida, prefiro acreditar que Deus curou os cegos, surdos, mudos e deficientes, mas não conseguiu curar os tolos. Daí continuarmos a ser eternamente importadores.

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    • 24/01/2011 - 18:16
      Enviado por: Herton Escobar

      Olá Tetsuo. Sem dúvida há exemplos de casos em que o Brasil vai muito bem em tecnologia. Além do que você já mencionou, posso citar a Embrapa, a Embraer, a Petrobras, a Vale e várias empresas menores também. Mas certamente é muito pouco para um país do tamanho do Brasil e com a produção científica do Brasil. Certamente temos pessoas capacitadas para desenvolver tecnologia em muitas áreas. Mas como você também bem observou, há muito obstáculos ainda a serem superados para que essa capacitação intelectual possa ser colocada em prática. Obstáculos políticos, burocráticos, financeiros e também culturais.
      abraço

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    • 24/01/2011 - 22:05
      Enviado por: jose carlos

      Entendo o seu raciocinio mas discordo: para o Brasil, hoje, ter uma fabrica de semi-condutores, pneus, lampadas não é importante. Precisamos de alguem que crie! Crie algo como um Smartfone, um I-Pad, que encontre aplicação para o genoma , a super condutividade, a celula tronco, a super levedura transformadora de celulose em etanol! Precisamos de inovações! Semi-condutores foram tentados naquela epoca, PC tambem(Cobra lembra) e olha que havia reserva de mercado, lembra? Pois é! virou o quê! Nos fizeram viver no atraso por anos a fio e ajudaram a meia duzia de espertos ganharem sem trabalhar! O japones não inventou o rádio, miniaturizou-o! O chinês não inventou o computador! No entanto…

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  • 24/01/2011 - 17:54
    Enviado por: Carlos, o não chacal

    Caro Escobar,

    ‘ciência é aquilo que você sabe, tecnologia é aquilo que você usa.’

    Se a primeira sentença de sua afirmação estiver correta, você mesmo se condenou a ter que estudar mais ciência.

    Bom estudo
    Boa sorte

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  • 24/01/2011 - 18:41
    Enviado por: Fernando

    Caro Tetsuo Shimura. Concordo e faço meu todo o conteúdo de sua inserção acima. Em acréscimo, coloco que uma boa parte das Pesquisas Universitárias visam apenas realizar Publicações com objetivo claro de dispor de Verbas Federais. Você enfatizou a área de eletrônica e a resultante desindustrialização. Eu por mera opção, pois sou engenheiro eletrônico do tipo pesquisador por conta própria, destaco a o forte atraso histórico na indústria e no comércio quanto a autogeração de energia elétrica. É muito difícil entre nós alguém falar de Energia Solar tão comum no cenário mundial desde 1.970 (Israel). Imagine falar em ‘Fuel Cells´, Certamente, o nível intelectual e político do pessoal que costuma acompanhar estes blogs do Estadão me questionariam sobre quantas pernas tem este cara? Foi inventado pelo FHC, ou pelo LULA? Este é o Brasil real, que costuma optar por interesses escusos e por ótica ideológica. Não acompanha outros países e vai acabar tendo que importar engenheiros até para fabricar papel e margarina.

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    • 25/01/2011 - 07:49
      Enviado por: Tetsuo Shimura

      Caro Fernando, muito obrigado pelos seus comentários.

      Gosto muito dos temas abordados pelo Herton Escobar ou qualquer outro que tenha como foco o desenvolvimento tecnológico no Brasil, entretanto, fico a me questionar por que esta terra abençoada por Deus em termos de riqueza natural é tão pobre em desenvolvimento científico e tecnológico. Sem pretender contestar ou promover celeúmas, o senhor Herton menciona a Embrapa, a Embraer, a Petrobras, a Vale e várias empresas menores também, como desenvolvedoras de tecnologia, mas esquece de averiguar “in loco” que nos laboratórios de uma Embrapa a maioria dos instrumentos são importados (microscópio, espectômetros, luminômetros, reagentes, pratos de cultura e até os tubetes que os traficantes de drogas estão utilizando), no exemplo de uma Embraer um simples rebite utilizado na montagem da fuselagem é importado, fios e cabos elétricos que suportem 40⁰C no solo e -50⁰C a 10km de altura, seguramente não são fabricados no Brasil bem como qualquer broca utilizada pela Petrobrás ou os pneumáticos dos (que dirá os) caminhões gigantes da Vale. Alguns exemplos notáveis de tecnologia sem que houvessem a presença de doutores pode ser verificado na história de empresas como a Honda, Lamborghini e a invejada Microsoft de Bill Gates que recebeu recentemente um diploma em Direito da Harvard, diploma este para homenagear tão ilustre estudante que não se formara em seu curso original e se dedicar intensivamente para desenvolver o DOS.

      O nosso país tem um elevado nível de insolação na maior parte do território e quem desejar instalar paineis fotovoltáicos, seguramente terá de importar seja da China, Japão ou Alemanha. Aproveitando o tema de geração de energia elétrica, já pensou quanto deve estar faturando a empresa que produz os geradores eólicos? Já os “fuel cells” para equipar os veículos ecologicamente corretos, deve ser ficção científica para um país que importa baterias AA ou AAA todos “hecho en China”.

      O computador que estou utilizando nesta redação tem logo de uma renomada marca americana, mas “assemblado” integralmente (mother board, power supply, case, key board, mouse) na China, como também o meu relógio de pulso de marca japonesa é “cased” in China, o modem da TV por assinatura é Made in China, a TV, o controle remoto e as pilhas AAA são Made in China com também é o meu cortador de pizza.

      Em troca destes bens de consumo, o Brasil exporta soja, café, suco de laranja, carnes bovina, suínos, aves e quando ocorrem “exportação” de bens acabados ou envolvendo tecnologia, provavelmente é operação de “draw back” de empresas estrangeiras.

      Aos leitores, meu pedido de perdão pelos desabafos longos, mas mantido as nossas políticas, temo que um dia estaremos importando da China ou qualquer outro país, os pães de queijo, cachaças e feijoadas.

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  • 24/01/2011 - 19:10
    Enviado por: Fábio Durand

    Prezado Escobar,
    Muito bom o seu comentário sobre a diferença entre ciência e tecnologia. Gostaria de deixar uma contribuição para a boa discussão que está ocorrendo. Acredito que a formação de doutores no Brasil não favorece a cultura do desenvolvimento tecnológico, pois a maioria dos doutores é preparada para atuar como docentes em universidades, contrastando com países desenvolvidos onde os doutores são pesquisadores de empresas e indústrias. As nossas universidades públicas com cursos de doutorado ainda são ilhas de excelência e, chega ser considerada heresia, para alguns professores, o desenvolvimento de pesquisas vinculadas e/ou patrocinadas por empresas. Portanto, o produto de nossas pesquisas produz teses, que poucas universidades tornam de fácil acesso pela internet; artigos em revistas, que garantem a manutenção de bolsas de produtividade e verbas para projetos de pesquisa dos orientadores, porém não traz o desenvolvimento tecnológico, que seria a geração de patentes e produtos.

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    • 24/01/2011 - 20:29
      Enviado por: Herton Escobar

      Olá Fábio. Talvez ela não favoreça diretamente, mas é absolutamente necessária. Precisamos de doutores, muitos mais até do que temos hoje (especialmente fora do Sudeste, em regiões como a Amazônia, onde há uma escassez de cérebros enorme em diversas áreas do conhecimento). Mas você está correto: esses doutores não podem ficar apenas na academia. Eles precisam ser absorvidos pela indústria, pois é na indústria que se produz tecnologia.

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    • 24/01/2011 - 22:19
      Enviado por: Alberto Brunel

      Muito bem lembrado, Herton. Quantas indústrias brasileiras estão realmente engajadas em desenvolver tecnologia, absorvendo os recursos humanos formados pela academia?
      Dentre os países com maior índice de avanço tecnológico a maior parte da pesquisa aplicada é feita por empresas e boa parte emprega os doutores oriundos da academia. Outras bancam a formação de muitos de seus quadros em universidades desenvolvendo projetos de interesse da própria indústria. Vi este tipo de iniciativa por um empresa de São Paulo e pude comprovar que os resultados foram muito positivos. No entanto, isso é ainda é muito tímido no país. Muitos dessem o sarrafo nas universidades, mas esquecem facilmente a falta de cultura do nosso empresariado em investir em P&D. Do mesmo modo, a voracidade do Estado com uma carga tributária enorme desestimulam aqueles que querem colocar dinheiro em pesquisa, visto que raramente os resultados vem no curto prazo.

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  • 24/01/2011 - 19:37
    Enviado por: Juliano Camargo

    Muito da nossa burocracia se explica pelo protecionismo brasileiro. Para estimular a indústria eles colocam uma muralha em volta do país, e assim somos sempre os últimos a adotar as novas tecnologias, os últimos a ficar sabendo, e no final os que pagam mais caro por ela.

    Isto atinge o astrônomo amador, o fotógrafo, o cientista do CNPq, o viciado em tecnologia que desenvolve aplicativos e quer obter sempre os últimos gadgets, que por aqui são tarifados abusivamente.

    E afeta até mesmo as próprias indústrias abaixo da cadeia que precisam comprar de fornecedores locais máquinas e componentes piores e mais caros, ou então pagar os impostos abusivos e empregar gente cuidando de importação de componentes, e lidando com as inúmeras surpresas da receita federal.

    Este sistema afeta todo mundo, na verdade, até chegar ao consumidor final que compra um produto com tecnologia de 5 anos atrás recém lançado no Brasil pagando o dobro do preço lá de fora. É um sistema que não funciona e que funciona particularmente mal na área de tecnologia.

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  • 24/01/2011 - 20:30
    Enviado por: Pensador

    A Embraer é grande importadora de insumos,chaparias,eletronicos,motores,
    muitos técnicos estrangeiros,em suma,extremamente dependente do exterior,
    Eu poderia listar aqui centenas de produtos,componentes,instrumentos de
    medição,softwares,que leigos pensam ser feitos por aqui.
    Nossas hidreletricas,entramos com o muro e a água,os equipamentos são
    fabricados por estrangeiras.
    Até as cadeirinhas de bebê(para autos),temos que mandar para a Itália,
    para submetê-las à teste,para posterior homologação,duvidoso,porque fabricantes
    dêsse produto,ou são italianos ou descedentes,há um laboratório por aqui,um tal
    Gavião bauer,um IQT,que não fazem,e o Brasil têm 4 vêzes mais crianças que a
    Itália,estamos importando produtos de média e baixa tecnologia.
    E ainda querem dar dinheiro para alguns passearem pelos corredores do LHC
    e participar de telescópio gigante?,eu também acho bonito e romântico ver aquelas
    fotos com pontinhos coloridos no céu mas,que vantagem Maria leva?

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  • 24/01/2011 - 21:35
    Enviado por: Fey

    No âmbito educacional o Brasil precisa equipar mais escolas e universidades com laboratórios decentes.

    No âmbito ideológico o Brasil precisa largar o orgulho besta, e aprender a abraçar a globalização das pesquisas, intercâmbio de profissionais, e financiamento privado. Apenas no setor aeronáutico por exemplo é inegável que quem detem a maior quantidade de tecnologias são empresas privadas e não instituições públicas. Não que elas não tenham utilidade, muito pelo contrário, elas tem o seu papel também, mas não dá pra nos tornarmos líderes em mercado competitivo só com a ajuda do Estado.

    No âmbito burocrático não só é necessário aprimorar os processos de fomento, mas também é preciso eliminar orgãos inúteis como os CREAs que cobram anuidades de todos os engenheiros brasileiros, complicam a contratação de estrangeiros interessados no nosso país, mas não inspecionam nem um castelinho de areia construído por um Sérgio Naia da vida.

    No âmbito estratégico é preciso parar de misturar objetivos políticos com técnicos a la como estão pensando em fazer comprando caças Rafales da França que apesar de toda conversa maravilhosa, todo profissional da área sabe que são pequenas a tão chamada “transferência tecnológica” de facto. É preciso também incentivar a criação de pequenas empresas ‘start-ups’ que possam pelo menos fabricar componentes de sistemas mais sofisticados.

    No âmbito político, é preciso esquecer dos políticos. Temos agora uma “presidenta” que mal sabia que não tinhamos capabilidades pra construir um aparelho similar a o IPad, nem os seus principais componentes, e queria que uma empresa nacional construísse um sem pensar. Estamos sozinhos nessa batalha, e é melhor agir por conta própria quando der, do que esperar algo desse pessoal.

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  • 24/01/2011 - 21:50
    Enviado por: Fernando

    Valeu Fey. Seu comentário é brilhante! Não posso deixar de enviar meu abraço. É bom saber que existe gente que sabe trabalhar e exprimir o que pensa. Também estou com você.

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  • 24/01/2011 - 22:16
    Enviado por: Tweets that mention A DIFERENÇA ENTRE CIÊNCIA E TECNOLOGIA « Herton Escobar -- Topsy.com

    [...] This post was mentioned on Twitter by sergyo, Herton Escobar. Herton Escobar said: RT @estadao A DIFERENÇA ENTRE CIÊNCIA E TECNOLOGIA « Herton Escobar http://bit.ly/fiu1Ui [...]

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  • 24/01/2011 - 23:02
    Enviado por: Antonio Salles

    Escobar,
    Finalmente, há um espaço onde a expressão flui com clareza e boa intenção, sem invasores ideológicos e politizados ao avesso, sem deboche. Não permita que invadam este blog, como o fazem em todos os demais locais de discussão.
    Concordo com muitas das opiniões aqui publicadas e gostaria de acrescentar a minha:
    Em termos de conhecimento humano o Brasil mantém um atraso quase secular por causa da sua fragilidade institucional e um ufanismo baseado em nada. Tetsuo Shimura foi direto ao ponto prático, pois o Brasil até hoje não se livrou das sequelas da reserva de mercado. Outros discorreram sobre política e educação, que são a base do desenvolvimento. Nossos doutores não tem ambiente propício para trabalho e aplicação da pesquisa. Nosso sistema educacional é retrógrado e não deu um passo sequer nos últimos 20 anos de democracia plena. O Brasil destruiu a educação básica e a transformou em um balcão de negócios.
    As conquistas tecnológicas do Brasil são ilusórias e servem como meios para os fins políticos. O Brasil é grande e rico por fora, mas tem uma mente infantil. Fala-se muito no social, mas falta capacidade de gestão social. Somos o país das finanças e dos impostos, onde prevalece o paradoxo do não financiamento a quem precisa.
    Por sorte, somos gigantes pela própria natureza. Falta crescer pela própria consciência. Quando aprendermos o valor da cidadania estaremos aptos à ciência. Tecnologia é decorrência da ciência.

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  • 24/01/2011 - 23:08
    Enviado por: José Bispo dos Santos

    BuRRocracía é a arte de “fazer ou deixar” burro. Voce ja percebeu adificuldade de se conseguir um doutorado, mestrado, pós Doc e laboratórios Públicos pra desenvolver seus conhecimentos. Digamos que por obra do “imponderável” voce consiga um destes “Docs” e agora, como registrar a propriedade intelectual, como registrar qualquer realização do conhecimento, registro de patentes. Tem idéia quanto tempo leva um registro destes? Então cabe a pergunta final: que interêsse tem um político(sempre eles) para deixar que a população se desenvolva e usufrúa deste desenvolvimento se após isto ele entenderá mais dos “objetivos” destes políticos que para continuar a enganar ao povo é necessário que este povo se BURROCRATIZE cada vez mais?

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  • 24/01/2011 - 23:26
    Enviado por: PAULO CESAR BASTOS

    O DESAFIO TECNO-CIENTÍFICO

    Um dos , inúmeros, desafios brasileiros é a integração da ciência ao desenvolvimento econômico.O diálogo prático e permanente entre a academia e empresa é fundamental para a construção do moderno e real país do presente em lugar do antiquado mote do país do futuro.O futuro é hoje e agora.Não podemos passar da hora e perder o expresso do progresso.

    As descobertas,os estudos e as teses dos mestres e doutores precisam sair das estantes e/ou memórias dos computadores e chegar ao chão das fábricas e daí as prateleiras do comércio.Isso precisa ser parte da nossa cultura.Depois da locução, da publicação deverá vir a consequente ação.Ciência precisa gerar a tecnologia para melhorar a qualidade de vida do cidadão.Inovação verdadeira começa por aí.

    A preparação para o trabalho prático fora dos muros da academia deve ser incentivada e implantada.Valem ações estratégicas para isso acontecer.Agregar valores tecno-científicos à produção,incentivar a inovação e valorizar as carreiras ligadas às áreas das ciências e das engenharias é o caminho para o desenvolvimento com qualidade.Vamos avançar, o Brasil não pode parar.

    PAULO CESAR BASTOS é engenheiro
    paulocbastos@bol.com.br

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  • 25/01/2011 - 01:01
    Enviado por: Nilto Menelli

    Ótima essa discussão, mesmo com a disparidade de opiniões. Acredito que atingiu o ponto principal do problema brasileiro em todos os sentidos. Parabens ao Sr. Escobar. Gostaria de opinar sobre um comentário na escolha do novo ministro da área. Parece que foi Bismark que disse que a guerra é importante demais para deixar nas mãos dos generais. Isto quer dizer que o político profissional tem mais habilidade para ver e atuar nos pontos táticos e estratégicos. E o Brasil precisa muito disso.

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  • 25/01/2011 - 05:07
    Enviado por: Roberto Dale

    Todos os comentarios muito interessantes,portanto nao vou repeti-los,mas gostaria de acrescentar um outro lado,na eleicao temos um sofisticado sistema,mas que tem um erro grosseiro de base,O voto no Pais e’Obrigatorio,portanto anti-democratico,e’dentro dessa mentalidade confusa que esse Pais anda,nao se respeita a logica elementar,ou seja enquanto nao tivermos a consciencia de tornar realizavel a teoria,tudo nao passara’de mera fantasia.

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  • 25/01/2011 - 10:04
    Enviado por: Alonso

    Herton,

    Considerando que o ministro de C&T é o Mercadante, nossa única chance é mesmo que eles tenham sorte!

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  • 25/01/2011 - 13:05
    Enviado por: B'Hengler

    Talvez o problema esteja nestas “boas idéias” que você menciona… Será que são boas idéias mesmo ou elas estão desfocadas em relação às reais necessidades???

    Eu analiso o assunto de maneira bem distinta do que a maioria descreveu aqui, acho que o maior problema que temos é a forma como são selecionados os profissionais que farão mestrado e doutorado… Acho que uma boa parcela destes profissionais são recém formados, à margem da realidade das profissões que se formaram e distantes das reais necessidades que deveriam ser pesquisadas…

    Posso citar como exemplo a minha turma de agronomia, os piores alunos não conseguiram emprego e ficaram no mestrado!!! Depois disso, os piores alunos do mestrado que não conseguiram emprego ficaram para o doutorado!!! Tenho amigos que se formaram doutores sem sequer terem trabalhado 1 ano como agrônomos, e estes são a “nata” da minha turma do ponto de vista de títulos, mas se avaliarmos o conhecimento, esse o grande divisor de águas, eles não são nada, estão com conceitos ultrapassados a muito tempo e que só sobrevivem dentro de nossas universidades politizadas e utópicas!!! E pensar que para ser professor o título vale mais que o conhecimento, imaginem os profissionais que serão formados no futuro!!!

    Não sei se em todas as demais profissões as coisas acontecem da mesma forma, e tampouco quero dizer que todo mestre ou doutor não tenha conhecimento, só acho que uma coisa não está diretamente ligada à outra no Brasil por causa desta situação que descrevi…

    A solução para isto é que o profissional que for fazer mestrado deveria ter no mínimo 5 anos de atuação profissional, e o que for tentar doutorado ter ao menos 5 anos de mestrado…

    Outra necessidade é que as empresas deveriam ter uma participação maior nas decisões do que será pesquisado, claro que não em tudo, mas em uma porcentagem, assim eles teriam o poder de dirigir as pesquisas em parte para aproximar mais a pesquisa científica do consumidor… Isso evitaria um monte de dinheiro gasto para se pesquisar algo do tipo “a influência do galho seco na reprodução do macaco”, que, para quem paga a conta, não serve para nada!!!

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  • 26/01/2011 - 17:09
    Enviado por: Thiago Serra

    É bem difícil conciliar pesquisa básica e aplicações práticas com o valor da bolsa que se paga aos alunos de pós-graduação no país: um aluno de doutorado receba menos do que boa parte dos recém-formados da mesma área.

    Concordo com muito do que disse Nicolelis, um brasileiro que é professor nos EUA, na seguinte entrevista:
    http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/nicolelis-diz-que-sofreu-sabotagem-nos-bastidores.html

    Ele fala sobre reduzir a burocracia e evitar que o progresso na carreira de um pesquisador o leve a funções administrativas. Entretanto, gostaria que tivéssemos um ministro de C&T com larga experiência no assunto ao invés de um político de profissão que acabou de obter um polêmico título de doutorado levando uma saraivada de críticas da banca.

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  • 27/01/2011 - 02:19
    Enviado por: Roberto Berlinck

    Esta discussão é muito boa e muito longa. Gostaria de acrescentar alguns pontos:

    1. Podemos prescindir de ciência básica? Mesmo aquela ciência que parece não servir para nada?

    2. A ciência, deve, necessariamente, servir para alguma coisa, senão a sociedade está pagando por algo que não serve para nada?

    Lembrando: quando Einstein descobriu o LASER foi ridicularizado por seus colegas físicos, que diziam que não servia para nada.

    No fim de sua vida Pasteur se lamentou profundamente quando Van’t Hoff e Le Bell descobriram a estrutura teraédrica do carbono, pois ele poderia ter feito esta descoberta muito antes. Desta forma, Pasteur menosprezou tudo o que havia descoberto em microbiologia.

    Empresas ter influência nas decisões do que será pesquisado? Será que isso não é questionável, ou mesmo perigoso? Afinal, qual é o papel do pesquisadores acadêmicos? Gerar conhecimento ou servir a propósitos comerciais? Por mais “inútil” que possa parecer, conhecimento é conhecimento.

    Existe ciência aplicada sem ciência básica?

    É possível se desenvolver tecnologia sem conhecimento?

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    Herton Escobar

    Herton Escobar é repórter do jornal O Estado de S. Paulo desde 2000 e blogueiro desde 2008, especializado em jornalismo científico e ambiental. É formado em jornalismo pela Western Michigan University e foi bolsista do MIT e do Marine Biological Laboratory, nos EUA.

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