Minha reportagem especial desta semana, publicada hoje no Estadão, sobre o novo navio oceanográfico da USP. Mesmo que você não goste muito do mar ou de navios, vale a pena ler.
Mais uma parceria de sucesso entre texto e infografia.
Os textos na íntegra podem ser lidos nos links abaixo:
Novo navio de pesquisa da USP chega para revolucionar as pesquisas no mar
Descoberta do pré-sal elevou prioridade da exploração oceânica
Abraços a todos, e boa leitura.
FOTO: CAROLINE FUKUSHIMA/INST.BUTANTAN/IB-USP
Foi anunciada hoje a lista das “Top 10 Novas Espécies” de 2011, eleitas como as mais curiosas do ano pelo Instituto Internacional para Exploração de Espécies da Universidade do Estado do Arizona, nos EUA. Ela inclui uma aranha brasileira e uma cubo-medusa (um tipo de água-viva) descoberta no Caribe, mas descrita com a participação de pesquisadores brasileiros.
A aranha é uma tarântula azul, maravilhosa, chamada Pterinopelma sazimai, em homenagem a Ivan Sazima, um biólogo muito querido e muito respeitado da Unicamp, que coletou os primeiros exemplares desse bicho na Chapada Diamantina, ainda na década de 70. (é comum na taxonomia — a ciência de descrever e classificar espécies — haver um intervalo, às vezes bem grande, entre a descoberta de uma espécie e sua descrição científica … porque às vezes a descrição é difícil e/ou faltam taxonomistas para descrevê-la, especialmente em um país megadiverso como o Brasil, onde novas espécies são descobertas quase que diariamente … mas o que vale como “data de nascimento” da espécie, cientificamente falando, é a data de publicação do trabalho descritivo, não a data de descoberta na natureza)
A descrição, publicada na revista Zootaxa, foi feita por três pesquisadores brasileiros, associados ao Instituto Butantan e à USP: Rogério Bertani, Roberto Nagahama e Caroline Fukushima.
A tal da cubo-medusa foi batizada de Tamoya ohboya, e sobre ela eu posso falar um pouquinho mais, pois ela vem de um lugar que eu conheço bem: a ilha de Bonaire, no sul do Caribe, onde já vivi e trabalhei como guia de mergulho durante 5 meses. Além disso, foi descrita por dois pesquisadores que eu também conheço bem: Allen Collins, do Instituto Smithsonian, e Antonio Carlos Marques, o “Tim”, do Instituto de Biociências da USP.
As cubo-medusas são bichinhos danados, para se olhar sem tocar, pois “queimam” bastante a pele quando tocadas (como se costuma dizer, apesar de não ser uma queimadura propriamente dita). Tim me conta que ela já era conhecida dos mergulhadores há muitos anos em Bonaire, mas ninguém tinha se dado ao trabalho de estudá-la. Até que, em 2008, Allen fez uma coleta científica e, finalmente, se pôs a descrevê-la — sem saber ao certo se era uma espécie nova mesmo, ou apenas uma variedade local de alguma espécie já conhecida.
A espécie conhecida mais parecida com o bicho de Bonaire era a Tamoya haplonema, de águas brasileiras, e por isso todo o trabalho comparativo que serviu de base para descrever a nova espécie foi feito em colaboração com a equipe de Tim, no Brasil, incluindo análises morfológicas e de DNA.
Uma curiosidade que colocou a Tamoya ohboya na lista das Top 10 não é exatamente científica: foi o fato de seu nome ter sido escolhido por meio de um concurso aberto, em que mais de 300 pessoas submeteram propostas de nomes e depois foi feita uma votação aberta para escolher o favorito. O nome vencedor, “ohboya”, sugerido por uma professora do ensino fundamental nos EUA, é uma referência à expressão “oh boy!”, que os americanos usam para demonstrar espanto com alguma coisa … algo como “caramba, meu!”, em bom paulistano.
Acho difícil acreditar que esse era o melhor nome na lista de opções … mas enfim, pelo menos rendeu uma classificação nos Top 10!
A descrição da medusa também foi publicada na Zootaxa, e uma foto dela está abaixo.
Caramba, meu!
Minha reportagem especial de hoje no Estadão, sobre pesquisas com o cérebro humano.
Essa deu trabalho … podem ter certeza. Devo ter perdido alguns milhares de neurônios no processo, mas acho que valeu a pena. Imagine só: tem um “pudim” desse de células dentro da sua cabeça neste momento, e é graças a ele, em parceria com seus olhos, que você é capaz de ler esse texto, processar as informações e, quem sabe, se eu fiz meu trabalho direito, aprender alguma coisa com ele.
A íntegra dos textos pode ser lida nos links abaixo.
O cérebro humano, célula por célula
Coleção da USP é uma das maiores do mundo
Abraços a todos.
Minha mais recente reportagem especial, publicada no último domingo (6 de maio) no Estadão. Mais um triste relato de como a Mata Atlântica virou fumaça, literalmente. Numa escala bem maior do que tudo que já foi destruído na Amazônia.
Os textos podem ser lidos aqui:
72% das emissões históricas do País vieram da Mata Atlântica e do Cerrado
Área desmatada no Cerrado crescerá 20%
Minha mais recente reportagem especial, publicada na edição deste domingo (29) do Estadão.
Os textos estão disponíveis nestes links:
Jovens brasileiros conciliam bem ciência e religião
Biólogos querem reforçar ensino da evolução
Imagem comemorativa do aniversário de 22 anos do telescópio espacial Hubble, divulgada ontem pela Nasa/ESA.
Ela mostra a nebulosa 30 Doradus, a mais brilhante região de formação de estrelas na nossa vizinhança, onde vivem as “maiores” (mais massivas) estrelas conhecidas, a 17 mil anos-luz da Terra.
Simplesmente lindo!
Copio abaixo trechos de uma ótima entrevista publicada pela Agência Fapesp com o editor de ciência do jornal Financial Times, Clive Cookson. Ele faz colocações muito relevantes e corretas na minha opinião, de interesse tanto para jornalistas de ciência quanto para os cientistas que eles entrevistam. Recomendo a leitura, tomando a liberdade de excluir algumas perguntas e ressaltar em azul algumas informações que considerei as mais interessantes. (a íntegra da entrevista pode ser lida neste link)
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Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – Editor de Ciência do Financial Times há duas décadas, o jornalista britânico Clive Cookson acredita que os temas científicos têm se tornado mais familiares e mais valorizados para o público, graças a uma cobertura jornalística que se revela pouco a pouco mais profunda e mais precisa que no passado.
Essa transformação, de acordo com Cookson, deve-se em parte às novas tecnologias que facilitaram o trabalho do jornalista nos últimos anos. Mas, segundo ele, a principal razão para que o noticiário de ciência ganhasse mais qualidade está em uma mudança de atitude dos próprios cientistas, que perceberam a importância da comunicação.
Cookson, que atua há mais de 30 anos na cobertura dos temas de ciência e tecnologia, em diversos países e diferentes veículos e contextos, participou nesta segunda-feira (16/4) do seminário “Ciência na Mídia”, promovido pela FAPESP na sede da Fundação, em São Paulo.
O evento teve o objetivo de estimular a reflexão, por parte de todos os envolvidos na produção e divulgação científicas, sobre as maneiras de propiciar um espaço para a troca de conhecimentos e a proposição de novos modos de pensar a divulgação desses temas na sociedade. Em entrevista exclusiva à Agência FAPESP, Cookson comentou esses temas.
(…)
Agência FAPESP – No Brasil os jornalistas de ciência, com frequência, têm formação em jornalismo, mas não uma formação científica. Qual é a característica dos divulgadores na Inglaterra?
Clive Cookson– Na Inglaterra há uma mistura. A maior parte dos jornalistas de ciência tem uma formação em ciência. Eu, por exemplo, sou formado em química. Mas há outros ótimos jornalistas de ciência que têm seu background em artes ou humanidades e depois começaram a trabalhar com ciência e foram excepcionalmente atraídos pela área. Acho que há prós e contras em ambos os casos.
Agência FAPESP – Em uma situação hipotética: se o senhor tivesse que contratar um repórter, iria preferir um indivíduo com uma formação científica, que escreve bem, mas não tem nenhuma experiência prévia em jornalismo, ou alguém que é um jornalista capaz e talentoso, mas sem qualquer envolvimento com ciência, nem experiência em jornalismo científico?
Clive Cookson– Se eu estivesse contatando essa pessoa para um trabalho de reportagem de ciências em um jornal, por exemplo, não hesitaria: escolheria o jornalista que tem experiência em reportagem, em vez de escolher o cientista. Acho que a capacidade para ser um bom jornalista é de fato o mais importante. Não adianta ser um bom cientista que escreve corretamente. Porque a ciência realmente requer um texto diferente, vívido. Prefiro um excelente jornalista que um excelente cientista para fazer isso.
Agência FAPESP – Os jornalistas procuram fazer a ciência mais atraente para o público. Ao mesmo tempo, tendem a mostrar exclusivamente os resultados de sucesso, deixando em segundo plano o processo de produção da ciência. Com isso não se corre o risco de mistificar a ciência junto ao público?
Clive Cookson– Tem toda razão, esse é um problema absolutamente fundamental na relação entre jornalismo e ciência. No noticiário não há tempo nem espaço para descrever todos os passos da produção da ciência, mostrando ao público que não se trata de mágica, mas de um processo difícil, pontuado de dificuldades e fracassos momentâneos. O que deixa essa situação pior é que mesmo que você privilegie as pesquisas de qualidade, publicadas em revistas de prestígio, os artigos científicos também não lhe darão pistas sobre o processo de como a ciência funciona. Você só conseguiria dar ao público uma educação científica se fosse possível acompanhar o trabalho por meses a fio no laboratório. Geralmente isso é impossível.
Agência FAPESP – Além disso os insucessos raramente são publicados, não é?
Clive Cookson– Sim, essa é outra questão. A publicação, em particular na área de saúde, normalmente descreve apenas os resultados positivos. Os resultados negativos quase nunca têm espaço em publicações. É preciso estar atento a isso para não dar uma falsa impressão de que a ciência é feita só de acertos.
Agência FAPESP – Muita gente vê os repórteres de ciência como tradutores de uma linguagem especializada para a linguagem do senso comum. O que o senhor acha dessa noção?
Clive Cookson– Parte do que fazemos pode ser visto como uma espécie de tradução, mas espero que nosso trabalho seja algo mais criativo e complexo que isso. Acho que os jornalistas são capazes de colocar novas maneiras de se olhar para a ciência que os próprios cientistas não poderiam proporcionar. É algo mais que simplesmente traduzir. Podemos gerar imagens, comparações, que os cientistas não conceberiam. Não se trata apenas de questão de simplificar uma linguagem, mas de fornecer uma interpretação nova de ideias, contextos e visões. E, mesmo no campo da linguagem, acho que esse trabalho extrapola a simples tradução: devemos ser autores capazes de tornar o conhecimento mais vívido, mais interessante para o público.
Agência FAPESP – Como foi sua trajetória? Por que se interessou por ciência?
Clive Cookson– Sempre me interessei por ciência e me formei em Química em Oxford. Mas dois fatos mudaram minha trajetória. Um deles é que notei que o jornalismo científico na Inglaterra não era bom. Ao mesmo tempo, percebi que eu não seria brilhante o suficiente para fazer um bom doutorado em química. Eu sabia que se não fosse tão brilhante, um doutorado em química poderia se transformar em algo não muito criativo, uma espécie de trabalho braçal para um orientador. Eu sabia que não era na verdade bom o suficiente para me tornar um grande cientista. Mas percebi que poderia escrever bem sobre ciência.
Mais uma reportagem especial, publicada no domingo passado no Estadão.
Passei 7 dias no mar, acompanhando uma expedição organizada pela ONG Conservação Internacional, para documentar alguns dos ecossistemas marinhos que existem fora dos limites de proteção do Parque Nacional Marinhos dos Abrolhos. Fizemos quase 20 mergulhos, vários deles bem difíceis, com forte correnteza e visibilidade limitada, e de profundidade, abaixo de 30 metros. Mas foram certamente alguns dos mergulhos mais bacanas da minha vida, por causa do contexto: lugares quase que totalmente desconhecidos, descobertos só nos últimos anos, e mergulhados apenas por algumas poucas pessoas até agora. Lugares perfeitos para um jornalista com espírito de explorador.
Os textos podem ser lidos aqui:
Um mergulho nos recifes ‘invisíveis’ de Abrolhos
Governo quer levar proposta à Rio+20
Algas calcárias abrigam vida no fundo do mar
Turismo local está em decadência
Abraços a todos.
Considero essa uma das matérias mais bacanas que já fiz. Publicada 3 semanas atrás no Estadão (para vocês verem como eu estou atrasado na atualização do blog).
A reportagem foi produzida ao longo de uma semana na região do Parque Estadual da Serra do Mar, onde eu e o repórter fotográfico Tiago Queiroz acompanhamos os trabalhos de campo de duas biólogas do Laboratório de Herpetologia da Unesp-Rio Claro: Thaís Condez e Eliziane de Oliveira, alunas do professor Célio Haddad. Fomos atrás desses sapinhos coloridos chamados Brachycephalus, e acabamos esbarrando em uma outra história muito interessante também, sobre onças-pintadas. Além de outras que eu preciso voltar lá para apurar melhor …
Os textos estão disponíveis aqui:
Em busca dos sapos-miniatura no topo da Mata Atlântica
Aquecimento pode encurralar bichos
‘Voltou tudo, só falta a onça-pintada’
Abraços a todos.
Caros amigos leitores,
Sinto muito não ter atualizado o blog nas últimas duas semanas. Na primeira eu estava viajando, sem internet, e na outra eu estava ocupado demais escrevendo a reportagem sobre o que aconteceu na primeira. (assim que a reportagem sair eu posto aqui)
Semana que vem estarei fora de contato de novo, então já peço desculpas mais uma vez antecipadamente.
Abraços a todos, e até a volta.
Herton
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