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Herton Escobar

Para completar a cobertura do peixe-leão no Caribe, aqui vai mais um vídeo que fiz durante um mergulho com o gerente do Parque Nacional Marinho de Bonaire, Ramón de León, no recife de NuKove, onde foi encontrado o primeiro peixe-leão da ilha, em outubro de 2009 (leia a reportagem completa neste link).

Já esta outra reportagem conta como a caça ao peixe-leão se tornou uma mistura de esporte com atração turística e compromisso ambiental na ilha. Muita gente não gosta de ver o peixe ser morto, mas infelizmente a caça é a única maneira de controlar (ainda que minimamente) suas populações e, quem sabe, minimizar os impactos da invasão sobre o ecossistema nativo.

Abraços a todos.

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Peixe-leão arpoado nas Bahamas. FOTO: Herton Escobar/AE

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Ontem foi publicada no Estadão a minha primeira matéria especial como “repórter viajante”, sobre a invasão do Caribe pelo peixe-leão (tema do meu primeiro post aqui no blog também, desde que deixei o Brasil, sete meses atrás). Para ser  mais exato, não é apenas “uma matéria”, mas um grande pacote de informações multimídia, incluindo textos, infográficos, fotos e vídeos, que produzi ao longo de várias semanas de trabalho em Bonaire e nas Bahamas.

Abaixo, copio o trecho de uma matéria que, infelizmente, não tive espaço para incluir nos textos do jornal impresso, mas que está disponível no material online, sobre um projeto de pesquisa na ilha de Eleuthera, nas Bahamas. No final de abril/início de maio tive a oportunidade de passar alguns dias no Cape Eleuthera Institute (www.ceibahamas.org) e de acompanhar seus pesquisadores em alguns mergulhos para o monitoramento de peixes-leões. Vejam como foi …

MATEMÁTICA SUBMARINA

Em Eleuthera, uma ilha longa e estreita a leste de New Providence, nas Bahamas, outro projeto de longo prazo busca avaliar o impacto do peixe-leão sobre a biodiversidade dos recifes de coral. Todos os meses, jovens pesquisadores do Cape Eleuthera Institute (CEI), uma instituição privada de pesquisa, saem de lancha para vistoriar 24 pontos de recifes localizados em águas rasas da Baía de Rock Sound, ao sul da ilha. Em cada um deles, a bióloga Skylar Miller consulta uma tabela com um “número-alvo” de peixes-leões que deveriam existir ali, segundo parâmetros estabelecidos pela pesquisadora Stephanie Green, da Universidade Simon Frasier, no Canadá, que supervisiona o estudo. Cada ponto funciona como um experimento controlado. Seis recifes são mantidos totalmente livres de peixes-leões. Outros seis são deixados intocados, com quantos peixes-leões aparecerem por ali naturalmente. E 12 são mantidos artificialmente com números pré-determinados de peixes-leões. Alguns com poucos, outros com muitos.

“Se tiver mais peixes-leões do que o número-alvo, removemos o excesso. Se tiver menos, adicionamos o que for preciso”, explica Skylar. “É um tanto estranho ter de colocar mais peixes-leões na água, quando o que queremos de fato é nos livrar deles, mas só assim temos como avaliar qual é o impacto de uma determinada densidade sobre os recifes.”

A cada visita mensal, os pesquisadores fazem uma avaliação do estado de saúde dos recifes, anotando o tamanho, o número e a variedade de espécies nativas presentes para, no final, fazer comparações e tentar correlacionar isso com o número de peixes-leões em cada um deles.

Na vistoria de maio, Skylar teve de adicionar dois peixes-leões ao recife denominado Ponto 90, onde a densidade-alvo é de 29 peixes, mas havia apenas 26. Ficou faltando acrescentar mais um, ainda. Já no ponto 74, onde a meta é manter o recife livre de peixes-leões, foram encontrados 11 invasores que não estavam lá no mês anterior. Sete foram removidos e quatro, escaparam.

Fora das áreas de pesquisa, o número-alvo de peixes-leões é sempre o mesmo: zero.  Ou o menor possível. O Estado acompanhou os pesquisadores do CEI numa caçada no sul de Eleuthera, num ponto de mergulho conhecido como “buraco na parede”. Bastou alguns minutos para Skylar avistar o primeiro peixe-leão, um macho adulto de quase 40 centímetros, pairando sobre o ponto mais alto do recife, como um rei leão que observa a savana africana do alto de sua pedra na colina. Usando um arpão conhecido como “estilingue havaiano”, Skylar não teve dificuldades para capturar o animal – que, demonstrando a característica arrogância da espécie, praticamente não se moveu à medida que ela se aproximava.

O golpe do arpão não mata instantaneamente o peixe, que fica se esperneando na ponta da lança. Com uma luva grossa nas mãos, para se proteger dos espinhos venenosos, Skylar puxa o peixe-leão pela cabeça e o coloca em um saco plástico transparente para transporte. Uma nuvem de sangue flui da ferida, tingindo a água dentro da sacola. Por causa da profundidade (20 metros), o líquido que seria vermelho aparece como verde, dando ao evento uma aparência um tanto fantasmagórica.

Ao fim do mergulho, de 45 minutos, a sacola fica lotada com dez peixes-leões de bom tamanho. De volta ao laboratório, abrimos o estômago do maior deles, de 37 centímetros, e contamos 19 peixinhos embolados numa massa semi-digerida. Uma pequena amostra do mal estar que o apetite do peixe-leão pode causar à biodiversidade dos recifes se não forem removidos.

O trabalho de monitoramento continuará até o fim de 2012, e os primeiros resultados devem sair em 2013. Até lá, os estilingues havaianos terão de dar conta do recado.

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A matéria completa sobre o peixe-leão nas Bahamas pode ser lida aqui: Bahamas ainda busca solução para controlar invasor

Tem também um texto bem interessante sobre o uso do peixe-leão na culinária e as tentativas que estão sendo feitas para transformá-lo numa espécie de pesca comercial, que pode ser lida aqui: Peixe-leão para o jantar

O vídeo acima mostra a bióloga Skylar Miller e o estagiário Avery Goelz fazendo contagem de peixes-leões em um desses recifes de águas rasas da Baía de Rock Sound. O peixe-leão gosta de ficar entocado nos recifes, quando não está caçando, por isso várias vezes é preciso enfiar as cabeças no meio dos corais para encontrá-los. (infelizmente não pude gravar as cenas da caçada que eu descrevo no fim da matéria, porque o equipamento fotográfico que eu tinha naquele momento só podia ir até 10 metros de profundidade, e aquele foi um mergulho mais fundo – passando de 20 metros. Agora já tenho uma câmera que vai até 40 metros.)

Abaixo, uma cópia da reportagem como foi publicada no Estadão de ontem.

Abraços a todos.

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Imagine só o seguinte: Você tem um problema no presente que precisa ser solucionado no futuro. Há duas (ou mais) soluções possíveis, e ambas têm igual probabilidade de sucesso, só que uma delas é mais simples e outra, mais complexa. Qual das duas você escolhe?

A mais simples … óbvio!

Agora imagine o inverso: Que você já tem um problema solucionado no presente, e quer saber como ele foi solucionado no passado. Em outras palavras: Você quer saber o que aconteceu no passado para entender como chegamos ao presente. Há duas “histórias” possíveis: uma mais simples e outra, mais complexa. Ambas são igualmente capazes de explicar o presente, só que uma é mais simples e a outra, mais complexa. Então, qual é a história “real”? Como você decide se a história se passou “assim” ou “assado”?

Ambos os cenários acima remetem a um princípio científico-filosófico chamado “parcimônia”, segundo o qual a explicação mais simples é, em geral, a mais provável de estar correta. Simples assim.

Vejamos um exemplo prático bem banal: Você perdeu suas chaves e não sabe como. Há duas possibilidades: Ela pode ter caído do seu bolso ou alguém pode tê-las roubado. Qual é a explicação mais provável de estar correta? Bem … depende de uma série de fatores. Depende do tipo de calça que você estava usando (se tinha bolso grande ou bolso pequeno), por onde você andou (se só caminhou até a padaria da esquina ou se espremeu por uma calçada lotada de gente no centro da cidade, onde a possibilidade de ser furtado é maior), se você é uma pessoa distraída, que normalmente perde coisas ou não, etc e tal.
Se a chave nunca aparecer, você nunca saberá com certeza o que aconteceu. Mas pode usar o conceito de parcimônia para fazer um julgamento sobre qual é a explicação mais simples e, portanto, a mais provável de estar correta, de acordo com as cirscunstâncias.

Parece óbvio, não é?
De uma forma geral, sim.
Mas, infelizmente, não. Nem sempre. Especialmente na biologia.

Poderia dar vários exemplos mais simples e acadêmicos, mas vou logo pular (como sempre) para o mais fascinante e intrigante de todos: o processo de duplicação do DNA, a codificação de proteínas e o funcionamento das células de uma forma geral – ou seja, os processos mais básicos de sustentação da vida como a conhecemos.

Visto de longe, de forma simplificada, o processo de duplicação do DNA em nossas células parece ser um negócio muito elegante e super eficiente … uma solução perfeita e prática para a multiplicação de organismos e a transmissão de características de uma geração para outra (hereditariedade). E é mesmo. Afinal, tem funcionado há mais de 3,5 bilhões de anos, tanto para bactérias quanto seres humanos, e tudo mais que é vivo por aí entre uma coisa e outra. Ninguém até hoje conseguiu inventar coisa melhor.

Mas está MUITO longe de ser uma solução simples. Quando se estuda o funcionamento das células em detalhe, é um sistema tão complexo, mas tão complexo, que é quase inacreditável que funcione. É uma complexidade com a qual não canso de me impressionar.

Cada vez que uma célula do seu corpo se divide, o DNA dentro dela precisa ser duplicado. O processo (ilustrado no vídeo acima) envolve uma série de moléculas que trabalham em sincronia para fazer o negócio funcionar. Tem a helicase, que abre a dupla fita do DNA como um zíper. Depois vem a polimerase, que se agarra ao DNA e corre por ele como um trem que desliza sobre um trilho, pegando bases nitrogenadas (A, T, C e G) que estão soltas no núcleo da célula e grundando-as uma a uma numa cadeia, para produzir uma nova dupla fita idêntica à original. Esse processo é bastante eficiente, mas não é perfeito. A polimerase comete erros. Alguns dos quais ela mesma é capaz de detectar e corrigir. Há dois tipos de polimerase: uma que trabalha rápido e comete mais erros, outra que trabalha mais devagar, mas comete menos erros. E mesmo com as duas funcionando, sempre passa alguma coisa. Há também as enzimas de restrição, que cortam o DNA onde for preciso, e as ligases, que grudam fragmentos de DNA onde necessário.

Um vez duplicado, o DNA precisa ser organizado em novos cromossomos, que precisam ser alinhados no centro da célula, para que metade vá para um lado e metade vá para outro no momento em que a célula se dividir em duas … processo que é controlado e mediado para uma enorme orquestra de outras moléculas e organelas (e que nós ainda não compreendemos completamente).

Aí vem a parte de fazer esse DNA todo funcionar, que é o processo de transcrição do DNA em RNA e a tradução desse RNA em proteínas (ilustrado no vídeo abaixo). Nosso genoma (e o de qualquer outro organismo) é composto por uma sequência de bilhões de pares de bases nitrogenadas, mas só uma pequena porcentagem dessas bases formam o que chamamos de “genes”, que são as partes funcionais do genoma, que codificam proteínas. E esses genes estão espalhados pelo genoma de maneira mais ou menos aleatória. Alguns bem pertinho, outros bem distantes. E dentro de cada gene há sequências de DNA que não são codificadoras, chamadas íntrons, que precisam ser cortadas do RNA mensageiro antes da fabricação das proteínas dentro dos ribossomos. Um gene pode dar origem a diferentes proteínas, dependendo da maneira como for transcrito. E há sequências chamadas fatores de transcrição, que não codificam proteínas, mas controlam o funcionamento de outros genes, ligando-os, desligando-os e/ou modulando sua intensidade.

Quem faz a transcrição é uma enzima chamada transcriptase. Ela produz uma molécula de RNA mensageiro, que é quase idêntica ao DNA, com a diferença de que tem uma base U (uracil) no lugar da base T (timina). Esse RNA passa então por dentro de um ribossomo, onde sua sequência de nucleotídeos é traduzida em uma sequência de aminoácidos, que se dobram de uma forma extremamente complexa e específica para formar uma proteína. Isso tudo envolvendo uma infinidade de outras moléculas e processos bioquímicos no meio do caminho que não caberiam aqui neste post …

Mas nem é preciso se preocupar muito com os detalhes. Pense apenas no básico: Por que usar o RNA mensageiro? Por que não ir direto do DNA para as proteínas, que seria um caminho muito mais simples e direto, por exemplo?

Meu objetivo quando comecei a escrever este post não era entrar na discussão sobre evolução versus criacionismo … mas é inevitável, e irresistível. É uma questão interessante demais para ser ignorada, ainda que já tenha sido debatida à exaustão.

Então eu pergunto: O que é mais provável, do ponto de vista “parcimonioso”, que a vida foi criada por Deus, ou que ela evoluiu por processos naturais? Qual é a explicação mais simples?

Nenhuma delas é simples. Mas, assim como no caso das chaves perdidas, é possível fazer um julgamento de probabilidade com base nas evidências disponíveis e nas circunstâncias presentes.

Com relação à complexidade, muitas pessoas argumentam que a vida é complexa demais para ter evoluído “por conta própria”. A complexidade, portanto, seria evidência de uma inteligência suprema, de um Criador. Mas é possível fazer, também, o argumento contrário … Para mim, a complexidade carrega a assinatura não de uma inteligência suprema, mas de um processo evolutivo aleatório, cumulativo, sem propósito, não-dirigido e não-controlado, em que um coisa se conecta à outra não pelo caminho mais simples, mais óbvio, ou mais curto, mas pelos caminhos que se mostraram possíveis diante dos átomos, das moléculas e das condições disponíveis a cada determinado passo do processo. O resultado final é um caminho tortuoso, cheio de obstáculos, desvios, em mutação constante e sem destino certo … mas que nos trouxe até o presente mesmo assim, não trouxe?

Se Deus criou a vida, ele não é adepto do conceito de parcimônia. A natureza, também não. Eita maquininha complicada que nós somos!

Ironicamente, porém, temos de ser gratos por esses defeitos e obstáculos, pois se o processo de replicação do DNA fosse perfeito, nós simplesmente não existiríamos (do ponto de vista evolutivo). Se o processo de replicação fosse perfeito, todo organismo seria uma cópia idêntica do anterior. Não haveria mutação. Não haveria variabilidade. E sem variabilidade, não haveria evolução. Nada mudaria.

Então, viva a complexidade, e viva a imperfeição! Imagine só!

Abraços a todos.

CRÉDITO: Ambos os vídeos neste post foram produzidos pelo DNA Learning Center, do Cold Spring Harbor Laboratory.

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16.junho.2011 10:15:29

DE VOLTA AO ESPAÇO

FOTO: NASA/ESA

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Do fundo do mar para o vácuo do espaço, aqui vai mais uma pintura maravilhosa do Universo, capturada pelas lentes do nosso bom e velho amigo, o Telescópio Espacial Hubble …

Ela mostra em superdetalhe um pedaço da galáxia Centaurus A, que está a míseros 11 milhões de anos-luz da nossa própria galáxia, a Via Láctea. Isso significa (como não me canso de explicar, nem de me impressionar) que você precisaria viajar 11 milhões de anos à velocidade da luz para chegar até ela. E, acredite se quiser, isso é “logo ali” em termos de distâncias no Universo.

A imagem inclui comprimentos de onda do especto visível (que é o que você enxergaria com seus próprios olhos), ultravioleta e infra-vermelho próximo (que permitem enxergar a luz de estrelas que estão “mais fundo” no disco da galáxia, por trás de todo esse gás). Uma beleza.

O formato dessa galáxia é um tanto fora dos padrões … Os astrônomos acreditam que ela “nasceu” da colisão de uma galáxia elíptica com uma galáxia espiral, que se fundiram em uma. No meio, formou-se um gigantesco buraco-negro, com cerca de 100 milhões de massas solares (ou seja, 100 milhões de sóis espremidos num espaço tão pequeno, mas tão pequeno, que a força da gravidade se torna tão poderosa em volta dele que nem a luz tem forças para escapar). Você não enxerga o buraco-negro no centro da imagem porque … bem, como acabei de dizer … ele não emite luz! Portanto, não há o que enxergar. Mas ele está lá, sim, escondido num buraco escuro no meio de toda aquela luz, produzida pelas estrelas ao redor, que não foram sugadas para dentro dele. Ainda … pelo menos.

(A Via-Láctea também tem um buraco desses no meio, só para você saber.)

Imagine só!

Abraços a todos.

Abaixo, uma foto da galáxia inteira, produzida em 2000 pelo European Southern Observatory (ESO).

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16.junho.2011 01:48:23

COMENTE, COMPARTILHE

Caros amigos leitores,

O blog está com uma audiência de, aproximadamente, 2 mil acessos por semana … Mas percebo que, em geral, só uma meia dúzia de pessoas escreve comentários com frequência. Se você gostar de um post, comente! E compartilhe! Via Twitter, Facebook, celular, e-mail, mala direta, pombo correio … o que preferir. :)

Abraços a todos, e obrigado.

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15.junho.2011 00:46:20

PALAVRA DE PEIXE

Eis aqui mais um pequeno vídeo da vida marinha que fiz durante um mergulho no último fim de semana em Tulamben, no nordeste de Bali . Nele, realizei um dos meus sonhos de mergulho, que era nadar por entre uma grande “bola” de peixes. Um grande cardume.

Acho que a experiência vale só pela beleza da cena. Mas é claro que, por trás de todo fenômeno natural, por mais simples que possa parecer, há sempre uma série de questões científicas interessantes e complexas a se contemplar. Basta pensar um pouquinho mais sobre tudo o que você vê a sua volta, e garanto que vai esbarrar em várias delas … No telefone celular, na televisão, no computador, no seu organismo, na sua comida, nas suas roupas, no seu quintal, nas praias e nos oceanos.

Por exemplo: Como é que os peixes se comunicam? Como é que esse cardume todo mantém a sua forma, com milhares de indivíduos movendo-se em sincronia numa mesma direção? E quando eles precisam mudar de direção, quem é que dá a “ordem” de correr para lá ou correr para cá? Será que tem alguém que dá as ordens no cardume, tipo um mestre de bateria numa escola de samba? Ou todos os indivíduos têm igual “status”?

Você pode olhar para um cardume desses e pensar: “Que bonito! Mas é só um monte de peixes.” Ou: “Que incrível. Como é que eles fazem isso?” (ambas as alternativas são válidas … mas eu prefiro a segunda)

O único problema é que, neste caso, não tenho uma resposta de bate-pronto. Sinceramente, não faço a mínima ideia de como esses peixes todos se comunicam de maneira tão rápida, dinâmica e sincronizada. Mas tenho certeza que alguém tem uma resposta … ou, pelo menos, está tentando chegar a ela. Vou pesquisar.

Enquanto isso, basta admirar que já está bom.

Abraços a todos.

(obs: Desculpe pelas legendas e comentários em inglês. É que tenho muitos amigos/leitores em outros países que gostam de acompanhar minhas viagens também.)

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Se você não sabe nada de biologia molecular, esse vídeo acima não vai fazer o menor sentido. Vai parecer uma piada … E, no fundo no fundo, é mesmo. Mas uma piada de certa forma séria. Com conteúdo!

Só postei aqui porque precisava de um “gancho”, como dizemos no jornalismo, para escrever sobre  esse tal de PCR, que é o tema da música.  (E porque me fez rir pra caramba ontem … mas você não precisa achar engraçado para ler o post.)

PCR signica Polymerase Chain Reaction, ou “reação em cadeia de polimerase”, representada no vídeo por essa máquina quadrada e aparentemente sem graça que é passada de mão e mão e acariciada ironicamente pelo cantor. Se não fosse por essa reação, e essa maquininha que a realiza automaticamente, nós provavelmente não saberíamos nem um terço do que sabemos hoje sobre genética. Não saberíamos muito do que sabemos sobre o processo evolutivo e sobre as relações de parentesco entre os seres vivos. Testes de paternidade, que hoje são coisas absolutamente banais, seriam ainda algo extremamente caro, complexo e demorado de se fazer. É provável que muitos criminosos não teriam sido presos. E que muito pacientes que venceram o câncer teriam morrido.

O que uma máquina de PCR faz, colocado da forma mais simples possível, é copiar DNA (ou “amplificar” DNA, que é o termo cientificamente mais correto nesse caso). Você bota um pedaço de DNA num tubinho, mistura lá alguns “ingredientes”, aperta um botão e pouco tempo depois você terá milhões e milhões de cópias daquele mesmo pedaço de DNA, naquele mesmo tubinho.

Isso é absolutamente crucial para qualquer tipo de estudo genético – seja para identificar mutações no genoma humano, diagnosticar doenças, identificar espécies ou prender criminosos –, porque para “ler” o que está escrito no DNA, você precisa sequenciá-lo. E para sequenciá-lo, não basta uma única amostra, uma única célula ou uma única molécula. Afinal de contas, as letras são muito pequenininhas! … Você precisa, sim, de milhões e milhões de cópias da mesma sequência. E a única maneira de produzir isso de maneira prática e rápida, é via PCR. (a outra alternativa é clonar a sequência dentro de bactérias, o que dá muito mais trabalho)

O que acontece dentro dessa maquininha mágica é algo surpreendentemente simples, mas tão incrivelmente importante que rendeu um prêmio Nobel ao seu inventor, Kary Mullis, em 1993. (dizer que é “simples” agora é fácil, que o negócio já foi inventado, eu sei … mas isso só prova que às vezes é preciso uma mente brilhante para enxergar o óbvio).

A técnica consiste em submeter o DNA a consecutivos ciclos de temperatura mais altas, que fazem com que a dupla hélice se abra como um zíper, e mais baixas, que permitem à tal da “polimerase” (o P do PCR) grudar em cada uma das fitas e fazer uma cópia de cada uma delas, produzindo dois novos zíperes onde antes havia apenas um. (duas moléculas de DNA em vez de uma) Aí o ciclo se repete, e os dois zíperes viram quatro, depois oito, depois dezesseis, e assim por diante … abrindo e fechando zíperes, exponencialmente, numa reação em cadeia.

Ou seja: uma reação em cadeia de polimerase. Simples, não é?

A polimerase é uma enzima que ocorre naturalmente nas nossas células. Cada vez que uma célula do seu corpo se divide (e milhões delas estão se dividindo neste exato momento, pode ter certeza, a não ser que você esteja morto), todo o DNA que existe dentro dela precisa ser copiado. E quem faz isso é a polimerase.

Nesse sentido, os cientistas estão simplesmente replicando in vitro algo que ocorre naturalmente no nosso organismo. Com um detalhe curioso: que a polimerase usada no PCR não é de origem humana, mas de uma bactéria, chamada Thermus aquaticus. Isso porque a polimerase humana não sobrevive às altas temperaturas necessárias para abrir o zíper do DNA dentro do tubinho, que passam de 90 graus Celsius. (No organismo humano, quem abre o zíper é uma outra enzima chamada helicase, mas, para acelerar e automatizar o processo, a máquina de PCR faz isso por meio do calor.) Já a polimerase da Thermus aquaticus, mais conhecida pelo apelido TAQ, faz isso sem problemas. Afinal, trata-se de uma bactéria que vive nas piscinas de água fervente do Parque Nacional de Yellowstone e, portanto, está mais do que acostumada a copiar DNA em altas temperaturas.

Outro ingrediente essencial da receita são os chamados “primers”, uma espécie de “etiqueta” de DNA que gruda nas fitas abertas do zíper e indica à polimerase o ponto de partida para a duplicação. Assim, os cientistas podem amplificar (copiar) apenas o trecho de DNA que lhes interessa, e não a molécula inteira. Imagine que a polimerase é um carro perdido num estacionamento cheio de vagas, e o primer é um flanelinha que fica lá abanando os braços e gritando “estacione aqui!” … é mais ou menos isso. Se você escolhe um flanelinha errado, e a polimerase estaciona na vaga errada, danou-se.

Aqui na Indonésia, onde estou, cientistas usam o PCR para amplificar (e depois sequenciar) trechos específicos de genes que permitem identificar espécies e fazer comparações entre elas. Dependendo da quantidade de diferenças (ou similaridades) entre as sequências, é possível dizer se são espécies diferentes, ou não, e qual o grau de parentesco entre elas. Se elas divergiram de um ancestral comum 30 milhões, 500 milhões ou 1 bilhão de anos atrás. Uma ciência conhecida como “ecologia molecular”.

Da mesma forma, em hospitais de ponta do mundo todo, cientistas usam o PCR para amplificar (e depois sequenciar) trechos de genes de células cancerígenas, que permitem fazer um diagnóstico muito mais preciso da doença. Assim você pode saber o tipo específico de mutação que as células doentes têm, e com base nisso determinar se o tumor é agressivo ou não, qual o melhor tipo de tratamento para aquela mutação específica, e várias outras coisas que fazem uma diferença enorme nas chances de cura e sobrevida dos pacientes.

Pois bem … se você nunca tinha ouvido falar de PCR, agora ouviu.

Se um dia você entrar num laboratório de pesquisa genética, não se assuste. Não tem nada de muito impressionante. As máquinas são todas quadradonas e extremamente sem graça, aparentemente. Mas não se engane: dentro delas, acontecem coisas incríveis. Imagine só!

Abraços a todos.

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Esse aqui não é piada. Entenda graficamente como o PCR funciona:

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06.junho.2011 11:59:13

TAPETES VOADORES

Imagine se, para se alimentar, você pudesse simplesmente abrir a boca e sair andando por aí, contra o vento, engolindo moscas, mosquitos e outros pequenos insetos voadores que eventualmente passassem pela sua frente  … Sei que parece nojento, mas não há como negar que seria prático, não é mesmo?

É basicamente isso que essas raias manta estão fazendo no vídeo acima, que gravei durante o meu primeiro mergulho na Indonésia, numa ilha chamada Nusa Penida, a sudeste de Bali. Brincadeiras à parte, são animais magníficos, e enormes, que podem passar facilmente dos 2 metros de envergadura.

E que, apesar do tamanho, são extremamente dóceis e absolutamente inofensivos. E que, assim como muitos outros grandes animais marinhos, são organismos filtradores, que se alimentam de plâncton. O mesmo ocorre com o tubarão-baleia (o maior peixe dos oceanos) e algumas espécies de baleias. Um mergulhador mal informado poderia ficar assustado e pensar que esses gigantes precisam de grandes presas para se manterem vivos, mas não … Precisam, sim, comer em grandes quantidades, mas grandes quantidades de coisas muito pequenas. Não de seres humanos.

No passado já existiram animais gigantescos que eram predadores ferozes, carnívoros e cheios de dentes, tanto na terra quanto no mar. Mas hoje em dia, não. Os elefantes se alimentam de plantas e as baleias, de plâncton ou krill (pequeninos crustáceos nadadores, parecidos com camarões) ou, no máximo, de pequenos peixes em cardumes.

Claro que você tem ainda os tigres e as orcas e os tubarões-brancos, mas chega um certo tamanho que não dá mais para ficar correndo atrás de comida todos os dias … Muito mais fácil é abrir a boca e sair nadando por aí, filtrando água, ou simplesmente abocanhar um montão de petiscos de uma vez só, para formar uma grande refeição. Engolir uma tonelada de camarõezinhos é muito mais fácil do que correr atrás de uma foca. E não precisa nem mastigar!

No caso dos filtradores, como as mantas, a água passa por dentro da boca e o plâncton fica preso nas guelrras, para ser engolido depois. No vídeo dá para ver como elas nadam calmamente contra a correnteza, batendos suas “asas” como se fossem tapetes voadores … lindas! (a visibilidade no local é baixa justamente por causa de quantidade de plâncton na água, que dificulta o foco da câmera)

Curiosamente, há um animal terrestre que também é um filtrador: o flamingo, que eu conheci em Bonaire, antes de vir para cá. É por isso que ele tem aquele pescoção comprido, que usa para enfiar a cabeça na água, de cabeça para baixo. Ele está filtrando água, que passa por uma membrana dentro de seu bico, que captura pequenos invertebrados e outras criaturinhas apetitosas (para um flamingo). Não tem dentes nem estômago para mastigar nada. Só filtra. É a única ave no mundo que faz isso … E se isso não é informação demais espremida num único parágrafo, me avisem que tento espremer um pouco mais.

Abraços a todos.

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04.junho.2011 03:56:29

UMA RELAXANTE TARDE DE CALOR

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Acredite se quiser, mas esses dois indivíduos da foto aí acima, com pinta de mercenário faminto e motoboy perdido, são autênticos pescadores de Bali, na Indonésia.

Esbarrei com eles ontem à tarde, numa caminhada pela praia próxima do hotel onde estou morando aqui na ilha (temporariamente), na cidade de Sanur. Com eles e mais centenas de outros com o mesmo estilo, de chapeuzinho (ou capacete) na cabeça, varinha retrátil na mão, cestinha de palha na cintura e o corpo todo coberto, da cabeça aos pés, com calça comprida, agasalho, luvas e até um eventual gorro. Tudo isso num calor de mais de 30 graus, diga-se de passagem …

Minha primeira reação foi: “Coitados desses caras!” Devem estar sofrendo como loucos para ganhar alguns trocados em troca de alguns peixinhos.

Mal sabia eu que eles não estavam sofrendo coisa nenhuma. Pelo contrário. Estavam ali puramente pelo prazer de pescar, como qualquer bom pescador.

Quem me abriou os olhos foi o companheiro Charlie, segurança de praia de um hotel de luxo ali das redondezas (que acha que a seleção brasileira está carente de atacantes, e que o tal do garoto Neymar, de cabelo moicano, parece ter futuro, mas não se compara ao grande Ronaldo Fenômeno).

Aquele montão de roupas, apesar do calor, é para se proteger do Sol, segundo Charlie. Afinal de contas, ninguém está ali para se bronzear! Melhor passar calor do que arriscar uma queimadura … E o peixe não é para vender, nem para subsistência, até porque os dali são tão pequeninos que mal rendem um petisco. É puramente pelo prazer de pescar mesmo. E só.

“Estão aqui para se refrescar”, explicou-me Charlie.

“Refrescar-se! Com um gorro de lã na cabeça debaixo do Sol quente?”,  foi minha resposta imediata, obviamente.

Na verdade, o que Charlie quis dizer com “refresh”, no seu inglês um tanto precário, estava mais para “relaxar” do que para se “refrescar”. “A pescaria exige muita concentração. Tem de focar toda a sua atenção no peixe”, explicou-me ele, de novo. O Charlie mesmo não pesca, porque diz não ter concentração suficiente para isso. Prefere futebol.

Então, todos os dias, na maré baixa, centenas de homenzinhos de chapéu e capacete migram para essa parte rasa da praia, protegida das ondas do mar aberto por uma barreira de corais, para fumar um cigarrinho, passar um calorzinho e pegar alguns peixinhos. O que poderia ser mais divertido?

Os turistas do hotel de luxo, por sua vez, mal entram na água. A praia está longe de ser um paraíso tropical. A areia é escura e a água, um tanto turva. O fundo do mar é lamacento e completamente coberto de algas. Péssimo para nadar. Ótimo para pescar. Imagine só!

Abraços a todos.

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FOTOS: Herton Escobar

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02.junho.2011 20:26:08

TERRA DE GIGANTES

(Estou há 3 dias em Sanur, na ilha de Bali, Indonésia, e aproveitando a insônia causada pelo jetlag de 11 horas, vou escrever um post que fiquei devendo dos Estados Unidos, onde tive o privilégio de fazer uma trilha maravilhosa de 3 dias pelo Parque Nacional das Sequoias … Fotos: Herton Escobar)

Muitas coisas mudaram nos últimos 2 mil anos, desde que Cristo caminhou sobre a Terra e o calendário romano foi inventado. Mas algumas, não. Entre elas, a maior árvore do mundo, conhecida como General Sherman.

Há 2.200 anos o general ocupa um lugar privilegiado numa montanha ao leste da Califórnia, onde ele e outras sequoias gigantes da espécie Sequoiadendrum giganteum encontram o ambiente ideal para crescer, a 2 mil metros de altitude, nas encostas da Sierra Nevada. O topo de seu tronco está a 84 metros do solo – equivalente à altura de um prédio de 30 andares, pelo menos. Impressionante. Mas nem é isso que lhe dá o título de “maior árvore do mundo”. Há árvores até mais altas do que ele. E mais largas. E mais velhas (algumas sequoias têm mais de 3 mil anos de idade). Mas nenhuma tem mais biomassa do que o general: 1.486 metros cúbicos de madeira … suficiente para construir sei lá quantas mesas e quantas portas. Peso total: 1.386 toneladas, mais do que muitas e muitas baleias empilhadas. Um gigante de fato, com todos os méritos, para ser humano nenhum botar defeito.

Tão grande que não consegui fazer uma foto dele de corpo inteiro. Simplesmente não cabe na lente dessas máquinas automáticas de bolso. Só a base da árvore tem 31 metros de circunferência, o que significa, mais ou menos, que você precisa dar uns 30 passos para caminhar em volta dela. (Tente dar 30 passos dentro do seu apartamento para ter uma ideia.) Vários de seus galhos são, sozinhos, do tamanho de árvores inteiras que a gente encontra normalmente por aí. O maior deles, que está a quase 40 metros de altura, tem 7 metros de diâmetro. Imagine só! Uma árvore de 7 metros de diâmetro já seria um gigante por conta própria em qualquer lugar do mundo, mesmo na Amazônia. E esse é apenas um braço do general.

Curiosamente, porém, o general não se destaca tanto assim na paisagem da Sierra Nevada. Quando cheguei debaixo dele, confesso que fiquei até um pouco desapontado … “Só isso?”. O problema é que todas as outras árvores em volta dele são também gigantes, o que cria a ilusão de ser “só mais uma árvore na paisagem”. Mas imagine essa árvore no meio do Parque do Ibirapuera … aí seriam todas as outras que pareceriam anãs. (como eu sempre digo, é tudo muito relativo … como os prédios de 40 andares que pareciam sobrados ao lado do World Trade Center, nos velhos tempos pré-9/11 do skyline de Manhattan) Até a árvore artificial de Natal ia ficar pequena do lado dele.

O general já parou de crescer em altura há algum tempo, em decorrência das cicatrizes deixadas por inúmeros incêndios florestais que queimaram seu tronco e comprometeram a capacidade do seu sistema vascular de transportar nutrientes do solo até o topo da árvore, lá pelo trigésimo andar …. Mas continua crescendo em biomassa (engordando em madeira, por assim dizer).

Todas as sequoias mais antigas do parque têm uma grande cicatriz de fogo na base de seu tronco, como a que você pode ver na foto abaixo. Curiosamente, são cicatrizes bem vindas, pois sem esses incêndios naturais as sequoias não conseguem se reproduzir. Sem o fogo, suas sementes não germinam. Uma lição que os administradores do Parque Nacional aprenderam a duras penas … No início, achando que o fogo ameaçava a sobrevivência das árvores, o parque passou a combater os incêndios florestais (normalmente causados por raios ou algo assim). Com o tempo, porém, percebeu que as sequoias haviam parado de se reproduzir. Pesquisaram, pesquisaram, e descobriram que sem o fogo para queimar periodicamente a matéria orgânica que se acumula sobre o solo da floresta, as sementes das sequoias não conseguem brotar. Ou porque não conseguem nem chegar ao solo, ou porque acabam sufocadas debaixo do tapete de folhas e galhos secos que se forma com o tempo sobre ele.

Agora, os cuidadores do parque não só não impedem que os incêndios aconteçam como promovem incêndios controlados periodicamente, para compensar o atraso evolutivo causado pelas políticas anteriores, que careciam de conhecimento científico e, por isso, tiveram o efeito oposto do desejado. Em vez de proteger as árvores, estavam colocando a espécie ainda mais em risco. Agora, pouco a pouco, a floresta está voltando a crescer. Renascendo das cinzas, por assim dizer.

Essa é para o homem parar de querer saber mais do que a natureza … Se aquelas árvores têm aquelas cicatrizes, e continuam vivas há mais de 2 mil anos, então obviamente é porque estão adaptadas ao fogo! Ou já teriam sido extintas faz tempo.

Dois milênios … imagine só!

Considere tudo que aconteceu no mundo nos últimos 2.200 anos e imagine o general sempre lá, esse tempo todo, fazendo calmamente sua fotossíntese, sem se preocupar com guerras ou tecnologias, importando-se apenas com o sol, o fogo, a chuva e a neve que caem sobre ele, totalmente indiferente aos muitos homens que certamente caminharam sobre sua gigantesca copa e que, felizmente, nunca o derrubaram … Tomara que continue assim por mais alguns milhares de anos.

Abraços a todos.

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Uma das sequoias do Bosque de Redwoods, onde acampei na segunda noite da trilha (e que, apesar do nome, não tem nenhuma redwood, apenas sequoias … a redwood é uma outra especie, parecida, porém diferente, que só cresce do outro lado das montanhas … vai entender.)

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