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Herton Escobar

28.dezembro.2010 15:00:25

REALIDADE FICTÍCIA

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Esses dias assisti, finalmente, o filme A Rede Social, sobre a criação do Facebook. Muito bom! A história me fez refletir sobre algumas coisas neste fim de ano.

A primeira, mais concreta, é sobre a minha profissão. O jornalismo. A trama apresenta um contexto perfeito para se discutir uma das regras mais básicas do bom jornalismo: a de sempre ouvir os dois (ou três, ou quatro …) lados de uma história. Imagine, por exemplo, que eu decidisse escrever uma reportagem sobre a criação do Facebook alguns anos atrás, quando o site começou a explodir e essa história toda do filme ainda não havia sido publicada. Seria muito fácil ir até o Marc Zuckerberg, conversar com ele e escrever a reportagem com base nessa entrevista. Afinal, quem poderia saber mais sobre a criação do Facebook do que o seu próprio criador?? Se ele disse que aconteceu assim, deve ter acontecido assim. Certo?

Não necessariamente. Obviamente, há muitas versões diferentes sobre como tudo aconteceu. Inclusive entre os seus próprios protagonistas.  O livro que inspirou o filme (Bilionários por Acaso, de Ben Mezrich) foi baseado principalmente em entrevistas com o brasileiro Eduardo Saverin, amigo de Zuckerberg em Harvard e co-fundador do Facebook. E ele claramente tem uma visão muito diferente da do ex-amigo sobre como tudo aconteceu. Se fosse Zuckerberg que tivesse escrito o roteiro, os fatos talvez até tivessem sido os mesmos, mas os diálogos, o enfoque e a maneira de interpretar esses fatos certamente teriam sido bem diferentes. Se fossem os irmãos Winklevoss fazendo o relato, então, nem se fala …

Um bom repórter, claro, teria feito um mínimo de investigação e saberia que Zuckerberg estava sendo processado, inclusive pelo melhor amigo, e assim por diante. E teria entrevistado todas as pessoas envolvidas, apurado todos os fatos e teria feito uma boa reportagem, contando todos os lados da história.

Mas o jornalismo, claro, não é feito apenas de bons repórteres.

A segunda reflexão, bem mais abstrata que a primeira, é sobre como interpretamos a realidade. Imagine, agora, que você tenha feito todas as entrevistas, ouvido todos os lados da história, e apurado todos os fatos disponíveis. E então … qual é a versão verdadeira? O que realmente aconteceu? Qual é a realidade sobre a criação do Facebook? Ou sobre qualquer outra coisa, já que estamos nesse assunto?

O Mark Zuckerberg, o Eduardo Saverin e os irmãos Winklevoss podem contar uma mesma história de maneiras bastante diferentes e, mesmo assim, é possível que todos eles estejam certos. Ninguém necessariamente está mentindo. Porque a realidade não é absoluta. Ela é, em muitos casos, interpretativa. Principalmente em contextos sociais. Cada pessoa interpreta a realidade de uma forma diferente, sob o contexto de suas experiências, opiniões, convicções, interesses e preconceitos pessoais. Ou seja: a realidade é parcial. Não existe uma realidade universal, mas sim realidades coletivas, compostas de realidades individuais, que podem ou não concordar entre si em todos os aspectos.

Claro que não estou falando de fatos concretos. Tipo: se você deu um tiro numa pessoa, e a pessoa morreu, você é responsável pela morte daquela pessoa. Pode-se até questionar os motivos, mas que o tiro foi a causa da morte é algo que não está sujeito a interpretações. É fato. Assim como 2+2 =4 e 4+4=8.

Estou falando da maneira como “enxergamos” o mundo a nossa volta de uma maneira geral. Quantas milhões de pessoas não assistem a um mesmo jogo de futebol e têm visões completamente diferentes sobre o que aconteceu dentro de campo? O juiz roubou ou não roubou? O time mereceu ganhar ou não mereceu? E quantas milhões de pessoas não são governadas pela mesma pessoa e tem avaliações completamente diferentes sobre o que se passou nos últimos oito anos? Afinal, Lula fez um bom governo ou não fez? O Brasil melhorou ou não melhorou?

Eu posso escrever um livro entrevistando dezenas de especialistas que acham que o Lula fez um ótimo governo. Outra pessoa pode escrever um livro entrevistando dezenas de especialistas dizendo que o Lula fez um péssimo governo. E isso não significa que um seja verdade e o outro, mentira. São apenas interpretações diferentes de uma mesma realidade.

E quem nunca teve uma discussão com alguém do tipo: “Eu tenho certeza que te dei a chave do carro.” Enquanto a outra diz: “Eu tenho certeza que você não me deu a chave do carro.” E a chave simplesmente nunca aparece … Afinal, quem está dizendo a verdade? Como é que duas pessoas podem ter certeza absoluta sobre duas realidades opostas? Uma delas, obrigatoriamente, tem de estar errada. Uma delas tem certeza de que algo que não aconteceu, aconteceu. E a outra, de que algo que aconteceu, na verdade não aconteceu. Na realidade individual de cada uma, ambas estão certas. Nenhuma, necessariamente, está mentindo.

A realidade é algo criado pelo nosso cérebro, com base em informações coletadas pela visão, pelo olfato, pela audição, pelo paladar e pelo tato, e depois interpretadas com base na bagagem intelectual, racional ou irracional, que cada um de nós carrega desde o nascimento. Não só ela pode variar de uma pessoa para outra, mas a própria pessoa pode ver uma coisa e achar que viu outra. Imaginar coisas. Misturar realidade com sonhos. Transformar ficção em realidade. Até que ela mesma não sabe mais diferenciar uma coisa da outra. E, no fim das contas, a “realidade real” torna-se algo intangível, irresgatável, até mesmo para aqueles que a vivenciaram. Um híbrido frankenstein de memórias e opiniões.

A realidade, assim como a beleza, está nos olhos do observador.

Por isso um dos princípios mais básicos do método científico é a replicabilidade. Na ciência, um resultado experimental só é considerado válido se puder ser replicado por outras pessoas. Por exemplo: eu faço uma pesquisa no meu laboratório e publico os resultados numa importante revista científica, descrevendo o passo a passo de como o experimento foi feito. O método científico diz que esse resultado só é válido se outros laboratórios que fizerem o mesmo experimento, seguindo os mesmos passo, chegarem exatamente ao mesmo resultado. Caso contrário, nada feito. O trabalho pode até ganhar fama de início, mas acaba caindo no esquecimento, ou denunciado como fraude. A realidade, na ciência, tem de ser igual para todos.

Voltando ao Facebook: O Zuckerberg, afinal, é um gênio, ou apenas um ótimo programador que se aproveitou de uma boa ideia alheia?

E a chave do carro … o que diabos aconteceu com ela?

Nunca saberemos.

Abraços e um ótimo 2011 a todos.

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22.dezembro.2010 23:11:46

PLACEBO, SEM ENGANAÇÃO

Algum tempo atrás escrevi um post sobre o efeito placebo que causou bastante polêmica aqui no blog. Pois aqui vai mais um pedaço de lenha na fogueira para esquentar (e complicar) ainda mais o debate.

Que o efeito placebo existe não há dúvida. Pacientes tomam pílulas de açúcar achando que é remédio e melhoram de saúde de verdade, como se estivessem tomando um remédio de verdade. Vários estudos clínicos comprovam isso. Como a pílula de açúcar  (ou farinha) não tem princípio ativo, o benefício clínico do placebo é, na verdade, uma reação do próprio organismo, orquestrada pelo cérebro do paciente, que foi induzido a pensar que estava recebendo um tratamento de verdade. Por isso, imaginava-se que o efeito placebo só existiria se o paciente fosse “enganado” dessa forma … Ou seja: se ele acreditasse de fato que estava tomando um medicamento de verdade.

Mas não!

Segundo um estudo da Universidade de Harvard, publicado hoje eletronicamente na revista PloS One, o efeito placebo pode funcionar até mesmo quando o paciente sabe que está tomando apenas uma pílula de açúcar. Imagine só!

Os pesquisadores fizeram algo muito simples: selecionaram 80 pacientes com síndrome do intestino irritável (uma disfunção gastro-intestinal crônica, chamada IBS em inglês) e dividiram-os em dois grupos. Um grupo não recebeu medicamento nenhum, apenas acompanhamento médico padrão. O outro recebeu, além do mesmo acompanhamento médico padrão, um “tratamento” placebo com pílulas de açúcar – com o detalhe importantíssimo de que os pacientes foram claramente informados de que eram apenas pílulas de açúcar, sem nenhum tipo de princípio ativo. “Pílulas placebo feitas de uma substância inerte, como pílulas de açúcar, que  em estudos clínicos produziram melhoras significativas nos sintomas de IBS, por meio de processos de auto-cura corpo-mente”, para ser mais exato, usando a terminologia que foi usada no estudo.

Ou seja: os pacientes tinham a informação de que o efeito placebo havia sido benéfico em estudos anteriores de IBS, só que dessa vez eles estavam sendo informados previamente de que as pílulas eram somente isso mesmo — pílulas de açúcar. Então, a dúvida dos pesquisadores era: Será que o efeito placebo se manifestará da mesma forma?

Três semanas depois veio a resposta: 59% dos pacientes que tomaram a pílula de açúcar melhoraram, comparado a 35% dos pacientes do grupo controle, que tiveram apenas acompanhamento médico. Não só isso, mas a melhora clínica observada no grupo placebo foi comparável a de pacientes tratados normalmente com os medicamentos top de linha para IBS.

Imagine só! Mesmo sabendo que as pílulas continham apenas açúcar, os pacientes tiveram um benefício clínico tão significativo quanto alguém que toma medicamentos de verdade. Então pra que gastar dinheiro com remédio?? Toma uma limonada por dia e faz pensamento positivo que está tudo certo!

Ok, não é tão simples assim. Como já escrevi no post anterior, o efeito placebo tem suas limitações e nunca vai substituir por completo os medicamentos. O que esse estudo mostra, porém, é que o efeito placebo pode, sim, ser usado de maneira ética e eficiente na medicina, sem a necessidade de enganar os pacientes. Se um estudo clínico mostra que o placebo pode ser tão eficiente quanto um medicamento (o que acontece com frequência) isso deve ser visto como algo positivo e não como um resultado negativo, para ser varrido para debaixo do tapete (o que também acontece com frequência). É um mau negócio para a indústria farmacêutica, mas um ótimo negócio para a medicina!

Aliás, pensando bem, talvez nem a limonada seja necessária, já que 35% dos pacientes do grupo controle melhoraram sem tomar absolutamente nada — nem mesmo placebo. Imagine só!

Abraços a todos.

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Esse cartoon americano faz referência a um fato que é citado no estudo: 50% dos médicos americanos dizem já ter receitado placebos aos pacientes … Ou seja: ele receita alguma coisa só para o paciente se sentir melhor, mesmo que ele não precise. ("skittles" é uma balinha americana, tipo jujubinha)

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21.dezembro.2010 13:56:06

MEDO DE NÃO TER MEDO

Imagine como seria bom não ter medo de nada. Viver a vida tranquilamente, sem qualquer tipo de temor … de bandidos, sequestradores, aranhas, cobras, aviões ou seja lá o que for que meta medo em você.

Imaginou?

A princípio, parece um bom negócio. Mas não se deixe enganar: o medo é absolutamente essencial à nossa sobrevivência! Imagine se você, que vive na selva de pedra da cidade, não tivesse medo de um bandido armado que entrasse na sua casa ou que te abordasse na rua. As chances de você fazer uma bobagem e levar um tiro seriam muito maiores. Ou imagine se você entrasse numa selva de verdade e saísse acariciando cobras e tigres por aí, achando tudo muito bonitinho … as chances de levar uma picada, ou uma mordida, ou morrer certamente seriam muito maiores.

(Antes de continuar, é preciso fazer uma distinção entre bravura, conhecimento e ausência de medo. Um índio da Amazônia não se assusta com uma aranha ou uma cobra, mas isso não significa que ele não sinta medo. Ele simplesmente conviveu o suficiente com esses animais para saber lidar com eles. Ele sabe como eles se comportam, quais são venenosos ou não, quais são agressivos ou não, etc. Ele sabe que uma tarântula no chão da floresta não vai de repente pular na sua cara para tentar matá-lo, por exemplo.  É só não mexer com ela que tudo bem … Assim como um policial que enfrenta um bandido e um bombeiro que entra num prédio em chamas também sente medo. A diferença é que eles foram treinados para enfrentar esse tipo de situação, e por isso conseguem controlar o medo instintivo que normalmente paralisaria outras pessoas numa situação semelhante.)

Por que estou falando disso? Por causa de um estudo muito curioso publicado na revista Current Biology. Nele, os cientistas relatam o caso de uma paciente que teve as amígdalas totalmente destruídas por uma doença (não as amígdalas da garganta, mas as do cérebro). As amígdalas cerebrais são estruturas internas parecidas com ameixas que estão diretamente envolvidas na geração das sensações de medo e atenção que nos permitem evitar situações de perigo, sair correndo delas quando possível ou até enfrentá-las, quando necessário. Isso ocorre por meio da liberação de neurotransmissores no sistema nervoso, que induzem a liberação de adrenalina na corrente sanguínea, ordenam o coração a bater mais forte, aceleram a respiração, aumentam nosso estado de alerta e várias outras reações fisiológicas que nos preparam para uma situação imediata de “lutar ou correr”.

“A amígdala está constantemente analisando todas as informações que passam pelo nosso cérebro, vindas dos diferentes sensores (visão, audição, olfato, etc), tentando identificar qualquer coisa que possa ameaçar nossa sobrevivência”, explica o pesquisador Justin Feinstein, da Universidade de Iowa. “Quando detecta algum perigo, ela comanda uma cascata de respostas fisiológicas que nos impelem a manter distância do perigo, aumentando, assim, nossas chances de sobrevivência.”

A paciente descrita no estudo é uma mulher de 44 anos, identificada pela sigla SM. Ela sente felicidade, tristeza, preocupação, é inteligente, social, dá risada quando vê alguma coisa engraçada … mas não sente medo. Pode enrolar uma cobra no pescoço dela ou mostrar o filme mais aterrorizante de todos os tempos que não adianta. Nada! Medo zero. De resto, tudo normal.

Os resultados não são exatamente uma novidade. Já faz tempo que os cientistas conhecem a relação entre as amígdalas cerebrais e o medo, com base principalmente em experimentos com animais. Mas confirmam de maneira contundente em seres humanos que sem amígdalas, de fato, não há medo. E que outras sensações, aparentemente, não são afetadas.

O mais incrível, para mim, é imaginar (ou melhor, saber) que uma sensação tão instintiva quanto o medo pode estar tão intimamente ligada a uma estrutura física … uma peça de uma máquina sem a qual ela não funciona. Muitos dos nossos medos mais básicos são realmente instintivos, no sentido de que nascemos com eles embutidos no nosso cérebro. Crianças têm um medo natural de coisas rastejantes e cheias de pernas, mesmo que nunca tenham sido picadas por uma delas, porque a evolução nos adaptou para isso ao longo dos milhões e milhões de anos que convivemos com animais peçonhentos na natureza. Está escrito no nosso DNA! E certamente no DNA da senhora SM também. Ela tem o software do medo, mas falta-lhe o hardware (as amígdalas) para fazê-lo funcionar. “É inacreditável que ela ainda esteja viva”, diz o pesquisador Feinstein.

Casos extremos como o dela são raros e ideais para a identificação de funções relacionadas a estruturas específicas do cérebro. Afinal, não há como induzir ou mesmo simular esse tipo de lesão em alguém só para fazer um estudo científico. Conhecer melhor a maneira como o cérebro processa o medo pode ser útil para o tratamento de pacientes com stress pós-traumático, por exemplo. Nesse caso, as pessoas são vítimas de um outro extremo, em que sentem um medo incontrolável, induzido por algum evento traumático sério, tipo sequestro ou situações de guerra (muito comum entre soldados). Mesmo estando em casa, longe do campo de batalha, eles sentem um medo constante de que o inimigo está à espreita, ou que uma bomba vai explodir … O medo é tão intenso que supera completamente a razão.

Algo parecido com a fobia. Lembro-me de uma chefe minha que não podia nem ver uma foto de rato no computador que já ficava morrendo de medo e nojo. Não consegui nem olhar para a imagem! Mar por que?? É óbvio que aquilo é apenas uma foto, que o rato não está lá nem vai sair criar vida no computador e pular em cima dela. Mas não tem jeito. O medo é mais forte do que a razão.

Mais uma vez, fico me perguntando se somos nós que mandamos no cérebro ou se é ele quem manda na gente. Se é que é possível separar uma coisa da outra.

Abraços a todos.

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Peixe trombeta. (FOTO: Joost Daniels)

BONAIRE, ANTILHAS HOLANDESAS, 17/12/2010.

Mergulhando esta semana notei um comportamento muito curioso de um peixe recifal chamado trombeta (por causa da forma alongada de seu corpo). Os trombetas têm uma maneira muito característica de caçar: eles ficam pairando sobre os recifes, aparentemente parados, na posição vertical, e sempre apontando para baixo. Ficam olhando fixamente para os peixinhos que nadam abaixo deles … E quando um deles entra na linha de tiro, bang! … O trombeta se atira para baixo como uma flecha e abocanha a presa num piscar de olhos.

Esta semana, porém, descobri que os trombetas também caçam ativamente, nadando pelos recifes como um “peixe qualquer”. Só que com uma estratégia muito ardilosa: eles nadam “escondidos” ao lado de algum outro peixe … normalmente um peixe-papagaio, que é grande, nada sem parar por todo o recife e é herbívoro, portanto não é visto como um predador pelos outros peixes. É como a velha história do lobo em pele de cordeiro, só que nesse caso o cordeiro está vivo e o lobo está andando escondido ao lado dele para atacar o rebanho.

O trombeta, então, nada bem coladinho ao papagaio, mantendo-o como um “disfarce” entre ele e as presas. Quando o papagaio se aproxima de um cardume de peixinhos, o trombeta rapidamente passa para o outro lado e ataca de surpresa, abocanhando quem estiver mais próximo. E logo em seguida corre de volta para alcançar o papagaio de novo … tudo muito rápido.

Esse comportamento é conhecido como “shadow feeding” em inglês, querendo dizer que o trombeta segue o papagaio como uma sombra para se alimentar. (Não sei se existe uma tradução “oficial” em português … se algum biólogo de plantão souber, por favor me avise.)

Achei isso fantástico. Não canso de me impressionar com a inteligência dos animais. Afinal, imagine só: Como é que um peixe consegue “ter a ideia” de se esconder atrás de um outro peixe, que ele “sabe” que não vai assustar suas presas (porque é herbívoro)? Simplesmente incrível. E não estamos falando de golfinhos nem nada disso … mas de um “simples” peixe trombeta!

Imagine só!

Abraços a todos.

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14.dezembro.2010 19:10:34

BOLHA ESPACIAL

NASA, ESA, and the Hubble Heritage Team (STScI/AURA), J. Hughes (Rutgers University)

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Mais uma obra de arte pintada pelas lentes do telescópio espacial Hubble! Essa “bolha” de gás que você vê na foto tem 23 anos-luz de diâmetro — o que significa que você precisaria viajar 23 anos à velocidade da luz (300 mil km/s) para atravessá-la. Ela foi formada por uma supernova, a explosão de uma grande estrela, ocorrida 400 anos atrás na nossa galáxia vizinha LMC (sigla em inglês para Grande Nuvem de Magalhães). Ela parece estática na imagem, mas, na verdade, a bolha está se expandindo rapidamente, impulsionada pela força da explosão. Velocidade: 18 milhões de km/h. Imagine só!

Abraços a todos.

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13.dezembro.2010 18:26:47

O PODER DA IMAGINAÇÃO

FOTO: Wikipedia Commons

Quer emagrecer? Mas não consegue parar de pensar em chocolate? Não tem problema … pode continuar pensando. Aliás, segundo um estudo publicado na última edição da revista Science, quanto mais você pensar, melhor. Pois menos você vai comer depois.

É como se o seu cérebro se saciasse apenas em imaginar o chocolate, sem precisar comê-lo de fato. No estudo, os pesquisadores compararam o comportamento de grupos de voluntários que foram orientados a 1) imaginar-se comendo um monte de chocolate ou 2) imaginar-se comendo apenas um pouco de chocolate (um determinado número de M&M’s, para ser mais específico). Depois, cada pessoa recebia uma cumbuca com a mesma quantidade de chocolate, para comer a vontade, e os pesquisadores comparavam a quantidade consumida por cada pessoa de cada grupo, procurando alguma relação estatística de causa-efeito entre a imaginação e o consumo.

Os resultados indicam que aqueles que se imaginaram comendo mais chocolate antes comeram menos chocolate de verdade, depois. O experimento foi repetido várias vezes, em diferentes formatos e com diferentes comidas (chocolate e queijo), chegando às mesmas conclusões.

Fico um pouco receoso nesse tipo de estudo com o fato de que os pesquisadores não têm, de fato, como saber o que cada pessoa imaginou exatamente … Você pode dizer para alguém se imaginar comendo apenas 3 M&M’s e, na verdade, ele se imagina comendo um pacote inteiro, ou nadando numa piscina de chocolate … vai saber! Mas vamos confiar que o estudo foi realmente bem feito e os resultados são confiáveis. Muito interessante!

Se pensarmos bem, do ponto de vista fisiológico, nosso corpo não precisa especificamente de chocolate nem de queijo nem de sorvete. Ele precisa de uma determinada quantidade de calorias e uma determinada variedade de nutrientes. Se essas calorias e esses nutrientes vêm empacotados na forma de chocolate, de salada ou de picanha não deveria fazer muita diferença. Tecnicamente, se alguém inventasse uma ração sem sabor, porém com todas as calorias e nutrientes necessários para o nosso corpo funcionar, ele deveria funcionar sem problemas.

Mas quem é que aguentaria comer apenas uma ração sem sabor pelo resto da vida? Todos os outros animais contentam-se em comer quase sempre a mesma coisa. Tubarões comem peixes todos os dias. Leões comem gazelas. Passarinhos comem insetos. Cachorros e gatos comem ração. Mas nós, seres humanos, somos exigentes demais para isso. Precisamos de variedade! Precisamos de sabor!  Mas por quê? Seria tão mais fácil se nosso paladar fosse menos apurado … não precisaríamos gastar tanto tempo e tanto dinheiro no supermercado e indo a restaurantes diferentes toda semana.

Tudo culpa do nosso cérebro mimado! Muitas das nossas vontades alimentares são puramente psicológicas. Então faz sentido que só pensar sobre uma barra de chocolate já satisfaça, ao menos parcialmente, nosso desejo de comê-la. Estamos mal acostumados e achamos que precisamos de todos esses mimos saborosos para sobreviver, mas não é verdade. Está tudo na sua cabeça. Imagine só!

Abraços a todos.

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Corais branqueados. FOTO: J.E.N. Veron

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Se você quer entender melhor o que está acontecendo com os recifes de coral do mundo (e porque você deveria se preocupar com isso) leia esse artigo do pesquisador J.E.N. Veron (em inglês). Fantástico, assustador e muito bem explicado.

Os recifes de coral são as florestas tropicais dos oceanos. Eles servem de lar, berçário, restaurante e abrigo para a maior parte da biodiversidade marinha do planeta. E estão gravemente ameaçados pelas mudanças climáticas … mais até do que as florestas tropicais da superfície, pois não precisam ser derrubados ou fisicamente agredidos para perecer. Se as concentrações de CO2 na atmosfera continuarem a aumentar, e as temperaturas globais continuarem a subir, os recifes de coral sofrerão duras consequências nas próximas décadas, mesmo que ninguém encoste mais um dedo neles. Isso porque eles são afetados diretamente pela temperatura, pela radiação solar e pela química dos oceanos. Quando a temperatura aumenta demais, ocorre o branqueamento. Quando aumenta o CO2 na superfície, aumenta também debaixo dela … a água fica mais ácida e os esqueletos calcários dos corais começam a se desintegrar. É um processo químico, inevitável. Não precisa ninguém ir lá com uma motosserra para derrubá-los. Nem adianta colocar uma cerca em volta.

Então, se você se preocupa com a Amazônia, preocupe-se também com os recifes de coral. Eles são tão importantes e precisam de ajuda tanto quanto ela. Ou até mais.

Abraços a todos.

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11.dezembro.2010 21:04:47

POR HOJE É SÓ, PESSOAL

Gostaria de deixar aqui um grande abraço e um grande obrigado ao meu colega Carlos Orsi, que também mantinha um blog de ciência aqui no Grupo Estado, chamado “A ciência na sua vida”. Um super profissional e um super parceiro do bom jornalismo científico.

Carlitos, tiro meu chapéu para você e lamento sua saída. Seu conhecimento certamente fará muita falta na redação.

Grande abraço e boa sorte. Pode contar comigo para o que precisar.

Tchau!

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11.dezembro.2010 16:36:17

ANO CHAPA QUENTE

FOTO: James Balog/National Geographic — Água de degelo esculpiu um cânion de 45 metros de profundidade na Groenlândia.

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Uma notícia já um pouco fria (divulgada no início do mês), mas que pode estar relacionada ao problema do branqueamento dos corais que abordei dois posts atrás: o ano de 2010 deverá ser um dos 3 mais quentes dos últimos 160 anos, desde que as medições instrumentais de temperatura começaram a ser feitas. Talvez o mais quente já registrado … dependendo de como os termômetros se comportarem até o fim deste mês. A análise final deverá ser publicada no início de 2011 pela Organização Mundial de Meteorologia (WMO). Mais informações neste link.

Abraços a todos.

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NOTÍCIA: Fotógrafo mostra insetos como alienígenas

Sensacional! Já imaginou de onde os escritores e artistas da ficção científica tiram sua inspiração? Nem é preciso muita imaginação … basta olhar para a natureza com um pouco mais de atenção (e talvez uma lente de aumento) que há “monstros” espalhados por toda parte. Imagine se você fosse uma borboleta ou uma joaninha passeando pela floresta e esse louva-a-deus aparecesse na sua frente … gigantesco, com olhos enormes, uma boca cheia de pinças e braços longos e cheios de espetos … não consigo nem pensar em algo equivalente que seria tão amedrontador do ponto de vista de um ser humano. Talvez um tubarão-branco??

Acho que eu diria até o contrário … Não é o fotógrafo que está retratando os insetos como alienígenas. São os alienígenas que estão sendo retratados como insetos. Imagine só!

Abraços a todos.

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