





Correndo o risco de soar repetitivo, vou terminar a semana de trabalho com mais uma amostra de imagens magníficas do nosso universo … Algumas inéditas, divulgadas nas últimas semanas, outras clássicas, que fui buscar nos arquivos da Nasa e Cia.
A primeira é a menos bonita de todas mas, de longe, a mais impressionante. Cada ponto luminoso nessa imagem é uma galáxia inteira. Repito: não são estrelas, são GALÁXIAS! O que significa que dentro de cada um desses pontinhos luminosos há bilhões e bilhões de estrelas, ao redor das quais certamente orbitam bilhões e bilhões de planetas. A foto foi feita pelo nosso bom e velho guerreiro espacial, o telescópio Hubble. As galáxias mais “ao fundo” da imagem estão a mais de 13 bilhões de anos-luz de distância de nós. São os objetos mais distantes já fotografados.
A segunda imagem é da galáxia M74, que é parecida com a nossa própria galáxia, a Via Láctea. Cada pontinho luminoso na primeira foto, portanto, é algo parecido com isso.
Em seguida vem uma visão espetacular da nebulosa Doradus 30 e do agrupamento de estrelas R136, que ficam dentro da Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia vizinha da Via Láctea. Nebulosas são gigantescas nuvens de gás e poeira que servem como berçários de estrelas. Essas que aparecem superbrilhantes na imagem são gigantescas: muitas chegam a ter 100 vezes a massa do nosso Sol.
Mais abaixo, temos a ilustração de um exoplaneta parecido com a Terra, passando na frente de sua estrela, a “apenas” 40 anos-luz daqui (dentro da Via Láctea). O “planetinha” é rochoso e tem cerca de seis vezes a massa da Terra. Infelizmente ele está muito próximo de sua estrela, por isso a superfície é quente demais para sustentar vida (como a conhecemos). Mas é mais uma evidência de que planeta é o que não falta nesse universo …. A descoberta foi publicada quinta-feira na revista Nature.
A imagem seguinte, com a frase “Você Está Aqui”, é uma foto tirada pelo robô Spirit da superfície de Marte, em 2004. O pontinho quase invisível na ponta da seta é o planeta Terra (a bola azul e cheia de nuvens que aparece na foto final, tirada pelos astronautas da missão Apollo 17).
No fim das contas, nós seres humanos somos uma espécie entre milhões de espécies, que vivem em um planeta entre trilhões de planetas, que orbita uma estrela entre trilhões de estrelas, que faz parte de uma galáxia entre trilhões de galáxias que compõem o universo (o qual, há quem diga, pode ser também apenas um entre vários universos….. a conferir).
E a gente que se acha tão importante … Imagine só!

FONTE: http://www.climateshifts.org/
Por que devemos nos esforçar para combater o aquecimento global e as mudanças climáticas provocadas por ele (mesmo diante de uma probabilidade ínfima de que o problema não exista ou não seja tão grave quanto parece)?
Esse cartoon aí em cima responde tudo, na minha opinião….
Nosso planeta e nossa espécie só têm a ganhar com isso!
Vejamos as soluções necessárias:
– Reduzir a destruição das florestas tropicais. Ótimo!
– Substituir combustíveis fósseis (petróleo e carvão) por fontes de energia renováveis e limpas, como eólica, solar e biocombustíveis, que não só não emitem CO2 (ou muito menos) como uma série de outros poluentes e resíduos tóxicos. Sensacional!
– Melhorar a qualidade de vida nas cidades, com menos poluição, menos trânsito e mais transporte público de qualidade. Espetacular!
– Tornar a agropecuária mais produtiva, com mais alimento produzido em menos espaço. Só se for agora!
– Tornar os processos industriais mais eficientes e reduzir o desperdício de energia de uma forma geral. Já não era sem tempo!
– Acabar com essa paranoia de todo mundo achar que merece um padrão de vida igual ao dos americanos, com um carro gigante na porta de casa e uma garagem entulhada de bugigangas inúteis, alimentada pelo consumismo desenfreado. Chega né!
É uma pena que seja necessário o medo de uma catástrofe global para induzir essas ações, mas enfim … Se a gente conseguir mesmo afastar a ameaça das mudanças climáticas, o aquecimento global pode ter sido a melhor coisa que já aconteceu a esse planeta.
abraços a todos
FOTO: JB Neto/AE
Se alguém precisava de uma demonstração para entender qual pode ser o impacto das mudanças climáticas sobre São Paulo, basta olhar pela janela ou ligar a televisão para ver o caos em que a cidade se transformou hoje por causa da chuva.
Não há como dizer que essa chuva específica foi “causada” diretamente pelo aquecimento global. Mas ela é um exemplo perfeito daquilo que os modelos climáticos prevêem que é possível acontecer nos próximos anos e décadas, com o aumento da temperatura da atmosfera (associado ao desmatamento da Amazônia, que também influencia a quantidade e a frequência de chuvas que chegam até o Sudeste do interior do continente).
As previsões são de que a cidade de São Paulo vai ficar mais quente. Mas não é só isso. Não é algo que vai ser solucionado simplesmente com ar-condicionado, cerveja gelada e protetor solar. As previsões são também de que as chuvas vão ficar mais intensas e mais concentradas. Ou seja: no fim do mês ou no fim do ano, a quantidade de água que caiu do céu pode até ser a mesma de antes, só que em vez de chover pouco a pouco em 30 dias, chove tudo em 3.
Aí o rios transbordam, os morros desmoronam e assim por diante …. Como se pode perceber, não precisa chegar ao grau de calamidade dos filmes de Hollywood, com ondas gigantes engolindo Nova York e coisas desse tipo. Basta uma chuvinha mais concentrada do que o normal na cabeceira do Tietê e a cidade já afunda no caos, com rios de esgoto transbordando por todos os lados, pessoas morrendo soterradas, milhões de reais em mercadorias perdidas, tempo de trabalho perdido, etc.
Agora imagine isso acontecendo todo mês ou algo assim! Claro que São Paulo sempre teve chuvas fortes e enchentes. E continuará a ter com ou sem aquecimento global. Isso porque escolhemos construir nossa maior metrópole brasileira sobre uma área de mata atlântica, onde antes havia uma floresta úmida tropical – que precisava de muita chuva para sobreviver (veja meu post do dia 3, abaixo).
O aquecimento global só vai piorar uma situação que já não era boa para a vida na cidade. E isso não é pouca coisa.
FOTO: Reuters
Estou olhando para três televisões nesse momento, na redação do jornal. Todas elas estão transmitindo o sorteio dos grupos da Copa do Mundo, e todas estampam na tela a frase AO VIVO. Só que nenhuma mostra exatamente a mesma imagem! Cada uma tem um delay de 2 ou 3 segundos em relação à outra.
O que me faz perguntar: O que diabos quer dizer AO VIVO? Parece que estou vendo passado, presente e futuro ao mesmo tempo! Mas qual é qual?
Em dia de jogo de futebol também sempre tem gente nos prédios vizinhos gritando GOL antes mesmo do jogador na minha tela (também AO VIVO) chutar a bola …
Me faz lembrar também daquelas imagens do universo. Quando olhamos para uma estrela, uma nebulosa ou uma galáxia que está a X anos-luz de distância da Terra, isso significa que a luz daquele objeto levou X anos para chegar até nós. Ou seja: estamos olhando para o passado! Estamos vendo aquele objeto como ele era X anos atrás, quando a luz foi emitida, e não como ele é hoje (AO VIVO). Para ver como ele é hoje, teremos que olhar para ele daqui X anos, quando a luz que ele está emitindo agora tenha tipo tempo de chegar até nós.
Assim como, quando um jogador marca um gol no estádio, você tem de esperar alguns segundos para que o sinal da televisão chegue até o seu aparelho. De certa forma, estamos sempre assistindo ao passado … só que AO VIVO.
Imagine só!

Atualizando esse post em 2010:
Não é um tanto curioso (eu quase quero dizer ridículo) que a gente comemore a chegada do ano novo 12 horas depois dos australianos, japoneses e Cia.? Quando nós estouramos nossas champagnes aqui, os caras lá já beberam, gritaram, pularam, fizeram tudo o que tinham direito, foram dormir e talvez até já acordaram. Afinal, meia-noite aqui é meio-dia lá. Enquanto a gente jantava em 2009 eles já estavam almoçando em 2010.
É mais uma prova de que o tempo, como nós o utilizamos no nosso dia a dia, por meio de relógios e calendários, é totalmente relativo. Os australianos não estão vivendo no futuro e a gente, no passado…. estamos todos vivendo o mesmo presente. A única diferença é que lá a Terra já completou uma volta em torno de si mesma e aqui não, tomando o meridiano de Greenwich como ponto de partida. Se o meridiano (que marca a hora Zero e a longitude Zero do planeta) tivesse sido traçado sobre a Austrália e não sobre a Inglaterra seria o oposto. O Oriente seria o Ocidente e nós é que chegaríamos no ano novo antes deles.
abraços e feliz 2010 a todos
FOTO: Valéria Gonçalvez/AE — O tempo fechou para São Paulo
Nada como uma chuva forte para botar São Paulo de joelhos e nos lembrar de que tudo isso aqui um dia foi mata atlântica. Não faz muito tempo (míseros 500 anos), toda a região metropolitana de São Paulo era coberta de floresta tropical úmida … daquelas bem molhadas mesmo, sabe?
Em meio século de “desenvolvimento” nós arrancamos quase toda a cobertura vegetal nativa que tinha por aqui. Trocamos árvores por prédios, encapamos a terra com asfalto, canalizamos, poluímos e soterramos uma batelada de rios. A floresta foi embora, mas a atmosfera, infelizmente, não se deu conta disso. Continua mandando água aos montes lá de cima, como sempre fez, e vai continuar fazendo.
Para nossa infelicidade urbana, a maior parte da chuva que cai sobre São Paulo não é produzida localmente. Vem principalmente do oceano ou do interior do continente. Por isso, mesmo a gente tendo acabado com a mata atlântica local, continua a chover aqui como se fosse floresta. A diferença é que a água agora não tem mais terra para se infiltrar nem árvores para alimentar. Só tem asfalto, concreto e bueiros entupidos.
Resultado: uma selva de pedra debaixo d’água. Por que será?

FOTO: NASA/ESA
Para não terminar o dia num tom muito negativo, depois do meu desabafo político, aqui vai um pouquinho de ciência verdadeira, para cutucar a imaginação …
Essa é uma foto feita pelo telescópio espacial Hubble, divulgada ontem pela Agência Espacial Europeia (ESA). Ela mostra a nebulosa NGC 7023, iluminada ao fundo pela estrela HD 200775. (essas siglas são referências de catálogos astronômicos, tipo uma ficha de inscrição, então não se preocupe muito com elas…. é que são tantas coisas no espaço que não dá para batizar cada uma delas com um nome “de verdade”… seria inviável)
O que é uma nebulosa? É um nuvem de gás e poeira no espaço, literalmente.
Qual a graça de olhar para um nuvem de poeira no espaço? Pois bem … em primeiro lugar porque elas são muito bonitas (eu acho pelo menos). Em segundo lugar, porque é dentro dessas nuvens de poeira (dentre outras possibilidades) que são formadas estrelas. E é em volta das estrelas que são formados planetas. E é na superfície dos planetas que se pode formar vida … então, no fim das contas, se você olhar bem lá para o início, nós também somos feitos de poeira espacial.
Esses pontinhos vermelhos na foto são estrelas.
A NGC 7023 está a 1.400 anos-luz da Terra (distância de 1.400 anos viajando à velocidade da luz) e tem 6 anos-luz de “largura”. Ou seja, se você tivesse uma nave espacial que viajasse à velocidade da luz, ainda assim levaria 6 anos para atravessá-la de ponta a ponta. Imagine só!
abraços a todos
Isso não tem nada a ver com ciência, mas não consigo deixar de expressar minha indignação …
O mau caratismo e a falta de vergonha na cara dos políticos brasileiros é simplesmente impressionante! Alguém precisa fazer um estudo genético com esses caras para saber de onde é que eles tiram tanta cara de pau …
Corrupção e ganância existem em qualquer lugar do mundo. Não tem jeito. Mas em países mais “desenvolvidos”, pelo menos, quando um corrupto é desmascarado, ele tem a mínima cara de pau de pedir demissão, de se afastar do cargo ou coisa desse tipo. Mesmo quando o cara se diz inocente, ele se recolhe e deixa a Justiça trabalhar. Ou então é demitido, ou é afastado do cargo à força.
No Brasil, não. Os políticos aqui são tão malandros, mas tão malandros, que mesmo quando aparece um vídeo com eles enfiando a propina na cueca, os caras ainda acham que vão conseguir se livrar na lábia. E nós, cidadãos honestos (alguns mais do que outros, mas vá lá), que temos nosso dinheirinho suado roubado via impostos por esses malandros todos os meses, somos obrigados a ouvir coisas do tipo “era para comprar panetones”, ou “botei o dinheiro na cueca porque não uso pasta, por segurança”… Ah, meu amigo, me poupe. Tenha a mínima dignidade e o mínimo de respeito de ficar calado.
E o Sarney então? Depois de todas as revelações da imprensa sobre atos secretos, nepotismo etc, o senhor presidente do Senado nem se deu ao trabalho de provar sua inocência. Simplesmente disse: Não deixo o cargo, daqui ninguém me tira, e pronto … ficou por isso mesmo. Tá lá até hoje.
Se bem que os eleitores também têm culpa. Afinal, quem não se lembra do governador Arruda no escândalo do painel eletrônico do Senado? Quando foi acusado de participar da manipulação, ele, como todo bom político, foi ao microfone e fez um discurso indignado, com o dedo em riste, falando alto, dizendo como é que alguém poderia acusá-lo de algo tão horrendo. Dois dias depois o mesmo Arruda estava aos prantos, no mesmo microfone, dizendo-se arrependido do seu “deslize” ético e moral. Coitadinho dele. Abandonou o mandato para não ser cassado.
Seria lógico imaginar que a carreira política do sujeito estaria encerrada. Mas não. Virou governador do Distrito Federal. Deu no que deu. Coitadinhos de nós. A memória do eleitor é curta demais para gerenciar tanta falcatrua.
A influência do ambiente político deve induzir alguma mutação no DNA que inibe o senso ético das pessoas. Só pode ser isso. Tem de ser isso! Se alguém tiver alguma outra explicação científica, por favor apresente …
Abraços a todos.
FOTO: Eduardo Nicolau/AE
Poucos temas em ciência podem ser chamados de tabu.
A existência de raças humanas é um deles.
Pois é justamente sobre isso que vou escrever hoje, na semana em que se comemora o aniversário de 150 anos da publicação de A Origem das Espécies, por Charles Darwin (em 24 de novembro de 1859).
Imagine só: Há mais de 6 bilhões de pessoas vivendo sobre o planeta hoje, e nenhuma delas é igual a outra. Ao mesmo tempo, porém, somos todos muito parecidos. Somos todos seres humanos, todos membros de uma mesma espécie, Homo sapiens, não importa o quão diferentes possamos parecer do lado de fora. Brancos, negros, amarelos, baixinhos, gordinhos, altos, magros, loiras, morenas … não importa. As diferenças são puramente superficiais. Por dentro, em nossa estrutura óssea, nossos órgãos vitais, nossas células e nosso DNA, somos todos, inegavelmente, Homo sapiens.
Dito isso, onde é que entra a tal discussão das raças?
Pois então … por mais que as diferenças sejam superficiais, não há como negar que elas existem. (Ainda bem! Já pensou se todo mundo fosse igual? Seria uma chatice.)
Mas qual é a importância dessas diferenças? Vale a pena prestar atenção nelas, do ponto de vista científico?
Imagine, por exemplo, se um biólogo alienígena descesse à Terra para coletar alguns exemplares da espécie humana e levá-los de volta para o seu zoológico em outro planeta. Que tipo de pessoa ele deveria coletar? Quem seria o melhor representante da espécie humana? A Gisele Bundchen? A Taís Araújo? O Shaquille O’neal? O Ronaldinho Gaúcho? O Kaká? Um pigmeu africano? Um aborígene australiano? Um índio da Amazônia? Um corredor de maratona? Ou um lutador de sumô?
A resposta certa é: Qualquer um serve! Qualquer um deles é tão Homo sapiens quanto o outro. Essa é uma das maravilhas da nossa espécie: a diversidade.
Para entender isso é preciso uma rápida revisão (super resumida) sobre genética evolutiva, seleção natural e migrações humanas.
Capítulo 1: A espécie Homo sapiens se desenvolve na África, cerca de 200 mil anos atrás. No início somos todos negros, porque a pele escura proporciona melhor proteção contra a radiação solar e aumenta a chance de sobrevivência dos indivíduos com mais melanina (naquela época ainda não tinha Coppertone).
Capítulo 2: A população da espécie aumenta e grupos de Homo sapiens começam a migrar para outros continentes. À medida que mudam as condições ambientais, mudam também as características que são selecionadas pela seleção natural. Na Europa, por exemplo, onde a exposição à radiação solar é muito mais limitada do que na África, a pele escura deixa de ser vantajosa. Os indivíduos com maior chance de sobrevivência são aqueles de pele mais clara, que conseguem aproveitar melhor a luz do sol disponível para produção de vitamina D e outras coisas essenciais ao organismo.
Capítulo 3: Milhares de anos de adaptação a diferentes condições ambientais em diferentes regiões do planeta dá origem a diversos “tipos” (raças?) de Homo sapiens, que são o que hoje chamamos de brancos, negros, amarelos, etc.
Ok … então qual é o grande problema em falar em raças humanas? Os cachorros e os gatos domésticos também são todos membros de uma mesma espécie (Canis lupus familiaris e Felis catus, respectivamente) e não temos o menor problema em classificá-los em raças.
O problema principal nos humanos é que essa palavra tem uma bagagem social muito forte. Uma bagagem “racista”, para ser mais exato. Tão pesada que é quase impossível falar na existência de raças sem ser acusado de racista. Infelizmente, sempre vai ter alguém que vai tentar usar essas diferenças superficiais para dizer que uma raça é melhor do que a outra (como já foi feito várias vezes no passado, com resultados desastrosos).
Algo que, como eu tentei mostrar no início deste texto, não faz o menor sentido.
Quando leio sobre isso e converso com cientistas sobre o assunto, percebo três linhas de pensamento: Há aqueles que acham que não existem raças (porque as diferenças são tão supérfluas que não faz sentido cientificamente essa classificação). Há aqueles que acham que existem raças e que essas diferenças devem ser estudadas para fins “pacíficos”, digamos assim (para saber, por exemplo, se determinadas raças têm propensões diferentes a doenças e respondem de forma diferente a tratamentos específicos). E há aqueles que acham que existem raças, mas melhor deixar isso quieto porque só serve para criar confusão. É aí que a coisa virou tabu.
Um ponto de vista que me parece bem razoável, que ouvi recentemente de um pesquisador, é que já existiram raças, sim, mas que elas desapareceram (ou estão desaparecendo) pela miscigenação crescente das culturas e das populações mundiais.
Veja o caso do Brasil! Aqui não faz o menor sentido falar em raças. O brasileiro é uma mistura de tudo. De branco, de negro, de índio, de amarelo, de português, de espanhol, de africano, de holandês, de alemão, de italiano, de árabe, de judeu e por aí vai … Somos todos um bando de vira-latas raciais e culturais! Com muito orgulho! (pelo menos da minha parte)
Pensando bem, talvez o brasileiro seja o melhor espécime de zoológico para o nosso biólogo alienígena…. Alguém se habilita?
Abraços a todos, e desculpem pelo post tão longo.

FOTO: EDUARDO NICOLAU/AE
Imagine só: Neste exato momento, seu corpo está sendo atravessado por um incontável número de conversas telefônicas, programas de televisão, transmissões de rádio, mensagens de email, downloads de internet, filmes, músicas e por aí vai.
No mundo da comunicação sem fio é assim que funciona. Imagine, por exemplo, que você está caminhando pela Avenida Paulista lotada, na hora do almoço. Digamos que metade das pessoas em volta de você, nas calçadas, dentro dos prédios e dos carros, tem um aparelho celular ligado no bolso ou na bolsa.
Todos esses celulares estão emitindo sinais de rádio para se manterem conectados à rede telefônica. Quando alguém fala ao telefone, a conversa é transformada pelo aparelho em uma onda eletromagnética, que é transmitida pelo ar em todas as direções. O celular não sabe onde está a torre e manda um sinal linear especificamente na direção dela! A conversa flui para todos os lados, como uma onda num lago, até atingir a antena mais próxima e ser retransmitida para outra antena, outra antena, e assim por diante, até chegar ao telefone da pessoa do outro lado da linha. Todo mundo que estiver no caminho desse sinal será atravessado por ele.
Agora imagine milhares de pessoas falando ao telefone ao mesmo tempo ao seu redor. Some a isso os sinais de TV e rádio, que também estão sendo transmitidos pelo ar, e todos os sinais de internet wireless, cada vez mais comuns, e imagine quantas ondas de informações eletromagnética estão atravessando seu corpo num momento qualquer. Especialmente na Avenida Paulista, com aquelas antenas enormes espalhadas por todos os lados.
Mas não apenas lá, é claro…. No meu apartamento, por exemplo, meu laptop detecta mais de dez redes de internet wireless. São sinais dos apartamentos vizinhos, que atravessam várias camadas de paredes e móveis para chegar até mim. Eu não consigo usá-los para navegar na internet porque o acesso é protegido por senhas, mas os sinais estão passando pelo meu apartamento e pelo meu corpo de qualquer maneira. Quando meu vizinho faz o download ou upload de um filme, envia ou recebe um email via wireless, essas informações também são lançadas no ar em todas as direções, como no caso do telefone celular.
Aliás, falando em atravessar paredes … Muita gente acha que o telefone celular pode fazer mal à saúde. Um amigo meu me disse outro dia: “Se esse negócio atravessa uma parede de concreto, imagine o que não faz com as células do meu corpo”. Por isso ele nunca coloca o telefone na orelha. Só conversa via fone de ouvido e também nunca deixa o aparelho no bolso da calça, muito junto ao corpo. Só por precaução.
Pois bem, que o sinal de rádio do telefone atravessa nosso corpo e interage com nossas células, não há dúvida. A dúvida é se isso pode causar algum problema de saúde. Por exemplo, talvez, interferindo com o processo de divisão celular e induzindo a pequenos “erros” (mutações) na duplicação do DNA de uma célula para outra. Pequenos erros que, em casos extremos, poderiam induzir a formação de um tumor ou algo assim …
Vários estudos já foram feitos para investigar os possíveis efeitos nocivos do celular e, até onde eu sei, nada nunca foi provado. Alguns sugerem que pode haver problema, outros garantem que não. Dizem que a frequência do sinal é baixa demais para interferir com os processos biológicos.
Infelizmente não tenho uma reposta definitiva sobre o assunto. A polêmica está aí para ser resolvida. E com licença que meu celular está tocando….
Abraços (digitais e sem fio) a todos.

FOTO: SERGIO NEVES/AGÊNCIA ESTADO
Imagine só: Entre 70% e 80% das emissões globais de gases do efeito estufa vêm de áreas urbanas. Ou seja, das cidades, como resultado da queima de combustíveis fósseis na indústria e no setor de transportes, principalmente. Entretanto, os governos municipais não têm tipicamente uma participação muito forte no processo de combate às mudanças climáticas. Deveriam!
Vejam, por exemplo, o caso da Região Metropolitana de São Paulo: nela vivem 22 milhões de pessoas, mais ou menos. Isso é mais do que quatro vezes a população da Dinamarca, país onde acontecerá a tão aguardada conferência sobre mudanças climáticas da ONU no mês que vem (a COP 15).
Quem me disse isso foi o prefeito de Copenhague, Klaus Bondam, que está em Barcelona participando da última reunião preparatória antes da conferência. Talvez os prefeitos da Região Metropolitana de São Paulo deveriam estar aqui também!
Quem sabe no mês que vem, em Copenhague….. Segundo Bondam, haverá um cúpula simultânea lá com os prefeitos das 40 maiores cidades do mundo (incluindo São Paulo) para discutir como elas podem contribuir para o combate ao aquecimento global (e também se preparar para as consequências dele, levando-se em conta que o problema não será resolvido tão cedo).
“Cada um de nós é bom em alguma coisa. Será uma importante oportunidade para trocarmos ideias”, disse ele. Copenhague tem 0,5 milhão de habitantes e metade deles usam bicicletas como o principal meio de transporte, “incluindo o prefeito”. “As cidades pequenas podem ser um laboratório de soluções para as cidades grandes”, disse Bondam.
Estudos sobre o impacto das mudanças climáticas no ambiente urbano ainda são escassos no Brasil. Mas aqueles que já foram feitos não são muito animadores. A previsão dos cientistas é que todos os problemas ambientais que já comprometem a qualidade de vida nas cidades serão exacerbados. Ilhas de calor, inversões térmicas, concentração de poluentes, enchentes, estiagens, tempestades, desmoronamentos …. só coisa boa.
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