Minha mais recente reportagem especial, publicada no último domingo (6 de maio) no Estadão. Mais um triste relato de como a Mata Atlântica virou fumaça, literalmente. Numa escala bem maior do que tudo que já foi destruído na Amazônia.
Os textos podem ser lidos aqui:
72% das emissões históricas do País vieram da Mata Atlântica e do Cerrado
Área desmatada no Cerrado crescerá 20%
Minha mais recente reportagem especial, publicada na edição deste domingo (29) do Estadão.
Os textos estão disponíveis nestes links:
Jovens brasileiros conciliam bem ciência e religião
Biólogos querem reforçar ensino da evolução
Imagem comemorativa do aniversário de 22 anos do telescópio espacial Hubble, divulgada ontem pela Nasa/ESA.
Ela mostra a nebulosa 30 Doradus, a mais brilhante região de formação de estrelas na nossa vizinhança, onde vivem as “maiores” (mais massivas) estrelas conhecidas, a 17 mil anos-luz da Terra.
Simplesmente lindo!
Copio abaixo trechos de uma ótima entrevista publicada pela Agência Fapesp com o editor de ciência do jornal Financial Times, Clive Cookson. Ele faz colocações muito relevantes e corretas na minha opinião, de interesse tanto para jornalistas de ciência quanto para os cientistas que eles entrevistam. Recomendo a leitura, tomando a liberdade de excluir algumas perguntas e ressaltar em azul algumas informações que considerei as mais interessantes. (a íntegra da entrevista pode ser lida neste link)
.
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – Editor de Ciência do Financial Times há duas décadas, o jornalista britânico Clive Cookson acredita que os temas científicos têm se tornado mais familiares e mais valorizados para o público, graças a uma cobertura jornalística que se revela pouco a pouco mais profunda e mais precisa que no passado.
Essa transformação, de acordo com Cookson, deve-se em parte às novas tecnologias que facilitaram o trabalho do jornalista nos últimos anos. Mas, segundo ele, a principal razão para que o noticiário de ciência ganhasse mais qualidade está em uma mudança de atitude dos próprios cientistas, que perceberam a importância da comunicação.
Cookson, que atua há mais de 30 anos na cobertura dos temas de ciência e tecnologia, em diversos países e diferentes veículos e contextos, participou nesta segunda-feira (16/4) do seminário “Ciência na Mídia”, promovido pela FAPESP na sede da Fundação, em São Paulo.
O evento teve o objetivo de estimular a reflexão, por parte de todos os envolvidos na produção e divulgação científicas, sobre as maneiras de propiciar um espaço para a troca de conhecimentos e a proposição de novos modos de pensar a divulgação desses temas na sociedade. Em entrevista exclusiva à Agência FAPESP, Cookson comentou esses temas.
(…)
Agência FAPESP – No Brasil os jornalistas de ciência, com frequência, têm formação em jornalismo, mas não uma formação científica. Qual é a característica dos divulgadores na Inglaterra?
Clive Cookson– Na Inglaterra há uma mistura. A maior parte dos jornalistas de ciência tem uma formação em ciência. Eu, por exemplo, sou formado em química. Mas há outros ótimos jornalistas de ciência que têm seu background em artes ou humanidades e depois começaram a trabalhar com ciência e foram excepcionalmente atraídos pela área. Acho que há prós e contras em ambos os casos.
Agência FAPESP – Em uma situação hipotética: se o senhor tivesse que contratar um repórter, iria preferir um indivíduo com uma formação científica, que escreve bem, mas não tem nenhuma experiência prévia em jornalismo, ou alguém que é um jornalista capaz e talentoso, mas sem qualquer envolvimento com ciência, nem experiência em jornalismo científico?
Clive Cookson– Se eu estivesse contatando essa pessoa para um trabalho de reportagem de ciências em um jornal, por exemplo, não hesitaria: escolheria o jornalista que tem experiência em reportagem, em vez de escolher o cientista. Acho que a capacidade para ser um bom jornalista é de fato o mais importante. Não adianta ser um bom cientista que escreve corretamente. Porque a ciência realmente requer um texto diferente, vívido. Prefiro um excelente jornalista que um excelente cientista para fazer isso.
Agência FAPESP – Os jornalistas procuram fazer a ciência mais atraente para o público. Ao mesmo tempo, tendem a mostrar exclusivamente os resultados de sucesso, deixando em segundo plano o processo de produção da ciência. Com isso não se corre o risco de mistificar a ciência junto ao público?
Clive Cookson– Tem toda razão, esse é um problema absolutamente fundamental na relação entre jornalismo e ciência. No noticiário não há tempo nem espaço para descrever todos os passos da produção da ciência, mostrando ao público que não se trata de mágica, mas de um processo difícil, pontuado de dificuldades e fracassos momentâneos. O que deixa essa situação pior é que mesmo que você privilegie as pesquisas de qualidade, publicadas em revistas de prestígio, os artigos científicos também não lhe darão pistas sobre o processo de como a ciência funciona. Você só conseguiria dar ao público uma educação científica se fosse possível acompanhar o trabalho por meses a fio no laboratório. Geralmente isso é impossível.
Agência FAPESP – Além disso os insucessos raramente são publicados, não é?
Clive Cookson– Sim, essa é outra questão. A publicação, em particular na área de saúde, normalmente descreve apenas os resultados positivos. Os resultados negativos quase nunca têm espaço em publicações. É preciso estar atento a isso para não dar uma falsa impressão de que a ciência é feita só de acertos.
Agência FAPESP – Muita gente vê os repórteres de ciência como tradutores de uma linguagem especializada para a linguagem do senso comum. O que o senhor acha dessa noção?
Clive Cookson– Parte do que fazemos pode ser visto como uma espécie de tradução, mas espero que nosso trabalho seja algo mais criativo e complexo que isso. Acho que os jornalistas são capazes de colocar novas maneiras de se olhar para a ciência que os próprios cientistas não poderiam proporcionar. É algo mais que simplesmente traduzir. Podemos gerar imagens, comparações, que os cientistas não conceberiam. Não se trata apenas de questão de simplificar uma linguagem, mas de fornecer uma interpretação nova de ideias, contextos e visões. E, mesmo no campo da linguagem, acho que esse trabalho extrapola a simples tradução: devemos ser autores capazes de tornar o conhecimento mais vívido, mais interessante para o público.
Agência FAPESP – Como foi sua trajetória? Por que se interessou por ciência?
Clive Cookson– Sempre me interessei por ciência e me formei em Química em Oxford. Mas dois fatos mudaram minha trajetória. Um deles é que notei que o jornalismo científico na Inglaterra não era bom. Ao mesmo tempo, percebi que eu não seria brilhante o suficiente para fazer um bom doutorado em química. Eu sabia que se não fosse tão brilhante, um doutorado em química poderia se transformar em algo não muito criativo, uma espécie de trabalho braçal para um orientador. Eu sabia que não era na verdade bom o suficiente para me tornar um grande cientista. Mas percebi que poderia escrever bem sobre ciência.
Mais uma reportagem especial, publicada no domingo passado no Estadão.
Passei 7 dias no mar, acompanhando uma expedição organizada pela ONG Conservação Internacional, para documentar alguns dos ecossistemas marinhos que existem fora dos limites de proteção do Parque Nacional Marinhos dos Abrolhos. Fizemos quase 20 mergulhos, vários deles bem difíceis, com forte correnteza e visibilidade limitada, e de profundidade, abaixo de 30 metros. Mas foram certamente alguns dos mergulhos mais bacanas da minha vida, por causa do contexto: lugares quase que totalmente desconhecidos, descobertos só nos últimos anos, e mergulhados apenas por algumas poucas pessoas até agora. Lugares perfeitos para um jornalista com espírito de explorador.
Os textos podem ser lidos aqui:
Um mergulho nos recifes ‘invisíveis’ de Abrolhos
Governo quer levar proposta à Rio+20
Algas calcárias abrigam vida no fundo do mar
Turismo local está em decadência
Abraços a todos.
Considero essa uma das matérias mais bacanas que já fiz. Publicada 3 semanas atrás no Estadão (para vocês verem como eu estou atrasado na atualização do blog).
A reportagem foi produzida ao longo de uma semana na região do Parque Estadual da Serra do Mar, onde eu e o repórter fotográfico Tiago Queiroz acompanhamos os trabalhos de campo de duas biólogas do Laboratório de Herpetologia da Unesp-Rio Claro: Thaís Condez e Eliziane de Oliveira, alunas do professor Célio Haddad. Fomos atrás desses sapinhos coloridos chamados Brachycephalus, e acabamos esbarrando em uma outra história muito interessante também, sobre onças-pintadas. Além de outras que eu preciso voltar lá para apurar melhor …
Os textos estão disponíveis aqui:
Em busca dos sapos-miniatura no topo da Mata Atlântica
Aquecimento pode encurralar bichos
‘Voltou tudo, só falta a onça-pintada’
Abraços a todos.
Caros amigos leitores,
Sinto muito não ter atualizado o blog nas últimas duas semanas. Na primeira eu estava viajando, sem internet, e na outra eu estava ocupado demais escrevendo a reportagem sobre o que aconteceu na primeira. (assim que a reportagem sair eu posto aqui)
Semana que vem estarei fora de contato de novo, então já peço desculpas mais uma vez antecipadamente.
Abraços a todos, e até a volta.
Herton
Em 2009 tive uma oportunidade de viajar como jornalista para a Estação Antártica Comandante Ferraz. Meu nome já estava na lista, aprovado pela Marinha, mas tive de desistir da viagem na última hora, por motivos pessoais. Fiz isso com a confiança de que uma nova oportunidade surgiria nos próximos anos … Afinal, a Estação não iria desaparecer da noite para o dia, certo? Pois é … desapareceu. Queimou. Acabou. E agora vou para sempre lamentar não ter conhecido essa joia preciosa da ciência brasileira, que infelizmente nunca foi tão valorizada como deveria — a não ser por aqueles que viviam e trabalhavam nela, como mostra esse belíssimo vídeo produzido por um aluno da USP. Apesar de nunca ter conhecido a base, dá para sentir nas imagens a camaradagem entre os habitantes da Estação. Uma camaradagem familiar para aqueles que se aventuram por lugares inóspitos, onde diferenças de raça, cor ou classe social desaparecem quase que instantaneamente, ao primeiro sopro de vento gelado ou o primeiro escorregão à beira de um precipício; onde todo mundo se ajuda, todo mundo trabalha, todo mundo se protege.
A maioria dos brasileiros certamente nem sabia que essa base existia. Agora, a maioria sabe que ela não existe mais. Infelizmente, é muitas vezes na desgraça que as boas notícias se propagam. Que isso sirva de lição, para que a nova Ferraz seja reconstruída e renasça das cinzas mais forte, mas bonita, mais segura e ainda mais produtiva. Essa, eu faço questão de conhecer.
Abraços a todos. Meus pêsames e meus parabéns a todos os cientistas e militares de Ferraz.
Há anos eu escrevo reportagens sobre estudos que alertam para a destruição que o homem está causando nos oceanos. A mais recente delas, publicada no domingo passado, falava sobre um aparente colapso das atividades de pesca marinha no Estado de São Paulo (leia abaixo). Algo que, segundo os especialistas, é um sintoma local de um problema mundial, associado ao colapso dos estoques pesqueiros e à degradação dos ecossistemas marinhos de uma forma geral, no planeta inteiro.
Agora, temos a notícia de que o novo ministro da Pesca e Aquicultura do Brasil é um bispo evangélico, o senador Marcelo Crivella, sem qualquer experiência na área, escolhido para o cargo por questões exclusivamente políticas.
Que desgosto …
Como é que vamos um dia resolver os problemas deste país se as pessoas encarregadas de resolver esses problemas não são capazes nem de entendê-los de maneira minimamente qualificada? Imagine o novo ministro lendo um relatório técnico sobre a necessidade de instituir defesos ou moratórias de pesca, baseado em características biológicas e interações ecológicas de determinadas espécies no ecossistema marinho … coisas assim. Por mais que ele tenha assessores com qualificações técnicas em seu gabinete, ele é o cara responsável em última instância por tomar as decisões e assinar os documentos. Seria o mesmo que pedir que eu assinasse um diagnóstico médico e recomendasse um tratamento adequado para um paciente. Por mais que eu tenha médicos qualificados me assessorando, eu não sou médico! Sou jornalista! Não sou qualificado para assinar diagnóstico nenhum! Muito menos recomendar tratamento.
Realmente lamentável. Pode perceber que nenhuma das reportagens publicadas sobre o assunto fala qualquer coisa sobre pesca. Absolutamente nada. Só sobre política.
Mas também … vai perguntar o que sobre pesca para um bispo evangélico? “Não sei colocar minhoca no anzol”, reconheceu Crivalla em entrevista à Rádio Estadão ESPN.
(NOTA: Quero deixar claro que não estou mencionando o fato de o novo ministro ser bispo evangélico como algo pejorativo. Ele poderia ser católico, muçulmano, budista, ateu ou seja lá o que for … Poderia ser médico, engenheiro ou pedreiro. O problema é que ele não entende nada de pesca e aquicultura. Ponto.)
Vejam só o que aconteceu com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) nos últimos anos. Durante a gestão do físico Sergio Rezende, o setor prosperou. Os cientistas, professores e empresários do setor podiam falar de igual para igual com o ministro, porque ele entendia do assunto! Ele fazia parte do sistema. Aí botaram o Mercadante e … enfim. Mais recentemente, o político Mercadante foi trocado pelo matemático Marco Antonio Raupp. O fato de Raupp ser cientista não significa que ele será um bom ministro, de maneira alguma. Mas pelo menos ele tem um currículo compatível com seu cargo.
Coitados dos peixes. Coitados de nós.
O senador Cristovam Buarque disse: “O governo resolveu pôr na Pesca um pescador de almas, que ainda vai andar sobre as águas”. Só não entendi se ele estava elogiando ou sendo sarcástico. Vou perguntar ao Sheldon, do The Big Bang Theory, que entende de sarcasmo. Comédia por comédia, prefiro na televisão.
Digo tudo isso com muito respeito ao senador e novo ministro, Sr. Marcelo Crivella. Não o conheço. Talvez ele seja um homem muito inteligente, justo, e que fará uma ótima gestão, obrigando-me a morder a língua no futuro. Tomara! O problema não é ele, é o sistema político que o colocou lá.
Com vocês, o fóssil de uma pulga “gigante” que chupava sangue de dinossauros peludos entre 125 e 165 milhões de anos atrás, segundo um estudo publicado na revista Nature. É um de nove espécimes coletados na China, com tamanhos que variam entre 1,4 e 2,0 cm para fêmeas e 0,8 e 1,5 cm, para machos. Ou seja: “gigantes”, se comparados às pulgas atuais.
A morfologia alongada e robusta de suas bocas sugere que essas pulgas eram inicialmente parasitas de animais peludos “reptilianos” (talvez dinossauros plumados que existiam na mesma época), de pele grossa, e que só mais tarde passaram a chupar sangue de mamíferos e aves. Imagine só!
2012
2011
2010
2009