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Herton Escobar

13.fevereiro.2012 16:45:11

A FÍSICA TEÓRICA, NA PRÁTICA

Albert Einstein. Stephen Hawking. Richard Feynman.

Você já deve ter ouvido algum desses nomes por aí (no mínimo o do Einstein) e não precisa ser capaz de explicar o que cada um deles fez como cientista para saber que são (ou foram) pessoas importantes, que descobriram coisas superinteressantes e relevantes. Afinal, honestamente: Quantas pessoas sabem de verdade o que é a relatividade geral? Ou entendem o conceito de espaço-tempo? Ou sabem explicar o que significa a equação E=mc²? Certamente apenas uma minoria da população (que estudou física na faculdade). Mas a maioria sabe que foi Einstein quem “inventou” essas coisas. E que essas coisas são revolucionárias … produtos de uma mente brilhante.

Essa talvez seja a melhor maneira de explicar a importância da física teórica, sem precisar explicar os resultados produzidos por ela. Uma ciência supercomplexa, que beira às vezes a filosofia, e que quase ninguém fora os próprios físicos teóricos é capaz de entender, mas que todo mundo admira. Uma ciência cujo objetivo central é elucidar algumas das questões mais fundamentais da nossa existência: Como surgiu o Universo? Qual será o futuro do Universo? Qual é a estrutura da matéria (incluindo aquela da qual os nossos corpos são feitos)? Perguntas que não têm necessariamente nenhuma aplicação prática nas nossa vidas, mas para as quais todos nós gostaríamos de saber as respostas. Nem que seja por pura curiosidade.

“As pesquisas fundamentais que mudam a maneira como entendemos o mundo nascem da curiosidade, e não de objetivos direcionados”, disse o físico teórico Peter Goddard, diretor do renomado Instituto de Estudos Avançados de Princeton, que esteve semana passada em São Paulo para a inauguração do Instituto Sul-Americano de Pesquisa Fundamental (ICTP-SAIFR), no Instituto de Física Teórica (IFT) da Unesp.

Eu tive o prazer de passar várias horas no IFT na semana passada, preparando uma reportagem especial sobre o projeto do ICTP-SAIFR (uma sigla terrível, tenho de reconhecer) e sobre a física teórica em geral. Afinal, não há como entender a importância de um instituto se você não entende o que vai se fazer lá dentro para começo de conversa! O resultado, publicado ontem no Estadão, vocês podem conferir na imagem acima e nos links: Missão: descrever as leis da natureza, LHC fecha o cerco sobre o bóson de Higgs, mais este infográfico sobre Cosmologia e Física de Partículas.

Abraços a todos.

PDF da reportagem: Estado-FisicaTeorica

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O Brasil já é o segundo país que mais planta transgênicos no mundo (30 milhões de hectares), atrás apenas dos Estados Unidos (69 milhões de hectares), de acordo com o último relatório do ISAAA, divulgado na semana passada.

É uma notícia que pode ser interpretada de diversas maneiras. Com orgulho e satisfação por um grande número de agricultores e cientistas que confiam na biotecnologia molecular como uma ferramenta importante para o aumento da produtividade e a redução dos impactos ambientais da agricultura. Com vergonha e descontentamento por um grande número de ambientalistas, que desconfiam dos transgênicos como algo nocivo ao meio ambiente e às práticas tradicionais da agricultura orgânica e familiar. Com dúvidas e suspeitas pela maioria dos consumidores, que de fato não entende o que é um alimento transgênico, mas, bombardeada com mensagens de terror ao longo dos anos, tende a ver a tecnologia como algo aparentemente perigoso. “Será que estou comendo transgênicos?” Pode ter certeza que sim. “Será que isso vai fazer mal à minha saúde ou ao meio ambiente?” Praticamente todas as evidências científicas indicam que não.

Há muitas razões ideológicas para ser contra os transgênicos. Do ponto de vista científico e econômico, porém, está cada vez mais difícil elaborar um argumento convincente contra eles.

Vamos a alguns fatos …

Os transgênicos atualmente no mercado são alimentos que foram geneticamente modificados para serem resistentes a pragas ou pesticidas específicos. Dito isso, atenção: praticamente tudo que você come é geneticamente modificado, no sentido de que são plantas e animais profundamente modificados de suas formas originais da natureza, ao longo de séculos (ou até milênios) de cruzamento e seleção. São “produtos” inventados pelo homem. Aquela espiga de milho amarelo e suculento que você compra no supermercado, por exemplo, não existe na natureza (o milho selvagem original é um capim que você jamais reconheceria como “milho”). O mesmo vale para o arroz, o feijão, a laranja, a uva, a vaca, a galinha, o porco, e assim por diante. Tudo profundamente modificado pelo homem desde a invenção da agricultura. A soja, por acaso, nem é nativa das Américas, muito menos do quente Cerrado brasileiro. É uma planta nativa de clima temperado na Ásia, trazida para cá, modificada, melhorada e adaptada ao longo de várias décadas de pesquisa pela Embrapa. Não existe soja “natural” no Brasil.

A diferença dos transgênicos atuais é que eles foram modificados com a inserção de genes extraídos de bactérias, e não de plantas (um cruzamento tecnológico que não ocorre normalmente na natureza). A soja RR, por exemplo, tem o gene de uma bactéria que a torna resistente ao herbicida glifosato. O gene “ordena” a síntese de uma proteína, que é sintetizada pelas células e circula pelo organismo da planta, “imunizando-a” contra os efeitos do herbicida. Assim, o glifosato pode ser aplicado sobre toda a lavoura, aniquilando as ervas daninhas, porém sem prejuízo para a soja. A ideia, com isso, é facilitar o manejo da plantação e reduzir a quantidade de pesticidas aplicados sobre a lavoura.

Já o algodão Bt tem o gene de uma bactéria que o torna resistente ao ataque de lagartas. O gene codifica uma proteína que é tóxica para o inseto, que morre ao se alimentar da planta.

Parece assustador, não é? Mas tanto os genes quanto as proteínas em questão são absolutamente inofensivas para os seres humanos. A bactéria Bt, por exemplo, é extremamente comum na natureza e você certamente já comeu milhões delas inteiras na sua vida sem qualquer problema. Tanto que ela é usada como pesticida natural em plantações orgânicas. A diferença no transgênico é que a planta produz a própria “vacina” internamente, em vez de a vacina ser aplicada sobre ela.

Estas e outras plantas transgênicas semelhantes já são plantadas e consumidas por seres humanos em larga escala há cerca de 15 anos, sem qualquer problema (de saúde ou ambiental), em vários países, com aprovação de todas as agências reguladoras necessárias.

Do ponto de vista da saúde humana, simplesmente não há lógica científica para preocupação. Do ponto de vista ambiental, os riscos (por exemplo, desenvolvimento de ervas daninhas ou insetos resistentes) não são exclusivos dos transgênicos – são riscos inerentes à agricultura, que sempre existiram, e que podem ser manejados sem maiores segredos.  Do ponto de vista econômico e comercial, basta dizer que os agricultores brasileiros, americanos, argentinos, etc, não são idiotas. Eles não estão plantando transgênicos por obrigação ou por falta de alternativa. Estão plantando porque querem.

O argumento das campanhas antitransgênicos sempre foi o de que “precisamos de mais testes para ter certeza”. Mas a verdadeira intenção sempre foi proibir os transgênicos e ponto final.

É normal novas tecnologias serem recebidas com receio pela sociedade, especialmente quando elas mexem com coisas “sagradas” como os alimentos ou a reprodução humana. Quando a fertilização in vitro foi inventada, muitos interpretaram isso como algo absurdo … até pecaminoso. Imagine só, produzir um embrião humano “de proveta”, fora do corpo da mulher! Hoje é a coisa mais normal do mundo, e milhões de famílias são gratas por isso. Quando a engenharia genética começou a ser usada décadas atrás, também houve muita preocupação, inclusive dentro da comunidade científica. Hoje, microrganismos, plantas e animais transgênicos são usados rotineiramente em milhares de laboratórios e indústrias ao redor do mundo, com segurança, para uma série de aplicações. Por exemplo, a produção de insulina para diabéticos. Agora, imagine só, botar um gene de bactéria numa planta que a gente come … que absurdo! (como se as plantas não tivessem milhões de bactérias crescendo sobre elas de qualquer maneira, e a gente não tivesse bilhões de bactérias vivendo dentro de nós de qualquer maneira)

Na agricultura, a revolução é um pouco mais recente, mas parece estar caminhando para o mesmo destino. Para sair da categoria do “estranho” e entrar para o clube dos “normais”.

Abraços a todos.

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07.fevereiro.2012 15:27:29

DNA FÓSSIL

Avanços tecnológicos permitem hoje sequenciar o genoma inteiro de uma pessoa com relativa facilidade. E isso já é incrível. Agora imagine sequenciar o genoma inteiro de uma pessoa que viveu até 50 mil anos atrás com a mesma precisão …

Pesquisadores do Instituto Max Planck, na Alemanha, colocaram online hoje a versão mais detalhada do genoma de um hominídeo (um parente extinto dos seres humanos modernos) já produzida até agora. O DNA usado no sequenciamento foi extraído de uma amostra de 10 miligramas de pó de osso, extraída de um pedaço do dedo da mão de um “denisovaniano” — nome dado a uma linhagens de seres humanos arcaicos que viveram na Ásia ao mesmo tempo que os neandertais na Europa. O nome difícil deriva do local onde o fóssil foi encontrado: a Caverna de Denisova, no sul da Sibéria. O osso estava enterrado numa camada de solo datada entre 30 mil e 50 mil anos de idade.

Um rascunho desse mesmo genoma já havia sido publicado no final de 2010, em um artigo na revista Nature. A diferença é que a nova versão tem uma resolução muito maior, o que permite extrair mais informações, com uma confiabilidade muito maior também. No rascunho, a “cobertura” do genoma (como se diz na linguagem técnica) era de 1,9 vez, o que significa dizer que cada letra do genoma foi sequenciada aproximadamente duas vezes. Agora, a cobertura é de 30 vezes, o que significa dizer que cada base (A, T, C ou G) da sequência foi sequenciada 30 vezes. (ou seja: há um grau de certeza muito maior de que a sequência está correta … de que aquele A é mesmo um A, ou que aquele C é mesmo um C, e assim por diante … como se você lesse um mesmo texto 30 vezes para ter certeza de que não há nenhum erro de digitação)

Análises comparativas do genoma indicam que os humanos que viveram naquela caverna entre 30 mil e 50 mil anos atrás representavam um linhagem “irmã” à dos neandertais (muito semelhante, geneticamente, mas suficientemente distinta para ser considerada uma linhagem diferente). Ambas as linhagens foram extintas, eventualmente, com suas populações substituídas pelas do Homo sapiens que migraram da África e dominaram o mundo. Mas deixaram uma herança genética para o homem moderno que pode ser detectada ainda hoje. Segundo os pesquisadores, os “denisovanianos” contribuíram com cerca de 5% do material genético presente no genoma dos atuais habitantes da Melanésia. Assim como os neandertais contribuíram com 1% a 4% do DNA contido nas células de cada europeu e asiático moderno.

Ou seja, o Homo sapiens levou seus parentes “arcaicos” à extinção, mas não sem antes produzir alguns filhotes com eles. Deixando uma herança genética sutil, porém real, que carregamos até hoje dentro de cada uma de nossas células. Imagine só!

(Na foto acima, um dente de hominídeo achado na Caverna de Denisova. CRÉDITO: David Reich et al., Nature)

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04.fevereiro.2012 17:39:21

A GALÁXIA QUE HABITO

FOTO: NASA e ESA

Imagine se você vivesse confinado dentro de um quarto no interior de um grande castelo, do qual você não pudesse sair. O quarto tem janelas, pelas quais você pode ver algumas partes internas do castelo e vislumbrar alguns outros castelos distantes numa planície. Assim, você tem alguma ideia da estrutura interna do lugar onde vive e pode usar a aparência dos castelos distantes como uma referência visual comparativa. Porém, sem nunca ter saído do seu próprio castelo, como é que você saberia descrever a aparência externa dele? Sua arquitetura exata? Tamanho, número de torres, quartos, habitantes, etc?

Essa é a situação dos astrônomos que estudam a estrutura da Via Láctea, a galáxia na qual está inserida o Sistema Solar (e, consequentemente, a Terra). O castelo é a galáxia. O quarto no qual estamos “aprisionados” é o Sistema Solar. As janelas são os telescópios que usamos para observar o Universo. E os castelos distantes são as outras galáxias que conseguimos enxergar por meio deles.

A Via Láctea, assim como quase todas as outras bilhões e bilhões de galáxias do Universo, é um disco gigantesco de gás e poeira em rotação. Isso sabemos com certeza. Dentro desse disco, porém, o gás e a poeira podem estar organizados em diferentes configurações (“projetos arquitetônicos”). Até algum tempo atrás, acreditava-se que a Via Láctea era uma espiral com quatro “braços”. Mas agora, com base em observações mais refinadas, acredita-se que ela tenha apenas dois braços principais, conectados por uma “barra” de gás super denso e lotado de estrelas no centro da espiral — algo muito semelhante à galáxia NGC 1073, da qual a Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou uma nova foto esta semana (acima), feita pelo telescópio espacial Hubble.

É dentro de um negócio desses que você vive … imagine só!

Os astrônomos calculam que a Via Láctea tenha aproximadamente 100 mil anos-luz de diâmetro, o que significa que seria necessário viajar durante 100 mil anos à velocidade da luz para ir de uma ponta a outra. Ou seja, não tem a menor chance de conseguirmos vê-la “de fora” (a espaçonave mais distante da Terra atualmente, a Voyager 1, está viajando há 33 anos e ainda está na zona de influência do Sol).

Como, então, podemos estudar a arquitetura da nossa própria galáxia? Esses estudos são feitos, principalmente, por meio de radiação infravermelha e outras linhas “invisíveis” de luz, que, diferentemente da luz visível (que os nossos olhos enxergam), conseguem atravessar as nuvens de gás e poeira internas da galáxia. E, ao fazer isso, nos dão pistas sobre onde essas nuvens são mais densas ou mais espalhadas, mais quentes ou mais frias, etc. É como se usássemos um óculos de raio X ou algo assim para visualizar o interior do castelo sem sair do nosso quarto. Imagine só!

Um dos telescópios que mais contribuiu para essas pesquisas foi o Spitzer, da Nasa, especialista em observações no infravermelho.

Abraços a todos.

 

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03.fevereiro.2012 20:30:13

PATRIMÔNIO ROUBADO

Parece roteiro de filme, mas não é. Algum colecionador excêntrico no exterior contratou bandidos para roubar livros raros do Instituto de Botânica do Estado de São Paulo. Inacreditável.

Trio rouba livros raros de botânica em SP e diz ser ‘encomenda internacional’

Por: Bruno Paes Manso e Marcelo Godoy / O Estado de S. Paulo

Três ladrões roubaram nesta quinta-feira, 2, 15 volumes de livros da biblioteca do Instituto de Botânica do Estado de São Paulo, na Avenida Miguel Stéfano, na Água Funda, zona sul da capital paulista. O assalto foi por volta das 16h. Dois homens armados com revólveres renderam dois seguranças, três funcionários e dois estagiários antes de roubar os livros.

No ano passado, diretores do Instituto de Botânica já haviam recebido um ofício da Superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro informando que detentos de um presídio fluminense tinham uma lista de obras raras de botânica que deveriam ser roubadas. As conversas foram interceptadas pelos federais e comunicada aos diretores da biblioteca.

Desde então, os livros foram trancados em uma sala especial, com grades e câmeras de vigilância. “Só não imaginamos que o roubo ocorreria em pleno dia”, diz a diretora do Instituto de Botânica, Vera Bononi.

Antes de praticar o assalto, os ladrões almoçaram no restaurante do Instituto de Botânica. Entraram calmamente na biblioteca e fizeram consultas no computador, como se quisessem localizar o livro. Romperam o silêncio do local anunciando o assalto. Um revólver foi apontado para a cabeça da bibliotecária, que os levou para as obras desejadas. “Eles já sabiam o que queriam”, disse Vera.

Segundo o delegado Enjolras Relo de Araújo, titular do 83.º DP (Parque Bristol), que investiga o caso, disse que os ladrões ainda disseram: “É encomenda internacional”. “O normal desse tipo de ação é o furto e não o roubo. Esse caso mostra certa organização dos bandidos. O material tem valor histórico”, disse o delegado Adalberto Barbosa, titular da 2.ª Delegacia Seccional.

As obras roubadas são raras e antigas. Onze volumes eram da Flora Fluminensis, publicada originalmente em 1827, escrita pelo frei José Mariano Velloso. Os livros contêm gravuras de 1640 de espécies vegetais do Rio e arredores. Parte desses desenhos está acessível para download na internet. Outros dois volumes são das obras Sertum palmarum brasiliensium, de 1903, de João Barbosa Rodrigues, e Bambusees, de 1913, escrita por F.G. Camus.

A diretora do Instituto afirma que as obras não têm valor comercial por serem raras e técnicas. O Instituto de Botânica pede que quem tiver informações sobre o paradeiro das raridades entrem em contato pelos telefones (11) 5073-2860 e (11) 8787-1414.

 

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03.fevereiro.2012 18:14:20

PROCURA-SE: ASTRONAUTA

(FOTO: NASA)

Se você já sonhou em ser astronauta, pode ter certeza de que você não é o único. Mesmo com a moral da Nasa um tanto em baixa nos últimos tempos — devido à aposentadoria dos ônibus espaciais, cortes orçamentários, e menor ênfase em missões tripuladas — mais de 6.300 pessoas se candidataram para uma vaga de astronauta na agência espacial americana, num processo de seleção aberto dois meses atrás. É o maior número de candidatos desde 1978, quando a agência recebeu mais de 8.000 aplicações (entre o fim do Programa Apollo e o início do programa de ônibus espaciais).

Entre 9 e 15 pessoas serão selecionadas para compor a 21ª turma de astronautas da Nasa. Na melhor das hipóteses, portanto, a concorrência é de 420 candidatos por vaga. Oito vezes maior do que a relação candidato-vaga para Medicina na USP, que em 2011 ficou em torno de 51. Imagine só! “Isso demonstra que o público continua genuinamente interessado em dar continuidade à exploração do espaço”, disse a chefe do Escritório de Seleção de Astronautas da Nasa, Duane Ross, em um comunicado divulgado hoje pela agência.

A exploração humana do espaço é um tema que divide opiniões mesmo entre os maiores entusiastas do assunto. Ninguém é contra explorar o espaço com telescópios, robôs, sondas e satélites. Claro. Mas as missões tripuladas são um ponto mais delicado … Será que vale a pena continuar a mandar seres humanos ao espaço? Com todos os riscos e custos envolvidos? 6.300 americanos, pelo menos, acreditam que vale… e estão dispostos a correr o risco. (como eu estaria, também, num piscar de olhos)

Segundo a Nasa, os novos astronautas vão “viver e trabalhar na Estação Espacial Internacional, ajudar a construir as espaçonaves Orion (veículo tripulado de transporte que está sendo desenvolvido para substituir os ônibus espaciais), e dar continuidade às parcerias da Nasa com empresas que prestarão serviços de transporte comercial para a Estação Espacial”.

O processo de seleção vai durar mais de um ano e os escolhidos precisarão completar dois anos de treinamento para ter uma oportunidade de ir ao espaço. Uma das exigências é aprender russo — especialmente agora, que o único modo de ir e voltar da Estação Espacial é com os russos, nas cápsulas Soyuz.   Кто вы обращаетесь к?

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30.janeiro.2012 21:11:11

INVASÃO DE COBRAS

FOTO: Courtsey of U.S. Geological Survey/photo by Lori Oberhofer, National Park Service

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Imagine só o seguinte: Você compra uma cobra para criar dentro de casa, num aquário. Aí a cobra começa a crescer, fica grande demais, ou sua mãe fica brava demais e manda você se livrar do bicho … e aí, você faz o que com ela? Solta na natureza? … Foi o que fizeram vários proprietários de cobras píton na Flórida ao longo dos últimos anos. Resultado: as cobras começaram a se reproduzir na natureza e viraram uma espécie exótica invasora.

No famoso Parque Nacional dos Everglades, no sul da Flórida, as pítons da Birmânia (Python molurus bivittatus) viraram uma praga com consequências graves para o meio ambiente. Um estudo publicado na edição desta semana da revista PNAS (o períodico científico da Academia Nacional de Ciências dos EUA) confirma o que muita gente já suspeitava. Os números de cobras invasoras e de mamíferos nativos do parque estão variando de maneira inversamente proporcional. Em outras palavras: quanto mais cobras invasoras, menos mamíferos nativos. Ou, dito de outra forma, ainda mais clara e objetiva: as cobras estão comendo os mamíferos aos montes. Sem falar em outros bichos não quantificados pela pesquisa, como répteis e aves. Até alligators elas comem! (veja foto abaixo)

O estudo documenta um declínio significativo nas populações de guaxinims (raccoons), gambás, coelhos e linces nativos do parque nos últimos dez anos, desde que as pítons se estabeleceram na região. E o que fazer agora? As pítons são cobras nativas da Ásia, introduzidas na América como bichos de estimação. E tem mais gente criando cobra dentro de casa do que você imagina: nos últimos 30 anos, cerca de 300 mil pítons foram importadas da Ásia para os EUA, segundo informações do banco de dados sobre espécies invasoras do United States Geological Survey (USGS). A espécie pode passar dos 5 metros de comprimento e mata suas presas por constrição. Não tem predadores naturais na Flórida, portanto cabe ao homem assumir esse papel: mais de 1.800 cobras já foram removidas do Everglades nos últimos 11 anos, segundo dados oficiais do parque. Imagine só!

Nada de errado em criar cobra dentro de casa. Desde que ela fique dentro de casa!

Abraços a todos.

COMPLEMENTO: Muitos dos comentários postados até agora discutem a questão da caça como solução para o problema da invasão. Muita gente se opõe à caça com o argumento de que a espécie invasora não tem culpa de nada e, portanto, não pode ser penalizada por isso. Afinal, foi o homem quem a tirou de seu hábitat original e a introduziu num ecossistema diferente, do qual ela não fazia parte. As pítons não pediram para ser levadas para a Flórida. Elas simplesmente foram largadas lá e agora estão fazendo o que precisam fazer para sobreviver. A culpa, portanto, é do homem e não da cobra. Fato!

Mas é fato também que alguma coisa precisa ser feita. Pois quem está pagando o preço do erro humano não são os próprios seres humanos, mas as espécies nativas do parque que estão sendo devoradas pelas cobras. Elas são as verdadeiras vítimas nessa história e cabe ao homem a obrigação de protegê-las das consequências de seu erro. A única maneira de fazer isso é removendo as cobras do ecossistema. Nesse sentido, acho que a caça pode ser uma solução aceitável, desde que seja feita de forma adequada, devidamente regulamentada e supervisionada. (Veja também o caso do peixe-leão, uma espécie invasora do Caribe, sobre o qual já escrevi algumas vezes aqui no blog. Esse assunto já foi muito discutido e a caça, neste caso, parece ser mesmo a única solução.)

O ideal seria remover as cobras sem matá-las e transferí-las para outro lugar. E, depois disso, impedir que novas introduções aconteçam. Mas imagino que não seja fácil achar espaço para 1.800 cobras de até 5 metros cada uma. O fato é que, se as cobras exóticas não desaparecerem, quem vai desaperecer são os mamíferos nativos. Um deles terá de pagar o preço do erro humano, infelizmente.

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FOTO: Píton tentou engolir um jacaré grande demais … morreram os dois. (Photo by Michael Barron)

 

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30.janeiro.2012 14:32:20

MENOS, POR FAVOR

FOTO: The Blue Marble/NASA

Belíssima frase do Gandhi, que acabo de encontrar num relatório da ONU:

“Earth provides enough to satisfy every man’s need, but not every man’s greed.”
Mahatma Gandhi

“A Terra oferece o suficiente para satisfazer todas as necessidades do homem, mas não todas as suas ganâncias.”

E nem precisa interpretar “ganância” como algo ruim … Pode até substituir “ganância” por “desejos” que o sentido da frase continua o mesmo.  Todo país e todo ser humano tem o desejo de se desenvolver, claro. De melhorar de vida, ser mais feliz, ter mais segurança, mais conforto. Mas é preciso reconhecer que há um limite para isso. E é preciso adequar nossos desejos a esse limite.

Se todo mundo (literalmente) tivesse um padrão de vida igual ao que os americanos e europeus têm atualmente, seriam  necessários vários planetas Terra para atender à demanda de recursos naturais e minerais. E como só há uma Terra disponível, o planeta entraria em colapso e a espécie humana entraria em sérios apuros.

Da maneira como está, com bilhões de pessoas ainda vivendo na pobreza, o consumo de recursos naturais já extrapola o que o planeta é capaz de repor naturalmente. Imagine então se todo mundo na África e na Ásia (incluindo os mais de 2 bilhões de chineses e indianos) vivesse como se vive nos EUA, consumindo quantidades absurdas de comida, água, solo, energia, madeira, minérios e produtos em geral. E lançando quantidades gigantescas de gás carbônico e poluentes na atmosfera e na natureza de uma forma geral. Seria uma catástrofe!

Eu já morei muitos anos nos EUA e reconheço que a qualidade de vida lá é excelente (apesar de preferir morar no Brasil assim mesmo). E entendo que muita gente tenha o sonho de viver como se vive lá. Mas é um sonho irreal, insustentável … porque o planeta simplesmente não tem condições de sustentar 7 bilhões de pessoas vivendo daquele jeito. Impossível. Se quisermos um mundo mais igualitário, sem diferenças tão gritantes entre ricos e pobres, teremos todos de ser menos gananciosos e aceitar como meta um padrão de vida mais sustentável  e menos consumista. Comprando menos, consumindo menos e poluindo menos.

Os países em desenvolvimento têm o direito (eu diria até o “dever”) de se desenvolver e melhorar a qualidade de vida de sua população, sem dúvida. Educação, alimentação e saúde de qualidade são imperativos. Mas é preciso buscar caminhos novos, mais realistas, mais equilibrados. Americanos e europeus têm de reconhecer que seus padrões de consumo atuais são insustentáveis. E nós, dos países em desenvolvimento, não podemos ter a ilusão de querer viver como eles. Com a mesma qualidade dos serviços de saúde e educação, sim. Com os mesmos padrões de consumo, impossível.

Se todo mundo quiser ser milionário, todo mundo vai acabar é pobre, na miséria, dependendo de um planeta morto para sobreviver. Mais qualidade e menos quantidade, já!

Abraços a todos.

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26.janeiro.2012 15:27:44

TRICÔ DE ARANHA

FOTO: JOHN BROWN

Se você não leu essa notícia no dia 20, leia agora: Museu londrino expõe tecidos dourados feitos com teia de aranha / Uma elaborada capa bordada e uma echarpe de quatro metros de comprimento foram tecidas com a seda de mais de um milhão de aranhas de Madagascar.

Um dos maiores sustos que levei durante minha viagem de um ano pela Ásia foi no Sri Lanka, quando entrei de cara (literalmente!) na teia de uma aranha que era quase do tamanho da minha mão. A teia estava no meio de uma trilha de um parque de floresta na cidade de Kandy, bem na altura do rosto, mas era quase impossível vê-la contra o fundo verde da mata. Caí nela como uma mosca.

Felizmente, a aranha mesmo estava um pouco acima da minha cabeça, caso contrário, teria saído com ela bem na minha cara e o susto teria sido ainda maior. Não sei qual era  a espécie exata, mas era do gênero Nephila, de aranhas conhecidas como “orb weavers”, ou “tecedoras de órbitas” — nome que faz referência à arquitetura orbicular de suas teias. Seu veneno não é perigoso para o homem … mas, mesmo assim, não gostaria de levar uma picada no rosto.

Passado o susto, começou a admiração. A teia dela ficou grudada nas lentes dos meus óculos escuros e, assim que puxei os fios, percebi como eles eram ao mesmo tempo delicados, elásticos e resistentes. Eu já tinha escrito algumas matérias sobre pesquisas que tentam imitar as características da teia de aranha, mas nunca tinha sentido essas características assim de pertinho, na pele mesmo. Resolvi que quando voltasse ao Brasil escreveria algo a respeito.

E não é que, logo na primeira semana que cheguei, apareceu um trabalho na revista PNAS exatamente sobre isso (veja texto abaixo)?! E que, alguns dias depois da minha matéria ser publicada no Estadão, esse tecido feito de seda de aranha entrou em exposição em Londres?! (veja foto acima) Tudo se encaixou perfeitamente. O susto no Sri Lanka me rendeu uma bela pauta no fim das contas.

É incrível as coisas que se pode encontrar na natureza, muito mais sofisticadas do que qualquer tecnologia humana. A seda de aranha dá de 10 a zero em qualquer material sintético que o homem produz atualmente. E mesmo com toda a nossa tecnologia e todo o nosso conhecimento de genética e bioquímica e engenharia de materiais, ainda não conseguimos produzir algo parecido com elas.

O termo “seda de aranha” pode soar esquisito, pois nossa tendência é pensar na seda como um material macio, gostoso, delicado, chique. E é mesmo. Mas você sabe de onde vem a seda que se usa hoje na indústria têxtil? Vem de um outro animal: o famoso bicho-da-seda, que nada mais é do que uma lagarta. Os fios de seda são o que ela usa para construir seu casulo, antes de virar mariposa. Pois então, saiba que aquela echarpe de seda super chique que você usou na última festa de casamento foi produzida nas glândulas de uma lagarta (a indústria simplesmente juntou os fios e teceu a peça, mas quem produziu o material mesmo foi a lagarta). Imagine só!

Com a aranha é a mesma coisa. Só que, em vez de fazer casulos, ela faz teias. E por isso a seda precisa de características diferentes. Precisa ser ao mesmo tempo forte, elástica e flexível, para capturar presas em pleno voo e esticar sem se romper. Algumas teias são tão fortes que podem capturar pássaros e morcegos.

Sem falar na arquitetura das teias, que é algo também impressionante. Como é que uma aranha consegue construir uma estrutura tão complexa?? (veja o vídeo do YouTube abaixo) E saiba você que elas têm até sete glândulas dentro delas, que produzem tipos diferentes de seda, cada uma usada para construir partes específicas da teia. Inacreditável.

As aranhas metem medo. Concordo. Mas garanto que se você botar o medo de lado e observá-las com um pouco mais de atenção, garanto que vai se impressionar também.

Abraços a todos.

 

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FOTO: Uma jovem aranha da espécie Nephila clavipes se alimenta de uma mosca que caiu em sua teia no Instituto Butantan. (DANIEL TEIXEIRA/AE)

 

Tecnologia natural da seda de aranha desafia a ciência

Por Herton Escobar / ‘O Estado de S. Paulo’

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Imagine uma fibra natural que é simultaneamente mais forte que o aço, mais flexível que o nylon, extremamente leve e, ainda por cima, biodegradável e biocompatível com o organismo humano.  Há décadas os cientistas sabem onde encontrar esse material “mágico”: nos fios de seda das teias de aranha.  E há décadas eles tentam – com técnicas cada vez mais sofisticadas – reproduzir em laboratório o que esses insetos fazem há centenas de milhões de anos na natureza.
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A seda de aranha é uma espécie de “santo graal” da ciência de materiais, com uma combinação única de características, cobiçada por pesquisadores de áreas tão distintas quanto biomedicina e engenharia espacial. “É um material totalmente diferente de qualquer coisa que o ser humano já produziu”, maravilha-se o cientista Elibio Rech, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, que tenta mimetizar a substância no Brasil .
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“Nenhum outro material combina flexibilidade e resistência dessa forma. “
As fibras usadas pelas aranhas para tecer suas teias são, essencialmente, fios de seda, semelhantes aos produzidos pelo bicho-da-seda para fabricar seus casulos (matéria-prima para produção de tecidos finos na indústria têxtil).  Mas com aplicações potenciais que vão muito além de vestidos e camisolas.  Fala-se em suturas médicas, implantes, curativos, coletes à prova de balas, linhas de pesca biodegradáveis e peças de naves espaciais.
Colônias.
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Obter amostras para pesquisa é fácil.  Aranhas não faltam e a seda pode ser extraída sem maiores dificuldades.  O problema é que elas são animais extremamente territoriais, o que impede que sejam “cultivadas” em colônias para produção em grande escala, como se faz facilmente com as lagartas do bicho-da-seda.
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A solução foi apelar para a engenharia genética, terceirizando o serviço de produção da seda para outras espécies mais “domesticáveis”.  Num dos estudos mais recentes, publicado no início do ano na revista PNAS, pesquisadores americanos e chineses relatam a produção de bichos-da-seda transgênicos, com genes de aranha, capazes de produzir sedas com propriedades semelhantes às dos aracnídeos.
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Não é a primeira vez que se coloca genes de aranhas em bichos-da-seda, mas é a primeira vez que as proteínas codificadas por esses genes são efetivamente incorporadas à estrutura molecular da seda, segundo o autor Donald Jarvis, do Departamento de Biologia Molecular da Universidade de Wyoming.
O resultado foi uma fibra híbrida, formada pelas proteínas naturais de seda da lagarta, misturadas a uma “pitada” de proteínas de origem aracnídea.  A taxa de incorporação foi baixa – não mais que 5% -, mas suficiente para alterar as propriedades das fibras, segundo Jarvis.  Nos melhores casos, a resistência da seda híbrida chegou a ser quatro vezes maior que a da seda natural de aranha.  A elasticidade, por outro lado, deixou a desejar.
“Ainda não temos todas as propriedades que gostaríamos, mas os resultados são surpreendentes”, disse Jarvis ao Estado.
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O desafio maior, segundo ele, é tentar “nocautear” (desligar, retirar ou silenciar) os genes nativos que controlam a produção de seda dentro do bicho-da-seda e substituí-los integralmente pelos genes de aranhas, de modo que a seda produzida pela lagarta seja 100% de origem aracnídea.  Como se uma vaca fosse geneticamente modificada para produzir leite de cabra.  ”Tecnicamente, é possível”, diz Jarvis.
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Na linguagem técnica, a seda é um “biopolímero” – uma sequência repetitiva de unidades moleculares interconectadas, formando uma estrutura estável.  As unidades básicas, neste caso, são proteínas, e as instruções para fabricar essas proteínas estão codificadas em genes específicos das aranhas, que podem ser clonados e inseridos no DNA de outras espécies.
Como um software aplicativo que pode ser rodado em computadores de diferentes marcas.
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O bicho-da-seda parece ser a “biofábrica” ideal para isso, pois tem a vantagem de já tecer a seda por conta própria.  Outra rota de pesquisa, porém, consiste em produzir as proteínas de aranha dentro de bactérias ou no leite de cabras transgênicas, para depois purificá-las e sintetizar a fibra mecanicamente no laboratório – mimetizando o que ocorre no organismo da aranha.
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É o que faz o pesquisador Randy Lewis, parceiro de Jarvis na Universidade de Wyoming e colaborador de Rech, na Embrapa.  Há dez anos ele trabalha com cabras transgênicas que produzem proteínas da seda de aranha no leite, além de colaborar com o projeto do bicho-da-seda.  ”Conseguimos tecer fibras que são dois terços tão boas quanto as fibras naturais de aranha”, sintetiza Lewis.
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Mas fazer isso sistematicamente, em escala comercial, é um desafio que ainda está longe de ser conquistado.  Apesar de vários resultados promissores ninguém ainda conseguiu colocar no mercado um produto minimamente equivalente ao das aranhas.  ”As fibras artificiais ainda são muito instáveis”, diz o químico Horst Kessler, da Universidade Técnica de Munique.
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Embrapa estuda genes de espécies nacionais
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Há sete anos o biólogo molecular Elibio Rech, da Embrapa, estuda o DNA de aranhas brasileiras, procurando genes associados à síntese da seda.  Já encontrou vários.  E espera, num futuro não muito distante, produzir um polímero com características equivalentes às da fibra natural dos aracnídeos.
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“As possibilidades de aplicação tecnológica são enormes.  O limite é a nossa imaginação”, diz Rech, que vê o projeto como uma forma de agregar valor à biodiversidade brasileira.
O primeiro passo foi sequenciar o genoma funcional de cinco espécies de aranhas brasileiras – três do Cerrado, uma da Amazônia e outra da Mata Atlântica -, com atenção especial para genes ativos nas glândulas produtoras de seda.
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As aranhas tecedoras de teias orbiculares (aquelas “clássicas”, com uma espiral no centro) podem ter até sete glândulas de seda, cada uma dedicada a um tipo de fibra.  ”Diferentes partes da teia são construídas com diferentes tipos de seda”, explica o biólogo Danilo Guarda, especialista em aranhas.
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Rech identificou vários genes de interesse e os usou como base para o desenvolvimento de bactérias transgênicas, capazes de sintetizar as proteínas da seda de aranha in vitro.  Há planos também para sintetizar as proteínas em leite animal, sementes de soja e plantas de algodão.  ”Queremos testar várias plataformas de expressão para ver qual é a melhor”, afirma Rech.
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Pesquisador de Oxford critica uso de transgênicos
O uso de animais transgênicos para a síntese de proteínas de seda de aranha é um “exercício desnecessário de pirotecnia”, na opinião do pesquisador Fritz Vollrath, que coordena um laboratório especializado em sedas no Departamento de Zoologia da Universidade de Oxford.  Segundo ele, é possível obter sedas com propriedades equivalentes às das aranhas apenas manipulando as fibras de espécies selvagens de bichos-da-seda.  ”A qualidade do material depende mais da maneira como é tecido que das suas propriedades químicas”, diz.  ”Deveríamos focar nas condições de tecelagem e deixar a engenharia genética de lado. “
Fritz estuda intensamente as aranhas e suas teias, mas só como um modelo de pesquisa básica.  ”São máquinas de produzir seda altamente evoluídas e supersofisticadas”, diz.
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