Trinta mil anos atrás, um esquilo siberiano da espécie Urocitellus parryii coletou sementes e frutos de uma planta chamada Silene stenophylla e os levou para sua toca subterrânea. O que aconteceu com o esquilo depois disso, não se sabe. Mas o material vegetal que ele coletou ficou preservado no solo congelado (permafrost) da tundra siberiana. E agora, 30 mil anos depois, cientistas russos descongelaram essas sementes e frutos e trouxeram a planta de volta à vida no laboratório. Literalmente.
Amostras descongeladas de tecido placentário extraído dos frutos da planta foram cultivadas em laboratório e induzidas a formar novas plantas inteiras, num processo conhecido como organogênese (formação de órgãos). Algo que é feito rotineiramente em laboratório para clonar plantas agrícolas de interesse. Só que a planta, nesse caso, tinha 30 mil anos de idade. Imagine só!
As plantas clonadas se desenvolveram perfeitamente. Primeiro, foram cultivadas e propagadas in vitro, depois transferidas para vasos com terra, floresceram, foram fertilizadas, produziram sementes que germinaram e deram origem a mais plantas, e assim por diante. Segundo os pesquisadores, essas plantas são “os mais antigos organismos multicelulares vivos”.
A Silene stenophylla não é uma espécie extinta. Ela ainda existe, apesar de ter mudado um pouco de aparência (fenótipo) nos últimos 30 mil anos. Mas é certo que sementes e frutos de muitas espécies que não existem mais também estão preservados no permafrost siberiano (cuja camada de solo congelado pode ter centenas de metros de espessura … a amostra usada no estudo estava “apenas” 38 metros abaixo da superfície). Então, a princípio, nada impede que esse procedimento seja refeito para recriar alguma espécie extinta.
Sabe-se lá o que esses esquilos pré-históricos andaram guardando em suas tocas!
O estudo está publicado na edição desta semana da revista PNAS, da Academia Nacional de Ciências dos EUA.
FOTO: Save the Tasmanian Devil Program
O câncer, apesar de ser extremamente comum, é uma doença “individual”, que “nasce” dentro de cada pessoa, individualmente, por conta de alguma combinação infeliz de fatores genéticos e ambientais (por exemplo, exposição demasiada à fumaça de cigarro ou à radiação solar). E, desse jeito, já causa o estrago que causa no mundo inteiro. Agora, imagine se, além disso, o câncer fosse uma doença transmissível, que pudesse ser passada de um indivíduo para outro, como um vírus da aids ou da hepatite, por exemplo. Que pesadelo seria!
Pois no mundo dos demônios da Tasmânia isso não é pesadelo. É realidade. Uma realidade infernal, por assim dizer, que ameaça seriamente a sobrevivência da espécie.
O demônio da Tasmânia, para quem não sabe, não é apenas um personagem de desenho animado. É um bicho de verdade! Um mamífero marsupial (dotado de bolsa abdominal, como a do canguru, na qual os filhotes se desenvolvem) de até 12 kg que só existe na ilha da Tasmânia, na costa sudeste da Austrália. A espécie, cujo nome científico é Sarcophilus harrisii, é considerada ameaçada de extinção, em grande parte por conta de um câncer que vem se espalhando pela população há mais de 15 anos. Em uma década, segundo informações da Lista Vermelha da IUCN, a população já foi reduzida em mais de 60%.
O “tumor facial do demônio da Tasmânia”, ou DFTD (em inglês), como a doença é conhecida, começou como um câncer “normal”, resultado de uma combinação de mutações genéticas que levou uma célula a se multiplicar descontroladamente dentro de um animal. A diferença é que, antes desse animal doente morrer, ele transmitiu a doença para outros demônios (termo que uso aqui sem qualquer intenção de ofender a espécie), que passaram-na para outros demônios, e assim por diante. Como se as células tumorais fossem um vírus, transmitido por meio de mordidas. (Os demônios da vida real não giram como tornados, como o personagem Taz dos desenhos animados, mas são mesmo bichos endiabrados, que mordem uns aos outros com frequência.)
Uma vez dentro do organismo, as células tumorais passam a se multiplicar e formar novos tumores, levando o animal à morte no prazo de alguns meses. A doença causa tumores horríveis no rosto e na boca dos demônios, que ficam completamente desfigurados. O sistema imunológico dos animais infectados deveria ser capaz de destruir as células invasoras, mas por alguma razão ainda desconhecida, elas conseguem se manter vivas e proliferar, como uma metástase contagiosa.
Numa tentativa de entender melhor a doença (e identificar eventuais pontos fracos para derrotá-la), pesquisadores sequenciaram os genomas completos da espécie e do câncer que a aflige. Comparando as duas sequências, eles identificaram 17 mil mutações no genoma das células tumorais, que agora serão estudadas em detalhe para saber quais delas são as mais importantes na evolução e na proliferação da doença.
Segundo os pesquisadores, os dados genéticos indicam que a DFTD “nasceu” em um demônio fêmea, que viveu (e morreu) antes de 1996, quando o primeiro caso da doença foi identificado. Todos os tumores detectados na população desde então são formados por células “filhas” desse primeiro tumor “mãe”. É o mesmo câncer, passado de um animal para outro há mais de 15 anos. Imagine só!
O estudo foi publicado na revista Cell. Já pensaram se essa moda pega entre os tumores humanos?
Há um único outro caso de câncer transmissível conhecido: o “tumor venéreo canino”, ou CTVT, que é transmitido sexualmente entre cachorros. Estudos indicam que a doença “nasceu” milhares de anos atrás, dentro de um lobo ou de um cachorro do leste da Ásia.
FOTO: PLoS One
Pesquisadores da Alemanha publicaram esta semana na revista PLoS One a descoberta de quatro novas espécies de camaleão nas florestas de Madagascar, na África. A menor delas, batizada de Brookesia micra, não passa de 30 mm de comprimento (foto). Os camaleões já são animais superinteressantes em tamanho “normal”. Em versão miniatura, então, mais interessantes ainda. Imagine só!
Alerta, alerta: Os terráqueos não estão mais chegando …
O governo americano do presidente Obama apresentou hoje sua proposta de orçamento para a Nasa em 2012: US$ 17,7 bilhões (isso mesmo, Bilhões, com B de bola). É dinheiro pra caramba … mas o clima na comunidade científica e de exploração espacial é de preocupação. O orçamento proposto representa uma redução de 0,3% em relação ao orçamento do ano passado, e 0,3% de quase US$ 18 bilhões é muito dinheiro mesmo. Quem saiu perdendo na lista de prioridades foi o Planeta Vermelho: a proposta de Obama é cancelar as duas próximas missões planejadas para Marte, que seriam realizadas em parceria com a Agência Espacial Europeia (ESA).
O orçamento do programa de exploração marciana, especificamente, será reduzido de US$ 587 milhões para US$ 361 milhões, segundo informações do Washington Post. Em bom português, o governo americano está propondo dar o cano nos europeus. O programa cortado seria o ExoMars, que prevê (ou previa) o lançamento de duas sondas para Marte, em 2016 e 2018, com o objetivo de pesquisar se um dia houve vida no planeta.
Parte da culpa é do James Webb Space Telescope, o futuro substituto do Telescópio Espacial Hubble, cujo custo de construção está correndo muito acima do planejado. O orçamento para o projeto deverá aumentar de US$ 476 milhões em 2011 para US$ 659 milhões, em 2014, segundo informações da BBC.
FOTO ACIMA: Dois engenheiros da Nasa aparecem em meio a três exemplos de veículos-robôs que já pousaram (ou estão para pousar) em Marte. O menorzinho, na frente, é um backup do Sojourner, que pousou em Marte em 1997. À esquerda da foto está um protótipo dos robôs Spirit e Opportunity, que pousaram em Marte em 2004. E à direita está um protótipo do robô Curiosity, que está a caminho de Marte neste momento, com previsão de pouso para agosto deste ano. (legenda completa, em inglês, neste link)
Albert Einstein. Stephen Hawking. Richard Feynman.
Você já deve ter ouvido algum desses nomes por aí (no mínimo o do Einstein) e não precisa ser capaz de explicar o que cada um deles fez como cientista para saber que são (ou foram) pessoas importantes, que descobriram coisas superinteressantes e relevantes. Afinal, honestamente: Quantas pessoas sabem de verdade o que é a relatividade geral? Ou entendem o conceito de espaço-tempo? Ou sabem explicar o que significa a equação E=mc²? Certamente apenas uma minoria da população (que estudou física na faculdade). Mas a maioria sabe que foi Einstein quem “inventou” essas coisas. E que essas coisas são revolucionárias … produtos de uma mente brilhante.
Essa talvez seja a melhor maneira de explicar a importância da física teórica, sem precisar explicar os resultados produzidos por ela. Uma ciência supercomplexa, que beira às vezes a filosofia, e que quase ninguém fora os próprios físicos teóricos é capaz de entender, mas que todo mundo admira. Uma ciência cujo objetivo central é elucidar algumas das questões mais fundamentais da nossa existência: Como surgiu o Universo? Qual será o futuro do Universo? Qual é a estrutura da matéria (incluindo aquela da qual os nossos corpos são feitos)? Perguntas que não têm necessariamente nenhuma aplicação prática nas nossa vidas, mas para as quais todos nós gostaríamos de saber as respostas. Nem que seja por pura curiosidade.
“As pesquisas fundamentais que mudam a maneira como entendemos o mundo nascem da curiosidade, e não de objetivos direcionados”, disse o físico teórico Peter Goddard, diretor do renomado Instituto de Estudos Avançados de Princeton, que esteve semana passada em São Paulo para a inauguração do Instituto Sul-Americano de Pesquisa Fundamental (ICTP-SAIFR), no Instituto de Física Teórica (IFT) da Unesp.
Eu tive o prazer de passar várias horas no IFT na semana passada, preparando uma reportagem especial sobre o projeto do ICTP-SAIFR (uma sigla terrível, tenho de reconhecer) e sobre a física teórica em geral. Afinal, não há como entender a importância de um instituto se você não entende o que vai se fazer lá dentro para começo de conversa! O resultado, publicado ontem no Estadão, vocês podem conferir na imagem acima e nos links: Missão: descrever as leis da natureza, LHC fecha o cerco sobre o bóson de Higgs, mais este infográfico sobre Cosmologia e Física de Partículas.
Abraços a todos.
PDF da reportagem: Estado-FisicaTeorica
O Brasil já é o segundo país que mais planta transgênicos no mundo (30 milhões de hectares), atrás apenas dos Estados Unidos (69 milhões de hectares), de acordo com o último relatório do ISAAA, divulgado na semana passada.
É uma notícia que pode ser interpretada de diversas maneiras. Com orgulho e satisfação por um grande número de agricultores e cientistas que confiam na biotecnologia molecular como uma ferramenta importante para o aumento da produtividade e a redução dos impactos ambientais da agricultura. Com vergonha e descontentamento por um grande número de ambientalistas, que desconfiam dos transgênicos como algo nocivo ao meio ambiente e às práticas tradicionais da agricultura orgânica e familiar. Com dúvidas e suspeitas pela maioria dos consumidores, que de fato não entende o que é um alimento transgênico, mas, bombardeada com mensagens de terror ao longo dos anos, tende a ver a tecnologia como algo aparentemente perigoso. “Será que estou comendo transgênicos?” Pode ter certeza que sim. “Será que isso vai fazer mal à minha saúde ou ao meio ambiente?” Praticamente todas as evidências científicas indicam que não.
Há muitas razões ideológicas para ser contra os transgênicos. Do ponto de vista científico e econômico, porém, está cada vez mais difícil elaborar um argumento convincente contra eles.
Vamos a alguns fatos …
Os transgênicos atualmente no mercado são alimentos que foram geneticamente modificados para serem resistentes a pragas ou pesticidas específicos. Dito isso, atenção: praticamente tudo que você come é geneticamente modificado, no sentido de que são plantas e animais profundamente modificados de suas formas originais da natureza, ao longo de séculos (ou até milênios) de cruzamento e seleção. São “produtos” inventados pelo homem. Aquela espiga de milho amarelo e suculento que você compra no supermercado, por exemplo, não existe na natureza (o milho selvagem original é um capim que você jamais reconheceria como “milho”). O mesmo vale para o arroz, o feijão, a laranja, a uva, a vaca, a galinha, o porco, e assim por diante. Tudo profundamente modificado pelo homem desde a invenção da agricultura. A soja, por acaso, nem é nativa das Américas, muito menos do quente Cerrado brasileiro. É uma planta nativa de clima temperado na Ásia, trazida para cá, modificada, melhorada e adaptada ao longo de várias décadas de pesquisa pela Embrapa. Não existe soja “natural” no Brasil.
A diferença dos transgênicos atuais é que eles foram modificados com a inserção de genes extraídos de bactérias, e não de plantas (um cruzamento tecnológico que não ocorre normalmente na natureza). A soja RR, por exemplo, tem o gene de uma bactéria que a torna resistente ao herbicida glifosato. O gene “ordena” a síntese de uma proteína, que é sintetizada pelas células e circula pelo organismo da planta, “imunizando-a” contra os efeitos do herbicida. Assim, o glifosato pode ser aplicado sobre toda a lavoura, aniquilando as ervas daninhas, porém sem prejuízo para a soja. A ideia, com isso, é facilitar o manejo da plantação e reduzir a quantidade de pesticidas aplicados sobre a lavoura.
Já o algodão Bt tem o gene de uma bactéria que o torna resistente ao ataque de lagartas. O gene codifica uma proteína que é tóxica para o inseto, que morre ao se alimentar da planta.
Parece assustador, não é? Mas tanto os genes quanto as proteínas em questão são absolutamente inofensivas para os seres humanos. A bactéria Bt, por exemplo, é extremamente comum na natureza e você certamente já comeu milhões delas inteiras na sua vida sem qualquer problema. Tanto que ela é usada como pesticida natural em plantações orgânicas. A diferença no transgênico é que a planta produz a própria “vacina” internamente, em vez de a vacina ser aplicada sobre ela.
Estas e outras plantas transgênicas semelhantes já são plantadas e consumidas por seres humanos em larga escala há cerca de 15 anos, sem qualquer problema (de saúde ou ambiental), em vários países, com aprovação de todas as agências reguladoras necessárias.
Do ponto de vista da saúde humana, simplesmente não há lógica científica para preocupação. Do ponto de vista ambiental, os riscos (por exemplo, desenvolvimento de ervas daninhas ou insetos resistentes) não são exclusivos dos transgênicos – são riscos inerentes à agricultura, que sempre existiram, e que podem ser manejados sem maiores segredos. Do ponto de vista econômico e comercial, basta dizer que os agricultores brasileiros, americanos, argentinos, etc, não são idiotas. Eles não estão plantando transgênicos por obrigação ou por falta de alternativa. Estão plantando porque querem.
O argumento das campanhas antitransgênicos sempre foi o de que “precisamos de mais testes para ter certeza”. Mas a verdadeira intenção sempre foi proibir os transgênicos e ponto final.
É normal novas tecnologias serem recebidas com receio pela sociedade, especialmente quando elas mexem com coisas “sagradas” como os alimentos ou a reprodução humana. Quando a fertilização in vitro foi inventada, muitos interpretaram isso como algo absurdo … até pecaminoso. Imagine só, produzir um embrião humano “de proveta”, fora do corpo da mulher! Hoje é a coisa mais normal do mundo, e milhões de famílias são gratas por isso.
Quando a engenharia genética começou a ser desenvolvida décadas atrás, também houve muita preocupação sobre seus potenciais riscos, inclusive dentro da comunidade científica. Hoje, microrganismos, plantas e animais transgênicos são usados rotineiramente em milhares de laboratórios e indústrias ao redor do mundo, com segurança, para uma série de aplicações práticas e de pesquisa. Por exemplo, a produção de insulina para diabéticos. Agora, imagine só, botar um gene de bactéria numa planta que a gente come … que absurdo! (como se as plantas não tivessem milhões de bactérias crescendo sobre elas de qualquer maneira, e a gente não tivesse bilhões de bactérias vivendo dentro de nós de qualquer maneira)
Na agricultura, a revolução é um pouco mais recente, mas parece estar caminhando para o mesmo destino. Para sair da categoria do “estranho” e entrar para o clube dos “normais”.
Abraços a todos.
Avanços tecnológicos permitem hoje sequenciar o genoma inteiro de uma pessoa com relativa facilidade. E isso já é incrível. Agora imagine sequenciar o genoma inteiro de uma pessoa que viveu até 50 mil anos atrás com a mesma precisão …
Pesquisadores do Instituto Max Planck, na Alemanha, colocaram online hoje a versão mais detalhada do genoma de um hominídeo (um parente extinto dos seres humanos modernos) já produzida até agora. O DNA usado no sequenciamento foi extraído de uma amostra de 10 miligramas de pó de osso, extraída de um pedaço do dedo da mão de um “denisovaniano” — nome dado a uma linhagens de seres humanos arcaicos que viveram na Ásia ao mesmo tempo que os neandertais na Europa. O nome difícil deriva do local onde o fóssil foi encontrado: a Caverna de Denisova, no sul da Sibéria. O osso estava enterrado numa camada de solo datada entre 30 mil e 50 mil anos de idade.
Um rascunho desse mesmo genoma já havia sido publicado no final de 2010, em um artigo na revista Nature. A diferença é que a nova versão tem uma resolução muito maior, o que permite extrair mais informações, com uma confiabilidade muito maior também. No rascunho, a “cobertura” do genoma (como se diz na linguagem técnica) era de 1,9 vez, o que significa dizer que cada letra do genoma foi sequenciada aproximadamente duas vezes. Agora, a cobertura é de 30 vezes, o que significa dizer que cada base (A, T, C ou G) da sequência foi sequenciada 30 vezes. (ou seja: há um grau de certeza muito maior de que a sequência está correta … de que aquele A é mesmo um A, ou que aquele C é mesmo um C, e assim por diante … como se você lesse um mesmo texto 30 vezes para ter certeza de que não há nenhum erro de digitação)
Análises comparativas do genoma indicam que os humanos que viveram naquela caverna entre 30 mil e 50 mil anos atrás representavam um linhagem “irmã” à dos neandertais (muito semelhante, geneticamente, mas suficientemente distinta para ser considerada uma linhagem diferente). Ambas as linhagens foram extintas, eventualmente, com suas populações substituídas pelas do Homo sapiens que migraram da África e dominaram o mundo. Mas deixaram uma herança genética para o homem moderno que pode ser detectada ainda hoje. Segundo os pesquisadores, os “denisovanianos” contribuíram com cerca de 5% do material genético presente no genoma dos atuais habitantes da Melanésia. Assim como os neandertais contribuíram com 1% a 4% do DNA contido nas células de cada europeu e asiático moderno.
Ou seja, o Homo sapiens levou seus parentes “arcaicos” à extinção, mas não sem antes produzir alguns filhotes com eles. Deixando uma herança genética sutil, porém real, que carregamos até hoje dentro de cada uma de nossas células. Imagine só!
(Na foto acima, um dente de hominídeo achado na Caverna de Denisova. CRÉDITO: David Reich et al., Nature)
Imagine se você vivesse confinado dentro de um quarto no interior de um grande castelo, do qual você não pudesse sair. O quarto tem janelas, pelas quais você pode ver algumas partes internas do castelo e vislumbrar alguns outros castelos distantes numa planície. Assim, você tem alguma ideia da estrutura interna do lugar onde vive e pode usar a aparência dos castelos distantes como uma referência visual comparativa. Porém, sem nunca ter saído do seu próprio castelo, como é que você saberia descrever a aparência externa dele? Sua arquitetura exata? Tamanho, número de torres, quartos, habitantes, etc?
Essa é a situação dos astrônomos que estudam a estrutura da Via Láctea, a galáxia na qual está inserida o Sistema Solar (e, consequentemente, a Terra). O castelo é a galáxia. O quarto no qual estamos “aprisionados” é o Sistema Solar. As janelas são os telescópios que usamos para observar o Universo. E os castelos distantes são as outras galáxias que conseguimos enxergar por meio deles.
A Via Láctea, assim como quase todas as outras bilhões e bilhões de galáxias do Universo, é um disco gigantesco de gás e poeira em rotação. Isso sabemos com certeza. Dentro desse disco, porém, o gás e a poeira podem estar organizados em diferentes configurações (“projetos arquitetônicos”). Até algum tempo atrás, acreditava-se que a Via Láctea era uma espiral com quatro “braços”. Mas agora, com base em observações mais refinadas, acredita-se que ela tenha apenas dois braços principais, conectados por uma “barra” de gás super denso e lotado de estrelas no centro da espiral — algo muito semelhante à galáxia NGC 1073, da qual a Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou uma nova foto esta semana (acima), feita pelo telescópio espacial Hubble.
É dentro de um negócio desses que você vive … imagine só!
Os astrônomos calculam que a Via Láctea tenha aproximadamente 100 mil anos-luz de diâmetro, o que significa que seria necessário viajar durante 100 mil anos à velocidade da luz para ir de uma ponta a outra. Ou seja, não tem a menor chance de conseguirmos vê-la “de fora” (a espaçonave mais distante da Terra atualmente, a Voyager 1, está viajando há 33 anos e ainda está na zona de influência do Sol).
Como, então, podemos estudar a arquitetura da nossa própria galáxia? Esses estudos são feitos, principalmente, por meio de radiação infravermelha e outras linhas “invisíveis” de luz, que, diferentemente da luz visível (que os nossos olhos enxergam), conseguem atravessar as nuvens de gás e poeira internas da galáxia. E, ao fazer isso, nos dão pistas sobre onde essas nuvens são mais densas ou mais espalhadas, mais quentes ou mais frias, etc. É como se usássemos um óculos de raio X ou algo assim para visualizar o interior do castelo sem sair do nosso quarto. Imagine só!
Um dos telescópios que mais contribuiu para essas pesquisas foi o Spitzer, da Nasa, especialista em observações no infravermelho.
Abraços a todos.
Parece roteiro de filme, mas não é. Algum colecionador excêntrico no exterior contratou bandidos para roubar livros raros do Instituto de Botânica do Estado de São Paulo. Inacreditável.
Trio rouba livros raros de botânica em SP e diz ser ‘encomenda internacional’
Três ladrões roubaram nesta quinta-feira, 2, 15 volumes de livros da biblioteca do Instituto de Botânica do Estado de São Paulo, na Avenida Miguel Stéfano, na Água Funda, zona sul da capital paulista. O assalto foi por volta das 16h. Dois homens armados com revólveres renderam dois seguranças, três funcionários e dois estagiários antes de roubar os livros.
No ano passado, diretores do Instituto de Botânica já haviam recebido um ofício da Superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro informando que detentos de um presídio fluminense tinham uma lista de obras raras de botânica que deveriam ser roubadas. As conversas foram interceptadas pelos federais e comunicada aos diretores da biblioteca.
Desde então, os livros foram trancados em uma sala especial, com grades e câmeras de vigilância. “Só não imaginamos que o roubo ocorreria em pleno dia”, diz a diretora do Instituto de Botânica, Vera Bononi.
Antes de praticar o assalto, os ladrões almoçaram no restaurante do Instituto de Botânica. Entraram calmamente na biblioteca e fizeram consultas no computador, como se quisessem localizar o livro. Romperam o silêncio do local anunciando o assalto. Um revólver foi apontado para a cabeça da bibliotecária, que os levou para as obras desejadas. “Eles já sabiam o que queriam”, disse Vera.
Segundo o delegado Enjolras Relo de Araújo, titular do 83.º DP (Parque Bristol), que investiga o caso, disse que os ladrões ainda disseram: “É encomenda internacional”. “O normal desse tipo de ação é o furto e não o roubo. Esse caso mostra certa organização dos bandidos. O material tem valor histórico”, disse o delegado Adalberto Barbosa, titular da 2.ª Delegacia Seccional.
As obras roubadas são raras e antigas. Onze volumes eram da Flora Fluminensis, publicada originalmente em 1827, escrita pelo frei José Mariano Velloso. Os livros contêm gravuras de 1640 de espécies vegetais do Rio e arredores. Parte desses desenhos está acessível para download na internet. Outros dois volumes são das obras Sertum palmarum brasiliensium, de 1903, de João Barbosa Rodrigues, e Bambusees, de 1913, escrita por F.G. Camus.
A diretora do Instituto afirma que as obras não têm valor comercial por serem raras e técnicas. O Instituto de Botânica pede que quem tiver informações sobre o paradeiro das raridades entrem em contato pelos telefones (11) 5073-2860 e (11) 8787-1414.
(FOTO: NASA)
Se você já sonhou em ser astronauta, pode ter certeza de que você não é o único. Mesmo com a moral da Nasa um tanto em baixa nos últimos tempos — devido à aposentadoria dos ônibus espaciais, cortes orçamentários, e menor ênfase em missões tripuladas — mais de 6.300 pessoas se candidataram para uma vaga de astronauta na agência espacial americana, num processo de seleção aberto dois meses atrás. É o maior número de candidatos desde 1978, quando a agência recebeu mais de 8.000 aplicações (entre o fim do Programa Apollo e o início do programa de ônibus espaciais).
Entre 9 e 15 pessoas serão selecionadas para compor a 21ª turma de astronautas da Nasa. Na melhor das hipóteses, portanto, a concorrência é de 420 candidatos por vaga. Oito vezes maior do que a relação candidato-vaga para Medicina na USP, que em 2011 ficou em torno de 51. Imagine só! “Isso demonstra que o público continua genuinamente interessado em dar continuidade à exploração do espaço”, disse a chefe do Escritório de Seleção de Astronautas da Nasa, Duane Ross, em um comunicado divulgado hoje pela agência.
A exploração humana do espaço é um tema que divide opiniões mesmo entre os maiores entusiastas do assunto. Ninguém é contra explorar o espaço com telescópios, robôs, sondas e satélites. Claro. Mas as missões tripuladas são um ponto mais delicado … Será que vale a pena continuar a mandar seres humanos ao espaço? Com todos os riscos e custos envolvidos? 6.300 americanos, pelo menos, acreditam que vale… e estão dispostos a correr o risco. (como eu estaria, também, num piscar de olhos)
Segundo a Nasa, os novos astronautas vão “viver e trabalhar na Estação Espacial Internacional, ajudar a construir as espaçonaves Orion (veículo tripulado de transporte que está sendo desenvolvido para substituir os ônibus espaciais), e dar continuidade às parcerias da Nasa com empresas que prestarão serviços de transporte comercial para a Estação Espacial”.
O processo de seleção vai durar mais de um ano e os escolhidos precisarão completar dois anos de treinamento para ter uma oportunidade de ir ao espaço. Uma das exigências é aprender russo — especialmente agora, que o único modo de ir e voltar da Estação Espacial é com os russos, nas cápsulas Soyuz. Кто вы обращаетесь к?
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