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Haisem Abaki

30.agosto.2013 23:22:08

Rabo abanando o cachorro

Semana estranha essa que está terminando. O mundo virou de cabeça pra baixo ou eu é que plantei bananeira sem saber? Deve ser a primeira alternativa porque não tenho coordenação suficiente para performances tão ousadas. Só teve notícia da editoria “rabo abanando o cachorro”.
Uma delas foi a do Ocidente “humanitário” descobrindo a barbárie na Síria. Mais de dois anos depois, com a conversa da “imoralidade” das armas químicas? Tradução: podem se matar com bombas, morteiros, tiros, emboscadas, mas se passar disso a gente ataca pra matar mais um pouco. Tamanha humanidade chegou tarde pra muita gente, que já não vê mais diferença entre o ditador e os rebeldes.
E as nossas cachorradas domésticas (com o perdão dos cães), por onde começar? Talvez pelos três coitadinhos soltos na Bolívia e que logo vieram se meter em confusão num estádio em Brasília. Torcedores bem profissionais, que conseguem viajar pelo país e pelo exterior. Devem ter muito tempo e dinheiro para isso. Esses são da turma do preto e branco, mas existem os de verde e branco, branco, preto e vermelho e outras cores mais. Sempre valentões.
Também tive que dar no rádio a notícia do desabamento de um prédio em construção. Dez mortos e apenas uma dúvida: o fiscal não viu porque é ruim de serviço ou só viu a cor do dinheiro? Rigorosas investigações de vigilantes autoridades darão as respostas.
E aquele grupinho de médicos brasileiros vaiando colegas cubanos? Não gostei, da mesma forma que não aprovei as agressões verbais contra a cubana Yoani Sánchez no começo do ano. Mas teve gente que vaiou a blogueira e defendeu os doutores e vice-versa. Ah, sim, a ofensa também tem o pragmatismo torto da conveniência ideológica. Depende do freguês…
Em Brasília passou na quarta-feira o filme Natan Donadon e a Câmara Secreta. Perto das bruxarias do bando anônimo que acha normal um deputado ficar preso em cadeia nacional e falar em cadeia nacional, o pobre Harry Potter é só um moleque de óculos, sem nenhum poder. A mágica da absolvição foi possível com 131 que votaram “não”, 41 que ficaram em cima do muro e 104 que não apareceram. Total: 276 Danadões livrando a cara de um Donadon.
Foi quando eu cometi um erro grave, primário… Perguntei a mim mesmo, em pensamento, o que mais faltava acontecer. E não é que o pessoal do Ministério Público Federal vai ter uma palestra sobre “práticas lícitas” com a empresa que descarrilou um trem de denúncias e admitiu participar de um cartel em São Paulo? Tucanaram a ética também?
Com a cabeça fervilhando, abri a porta de casa e fui recebido com pulos pela minha cachorra, que abanava o rabo. Resolvi prestar atenção pra ver se não estava sendo enganado por uma ilusão de ótica. Será que era o rabo que abanava a Meg? Não, depois de alguns dias, finalmente, algo estava no lugar. Era ela que abanava o rabo. Então, fomos dar uma volta. Mas antes peguei um saquinho para o caso de alguma “necessidade”. Já deixaram “coisas” demais espalhadas por aí. Que cheirinho…

comentários (3) | comente

  • A + A -
3 Comentários Comente também
  • 31/08/2013 - 13:42
    Enviado por: Maria inez Maran Rodrigues

    Vc resumiu muito bem, o que falta acontecer ?????

    responder este comentário denunciar abuso

  • 31/08/2013 - 20:07
    Enviado por: valderes

    Haisem, esta semana foi dura de engolir tantos despropósitos…..mortos na Síria, na Brasilândia e a falta total de vergonha, de respeito ao povo brasileiro deste congresso(se tivesse uma letra menor ainda eu usaria) que, sinceramente não sei mais como qualificar…. uma decepção a cada dia. A cada dia? A cada minuto que eles se dignam a comparecer…..E terminando, o cheirinho do número dois dos cachorros(eu tenho duas) é perfume perto do odor que exala do congresso e da fiscalização da Prefeitura de São Paulo que permitiu que aquela obra continuasse, ceifando vidas daqueles que saíram de sua terra só para tentar uma vida melhor. E ainda temos que esperar o que o Obana vai fazer………Abrs e um excelente final de semana!

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  • 02/09/2013 - 11:41
    Enviado por: Roberto Alves

    Haisem, analisando todas essas notícias, chegamos a conclusão de que, no seculo XXI, a inversão de valores é cada vez maior. O pensamento é de que “o certo é ser errado”. Que saudade dos tempos onde os homens eram mais dignos e até em meio as guerras, havia um pouco de “bom senso”.

    Em meio a tudo isso, é sempre bom saber que nossa família e nossos animaizinhos são sinceros conosco. Ainda continua a mesma coisa.

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    Quem Faz

    Haisem Abaki

    Jornalista desde 1986, Haisem Abaki é atualmente âncora do jornal Estadão no Ar 1ª edição, que vai ao ar diariamente, das 6 às 10 da manhã, pela Rádio Estadão. É também professor do Curso de Jornalismo da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Trabalhou por 7 anos na Rádio CBN e por 12 anos na Rádio Bandeirantes. Da experiência profissional e como pai de primeira e segunda viagem, procura trazer uma visão bem-humorada com crônicas do dia a dia, do jornalismo e da política. haisem.abaki@estadao.com

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