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“Acordo” de Genebra é mais um fracasso para resolver a crise sem solução na Síria

Gustavo Chacra

01 julho 2012 | 12:25

no twitter @gugachacra

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Vocês já imaginaram uma conferência internacional para decidir os destinos do Brasil durante o regime militar sem convidarem os brasileiros? Isto é, não apenas os generais e os opositores, como também pessoas da nossa sociedade civil. Seria humilhante e certamente não representaria o que pensa a população brasileira, certo?

Foi exatamente isso o que aconteceu em Genebra. Os cinco membros do Conselho de Segurança e mais quatro países da região decidiram debater o futuro da Síria em direção à democracia.

Vale lembrar que quatro destas nações são ditaduras – China, Qatar, Kuwait e Jordânia. Uma delas vende armas para uma ditadura (Bahrain) que também tortura e mata opositores – EUA. Outra reprime a minoria curda com uma violência similar às forças de Assad contra a oposição – Turquia.

Além disso, por que a Grã Bretanha teria uma voz mais importante do que a do Brasil e a da Argentina, que possuem as duas maiores comunidades sírias na diáspora? Por que o Kuwait, sem fronteira e ligações históricas com os sírios, foi convidado e o Líbano, nação irmã da Síria, não?

Não é a toa que, no fim, os EUA e a França digam ter havido um acordo para uma transição com a renúncia de Assad. E a Rússia e a China afirmem que não há exigência para a saída do líder sírio – neste caso, Moscou e Pequim têm a razão pois, se eles rejeitam, não houve acordo.

E estas nações sabem não existir saída para a Síria no curto prazo. O cenário de guerra civil certamente irá se deteriorar independentemente do que a Hillary ou o Lavrov falem publicamente

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios