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Gustavo Chacra

No Twitter @gugachacra

A Guerra Fria no Oriente Médio está com seus olhos em Bahrein no momento. Como escrevi ontem, de um lado estão os sauditas, apoiados por Israel e (cada vez menos) pelos EUA. De outro, o Irã. Os dois países disputam a hegemonia no Oriente Médio e não estão tão preocupados com o destino dos palestinos. A questão palestina apenas serve de discurso para as populações locais.

Neste ano, os sauditas perderam o Líbano e fracassaram na tentativa de fazer a Síria e o Iraque mudarem de lado. Tudo começou depois das eleições parlamentares em Bagdá no ano passado. Não houve um claro vencedor, já que nenhuma das coalizões conseguiu maioria. Porém uma aliança secular, liderada por Ayad Allawi, um xiita com apoio dos sunitas, obteve mais votos do que Nuri al Maliki, que é um xiita moderado sem proximidade com os sunitas.

Os EUA viram uma possibilidade de equilibrar a balança. Os sauditas viram uma chance de enfraquecer Teerã. Mais importante, Riad e Washington perceberam que a Síria também simpatizava mais com Allawi, indo contra os desejos dos iranianos. Havia chegado o momento de os EUA e a Arábia Saudita tentarem convencer Damasco a mudar de lado.

Uma série de iniciativas começaram, com os americanos concordando em enviar um embaixador para a capital síria e mantendo diálogos indiretas através de figuras como o senador Jonh Kerry, que preside a Comissão de Relações Exteriores do Senado. A monarquia dos Saud convenceu Saad Hariri a se aproximar de Bashar al Assad. O ápice foi a visita conjunta do rei Abdullah e do presidente sírio a Beirute. A Síria havia mudado de lado.

Neste momento, também acabaram as acusações de que a Síria estava envolvida na morte de Rafik Hariri. Começaram a apontar o dedo para o Hezbollah (e, indiretamente, o Irã). Os sírios também incentivaram uma solução que incluísse os sunitas no Iraque.

Esta postura síria irritou o Irã. Mahmoud Ahmadinejad, em um claro sinal de insatisfação com Damasco, visitou o Líbano, sempre considerado um quintal sírio para a dinastia dos Assad. E, claro, começaram as ameaças. A Síria, revoltada com o embargo americano que não havia sido levantado e a falta de avanço nas negociações do Golã, decidiu fazer um jogo duplo, voltando a se aproximar de Teerã.

Em um pacto, a Síria pulou fora da questão iraquiana. Em troca, o Irã concordou que os sírios voltassem a dar as cartas em Beirute e escolherem o novo premiê – note que Najib Mikati era o nome de Damasco, não de Teerã, que preferia Omar Karami. A ação síria contou com o apoio do Qatar e da França. Os sauditas aceitaram a derrota, tentando encarar como um empate, já que o preferido de Teerã também ficou de fora.

Atualmente, o Líbano voltou a ser quintal sírio. E o Iraque, do Irã. Os EUA não sabem mais se movimentar na região e parecem perdidos. Israel já entendeu isso e optou por atuar sozinho, pois os americanos só atrapalham. A Arábia Saudita, também, especialmente depois de Washington largar Hosni Mubarak na mão. Aprendendo com os israelenses, decidiram agir sozinhos e entraram em Bahrein. Este será o tema de amanhã.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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