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Israel pode dizer que o Hamas é aliado do Irã. Mas, na verdade, o mundo mudou no último ano. O grupo palestino integra esta nova onda de governos e movimentos apoiados pelo Qatar e pela Arábia Saudita, como a Irmandade Muçulmana, que estão redesenhando o mapa do Oriente Médio com o aval de Barack Obama.
Na Tunísia, os movimentos islâmicos já chegaram ao poder. Na Líbia, idem. No Egito, estão cada vez mais fortes. Recebem apoio dos EUA e dos europeus na Síria para lutar contra Bashar al Assad. São justamente os adversários do regime de Teerã, e não seus aliados. Mais importante, têm financiamento justamente dos dois países árabes mais poderosos no Ocidente. Veja o que está escrito na camisa do Barcelona para ter uma idéia.
O Qatar está reconstruindo Gaza e suplantará qualquer corte na ajuda dos EUA e de Israel. Mais importante, passarão a usar seu lobby em Washington, junto com os sauditas, para patrocinar os palestinos e, em especial, o Hamas. A contrapartida é a organização palestina abdicar de ações terroristas e lançamentos de foguetes, conforme já vem acontecendo. O discurso agressivo de líderes do Hamas são mais populistas do que realistas.
Portanto o Hamas hoje não deve ser mais descrito como pró-Irã. Esta aliança sempre foi meio bizarra e se deveu a um erros israelense anos atrás, quando libertaram membros da organização para irem ao sul do Líbano. Na época, eles foram treinados pelo Hezbollah.
Porém, no fundo, o Hamas sempre foi uma organização sunita radical, nos moldes da Irmandade Muçulmana (mas bem mais moderada do que os salafistas) O Irã é xiita. Hoje, no Oriente Médio, estão em lados antagônicos. Os palestinos cada vez mais passam para o lado da Arábia Saudita e do Qatar, não do Irã. Para Israel, não é tão ruim. O inimigo de Riad está em Teerã, não em Jerusalém.
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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacio
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