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O Oscar conquistado pelo filme iraniano “A Separation” prova que o Irã é muito mais do que um regime extremista. É, na verdade, uma nação com uma cultura e uma arte milenar. Mas, quando falamos de Teerã, hoje, infelizmente associamos ao radicalismo religioso, à intolerância.
Apesar de líderes deploráveis como Mahmoud Ahmadinejad, o Irã tem diretores de cinema geniais como Asghar Farhadi. Portanto não podemos cair na Iranofobia de achar que tudo o que vem de Teerã é ruim. Não é. Não podemos misturar um regime com uma civilização como a persa. E A Separation mostra do que os iranianos são capazes. Imagine o que não seria aquele país em um regime democrático?
No Oriente Médio, também vale elogiar os israelenses e os libaneses por seus filmes. Footnote é das tramas mais bem boladas dos últimos tempos e também mereceria o Oscar. Sei que sou suspeito para falar do cinema de Israel, pois é o meu preferido depois do argentino. E do libanês, também, porque sou fanático pela diretora Nadine Labaki e pelo país onde nasceram meus avós.
De qualquer maneira, sabemos que diretores (e diretoras) em Beirute, Tel Aviv e Teerã produzirão filmes bons. Se houvesse paz, me desculpem os europeus, mas nenhuma viagem no mundo seria tão encantadora quanto ir de Jerusalém a Beirute, de Damasco a Bagdá e de lá para Teerã.
Antes de encerrar, pediria que algum leitor me indicasse um filme da Arábia Saudita. Deve ser difícil, afinal o regime saudita não deixa as mulheres sequer dirigirem carros. Mesmo assim, Hillary Clinton, secretária de Estado dos EUA, não se importa de dar as mãos para líderes sauditas em cenas grotescas.
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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios
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