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De Israel à Palestina – A solução óbvia para Jerusalém

Gustavo Chacra

20 janeiro 2011 | 18:08

O historiador e hoje embaixador de Israel nos Estados Unidos, Michael Oren, publicou um artigo no USA Today em que defende os pontos de vista israelenses, como cabe a qualquer diplomata. Em determinado trecho do texto, ele afirma que Israel insistirá que Jerusalém “permaneça indivisível”. Nenhuma novidade. Como o próprio Oren afirma, esta era a política até mesmo de Yitzhac Rabin, certamente o mais admirado líder israelense no mundo árabe de todos os tempos – se não for o único.

A diferença está na conclusão do parágrafo dele. “Mas entendemos que os palestinos adotam posições diferentes sobre Jerusalém e que eles levarão para a mesa de negociação”, escreveu. Perfeito. Não há nada a acrescentar ao que disse o diplomata e historiador israelense.

Israel e palestinos possuem visões distintas sobre a resolução do conflito. Nenhuma deve ser imposta sobre a outra. Tudo deve ser negociado, especialmente no status de Jerusalém, certamente mais difícil dos três obstáculos para um acordo de paz.

Há um consenso na comunidade internacional de que os refugiados palestinos retornariam apenas para o futuro Estado palestino, não para o que hoje é Israel. E outro de que os assentamentos longe da fronteira da Cisjordânia com o território israelense devam ser removidos.

No caso de Jerusalém, cada lado apresenta a sua posição. Na minha avaliação, deveriam manter a cidade unificada, pois não há nada mais bizarro do que visitar uma metrópole separada por um muro, como Nicósia, no Chipre. Deve também ser a capital de Israel, já que toda a administração israelense está na cidade. Basicamente, os dois desejos de Israel estariam concluídos. Jerusalém indivisível e capital de Israel. Porém a sede da Presidência palestina poderia ficar em Jerusalém Oriental. Seria, simbolicamente, a capital palestina, apesar de, na prática, a administração ser mantida em Ramallah.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen e eleições em Tel Aviv, Beirute e Porto Príncipe. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios