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Guga Chacra

20.julho.2010 09:31:30

De Damasco a Beirute – Super liberalismo libanês x Super secularismo sírio

A relação da Síria com o Líbano avançou nos últimos dois anos. Por décadas, muitos sírios ainda reivindicavam o território libanês com o argumento de que tudo era parte da Grande Síria. Um erro, já que no Império Otomano existia a subprovíncia do Monte Líbano que respondia diretamente a Istambul, e não a Damasco. As cidades costeiras pertenciam a outras províncias.

Como o Uruguai em relação à Argentina, Portugal e Espanha e Austrália e Nova Zelândia, Líbano e Síria são muito próximos. A culinária é quase a mesma, gostam de beber arak, falam a mesma língua e as ligações culturais e familiares aproximam os habitantes destes dois países.

Poderiam até, no passado, terem integrado o mesmo país. Mas isso não aconteceu, décadas se passaram e diferenças surgiram. Em Damasco, perguntar a religião de alguém é falta de educação. A pessoa afirma ser síria e questiona a necessidade de alguém querer saber se ela é cristã ortodoxa, muçulmana sunita ou alauíta. A Síria tem orgulho de ser “árabe”, sempre evitando a palavra “islâmica”. Inclusive, o governo adotou restrições ao uso de vestimentas islâmicas em escolas e prédios públicos, seguindo a França e a Turquia – esta ação seria completamente inaceitável no Líbano.

Já quando desembarcamos em Beirute, a primeira pergunta que qualquer libanês faz é sobre a religião. Responda cristão, que logo vem a segunda – “Maronita, Ortodoxo ou outra?” Os libaneses têm uma necessidade de saber as informações pessoais dos interlocutores. Se são xiitas, sunitas, do sul, do Beqaa, do Monte Líbano.

Os dois países também possuem economias distintas. O Líbano é um dos maiores bastiões do livre mercado e da iniciativa privada do mundo. É o paraíso dos libertários. Ron Paul se sentiria à vontade como em Beirute, onde cada um faz o que quer, até mesmo guerra. A Síria é estatal, com o poder centralizado. Apenas há poucos anos começaram a surgir bancos privados. Quase tudo passa pelo governo.

No domingo, o premiê do Líbano, Saad Hariri, se encontrou pela terceira vez com Bashar al Assad, presidente da Síria, em Damasco. Os dois países aprofundaram as relações e assinaram uma série de acordos. Espero que, com o tempo, cada um aprenda com o outro o que há de melhor – a iniciativa privada libanesa, de um lado, e o secularismo sírio, do outro. Sempre claro, mantendo uma relação ao estilo Austrália-Nova Zelândia.

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes

O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

Comentários (81)| Comente!

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81 Comentários Comente também
  • 20/07/2010 - 10:05
    Enviado por: Cannabis

    Justo!

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  • 20/07/2010 - 10:15
    Enviado por: José Carlos Salvagni

    Gustavo
    Pensando em termos regionais, ambos os países têm algum acordo comercial entre si? Há alguma coisa que seja embrião de mercado comum pelo menos entre alguns países daquela região? Vê alguma possibilidade neste sentido, mesmo que restrita a alguns países? Que tipos de produtos ou de interesses podem levar a entendimentos de tipo mercado comum lá?

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  • 20/07/2010 - 10:16
    Enviado por: ROBINSON

    caro gustavo;
    em agosto de 1975 visitei o libano,com mais dois amigos,todos nós brasileiros e catolicos.chegamos a beirute num voo da iran air,vindo de teerã[lembrando os leitores:o iran era governado pelo xá,e não era considerado do eixo do mal],alugamos um fusca 1300 e fomos dar uma volta pela cidade;o clima já estava tenso e a guerra civil estouraria uns 20 dias depois da nossa partida.andamos pra todo lado,fomos até o hotel george v[indicado por amigos de são paulo]tomar uma cerveja na piscina,onde nos sentimos no monte libano, e tambem a zahle e baalbeck,no vale de beqaa,junto com dois libaneses muçulmanos,gente bonissima,a quem tinha levado uma carta em arabe,de seu irmão que migrara para o brasil.a impressão foi das melhores possiveis ,só que achei o nosso kibe cru mais gostoso que o de lá.nós tinhamos tirado visto para ir a siria,o que seria feito com estes amigos,mas infelizmente não deu certo.do libano,fomos para o egito,turquia e israel.viagem inesquecivel.

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  • 20/07/2010 - 10:36
    Enviado por: Mario C.

    Faltou uma análise mais aprofundada do autor do artigo acima sobre as razões para tal “secularismo” na Síria.
    Uma delas é a dominação do país por uma família “imperial”, com controle absoluto sobre a vida dos cidadãos e temente que grupos religiosos como a Irmandade Muçulmana influencie as massas para uma revolta contra esta casta de governantes.
    O artigo passa uma idéia de cosmopolitismo e de respeito ‘as diferenças pelo governo da Síria- comparando com a França- mas, digo eu, as motivações são apenas as da dominação e não das liberdades.

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    • 20/07/2010 - 14:12
      Enviado por: Ali Abdulhamid

      Estranho Mario

      Pelo que entendi você gostaria que um grupo como a Irmandade Muçulmana (referencia para grupos como Taleban, e pessoas como Bin Laden) govrenasse a síria?

      Veja o Egito e compare Cairo com Damasco. Uma pena ter que dialogar com quem não entende qual o problema real de tudo.

      De qualquer jeito não tiro o argumento que a família Assad governa o país ha anos. Mas lembre-se que o real poder sírio não está na família Assad, mas sim no partido Baath, com a maioria dos membros sunitas, como é no restante da Síria.

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    • 21/07/2010 - 00:01
      Enviado por: Jorge Saad

      Estive na Siria a dois meses e tive a oportinudade de conversar com muita gente de diferentes classes sociais, cidades e religiao; viajando por todo o pais.
      Interessado; com a mente e o coracao aberto pude concluir que, infelizmente, quem manda naquele pais e o partido Baath. Infelizmente porque possuem total controle sobre a vida dos cidadao, desde o mais humilde ate a familia Assad, que nao vai se queixar porque enche as burras de din-din.
      La; se nota ainda mais do que no Brasil o esquema: “Para os amigos tudo, para os inimigos a lei”.

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  • 20/07/2010 - 10:38
    Enviado por: PAULO JOSÉ

    Caro Chacra,
    sempre que puder, nos esclareça quais as religiões que seguem os países do Oriente Próximo/Médio. Isso ainda me traz não pouca confusão.São muitas as peculiaridades deste países, bem o sei, e não apenas as religiões que professam, mas este capítulo é sempre embaraçoso e não raro muitos jornalistas fazem afirmações duvidosas sobre os hábitos dos habitantes destas nações (por um exemplo: o uso da burka).

    P.S.: Conheçe ou poderia indicar alguma escola que ensine árabe a não-religiosos?

    Forte abraço.

    Paulo José – São Bernardo do Campo

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    • 20/07/2010 - 15:41
      Enviado por: Guilherme Pallerosi

      Caro Paulo,
      Conheço o Centro Cultural Árabe Sírio em São Paulo. Rua Augusta, 1053- Jardim América – Sao Paulo – SP Tel: (11) 3259-3439 | 3231-3012. Aulas de árabe para qualquer interessado em aprender a lingua.

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  • 20/07/2010 - 10:43
    Enviado por: Charbel

    A Síria por anos explorou o Líbano, um país que sofreu por interesses de todas as partes ( Irã, Síria , Israel, EUA, etc.), de forma que a população sofresse .
    Talvez este encontro não tenha muito proveito.Mas torço para que se resolva parte das desavenças de ambas as partes.

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  • 20/07/2010 - 10:46
    Enviado por: Mario C.

    Ali Sadreddine Bayanouni provavelmente não concorda com o seu texto.
    Mandei um post. que não foi ainda publicado, mas gostaria de saber a opinião do articulista sobre o frágil alicerce em que se sustenta o regime sírio.

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  • 20/07/2010 - 10:54
    Enviado por: Lorenzo

    olá Chacra,
    adorei esse post. Particularmente, gosto mais quando os textos falam sobre cultura e “way of life” do que sobre política. Se bem que as duas coisas muitas vezes são inseparáveis.

    Gostaria de saber qual a influência fenícia na síria e se os dois povos são realmente bem próximos etnicamente.

    outra coisa, qual a influência dos turcos na formação do líbano e síria? na língua, na cultura, na formação étnica etc…
    i.e. os turcos que vieram da ásia central devem ter um sentido de vida muito diferente dos árabes…creio!!! ;)

    e até que ponto os europeus exerceram influência no Líbano/Síria (especialmente os franceses)

    abs!

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    • 20/07/2010 - 11:45
      Enviado por: Gustavo Chacra

      Lorenzo, esta é uma questão grande, mas vou resumir. O Líbano é do jeito que é por causa da França, que favoreceu os cristãos maronitas durante o mandato. Até hoje, as escolas libanesas ensinam o francês e muitos libaneses são francófonos. Os otomanos influenciaram em todos os aspectos a Síria e o Líbano, mas não a ponto de alterar a língua

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  • 20/07/2010 - 10:55
    Enviado por: jarbas

    Muito interessante as informações que nos passam do mundo árabe, desconhecido para a maioria de nós. Parabéns também ao Estadão, que não se contenta simplesmente em reproduzir em suas páginas os noticiários da região publicados pelas agências internacionais, mas envia jornalistas com sua formação e cabeça para garimpar as notícias in loco. Quem ganha com isso somos nós, os leitores.

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  • 20/07/2010 - 11:04
    Enviado por: Gustavo Chacra

    Mario C, não entendi bem a sua pergunta. De que alicerce você fala?

    Charbel, vamos torcer. Lembro que foi o terceiro

    Paulo José, o Centro Árabe Sírio (acho que o nome é este, mas o Ali pode me corrigir) oferece cursos gratuitos de árabe

    Mario C, não quis passar nenhum cosmopolitismo no texto. Acho que você me interpretou mal. E o secularismo sírio antecede à chegada do Hafez al Assad (pai de Bashar) ao poder. Mas você tem razão sobre o temor que eles têm de grupos radicais islâmicos

    Robinson, obrigado pelo relato. Uma pena você não ter ido até a Síria, mas já vale por ter conhecido o Líbano em uma época anterior à destruição

    José Carlos, estes países estão negociando um acordo que também envolve a Jordânia e a Turquia

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    • 20/07/2010 - 14:09
      Enviado por: Ali Abdulhamid

      Paulo José. Um prazer repassar esta informação aqui

      O nome é este mesmo que o Chacra passou. É centro cultural árabe sírio.

      No local ha aulas de árabe coloquial, danças folclóricas e diversas palestras sobre a cultura árabe (literatura, pintura, poemas) e espetáculos de danças.

      Sobre o curso de idiomas é gratuíto, semestral, e a única taxa que o sr paga seria da inscrição e do material, que não passa de 100 reais.

      Vale a pena ir la… o endereço é Rua Augusta 1053

      E só para lembrar, é um centro de cultura árabe, onde ha diretores de diversas religiões.

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  • 20/07/2010 - 11:08
    Enviado por: João Phelippe

    tenho descendencia sirio-libanesa e realmente espero, como dito em seu texto “que, com o tempo, cada um aprenda com o outro o que há de melhor”… moro no Brasil desde que nasci e nunca fui a nenhum dos dois países mas tenho amigos e parentes que ainda vão muito ao Líbano e a Síria e vivênciam nossa cultura de maneira muito forte… e retratam essas questões que diferenciam as duas nações… como “árabe” / “sirio-libanes” espero o melhor para o meu povo….

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  • 20/07/2010 - 11:14
    Enviado por: Thiago Neto

    Gustavo, bom dia ! Como sempre, ótimos textos para se ler por aqui.

    Pergunta: Qual costuma ser a reação de um muçulmano (em suas mais variadas vertentes – eu sei, pergunta mto ampla, responda sepuder e o que souber) quando ouve de alguém este ser ateu ? Já passou por isso ? (não sei se você é religioso ou não).

    A reação cretina dos católicos mais fervorosos nós já conhecemos – basta assistir a alguns vídeos da Fox News, ou mesmo no Brasil – mas no Islã não faço idéia da visão que se tem da simples ‘ausência’ de religiao.

    Um abraço !

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  • 20/07/2010 - 11:16
    Enviado por: Filipe

    To muito surpreso e feliz! Talvez seja a primeira vez que eu veja um caso onde cristãos e mulçumanos convivam em paz com suas religiões num país árabe, e onde a nacionalidade de país é mais importante que a religião dos mesmos. Espero que o mundo muçulmano se espelhe nestes exemplos, além da Turquia, e até certo ponto, o Egito. Torço muito pelos paísese árabes.

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    • 20/07/2010 - 14:05
      Enviado por: Ali Abdulhamid

      Filipi, vc iria adorar visitar a Síria. é um pais muito gostoso. E Beirute, no Líbano, tem uma vida noturna deliciosa… fora as outras qualidades dos dois países.

      Lembre-se que a maior parte da cultura, culinária e costumes que aprendemos dos árabes no brasil (homus, falafel… barganha, o convite a sempre visita-los) vem basicamente dos sirios, libaneses e palestinos.. e muito pouco dos sauditas, egipcios e outros.

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  • 20/07/2010 - 11:22
    Enviado por: Gustavo Chacra

    Thiago Neto, pessoas religiosas, sejam elas muçulmanas, judias ou cristãs, acham estranho quando alguém diz ser ateu. No caso libanês, ser cristão não significa tanto ir à missa. Mas sim a origem da sua família

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  • 20/07/2010 - 11:25
    Enviado por: MarioS

    “Espero que, com o tempo, cada um aprenda com o outro o que há de melhor – a iniciativa privada libanesa, de um lado, e o secularismo sírio, do outro”
    E eu também, mas espero mais ainda que não seja o contrário, o parece ser bem mais provável. Na região percebe-se claramente um aumento no poder dos religiosos, até em Israel, e o estatismo então, está em expansão no mundo inteiro.

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    • 20/07/2010 - 11:39
      Enviado por: Gustavo Chacra

      Verdade. Mas acho que o liberalismo libanês é intocável. Nunca vi país que ame tanto o capitalismo quanto o Líbano. Quanto à religiosidade, realmente olho com cautela, especialmente no Egito

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  • 20/07/2010 - 11:36
    Enviado por: Irlandes

    Ótimo texto Gustavo.

    Interessante em ver que a abertura economica nao se reflete em abertura social/religiosa.
    Só essas diferencas já seriam bastante para nao terem muita proximidade e até antagonismos. Bom saber que ambos estao “se entendendo”.

    abracos.

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    • 20/07/2010 - 11:46
      Enviado por: Gustavo Chacra

      Irlandes, valeu pelo elogio. E, na Irlanda, dá para entender um pouco como é o Líbano – especialmente se você for para a Irlanda do Norte. As comparações serão inevitáveis

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    • 21/07/2010 - 05:56
      Enviado por: Irlandes

      Gustavo,

      Irlanda do Norte é interessante. Já estive lá 3 vezes.

      Na última vez que estive lá, em dezembro do ano passado, estava dirigindo meu carro (que tem matrícula irlandesa), e a Polícia deles ao me ver na Motorway, me pediu para encostar. Como estava somente com a Carteira Provisória da Irlanda (tinha esquecido minha carteira brasileira), a policial me deu ordem de prisao, pois a carteira provisória da Irlanda não é válida fora de território irlandes e lá era “parte da Great Britain”. Faltavam apenas 17 km para chegarmos em Belfast no hotel.

      Fui para a delegacia, lá notei que a maioria dos policiais não eram da Irlanda do Norte, mas sim britanicos. Fui fichado, tive que tirar fotos, digitais e por pouco não coletaram meu DNA. Fui liberado ao pagar 500 euros de fiança.

      Voltei lá para o julgamento em janeiro. Mostrei que tinha seguro, carteira de motorista provisória irlandesa, e definitiva brasileira, daí cancelaram minhas acusações e devolveram toda a fiança. O Juiz era britanico e o advogado era Norte-Irlandes formado em Londres…

      Há bandeiras da Gra-Bretanha por todos os lugares. O povo é diferente do Irlandes, sendo mais “arisco”. Arquitetonicamente, vc nota que entrou em outro país, lembra muito Londres, mas economicamente vc nota que é mais atrasada que a Inglaterra ou a própria Irlanda. Newry é uma cidade que “respira indignação”. Voce nota no transito, nos centros comerciais que a irritação de muitos.

      Essa é minha opiniao, mesmo que conheco pouco da Irlanda do Norte. Basicamente as cidades de Belfast, Portadown, Newry e Lisburn.

      Abraços.

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  • 20/07/2010 - 11:41
    Enviado por: Tiago

    Excelente post do jornalista, mais uma vez, sinceros parabéns. Quem dera outros “analistas de política internacional” tivessem essa visão e conhecimento do assunto. Se me permite tirar tal conclusão desse texto e de outros posts recentes seus sobre a Síria, é importante notar que nem sempre um país árabe=islamismo radical=homens bombas=ditaduras sanguinolentas, como a maioria acredita pelo que é mostrado na mídia em geral. É muito bom podermos contar com uma visão especializada, e não preconceituosa, sobre o assunto. Obrigado.

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  • 20/07/2010 - 12:01
    Enviado por: Renato

    Ser cristão ou muçulmano no Líbano é algo como ser gremista ou colorado no Rio Grande. Tenho a sorte de ser árabe budista, ciente de que o deus inventado por Abraão / Ibraim só criou desavenças para quem (no Oeste da Ásia) não tinha recursos naturais suficientes na época. Bem diferente dos asiáticos do Centro-Leste, que na origem, inventaram cultos de agradecimentos, e não de pelejas.
    É bom lembrar que o Iraque (e o Afeganistão) foram países budistas, antes de o Islã chegar e destruir os templos. Há literatura a esse respeito (e havia os budas que foram destruídos pelo talibã).

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  • 20/07/2010 - 12:21
    Enviado por: Hagá

    “Inclusive, o governo adotou restrições ao uso de vestimentas islâmicas em escolas e prédios públicos, seguindo a França e a Turquia – esta ação seria completamente inaceitável no Líbano.”

    Surpreendente! Muitas pessoas ignorantes [ou por má-fé] costumam colocar os países árabes ou de maioria islâmica como se fosse uma coisa só, um bloco único, sob a perspectiva do pior obscurantismo. Artigos como este evidenciam a grande variedade que há na região. Como outro comentarista, também gosto de informações sobre cultura, quotidiano, mais até do que a política local.

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    • 20/07/2010 - 14:06
      Enviado por: MarioS

      “Muitas pessoas ignorantes [ou por má-fé] costumam colocar os países árabes ou de maioria islâmica como se fosse uma coisa só, um bloco único
      Claro que se formos rigorosos isto não é verdade Hagá, mas, como todo mito, um fundo de realidade existe.
      Quantos países voce conhece que baseiam sua política externa na religião? São pouco, mas TODOS muçulmanos. O que o Irã tem contra Israel? Será coincidência a guinada na posição turca após a ascenção ao poder de um partido muçulmano?
      Realmente, muitas pessoas, por má-fé, colocam os países árabes ou de maioria islâmica como se fosse uma coisa só, um bloco único. Exemplos: Ahmadinejad e Erdogan

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    • 20/07/2010 - 19:51
      Enviado por: Yoko

      É, a resposta é mostra clara que pessoas não acompanham mesmo noticiário do mundo … ou ficam cegos quando lhes convém.

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  • 20/07/2010 - 12:29
    Enviado por: ivan bueno

    Dois povos tão parecidos. Por que não se darem bem e tirar proveito disso !?
    Integração á a palavra chave.

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  • 20/07/2010 - 12:35
    Enviado por: Marcus

    Para expressar minha opinião, esse tipo de texto é muito interessante e informativo.

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  • 20/07/2010 - 13:13
    Enviado por: Jose roberto de barros simoes

    Gustavo,
    Muito bom seu Blog,parabéns.
    Meu bisavô paterno veio de Rachaya al Foukhar,que segundo informações familiares
    pertencia a Síria. Hoje,parece-me que esta cidade pertence ao Líbano.
    Procede esta informação?
    Att
    José Roberto

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  • 20/07/2010 - 13:17
    Enviado por: juca tem boa memória.

    Gustavo:
    A Siria já recebeu seu “abraço de urso” do Irã que tá dificil de sair fora e se tornar uma afronta ao “Urso” que é mais forte e pode lhe trazer problemas.
    Mais a Siria não quer que o “abraço” evolua para “sexo anal” e os fundamentalistas ao modelo iraniano “penetrem” com tudo dentro da sociedade Siria e ameacem o poder da Mafia Assad.
    Neste ponto Israel e Siria querem a mesma coisa,concordam 100% que isto é o melhor para os dois paises,mesmo que para a Siria este “ganho” para Israel seja uma consequencia da sobrevivencia da Mafia Assad.
    Modelo iraniano e dos amigos do Hamas,só de longe.
    É igual ao cara que tem um amigo,mais não acha que presta para ser namorado da irmã dele.

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    • 20/07/2010 - 14:02
      Enviado por: Ali Abdulhamid

      Hum, tirando as partes indevidas…

      Olha, a Síria sabe muito bem onde se mete.

      Assad sabe muito bem que a relação com o Irã é tensa para o resto do mundo. Sempre que indagado sobre a negação que Ahmadinejah faz sobre o Holocausto ele responde de modo pessoal e não se alia a mesma opinião.

      Todos sabemos que antes de 79 o Irã era um bastião americano na região. Agora não é mais, porém a Síria sabe que a qualquer hora pode deixar de ser um aliado.

      Isso se sente ha anos.

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  • 20/07/2010 - 13:32
    Enviado por: Glúon

    .
    _____________
    .
    Papo de leitores
    .
    _____________
    .

    - O que você achou da analogia?
    - Qual delas?
    - A comparação feita entre a Síria – Líbano e Austrália – Nova Zelândia?
    - Perfeita. O problema daquela região é mesmo o tal Diabo-da-Tasmânia, né?
    .
    ____________________________________________________________
    .

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  • 20/07/2010 - 13:45
    Enviado por: Lorenzo

    Chacra,
    mas ainda falta um post sobre o que viria a ser “secularismo”

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  • 20/07/2010 - 13:46
    Enviado por: Priscila Pacheco

    Tanto Síria e o Líbano possuem uma certa origem Fenícia? Ou apenas a região que hoje é libanesa?

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  • 20/07/2010 - 13:59
    Enviado por: Ali Abdulhamid

    Bom post gustavo, está de parabens

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  • 20/07/2010 - 14:12
    Enviado por: Icaro Victor Barboza

    Ainda não entendo como se pode aprender alguma coisa do secularismo extremo, “a Divindade” é o que une a humanidade (indios, cristãos, islã, primatas) inteira e retirá-la das relações pessoais sempre parece contra a razão.

    Acha que a comunicação de uma questão tão humana como a religião deve ser inibida?

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  • 20/07/2010 - 14:24
    Enviado por: DrSallere

    Oi Chacra,

    Muito interessante essas diferenças entre sírios e libaneses que por um lado é mais centralizado e conservadora e por outro lado é mais liberal.

    E é bom saber que as relações do Damasco e Beirute vão se avançando, afinal atacando um ao outro não leva a lugar nenhum.

    Agora lembrei que perto da minha casa, tem um mercadinho que vende pistaches, amendôas, castanhas etc., em enlatatados com inscrição “Made in Libano”.

    Abraços.

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  • 20/07/2010 - 14:37
    Enviado por: Shaid if Bin

    Al Assad é o chefe de estado mais equilibrado do Oriente Médio, governa com inteligencia e sensatez, nunca foi extremista e considerando os regimes ao seu redor, inclusive o Isralense é o mais democrático no sentido lato da palavra.
    Herdou um estado consolidado por seu pai e lenta e seguramente leva a Síria à modernidade, felizmente Israel tem alguem como ele para negociar.
    Com sua história multimilenar Damasco cebtro do poder faz jus a seu presidente altivo, orgulhoso,decidido e com visão de futuro.

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  • 20/07/2010 - 14:43
    Enviado por: roberto

    Alô Gustavo
    A Siria ao armar de forma ostensiva ao Hezbolah não me parece muito afeito ou disposto a acordos amigáveis com o Líbano.Afinal quem fica com a espada sobre a cabeça será o Líbano.
    Trata-se de um pais de quinta-coluna no oriente médio e que tanto afaga ou xinga seus vizinhos(todos) na busca de uma opção de MEDIADOR ou de Influência por ali.
    Não duvido que além de mísseis e outras armas convencionais do Iraque pré-invasão a Síria tenha escondido armamentos NÃO CONVENCIONAIS.

    abraços

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  • 20/07/2010 - 14:55
    Enviado por: Florentina

    O secularismo e o liberalismo do Líbano, o secularismo da Síria e da Turquia bem que poderiam influenciar o Irã.
    Estão ali, tão ligados.
    Já pensou um Irã com a instituição religião separado do Estado?

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  • 20/07/2010 - 15:07
    Enviado por: HenriqueS

    Gustavo, resposta atrasada’
    .
    penso que os territorios da Cisjordania deveriam ser integralmente devolvidos para a Jordania. Quem la permanecesse passaria a ser cidadão jordaniano ou palestino (eles resolveriam) o que lá ficasse passaria a ser da Jordania ou da Palestina. É um tema espinhoso, sendo que todas as possibilidades tem os seus defensores.
    .
    E quem ficasse em Israel passaria a ser cidadão israelense, devendo lealdade a Israel nos direitos, nas leis e nas obrigações, como em qualquer país democrático do mundo.

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  • 20/07/2010 - 15:53
    Enviado por: Lorenzo

    O Ali Abdulhamid comentou sobre a proibição do Niqab nas universidades. Se vc quiser comentar sobre isso (nao sei se outros leitores tb se interessam…) mas qual a intenção do governo Sírio nisso?

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  • 20/07/2010 - 16:00
    Enviado por: GP

    Acabo de fazer negócios com uma empresa libanesa e fiquei impressionado com a facilidade e a velocidade em que tudo aconteceu. Realemnte são muito abertos.Tenho que visitá-los logo, o que você recomenda que eu faça em Beirute Gustavo?
    Abraço

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  • 20/07/2010 - 16:31
    Enviado por: Gustavo Chacra

    GP, Beirute tem muita coisa. Mas dê uma olhada nos meus primeiros posts, de 2008. Tem muitas dicas

    Lorenzo, o governo sírio prega o secularismo

    HenriqueS, basicamente, você é contra a ocupação da Cisjordânia. Mas isso contradiz muitos de seus comentários

    Roberto, as relações da Síria com o Hezbollah são bem mais complexas do que muita gente acha. Preciso escrever sobre isso

    MarioS, me desculpe, mas Israel também leva questões judaicas em consideração na sua política externa e doméstica

    Ali, obrigado pelo elogio e pelo endereço do centro cultural

    Priscila, a Fenícia era onde hoje está a costa libanesa e um pouco da Síria. Mas é difícil dizer se os habitantes de hoje tem relação com os da época. A National Geographic publicou um estudo sobre o assunto

    Lorenzo, a Adriana é uma jornalista espetacular e que visitou os países e as regiões que ela aborda

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  • 20/07/2010 - 17:25
    Enviado por: Agamenon

    Gustavo agora eu discordo de vc, aonde Israel leva questões judaicas em consideração na sua politica externa e interna ?

    Os ultra-ortodoxos não servem o exercito israelense justamente por discordar da existencia do estado, movimentos como Satmar, Bobov, Ber, Vishnitz, Belz e mais um monte de linhas ultra-ortodoxas fazem passeatas ao lado de palestinos na europa e USA !!??

    Isarel é um país laíco e por causa disso não recebe apoio das milhares de comunidades ultra-ortodoxas existentes. E dá mesma forma em Israel os ultra-ortodoxos não são visto com bons olhos pela população que é na sua maioria laíca.

    Israel (governo) não dá um passo se quer em direção do judaismo…então sinceramente não sei aonde vc tem bases para tal defesa.

    É bom lembrar que algumas semanas atrás o governo israelense prendeu 8 pais ultra-ortodoxos que não aceitavam em suas escolas crianças sefaradim que habitos laico…o que realmente é absurdo já que se os país são laicos o que crianças irão fazer numa escola para religiosos !? E o governo de Israel queria impor na marra sua vontade.

    Então discordo de sua afirmação claramente.

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  • 20/07/2010 - 17:33
    Enviado por: Gustavo Chacra

    Agamenon, por que Jerusalém não pode ser dividida? Segundo Israel, por ser a capital eterna e indivisível do Estado judaico. Portanto, afeta as relações com países que defendem a divisão da cidade. Por que manter a ocupação de Hebron, onde vivem 500 judeus em meio a 120 palestinos? Porque a cidade é sagrada para a população judaica. Por que Netanyahu exige que os palestinos aceitem que Israel é um Estado judaico? Judeus têm direito à cidadania israelense mesmo se nascidos na diáspora (apenas pela religião). A questão religiosa está presente em Israel. Agora, o tema neste post é Líbano e Síria. Insisto para que os leitores não desviem o assunto para Israel-Palestina. Depois, reclamam que não se fala dos outros países. Hoje dá para deitar e rolar para abordar a Síria e o Líbano

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  • 20/07/2010 - 17:43
    Enviado por: carlos 3m

    caro gustavo,

    a parte folclorica do eixo libano siria eh muito legal, mas gostaria de ter informacoes sobre o sistema judicial e sobre o grau de seguranca pessoal que um cidadao qq tem, particularmente no libano.

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    • 20/07/2010 - 18:04
      Enviado por: Gustavo Chacra

      Carlos 3M, de segurança urbana, criminalidade? Quase não há. Porém, se você falar de guerra e conflito, eles estão no topo do ranking

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  • 20/07/2010 - 17:45
    Enviado por: Lars

    Conheço um libanês chamado Mohamad Mourad, que tem quase 80 anos, uns 60 passados no Brasil. Vai ao Líbano mais de uma vez por ano. Nunca vi pessoa tão generosa e cordial. É preciso brigar com ele para que pare de dar presentes e fazer gentilezas. É incrível.

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  • 20/07/2010 - 17:53
    Enviado por: MarioS

    “MarioS, me desculpe, mas Israel também leva questões judaicas em consideração na sua política externa e doméstica”
    Não tem do se desculpar Gustavo, eu mesmo disse:
    “Na região percebe-se claramente um aumento no poder dos religiosos, até em Israel”
    Vou tentar explicar melhor o que eu quiz dizer .
    Israel, claro, leva questões judaicas em consideração na sua política externa e doméstica, assim como todos os países (Israel inclusive) leve em consideração questões cristãs. Exemplo: nenhum país (parece que a Venezuela está se tornando uma exceção) bate de frente com o Papa, e nem teria porque.
    Já no caso dos países muçulmanos os alinhamentos são baseados na religião. Repito as perguntas: o que o Irã tem contra Israel? Por que a Turquia deu uma guinada?
    Nos Estados Unidos existem muito mais católicos do que anglicanos, nem por isso eles apoiaram a Argentina contra a Inglaterra.
    Uma coisa é analisar a conveniência de levar em conta os sentimentos religiosos da SUA população, outra é ir contra os interesses do país para apoiar outro apenas porque compartilham a mesma fé.

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  • 20/07/2010 - 17:54
    Enviado por: Ali Abdulhamid

    Alias, não sei se muitos sabem ou não… mas as relações complicadas entre libaneses e sírios ficam basicamente entre os governos.

    Muitos sírios se casam com libanesas, e muitos libaneses se casam com sírias.

    Minhas primas falavam que os libaneses eram mais bonitos, e as sirias mais bonitas… e para ir de um país ao outro basicamente vc precisa pegar um carro e andar por meia hora (de tartous ou outros locais proximos)

    Pretendo ano que vem fazer uma viajem destas de bicicleta. Ainda estou vendo com os consulados se há algum impedimento. Mas pelo jeito irá dar certo.

    Vou mantendo estas informações pelo blog do Chacra, para quem se interessar ir comigo… qualquer amigo daqui seria muito bem vindo em minha casa em Tartous.

    E espero, do fundo do coração, fazer este passeio de bicicleta entra a síria, o líbano, israel e palestina, marcando uma futura e esperada paz entre os dois países… passando por Golan, Sheeba, Cisjordania e acabando em Tel Aviv…

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    • 21/07/2010 - 08:31
      Enviado por: PedroCraidy

      Quanto à relação aparentemente cordial entre libaneses e sírios, visitei esse ano os dois países e percebi o mesmo: muitas famílias estão espalhadas nas duas regiões. Talvez os libaneses sejam mais empreendedores e insatisfeitos, enquanto os sírios sejam mais sossegados (é uma impressão apenas), mas não há animosidade como padrão.
      A questão das divisões internas no Líbano creio que é questão tão antiga quanto o país, e não foi superada. Sempre há possibilidade de um novo conflito no futuro, e isso talvez gere uma tensão no ar… Na política e diplomacia, as coisas devem ser bem pensadas no Líbano.
      O legal de uma viagem da Síria ao Líbano também seria perceber a transição de uma sociedade mais estatizada, organizada e controlada para outra liberada, capitalista e competitiva.
      É uma terra complexa…

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  • 20/07/2010 - 18:01
    Enviado por: GP

    Gustavo, não precisa publicar este post, so queria te convidar a visitar meu Blog de viagens que comecei a pouco tempo. Você, junto com Anthony Bourdain e alguns outros figuras foram minha inspiração a começar o Blog: http://www.travelguing.blogspot.com
    ficaria contente se voce deixase um recado.

    Abraço!

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  • 20/07/2010 - 18:01
    Enviado por: Gustavo Chacra

    MarioS, os países fazem alianças por questões realistas. O Irã era próximo de Israel na época do xá, assim como o Irã agora. A Líbia e a Inglaterra fizeram um acordo nojento envolvendo a BP e a libertação de um terrorista. A Turquia tem seus interesses econômicos na região, que passaram a pesar mais do que Israel. A religião não explica tudo. Se explicasse, o Hamas seria aliado da Arábia Saudita, e não do Irã

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  • 20/07/2010 - 18:47
    Enviado por: HenriqueS

    Gustavo, apesar do calor do debate, o que penso é fruto de uma analise das noticias que chegam e que são controladas pelos mais variados interesses (árabes e judaicos). Qualquer um que não viva em Israel ou na Cisjordania, que não esteja intrinsecamente ligado aos problemas e as filigranas do dia a dia e da história daquela região é apenas um palpiteiro, como eu e como quase todos os comentaristas daqui. Mas palpitando de fora, creio que a Cisjordania deveria ser entregue de volta para a Jordania. A Jordania era a dona daquelas terras antes de 67. A Cisjordania nunca foi dos palestinos, pois mesmo antes da guerra de 67 e mesmo antes de Israel existir, nunca houve uma prefeitura palestina naquelas terras, nunca houve um hino, um exercito, uma moeda, um selo, um serviço publico, um banco ou alguma organização qualquer que fosse palestina. A primeira organização palestina do mundo creio que foi a OLP. Se houve outra antes disso, alguem poderia fazer a gentileza de me mostrar?
    .
    Ontem repeti reitadas vezes que Israel está em paz. Voce e outros me questionaram: “mas como vive em paz se sofre ataques permanentes de misseis”? Pois bem, conversei com um amigo que mora em Sderot e ele me disse que os ataques com qassam pararam. E alem disso, ontem mesmo Israel divulgou o seu mais novo sistema de defesa e ataque contra misseis e foguetes chamado “Iron Dome”. Esse sistema analisa a trajetoria dos misseis que tem chance de cair proximo de áreas habitadas (mesmo sob a forma de “chuva” de misseis) e dispara pequenos foguetes que explodem perto desses misseis bem antes que eles cheguem ao solo, e além disso manda outro foguete (bem maior) para explodir a base de lançamento. Esse sistema atua para qassams e katiuchas. Muito legal, né? Acho que já sabendo disso, o Hamas preferiu sossegar. Vamos a ver.
    .
    E viva Gaza, que ja tem shopping center (click my name)

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  • 20/07/2010 - 19:39
    Enviado por: carlos 3m

    gustavo, ainda bem sobre a seguranca pessoal mas e o sistema judicial?

    wkps

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  • 20/07/2010 - 20:12
    Enviado por: Hagá

    20/07/2010 – 14:06
    Enviado por: MarioS
    “Muitas pessoas ignorantes [ou por má-fé] costumam colocar os países árabes ou de maioria islâmica como se fosse uma coisa só, um bloco único ” Claro que se formos rigorosos isto não é verdade Hagá, mas, como todo mito, um fundo de realidade existe.

    MarioS, logo você dizendo que existe um fundo de realidade em todos os mitos! E há tantos mitos por aí, não é mesmo?

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  • 20/07/2010 - 21:41
    Enviado por: Carlos Z O Junior

    Desculpem a ignorância, mas quem é “Ron Paul”?

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  • 20/07/2010 - 22:49
    Enviado por: Fernando César

    A maioria dos jordanianos são de origem palestina.Inclusive a rainha.

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  • 20/07/2010 - 23:13
    Enviado por: José Carlos Salvagni

    Bem, faço perguntas e não vejo observações, nem respostas – significa que minhas contribuições são desinteressantes. Devo estar em Marte, refletindo sobre coisas de Venus, a propósito de coisas de Plutão – que já não conta como planeta.

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  • 21/07/2010 - 04:33
    Enviado por: José FARHAT

    Gustavo,
    De fato, constatei em minha última viagem a Síria e Líbano, semanas atrás, que as relações melhoraram sensivelmente. Fala-se já em diversos setores que está sendo discutido um tipo de federação ou confederação entre os dois países; daí o vai e vem de Saad Al-Hariri a Damasco.
    Cabe uma pergunta: se foram os sírios que mataram Hariri, o filho dele estaria hoje tão bem relacionado com a Síria? Há outros aspectos: o cada vez melhor relacionamento entre libaneses e sírios tem a ver com o estreitamento das relações entre Síria e Arábia Saudita; iniciadas com a troca de visita do Presidente Bashar Al-Assad a Riade e do Rei Abdallah Ibn Abdulaziz Al-Saud a Damasco. Os detalhes ocupariam muito espaço.
    Na verdade, o mandato da Liga das Nações foi sobre a Síria (compreendendo o que é hoje a República do Líbano) foi concedido à França e a Palestina (incluindo o que é hoje o Reino da Jordânia) à Grã Bretanha. Líbano e Jordânia foram invenções das duas potências. Não existiam fronteiras durante a ocupação otomana, tanto é que a Vilayat de Beirute ia até Haifa e o Wali de São João d’Acre arrecadava impostos até perto de Damasco, uma confusão político-administrativa que demonstrava a desorganização do Império Otomano.
    A maioria dos bancos privados que abriram as portas em território sírio são ou filiais de bancos libaneses ou de bancos estrangeiros de primeira linha estabelecidos no Líbano. Isto facilitou muito os negócios entre os dois países e, melhor ainda, entre a Síria e o mundo. O fluxo comercial entre Brasil e Síria também se beneficia disto. Os Estados Unidos vêm melhorando suas relações com a Síria, fato que você pode checar em Washington; não foi mera nomeação de um embaixador estadunidense para ocupar a embaixada em Damasco. Há mais coisas por aí, apesar da grande influência sionista no Departamento de Estado ainda ser forte, mas menos forte que o petróleo e o despertar dos sauditas para a realidade de seus interesses e onde estão.
    Isto é motivo de satisfação para todos nós: brasileiros, libaneses e sírios.

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  • 21/07/2010 - 04:40
    Enviado por: Rada Saleh

    Gustavo,

    Estou em Beirute e tenho acompanhado com cautela os discursos dos lideres politicos libaneses. Eles misturam de tudo um pouco, religiao, politica, nacionalidade etc. E o povo fica maluco sem saber em quem acreditar efetivamente.

    Abraco,

    R. Saleh, de Beirute – Libano

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  • 08/04/2011 - 09:22
    Enviado por: daniela filomena

    ola ,vamos colocar ordem nessa bagunça ,eu ja havia registrado mas o BRASIL ,tem apenas desonestidade,eu comprei 60% da empresa petrobras por enqunto nao vendo açoes ,tambem 100% da sell e minha ,estou comprndo em sociedade com voce aempresa ipiranga ,apenas para petroleo ,alcool e derivados em outra plataforma ,275990538.16 a sregras sao educaço ,respeito ,vouu investir em conveniencia sempre em parceria com quem quiser colocar um elegante boteco ,droga fora ,a contabilidade d ecada empresa funcionara mensalmente ,e nao vamos vender bebida alcoolica ,essa lei e mundial ,mas pode vender cd.revistas ,nao colocaremos respresentantes ,e cada qual com seu responsavel ,a sauditorias serao diarias ,tambem ,para quem consome,peço ,maior responsabiliddae ,e relatos onde esta indo meu dinheiro ,vamos instituir contrato com meu banco 24 horas ,a,vista 25% de desconto ,a prazo juro de 5% ,em duplicata enviada a endereço d e cada cliente ,nao queremos documentos de ninguem ,apenas se for bandido sera preso em flagrante ,a segurança e maxima,por favor relaçao d efuncionarios ,as,po seguinte registro em careira assinada ,sara em edital no jornal o estado d esao paulo ,,o valor que tem que ser depositado meu sera depositado na conta banco itau ag 0865.34184.6/500,seje um centavo ,nunca fui desonesta ,e respeito mas agora vamos ,dizer muito obrigada ,com licensa ,o que sofri e sofro e atos de terrorismo.e posso pedir por danos morais ,sei que sou capaz ,vamos resolvendo ,nao faço plano de saude,e nao aceito ninguem fazer por mim,pago impostos ,declaraço de minhas empresas ,e essa nova com voce edital de impostos pagos ,nome da ,empresa ,responsavel .e nao assino progeto algum ,mas faço queatao de contribuir com educaçao ,sem mais ,desde sempre ,me desculpe ,por eu ser tao honesta ,e que desde que o mundo e mundo e lei numero um par ser considerado ,ser humano ,e me desculpe se tenho alem d ,muito obrigada ,cm licensa por que ,temos muitas responsabilidades ,e muito trabalho ,cuidem cada um do seu ,eu e todos vamos dizer chega ,daniela filomena 275990538.16/nunca diga nda mais alem de minha idola e daniela filomena ,eu agrdeço

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