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Gustavo Chacra

A Primavera Árabe começa a se tornar o Campeonato Paulista, deixando de ter o impacto de uma Copa do Mundo. No ano passado, o planeta parou para ver as manifestações na Praça Tahrir, no Cairo, a queda e o assassinato de Kadafi, em Trípoli, e o início da violenta repressão de Assad, em Homs.

Agora, apenas os mais fanáticos pelo assunto acompanham o desenrolar da política doméstica do Egito. As mortes na Síria perdem a força com uma comunidade internacional resignada a mais uma guerra civil sectária no Oriente Médio. A federalização e radicalização da Líbia interessa a poucos. A possível divisão do Yemen mais uma vez em sul e norte passa ignorada.

Uma pena. É no Campeonato Paulista que descobrimos as tendências, assim como nestes momentos da Primavera Árabe sem marcos importantes. Depois, quando chega a Copa do Mundo, todos ficam surpresos.

Para quem não sabe, a situação no Iraque não para de se deteriorar, Darfur ainda existe e as negociações entre israelenses e palestinos seguem emperradas.

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acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de
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diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião
do
jornalista

O jornalista Gustavo Chacra, correspondente
do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br
em
Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações
Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do
Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito,
Turquia,
Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em
Honduras,
Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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Se tiver problemas para comentar, leia texto em laranja no final

O Brasil foi acusado pelo Human Rights Watch (HRW) de se posicionar ao lado dos autocratas e não da população de países como a Síria durante a Primavera Árabe. Para a organização, o governo brasileiro deveria rever as suas posições para a região, sempre defendendo os direitos humanos, em vez de se guiar por versões “ultrapassadas de soberania nacional”.

“A resposta mais decepcionante à Primavera Árabe proveio de alguns governoddemocráticos do hemisfério sul, como o Brasil, a Índia e a África do Sul. Pareciam ser guiados não pelas aspirações do povo árabe, mas mais por seu compromisso com visões ultrapassadas da soberania nacional, mesmo quando isso resulta na blindagem de regimes repressivos da necessidade urgente de pressão internacional”, afirma texto de do diretor-executivo do HRW, Kenneth Roth, publicado ontem no Cairo.

Segundo a entidade, “apesar de terem desenvolvido governos responsáveis ​e um Estado de Direito, estas democracias do Sul apenas mostraram interesse esporádico em ajudar o povo do mundo árabe que lutava para conseguir o mesmo que eles já conquistaram. Com mais frequência, eles apontaram para o potencial uso indevido dos direitos humanos temendo uma pressã que poderia servir como uma ferramenta de dominação do Norte—para justificar o não uso de sua própria influência sobre os graves infratores dos direitos humanos”.

O HRW lamentou principalmente a decisão brasileira de não apoiar uma resolução condenando o regime de Bashar Assad no Conselho de Segurança da ONU. Segundo as Nações Unidas, mais de 5 mil pessoas foram mortas pela repressão do governo e o cenário se aproxima ao de uma guerra civil, com a oposição também se armando.

Em vez de ajudar o povo sírio, “o Brasil, a Índia e a África do Sul se recusaram a apoiar a ação do Conselho de Segurança, mesmo quando o governo Assad matava milhares de manifestantes. Apenas na menos forte Assembléia Geral da ONU foi que o Brasil apoiou uma resolução crítica sobre a Síria, enquanto que a Índia e a África do Sul se abstiveram”.

Na verdade, o Brasil, assim como uma outra série de países, argumenta que o teor do texto da resolução em outubro ignorava as ações das milícias armadas da oposição. Os massacres cometidos pelo regime de Assad desde o início foi condenados pelo Itamaraty e falo isso por ter realizado a maior parte das reportagens sobre o assunto, tendo entrevistado uma série de diplomatas ao longo dos últimos meses, ter acompanhado as reuniões da ONU e viajado para a Síria.

Mais importante, havia e há ainda uma enorme insatisfação no Conselho de Segurança com a forma como a resolução 1973, estabelecendo uma zona de exclusão aérea na Líbia, foi usada pela OTAN para bombardear o país e derrubar um regime.

Por último, o Brasil com razão pode ser criticado pela questão síria. Mas o mesmo parâmetro deveria ser aplicado aos EUA por ter impedido qualquer forma de resolução condenando os massacres da Arábia Saudita e da monarquia Al Khalifa nos levantes pró-democracia em Bahrain.

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Muitos leitores estão com problemas para comentar. Estamos tentando resolver estas dificuldades técnicas o quanto antes. Tanto eu como o Ariel Palacios estamos dando início a esta nova era de comentários no Portal do Estadão. Por enquanto, vocês podem comentar através de um perfil no Facebook ou do email do Hotmail. O segundo caso facilita muito para quem não quiser se expor. Obviamente, o número de comentário diminuiu no novo sistema. Ao mesmo tempo, a qualidade dos debates melhorou. Os ataques anti-semitas e islamofóbicos praticamente desapareceram

Quem tiver problemas, por favor, me escreva no  gchacra at hotmail.com. Também podem enviar comentários para este email que eu publico com o nome de vocês no espaço destinado ao meu comentário

Mais uma vez, desculpem os problemas

abs

Guga

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Começaram a surgir os defensores de uma intervenção externa na Síria. Segundo eles, algo precisa ser feito para interromper a matança do regime de Bashar al Assad. A ONU já coloca o total de mortos em mais de 5 mil. Para este número parar de crescer, dizem, a comunidade internacional precisa agir na prática, e não apenas com retórica.

A intervenção externa pode se dar através de uma zona de exclusão aérea, de um corredor humanitário, de bombardeios ou de envio de tropas. No primeiro caso, não faz muito sentido. Afinal, até agora, o regime de Assad não utilizou aviões para atacar os opositores, sejam eles civis ou grupos armados.

Os bombardeios funcionaram na Líbia, onde o terreno geográfico era simples – uma estrada plana na costa ligando Trípoli a Benghasi, sendo que a capital sob controle de Kadafi e outra cidade  nas mãos dos rebeldes. Na Síria, todo o território, bem mais acidentado e diverso do que na nação norte-africana, está sob autoridade governamental. Nenhuma área do país está com a oposição.

Além disso, a Líbia não tem divisão sectária. Todos são sunitas. Na Síria, não. Assad até poderia cair facilmente, mas cristãos e alauítas passariam a ser perseguidos por milícias salafistas bancadas por grupos do Golfo Pérsico em massacres ainda maiores do que os do atual regime. Pelo menos, algo similar aconteceu no Iraque depois da fácil queda de Saddam Hussein.

O corredor humanitário poderia funcionar próximo à fronteira com a Turquia ou Jordânia. Daara, perto da monarquia Hashemita, e as vilas curdas do norte, poderiam ser favorecidas. Mas esta via seria inútil para atingir Homs, onde se concentram os protestos. Isso sem falar no vasto apoio a Assad em Damasco e Aleppo, que são as duas maiores cidades.

O envio de tropas é uma alternativa imbecil. Não dá nem para comentar. Apenas quem não conhece história defenderia. Basta observar o que aconteceu quando Reagan enviou os marines para o Líbano nos anos 1980 ou a desastrada intervenção americana no Iraque.

Por enquanto, tem sido aplicado sanções. Não funcionaram para derrubar o regime em Cuba, no Iraque, no Irã e na Coreia da Norte. Pode até ser que dê certo na Síria. Mas não impediria a Guerra Civil. Isto é, a queda de Assad não significa a pacificação da Síria.

Infelizmente, de longe, muita gente acha que há soluções para todos os problemas do mundo. Na Síria, não há. Já existe uma guerra civil sanguinária que deve se agravar quando os confrontos atingirem Damasco e Aleppo. Não tem Obama, Sarkozy, Putin, Erdogan ou ditadores árabes como o rei Abdullah da Arábia Saudita que possam fazer algo. Aliás, podem sim, evitando que os choques sectários atravessem a fronteira para o Líbano. Fora isso, mais nada.

A melhor política externa para a Síria até agora é a de Israel. Apenas observar, sem falar muito. Critico muito Netanyahu. Mas ele é o único governante que parece entender a dimensão da crise síria.

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Franklin Foer, em seu livro “How Soccer Explain the World”, usa Eurico Miranda e o Vasco para explicar o Brasil. A publicação tem sete anos e a história da equipe carioca mudou completamente nos últimos tempos. Depois da queda do cartola, assumiu um herói da torcida, Roberto Dinamite.

Com o histórico de maior goleador da história do clube e eliminando todos os traços da antiga administração, Dinamite não conseguiu levantar o Vasco em um primeiro momento e a equipe caiu para a segunda divisão. Depois deste desastre, o time se reergueu e hoje lidera o Campeonato Brasileiro.

O Vasco, portanto, foi uma ditadura por anos com Eurico Miranda. Assim como outros ditadores ao redor do mundo, ele havia apresentado alguns bons resultados. Na década de 1990, os vascaínos colecionaram títulos nas mais diferentes modalidades esportivas. Seria o lado Pinochet do cartola. Mas ao mesmo tempo ele destruiu o clube, sendo acusado de corrupto.

Foi necessária quase uma revolução para derrubá-lo. E, depois da queda de um ditador, pode vir a democracia, mas também o caos, como aconteceu com o Vasco rebaixado. Isso apesar da existência de um Roberto Dinamite para assumir o comando com todo o seu carisma e ligação com a nação vascaína. Mas, apesar da demora, os esforços levaram ao renascimento do Vasco neste ano, com grandes chances de ser campeão.

Agora, pergunto aos leitores se, guardadas às enormes diferenças, podemos comparar a história do Vasco com a dos países árabes. Primeiro, temos ditadores que realmente dizem amar seus países, mas que usam o Estado como se fosse uma empresa familiar. Era assim com Ben Ali, Mubarak e Kadafi. Foi asssim com Eurico no clube de São Januário.

Quando eles caem em desgraça e são depostos, uma nova administração assume. Notem que, no caso do Vasco, houve uma espécie de Mandela na figura de Roberto. Egito, Tunísia e Líbia não possuem uma figura unificadora. E, mesmo com um líder nato como o ex-artilheiro, os vascaínos enfrentaram dificuldades enormes e foram para a Segundona, que equivale à guerra civil. Apenas depois desta experiência desastrosa voltaram a ser um time grande.

No caso da Tunísia, como escrevi na semana passada, o processo será mais ameno e provavelmente permaneçam na Primeira Divisão. No Egito, existe o risco de surgirem novos Euricos ou de o resultado ser um Palmeiras pós-Mustafa – democrático, confuso e perdido no tempo. Na Líbia, há enorme chance de irmos para a Segunda Divisão. Lembro que o Bangu do Castor de Andrade caiu e nunca mais levantou. Seria este o destino dos líbios? O mesmo se aplicaria ao Iêmen.

A Síria é diferente. Não são todos “vascaínos”. Até o ano passado, a identidade que prevalecia era a árabe. Mas hoje é sectária, como o Líbano. Seria uma nação administrada por botafoguenses (alauítas) com apoio dos torcedores do Fluminense (cristãos) para dominar os flamenguistas (sunitas). Não são mais todos “cariocas” (árabes). Alguns rubro-negros até gostam da situação como está e não querem mudanças (sunitas da elite de Damasco e Aleppo). Porém uma massa mais radical não aceita mais a ditadura do Botafogo. Quando o restante dos flamenguistas ainda calados se levantarem, será difícil para os botafoguenses e seus protegidos tricolores se denfenderem. Infelizmente, o caso sírio, assim como Bahrain (torcida do Español dominando a do Barça), não pode ser explicado pelo Vasco.

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A separação Igreja-Estado existe no Ocidente há décadas, ainda que não de forma perfeita. Nos EUA, o juramento da bandeira fala em Deus. Alguns pré-candidatos republicanos citam Jesus em seus argumentos durante debates. O partido no poder na Alemanha é o democrata-cristão. Judeus ortodoxos integram a coalizão de governo em Israel. Porém, mesmo nestes países, são raros os casos de imposição de questões religiosas.

Por este motivo, observo com ceticismo a existência de partidos islâmicos, mesmo moderados, na Tunísia e no Egito. Sei que estas nações não se tornarão o Irã ou a Arábia Saudita. São contextos diferentes. Um regime xiita no Cairo ou em Tunis é impossível. Afinal, não existem xiitas nestes países.  Tampouco pode-se imaginar um regime como o saudita. Questões tribais ligadas ao wahabismo, mais a família Saud, inexistem nestes Estados árabes do Norte da África.

No entanto, mesmo descartando a possibilidade de a Tunísia e o Egito adotarem como modelos dois dos regimes mais deprimentes do mundo (saudita e iraniano), precisamos tomar cuidado com o que está por vir. As eleições egípcias estão marcadas para o próximo mês. Mas os tunisianos já deram a pluralidade dos votos para o Partido Ennahda.

A consultoria de risco político Eurasia afirma que “os líderes do partido estão comprometidos com a formação de uma coalizão com agremiações laicas em busca de reduzir os temores da adoção de uma agenda mais conservadora”. Porém, alertam os analistas, “uma vez no poder, o partido terá a difícil tarefa de administrar as expectativas de seus simpatizantes. Se quiser manter a promessa de moderação em política doméstica e relações internacionais, dependerá ainda mais de seus aliados seculares”.

A especialista em Oriente Médio do Financial Times, Roula Khalaf, em análise publicada hoje, diz que o Ennahda “pode mostrar que os islamitas não precisam ser temidos”.

A Tunísia tende a ter uma democracia próxima do que hoje é a Turquia, com sua classe média mais liberal e interesses econômicos acima de questões religiosas. Qualquer ação para removê-los do poder, como a Argélia fez com a Frente Islâmica de Salvação (infinitamente mais radical) nos anos 1990, seria uma imbecilidade.

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Os Estados Unidos e a Síria nunca foram amigos. Neste caso, não existe hipocrisia americana. O regime de Bashar al Asad ou de seu pai e antecessor, Hafez al Assad, jamais recebeu ajuda de Washington ao longo de quatro décadas. Mais importante, os sírios sofrem sanções desde 2004. Portanto a saída de Robert Ford não significa uma deterioração da relação dos dois países. Apenas deixa claro que os EUA passaram a considerar desnecessária a presença de um diplomata de sua patente em Damasco.

Ao conquistar a independência nos anos 1940, a Síria permaneceu dentro da zona de influência francesa. Nas décadas seguintes, especialmente depois da consolidação de Hafez al Assad no poder nos anos 1970, virou um dos maiores aliados da União Soviética no mundo árabe.

As relações com os EUA tiveram uma sensível melhora nos anos 1990, durante as administrações de George Bush, o pai, e de Bill Clinton. No primeiro caso, através do apoio sírio aos americanos na Guerra do Golfo em troca de passe livre para o regime de Damasco dominar o Líbano. No segundo, por meio das fracassadas negociações de paz entre Hafez al Assad e Israel.

Bashar chegou ao poder em 2000, depois da morte do pai. Os EUA, neste momento, observaram com cautela a abertura econômica e política. No ano seguinte, tivemos o 11 de Setembro. Os sírios declararam apoio aos americanos na Guerra ao Terror e permitiram que a CIA usasse o seu território para interrogatórios e prisões.

O que nunca ficou claro foi o motivo na deterioração na relação das duas nações na metade inicial da primeira década do milênio. Depois da queda de Saddam Hussein, Assad passou a ser considerado o próximo da lista. Para impedir um ataque americano, o líder sírio passou a sabotar as tropas dos EUA no Iraque.

Em 2004, Assad rompeu com Rafik Hariri, seu antigo fantoche em Beirute, mas com boas relações na Casa Branca. O premiê deixou o cargo, passou a liderar a oposição e fez lobby em Washington para a aprovação de sanções contra Damasco. Meses depois, em fevereiro de 2005, foi morto em atentado. Os EUA retiraram seu embaixador de Damasco e os sírios foram obrigados a remover as suas tropas do Líbano na Revolução dos Cedros, a mais pacífica da história do Oriente Médio, quando 1 milhão de libaneses (um quarto da população) saiu às ruas sem nenhuma cena de violência.

Até 2009, a Síria era apenas uma nação pária, como agora, aliada do Irã, da Rússia e armando o Hezbollah e o Hamas. Mas tudo mudou no ano passado. Assad se afastou de Teerã e se aproximou da Arábia Saudita. Os EUA nomearam Robert Ford como embaixador para Damasco. As relações com os americanos se estreitaram. Deputados e senadores dos EUA visitavam mensalmente a capital síria. John Kerry virou um amigo pessoal. Hillary Clinton chamava Bashar de reformista. Nicolas Sarkozy convidou o casal Assad para um jantar privado em Paris. O rei Abdullah acompanhou líder sírio a Beirute. Para completar, Damasco se aproximou de Saad Hariri no Líbano e trabalhou para os EUA, e contra o Irã, no Iraque.

No início dos protestos, os EUA ainda apostavam que Assad lideraria a reforma. Mas a onda de violência contra os manifestantes fez os americanos mudarem de opinião. Neste caso, não existe hipocrisia, como disse acima. A Arábia Saudita, que nunca gostou da Síria mesmo, aproveitou e passou a ajudar seus aliados no país. Assad, no fim, acabou com seus velhos amigos de sempre – Irã, Rússia, Hezbollah e Hamas.

Washington passou por cima até de Israel, que pode ter uma Líbia ou um Iraque na sua fronteira caso Assad seja deposto. E deixou os cristãos de lado. Mas estes, como escrevi, se sentem abandonados pelos franceses, não pelos americanos. Para eles, os EUA sempre defenderam o radicalismo islâmico dos sauditas e nunca foi amigo dos cristãos  sírios. E nunca foi mesmo. Mas, ironicamente, o americano mais celebrado neste ano, Steve Jobs, tem sangue sírio.

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