ir para o conteúdo
 • 

Gustavo Chacra

no twitter @gugachacra

Acompanhem a cobertura ao vivo da iniciativa palestina na ONU no Portal do Estadão

A Palestina moveu as duas primeiras peças hoje no tabuleiro da crise no Oriente Médio. Primeiro, Mahmoud Abbas apresentou a Ban ki-moon o pedido de reconhecimento do Estado. Em seguida delineou a sua proposta de paz no plenário da Assembleia  Geral (fronteiras pré-1967, capital em Jerusalém Oriental e uma solução para a questão dos refugiados)

Sabendo do movimento palestino, Israel mostrou as suas cartas no discurso de Benjamin Netanyahu. O líder israelense defendeu negociações “incondicionais”  com a condição de o Estado palestino ser desmilitarizado, sem Jerusalém e em uma área da Cisjordânia que não ofereça riscos à segurança do país, além da presença do Exército de Israel no vale do rio Jordão

Levando em conta as movimentações dos dois lados, o Quarteto delineou uma proposta para palestinos e israelenses apresentarem sugestões em até 3 meses. Em seis, precisam ocorrer progressos substanciais das duas partes. Um acordo seria assinado antes do fim do ano que vem. Em seguida, o Líbano, que presidente o Conselho de Segurança, anunciou que uma reunião para analisar o pedido palestino acontecerá na segunda

No caso, Abbas terá três opções

 1. poderá aceitar dialogar imediatamente, tendo a cartada de poder insistir em voltar a qualquer momento para o Conselho de Segurança. Neste caso, terá maior poder de barganha. O risco para Abbas será internamente na Cisjordânia, onde podem encarar o adiamento como uma derrota

Resultado – Vitória Externa; Incerteza Interna

 2. pode abdicar do Conselho de Segurança e aceitar a proposta francesa de tentar ser um Estado com status de observador. E, mesmo assim, poderia negociar com os israelenses com poder de barganha maior. Neste caso, teria amplo apoio internacional e precisaria explicar internamente a mudança. O ideal era optar por esta alternativa antes de apresentar o requerimento a Ban ki-moon

Resultado – Vitória Externa, Derrota Interna

 3. rejeitar uma negociação no momento, ver os EUA usarem o poder de veto no Conselho de Segurança, perder a ajuda financeira e ver a manutenção do status quo na realidade da Cisjordânia. Seria visto como herói no mundo árabe, mas as consequências para o dia a dia dos palestinos seriam graves

Resultado – Incerteza Externa e Incerteza Interna

 Se Abbas optar por “1”, Netanyahu poderá

A. negociar, sabendo não ter a mesma força das outras vezes. Neste caso, precisaria ceder em pontos inaceitáveis para a sua coalizão de governo. Mas o elogiariam por tentar a paz

B. recusar, sendo mais isolado na comunidade internacional, onde até Bill Clinton e o New York Times o criticam publicamente. Mas se veria fortalecido dentro diante israelense. Os palestinos poderiam demandar a cidadania israelense, vendo frustrado o sonho de ter um Estado. Como Israel não a concederia, passariam a dizer que os israelenses praticam Apartheid

Resultado – 1A. Derrota Interna, Vitória Externa

Resultado – 1B. Vitória Interna, Derrota Externa

 Se Abbas optar por “2”, Netanyahu poderá

A. negociar, sabendo que agora lida com um Estado reconhecido internacionalmente e pode levá-lo para a Justiça internacional

B. recusar, sendo colocado no ostracismo até pela França e Grã Bretanha

2A. Vitória Externa, Derrota Interma

2B. Derrota Externa, Vitória Interna

 Se Abbas optar por “3”, Netanyahu

 A. poderá ignorar a atitude, já que terá uma decisão da ONU a seu favor graças ao veto americano. Mesmo assim, continuará isolado internacionalmente

B. poderá negociar, mas ficaria completamente enfraquecido na sua base doméstica e alguns partidos da direita ou religiosos de Israel poderiam romper, levando ao naufrágio do seu governo

3A. Incerteza Externa, Vitória Interna

3B. Vitória Externa, Derrota Interna

Como vocês agiriam se fossem Abbas ou Netanyahu? A resposta pode indicar o que pode acontecer

Leiam ainda o Radar Global. Também acompanhem a página do Inter do Estadão no Facebook

 

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista

O jornalista Gustavo Chacra, correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

Comentários (212)| Comente!

Na véspera de o presidente palestino, Mahmoud Abbas, apresentar formalmente o pedido para ingressar como Estado pleno nas Nações Unidas, o ex-presidente Bill Clinton culpou ontem primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, pelo fracasso no processo de paz do Oriente Médio. Hoje, o New York Times fez o mesmo em editorial.
 
Apesar de não ter um cargo no governo, o ex-presidente é marido da atual secretária de Estado, Hillary Clinton, e seu pensamento reflete o que muitas vezes diplomatas americanos dizem a portas fechadas. O premiê israelense seria no momento, na avaliação de alguns membros da administração de Barack Obama que costumam falar sem se identificar, um dos maiores obstáculos para um acordo na região.
 
Segundo Clinton, Israel sempre quis ter um parceiro para a paz e normalização das relações com os vizinhos árabes. “Não há dúvida de que este governo palestino é o melhor que eles (os palestinos) já tiveram na Cisjordânia. O próprio governo de Netanyahu disse isso. O rei da Arábia Saudita também disse (na iniciativa árabe, de 2002, e ainda mantida) que se os israelenses trabalhassem com os palestinos, haveria não apenas reconhecimento (de Israel), como também parceria política, econômica e de segurança”, afirmou.
 
“Agora que eles (israelenses) têm estas duas demandas, elas não parecem tão importantes para o atual governo israelense. No meio tempo, tivemos todos estes imigrantes vindos da ex-União Soviética e eles não possuem história em Israel e os pedidos dos palestinos não tem tanto apelo para eles”, acrescentou Clinton.

Mais importante, Clinton disse que Abbas já disse a ele que aceitaria a proposta oferecido pelo ex-presidente em Camp David onze anos atrás. O ex-premiê Ehud Olmert também afirma que o líder palestino estava disposto a aceitar o acordo de 2002c
 
O Departamento de Estado não quis comentar as declarações, dizendo que “elas refletem o pensamento do ex-presidente” e não necessariamente da atual administração. A portas fechadas, diplomatas americanos costumam reclamar da intransigência de Netanyahu e dizem que seria mais fácil trabalhar com os opositores israelenses do Kadima. Wayne White, que foi diretor de inteligência do Departamento de Estado para o Oriente Médio no passado, me disse ontem que “tende a concordar com presidente Clinton” sobre Netanyahu ser responsável pela atual situação. “Netanyahu colocou o processo de paz no congelador”, acrescentou o analista, atualmente no Middle East Institute.

Segundo o New York Times, “a maior responsabilidade (pelo fracasso no processo de paz) no momento é do premiê Netanyahu que se recusa a fazer compromissos sérios para a paz”.

Leiam ainda o Radar Global. Também acompanhem a página do Inter do Estadão no Facebook

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista

O jornalista Gustavo Chacra, correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

Comentários (136)| Comente!

no twitter @gugachacra

Estive ontem no plenário da Assembleia Geral das Nações Unidas para escutar os presidentes Dilma Rousseff e Barack Obama. Mas fui embora antes de Nicolas Sarkozy  delinear a sua proposta para os palestinos. Uma pena. O presidente da França adotou a posição mais realista. Espero que, diferentemente de mim, Mahmoud Abbas tenha acompanhado o discurso do líder francês.

Sarkozy defendeu  a inclusão da Palestina como Estado observador da ONU. Desta forma, não haveria necessidade de ir ao Conselho de Segurança. A decisão seria apenas na Assembleia Geral, onde os palestinos terão os votos necessários.

Caso insista em ser Estado pleno, a Autoridade Palestina, que conta com o apoio do Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul, precisará ir ao Conselho de Segurança e entrará em rota de colisão com os Estados Unidos. Obama, por questões domésticas, deixou claro em seu discurso que vetará a iniciativa. Mas ao ser contra os palestinos integrarem a ONU, o presidente americano dará um golpe em Abbas.

Portanto a proposta de Dilma , apesar de ser a preferida dos palestinos, é inviável porque não levar em consideração os Estados Unidos e Israel. Já a sugestão de Obama demonstra um desinteresse com a frustração de um povo que luta há décadas por um Estado.

Sarkozy acertou a mão e vamos ver se sua idéia será a vencedora.

A todos, imploro para que leiam abaixo o artigo de Ehud Olmert no New York Times de hoje. Nunca imaginei que o admiraria tanto. Parabéns a este ex-premiê de Israel

Peace Now, or Never

By EHUD OLMERT

Jerusalem

AS the United Nations General Assembly opens this year, I feel uneasy. An unnecessary diplomatic clash between Israel and the Palestinians is taking shape in New York, and it will be harmful to Israel and to the future of the Middle East.

I know that things could and should have been different.

I truly believe that a two-state solution is the only way to ensure a more stable Middle East and to grant Israel the security and well-being it desires. As tensions grow, I cannot but feel that we in the region are on the verge of missing an opportunity — one that we cannot afford to miss.

The Palestinian president, Mahmoud Abbas, plans to make a unilateral bid for recognition of a Palestinian state at the United Nations on Friday. He has the right to do so, and the vast majority of countries in the General Assembly support his move. But this is not the wisest step Mr. Abbas can take.

The Israeli prime minister, Benjamin Netanyahu, has declared publicly that he believes in the two-state solution, but he is expending all of his political effort to block Mr. Abbas’s bid for statehood by rallying domestic support and appealing to other countries. This is not the wisest step Mr. Netanyahu can take.

In the worst-case scenario, chaos and violence could erupt, making the possibility of an agreement even more distant, if not impossible. If that happens, peace will definitely not be the outcome.

The parameters of a peace deal are well known and they have already been put on the table. I put them there in September 2008 when I presented a far-reaching offer to Mr. Abbas.

According to my offer, the territorial dispute would be solved by establishing a Palestinian state on territory equivalent in size to the pre-1967 West Bank and Gaza Strip with mutually agreed-upon land swaps that take into account the new realities on the ground.

The city of Jerusalem would be shared. Its Jewish areas would be the capital of Israel and its Arab neighborhoods would become the Palestinian capital. Neither side would declare sovereignty over the city’s holy places; they would be administered jointly with the assistance of Jordan, Saudi Arabia and the United States.

The Palestinian refugee problem would be addressed within the framework of the 2002 Arab Peace Initiative. The new Palestinian state would become the home of all the Palestinian refugees just as the state of Israel is the homeland of the Jewish people. Israel would, however, be prepared to absorb a small number of refugees on humanitarian grounds.

Because ensuring Israel’s security is vital to the implementation of any agreement, the Palestinian state would be demilitarized and it would not form military alliances with other nations. Both states would cooperate to fight terrorism and violence.

These parameters were never formally rejected by Mr. Abbas, and they should be put on the table again today. Both Mr. Abbas and Mr. Netanyahu must then make brave and difficult decisions.

We Israelis simply do not have the luxury of spending more time postponing a solution. A further delay will only help extremists on both sides who seek to sabotage any prospect of a peaceful, negotiated two-state solution.

Moreover, the Arab Spring has changed the Middle East, and unpredictable developments in the region, such as the recent attack on Israel’s embassy in Cairo, could easily explode into widespread chaos. It is therefore in Israel’s strategic interest to cement existing peace agreements with its neighbors, Egypt and Jordan.

In addition, Israel must make every effort to defuse tensions with Turkey as soon as possible. Turkey is not an enemy of Israel. I have worked closely with the Turkish prime minister, Recep Tayyip Erdogan. In spite of his recent statements and actions, I believe that he understands the importance of relations with Israel. Mr. Erdogan and Mr. Netanyahu must work to end this crisis immediately for the benefit of both countries and the stability of the region.

In Israel, we are sorry for the loss of life of Turkish citizens in May 2010, when Israel confronted a provocative flotilla of ships bound for Gaza. I am sure that the proper way to express these sentiments to the Turkish government and the Turkish people can be found.

The time for true leadership has come. Leadership is tested not by one’s capacity to survive politically but by the ability to make tough decisions in trying times.

When I addressed international forums as prime minister, the Israeli people expected me to present bold political initiatives that would bring peace — not arguments outlining why achieving peace now is not possible. Today, such an initiative is more necessary than ever to prove to the world that Israel is a peace-seeking country.

The window of opportunity is limited. Israel will not always find itself sitting across the table from Palestinian leaders like Mr. Abbas and the prime minister, Salam Fayyad, who object to terrorism and want peace. Indeed, future Palestinian leaders might abandon the idea of two states and seek a one-state solution, making reconciliation impossible.

Now is the time. There will be no better one. I hope that Mr. Netanyahu and Mr. Abbas will meet the challenge.

Ehud Olmert was prime minister of Israel from 2006 to 2009.

 

Obs. Ao contrário do que tem circulado na internet, tanto Dilma quanto Obama foram aplaudidos em seus discursos na ONU. Eu estava presente no plenário da Assembleia Geral

Leiam ainda o Radar Global. Também acompanhem a página do Inter do Estadão no Facebook

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista

O jornalista Gustavo Chacra, correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

Comentários (161)| Comente!

no twitter @gugachacra

Assim como nesta semana em Nova York, a questão da Palestina também dividiu as Nações Unidas 64 anos atrás, quando muitas das lideranças no poder atualmente eram crianças ou sequer haviam nascido. Foram 33 votos a favor, 13 contra e dez abstenções na votação da Partilha, que culminou na criação do Estado de Israel.

Entre os que não apoiaram a divisão, além dos países árabes, estavam nações como a Grã Bretanha, Grécia, Turquia, Argentina, China, México, Colômbia, Chile e Cuba. Mas Estados Unidos e União Soviética, que eram as duas grandes potências da época, defendiam a partilha da Palestina histórica em um Estado judaico e outro árabe.

Como Moscou e Washington, o Brasil também se posicionou a favor da divisão. E um dos grandes responsáveis pela aprovação da partilha que culminou na criação do Estado de Israel foi o embaixador brasileiro Osvaldo Aranha, que presidiu a sessão histórica da Assembleia Geral da ONU. Sem os esforços do diplomata brasileiro nos dias que antecederam o voto, talvez os judeus não tivessem conseguido o reconhecimento do Estado judaico na comunidade internacional.

Devido a pressões dos americanos e soviéticos, Aranha, segundo reportagem do New York Times de 30 de novembro de 1947, pediu para que a ONU “não aceitasse adiar a votação e aprovasse de imediato a partilha, não levando em conta esforços dos países árabes para um acordo”.

Uma das propostas, segundo Thomas Hamilton, que escreveu o artigo para o New York Times, era retornar a questão para o Comissão Ad Hoc sobre a Palestina, levando em conta as sugestões árabes. Estes países eram contra a divisão do território em dois países, argumentando que os árabes eram maioria mesmo no Estado judaico.

Os argumentos apresentados não convenceram Aranha, que tinha crença na solução de dois Estados. Camille Chamoun, embaixador do Líbano junto às Nações Unidas e que viria a ser presidente libanês, tentou se reunir com o diplomata brasileiro para pelo menos adiar a votação, mas foi ignorado. No fim, o embaixador do Brasil entrou para a história e hoje dá nome a um kibutz e a uma praça em Israel.

Apesar deste papel na votação da partilha, o Brasil não reconheceu imediatamente o Estado de Israel quando este proclamou a independência em maio do ano seguinte. O reconhecimento aconteceu apenas em fevereiro de 1949, com reclamações do Egito. Em resposta ao Cairo, o Ministério das Relações Exeteriores brasileiro afirmou ter tomado a decisão “depois de muitos países e não seria correto não reconhecer Israel”.

Os árabes talvez tivessem mais sorte se outra nação da América Latina estivesse na presidência da Assembleia Geral. O Chile, com uma das maiores comunidades palestinas da diáspora, alterou a sua posição depois de pressões internas. O PRI mexicano, assim como Juan Domingo Perón, na Argentina, mantinha boas relações com o mundo árabe. Cuba vivia um hiato dentro da ditadura de Fulgencio Baptista, sendo governado pelo populista Ramon Grau San Martin.

Leiam ainda o Radar Global. Também acompanhem a página do Inter do Estadão no Facebook

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista

O jornalista Gustavo Chacra, correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

Comentários (195)| Comente!

no twitter @gugachacra

Se eu fosse o Binyamin Netanyahu, não perderia a oportunidade histórica de reconhecer o Estado palestino nas Nações Unidas. E quem concorda comigo é o Yossi Beilin, principal negociador pelo lado israelense dos Acordos de Oslo. Na semana passada, conversamos por mais de uma hor em um hotel aqui de Nova York sobre a iniciativa palestina de buscar o reconhecimento do Estado como membro pleno da ONU.

Notem que os palestinos querem um Estado com base nas fronteiras de 1967, Jerusalém Oriental como capital e não tocam na questão dos refugiados. Agora, observemos o outro lado da equação. Israel teria finalmente Jerusalém (pelo menos o lado ocidental) reconhecida como capital, assim como todo o território do outro lado da linha verde e sem a necessidade de se falar nas centenas de milhares de refugiados.

Mais importante, seria reconhecido não apenas por nações européias e EUA, que ainda mantêm a sua capital em Tel Aviv, como também por todos os países árabes e o Irã. Isso mesmo, o reconhecimento palestino pela ONU implica indiretamente o reconhecimento de Israel mesmo pelos iranianos, sírios, sauditas e quem quer que seja que ainda use o termo entidade sionista.

O problema, como diz Beilin, é que Israel e EUA, em vez de aproveitar a oportunidade, sequer querem ver como será o texto palestino para alterar alguns pontos e, por que não, impor algumas demandas israelenses.

Leiam ainda o Radar Global. Também acompanhem a página do Inter do Estadão no Facebook

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista

O jornalista Gustavo Chacra, correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

Comentários (299)| Comente!

Arquivo

Blogs do Estadão