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Gustavo Chacra

no twitter @gugachacra

A Irmandade Muçulmana decidiu lançar o empresário Kheirat al Shater neste domingo como candidato à Presidência porque temia a emergência do salafista e radical Hazem Salah Abu Ismail como favorito na disputa.  Antes disso, a organização islâmica trabalhava com o Conselho Supremo das Forças Armadas para escolher conjuntamente um nome neutro.

Para a Irmandade, o ideal seria manter apenas o controle do Parlamento e da constituinte, deixando os militares com alguma força no poder executivo. Diante da ameaça e do radicalismo de Ismail, o próprio Exército concordou, apesar de não publicamente, que a única alternativa seria Shater.

Caso sua candidatura alavanque, como é provável, Ismail se transformaria apenas em um candidato marginal. Amr Moussa, ex-secretário geral da Liga Árabe e laico, passaria a ser o principal adversário.

Neste cenário, o Egito teria duas opções moderadas para os padrões do Oriente Médio. De um lado, um executivo religioso, mas sem radicalismo, que exerceria um governo pragmático, preocupado com a política doméstica e uma agenda interna não muito distinta da de Recep Tayyp Erdogan, premiê da Turquia. Do outro, um experiente burocrata que busca manter o secularismo do Egito.

É importante, porém, observar com atenção a constituinte do Egito, que é completamente controlada pela própria Irmandade e pelos salafistas. Neste caso, esperamos que a tradicional organização islâmica defenda os valores mais moderados de Shater, não cedendo ao radicalismo de Ismail.

O Egito, assim como a Tunísia, ruma para a democracia. Mas o caminho será longo e repleto de obstáculos.

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Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista

O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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Na Rússia, neste fim de semana, dezenas de milhares de pessoas protestaram contra supostas fraudes em eleições parlamentares. Eles também querem o fim do poder de Putin, que tentará retornar à Presidência oficialmente no ano que vem.

Segundo alguns analistas, estas manifestações indicam que os russos não querem mais Putin, ou seu fantoche Medvedev, no poder. Isto é, se 40 mil pessoas saem às ruas em um país de 140 milhões, o governo deveria cair. Meio bizarra esta afirmação. O mesmo é afirmado nos recentes protestos da praça Tahrir no Egito e também na Síria, onde Damasco e Aleppo, as duas maiores cidades, ainda não observaram protestos contra Assad.

Sem dúvida, muitos russos não querem mais Putin comandando Moscou. No entanto, uma enorme parcela da população defende o ex-presidente. Apenas eleições justas podem definir se o líder russo deve voltar oficialmente ao poder. Pelo menos, diferentemente de Hugo Chávez, ele concordou em sair da Presidência depois de cumprir dois mandatos. Não desrespeitou a lei como o venezuelano.

Também vários egípcios são a favor dos militares. Eles temem sim uma radicalização de um país conhecido nos anos 1920 e 30 por ser cosmopolita e tolerante, mas que hoje vê o fortalecimento de grupos salafistas. Chegou a um ponto onde, nno Cairo, a Irmandade Muçulmana passou a ser vista como “moderada”. Mas eles venceram a eleição e não há do que reclamar. Em Damasco, dizer que “o povo sírio quer o fim do regime de Assad” tampouco é correto. Na verdade, existem movimentos a favor da queda do atual governo, assim como outros querem a manutenção de Bashar e seus aliados do partido Baath. Prestem muita atenção à maioria silenciosa.

Conforme escrevi antes da minha folga, muita gente gosta de ditadura, inclusive no Brasil. Médici era muito popular. Pinochet também, no Chile. Uma pena, mas o mundo é assim.

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Há dois meses, estive na Síria, onde realizei uma série de reportagens. Na época, escrevi que o país estava à beira de uma guerra civil. A ONU confirmou em Genebra esta informação ontem. Também escrevi até mesmo antes de viajar que a oposição vinha sendo armada por países do golfo. As informações também foram confirmadas.

Hoje escrevo para dizer que o risco para o Egito não é a Irmandade Muçulmana. Por incrível que pareça, nos próximos meses, eles passarão a ser vistos como moderados e defensores de alguns valores egípcios. O mais grave são os salafistas, segundo colocados nas eleições. Um amigo egípcio, da elite do Cairo, me disse ontem ser assustadora a posição de alguns deles, que conseguiram mais de 50% dos votos em Alexandria, uma cidade conhecida por ser cosmopolitia e tolerante no passado.

Financiados pela Arábia Saudita, estes salafistas adotam posições próximas da Al Qaeda. No caso do Egito, se posicionarão abertamente contra Israel e devem facilitar o tráfico de armas para Gaza. No território palestino, apóiam grupos ainda mais radicais do que o Hamas. Em Homs, na Síria, são os principais responsáveis pelos ataques contra cristãos e alauítas. O mundo dos salafistas é a antítese do que foram cidades como Aleppo e Alexandria até a primeira metade do século 20.

Em abril, no começo da Primavera Árabe, escrevi sobre o fim das cidades árabes cosmopolitas árabes e o aumento da religiosidade.

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Antes de começar, entrem para escolher no portal do Estadão o fato mais marcante de 2011.

Com uma rede de voluntários espalhados por todo o Egito, a Irmandade Muçulmana demonstrou bem mais preparo do que seus adversários salafistas e seculares na condução do processo eleitoral no maior país árabe do mundo.  Favorita, a entidade islâmica, devido a esta mega-operação, deve ter ainda mais votos para o Parlamento do que o previsto inicialmente, segundo analistas.

Seus membros estiveram presentes em postos eleitorais de cidades grandes, como Cairo e Alexandria, e também de pequenas vilas no interior para auxiliar os eleitores em uma complicada votação, de acordo com observadores internacionais. Diante de uma falta de organização do governo, o partido islâmico servia como instrutor para quem não entendesse como funcionava o sistema.

Por incrível que pareça, o partido conservador soube usar a modernidade de campanhas eleitorais ocidentais para derrotar agremiações laicas que ficaram no passado.

“A Irmandade montou uma rede de voluntários muito superior às dos rivais para treinar os eleitores. Em alguns casos, ensinava como eles deviam fazer para votar no partido. Desta forma, o Partido da Justiça e da Liberdade, da Irmandade, deve ter um desempenho bem acima do esperado. Dificilmente eles ficarão decepcionados com os resultados”, disse Hani Sabra, da consultoria de risco político Eurasia.

Ed Husain, do Council on Foreign Relations (CFR), seguiu na mesma linha. “Eleitores confusos pediam ajuda a voluntários da Irmandade para entender o sistema. Eles estavam espalhados ao redor do Cairo com laptops em mesas de campanha com duas instruções. Primeiro, sobre como votar. E, em segundo lugar, como votar para a Irmandade Muçulmana”, afirmou.

Os adversários também admitiam que não souberam montar uma estratégia para os dias da eleição e viam o preparo da Irmandade como um diferencial na busca dos votos.  “Nós não espalhamos nossos militantes e tampouco estivemos perto o suficiente dos eleitores. Outros partidos foram mais experientes em conseguir apoio efetivo”, disse Emad Abdel Ghafour, de um partido salafista, ainda mais radical do que a Irmandade. Os partidos seculares, apesar de alguns de seus membros terem estado na vanguarda do uso de redes sociais, tampouco souberam explorar o dia da votação como os rivais islâmicos.

Quando começaram os protestos, a Irmandade manteve uma distância dos acontecimentos na Tahrir. Porém analistas já advertiam na época que o grupo islâmico era o único preparado para uma eleição. Desta forma, agremiações mais seculares queriam mais tempo para poder se organizar no processo eleitoral. O prazo foi considerado muito curto para formar partidos fortes depois de décadas de ditadura.

Membros da Irmandade dizem ter a expectativa de conseguir cerca de um terço do Parlamento. Junto com algumas agremiações islâmicas menores, eles podem conseguir uma maioria conservadora em questões religiosas no Egito. Este resultado deve assustar os egípcios mais seculares e também os cristãos coptas, que representam um décimo da população e reclamam de preconceito. Husain, do CFR, avalia que existe um risco de estes setores se aliarem a membros do antigo regime contra a Irmandade. Na época de Mubarak, o partido islâmico era considerado ilegal.

Além do preparo da Irmandade, a eleição parlamentar no Egito tem sido marcada por um elevado comparecimento às urnas. De acordo com autoridades egípcias, o número pode passar dos 70% nesta primeira etapa, na qual 17 milhões de pessoas tem o direito de votar. O resultado final da disputa parlamentar está previsto para o dia 11 de janeiro em um processo que durará mais de seis semanas.

Na semana passada, havia o temor de que menos pessoas fossem votar diante dos protestos na praça Tahrir e da repressão violenta por parte dos militares, que comandam a transição.  No fim, tudo tem sido calmo.

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A queda de Hosni Mubarak era dada como certa por consultorias de risco político em agosto de 2010. Naquela época, eu escrevi reportagem no Estadão dizendo que os militares não queriam mais o ditador e muito menos o seu filho Gamal no comando do governo no Cairo.

O objetivo deles era forçar Mubarak a não se candidatar nas eleições presidenciais, marcadas para setembro deste ano, e impedir Gamal de se lançar como sucessor do pai. Todo o processo seria armado ao longo de 2011. Os nomes para suceder o então ditador eram justamente os dos atuais integrantes da Junta Militar.

Os levantes na Tunísia que culminaram na deposição de Ben Ali aceleraram o processo. Os egípcios foram às ruas e o Exército serviu como guardião da nação, bloqueando as iniciativas de Mubarak. Se pudesse, o egípcio teria realizado massacres como os de Bashar al Assad, na Síria. Mas os militares o impediram.

A jogada das Forças Armadas foi genial. Mubarak foi tirado da frente sem esforço deles, que ainda passaram a ser idolatrados pelo povo. Desta forma, poderiam conservar o poder, especialmente em questões de política externa, sem perder a ajuda bilionária concedida pelos Estados Unidos.

As eleições serviriam para dar um verniz de democracia, enquanto o país genuinamente, em questões domésticas, se abriria em relação ao período de Mubarak. A Irmandade Muçulmana, em um primeiro momento, aceitou a manutenção do poder do Exército. Afinal, eles não estavam na vanguarda da revolução e precisavam de um tempo para se revigorar e deixar de lado os jovens seculares que lotaram a Tahrir no início deste ano.

Dez meses mais tarde, diante de uma provável vitória nas eleições parlamentares, os islamistas saíram às ruas para protestar contra o regime. Mas a Irmandade Muçulmana perdeu o controle. Para o partido, as manifestações podem atrapalhar as eleições e impedir o grupo de chegar ao poder. O problema é que membros mais radicais não apenas da agremiação estão insatisfeitos com o Exército e não querem esperar.

As Forças Armadas deixaram de ser os protetores da nação e voltaram a ser vistos como os aliados de Israel. Na Primavera Árabe, uma coisa certa é a elevação do sentimento anti-israelense. Como é comum nos Exércitos do mundo árabe, eles mataram 28 pessoas. Obviamente, não serão suspensos da Liga Árabe. Apenas Bashar e Kadafi foram porque não puxavam o saco da Arábia Saudita. Até mesmo o genocida do Sudão segue firme e forte na entidade.

Voltando ao Egito, os protestos de hoje podem ser menos simbólicos do que os de janeiro. Porém podem definir o futuro não apenas do Cairo, mas de toda a região. O Oriente Médio está mais democrático, mas mais religioso. Cresce a democracia, mas diminui a liberdade. As mulheres e as minorias vão sofrer, tenham certeza.

Nunca se esqueçam daquelas fotos de Alexandria nos anos 1960, com as mulheres de cabelos soltos na praia, quando o Egito era uma nação mediterrânea. Hoje, uma foto registrará uma cena de mulheres de véus.

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Acompanhe em tempo real as manifestações no Egito contra o regime de Hosni Mubarak. No twitter, @gugachacra

19h40 -A história das duas irmãs muçulmanas conservadoras em defesa da democracia

O relato é do colunista Nicholas Kristof, do New York Times - As duas irmãs de meia idade, Amal e Minna, caminhavam em direção à praça para se juntarem ao movimento pró-democracia (do Egito). Elas cobriam as suas cabeças no estilo islâmico conservador e estavam tímidas e frágeis quando os bandidos as cercaram, as empurraram e as agrediram verbalmente. Porém, lado a lado com este lado horrendo da humanidade, você vê o melhor. As duas irmãs mantiveram as suas posições. Explicaram calmamente porque queriam reformas democráticas e escutaram os berros do bando pró-Mubarak. Quando elas se recusaram a se acovardar, os homens perderam interesse e se distanciaram. As duas irmãs continuaram andando até o centro da praça Tahrir.

19h10 – Fareed Zakaria e a Foregn Policy afirmam que o Cairo de 2011 não é Teerã de 1979; eu concordo

Fareed Zakaria, analista da rede de TV CNN e da revista Time, acabou de afirmar que não dá para comparar o Irã de 1979 com o Egito de hoje. A Foreign Policy, mais importante publicação de política externa dos EUA, também publicou texto no mesmo sentido. Eu concordo. Há várias diferenças. Primeiro, óbvio, a população do Egito é sunita. Do Irã, xiita. São opostas e não há clero entre os sunitas. Em segundo lugar, não há um líder islâmico no Cairo como o aiatolá Khomeini, certamente uma das figuras mais carismáticas do século 20. O Egito também tem outras forças importantes, como um Exército extremamente secular. O Estado islâmico também se consolidou com a Guerra contra Iraque, na década seguinte E a Irmandade, radical em alguns pontos, moderou a sua agenda. Caso seja engajada, pode caminhar para uma via mais próxima da Turquia. Como disse Zakaria, o “Egito não é uma república de bananas”.

18h15 – A história da jornalista Shahira Amin, que pediu demissão da TV do regime para protestar nas ruas contra Mubarak

A decisão da jornalista Shahira Amin de pedir demissão do cargo de âncora da Nile TV, a rede estatal do Egito, para se juntar aos manifestantes na praça Tahrir é uma marca para o fim da máquina de propaganda de Mubarak. “Eles queriam me proibir de exibir os protestos contra o governo”, disse. Depois de fracassar na tentativa de reprimir as manifestações, o líder egípcio agora começou a prender os jornalistas estrangeiros. Tática usada por Mahmoud Ahmadinejad no Irã em 2009

17h30 Relato enviado pela leitora Jade, que mora no Cairo (da forma como ela escreveu)

“As coisas por aqui são o que vocês vêem na TV mais o que acontece FORA DA PRAÇA TAHIR, que é a vida. Mulheres, cachorros, crianças na rua… Eu sou morena, muçulmana, aqui uso lenço na rua então não dá nem pra dizer que “ah, você consegue comida e água porque é gringa!” porque falo árabe, compro com a moeda local, enfim… Não q a imprensa “exagere”, da minha janela eu vejo a tal da “milícia de bairro” que relatei ao meu marido, revólver, facão, foice, pedra amarrada em corda, chicote, tem até espada!

Cai a noite e começa o “climão”. E tem um “QG” no bairro onde estou morando que faz “ronda local” bem embaixo da minha janela. Quando é altas da madrugada eles acendem fogueira, fumam, falam e até riem… De conversar com as pessoas (poucas, porque não saio na rua) sinto uma certa “brochidão”, como “Se Deus quiser… Talvez… não sei…”, também o terror do”Faraó” que pode colar, já colou “olha o que acontece quando discordam de mim! viu!” mas, ao mesmo tempo, sinto que cada qual está tentando fazer a sua parte, uns vão pra praça, outros defendem o bairro, as pessoas se envolveram mas têm medo, muito medo.

O Egito vive, em boa parte, de Turismo e, por conta do desemprego q sempre foi muito grande, os turistas garantem “alguma coisa na panela” porque o Cairo está cheio deles, sempre, e “caixinha” é tradição aqui… É uma informação aqui, carregam uma mala ali, são gentis e acabam levantando algum. O fato de ninguém querer vir pra cá é que é um CAOS, é o que vai “quebrar de uma vez” o Cairo (não conheço bem o restante do país… ) mas sinto nas pessoas que a maior preocupação deles é esta e tenho muitos temores… Sempre teve gente pró e contra o “Faraó Mobarak” mas eles falavam disso dividindo o mesmo carro, o mesmo sofá, o mesmo prato, como aí no Brasil, essa história do povo se enfrentando vai mudar tudo!

Daqui há cem anos há quem vá dizer “seu avô jogou uma pedra no meu tio! sua família não presta!” tenho amigos que odeiam os políticos no qual eu voto e tudo bem mas se a gente for pra rua se enfrentar por conta disso um dia, tudo muda. Pra pior, é claro. E me sinto NA OBRIGAÇÃO de fazer uma crítica à postura da Imprensa Brasileira, não por conta do exagero porque nem sei se tem “exagero” mas pelo mal gosto na hora de publicar as coisas, especialmente as fotos e a falta de INFORMAÇÕES ÚTEIS para quem, como é o meu caso,realmente PRECISA delas. Ninguém fala do Cairo “além Praça Tahir”. Eu tenho “amigos” se dirigindo a mim em “tom de despedida”! Minha família e amigos estão DESESPERADOS. Eu estava relativamente tranquila até “procurar notícias em português”… É muito pior do que o que vejo da minha janela, é um “estorvo”, calma! Um pouco de calma, só um pouco! Hoje eu fiz arroz “brasileiro” e fatuche, comemos, rimos… Informação é uma coisa, terror é outra!

Hoje no site da UOL tinha uma embaixo da outra, fotos de uns caras arrebentados na rua aqui e uma foto de um muro pichado “Ronaldo Gordo” e sei lá o que mais… Já que é pra tratar o que está acontecendo aqui dessa maneira irresponsável, então que fale só de futebol de uma vez e deixa que EU INFORMO MINHA FAMÍLIA pessoalmente! E informação, cadê?

Vou dar uma: Passa um pouco das 21 hs aqui, já foi o horário da última reza e, como hoje é o “sábado à noite” dos países muçulmanos, era pra estar acontecendo “alguma coisa” e está um SILÊNCIO DE DAR MEDO. Nada… Nem uma buzina em uma das cidades mais barulhentas do mundo e eu aqui, “de refém” dentro do apartamento sem UMA NOTÍCIA do que está acontecendo lá fora. Por que? Por que não tem!.. Cadê os caras que passaram os dias de ontem e hoje inteiros mandando foto de gente “arrebentada”, atirando pedras aí pro Brasil? Vendo no que vai dar o Campeonato? Vou continuar procurando… Se tiver alguma novidade volto aqui e conto pra vocês.
Deus nos Abençõe!

Jade

15h15 – A queda de Mubarak ainda não ocorreu, mas Suleiman assume o comando do Egito

breaking news 1Vice-presidente diz que não quer ser presidente

breaking news 2 - Suleiman também deixa claro que Gamal, filho de Mubarak, não concorrerá à Presidência

breaking news 3Suleiman faz crítica indireta à Al Jazeera e Qatar

breaking newa 4Suleiman afirma que “forças externas” estão por trás da violência

Análise da entrevista de Suleiman – Omar Suleiman, vice-presidente e chefe da inteligência, já assumiu as rédeas do governo do Egito. Está dialogando com a oposição. Concede neste momento entrevista na TV respondendo a perguntas sobre os acontecimentos nos últimos dias. Deixou claro que Gamal, filho de Hosni Mubarak, tampouco disputará a eleição. Conforme escrevi em análises anteriores, Suleiman, junto com o premiê Ahmed Shafiq, comandará uma transição lenta e instável que culminará em uma democracia precária. A política doméstica ficará nas mãos dos civis. A segurança e a política externa nas mãos dos militares. A Irmandade Muçulmana poderá participar do processo desde que torne a sua agenda mais moderada. Mubarak deve ser removido nos próximos dias ou permanecer como um fantoche.

13h – Diretas Já e o Levante no Egito

Cansados dos 20 anos de anos de ditadura militar, em 1984, centenas de milhares de brasileiros participaram do movimentos pelas Diretas Já. A maioria da população brasileira queria votar para presidente. Mas não conseguiu. A emenda Dante de Oliveira foi derrubada. O regime optou por uma transição lenta e controlada. Comunistas ficaram de fora. Havia ainda o temor de uma nova Cuba no Brasil. No fim, os militares apoiaram o civil Paulo Maluf, que acabou derrotado por Tancredo Neves no Congresso Nacional.
O Egito vive um momento parecido. Centenas de milhares de pessoas estão nas ruas protestando contra o governo. A maioria da população quer eleições livres para presidente. E o regime optou por uma transição controlada. Não querem radicais islâmicos no processo. Mas aceitariam facções moderadas da Irmanda Muçulmana. Guardadas as enormes diferenças, a organização egípcia seria o equivalente do PT na época. E o Fernando Henrique poderia ser comparado ao Mihammad El Baradei, com sua boa imagem externa.
Mas há quatro diferenças. No Brasil, Figueiredo estava no poder há cinco anos e não era um ditador personalista, como Mubarak. Sempre aceitou o fim de seu mandato. O líder egípcio se acha um faraó, o dono do Egito, que deixaria um país de herança para seu filho Gamal. Figueiredo não era assim. Também havia no Brasil a Lei da Anistia, o que dava uma segurança aos militares. A transição já havia começado no fim dos anos 1970. Para completar, havia uma tradição democrática maior no Brasil

10h30 – Queda no turismo deve afundar economia egípcia

Mauro Guillén, da Universidade da Pennsylvania – Na avaliação dele, o maior fator nas manifestações no mundo árabe é a economia e não a ausência de democracia. “O desemprego atinge 25% ou mais em muitos destes países, chegando a 60% entre os mais jovens. Quando você não tem emprego, pede mudança. Os levantes são motivados por questões econômicas. O risco maior é que o Canal de Suez e o turismo serem afetados. O que ocorrer com o Egito, afetará seus vizinhos”.

Mohammad El Erian, presidente do mega fundo de investimentos PIMCO, na Califórnia, – também prevê um cenário sombrio para a economia em análise sobre a crise no Egito. “Dependendo de como evoluir o cenário nos próximos dias, não apenas os egípcios mas toda a economia mundial será afetada. O Egito é crítico por permitir o comércio mundial e, indiretamente, afeta outras nações. Com seu controle do Canal de Suez, o Egito reúne parcela importante do mercado mundial. Mais importante, a instabilidade do Egito afeta outros países árabes”

7h3o – Exécito precisará tomar posição - Análise para o dia, segundo consultorias de risco político – A instabilidade deve prosseguir no curto prazo, com novos episódios de violência hoje. As próximas 24 horas devem definir como os militares se posicionarão. O Exército precisará definir se opta por manter a sua credibilidade ou por manter Hosni Mubarak no poder. A tendência é a escolherem a primeira e forçarem a saída do presidente. No médio prazo, haverá uma transição para um democracia limitada. O processo será comandado pelo vice-presidente e chefe da Inteligência do Egito, Omar Suleiman, e pelo premiê, Ahmed Shafiq. No fim, a tendência será um governo civil, mas com a segurança e a política externa nas mãos do Exército

2h – Hosni Mubarak passa a usar táticas de Saddam Hussein

Ben Wedeman, correspondente da CNN no Oriente Médio, afirma que o tiroteio durante a madrugada na praça Tahrir, no Cairo, foi patrocinado para o governo. Três pessoas morreram. Morador do Egito, este jornalista conhece bem o país. O acadêmico libanês Fuad Ajami, professor da American University e um dos principais especialistas em Oriente Médio nos EUA, afirma que Hosni Mubarak começou a adotar táticas de Saddam Hussein. Primeiro com a libertação dos presos e agora com o uso da violência para combater os protestos. O ditador fez o mesmo na invasão americano O objetivo é tentar mostrar para a população que a opção é entre ele e o caos. Estabilidade ou violência. Mas não funcionará, como não funcionou com Saddam, segundo Ajami.

A secretária de Estado, Hillary Clinton, telefonou para o vice-presidente e chefe da Inteligência do Egito, Omar Suleiman, para reclamar da violência  de ontem depois de dias de manifestações pacíficas. Há suspeitas de que os pretestos proó-Mubarak tenham sido organizados pelo próprio governo. Jornalistas, como Anderson Cooper, da CNN, também foram atacados.

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