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Gustavo Chacra

no twitter @gugachacra

Ainda estou na localidade secreta. Vou embora, para outro país, na sexta-feira. Nesta data, revelarei o meu futuro destino. Mas direi para onde vim apenas no domingo e vocês entenderão o motivo. Como estou apurando uma série de reportagens, não estou em condições de acompanhar as notícias internacionais.

Lembro apenas que foi neste blog que pela primeira vez um jornalista abordou a ocupação de Wall Street no Brasil. E também será aqui que vocês saberão, na semana que vem, de uma série de novidades envolvendo umas das questões mais importantes do planeta.

Antes disso, decidi que iria escrever da história blogueira do Oriente Médio. Escrevi duas partes: 1. formação do Oriente Médio e 2. os mandatos francês e britânico. Mas hoje achei melhor mudar e fazer uma experiência de teria dos jogos com vocês para tentar descobrir o que acontecerá nas negociação entre israelenses e palestinos.

Primeiro, precisamos separar todas as forças envolvidas. Em segundo lugar, temos de definir o objetivo de cada uma delas. Terceiro, atribuir um peso a cada uma. Por último, estabelecer a força de cada uma destas partes. Isso, o quanto cada uma delas quer este objetivo. Neste caso, queria pedir a ajuda de vocês para definir. Com estes valores, vou calcular qual será o resultado mais provável no próximo post.

Portanto, para cada uma delas, por favor, atribuam um P (peso), de 0 a 10, e um F (força) de 0 a 10, sendo 10 o peso máximo de um destes grupos (os EUA obviamente tem mais força do que a Liga Árabe, por exemplo). O F dos colonos em querer ficar na Cisjordânia é certamente superior à vontade da União Européia de criar as fronteiras de 1967. Depois, calcularei o resultado de acordo com os dados enviados pelos leitores. Pediria que fossem sérios na atribuição de valores

Casa Branca e Departamento de Estado

Fronteiras – com base em 1967 P? F?

Jerusalém – dividida P? F?

Refugiados – sem retorno P? F?

Status na ONU – entidade observadora P? F?

 

Congresso dos EUA

Fronteiras – incorporando todos os assentamentos a Israel P? F?

Jerusalém – capital unificada de Israel P? F?

Refugiados – sem retorno P? F?

Status na ONU – entidade observadora P? F?

 

União Européia

Fronteiras – com base em 1967 P? F?

Jerusalém – dividida P? F?

Refugiados – sem retorno P? F?

Status na ONU – Estado observador P? F?

 

BRICs

Fronteiras – 1967 P? F?

Jerusalém – dividida P? F?

Refugiados – sem definição P? F?

Status na ONU – Estado pleno P? F?

 

Liga Árabe

Fronteiras – 1967 P? F?

Jerusalém – dividida P? F?

Refugiados – abertos a discussão P? F?

Status na ONU – Estado pleno P? F?

 

Governo de Israel

Fronteiras – Incorporando todos os assentamentos P? F?

Jerusalém – Capital unificada P? F?

Refugiados – Sem retorno P? F?

Status na ONU – Entidade observadora P? F?

 

Colonos na Cisjordânia

Fronteiras – Todo o território para Israel P? F?

Jerusalém – Capital unificada P? F?

Refugiados – Sem retorno P? F?

Status na ONU – Entidade observadora P? F?

 

Oposição de Israel

Fronteiras – Com base em 1967 P? F?

Jerusalém – Capital unificada P? F?

Refugiados – Sem retorno P? F?

Status na ONU – Entidade observadora P? F?

 

Autoridade Palestina

Fronteiras – Com base em 1967 P? F?

Jerusalém – Dividida P? F?

Refugiados – Com retorno P? F?

Status na ONU – Estado pleno P? F?

 

Hamas

Fronteiras – Toda a Palestina histórica P? F?

Jerusalém – Capital unificada do Estado palestino P? F?

Refugiados – Com retorno P? F?

Status na ONU – Estado pleno P? F?

 

Hezbollah

Fronteiras – Toda a Palestina histórica P? F?

Jerusalém – Capital unificada do Estado palestino P? F?

Refugiados – Com retorno P? F?

Status na ONU – Estado pleno P? F?

 

Turquia

Fronteiras – 1967 P? F?

Jerusalém – Dividida P? F?

Refugiados – indefinido P? F?

Status na ONU – Estado pleno P? F?

 

Irã

Fronteiras – Toda a Palestina histórica P? F?

Jerusalém – Dividida P? F?

Refugiados – Com retorno P? F?

Status na ONU – Estado pleno P? F?

 

ONU (o secretário-geral)

Fronteiras – Com base em 1967 P? F?

Jerusalém – Dividida P? F?

Refugiados – indefinido P? F?

Status na ONU – indefinido P? F?

 

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Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista

O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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no twitter @gugachacra

Conforme afirmei nos posts anteriores, apenas direi o lugar onde estou na sexta-feira. Vocês entenderão os motivos. E, para não deixar o blog parado, decidi escrever a história blogueira do Oriente Médio. Nestes textos, não tenho nenhuma ambição acadêmica e tampouco didática. Na primeira parte, falei como era a vida no Império Otomano. Hoje, falarei de como ficou a situação depois da Grande Guerra, como era chamada a Primeira Guerra Mundial antes de termos a Segunda.

Quando o império otomano naufragou, os turcos acabaram ficando apenas com a região da Anatólia. Quem estava nesta área e não era turco sofreu. Os armênios acabaram sendo, ainda durante o conflito, alvos de um genocídio, não reconhecido oficialmente pelo Brasil, Estados Unidos e Israel, apesar de Líbano, Síria e França reconhecerem.

Nos anos seguintes à fundação da Turquia, Mustafá Kemal Ataturk levou adiante a Revolução Kemalista, que ocidentalizou a Turquia. Os reflexos desta podem ser vistos na sociedade turca até hoje, como no uso do alfabeto latino.

A parte árabe do Oriente Médio foi dividida entre a França e a Grã Bretanha. Mas comecemos pelos ingleses. Eles prometeram para o Sherif de Meca que dariam a Arábia Saudita para a sua família. Obviamente, não cumpriram e o país ficou para os Saud mesmo e sua aliança com os Wahabbitas.

O resto foi dividido entre Londres e Paris. O que hoje é o Iraque, Jordânia, Israel e territórios palestinos ficou para a Grã Bretanha. Já a Síria e o Líbano, para a França.

Mas, na época, não existiam estes países, apesar de algumas fronteiras de províncias otomanas seguirem esta linha. Por exemplo, o Monte Líbano era uma subprovíncia e não integrava a de Damasco. Mas, no fundo, como afirmei no texto anterior, a identidade era associada à religião e à cidade. As divisões foram construídas artificialmente pelos europeus. Afinal, qual a grande diferença de um morador de Homs e outro de Zahle? As cidades ao sul do rio Litani libanês tinham uma proximidade maior com Haifa. As do vale do Beqa, com Damasco. No Monte Líbano, entre cristãos maronitas e drusos, havia uma noção maior de ser “libanês”. Beirute e outras metrópoles litorâneas eram cosmopolitas, voltadas para o Mediterrâneo, com armênios, cristãos ortodoxos, judeus e sunitas.

Precisando pagar a promessa não cumprida para o Sherif de Meca, a Grã Bretanha deu para um dos filhos dele as Províncias de Mosul, Bagdá e Basra, que foram unificadas com o nome de Iraque. Neste país, viveriam juntos curdos sunitas, árabes sunitas, xiitas, cristãos e judeus.

O outro filho ganhou a Jordânia. Era uma área habitada por beduínos, sem grande interesse. Esta monarquia Hashemita, na verdade, sempre esteve de olho na Síria. Mas esta antiga Província Otomana estava com os franceses.

A França, diferentemente da Grã Bretanha, quis dividir as religiões. A idéia dos franceses era criar um país para os cristãos (Líbano), um para os drusos, um para os alauítas e dois para os sunitas (Damasco e Aleppo). No fim, apenas o Líbano, de maioria cristã nos tempos da independência, emergiu como autônomo. O resto permaneceu unificado na Síria.

Israel e Palestina, do mandato britânico, ficarão para o próximo capítulo.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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no twitter @gugachacra

Estou em uma localidade secreta, depois de 26 horas de viagem. Contarei onde vim parar apenas daqui uma semana, quando for embora. Vocês entenderão o motivo. Enquanto não posso revelar o meu paradeiro e como não estou em condições de acompanhar o dia a dia no resto do mundo, decidi contar um pouco da história blogueira do Oriente Médio. Blogueira porque não há nela nenhuma ambição acadêmica ou mesmo didática. Apenas quero abrir o assunto para debate e, tenho certeza, os comentaristas me ajudarão.

O mundo atual é dividido em Estados nações. Mas nem sempre foi assim. Esta é uma noção européia relativamente recente. Partes da Ásia e da África ficaram independentes apenas nos últimos cem anos. Antes, eram os impérios, como os britânicos, francês, português, austro-húngaro, otomano, russo, chinês, entre outros.

A maior parte do Oriente Médio integrava o Império Otomano, decadente há alguns séculos. Nesta entidade, não havia a necessidade de um país para os cristãos, outro para judeus, um para xiitas, outro para sunitas. Todos viviam ali dentro. Claro, não era perfeito. Tinha guerras e perseguições. Era o século 19. No Brasil, havia escravos. Os sunitas comandavam o Império Otomano, mas judeus e cristãos tinham o direito a administrar as suas questões.

As pessoas do Oriente Médio não diziam ser otomanas. Sua identidade variava. Influenciava a religião, o clã, a família, a vila, o território e mesmo a Província. Não é incomum nas sinagogas de São Paulo escutarmos uma pessoa dizer “minha família é judia de Aleppo”. Notem que não fala “síria”, “árabe”, “otomana”. Nada disso. Apenas, “de Aleppo”. Ser judeu de Aleppo tem as suas características próprias.

Minha avó libanesa era cristã de Rachaya, no vale do Beqa. A melhor amiga dela também era cristã e também do vale do Beqa. Só que a Dona Violeta nasceu em Zahle, a alguns quilômetros de distância. As duas, apesar de amigas, brigavam justamente por esta pequena diferença na identidade.

A Violeta chamava a Lorete, minha avó, de caipira porque Rachaya, aos pés do Monte Hermon, era menor e não tinha o rio Bardauni, como Zahle. Minha avó retrucava dizendo que Rachaya era uma cidade historicamente mais importante (onde proclamaram a independência do Líbano?) e onde se falava o árabe mais corretamente, além de ter melhor culinária.

Estas diferenças se proliferavam por todos os lugares da região e de outras partes do mundo. Mais uma vez usando o exemplo da minha avó, ela não convivia com sunitas e xiitas na vila dela. Logo, era como se fossem inexistentes. Os “outros” eram os drusos, que dividiam com os cristãos a pequena Rachaya.

Portanto, nesta época, não existia a idéia de libanês, de sírio, de palestino, de israelense, de jordaniano, de iraquiano. Eram todos otomanos que não se identificavam como Otomanos. Portanto, alguém de Nablus era nablousi. E, além disso, podia ser cristão ou muçulmano. No próximo capítulo, que publicarei domingo desta localidade secreta, falarei do fim do Império Otomano e da criação dos países no mandato francês e britânico. E, acreditem, chegarei até questões como a criação de Israel e da Palestina. Mas não hoje.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios


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