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Gustavo Chacra

no twitter @gugachacra

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A Argentina poderia ter os EUA ao seu lado ou ao menos neutro em 1982 no conflito das Malvinas/Falklands não fosse uma sucessão de erros do regime em Buenos Aires. Sem dúvida, em um primeiro momento, os americanos tinham mais simpatia pelos britânicos, especialmente devido à ótima relação de Ronald Reagan e Margareth Thatcher. Porém havia uma série de outros fatores envolvidos que favoreciam os argentinos em Washington.

Na administração de Reagan, havia o campo pró-Argentina e o campo pró-Inglaterra. O primeiro levava em conta a importância do regime argentino nas campanhas contra os comunistas na América Central, onde eles treinavam os aliados dos americanos. Além disso, nesta época, os outros regimes militares na região poderiam ficar mais cautelosos se os EUA defendessem os britânicos em detrimento dos argentinos (menos o Chile, claro). O outro lado, pró-Londres, lembrava que o governo deveria apoiar um país da OTAN e também frisava que, finalmente, depois de mais de 25 anos, as relações entre as duas nações havia cicatrizado depois da ruptura em Suez.

No conflito no Egito, em 1956, os EUA ficaram contra os britânicos, defendendo os egípcios. De uma certa forma, marcou definitivamente o declínio da influência da Inglaterra no mundo árabe, com o crescimento do americano, em vigor até hoje.

Diante desta divisão em Washington, um temor maior prevalecia na Casa Branca – e se os argentinos se aliarem aos soviéticos caso os aemricanos se posicionem ao lado dos britânicos? Vale lembrar que, apesar de todo o discurso anti-comunista, os argentinos vendiam trigo para Moscou. Isso fez os EUA tentarem contornar o problema sem assumir um dos lados publicamente.

Mas ao longo de todas as negociações diplomáticas, os EUA ofereceram soluções que não previam um retorno o status quo anti. Isto é, os argentinos estariam em uma situação melhor do que antes de 1982. Mas Buenos Aires, com um regime confuso e fazendo cálculos errados rejeitou todas as propostas, irritando Reagan. Thatcher se manteve firme e não perdeu as ilhas, no que talvez tenham sido a grande virada na sua administração. No fim, com a guerra, ganhou o aval do seu aliado em Washington.

Os EUA tampouco saíram enfraquecidos como previa o campo pró-Buenos Aires. Ficou claro que o campo pró-Londres estava correto. A ditadura argentina ruiu, em vez de se aliar aos soviéticos. A democracia começou a florescer em toda região. Verdade, Augusto Pinochet sobreviveria no cargo por mais alguns anos. Curiosamente, ele foi justamente o único da região a adotar um viés a favor dos britânicos.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacio

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